quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Análise da pintura de Marc Chagall – Paris through the Window (Paris através da Janela)

Marc Chagall - Paris through the Window – 1913 – óleo sobre tela – 135,8 x 141,4 cm - Solomon R. Guggenheim Museum, New York, USA



Análise da pintura de Marc Chagall – Paris through the Window (Paris através da Janela)


Depois que Marc Chagall se mudou da Rússia para Paris, em 1910, suas pinturas rapidamente refletiram os mais recentes estilos de vanguarda. Em Paris através da Janela, transparece a proximidade de Chagall com o cubismo órfico de Robert Delaunay, nos planos semitransparentes sobrepostos de cores vivas no céu acima da cidade. A Torre Eiffel, que aparece na paisagem urbana, também era um tema frequente no trabalho de Delaunay. Para os dois artistas, ela serviu de metáfora para Paris e talvez para a própria modernidade.

O paraquedista de Chagall também pode se referir à experiência contemporânea, pois o primeiro salto bem-sucedido da Torre Eifell ocorreu em 1911. Parece provável que o artista também incluiu esse homem, caindo do céu em Paris, como uma referência ao salto de fé que ele acabou de dar com seu novo estilo de vida ocidental e as novas formas de arte contemporânea que ele está adotando agora.
No centro da pintura há um gato amarelo com rosto humano. Algumas pessoas pensavam nos gatos como pecadores que já faleceram, mas voltaram a esta vida através da forma felina para assombrar os membros da família.

Outras formas sugerem Vitebsk, a cidade natal do artista. O personagem dessa pintura foi interpretado como o artista que olha ao oeste para sua nova casa na França e ao leste para a Rússia. Também simbolizando essa dicotomia, há um casal separado, sob a Torre Eifell. A nostalgia do famoso artista por sua terra natal, a Rússia, também é representada pelo trem de cabeça para baixo à esquerda do gato no centro da pintura. Isso representava sua incapacidade de voltar para casa. Chagall, no entanto, recusou interpretações literais de suas pinturas, e talvez seja melhor pensar nelas como evocações líricas, semelhantes à poesia plástica alusiva dos amigos do artista Blaise Cendrars (que nomeou essa tela) e Guillaume Apollinaire.

O homem de duas caras em Paris através da janela permeia figurativamente entre dois mundos: interior versus espaço exterior, passado e presente, imaginário e real. Em pinturas como essas, fica claro que o artista preferia a vida da mente, da memória e do simbolismo mágico à representação realista.

Marc Chagall (Vitebsk 1887–1985 Saint-Paul-de-Vence) foi um artista prolífico, cuja carreira se estendeu por muitas décadas. Ele trabalhou em muitos tipos de mídias: desenho, pintura, mídia impressa e vitrais. Chagall participou dos movimentos modernos do pós-impressionismo incluindo surrealismo e expressionismo. Nascido perto da aldeia de Vitebsk, na atual Bielorrússia, Chagall mudou-se para Paris em 1910 permanecendo lá até 1914 para desenvolver seu estilo artístico, retornando à Russia por sentir saudades de sua noiva Bella, com quem se casou. Em 1923 eles se mudaram novamente para a França, para escapar das dificuldades da vida soviética que se seguiram à I Guerra Mundial e à Revolução de Outubro. Em 1941, mudou-se para os Estados Unidos, escapando da Segunda Guerra Mundial e ali permaneceu até 1948, retornando para a França.

O início da vida de Chagall deixou-o com uma memória visual poderosa e uma inteligência pictórica. Depois de viver na França e experimentar a atmosfera de liberdade artística, ele criou uma nova realidade, que se baseou em ambos os mundos internos e externos. Mas foram as imagens e memórias de seus primeiros anos em Belarus, na Russia, que sustentaram a sua arte por mais de 70 anos. Há certos elementos em sua arte que se mantiveram permanentes e são vistos ao longo de sua carreira. Um deles foi a sua escolha dos temas e a forma como eles foram retratados. O elemento mais constante, obviamente, é o seu dom para a felicidade e sua compaixão instintiva, que mesmo nos assuntos mais sérios o impediam de dramatizar.

Uma dimensão simbólica sempre esteve presente nos temas de Chagall. Sem dúvida, esta abordagem ajudou Chagall a atingir a popularidade que seu trabalho desfrutava na época, mas ao mesmo tempo o desejo de ser compreensível emprestou às pinturas um toque de romantismo que parecia um pouco fora de época. Através de sua linguagem poética altamente original ele foi capaz de criar um novo universo a partir das três culturas diferentes que ele havia assimilado. Flores e animais são uma presença constante em suas pinturas, habilitando-o por um lado a superar a interdição judaica de representação humana, enquanto por outro lado formando metáforas para um mundo possível, em que todos os seres vivos possam viver em paz como na cultura medieval russa. Sua arte constitui uma espécie de mixagem entre culturas e tradições. A chave fundamental para sua modernidade reside no seu desejo de transformar uma obra de arte em uma linguagem capaz de fazer perguntas que não foram ainda respondidas pela humanidade.

Em sua biografia de Chagall, Franz Meyer cita um aforismo que resume dois artistas: "Pablo Picasso estava para o triunfo do intelecto, Chagall para a glória do coração."

"Se eu criar com o meu coração quase todas as minhas intenções permanecem. Se for com a cabeça, quase nada. Um artista não deve ter medo de ser ele mesmo, de expressar apenas a si mesmo. Se ele é absolutamente e inteiramente sincero, o que ele diz e faz, será aceitável para os outros." – Marc Chagall


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terça-feira, 15 de outubro de 2019

Pinturas de Cristóvão Colombo

Albert Bierstadt - The Landing of Columbus, 1893 – óleo sobre tela - 182.9 × 307.3 cm – City of Plainfield, New Jersey, USA 


Pinturas de Cristóvão Colombo


Ivan Aivazovsky – The Arrival of Columbus Flotilla, 1880 – óleo sobre tela – 127 x 183 cm – coleção particular


Emanuel Leutze - Columbus before the Queen, 1843 – óleo sobre tela - 97.95 x 129.38 cm - Brooklyn Museum, New York


 William Hogarth - Columbus Breaking the Egg (Christopher Columbus), 1753 – gravura a água-forte - 16.4 x 19.3 cm – váias tiragens em vários museus, entre eles, Metropolitan Museum of Art, New York e British Museum, London


Ivan Aivazovsky - Columbus sailing from Palos, 1892 – óleo sobre tela - 104.5 x 175.5 cm – coleção particular


domingo, 15 de setembro de 2019

Análise da pintura “A Página em Branco” de René Magritte

René Magritte - The Blank Page – 1967 - óleo sobre tela - 54 x 65 cm - Musée Royaux des Beaux-Arts, Brussels, Belgium


Análise da pintura “A Página em Branco” de René Magritte


Essa é a última pintura de Magritte antes de sua morte, em 15 de agosto de 1967. É um tributo à obsessão de Stéphane Mallarmé pela página em branco.

Ao colocar um círculo brilhante estrategicamente no centro superior da composição, Magritte brinca com a imaginação do espectador. O círculo brilhante flutua no céu noturno, mas aparece na frente de um galho de árvore, sugerindo que é de fato uma fruta madura e não uma lua cheia. Magritte cria uma figura com dupla identidade: dependendo da percepção do espectador, o círculo brilhante serve diferentes funções. Magritte equilibra lindamente essa composição em camadas, colocando uma cidade na parte inferior da composição e o galho de árvore no topo. O trabalho transmite uma sensação de calma silenciosa, como se o espectador quase pudesse ouvir os grilos cantando na calada da noite.

"Se fôssemos ver as folhas atrás da lua, seria extraordinário, a vida finalmente seria significativa". - René Magritte

Stéphane Mallarmé (18 de março de 1842 - 9 de setembro de 1898), pseudônimo de Étienne Mallarmé, foi poeta e crítico francês. Ele foi um grande poeta simbolista francês, e seu trabalho antecipou e inspirou várias escolas artísticas revolucionárias do início do século XX, como o cubismo, o futurismo, o dadaísmo e o surrealismo.

René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.


Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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domingo, 18 de agosto de 2019

Análise da pintura de Édouard Manet - A Bar at the Folies-Bergère

Édouard Manet - A Bar at the Folies-Bergère, 1882 – óleo sobre tela - 96 x 130 cm - Courtauld Institute of Art, London, UK


Análise da pintura de Édouard Manet - A Bar at the Folies-Bergère



Um Bar em Folies-Bergère (Un bar aux Folies-Bergère) retrata uma cena do café-concerto Folies-Bèrgere, em Paris. Este é um retrato incomum porque é de alguém no trabalho, e alguém que aos nossos olhos é definida por seu trabalho e é profundamente infeliz com ele. Ela está alienada de seu entorno, como se houvesse um painel de vidro entre ela e todos os outros no salão: os bebedores, tagarelas, amantes, mentirosos, ladrões e empresários. A modelo da moça da pintura era Suzon, de acordo com as recordações de amigos de Manet: uma jovem que trabalhava no Folies-Bergère, um dos grandes cafés-concertos parisienses,  uma espécie de salão de cerveja com música, atos de circo e outros entretenimentos.

Esta não é uma pintura realista do Folies-Bergère. Suzon trabalhava lá, mas ela posou para a pintura no ateliê de Manet, atrás de uma mesa cheia de garrafas. Ele fundiu esta imagem com esboços pintados rapidamente no Folies-Bergère. Não há nenhuma tentativa de tornar a imagem coerente: existe, como críticos contemporâneos apontaram, uma inconsistência na relação entre os reflexos no espelho e as coisas reais. O homem de cartola se aproximando de Suzon de um modo sinistro, no canto superior direito do espelho teria de estar em pé, de costas para nós na frente do bar, e Suzon deveria estar refletida em um lugar totalmente diferente. Esta pintura é cheia de mistério, ambiguidade, dúvida. Porque o que está no espelho não pode ser um reflexo do que vemos na frente dele. As coisas estão deslocadas, o reflexo da garçonete está muito longe para a direita, quando podemos ver que o espelho é paralelo ao plano da imagem em si, há um homem na frente de seu reflexo no espelho, e não há um na "realidade" na frente dele.

O que significa a expressão da garçonete? Tristeza? Arrependimento? Mal-estar? Alienação? Ela parece inocente e ao mesmo tempo, nós não ficaríamos surpresos ao saber que a conversa no espelho entre seu reflexo e o homem de cartola diz respeito a sua disponibilidade para uma outra finalidade completamente diferente do que servir copos de vinho e vender laranjas. Ao incluir um prato de laranjas em primeiro plano, Manet identifica a garçonete como uma prostituta, de acordo com o historiador de arte Larry L. Ligo, que diz que Manet habitualmente associava laranjas com a prostituição em suas pinturas. Os numerosos elementos presentes sobre o balcão do bar, garrafas de bebidas, flores, frutas, formam uma evolução piramidal, encontrando o cume, não por acaso, nas flores que ornam o colo da servente.

Essa pintura é sobre como as coisas em um espelho são diferentes das coisas na frente dos nossos olhos, é sobre a sensação de visão e os mistérios da representação e sobre a própria pintura. Um bar no Folies-Bergère é uma versão moderna de “Las Meninas” de Velázquez (1656-7). Velazquez inclui o rei e a rainha refletidos em um espelho na parte de trás de um salão do palácio. Manet adorava Velazquez, e transferiu essa estética de reflexão para os tempos modernos, para criar um mundo que só existe em espelhos. Isso transforma o espectador em uma presença espectral, perturbadora, parte da multidão que Suzon olha com tanta desilusão. O quadro possui a assinatura de Manet no rótulo da garrafa vermelha, no canto inferior esquerdo da tela.

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Édouard Manet (Paris, 23 de janeiro de 1832 — Paris, 30 de abril de 1883) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX. Manet era filho de pais ricos. Ele estudou com Thomas Couture. Sua obra foi fundada sobre a oposição de luz e sombra, uma paleta restrita em que o preto era muito importante, e em pintar diretamente do modelo. O trabalho do espanhol Velázquez influenciou diretamente a sua adoção deste estilo. Manet nunca participou nas exposições dos Impressionistas, mas continuou a competir nos Salões de Paris. Seus temas não convencionais tirados da vida moderna, e sua preocupação com a liberdade do artista em lidar com tinta fez dele um importante precursor do Impressionismo. A obra de Manet se tornou famosa no Salon des Refusés, a exposição de pinturas rejeitadas pelo Salon oficial. Em 1863 e 1867, ele realizou exposições individuais. Na década de 1870, sob a influência de Monet e Renoir, ele produziu paisagens e cenas de rua inspiradas diretamente pelo impressionismo. Ele permaneceu relutante em expor com os Impressionistas, e procurou a aprovação do Salão de toda a sua vida.


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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Análise da série de pinturas “Campbell's Soup Cans” de Andy Warhol

Andy Warhol - Campbell's Soup Cans, 1962 - tinta de polímero sintético em trinta e duas telas - cada tela 50,8 x 40,6 cm - Instalação total (com 7.62 cm entre cada painel) 246.38 cm de altura x 414.02 cm de largura – The Museum of Modern Art (MoMA), New York



Análise da série de pinturas “Campbell's Soup Cans” de Andy Warhol


Refletindo sobre sua carreira, Warhol afirmou que Campbell's Soup Can era seu trabalho favorito e que, "Eu deveria continuar fazendo as Sopas Campbell... porque todo mundo faz apenas uma pintura de qualquer maneira". Certamente, é a imagem de assinatura da carreira do artista e um trabalho chave de transição de suas pinturas pintadas à mão para fotos transferidas. A obra foi criada durante o ano em que a Pop Art surgiu como o novo movimento artístico.

Embora as pinturas se assemelhem às propagandas impressas, produzidas em massa, pelas quais Warhol foi inspirado, essas telas foram pintadas à mão e o padrão da flor de lis, tocando a borda inferior de cada uma delas, foi estampado à mão. Warhol imitou a repetição e a uniformidade da publicidade, reproduzindo cuidadosamente a mesma imagem em cada tela individual. Ele variou apenas o rótulo na frente de cada lata, distinguindo-os pela sua variedade.

Solicitando sugestões de temas para pintar, ele perguntou a um amigo, que sugeriu que ele escolhesse algo que todo mundo reconhecesse como a Sopa Campbell. Em um lampejo de inspiração, ele comprou latas numa loja e começou a traçar projeções na tela, pintando firmemente dentro dos contornos para se assemelhar à aparência das etiquetas litográficas offset originais. Em vez da tinta pingando em seus anúncios e quadrinhos anteriores, Warhol procurou a precisão da reprodução mecânica. Andy Warhol se apropriava de imagens conhecidas da cultura do consumidor e da mídia de massa, entre elas fotografias de celebridades e tabloides, quadrinhos e, nesta obra, a sopa enlatada amplamente consumida, feita pela Campbell’s Soup Company.

Quando ele expôs as “Latas de Sopa Campbell” em 1962, as telas foram expostas juntas em prateleiras, como produtos em um corredor de mercearia. Na época, a Campbell's vendia 32 variedades de sopa. Cada uma das 32 telas de Warhol corresponde a um sabor diferente. (O primeiro sabor que a empresa introduziu, em 1897, foi o tomate). Warhol disse sobre a sopa Campbell: “Eu costumava beber. Eu costumava fazer o mesmo almoço todos os dias, por 20 anos, eu acho, a mesma coisa várias vezes”.

Perto do final de 1962, logo depois de completar as Campbell’s Soup Cans, Warhol voltou-se para o processo de foto-silkscreen. Uma técnica de gravura originalmente inventada para uso comercial, ela se tornaria seu meio característico, sua “marca registrada” e ligaria seus métodos de criação de arte mais perto aos de propagandas. "Eu não acho que a arte deva ser apenas para os poucos escolhidos", ele afirmou, "acho que deveria ser para a massa do povo americano".


Andy Warhol - Campbell's Soup Cans, 1962 - tinta de polímero sintético em trinta e duas telas - cada tela 50,8 x 40,6 cm - Instalação total (com 7.62 cm entre cada painel) 246.38 cm de altura x 414.02 cm de largura – The Museum of Modern Art (MoMA), New York - detalhe


Andy Warhol, nascido Andrej Varhola, Jr. (Pittsburgh, 6 de agosto de 1928 — Nova Iorque, 22 de fevereiro de 1987), foi uma figura maior do movimento Pop Art. Além das serigrafias, Warhol também utilizava outras técnicas, como a colagem e o uso de materiais descartáveis, não usuais em obras de arte. As abordagens inovadoras do Ilustrador, cineasta, fotógrafo, pintor, modelo e até produtor musical Andy Warhol para fazer arte ainda influenciam a arte contemporânea e a cultura. Ele desafiou as fronteiras tradicionais entre arte e vida, arte e negócios e em todos os tipos de mídia. No processo, ele transformou a vida cotidiana em arte e a arte em uma maneira de viver o cotidiano. Obcecado com a celebridade e a cultura de consumo, Andy Warhol criou algumas das mais icônicas imagens do século 20. Ele também ficou famoso por suas frases, como: “No futuro, todos serão famosos por 15 minutos”. Algumas de suas obras mais célebres são: “32 Campbell´s Soup Can” de 1962 e retratos de Marilyn Monroe, usando a técnica de silkscreen. Ele também foi mentor dos artistas Keith Harring e Jean-Michel Basquiat. Seu estilo Pop-Art tem adeptos até os dias atuais, como Richard Prince, Takashi Murakami e Jeff Koons, entre outros. Análise da série de pinturas “Campbell's Soup Cans” de Andy Warhol


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quarta-feira, 24 de julho de 2019

Série Alphonse Mucha – The Arts, 1898

Alphonse Mucha – The Arts (As Artes), 1898 - litografias coloridas – impressor: F. Champenois, Paris


Série Alphonse Mucha – The Arts, 1898



Produzida no auge da fama de Mucha em 1898, esta série foi impressa em pergaminho em uma edição de 1000 cópias, com um adicional de 50 cópias de edição limitada impressas em cetim. Mucha descartou atributos tradicionais como instrumentos musicais, pincéis, etc. Em vez disso, ele enfatizou a inspiração criativa da beleza natural, dando a cada uma das artes um pano de fundo circular com um motivo da natureza que indica uma determinada hora do dia: para a Dança, folhas caídas sopradas por uma brisa matinal. Para a Pintura, uma flor vermelha rodeada de arco-íris em plena luz do dia. Para a Poesia, a estrela da noite brilhando no céu ao entardecer. Para a música, a canção dos pássaros no nascer da lua.


Alphonse Mucha – Music (The Arts series), 1898 - litografia colorida – 60 x 38 cm

Músico apaixonado, Mucha escolheu personificar a música como uma mulher com as duas mãos levantadas para os ouvidos, ouvindo um coro de rouxinóis, o mais criativo e espontâneo dos pássaros.


Alfons Maria Mucha - (Ivančice, 24 de julho de 1860 — Praga, 14 de julho de 1939) foi um pintor, ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os cartazes para os espetáculos de Sarah Bernhardt realizados na França, de 1894 a 1900, e uma série chamada Epopeia Eslava, elaborada entre 1912 e 1930.
Mucha se estabeleceu como um dos principais artistas de cartazes comerciais entre 1895 e 1900. Durante este período, seis cartazes de Mucha apareceram em Les Maîtres de l'Affiche, publicação mensal de Jules Chéret com os melhores cartazes da época, selecionados por ele. A partir desse momento, o estilo distintivo de Mucha foi chamado 'le style Mucha', tornando-se sinônimo do estilo Art Nouveau.



Alphonse Mucha – Poetry (The Arts series), 1898 - litografia colorida – 60 x 38 cm

A poesia é personificada por uma figura feminina contemplando a paisagem ao luar. Ela é enquadrada por um ramo de loureiros, o símbolo de adivinhação e poesia.


Ao ganhar um reconhecimento público mais amplo como o "Mestre do cartaz Art Nouveau", Mucha alcançou grande sucesso em um novo gênero: painéis decorativos ('panneaux décoratifs'). Painéis decorativos eram cartazes sem texto, projetados exclusivamente para apreciação artística ou decoração de paredes interiores. Foi o impressor Champenois quem inventou essa ideia do ponto de vista comercial: maximizar a oportunidade de negócios, reciclando os projetos de Mucha para muitas edições diferentes. No entanto, foi Mucha que os transformou em uma nova forma de arte, acessível e disponível para o público em geral, enquanto que, tradicionalmente, as obras de arte estavam disponíveis apenas para os poucos privilegiados. Mucha acreditava que, através da criação de belas obras de arte, a qualidade de vida poderia seria melhorada. Ele também acreditava que era seu dever como artista promover arte para pessoas comuns. Ele conseguiu cumprir ambos os objetivos por meio do seu conceito inovador de painéis decorativos produzidos em massa.


Alphonse Mucha – Painting (The Arts series), 1898 - litografia colorida – 60 x 38 cm

Uma garota com as mãos estendidas segura uma flor vermelha na mão direita. A flor simboliza a natureza como fonte de inspiração e admiração pelo artista.


Mucha produziu uma grande quantidade de pinturas, cartazes, propagandas e ilustrações de livros, esculturas, bem como desenhos para joias, tapetes, papéis de parede e cenários de teatro no que foi denominado inicialmente The Mucha Style, mas tornou-se conhecido como Art Nouveau (francês para "nova arte"). As obras de Mucha frequentemente incluíam belas mulheres jovens em vestes flutuantes, vagamente neoclássicas, muitas vezes cercadas por flores exuberantes que às vezes formavam halos atrás de suas cabeças.


Alphonse Mucha – Dance (The Arts series), 1898 - litografia colorida – 60 x 38 cm

Dança, a mais sensual da série, é a única figura em pé. Sua figura sinuosa e longos cabelos ruivos balançam com a brisa do outono.


O estilo de Mucha foi exposto internacionalmente na Exposição Universal de 1900 em Paris, da qual Mucha disse: "Acho que a Exposition Universelle contribuiu para trazer valores estéticos para as artes e ofícios. Ele declarou que a arte existia apenas para comunicar uma mensagem espiritual, e nada mais.

Esse blog possui mais artigos sobre Alphonse Mucha. Clique sobre os links abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2017/07/serie-alphonse-mucha-times-of-day-as.html

http://www.arteeblog.com/2018/07/serie-alphonse-mucha-seasons-as.html


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sábado, 20 de julho de 2019

Dia da lua, em homenagem à Missão Apolo 11 que pousou na lua - veja vídeo

Norman Rockwell - "The Final Impossibility: Man's Tracks on the Moon" - óleo sobre tela

Norman Rockwell - "Man on the Moon" - 1967 - óleo sobre tela - Norman Rockwell Museum, Stockbridge, Massachusetts, USA


Dia da lua, em homenagem à Missão Apolo 11 que pousou na lua - veja vídeo 


No dia 16 julho de 1969, deixava a Terra a nave da missão que transformou em realidade um dos sonhos mais antigos da humanidade: a chegada do homem à Lua. Há 50 anos, a Apollo 11 foi lançada do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida, na ponta do foguete Saturno V. Quatro dias depois, o Módulo Lunar pousou próximo ao Mar da Tranquilidade, na superfície do satélite da Terra. O feito, realizado pelo astronauta americano Neil Armstrong seguido do seu colega de missão Buzz Aldrin, no dia 20 de julho daquele ano, ficou marcado na história.

A espaçonave Apollo tinha três partes: o módulo de comando, a única parte que voltou à Terra; o módulo de serviço, que continha propulsor, sistema elétrico, oxigênio e água; e o módulo lunar, utilizado para pousar na Lua. Apesar de ser tripulada por três astronautas, a missão foi dividida de forma que Michael Collins permanecesse no módulo de comando, na órbita lunar, enquanto Buzz Aldrin e Neil Armstrong pousassem na Lua com o Módulo Lunar.


Primeira pegada de Neil Armstrong na Lua, 20 de Julho de 1969, Apolo 11


A Apollo 11, projetada pela agência espacial americana (Nasa) foi uma das sete missões - de um total de 17 do Programa Apollo - que conseguiu levar o homem à Lua. Após a Apollo 11, o programa fez outros cinco bem-sucedidos desembarques na Lua entre 1969 e 1972. Ao total, 12 homens pisaram na superfície lunar, todos americanos.


Assista um vídeo com reportagem sobre o evento:




Norman Rockwell (Nova Iorque, 3 de fevereiro de 1894 — Stockbridge, Massachusetts, 8 de novembro de 1978) era muito popular nos Estados Unidos, especialmente em razão das 322 capas da revista The Saturday Evening Post que realizou durante mais de quatro décadas, e das ilustrações de cenas da vida americana nas pequenas cidades. Pintou os retratos dos presidentes Eisenhower, John Kennedy, Lyndon Johnson e Richard Nixon, assim como de outras importantes figuras mundiais. Um de seus últimos trabalhos foi o retrato da cantora Judy Garland, em 1969.

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

A história da pintura de Gustav Klimt - Portrait of Adele Bloch-Bauer I

Gustav Klimt - Portrait of Adele Bloch-Bauer I – 1907 – óleo, prata e ouro sobre tela – 138 x 138 cm – Neue Galerie, New York


A história da pintura de Gustav Klimt - Portrait of Adele Bloch-Bauer I


O Retrato de Adele Bloch-Bauer I é o primeiro de dois retratos de Bloch-Bauer pintados por Klimt e tem sido referido como o trabalho final e mais plenamente representativo de sua fase dourada. Adele Bloch-Bauer (1881-1925) era uma requintada senhora dos salões vienenses, amante das artes, uma cliente e amiga próxima de Gustav Klimt. Klimt levou três anos para concluir a pintura. Desenhos preliminares para ela datam a partir de 1903/4. O quadro foi pintado em Viena e encomendado pelo marido de Adele, Ferdinand Bloch-Bauer. Como um rico industrial que fez fortuna na indústria do açúcar, ele patrocinou as artes e favoreceu e apoiou Gustav Klimt. Adele Bloch-Bauer tornou-se a única modelo que foi pintada duas vezes por Klimt, quando ele completou um segundo retrato dela, Retrato de Adele Bloch-Bauer II, em 1912.


Gustav Klimt - Portrait of Adele Bloch-Bauer II – 1912 – óleo sobre tela – 190 x 120 cm – Österreichische Galerie Belvedere, Viena, Áustria


Adele indicou no seu testamento que os quadros de Klimt deveriam ser doados à Austrian State Gallery. Em 1925 Adele faleceu de meningite, e quando os nazistas ocuparam a Áustria, o seu viuvo exiliou-se na Suíça. Todas as suas propriedades foram confiscadas, incluída a coleçao Klimt. No seu testamento de 1945, Bauer-Bloch designou os seus sobrinhos e sobrinhas, incluindo Maria Altmann, como herdeiros do seu patrimônio. Depois de uma batalha legal nos Estados Unidos e na Áustria, determinou-se em 2006 que Maria Altmann era a proprietária legal desta e de outras quatro pinturas de Klimt. Em junho de 2006 o trabalho foi vendido por US $ 135 milhões a Ronald Lauder da Neue Galerie, em Nova York, na época um preço recorde para uma pintura. A pintura está exposta na Neue Galerie desde julho de 2006. Lauder tentou por muitos anos recuperar a arte que tinha sido propriedade da comunidade judaica, a maioria da Alemanha e Áustria, e que fora confiscada ou roubada pelo governo nazista e trabalhou para esta meta enquanto foi embaixador dos Estados Unidos na Áustria, membro da "World Jewish Restitution Organization", e da comissão designada por Bill Clinton para examinar casos de roubo nazista. É significativo o comentário de Lauder ao recuperar o Retrato de Adele Bloch-Bauer I: "Esta é a nossa Mona Lisa”.


Gustav Klimt (Baumgarten, Viena, 14 de julho de 1862 — Viena, 6 de fevereiro de 1918) foi um pintor austríaco. Associado ao simbolismo, destacou-se dentro do movimento Art Nouveau austríaco e foi um dos fundadores do movimento da Secessão de Viena, que recusava a tradição acadêmica nas artes, e fundador também do jornal do movimento, “Ver Sacrum”. Klimt também foi membro honorário das universidades de Munique e Viena. Ele produziu um dos mais importantes corpos de arte erótica do século. Inicialmente bem-sucedido como um pintor acadêmico convencional, seu encontro com tendências mais modernas na arte europeia o encorajou a desenvolver seu próprio estilo eclético e muitas vezes fantástico. Os seus maiores trabalhos incluem pinturas, murais, esboços e outros objetos de arte, muitos deles expostos na Galeria da Secessão de Viena. Klimt completou várias obras-primas, incluindo O Beijo, Danaë e o Retrato de Adele Bloch-Bauer I.

Klimt escreveu pouco sobre sua visão ou seus métodos. Em um raro escrito chamado "Comentário sobre um autorretrato inexistente", ele afirma: "Eu nunca pintei um autorretrato. Estou menos interessado em mim mesmo como um tema para uma pintura do que em outras pessoas, acima de tudo, mulheres. Não há nada especial sobre mim. Eu sou um pintor que pinta dia após dia, de manhã à noite. Quem quiser saber algo sobre mim deve olhar atentamente para as minhas pinturas."


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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Análise da pintura “Seaside (July: Specimen of a Portrait)” de James Tissot

James Tissot – Seaside (July: Specimen of a Portrait), c. 1878 – óleo sobre tela – 87,5 x 61 cm - Cleveland Museum of Art, Cleveland, Ohio, USA


Análise da pintura “Seaside (July: Specimen of a Portrait)” ("À beira-mar - Julho: Espécime de um Retrato)" de James Tissot


Esta pintura pertence a uma série de alegorias representando vários meses do ano. A pose relaxada da modelo e a praia distante sugerem férias de verão à beira-mar. Tissot parece ter ficado indeciso quanto ao título da pintura e é provável que as legendas foram adicionadas na esperança de atrair encomendas de retratos. Esta imagem encantadora e elegante, o ápice do trabalho de Tissot no auge de sua carreira, mostra sua musa e amante Kathleen Newton reclinada em um divã, em um dia quente de verão. Ela é vista com a cabeça emoldurada por uma janela através da qual aparece uma visão da praia em Ramsgate, um famoso resort à beira-mar na costa de Kent.

Em “Seaside” Kathleen aparece em um vestido de musselina branca. Esse vestido aparece em vários trabalhos de Tissot desse período, e deve ter sido um dos itens mais usados regularmente em seu guarda-roupa. Quanto ao cenário, sabe-se que o casal visitou Ramsgate aproximadamente em 1876. Mas seria errado ver a pintura como um registro literal de um feriado à beira-mar. Ela é, na verdade, uma ficção altamente sofisticada. Embora a luz de Ramsgate figure ao fundo, ela parece projetada fora da janela do estúdio de Tissot, em sua casa em St. John's Wood, Londres. A visão é, sem dúvida, baseada em um dos estudos topográficos que ele fez exatamente para esse tipo de uso, misturada com a familiaridade da roupa de Kate Newton, as almofadas de veludo amarelo o estofamento florido, e outros objetos de estúdio que encontramos em outras pinturas. Não há dúvida que Tissot criou uma imagem de fontes diferentes, e a impressão que a imagem produz é essencialmente produto de habilidade e imaginação.

Existe outra versão da pintura em uma coleção particular. As duas imagens são quase idênticas em tamanho e algumas vezes foram confundidas nos registros. Existem duas diferenças principais entre as duas versões. A primeira, pela qual o próprio Tissot foi responsável, é a vista através da janela. Na pintura de Cleveland, vemos um pequeno trecho de praia, cercado por ondas quebradas, com um foco muito mais próximo do que na outra versão, com a vista panorâmica de Ramsgate, abraçando o mar, a parede do porto e o farol. A segunda diferença parece ser o resultado de um posterior retoque, feito por outra pessoa, no penteado de Kate, que foi modernizado na pintura de Cleveland.


James Tissot – Seaside (July: Specimen of a Portrait), c. 1878 – óleo sobre tela – 86,4 x 60,3 cm – coleção particular


Para ler a história completa de Kate Newton e James Tissot e ver mais pinturas, clique sobre o link:

http://www.arteeblog.com/2014/07/historias-da-historia-da-arte-kate.html


James Joseph Jacques Tissot (Nantes, 15 de outubro de 1836 – Buillon, 8 de agosto de 1902) foi um pintor francês. Tissot expôs no Salão de Paris pela primeira vez aos 23 anos. A característica do seu primeiro período foi como pintor dos charmes femininos. Demi-mondaine seria a forma mais acurada de chamar uma série de estudos que ele chamou de La Femme a Paris (A mulher em Paris). Lutou na Guerra Franco-Prussiana e, sob a suspeita de ser comunista, deixou Paris em direção a Londres. Lá estudou com Seymour Haden, desenhou caricaturas para a Revista Vanity Fair, pintou retratos e também telas temáticas. Seu trabalho mais grandioso foi a produção de mais de 700 aquarelas ilustrando a vida de Jesus e sobre o Velho Testamento.


Esse blog possui mais artigos sobre James Tissot. Clique sobre os links abaixo para ver:


http://www.arteeblog.com/2018/10/a-historia-da-pintura-de-james-tissot.html

http://www.arteeblog.com/2018/06/a-historia-da-pintura-de-james-tissot.html

http://www.arteeblog.com/2017/10/analise-da-pintura-last-evening-de.html

http://www.arteeblog.com/2015/04/a-historia-da-obra-de-james-tissot-in.html

http://www.arteeblog.com/2017/02/analise-da-pintura-de-edgar-degas.html


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domingo, 9 de junho de 2019

A história da pintura Ophelia de Sir John Everett Millais

Sir John Everett Millais – Ophelia (personagem de Hamlet, de William Shakespeare), 1852 – óleo sobre tela - 76.2 cm × 111.8 cm – Tate Britain, London


A história da pintura Ophelia de Sir John Everett Millais


Millais pintou Ophelia em duas fases distintas: primeiro ele pintou a paisagem, e depois a figura de Ophelia. Tendo encontrado um ambiente adequado, Millais permaneceu nas margens do rio Hogsmill em Ewell por até 11 horas por dia, seis dias por semana, ao longo de um período de cinco meses em 1851. Ophelia teve como modelo a artista e musa Elizabeth Siddal, de 19 anos de idade. Millais fez Siddal deitar completamente vestida em uma banheira cheia em seu estúdio em 7 Gower Street, em Londres. Como era inverno, ele colocou lâmpadas de óleo sob a banheira para aquecer a água, mas estava tão concentrado em seu trabalho que não reparou que as lamparinas se extinguiram. Como resultado, Siddal pegou um resfriado severo, e seu pai, mais tarde enviou a Millais uma carta exigindo £ 50 para despesas médicas. De acordo com o filho de Millais, ele acabou aceitando uma quantia menor.

Hamlet, é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, Hamlet, o rei, executado por Cláudio, seu irmão que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a rainha. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida (do sofrimento opressivo à raiva fervorosa) e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.

William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, 23 de abril de 1564 — Stratford-upon-Avon, 23 de abril de 1616) foi um poeta, dramaturgo e ator inglês, tido como o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo. É chamado frequentemente de poeta nacional da Inglaterra e de "Bardo do Avon" (ou simplesmente The Bard, "O Bardo"). De suas obras, incluindo aquelas em colaboração, restaram até os dias de hoje 38 peças, 154 sonetos, dois longos poemas narrativos, e mais alguns versos esparsos, cujas autorias, no entanto, são ainda disputadas. Suas peças foram traduzidas para todas as principais línguas modernas e são mais encenadas que as de qualquer outro dramaturgo. Muitos de seus textos e temas, especialmente os do teatro, permanecem vivos até os nossos dias, sendo revisitados com frequência, no teatro, na televisão, no cinema e na literatura.

Esse blog possui um artigo sobre pinturas de peças de William Shakespeare. Clique sobre o link abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2016/04/william-shakespeare-e-suas-pecas.html

Sir John Everett Millais, 1º Baronete (Southampton, 8 de Junho de 1829 — Londres, 13 de Agosto de 1896) foi um pintor e ilustrador inglês e um dos fundadores da Irmandade Pré-Rafaelita. Uma criança prodígio, aos 11 anos tornou-se o estudante mais jovem a ingressar na Academia Real Inglesa. A Irmandade Pré-Rafaelita foi fundada na casa de seus pais em Londres. Millais tornou-se já em sua época o expoente mais famoso dessa corrente. No final da década de 1850 Millais começou a abandonar o estilo pré-rafaelita. Suas obras tardias ganharam grande sucesso, transformando Millais em um dos artistas mais bem-pagos em vida naquela época. Apesar disso, elas foram vistas pela maior parte dos críticos do século XX como erros. Essa perspectiva mudou nas últimas décadas, já que suas obras tardias passaram a ser vistas como elementos de uma mudança maior que estava ocorrendo no mundo da arte.

Esse blog possui mais um artigo sobre Sir John Everett Millais. Clique sobre o link abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2016/03/analise-de-autumn-leaves-de-john.html


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terça-feira, 28 de maio de 2019

Balcões de Paris por Gustave Caillebotte

Gustave Caillebotte - Young Man at his Window, 1875 – óleo sobre tela – 117 x 82 cm – coleção particular

Young Man at the Window, de 1876, mostra o irmão do pintor, René, visto por trás.  Ele está em frente a um balcão da casa da família, na Rue de Miromesnil, em Paris, olhando para o Boulevard de Malesherbes, a grande e oblíqua rua transversal ao fundo. Ao posicionar o homem fora do centro da tela e ao retratá-lo de um ponto de vista elevado, a pintura de Caillebotte cria uma relação tensa entre a figura dominante do primeiro plano, as diagonais perspectivas enfáticas e a cena de rua detalhada além dela.


Balcões de Paris por Gustave Caillebotte 


Em meados do século XIX, Napoleão III ordenou uma remodelação maciça da capital francesa, liderada por Georges-Eugène Haussmann. Quando Caillebotte começou a pintar, o Segundo Império acabou. Mas a Guerra Franco-Prussiana deixou vários bairros em ruínas, necessitando de mais reconstruções radicais de bairros. Caillebotte olhou para a nova Paris de Haussmann com um olhar distante, retratando essa Paris em algumas pinturas com personagens em balcões. Enquanto percorrem uma avenida, os transeuntes burgueses de Caillebotte não estão apenas olhando para o espaço. Eles estão encontrando seu caminho através de uma Paris em construção, entrando em uma nova era.


Gustave Caillebotte - A Balcony, Boulevard Haussmann, 1880 – óleo sobre tela – 67,9 x 61 cm – coleção particular

Nesta pintura, vemos dois homens de pé em uma sacada com vista para uma rua parisiense ladeada por várias árvores. Um homem está encostado com as costas contra o prédio, enquanto o outro homem está debruçado sobre o corrimão da varanda, olhando para alguma coisa lá embaixo. Caillebotte criou uma ilusão de extrema profundidade com o ângulo muito agudo que o corrimão é inclinado. Não só o corrimão cria profundidade extrema, como também parece cortar a pintura em dois e cortar os personagens do resto da composição.


Gustave Caillebotte – A Man on a Balcony, c. 1880 – óleo sobre tela – 116 x 97 cm – coleção particular

Essa pintura representa um homem barbudo de perfil, vestindo uma jaqueta cinza e inclinando-se em uma varanda no terceiro andar de um edifício em Paris, 31 Boulevard Haussmann 2, um apartamento de luxo, atrás da Opera Garnier , onde moravam Gustave Caillebotte e seu irmão Martial . O homem apoiado no corrimão foi identificado como Maurice Brault, um dos amigos de infância do artista, que compartilhavam sua paixão pela arquitetura naval. Ele era um corretor de ações, um burguês parisiense e seus pais possuíam uma vila em Yerres ao lado da propriedade Caillebotte. A perspectiva monótona do Boulevar Haussmann, ladeada por plátanos, forma um ponto de fuga atrás do personagem de perfil, que estava tão absorvido pela cena que se desenrolava na rua, que ausentou sua atenção até mesmo do espectador da pintura.


 Gustave Caillebotte – A Balcony in Paris, 1881 – óleo sobre tela – 39 x 55,2 cm - coleção particular


31 Boulevard Haussmann em Paris, na esquina da Rue Gluck. No terceiro andar está a varanda do apartamento do pintor Gustave Caillebotte


Gustave Caillebotte - Boulevard Haussmann in the Snow, c.1879-c.1881 – óleo sobre tela - 65 x 82 cm – coleção particular


Gustave Caillebotte – Interior, Woman at the Window, 1880 – óleo sobre tela – coleção particular

Esta pintura apresenta um homem e uma mulher dentro de um espaço comprimido, sua proximidade física em nítido contraste com sua distância emocional. O homem, sentado em uma poltrona, está absorvido em seu jornal enquanto a mulher está diante da janela e olha para o boulevard abaixo, igualmente consumida por seus próprios pensamentos. Do outro lado da rua no hotel Canterbury, outra figura, vislumbrada através de cortinas entreabertas, observa a mulher. É uma imagem que sugere solidão, isolamento e desejo, mas ainda mais significativamente, talvez, é sobre a visão e olhar, onde uma narrativa indeterminada de olhares roubados e observação constante se desenrola no Boulevard parisiense.


As pinturas com balcão de Gustave Caillebotte foram uma provável inspiração para a pintura de Munch - “Rue Lafayette”


Edvard Munch - Rue Lafayette - 1891 – óleo sobre tela - 92 x 73 cm – Nasjonalgalleriet (The National Museum of Art, Architecture and Design), Oslo, Noruega


Esse blog possui um artigo sobre essa pintura de Edvard Munch. Clique sobre o link abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2015/09/a-historia-inspiracao-e-o-local-da.html


Gustave Caillebotte (19 de Agosto de 1848 - 21 de Fevereiro de 1894) foi um pintor francês, membro e patrono dos artistas Impressionistas, embora ele pintasse de uma forma muito mais realista do que os outros artistas do grupo. Gustave Caillebotte nasceu em uma família parisiense de classe alta. Seu pai, Martial Caillebotte (1799-1874), foi o herdeiro da empresa têxtil militar da família e também era um juiz. Em 1860, o pai de Gustave comprou uma grande propriedade em Yerres, ao sul de Paris e a família Caillebotte começou a passar muitos de seus verões lá, uma cidade às margens do rio Yerres. Provavelmente foi nessa época que Caillebotte começou a desenhar e pintar.

Por volta de 1874, Caillebotte conheceu e fez amizade com vários artistas que trabalhavam fora da Academia Francesa oficial, incluindo Edgar Degas e Giuseppe de Nittis. Os Impressionistas se separaram dos pintores acadêmicos que exibiam nos Salons de Paris anuais. Caillebotte fez sua estreia na segunda exposição Impressionista em 1876. Ele ficou entusiasmado com a visão fresca e radical dos impressionistas. Durante os seis anos seguintes, participou regularmente nas suas exposições, apresentando pinturas de pessoas e lugares que ele encontrava em Paris e seus arredores. Caillebotte se estabeleceu como uma força artística do grupo, bem como um organizador vital, que ajudou a curar e financiar as suas exposições, com dinheiro da fortuna herdada de seus pais. Durante sua breve carreira, ele também se tornou um patrono e mecenas significativo, acumulando uma coleção de mais de setenta obras, incluindo obras-primas de Degas e Renoir, bem como de Paul Cézanne, Claude Monet, Berthe Morisot, Camille Pissarro e Alfred Sisley. Ele legou sua coleção para o estado, e esta tornou-se a pedra angular da arte impressionista em museus nacionais franceses.


Esse blog possui mais artigos sobre Gustave Caillebotte. Clique sobre esses links para ver:

http://www.arteeblog.com/2016/08/analise-da-pintura-orange-trees-de.html

http://www.arteeblog.com/2016/08/serie-gustave-caillebotte-remadores.html

http://www.arteeblog.com/2015/08/gustave-caillebotte-painters-eye-o.html


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