domingo, 20 de maio de 2018

Henri-Edmond Cross – sua arte e sua história

Henri-Edmond Cross - The Artist's Garden at Saint-Clair, 1904-5 – aquarela – 26,6 x 35,8 cm – The Metropolitan Museum of Art, New York, US


Henri-Edmond Cross – sua arte e sua história


Henri-Edmond Cross - Self Portrait with Cigarette, 1880 – óleo sobre madeira – coleção particular


Henri-Edmond Cross, nascido Henri-Edmond-Joseph Delacroix, (20 de maio de 1856 - 16 de maio de 1910) foi um pintor e gravurista francês. Foi um dos principais pintores neoimpressionistas, um pioneiro do Pontilhismo e membro fundador do Salon des Indépendants. Nascido em Douai e criado em Lille, França. Ele foi uma influência significativa sobre Henri Matisse e muitos outros artistas. Seu trabalho foi fundamental para o desenvolvimento do fauvismo. Suas primeiras aulas de desenho foram com o pintor Carolus-Duran em 1866. Ele estudou na École des Beaux-Arts em Lille, na Écoles Académiques de Dessin et d'Architecture e depois de se mudar para Paris em 1888, continuou sua educação artística com outro artista, Douai Émile Dupont-Zipcy.


Henri-Edmond Cross - The Farm, Evening, 1893 – óleo sobre tela – coleção particular


As primeiras pinturas de Cross, retratos e naturezas-mortas, foram feitas nas cores escuras do Realismo. Para se distinguir do famoso pintor romântico Eugène Delacroix, ele mudou seu nome em 1881, encurtando e anglicizando seu nome de nascimento para "Henri Cross" (a palavra francesa croix significa cruz). O ano de 1881 também foi quando Cross realizou sua primeira exposição no Salon des Artistes Français. Ele pintou muitas paisagens em uma viagem de 1883 para os Alpes-Maritimes, acompanhado por sua família, inclusive uma pintura que Cross exibiu na Exposição Universal de Nice no final daquele ano. Durante a viagem ao Mediterrâneo, Cross conheceu Paul Signac, que se tornou um amigo próximo e influência artística.


Henri-Edmond Cross - Evening Breeze, 1893-1894 – óleo sobre tela – Musée d´Orsay, Paris, França


A mudança de seu estilo sombrio e realista, foi gradual. Sua paleta de cores tornou-se mais clara, trabalhando nas cores mais brilhantes do impressionismo. Ele também trabalhou en plein air. No final da década de 1880, ele pintou paisagens puras que mostravam a influência de Claude Monet e Camille Pissarro.


Henri-Edmond Cross - Regatta in Venice, 1903-1904 – óleo sobre tela – 73,7 x 92,7 cm – Museum of Fine Arts, Houston, TX, US


Henri-Edmond Cross - Cypress, April, 1904 – óleo sobre tela – coleção particular


Em 1884, Cross co-fundou a Société des Artistes Indépendants, que consistia em artistas descontentes com as práticas do Salão oficial, e apresentou exposições sem júri e sem premiação. Lá, ele conheceu e tornou-se amigo de muitos artistas envolvidos no movimento neoimpressionista, porém Cross não adotou seu estilo por muitos anos. Seu trabalho continuou a manifestar influências de Édouard Manet, assim como dos impressionistas.


Henri-Edmond Cross - The Woods, 1906-1907 – óleo sobre tela - Musée de l'Annonciade, Saint-Tropez, França


Em 1891, Cross começou a pintar no estilo neoimpressionista e mostrou sua primeira grande obra usando essa técnica em uma exposição independente. Essa pintura é um retrato pontilhista da madame Hector France, Irma Clare, que Cross conheceu em 1888 e com quem se casou em 1893.


Henri-Edmond Cross - Madame Hector France, 1891 – óleo sobre tela – 208,5 x 149,5 cm – Musée d´Orsay, Paris, França


A arte de Henri-Edmond Cross pertence aos últimos anos do neoimpressionismo. Após sua mudança para Saint-Clair em 1901, uma pequena aldeia na Côte d'Azur, perto de Saint-Tropez, ele iniciou uma fase de pinturas de paisagem em óleo e aquarela, usando uma paleta de cores saturadas e vivas. Nessa fase, Cross relaxou os rigorosos arranjos ópticos da técnica pontilhista, favorecendo um estilo de pintura em que usava marcas de pincel longas e em blocos em padrões decorativos de mosaico. Cross pintou muitas aquarelas radiantes de seu jardim semitropical em Saint-Clair, onde ele e Paul Signac costumavam recepcionar frequentemente Pierre Matisse, André Derain e Albert Marquet, artistas mais tarde associados ao movimento Fauve.


Henri-Edmond Cross - Landscape with Stars, c. 1905-1908 – aquarela – 24,4 x 32 cm - Metropolitan Museum of Art, New York, US


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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Pinturas de casamentos

Marc Chagall - Les Mariés de la Tour Eiffel, 1938-1939 – óleo sobre tela – 150 x 136,5 cm – Centre Pompidou, Paris


Pinturas de casamentos


Alfred Stevens (1823 – 1906) – Love and Marriage - óleo sobre tela – 105,4 x 61 cm – coleção particular


Jan Steen – A Village Wedding, 1653 - Museum Boijmans van Beuningen, Rotterdam, Holanda


Jose Ferraz de Almeida Junior – The Bride (A Noiva), 1886 – óleo sobre tela – 84 x 50 cm – coleção particular


John Duncan – The Coming of Bride, 1917 – tempera sobre tela – 152,4 x 152,4 cm - Glasgow Museums Resource Centre, Glasgow, UK


Henri Rousseau – The Wedding Party, 1905 – óleo sobre tela – 163 x 114 cm – Musée de l´Orangerie, Paris


Marc Chagall – La Mariée, 1950 – guache e lápis pastel – 68 x 53 cm – coleção particular


Pieter Bruegel the Elder – Peasant Wedding, 1567 – óleo sobre madeira – 114 x 164 cm - Vienna, Kunsthistorisches Museum, Austria


James Charles – Signing the Marriage Register, c. 1895 – óleo sobre tela – 238,5 x 184 cm - Cartwright Hall, Lister Park, Bradford, UK


Edmund Blair Leighton- The Wedding Register, 1920 – óleo sobre tela – 91,4 x 118,5 cm - Bristol City Museum and Art Gallery, UK


Frederick Morgan - Off for the Honeymoon - óleo sobre tela – 168,9 x 123 cm – coleção particular


quarta-feira, 16 de maio de 2018

Análise da pintura de Tamara de Lempicka - Young Lady With Gloves

Tamara de Lempicka - Young Lady With Gloves (Garota de verde, com luvas), 1930 – óleo sobre madeira – 45,5 x 61,5 cm - Musée du Luxembourg, Paris, França


Análise da pintura de Tamara de Lempicka - Young Lady With Gloves


Nessa pintura, uma mulher jovem e bonita está com um vestido verde de tecido fluido, luvas brancas e um grande chapéu branco. A linearidade acentuada e planos fraturados, combinados com o uso arrojado da cor tornam o todo fortemente dimensional e moderno. Parece que a elegante figura feminina com linhas curvilíneas está segurando seu chapéu para evitar perdê-lo na brisa, De Lempicka domina o efeito de um vento soprando através da pintura. Há uma ligeira sensação de erotismo no vestido grudado em seu corpo, revelando seus seios e umbigo através do tecido.

Tamara de Lempicka (16 de maio de 1898 - 18 de março de 1980), foi uma pintora polonesa Art Deco. Influenciada pelo cubismo, Lempicka tornou-se a principal representante do estilo Art Deco em dois continentes, uma artista favorita de muitas estrelas de Hollywood, conhecida como "a baronesa com um pincel". Ela era a mais elegante pintora de retratos de sua geração entre a alta burguesia e a aristocracia, pintando duquesas, grandes duques e socialites. Através de sua rede de amigos, ela também expôs suas pinturas nos salões mais elitistas da sua época. Lempicka esteve ativamente envolvida na cena boêmia em Paris durante a década de 1920, onde ela fez amizade com Picasso, assim como os escritores Andre Gide e Jean Cocteau. Sua vida amorosa dramática atraia comentários e escândalos.

Art Deco, o estilo de artes decorativas dos anos 1920, com seus motivos geométricos e cores brilhantes e arrojadas, foi usado por muitos designers de joias, móveis, roupas, tecidos e cerâmica. Era um estilo clássico, simétrico, retilíneo, que atingiu seu ponto alto entre 1925-1935, e se inspirou em movimentos artísticos sérios como o cubismo, o futurismo e a influência da Bauhaus. Em Paris, foi uma forma de arte dominante do período 1920-1930. De todos os artistas que seguiam o estilo "Arts Decoratifs", uma das mais memoráveis foi Tamara de Lempicka.

Esse blog possui mais um artigo sobre Tamara de Lempicka. Clique sobre o link abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2017/05/analise-do-autorretrato-no-bugatti.html


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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Análise da pintura de Salvador Dali – The Persistence of Memory

Salvador Dali – The Persistence of Memory, 1931 – óleo sobre tela – 24 x 33 cm – Museum of Modern Art, New York, US


Análise da pintura de Salvador Dali – The Persistence of Memory


Esta pintura é uma das obras mais famosas de Salvador Dali, com representações de relógios de bolso. O tema implícito dessa pintura é o tempo, como nos relógios se derretendo ou a decadência implícita pelas formigas em enxame. Salvador Dalí frequentemente descrevia suas pinturas como “fotografias de sonhos pintadas à mão”. Dali disse sobre essa pintura, que ele dominou “os habituais truques paralisantes de enganar os olhos”, e que pintou esse trabalho “com a fúria mais imperialista da precisão, mas apenas, para sistematizar confusão e assim ajudar a desacreditar completamente o mundo da realidade”.  

Há, no entanto, algo real: ele baseou esta paisagem à beira-mar nas falésias de sua região natal na Catalunha, Espanha. A grande criatura central, composta de nariz e olho fechado, foi retirada da imaginação de Dalí, embora tenha sido frequentemente interpretada como um autorretrato. Seus longos cílios parecem insetos. Os relógios podem simbolizar a passagem do tempo como se experimenta no sono ou a persistência do tempo aos olhos do sonhador.


Salvador Dali – The Persistence of Memory, 1931 – óleo sobre tela – 24 x 33 cm – Museum of Modern Art, New York, US - detalhe


Um possível significado autobiográfico do título da pintura, Persistência da Memória, pode ser uma referência à própria memória de Dali de seu próprio ambiente de infância. Isso poderia explicar a qualidade abandonada e desabitada da paisagem na pintura, não visitada desde a infância de Dali.

Salvador Dalí estava muito interessado nos escritos de Sigmund Freud sobre psicologia. Freud revolucionou a forma como as pessoas pensam sobre a mente com sua teoria do subconsciente: “o subconsciente é a parte da psique que pensa e sente sem que a pessoa tenha consciência desses pensamentos e sentimentos”. De acordo com Freud, os sonhos são mensagens codificadas do subconsciente, e artistas surrealistas como Dalí estavam interessados no que poderia ser revelado por seus sonhos.

Dalí auto induzia alucinações a fim de acessar seu subconsciente enquanto criava a arte, um processo que ele chamou de método crítico-paranoico. Sobre os resultados desse processo, ele escreveu: “Sou o primeiro a ser surpreendido e muitas vezes aterrorizado pelas imagens que vejo aparecerem na minha tela. Registro sem escolha e com toda a exatidão possível os ditames do meu subconsciente, meus sonhos”. Embora ele alegasse se surpreender com as imagens, Dalí as produziu com precisão meticulosa, criando a ilusão de que esses lugares poderiam existir no mundo real. Em sua maneira tipicamente irônica, Dali proclamou: "A única diferença entre um louco e eu é que não sou louco".

Salvador Dalí retornou ao tema desta pintura com a variação A Desintegração da Persistência da Memória (1954), mostrando seu famoso trabalho anterior fragmentando sistematicamente em elementos componentes menores, e uma série de blocos retangulares que revelam novas imagens através das lacunas entre eles, implicando algo abaixo da superfície do trabalho original. Dalí também produziu várias litografias e esculturas sobre o tema de relógios macios no final de sua carreira. Algumas dessas esculturas são a Persistência da Memória, a Nobreza do Tempo, o Perfil do Tempo e os Três Relógios Dançantes.

Salvador Dalí i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol (Figueres, 11 de maio de 1904 — Figueres, 23 de janeiro de 1989) foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres da Renascença. O extenso repertório artístico de Dalí incluía cinema, escultura e fotografia, em colaboração com uma variedade de artistas em uma variedade de mídias. Ele dizia amar tudo que era dourado e excessivo, e ter uma paixão pelo luxo. Dalí era altamente imaginativo, e também gostava de se entregar a um comportamento incomum e grandioso. Sua maneira excêntrica e as ações públicas que chamavam a atenção, às vezes atraíam mais atenção do que sua arte, para consternação daqueles que mantinham seu trabalho em alta estima e para a irritação de seus críticos

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terça-feira, 8 de maio de 2018

Wave - Frank Sinatra de Tom Jobim



Wave - Frank Sinatra de Tom Jobim


Wave (também chamada de "Vou te Contar") é a primeira música de um álbum de mesmo nome de 1967, composta por Antônio Carlos Jobim e Milton Mendonça. Já foi interpretada por diversos artistas, tais como Elis Regina Gal Costa, Frank Sinatra, João Gilberto, Ella Fitzgerald e Oscar Peterson e Renato Russo. A letra em inglês foi escrita pelo próprio Tom Jobim em 11 de novembro de 1969, e cantada por Frank Sinatra no álbum Sinatra & Company, lançado no ano seguinte.

Francis Albert "Frank" Sinatra (Hoboken, 12 de dezembro de 1915 — Los Angeles, 14 de maio de 1998) foi um cantor e ator norte-americano. Lançou vários álbuns com aclamação crítica, realizou tours internacionais, e foi um dos fundadores do Rat Pack, além de fraternizar com celebridades e homens de estado, incluindo John F. Kennedy. Sinatra também forjou uma bem-sucedida carreira como ator, vencendo um Óscar de melhor ator secundário, uma nomeação para Oscar de melhor ator e aclamação crítica por sua performance. Sinatra foi homenageado no Prêmio Kennedy em 1983 e recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade de Ronald Reagan em 1985 e a Medalha de Ouro do Congresso em 1997. Sinatra também recebeu 11 Grammy Awards, incluindo o Grammy Trustees Award, Grammy Legend Award e o Grammy Lifetime Achievement Award. Possui duas estrelas na Calçada da Fama, uma por seu trabalho na música e outra por seu trabalho na TV norte-americana. É considerado um dos maiores intérpretes da música na década de 1950.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da Bossa Nova. Suas canções foram interpretadas por muitos cantores e instrumentistas no Brasil e internacionalmente. Em 1965 o álbum Getz / Gilberto (tendo Tom Jobim como compositor e pianista) foi o primeiro álbum de jazz a ganhar o Grammy Award para Álbum do Ano. A canção "Garota de Ipanema" foi gravada mais de 240 vezes por outros artistas, sendo uma das músicas mais gravadas de todos os tempos. Seu álbum de 1967 com Frank Sinatra, “Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim”, foi nomeado para Álbum do Ano em 1968. Jobim deixou um grande número de canções que agora estão incluídas nos repertórios standard de Jazz e pop.



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domingo, 6 de maio de 2018

Análise da pintura The Starry Night (A Noite Estrelada) de Vincent van Gogh

Vincent van Gogh - The Starry Night (A Noite Estrelada), 1889 – óleo sobre tela – 73,7 x 92,1 cm – Museum of Modern Art, New York, USA


Análise da pintura The Starry Night (A Noite Estrelada) de Vincent van Gogh


Van Gogh escreveu uma vez: "A visão das estrelas sempre me faz sonhar".

Essa pintura é uma das mais reconhecidas na história da cultura ocidental. Vincent van Gogh encontrou seu lugar na arte e produziu pinturas emocionais e visualmente interessantes ao longo de uma carreira que durou apenas uma década. A natureza e os camponeses sempre foram uma inspiração para a sua arte.

Van Gogh escreveu para seu irmão Theo, descrevendo sua inspiração para A Noite Estrelada: “Esta manhã vi a paisagem da minha janela muito antes do nascer do sol, com nada além da estrela da manhã, que parecia muito grande." A janela a que ele se refere estava no asilo em Saint-Rémy, no sul da França, onde ele procurava refúgio de seu sofrimento emocional enquanto continuava a fazer arte. Após o colapso de 23 de dezembro de 1888 que resultou na automutilação da orelha esquerda, Vincent Van Gogh internou-se voluntariamente no asilo psiquiátrico Saint-Paul-de-Mausole em 8 de maio de 1889, sediado num antigo mosteiro.


Vincent van Gogh - The Starry Night (A Noite Estrelada), 1889 – óleo sobre tela – 73,7 x 92,1 cm – Museum of Modern Art, New York, USA – detalhe: montanhas e céu


Van Gogh retratou a vista de seu quarto em diferentes momentos do dia e sob várias condições climáticas, incluindo o nascer do sol, o nascer da lua, dias ensolarados, dias nublados, dias de vento e um dia de chuva. Embora a equipe do hospital não permitisse que Van Gogh pintasse em seu quarto, ele conseguiu fazer lá desenhos a tinta ou carvão no papel. E ele podia usar uma sala no térreo do edifício do asilo para pintar.

Esse blog possui um artigo sobre a importância do desenho para Vincent van Gogh. Clique no link abaixo para ver:



Em “A Noite Estrelada”, um céu noturno preenchido por lua e estrelas, predomina. Ele ocupa três quartos do plano da imagem e parece turbulento, até mesmo agitado, com formas redondas que parecem rolar pela superfície como ondas. Está repleto de orbes brilhantes, incluindo a lua crescente à direita e Vênus, a estrela da manhã, à esquerda do centro, cercada por círculos concêntricos de luz branca e amarela radiante.


Vincent van Gogh - The Starry Night (A Noite Estrelada), 1889 – óleo sobre tela – 73,7 x 92,1 cm – Museum of Modern Art, New York, USA – detalhe: Venus

Sob esse céu expressivo, há uma aldeia silenciosa de casas humildes em torno de uma igreja, cuja torre se eleva nitidamente acima das ondulantes montanhas negro-azuladas ao fundo. Uma árvore de cipreste está no primeiro plano desta cena noturna. Como uma chama, ela atinge quase a borda superior da tela, servindo como um elo visual entre a terra e o céu. Simbolicamente, o cipreste pode ser visto como uma ponte entre a vida, representada pela terra, e a morte, representada pelo céu.

A Noite Estrelada baseia-se nas observações diretas de van Gogh, bem como em sua imaginação, memórias e emoções. O campanário da igreja, por exemplo, assemelha-se àqueles comuns em sua terra natal, a Holanda, e não na França. As formas giratórias no céu, por outro lado, combinam com observações astronômicas publicadas naquela época, de nuvens de poeira e gás conhecidas como nebulosas. Pesquisadores determinaram que Vênus estava mesmo visível ao amanhecer de Provence na primavera de 1889 e que naquele período seu brilho era quase máximo. Dessa forma, concluiu-se que a "estrela" mais brilhante da pintura, logo à direita do cipreste, é esse planeta.


Vincent van Gogh - The Starry Night (A Noite Estrelada), 1889 – óleo sobre tela – 73,7 x 92,1 cm – Museum of Modern Art, New York, USA – detalhe: lua


Ao mesmo tempo equilibrada e expressiva, a composição é estruturada por sua colocação ordenada do cipreste, campanário e nebulosas centrais, enquanto suas incontáveis pinceladas curtas e tinta grossa aplicada colocam sua superfície em movimento.


Vincent van Gogh - The Starry Night (A Noite Estrelada), 1889 – óleo sobre tela – 73,7 x 92,1 cm – Museum of Modern Art, New York, USA – detalhe: estrelas no céu


Vincent Willem van Gogh (Zundert, 30 de Março de 1853 — Auvers-sur-Oise, 29 de Julho de 1890) foi um pintor pós-impressionista holandês, autodidata. Seu trabalho teve uma grande influência na arte do século 20. Sua produção inclui retratos, autorretratos, paisagens e naturezas-mortas de ciprestes, campos de trigo e girassóis. Ele completou muitas de suas obras mais conhecidas durante os dois últimos anos de sua vida. Em pouco mais de uma década, produziu mais de 2.100 obras de arte, incluindo 860 pinturas a óleo e mais de 1.300 aquarelas, desenhos, esboços e gravuras.

Esse blog possui mais artigos sobre Vincent Van Gogh. Clique sobre os links abaixo para ver:














Vincent van Gogh já havia feito outra pintura, em 1888 com um céu estrelado, numa versão mais serena, feita antes de sua internação no asilo:


Vincent van Gogh - Starry Night over the Rhône, 1888 – óleo sobre tela - 72.5 × 92 cm – Musée d´Orsay, Paris, França


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terça-feira, 1 de maio de 2018

Pinturas e ilustrações com muguet, a flor de Maio, e seu significado

Albert Dürer Lucas - Lily of the Valley, 1871 – óleo sobre madeira - 25,5 x 20,5 cm – coleção particular


Pinturas e ilustrações com muguet, a flor de Maio, e seu significado


Marc Chagall - Lilies of the Valley, 1916 – óleo sobre cartão – 42 x 33,5 cm - Tretyakov Gallery, Moscow, Russia


Essa florzinha singela e perfumada tornou-se um símbolo do mês de maio, tempo de primavera na Europa. Contam que os Celtas festejavam o muguet no primeiro dia do mês de maio. Na idade média ela era colhida para festejar as noivas; na França do Renascimento, Charles IX recebeu um galhinho de muguet no primeiro de maio e instituiu o costume de oferecer muguets, nessa data, às damas da corte.


Walton Century - A butterfly and bird's nest with primroses and lily of the valley, 1831 – óleo sobre madeira – 18 x 23 cm – coleção particular


Em seguida, as costureiras, também na França, cultivavam a tradição de oferecer muguets às crianças no dia primeiro de maio, como porte-bonheur (símbolo de boa sorte) costume que foi incorporado pelos trabalhadores, que transformaram a singela flor em símbolo da festa do trabalho.


Ilustração Art Nouveau “Lily of the Valley” - E.Docker para Penhaligons


Lily of the Valley - Vintage French Postcard, 1904


O muguet é uma planta das regiões temperadas ela cresce nos bosques, em locais protegidos da luz intensa, na Ásia na Europa e nos Estados Unidos e desabrocha no início da primavera. Ele simboliza a entrada da primavera no hemisfério norte.


Bouquet De Muguet Dans Un Vase, 1931 - Suzanne Valadon – óleo sobre tela - 46 x 38.1 cm – coleção particular


As flores, que têm a forma de pequenos sinos, também são conhecidas como Lis de la vallée (lírio do vale); elas exalam um perfume delicioso e são consideradas como símbolos de felicidade e da boa sorte. O Muguet é a flor símbolo da Finlândia. Na França e na Bélgica ele é oferecido aos familiares e aos amigos no dia 1 de Maio, “Dia do Trabalho”, com votos de felicidades e prosperidade, e simboliza também, na França, os 13 anos de casamento, as Bodas de muguet.


Marc Chagall - Couple with Lilies of the Valley, 1973 – óleo sobre tela – coleção particular – com inscrição “Pour Ida, papa” no canto inferior direito


Bonus:

Ovo de Páscoa Imperial "Lillies of the Valley" - Peter Carl Fabergé - 1898 – em ouro com diamantes, rubis, pérolas e esmalte

Esse blog possui um artigo sobre os Ovos de Páscoa Imperiais Fabergé. Clique sobre o link abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2017/04/a-historia-dos-ovos-imperiais-faberge.html




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quarta-feira, 25 de abril de 2018

A história da pintura de Eugène Delacroix - The Sea from the Heights of Dieppe

Eugène Delacroix - The Sea from the Heights of Dieppe (O Mar Visto dos Altos de Dieppe), 1852 – óleo sobre madeira – 35 x 51 cm – Musée du Louvre, Paris


A história da pintura de Eugène Delacroix - The Sea from the Heights of Dieppe


Entre 1851 e 1852, Delacroix visitou Dieppe várias vezes. Depois de sua última visita ao local, ele escreveu em seu diário: "O mar estava maravilhosamente calmo e um dos melhores que eu já vi. Eu não conseguia me afastar. Eu estava na praia e não subi no cais o dia todo. A alma se apega com paixão às coisas que somos. Foi recordando este mar que fiz um estudo de memória: o céu dourado, barcos aguardando a maré para que eles pudessem entrar. "

Ele retrata a magia do ar e da água, a mobilidade das nuvens e através de pequenas pinceladas, as vibrações dos reflexos coloridos do mar, dando a sensação do balanço dos veleiros ao sabor da brisa do mar. Delacroix aqui se mostra, tanto em visão quanto em técnica, o precursor imediato dos impressionistas e abre o caminho para a pintura ao ar livre.

Ferdinand Victor Eugène Delacroix (Île-de-France, 26 de abril de 1798 - Paris, 13 de agosto de 1863) foi um artista romântico francês considerado desde o início de sua carreira como o líder da escola romântica francesa. Delacroix foi um artista prolífico, produzindo mais de 9.000 obras durante sua vida, entre pinturas, aquarelas, crayons e desenhos. Inspirando-se em Peter Paul Rubens, Michelangelo e nos pintores do Renascimento Italiano, seu estilo de pintura enfatizou cores e movimento, em vez de formas cuidadosamente modeladas.

Como pintor e muralista, o uso de pinceladas expressivas por Delacroix e seu estudo dos efeitos ópticos da cor moldaram profundamente o trabalho dos impressionistas, enquanto sua paixão pelo exótico inspirou os artistas do movimento simbolista. Um excelente litógrafo, Delacroix ilustrou várias obras de William Shakespeare, do escritor escocês Walter Scott e do autor alemão Johann Wolfgang von Goethe. Suas obras giravam em torno de muitos temas, muitos dos quais foram inspirados pelas obras de Shakespeare, Goethe e Byron, e retratam temas de violência e sensualidade. Talvez sua obra mais conhecida seja “A Liberdade guiando o povo” de 1830, feita em comemoração à Revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X. Ele também ajudou a fundar a Société Nationale des Beaux-Arts, juntamente com outros artistas franceses notáveis da época.

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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Análise da pintura de J. M. Turner, “Rain, Steam and Speed – The Great Western Railway”

Joseph Mallord William Turner - Rain, Steam and Speed – The Great Western Railway (Chuva, Vapor e Velocidade – A Grande Estrada de Ferro do Oeste), 1844 – óleo sobre tela – 91 x 121,8 cm – National Gallery, London, UK


Análise da pintura de J. M. Turner, “Rain, Steam and Speed – The Great Western Railway”


A pintura apresenta uma recessão diagonal do primeiro plano para um ponto de fuga no centro da imagem. O encurvamento exageradamente íngreme do viaduto ao longo do qual o nosso olho se afasta no horizonte, sugere a velocidade com que a locomotiva irrompe através da chuva, com seu farol brilhante. Há o rumor que Turner viajou nesse trem e, maravilhado com sua velocidade, colocou sua cabeça para fora da janela, sentindo a velocidade e a chuva, e posteriormente retratou o que sentiu nessa pintura.

No canto inferior direito da pintura, desproporcionalmente grande, uma lebre (o mais rápido de todos os animais) passa pelos trilhos, esperando vencer a corrida e escapar com sua vida e possivelmente simbolizando velocidade, ou o perigo da nova tecnologia (no caso, o trem) poder destruir os elementos sublimes inerentes da natureza. Um barco a remo está no rio bem abaixo, e na distância, um lavrador sulca a terra.

O cenário foi identificado como a ponte ferroviária de Maidenhead, sobre o rio Tamisa entre Taplow e Maidenhead, na recém-estabelecida linha Great Western para Bristol e Exeter. A ponte tem dois arcos principais de tijolos, muito largos e planos. A vista é para o leste, em direção a Londres. A Great Western Railway (GWR), foi uma das várias companhias ferroviárias britânicas privadas criadas para desenvolver o então novo meio de transporte. A década de 1840 foi o período da "mania ferroviária" e o inquieto Turner apreciou a velocidade e o conforto dessa forma de viagem.

Joseph Mallord William Turner (1775-1851) nasceu em Londres, filho de um barbeiro. Ele entrou na Royal Academy School em 1789 aos 14 anos, antes de se tornar um membro da Royal Academy em 1802 e professor de Perspectiva em 1807. Seu trabalho foi prolífico e variado, incluindo desenhos, gravuras, aquarelas e óleos. Mesmo trazendo uma energia renovada para a exploração dos desenvolvimentos sociais, tecnológicos e científicos da vida moderna, ele manteve-se profundamente envolvido com temas religiosos, históricos ou mitológicos que o vinculavam às tradições culturais de sua época. A arte de Turner é livre e solta e embora muitos o considerem como um dos pais da arte moderna, do impressionismo e abstracionismo, sua obra pode apenas ter sido inacabada e experimental.

Nos seus últimos 25 anos de vida, profundamente afetado pela morte de seu pai, amado por uma empregada, ele teve uma relação com uma dona de casa que morava à beira-mar, com quem ele viveu incógnito. Ao longo destes anos, ele viajou, pintou, conviveu com a aristocracia do País, visitou bordéis, foi um membro popular e anárquico da Royal Academy of Arts, se amarrou ao mastro de um navio para pintar uma tempestade de neve, e foi ao mesmo tempo celebrado e insultado pelo público e pela realeza.

Os métodos de Turner pareciam menos como pintura, do que como um ataque sobre a tela, mas os resultados são nevoeiros e neblinas cercando naufrágios, locomotivas a vapor soltando fogo, tudo banhado pela mais surpreendente luz. Ao longo de seus últimos anos, ele continuou a viajar pela Europa, e fez sua última viagem em 1845. Expôs suas últimas quatro obras na Royal Academy em 1850 e morreu em 1851. Seu corpo foi sepultado na cripta da Catedral de St Paul.

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terça-feira, 17 de abril de 2018

Análise de “Spring Bouquet” de Pierre-Auguste Renoir

Pierre-Auguste Renoir - Spring Bouquet (Buquê de Primavera), 1866 – óleo sobre tela – 104,8 x 80,3 cm – Fogg Art Museum, Harvard University, Cambridge, Massachusetts, USA


Análise de “Spring Bouquet” de Pierre-Auguste Renoir


A técnica impressionista ainda não havia evoluído quando Renoir pintou essa obra, ainda no início de sua carreira. Em vez de um efeito generalizado de cor luminosa, que no Impressionismo sugerirá flores sem retratá-las precisamente, aqui as pétalas são separadas e distintas e a tela brilha com luz e cor. A textura das flores é muito bem retratada, e parece que o próprio perfume das flores também está lá. A tonalidade azul prateada é acentuada pelos acentos em tons escuros e as flores amarelas são como estrelas. Renoir está no limiar de sua carreira, mas seu gosto já é excepcional.


A composição forma um triangulo. Para contrabalançar a assimetria das flores transbordando para o canto inferior esquerdo, Renoir colocou uma área de sombra à direita do vaso, que contrasta com a luz abaixo dela. Especialmente importante é a colocação da linha em diagonal da rachadura no tampo da mesa, no lado inferior direito da tela, que contribui para o equilíbrio da composição, fazendo um contraponto com as flores brancas sobre a mesa. A pintura também demonstra o desenvolvimento de Renoir como artista. Em vez de aplicar a tinta com uma faca de paleta (uma técnica que emprestou de artistas como Courbet), Renoir adotou um traço mais livre e mais fino usando apenas um pincel.

Para muitos artistas franceses durante a década de 1860, a natureza morta floral persistia como um teste de habilidade puramente pictórica. Este buquê exuberante em um vaso japonês do início da carreira de Renoir, atesta o envolvimento do artista com as tradições históricas da arte do passado. Ele aborda a nobre prática holandesa da natureza morta através da grande escala de sua tela, enquanto sua atenção às texturas e cores do arranjo evoca o trabalho de pintores franceses do século XVIII como Antoine Watteau e François Boucher, artistas que estudou quando era um adolescente, enquanto trabalhava como pintor de porcelana.


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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Análise da pintura “The Kiss” (Il Bacio) de Francesco Hayez

Francesco Hayez – The Kiss, 1859 – óleo sobre tela – 110 x 88 cm – Pinacoteca di Brera, Milano, Italia


Análise da pintura “The Kiss” (Il Bacio) de Francesco Hayez


"Il Bacio" é uma das imagens emblemáticas da Pinacoteca di Brera e talvez a pintura italiana mais amplamente reproduzida de todo o século XIX, criada com o objetivo de simbolizar o amor à pátria e a sede de vida por parte da jovem nação que emergiu da Segunda Guerra da Independência e que então colocava tantas esperanças em seus novos governantes. A unificação da Itália, também conhecida como Risorgimento, foi um movimento político e social em meados do século XIX que consolidou os estados independentes da península italiana no único estado da Itália que conhecemos hoje.

A pintura se provou um sucesso imediato e retumbante tanto por seus valores patrióticos quanto pela inspiração medieval do tema, típica do gosto romântico da época. Hayez pintou outras versões, agora em várias coleções europeias. Essa pintura foi encomendada por Alfonso Maria Visconti di Saliceto, que a doou para a Pinacoteca di Brera após sua morte. Ela transmite as principais características do romantismo italiano e passou a representar o espírito do Risorgimento.

A pintura representa um casal da Idade Média, se abraçando enquanto se beijam. Ela está entre as representações mais apaixonadas e intensas de um beijo na história da arte ocidental. A garota se inclina para trás, enquanto o homem inclina a perna esquerda para apoiá-la, colocando simultaneamente um pé no degrau ao lado, como se estivesse pronto para ir embora a qualquer momento. Na parte esquerda da tela, sombras se escondem no canto para dar uma impressão de conspiração e perigo. Esta pintura é notável por suas cores vivas e texturas, em especial o vestido azul, que parece ter sido feito com uma bela seda que brilha diante dos olhos do espectador. Um dos significados políticos que podem ser lidos em Il Bacio é o de um jovem soldado italiano saindo para lutar pela Itália contra o Império Austro-Húngaro e se despedindo do seu amor.

“Il Bacio” foi considerada como um símbolo do romantismo italiano, do qual engloba muitos recursos. Em um nível mais superficial, a pintura é a representação de um beijo apaixonado, que se coloca de acordo com os princípios do Romantismo. Por isso, enfatiza os sentimentos mais profundos do que o pensamento racional e apresenta uma reinterpretação e reavaliação da Idade Média em tom patriótico e nostálgico. Em um nível mais profundo, a pintura visa retratar o espírito do Risorgimento. O vestido azul-claro da garota significa a França, que em 1859 (o ano da criação da pintura) fez uma aliança com o Reino do Piemonte e da Sardenha, permitindo unir os muitos estados da península italiana ao novo reino da Itália.

Na década de 1920, o diretor de arte da Perugina, uma das principais fabricantes de chocolate da Itália, revisou a imagem da pintura e criou a típica caixa azul dos populares chocolates "Baci" com a foto de dois amantes.

Francesco Hayez (Veneza, 10 de fevereiro de 1791 - Milão, 21 de dezembro de 1882) foi um pintor italiano, o principal artista do romantismo na Milão de meados do século XIX, renomado por suas grandes pinturas históricas, alegorias políticas e retratos excepcionais. Em 1809 ganhou um concurso da Academia de Veneza para ser aluno da Academia de San Luca próxima de Roma. Por isso, mudou-se para a capital italiana onde passou a ser discípulo de Canova que foi seu guia e protetor durante os anos que passou em Roma, até 1814, quando se mudou para Nápoles e depois Milão. Em 1850 foi designado para diretor da Academia di Brera.


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