segunda-feira, 18 de março de 2019

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

John Pizzarelli e Daniel Jobim “Água de Beber”



John Pizzarelli e Daniel Jobim “Água de Beber”


"Água de Beber" ("Drinking Water") é uma canção brasileira da bossa nova, composta por Antonio Carlos Jobim, com a letra escrita por Vinicius de Moraes. A versão em inglês foi escrita por Norman Gimbel. A canção já foi gravada por Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Astrud Gilberto, Sergio Mendes, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Eliane Elias, Charlie Byrd, Al Jarreau, além de John Pizzarelli, entre outros.

Um dos engenheiros que ajudaram na construção de Brasília, Kléber Farias, relatou que em 1959, época da construção da nova capital do Brasil, Juscelino Kubitschek, o presidente do país, convidou Tom Jobim e Vinicius de Moraes para passar uma temporada no Catetinho (palácio provisório, feito de madeira) para compor uma sinfonia que deveria ser executada no dia da inauguração de Brasília. Numa noite qualquer, Vinicius e Tom caminhavam perto do Palácio de Madeira, quando ouviram o barulho de água atrás do Catetinho, e perguntaram para o vigia, “mas que barulho de água é esse aqui? Você não sabe não? É aqui que tem água de beber, camará."  Assim conheceram a fonte, de água e de inspiração para a primeira música composta em Brasília.

Duas das maiores influências de John Pizzarelli, Frank Sinatra e o compositor de bossa nova Antonio Carlos Jobim, se uniram em 1967 para gravar um álbum: “Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim” com muito sucesso. Em homenagem aos 50 anos do lançamento desse álbum, Pizzarelli lançou seu álbum “Sinatra & Jobim @ 50” em 2017. Ele declarou: "Jobim foi uma grande influência sobre mim na década de 1980: o que eu estava ouvindo, depois traduzindo e o que eu estava tirando disso. Muito do que fizemos neste disco, os medleys e os arranjos para as músicas novas, saíram do que eles fizeram em seu álbum e a influência que tiveram sobre a minha música. ” Fã declarado de Frank Sinatra, ele teve a oportunidade de, há 25 anos, acompanhar “A Voz” em uma turnê. "Abri shows para Sinatra em 18 cidades em 1993. Foi emocionante, para dizer o mínimo", disse o músico.

John Pizzarelli, Jr. (6 de Abril de 1960) é um guitarrista, vocalista e compositor norte-americano de jazz nascido em Paterson, Nova Jersey. Ele é casado com a cantora Jessica Molaskey e é filho de Bucky Pizzarelli, lendário guitarrista de jazz. As influências da música brasileira, principalmente da bossa nova, são flagrantes no trabalho de John Pizzarelli. O artista já gravou dois álbuns inteiramente dedicados à música brasileira: Brazil (na verdade, um álbum de Rosemary Clooney em que ele toca e canta 4 canções), em 2000 e Bossa Nova, em 2004. O artista teria tido seu primeiro contato com a música brasileira, em 1981, ao ouvir no rádio de seu carro a canção Besame Mucho interpretada por João Gilberto. A forma de tocar de Gilberto o teria impressionado tanto que ele teria comprado o LP Amoroso/Brasil e aprendido a tocar todas as canções nele contidas.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da Bossa Nova. Suas canções foram interpretadas por muitos cantores e instrumentistas no Brasil e internacionalmente. Em 1965 o álbum Getz / Gilberto (tendo Tom Jobim como compositor e pianista) foi o primeiro álbum de jazz a ganhar o Grammy Award para Álbum do Ano. A canção "Garota de Ipanema" foi gravada mais de 240 vezes por outros artistas, sendo uma das músicas mais gravadas de todos os tempos. Seu álbum de 1967 com Frank Sinatra, “Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim”, foi nomeado para Álbum do Ano em 1968. Jobim deixou um grande número de canções que agora estão incluídas nos repertórios standard de Jazz e pop.

Daniel Jobim (Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 1973) é um cantor, compositor e pianista, neto de Tom Jobim. Já gravou e se apresentou ao lado de artistas como Dorival Caymmi, João Gilberto, Tom Jobim, Gal Costa, Roberto Carlos, Milton Nascimento, Stevie Wonder e Sting, dentre outros. Atuou no Quarteto Jobim Morelenbaum, grupo instrumental e vocal de formação camerística, integrado também por Jaques Morelenbaum (violoncelo) e Paula Morelenbaum (voz). O repertório baseava-se na obra do avô, com arranjos fiéis aos do compositor, perpetuando seu estilo. Em 1995 foi vencedor do prêmio Grammy, como produtor do disco "Antônio Brasileiro" de Antônio Carlos Jobim na categoria Best Latin Jazz Performance. Em 2017, Daniel participou do álbum do guitarrista norte-americano, John Pizzarelli, intitulado SINATRA & JOBIM @ 50, que celebra os 50 anos do disco Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim.

Francis Albert "Frank" Sinatra (Hoboken, 12 de dezembro de 1915 — Los Angeles, 14 de maio de 1998) foi um cantor e ator norte-americano. Lançou vários álbuns com aclamação crítica, realizou tours internacionais, e foi um dos fundadores do Rat Pack, além de fraternizar com celebridades e homens de estado, incluindo John F. Kennedy. Sinatra também forjou uma bem-sucedida carreira como ator, vencendo um Óscar de melhor ator secundário, uma nomeação para Oscar de melhor ator e aclamação crítica por sua performance. Sinatra foi homenageado no Prêmio Kennedy em 1983 e recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade de Ronald Reagan em 1985 e a Medalha de Ouro do Congresso em 1997. Sinatra também recebeu 11 Grammy Awards, incluindo o Grammy Trustees Award, Grammy Legend Award e o Grammy Lifetime Achievement Award. Possui duas estrelas na Calçada da Fama, uma por seu trabalho na música e outra por seu trabalho na TV norte-americana. É considerado um dos maiores intérpretes da música na década de 1950.

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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Pinturas com Janela

Childe Hassam - Morning Light, 1914 – óleo sobre tela – 86,4 x 86,4 cm – coleção particular


Pinturas com Janela


Gustave-Caillebotte – Man at the Window, 1876 – óleo sobre tela – 116 x 81 cm – coleção particular


Lucian Freud - The Painter's Room, 1943 – óleo sobre tela – 62,2 x 76,2 cm – coleção particular


Boris Kustodiev - Japanese Doll, 1908 – crayon sobre papel - Tretyakov Gallery, Moscou, Russia


Edward Hopper - Apartment Houses, 1923 – óleo sobre tela – 61 x 73,5 cm – Pensylvania Academy of the Fine Arts, Philadelphia, PA, USA


Salvador Dali - Figure at the Window, 1925 – óleo sobre papel machê – 105 x 74,5 cm – Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri, Espanha


Pablo Picasso - Studio L'atelier (Les pigeons perches), 1960


René Magritte - The Human Condition, 1933 – óleo sobre tela – 100 x 81 cm -   National Gallery of Art, Washington DC


Henri Matisse - Open Window, Collioure, 1905 – óleo sobre tela – 55,3 x 46 cm – National Gallery of Art, Washington, DC, USA


Bartolomé Esteban Murillo - Two Women at a Window, 1655 – 1660 – óleo sobre tela - 125.1 x 104.5 cm – National Gallery of Art, Washington, DC, USA 

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Norman Rockwell - 'University Club" ou "In Fellowship Lies Friendship"

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Berthe Morisot - Cottage Interior (also known as Interior at Jersey), 1886 – óleo sobre tela – 50 x 60 cm - Musée d'Ixelles, Brussels, Belgium


Marc Chagall - Interior with Flowers, 1918 – tempera sobre papel - Museum-Apartment of Isaak Brodsky, St. Petersburg, Russia



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Análise da pintura "The Promenade" de Marc Chagall

Marc Chagall – “The Promenade” – 1918 - óleo sobre tela - 169.6 x 163.4 cm - Russian Museum, St. Petersburg, Russia


Análise da pintura "The Promenade" de Marc Chagall


Em "The Promenade" Chagall expressa as alegrias de seu casamento com Bella. Ele sorri enquanto segura um pássaro em uma mão e Bella na outra. Bella sobe, como se fosse uma pipa no céu, ligada à terra apenas pela mão amorosa de Chagall. Esta é uma das imagens que Chagall pintou durante uma visita à Bielorrússia, quando morava em Paris. Quando ele chegou, em 1914, a guerra eclodiu e ele não pode retornar. Em 1917, ele estava morando de volta em Vitebsk. Foi também o ano em que ele se envolveu com Bella. Voar celebra a alegria e êxtase de seu amor.

Nessa pintura, atrás deles, as casas e os campos são facetados em tons de esmeralda. Um cobertor de piquenique se destaca em um padrão colorido no primeiro plano inferior. Há uma exuberância de movimentos nas dobras esvoaçantes do vestido roxo de Bella que sugere felicidade, assim como a expressão de Chagall. Com um sorriso calmo, Bella, como Chagall, olha para o espectador. Eles se parecem com figuras em uma fotografia, presos no instantâneo de um momento feliz.

Marc Chagall (Vitebsk 1887–1985 Saint-Paul-de-Vence) foi um artista prolífico, cuja carreira se estendeu por muitas décadas. Ele trabalhou em muitos tipos de mídias: desenho, pintura, mídia impressa e vitrais. Chagall participou dos movimentos modernos do pós-impressionismo incluindo surrealismo e expressionismo. Nascido perto da aldeia de Vitebsk, na atual Bielorrússia, Chagall mudou-se para Paris em 1910 permanecendo lá até 1914 para desenvolver seu estilo artístico, retornando à Russia por sentir saudades de sua noiva Bella, com quem se casou. Em 1923 eles se mudaram novamente para a França, para escapar das dificuldades da vida soviética que se seguiram à I Guerra Mundial e à Revolução de Outubro. Em 1941, mudou-se para os Estados Unidos, escapando da Segunda Guerra Mundial e ali permaneceu até 1948, retornando para a França.

O início da vida de Chagall deixou-o com uma memória visual poderosa e uma inteligência pictórica. Depois de viver na França e experimentar a atmosfera de liberdade artística, ele criou uma nova realidade, que se baseou em ambos os mundos internos e externos. Mas foram as imagens e memórias de seus primeiros anos em Belarus, na Russia, que sustentaram a sua arte por mais de 70 anos. Há certos elementos em sua arte que se mantiveram permanentes e são vistos ao longo de sua carreira. Um deles foi a sua escolha dos temas e a forma como eles foram retratados. O elemento mais constante, obviamente, é o seu dom para a felicidade e sua compaixão instintiva, que mesmo nos assuntos mais sérios o impediam de dramatizar.

Uma dimensão simbólica sempre esteve presente nos temas de Chagall. Sem dúvida, esta abordagem ajudou Chagall a atingir a popularidade que seu trabalho desfrutava na época, mas ao mesmo tempo o desejo de ser compreensível emprestou às pinturas um toque de romantismo que parecia um pouco fora de época. Através de sua linguagem poética altamente original ele foi capaz de criar um novo universo a partir das três culturas diferentes que ele havia assimilado. Flores e animais são uma presença constante em suas pinturas, habilitando-o por um lado a superar a interdição judaica de representação humana, enquanto por outro lado formando metáforas para um mundo possível, em que todos os seres vivos possam viver em paz como na cultura medieval russa. Sua arte constitui uma espécie de mixagem entre culturas e tradições. A chave fundamental para sua modernidade reside no seu desejo de transformar uma obra de arte em uma linguagem capaz de fazer perguntas que não foram ainda respondidas pela humanidade.


Marc Chagall 


Em sua biografia de Chagall, Franz Meyer cita um aforismo que resume dois artistas: "Pablo Picasso estava para o triunfo do intelecto, Chagall para a glória do coração."
"Se eu criar com o meu coração quase todas as minhas intenções permanecem. Se for com a cabeça, quase nada. Um artista não deve ter medo de ser ele mesmo, de expressar apenas a si mesmo. Se ele é absolutamente e inteiramente sincero, o que ele diz e faz, será aceitável para os outros." – Marc Chagall


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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Série Vincent van Gogh – Irises (Lírios)

Vincent van Gogh – “Irises”, 1889 – óleo sobre tela – 71 x 93 cm - J. Paul Getty Museum, Los Angeles, CA, US


Série Vincent van Gogh – Irises (Lírios)


Em maio de 1889, após episódios de automutilação e hospitalização, Vincent van Gogh optou por entrar em um asilo em Saint-Rémy, na França. Lá, no último ano antes de sua morte, ele criou quase 130 pinturas. Na primeira semana, ele começou a pintar “Irises”, trabalhando a partir da natureza no jardim do asilo. Não há desenhos prévios conhecidos para esta pintura. O próprio Van Gogh a considerou como um estudo. Seu irmão Theo rapidamente reconheceu sua qualidade e a submeteu ao Salon des Indépendants em setembro de 1889, inscrevendo Vincent da exposição: "Ela atrai os olhos de longe. É um belo estudo cheio de ar e vida".

Ao contrário das pinturas de flores impressionistas em que as plantas são manchas de cor sem forma, aqui elas foram cuidadosamente estudadas por suas formas e individualizadas, com a mesma sinceridade e precisão que os retratos de Van Gogh. Cada pétala de flor é única, com sombreamento, forma e tamanho diferentes. Apenas uma flor, no entanto, tem uma cor completamente diferente.

Como Edgar Degas, Paul Cézanne, e alguns outros artistas do século XIX, o estilo de pintura de Van Gogh foi influenciado pela composição e pelo caráter do estilo ukyio-e das gravuras japonesas, que ele colecionou enquanto permanecia com Theo em Paris. Essa influência é aparente nas divisões de cores, na visão em close das flores que não incluem o céu, e também no modo como as flores parecem fluir diretamente das bordas da tela.


Vincent van Gogh - “Irises”, 1890 – óleo sobre tela - 92.7 × 73.9 cm - Van Gogh Museum, Amsterdam, Holanda


Van Gogh pintou essa natureza morta no hospital psiquiátrico de Saint-Rémy. Para ele, a pintura era principalmente um estudo em cores. Ele procurou alcançar um contraste de cores poderoso. Ao colocar as flores roxas contra um fundo amarelo, ele fez as formas decorativas se destacarem ainda mais fortemente. As flores eram originalmente roxas. Mas quando o pigmento vermelho se desvaneceu, ficaram azuis.



Vincent van Gogh – “Irises”, 1890 – óleo sobre tela - 73.7 x 92.1 cm - The Metropolitan Museum of Art, New York


Nessa pintura, Van Gogh buscou um efeito harmonioso e suave, colocando as flores violetas contra um fundo rosa, que depois desapareceu devido ao uso de pigmentos vermelhos fugitivos. A obra ficou em propriedade da mãe do artista até sua morte em 1907.


Vincent van Gogh – “View of Arles with Irises in the Foreground”, 1888 – óleo sobre tela – 54 x 65 cm - Van Gogh Museum, Amsterdam, Holanda

Em 1889, Van Gogh entrou em Saint-Paul-de-Mausole, um asilo em Saint-Remy, originalmente um mosteiro agostiniano do século 12, a uns vinte quilômetros ao norte de Áries. Para Van Gogh, Saint-Paul-de-Mausole era um asilo e um mosteiro onde ele podia se isolar.


Vincent Willem van Gogh (Zundert, 30 de Março de 1853 — Auvers-sur-Oise, 29 de Julho de 1890) foi um pintor pós-impressionista holandês, autodidata. Seu trabalho teve uma grande influência na arte do século 20. Sua produção inclui retratos, autorretratos, paisagens e naturezas-mortas de ciprestes, campos de trigo e girassóis. Ele completou muitas de suas obras mais conhecidas durante os dois últimos anos de sua vida. Em pouco mais de uma década, produziu mais de 2.100 obras de arte, incluindo 860 pinturas a óleo e mais de 1.300 aquarelas, desenhos, esboços e gravuras.


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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

A história da pintura de Édouard Manet – Le Fifre

Édouard Manet – Le Fifre (O Flautista), 1866 – óleo sobre tela – 160 x 97 cm – Musée d´Orsay, Paris


A história da pintura de Édouard Manet – Le Fifre


Édouard Manet visitou o Museu do Prado em Madri, em 1865, quando ficou muito impressionado com a arte de Diego Vélazquez, especialmente com a pintura Pablo de Valladolid, e disse a seu amigo Fantin-Latour: "É a obra mais surpreendente que já se fez ... o fundo desaparece: é o ar que circunda o sujeito, todo vestido de preto e cheio de vida". Após seu retorno a Paris em 1866, ele começou a trabalhar em uma nova pintura, retratando um flautista anônimo do exército espanhol, apresentando o menino uniformizado, contra um fundo plano em tom neutro, frustrando tentativas de avaliar o tamanho real da figura e, por extensão, a sua importância. Manet aplicou os princípios da pintura de Vélazquez a um tema contemporâneo. Uma criança comum e sem nome da banda é, portanto, tratada como um importante personagem espanhol. A paleta é estreita, com o mais fraco limítrofe entre o plano horizontal do solo e o plano vertical do fundo, pintado em um cinza bastante uniforme e totalmente liso.

A pintura foi rejeitada pelo júri do Salon de Paris de 1866 e ridicularizada pelos críticos de arte. Porém ela aumentou o entusiasmo de Émile Zola por Manet. Na veracidade da abordagem e da maneira, o escritor detectou um sentimento verdadeiramente moderno.

Essa pintura foi adquirida pelo famoso marchand (comerciante de arte) Durand-Ruell em 1872 e novamente em 1893. Ela foi aceita pelo governo francês no lugar de impostos sobre a propriedade de seu último proprietário privado, o conde Isaac de Camondo, e entrou nas coleções nacionais em 1911. Foi exposta no Louvre de 1914 até 1947, quando foi transferida para o Musée du Jeu de Paume. Em 1986, foi transferida para o Musée d'Orsay, o museu nacional da arte do século XIX.

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http://www.arteeblog.com/2015/05/series-arteeblog-grandes-marchands-e.html



Édouard Manet (Paris, 23 de janeiro de 1832 — Paris, 30 de abril de 1883) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX. Manet era filho de pais ricos. Ele estudou com Thomas Couture. Sua obra foi fundada sobre a oposição de luz e sombra, uma paleta restrita em que o preto era muito importante, e em pintar diretamente do modelo. O trabalho do espanhol Velázquez influenciou diretamente a sua adoção deste estilo. Manet nunca participou nas exposições dos Impressionistas, mas continuou a competir nos Salões de Paris. Seus temas não convencionais tirados da vida moderna, e sua preocupação com a liberdade do artista em lidar com tinta fez dele um importante precursor do Impressionismo. A obra de Manet se tornou famosa no Salon des Refusés, a exposição de pinturas rejeitadas pelo Salon oficial. Em 1863 e 1867, ele realizou exposições individuais. Na década de 1870, sob a influência de Monet e Renoir, ele produziu paisagens e cenas de rua inspiradas diretamente pelo impressionismo. Ele permaneceu relutante em expor com os Impressionistas, e procurou a aprovação do Salão de toda a sua vida.


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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Análise da pintura de Sir Lawrence Alma-Tadema – “A Foregone Conclusion”

Sir Lawrence Alma-Tadema – “A Foregone Conclusion” (Uma Conclusão Precipitada), 1885 - óleo sobre madeira – 31,1 x 22,9 cm – Tate Britain, London


Análise da pintura de Sir Lawrence Alma-Tadema – “A Foregone Conclusion”


Em 1863, Alma-Tadema visitou a Itália, indo pela primeira vez aos antigos locais de Pompéia e Herculano. Ele frequentemente retornava, tirando fotos que se tornaram o material de origem de suas pinturas quando estava de volta ao seu estúdio em Londres. Suas obras posteriores, no entanto, geralmente não continham mais do que uma ou duas figuras, sentadas em um banco de mármore, com o mar além, e flores para acrescentar uma nota de cor. Ao incluir esses recursos nesta pintura, Alma-Tadema recria o cenário italiano. Esta pintura é típica de muitas obras da última parte da carreira de Sir Alma-Tadema. Em contraste com suas obras de eventos históricos pintados em larga escala, suas pinturas da década de 1880 em diante são geralmente cenas domésticas e sentimentais de pequena escala, onde apesar de ainda usar um cenário romano, Alma-Tadema inclui menos estátuas e artefatos reconhecíveis.

A Foregone Conclusion foi encomendada pelo fundador da Tate Gallery, Sir Henry Tate (1819-1899) como um presente de noivado para sua segunda esposa, Amy Hislop. Situado na época do início do Império Romano, Alma-Tadema retrata um homem trazendo um anel de noivado para sua namorada na esperança de que ela se torne sua noiva. O olhar expectante da moça e sua acompanhante de mãos dadas no topo da escada revela que o resultado de sua proposta será "uma conclusão precipitada". Durante este período, as mulheres da alta sociedade frequentemente se casavam enquanto eram jovens para fazer uma aliança política e obter vantagem social. É improvável, contudo, que Henry Tate, um empresário “self-made”, tenha considerado a pintura como significando algo diferente do que claramente pretendia, um elogio ao afeto de sua esposa. Amy Hislop, 31 anos mais nova que ele. Ela se casou com Sir Henry Tate em 1885, o ano desta pintura.

Lawrence Alma-Tadema (Dronrijp, Noruega, 8 de janeiro de 1836 - Wiesbaden, 26 de junho de 1912) foi um dos mais proeminentes pintores e desenhistas do neoclassicismo europeu. Ao longo de sua vida, Alma-Tadema também adquiriu cidadania na Bélgica bem como no Reino Unido. Ao completar os seus sessenta e três anos de idade, em 1899, a Rainha Vitória concedeu a Alma-Tadema o título honorífico de Cavalheiro (Sir). Depois de sua mudança para a Inglaterra, a carreira de Alma-Tadema teve um sucesso contínuo. Ele se tornou um dos artistas mais famosos e bem pagos do seu tempo, reconhecido e recompensado. Em 1871 ele conheceu e fez amizade com a maioria dos principais pintores pré-rafaelitas e foi em parte devido à sua influência que o artista iluminou sua paleta, variou seus matizes, e atenuou sua pincelada.

As obras de Alma-Tadema são notáveis pela maneira em que as flores, texturas e reflexos de superfícies duras, como metais, cerâmica e especialmente mármore, são pintadas. Desde o início de sua carreira, Alma-Tadema estava particularmente preocupado com a precisão da arquitetura, muitas vezes incluindo objetos que ele via em museus - como o Museu Britânico, em Londres - em suas obras. Ele também leu muitos livros e levou muitas imagens deles. Ele é considerado como um dos principais pintores clássicos do século XIX, cujas obras demonstram o cuidado e a exatidão de uma era fascinada por tentar visualizar o passado, que começava a ser recuperado através de pesquisas arqueológicas.

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Ilustrações do mês de Janeiro

Gaspar Camps i Junyent - Alegoria del Mes de Enero, 1901 – ilustração


Ilustrações do mês de Janeiro


Gaspar Camps i Junyent (Igualada, 1874 - Barcelona 1942) foi um pintor, desenhista e ilustrador que participou do movimento artístico em voga no final do século XIX, o Art Nouveau da França e sua implementação na Catalunha, o modernismo catalão. De origem espanhola, Gaspar Camps passou a maior parte de sua carreira na França. Ele foi influenciado por Alphons Mucha, o artista checo vivendo em Paris, então no auge de sua carreira. Dada a influência de Mucha, incluindo seus cartazes artísticos, Gaspar Camps foi chamado de Mucha Catalan.


Alphonse Mucha – Janvier, 1899 – ilustração

Os Meses (1899): esta série de medalhões foi usada ​​para ilustrar a capa da revista Le Mois Littéraire antes de eles serem reproduzidos como cartões postais. Cada medalhão apresenta uma figura feminina posando contra um fundo natural, característico do mês representado. Alfons Maria Mucha - (Ivančice, 24 de julho de 1860 — Praga, 14 de julho de 1939) foi um pintor, ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os cartazes para os espetáculos de Sarah Bernhardt realizados na França, de 1894 a 1900, e uma série chamada Epopeia Eslava, elaborada entre 1912 e 1930.


Eugène Grasset - La Belle Jardiniere – Janvier, 1896 – ilustração

O artista gráfico suíço Eugène Samuel Grasset (1845-1917) foi uma das principais figuras do movimento Art Nouveau em Paris. Mais conhecido por seus cartazes emblemáticos e suas contribuições para design gráfico - um itálico que ele criou, em 1898, ainda é usado por designers de todo o mundo - Grasset também criou móveis, cerâmicas, tapeçarias, e selos postais. Em 1894, Grasset recebeu uma encomenda da loja de departamentos francesa La Belle Jardinière para criar doze obras de arte originais, a serem utilizadas como um calendário. Graciosas xilogravuras retratando belas moças em trajes de época e jardins que mudam com as estações do ano foram produzidas, com espaços vazios para as datas do calendário, em um portfólio de obras de arte chamado Les Mois (Os meses) pela editora Paris G. de Malherbe em 1896.


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domingo, 30 de dezembro de 2018

Feliz Ano Novo! Happy New Year!



Feliz Ano Novo! Happy New Year!

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Pinturas com bancos e duas figuras de Édouard Manet e Claude Monet



Pinturas com bancos e duas figuras de Édouard Manet e Claude Monet

Veja aqui abaixo as pinturas, suas histórias e biografias dos seus artistas.


Édouard Manet – In the Conservatory, 1878-1879 – óleo sobre tela – 115 x 150 cm - Alte Nationalgalerie, Berlin


Aqui, despojada de artifício, uma mulher medita enquanto é intensamente observada. Essa pintura é uma das obras mais encantadoras de Manet. Ele retrata uma cena da vida da sociedade de Paris. Manet gostava de fazer composições com duas figuras, porque isso proporcionava um diálogo interessante entre os personagens, algumas vezes com cenas dramáticas e situações psicológicas intrigantes.

Essa pintura é um retrato duplo do casal Jules Guillemet e sua esposa, e o cenário é a estufa de plantas do pintor Johann Georges Otto Rosen, que Manet usou como um estúdio por nove meses em 1878 e 1879. Esse local pode ter sido mais do que uma estufa, era luxuosamente decorado e privativo. É uma pintura importante de Manet, devido à sensibilidade com que ele usou as mais delicadas nuances de cores e contrastes para retratar a relação psicologicamente tensa das duas figuras. O tema da foto é a interação entre uma dama elegante, proprietária de uma loja de moda em Paris, e o cavalheiro se virando em sua direção.

A interação de linhas define o trabalho. A mulher tem uma postura ereta ecoada pelas ripas verticais do banco, e o homem, embora inclinado para a frente, não quebra essa vertical. O banco continua do lado direito, reforçando a horizontal e a separação do primeiro plano e o plano de fundo. As dobras diagonais no vestido da mulher proporcionam algum alívio da linearidade da composição. "Desenhar não é forma", disse Manet, "mas o modo como as formas são vistas" e "Mesmo com a natureza, a composição é necessária". Essas máximas especificam a divergência de Manet em relação à doutrina impressionista da fidelidade à natureza.

Édouard Manet (Paris, 23 de janeiro de 1832 — Paris, 30 de abril de 1883) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX. Manet era filho de pais ricos. Ele estudou com Thomas Couture. Sua obra foi fundada sobre a oposição de luz e sombra, uma paleta restrita em que o preto era muito importante, e em pintar diretamente do modelo. O trabalho do espanhol Velázquez influenciou diretamente a sua adoção deste estilo. Manet nunca participou nas exposições dos Impressionistas, mas continuou a competir nos Salões de Paris. Seus temas não convencionais tirados da vida moderna, e sua preocupação com a liberdade do artista em lidar com tinta fez dele um importante precursor do Impressionismo. A obra de Manet se tornou famosa no Salon des Refusés, a exposição de pinturas rejeitadas pelo Salon oficial. Em 1863 e 1867, ele realizou exposições individuais. Na década de 1870, sob a influência de Monet e Renoir, ele produziu paisagens e cenas de rua inspiradas diretamente pelo impressionismo. Ele permaneceu relutante em expor com os Impressionistas, e procurou a aprovação do Salão de toda a sua vida.


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Claude Monet - Camille Monet on a Garden Bench, 1873 – óleo sobre tela – 60,6 x 80,3 cm – Metropolitan Museum of Art, New York


A arte de Monet dependia da observação de seu ambiente e é sempre autobiográfica. Em suas pinturas, pode-se identificar as estações, o clima ou, como aqui, a aparência da moda feminina em 1873. A esposa de Monet, Camille Doncieux, é facilmente reconhecível, assim como seu traje de veludo e damasco, que lembra muito o visual da primavera de 1873, como publicado na edição de março do periódico de moda La Mode Illustré.

Camille Monet em um Banco de Jardim é a mais enigmática das raras pinturas de gênero de Monet. Numerosas interpretações foram geradas. A pista mais reveladora pode ser biográfica: a morte do pai de Camille em setembro de 1873. Camille era uma modelo impassível, mas aqui ela transparece a tristeza, enquanto segura um bilhete em sua mão enluvada. Mais tarde, Monet identificou o cavalheiro como um vizinho, talvez alguém que veio para oferecer suas condolências e um buquê consolador. É interessante observar que a pintura tem um fundo luminoso, com cores ensolaradas, enquanto a área do banco com Camille está mais escuro, sombreado, talvez assim evidenciando o contraste entre a vida das outras pessoas e o estado emocional de Camille.

Claude Monet (Paris, 14 de novembro de 1840 — Giverny, 5 de dezembro de 1926) foi em quase todos os sentidos o fundador da pintura impressionista francesa, o próprio termo vindo de uma de suas pinturas, “Impressão, Sol Nascente”. Aos 11 anos, ele entrou na escola secundária das artes Le Havre. Cinco anos mais tarde, ele conheceu o artista Eugène Boudin, que lhe ensinou as técnicas de pintura "plein air" e tornou-se seu mentor. Aos 16 anos, Monet deixou a escola, indo para Paris, onde em vez de estudar as obras de arte dos grandes mestres, sentava-se à janela e pintava o que via fora. Aos 28 anos, depois de sair do exército e da guerra na Algéria, de volta em Paris, estudou os métodos "en plein air", juntamente com Pierre-Auguste Renoir, Frederic Bazille e Alfred Sisley, e desenvolveu o estilo de pintura que logo seria conhecido como Impressionismo. Ele exibiu muitas de suas obras em 1874, na primeira exposição impressionista. A ambição de Monet de documentar a paisagem francesa o levou a adotar um método de pintar a mesma cena muitas vezes para capturar a mudança de luz e o passar das estações.

Após a morte de sua esposa Camille por tuberculose depois do nascimento de seu segundo filho, Monet resolveu nunca mais viver na pobreza novamente, e estava determinado a criar algumas das melhores obras de arte do século XIX. Em 1890, ele estava próspero o suficiente para comprar uma casa grande com jardim em Giverny, onde começou um vasto projeto de paisagismo que incluiu lagoas com lírios, e que se tornariam o tema de suas obras mais conhecidas. Em 1899 ele começou a pintar os nenúfares, primeiro em vistas verticais com uma ponte japonesa como um elemento central, e mais tarde numa série de pinturas em larga escala que iria ocupá-lo continuamente pelos próximos 20 anos de sua vida.


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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Análise da pintura de Edvard Munch – “The Brooch. Eva Mudocci”

Edvard Munch – The Brooch. Eva Mudocci, 1903 – litogravura - 76 × 53.2 cm – Munch Museum, Oslo


Análise da pintura de Edvard Munch – “The Brooch. Eva Mudocci”


Eva Mudocci (Rose Lynton, 1883 a 1953) era uma jovem e talentosa violinista britânica que Munch conheceu em 1902. Juntamente com a pianista Bella Edwards, ela excursionou pela Europa dando concertos que lhe trouxeram renome e aclamação. Edward Munch a conheceu em Paris em 1903. Eva Mudocci foi apresentada a Munch por seu amigo compositor Frederick Delius. Munch ficou tão inspirado por ela que fez essa famosa litografia.

Os dois se tornaram amigos íntimos. Inicialmente, o relacionamento era de natureza erótica, mas com o tempo se tornou mais parecido com um relacionamento fraternal. De 1902 a 1908, ela foi uma das confidentes mais próximas de Munch. Mudocci tornou-se uma figura ideal e uma musa para o artista, e este retrato, com sua atmosfera lírica e ritmos musicais, é sem dúvida um dos melhores retratos femininos de Munch.

Na litografia, Mudocci está retratada a partir de um ângulo baixo. Seu cabelo solto e escuro flui livremente em torno de seu rosto pálido. Seu olhar é baixo e virado para um lado, para algo além da moldura e invisível para o espectador. O ponto focal para a imagem é o seu broche, que cria um bom equilíbrio na composição e realça o seu olhar enigmático. O broche foi um presente do historiador de arte norueguês Jens Thiis em 1901. Mudocci aparece em outros dois trabalhos que Munch finalizou no mesmo ano: Violin Concert e Salome.

Eva Mudocci declarou sobre essa litografia: "Ele queria fazer um retrato perfeito de mim, mas cada vez que ele começava uma pintura a óleo, ele a destruía, porque ele não estava feliz com ela. Ele teve mais sucesso com as litografias, e as pedras que ele usou foram enviadas para o nosso quarto no Hotel Sans Souci em Berlim acompanhadas por uma nota que dizia: "Aqui está a pedra que caiu do meu coração".


Eva Mudocci com seu violino Stradivarius: “The Emiliani”, que hoje é propriedade de outra famosa violinista: Anne Sophie Mutter!


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Edvard Munch (Løten, 12 de Dezembro de 1863 — Ekely, 23 de Janeiro de 1944) foi um pintor e gravurista norueguês, cujo tratamento intensamente evocativo de temas psicológicos foram construídos sobre alguns dos principais dogmas do Simbolismo do final do século 19, e exerceu grande influência no expressionismo alemão do início do século 20. Munch perdeu sua mãe e irmã favorita por tuberculose antes de seu décimo quarto aniversário. Tendo abandonado o estudo de engenharia devido a doenças frequentes, Munch decidiu se tornar um artista. Seus primeiros trabalhos revelaram a influência dos pintores plein-ar, como Monet e Renoir. Em 1889, Munch começou a passar longos períodos em Paris. Exposto ao trabalho de Gauguin e outros simbolistas franceses, Munch desenvolveu uma linguagem simplificada de cores ousadas e linha sinuosa para expressar sua visão do sofrimento humano, como a doença e a morte, depressão e alienação.

Como muitos artistas que amadureceram na esteira do impressionismo, Edvard Munch começou sua carreira pintando cenas estreitamente observadas do mundo em torno dele. Mas a obra de Munch assumiu uma ênfase cada vez mais profunda na subjetividade e uma rejeição ativa da realidade visível. O estilo único e altamente pessoal que ele desenvolveu para transmitir humor, emoção, ou memória influenciou fortemente o curso da arte do século XX e, em particular, o desenvolvimento do Expressionismo. Sobre sua arte, dizia: "Minha arte é realmente uma confissão voluntária e uma tentativa de explicar a mim mesmo minha relação com a vida. É, portanto, na verdade, uma espécie de egoísmo, mas eu constantemente espero que através desta, eu possa ajudar os outros a alcançar a clareza".


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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Análise da pintura de Georges Seurat – Bathers at Asnières

Georges Seurat - Bathers at Asnières, 1884 – óleo sobre tela – 201 x 300 cm – National Gallery of Art, London


Análise da pintura de Georges Seurat – Bathers at Asnières


Essa foi a primeira das composições em grande escala de Seurat e é sua tentativa inicial de conciliar o classicismo com abordagens modernas e quase científicas de cor e forma. Retrata uma área no rio Sena perto de Paris, perto das fábricas de Clichy que se pode ver à distância. Asnières é um subúrbio industrial a noroeste de Paris, no rio Sena. Essa pintura mostra um grupo de jovens trabalhadores aproveitando seu tempo de lazer, no seu dia de folga, junto ao rio. Os chapéus de palha e coco são pistas para o status desses homens, assim como suas poses casuais e postura relaxada. Bathers at Asnières possui um tamanho geralmente reservado para pinturas históricas, que retratam um momento crucial em eventos mundiais. Usando uma tela tão grande para retratar homens anônimos, Seurat rompeu com as convenções de uma maneira que confundiu os críticos.

A paleta de Seurat é um pouco impressionista em seu brilho, mas sua abordagem meticulosa está muito distante desse estilo. As figuras da classe trabalhadora que povoam essa cena marcam um contraste agudo com os tipos burgueses ociosos retratados por artistas como Monet e Renoir na década de 1870. Embora a pintura não tenha sido executada usando a técnica pontilhista de Seurat, que ele ainda não havia inventado, o artista depois retrabalhou áreas dessa imagem usando pontos de cores contrastantes para criar um efeito vibrante e luminoso. Por exemplo, pontos de laranja e azul foram adicionados ao chapéu do menino.

Seurat fez estudos em crayon para as figuras individuais, usando modelos vivos e também fez pequenos esboços a óleo no local, para ajudar a projetar a composição e registrar os efeitos da luz e da atmosfera. Cerca de 14 esboços a óleo e 10 desenhos sobrevivem. A composição final, pintada no estúdio, combina informações de ambas mídias.

Bathers at Asnières retrata a classe trabalhadora na margem esquerda do rio Sena. Seurat realizou outra pintura, que hoje é uma das mais famosas do mundo, “A Sunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte” em seguida dessa, em que retrata pessoas da classe média desfrutando uma tarde de lazer na margem direita do rio Sena. Talvez Seurat quis destacar o contraste entre os dois grupos de pessoas, fazendo algum tipo de manifesto social.


Georges Seurat - A Sunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte, 1884-86 – óleo sobre tela - 207.5 x 308.1 cm – Art Institute of Chicago, Chicago, USA

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Georges-Pierre Seurat (2 de dezembro de 1859 - 29 de março de 1891) foi um pintor e desenhista francês, pós-impressionista. Ele é reconhecido principalmente como o pioneiro da técnica Neoimpressionista comumente conhecida como Divisionismo, ou Pontilhismo. Georges Seurat registrou paisagens e outros temas calmos, simplificando-os em formas geométricas e convertendo todas as cores e formas em pequenos pontos. Isso foi radical, para o desenvolvimento da arte moderna e abstrata. O uso por Seurat desta técnica altamente sistemática e "científica", posteriormente chamada pontilhismo, distinguiu sua arte da abordagem mais intuitiva à pintura usada pelos impressionistas. Embora Seurat abraçasse o tema da vida moderna, preferido por artistas como Claude Monet e Pierre-Auguste Renoir, ele foi além de sua preocupação em capturar as qualidades acidentais e instantâneas da luz na natureza.

Inspirado pelos efeitos ópticos e pela percepção inerentes às teorias da cor de Michel Eugène Chevreul, Ogden Rood e outros, Seurat adaptou esta pesquisa científica à sua pintura. Seurat contrastava pontos em miniatura ou pequenas pinceladas de cores que, quando unificadas opticamente no olho humano, eram percebidas como uma única sombra ou tonalidade. Ele acreditava que essa forma de pintura, chamada divisionismo na época, mas agora conhecida como pontilhismo, tornaria as cores mais brilhantes e poderosas do que pinceladas padrão. O uso de pontos de tamanho quase uniforme veio no segundo ano de seu trabalho na pintura, 1885-86.

Seu sucesso o levou rapidamente à frente da avant-garde parisiense. Seu triunfo foi de curta duração, uma vez que após apenas uma década de trabalho maduro ele faleceu com apenas 31 anos. Mas suas inovações seriam altamente influentes, moldando o trabalho de artistas tão diversos como Vincent Van Gogh e os Futuristas italianos.


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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A história da pintura “Lune rousse au Cap d'Antibes” de Marc Chagall

Marc Chagall - Lune rousse au Cap d'Antibes (Lua vermelha em Cap d'Antibes), 1969 – óleo, crayon e aquarela sobre papel - 61.4 x 49.3 cm – coleção particular


A história da pintura “Lune rousse au Cap d'Antibes” de Marc Chagall


Para Chagall, a pintura sempre foi um meio para expressar o mundo interno de sua imaginação, gravando suas memórias, paixões e emoções em tela de uma maneira fantástica. “Lune rousse au Cap d'Antibes” expressa a felicidade e o contentamento que o artista sentiu ao morar no sul da França com sua segunda esposa, Valentina (Vava) Brodsky. Quando Chagall fez essa pintura, ele estava desfrutando um prolongado período de felicidade conjugal com Vava. Foi a filha dele, Ida, quem a apresentou a ele em 1952 e, após um curto romance, Chagall e Vava se casaram. O sentimento de estabilidade e paz que o artista sentiu com Vava se traduziu diretamente em sua arte, e durante as três décadas que passaram juntos, ela foi uma fonte de inspiração para ele. Lune rousse au Cap d'Antibes pode ser vista como uma celebração direta do seu amor, com o tema do romance claramente incorporado nos amantes reclinados sob um buquê de grandes dimensões. Chagall costumava usar flores como símbolo do amor romântico em suas pinturas.

Chagall ficou encantado com a paisagem da Côte d'Azur no início da década de 1950, quando o céu, o mar e a flora da região o convenceram a se mudar para lá, para o benefício de sua arte. A Riviera Francesa tornou-se um próspero centro artístico após a Segunda Guerra Mundial, com vários artistas (incluindo Henri Matisse e Pablo Picasso) se instalando lá. Chagall comprou a vila, Les Collines, situada na encosta do Baou des Blancs, a poucos quilômetros ao norte de Antibes. Inspirado pela luz, a atmosfera e os jardins verdejantes que rodeavam a casa, ele passou seus dias absorvido na criação de novas e alegres obras de arte. Chagall usou inúmeras aldeias próximas como cenário para as obras que ele criou enquanto morou lá. O Port Vauban Antibes está presente nessa pintura, com a silhueta de seu Fort Carré, sob o clarão da lua vermelha.

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Marc Chagall (Vitebsk 1887–1985 Saint-Paul-de-Vence) foi um artista prolífico, cuja carreira se estendeu por muitas décadas. Ele trabalhou em muitos tipos de mídias: desenho, pintura, mídia impressa e vitrais. Chagall participou dos movimentos modernos do pós-impressionismo incluindo surrealismo e expressionismo. Nascido perto da aldeia de Vitebsk, na atual Bielorrússia, Chagall mudou para Paris em 1910 permanecendo lá até 1914 para desenvolver seu estilo artístico, retornando à Russia por sentir saudades de sua noiva Bella, com quem se casou. Em 1923 mudaram novamente para a França, para escapar das dificuldades da vida soviética que se seguiram à I Guerra Mundial e à Revolução de Outubro. Em 1941, mudou para os Estados Unidos, escapando da Segunda Guerra Mundial e ali permaneceu até 1948, retornando para a França.

O início da vida de Chagall deixou-o com uma memória visual poderosa e uma inteligência pictórica. Depois de viver na França e experimentar a atmosfera de liberdade artística, ele criou uma nova realidade, que se baseou em ambos os mundos internos e externos. Mas foram as imagens e memórias de seus primeiros anos em Belarus, na Russia, que sustentaram a sua arte por mais de 70 anos. Há certos elementos em sua arte que se mantiveram permanentes e são vistos ao longo de sua carreira. Um deles foi a sua escolha dos temas e a forma como eles foram retratados. O elemento mais constante, obviamente, é o seu dom para a felicidade e sua compaixão instintiva, que mesmo nos assuntos mais sérios o impediam de dramatizar.

Uma dimensão simbólica sempre esteve presente nos temas de Chagall. Sem dúvida, esta abordagem ajudou Chagall a atingir a popularidade que seu trabalho desfrutava na época, mas ao mesmo tempo o desejo de ser compreensível emprestou às pinturas um toque de romantismo que parecia um pouco fora de época. Através de sua linguagem poética altamente original ele foi capaz de criar um novo universo a partir das três culturas diferentes que ele havia assimilado. Flores e animais são uma presença constante em suas pinturas, habilitando-o por um lado a superar a interdição judaica de representação humana, enquanto por outro lado formando metáforas para um mundo possível, em que todos os seres vivos possam viver em paz como na cultura medieval russa. Sua arte constitui uma espécie de mixagem entre culturas e tradições. A chave fundamental para sua modernidade reside no seu desejo de transformar uma obra de arte em uma linguagem capaz de fazer perguntas que não foram ainda respondidas pela humanidade.


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