terça-feira, 7 de julho de 2015

Curiosidades sobre o teto da Ópera Garnier em Paris, por Marc Chagall (com vídeo)


Curiosidades sobre o teto da Ópera Garnier em Paris, por Marc Chagall (com vídeo)

A pedido de Napoleão III, em 1861, o arquiteto Charles Garnier começou a construir uma nova casa de ópera em Paris. Inaugurado sob a Terceira República em 5 de janeiro de 1875, o edifício capturou a imaginação dos seus contemporâneos com design arrojado, eclético e opulento do arquiteto.




Em 1963, Chagall foi contratado para pintar o novo teto da Ópera de Paris (Palais Garnier), um edifício do século 19 e majestoso monumento nacional. André Malraux,o então ministro da Cultura da França queria algo único e decidiu que Chagall seria o artista ideal. No entanto, esta escolha de artista causou polêmica: alguns se opuseram a ter um judeu russo decorando um monumento nacional francês, outros não gostaram do teto do edifício histórico ser pintado por um artista moderno. Algumas revistas escreveram artigos condescendentes sobre Chagall e Malraux, sobre os quais Chagall comentou com um escritor: “É incrível a forma como os estrangeiros ressentem os franceses. Você vive aqui a maior parte de sua vida, você se torna um cidadão francês naturalizado, trabalha de graça para decorar suas catedrais, e ainda desprezam você. Você não é um deles.”




No entanto, Chagall deu continuidade ao projeto que levou um ano para ser concluído pelo artista, então com 77 anos. A tela final tem cerca de 220 metros quadrados. Tem cinco seções que foram coladas a painéis de poliéster e içadas até o teto de 21 m. As imagens que Chagall pintou na tela prestam homenagem aos compositores Mozart, Wagner, Mussorgsky, Berlioz e Ravel, entre outros, bem como a atores famosos e dançarinos. O teto de Chagall fez, sem dúvida, o Palais Garnier estar na moda novamente.




Chagall era um pintor lírico e a conecção de seu teto com a construção de Garnier é mais profunda do que se poderia pensar. Chagall tinha um espírito místico-religioso para quem o amor é a força que une e move tudo no universo, cujas criaturas e objetos são parte de um movimento total, sem gravidade ou resistência superior ou inferior, perfeito para pintar um teto de ópera!




O trabalho foi apresentado ao público no dia 23 de setembro de 1964, na presença de Malraux e 2.100 convidados. Pela primeira vez os melhores lugares estavam no círculo superior. Para começar, o grande lustre de cristal pendurado no centro do teto foi apagado . Todo o corpo de baile veio ao palco e depois, em honra de Chagall, a orquestra da Ópera tocou o final da "Jupiter Symphony" de Mozart, o compositor favorito de Chagall. Durante os últimos compassos da música, o lustre foi aceso, dando vida à pintura do artista no teto, em toda a sua glória, arrancando aplausos entusiasmados da platéia.




Depois que o novo teto foi revelado, mesmo os mais ferrenhos opositores da obra cairam em silêncio. A imprensa  declarou em unanimidade que o novo trabalho de Chagall é uma grande contribuição para a cultura francesa. Malraux disse mais tarde: "Que outro artista vivo poderia ter pintado o teto da Ópera de Paris da maneira que Chagall o fez? Ele é acima de tudo um dos grandes coloristas do nosso tempo. Muitas de suas telas e o teto da Ópera representam imagens sublimes que se classificam entre as melhores poesias visuais do nosso tempo."




No discurso de Chagall para o público, ele explicou o significado do trabalho: “Lá em cima na minha pintura, eu quis refletir, como um espelho em um ramalhete, os sonhos e as criações dos cantores e músicos, para lembrar o movimento do público colorido abaixo, e para homenagear os grandes compositores de ópera e ballet. Eu ofereço este trabalho como um presente de gratidão à França e sua École de Paris, sem a qual não haveria cor e nem liberdade.”
Chagall se recusou a ser pago pelo seu teto. O Estado cobriu apenas os custos de material do trabalho, que foi executado entre Janeiro e Agosto de 1964. O pintor trabalhou no Musée des Gobelins, em seguida na oficina construída por Gustav Eiffel em Meudon (que mais tarde se tornou um museu de aviação) e finalmente, em Vence. A obra foi inaugurada no dia 23 de setembro de 1964.




Painel central: indo no sentido horário do lado direito do palco, o painel central evoca quatro compositores e obras:
- Bizet, Carmen. Cor dominante: vermelho.
- Verdi, possivelmente La Traviata. Cor dominante: amarelo.
- Beethoven, Fidélio. Cores dominantes: azul e verde.
- Gluck, Orfeu e Eurídice. Cor dominante: verde.

Painel principal:
- Moussorgski, Boris Godounov. Cor dominante: azul.
- Mozart, A Flauta Mágica. Cor dominante: azul claro.
- Wagner, Tristão e Isolda. Cor dominante: verde.
- Berlioz, Roméo et Juliette. Cor dominante: verde.
- Rameau, o trabalho não especificado. Cor dominante: branco.
- Debussy, Pelléas et Mélisande. Cor dominante: azul.
- Ravel, Daphnis et Chloé. Cor dominante: vermelho.
- Stravinsky, O Pássaro de Fogo. Cores dominantes: vermelho, verde e azul.
- Tchaikovsky, O Lago dos Cisnes. Cor dominante: amarelo dourado.
- Adam, Giselle. Cor dominante: amarelo dourado.




Marc Chagall (Vitebsk, Império Russo, 7 de julho de 1887 — Saint-Paul-de-Vence, França, 28 de março de 1985) foi um pintor, ceramista e gravurista surrealista judeu russo-francês. Foi um artista prolífico, cuja carreira se estendeu por muitas décadas. Ele trabalhou em muitos tipos de mídias: desenho, pintura, mídia impressa e vitrais. Chagall participou dos movimentos modernos do pós-impressionismo incluindo surrealismo e expressionismo. Nascido perto da aldeia de Vitebsk, na atual Bielorrússia, Chagall mudou para Paris em 1910 permanecendo lá até 1914 para desenvolver seu estilo artístico, retornando à Russia por sentir saudades de sua noiva Bella, com quem se casou. Em 1923 mudaram novamente para a França, para escapar das dificuldades da vida soviética que se seguiram à I Guerra Mundial e à Revolução de Outubro. Em 1941, mudou para os Estados Unidos, escapando da Segunda Guerra Mundial e ali permaneceu até 1948, retornando para a França. Há certos elementos em sua arte que se mantiveram permanentes e são vistos ao longo de sua carreira. Um deles foi a sua escolha dos temas e a forma como eles foram retratados. O elemento mais constante, obviamente, é o seu dom para a felicidade e sua compaixão instintiva, que mesmo nos assuntos mais sérios o impediam de dramatizar. Músicos foram uma constante durante todas as fases de sua carreira. Chagall era muito interessado em música. A fluidez de movimentos na dança e os próprios movimentos dentro da música evocavam em Chagall uma espécie de consciência de sua própria arte e algo da alegria.




Assista o vídeo da filmagem feita por um drone:



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