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domingo, 6 de novembro de 2016

Frans Post e suas pinturas do Brasil

Frans Post – Vista de Olinda, Brasil, 1662 – óleo sobre tela - Rijksmuseum


Frans Post e suas pinturas do Brasil


Logo após a criação da Companhia das Índias Ocidentais (1621), a República Holandesa tentou conquistar porções do Brasil dos portugueses. O Brasil foi a maior região produtora de açúcar do mundo. Centenas de plantações de açúcar operavam ali usando escravos de Angola. Eventualmente os holandeses derrotaram os portugueses em 1630. A chegada de Johan Maurits de Nassau-Siegen em 1637 como o regulador da colônia destinou-se estabilizar a situação e expandir os territórios holandeses.


Frans Post - Vista da Ilha de Itamaracá, Brasil, 1637 - óleo sobre tela - 63,5 × 89,5 cm - Rijksmuseum

Esta é a primeira pintura conhecida de Post, feita em 3 de novembro de 1637. Inicialmente Johan Maurits queria construir a nova capital na ilha de Itamaracá. Os dois homens e seus escravos em primeiro plano provavelmente estão explorando a ilha. Na colina sobre a água está Schoppestad, e à direita, Fort Oranje, que ainda pode ser visitado hoje.


Johan Maurits pensou grande. Seu lema era "Até onde o mundo se estende", uma ambição ilustrada pelos projetos realizados durante sua estada de sete anos. Fortes, pontes, casas e palácios foram construídos. Mauritsstad tornou-se a nova capital. Os holandeses tomaram o controle do comércio de escravos africanos. A seu pedido, cientistas e artistas como Frans Post registraram as maravilhas da natureza da nova colônia. Eles documentaram rapidamente a flora, fauna e habitantes nativos. A arte produzida indiretamente prestou homenagem a Johan Maurits.


Frans Post - Vista do Rio São Francisco Brasil com Fort Maurits e uma capivara, 1639 - Musée du Louvre, Paris


Em 1636, o artista de Haarlem Frans Post (1612-1680) viajou para a colônia holandesa do Brasil na comitiva do governador Johan Maurits de Nassau-Siegen, que tinha sido encarregado de assegurar a nova colônia e torná-la ainda mais lucrativa, aumentando o número de plantações de açúcar. O governador levou consigo um grupo de artistas e cientistas, entre eles Frans Post, para registrar a paisagem, os habitantes e a flora e fauna. Durante sete anos a flora e fauna brasileira inspiraram muitas de suas obras de arte. O país continuou a inspirar Post quando voltou aos Países Baixos em 1644, e continuou a pintar paisagens brasileiras, que se venderam muito bem.


Frans Post - Vila Brasileira, 1675-1680 - óleo sobre madeira - 20,5 × 26,5 cm - Rijksmuseum

A província de Pernambuco, que os holandeses capturaram dos portugueses, era o lar de muitos grupos étnicos diferentes. Em primeiro plano está uma família índia. Mais atrás um casal holandês passeia em direção à varanda. E de pé no parapeito da varanda está uma mulher portuguesa com véu e um escravo com uma cesta na cabeça.


O Rijksmuseum, em Amsterdam, Holanda, expôs as paisagens brasileiras e seus esboços preliminares dessas obras de Frans Post, além de dúzias de bichos empalhados, em empréstimo especial do Naturalis Biodiversity Center, em Leiden em 2016. Além disso, trinta e quatro desenhos de animais feitos por Post fazem sua primeira aparição pública. Estes estudos completamente desconhecidos foram recentemente descobertos no Noord-Hollands Archief em Haarlem. Com uma retrospectiva de seis pinturas, esboços preliminares, um mapa de parede e animais reais (empalhados), o Rijksmuseum mostrou como Frans Post encontrou e imortalizou este novo mundo fascinante, com empréstimos do Louvre, Paris, Museu Boijmans Van Beuningen, Roterdã, e da Fundação Estudar, São Paulo.


Frans Post – Jaguar, c. 1638-43 - aquarela e guache, com caneta e tinta preta, sobre grafite - Noord-Hollands Archief, Haarlem


Um empréstimo especial veio do Noord-Hollands Archief, uma coleção pública em Haarlem. No decurso de um projeto de digitalização, o curador da coleção de imagens, Alexander de Bruin, encontrou trinta e quatro desenhos completamente desconhecidos de Frans Post. Sempre se suspeitou que a flora e fauna nativa retratada nas pinturas de Post tenham sido baseadas em desenhos originais feitos no Brasil. Até agora, entretanto, não se conhecia um único estudo de animal ou planta feito por ele. Os estudos de animais fornecem o elo perdido entre a aventura brasileira de sete anos de Post e as pinturas que ele produziu em seu retorno a Haarlem.


Frans Post - Moustached Guenon, c. 1638-1644 - aquarela e guache, com caneta e tinta preta, sobre grafite - inscrição traduzida: Um macaco de nariz azul de Angola, um metro e meio de grande porte, está muito irritado e malicioso - Noord-Hollands Archief, Haarlem


Invasões holandesas é o nome normalmente dado ao projeto de ocupação da Região Nordeste do Brasil pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.) durante o século XVII. As invasões holandesas foram o maior conflito político-militar da colônia. Embora concentradas no atual Nordeste, não se resumiram a um episódio regional. As invasões holandesas do Brasil aconteceram entre 1624 e 1654 (quando ocorreu a Insurreição Pernambucana), sendo a Administração de Maurício de Nassau entre 1637-1644.


Frans Post – Paisagem no Rio Senhor de Engenho, Brazil, 1670-1680 – óleo sobre madeira- 22.5 × 28 cm - Rijksmuseum

Esta pintura é parte de uma série de paisagens que Frans Post pintou em seu retorno à Holanda em 1644. A figura em primeiro plano que carrega uma cesta em sua cabeça recorre regularmente em seu trabalho.


João Maurício de Nassau-Siegen (Johan Maurits van Nassau-Siegen - Dillenburg, 17 de Junho de 1604 – Cleves, 20 de Dezembro de 1679), cognominado "o Brasileiro", foi conde e (após 1674) príncipe de Nassau-Siegen, um Estado do Sacro Império Romano-Germânico e mais tarde da Confederação Germânica, localizado nas cercanias das cidades de Wiesbaden e Coblença.

Frans Post (Leyden, 1612 — Haarlem, 1680), foi um gravador, pintor e desenhista. Ele era filho de Jan Jansz Post, um pintor de vidros de Leiden e irmão mais novo de Pieter Post, pintor e arquiteto. Ele trabalhou no estúdio de seu irmão Pieter antes de 1636, quando este o recomendou a Johan Maurits van Nassau, governador geral da colônia holandesa de curta duração no Brasil. Frans Post acompanhou Van Nassau ao Brasil, onde permaneceu por sete anos. De volta à Holanda, ele se instalou em Haarlem, onde se juntou à guilda de St Luke. Suas exóticas paisagens brasileiras se tornaram famosas e bem vendidas.


Frans Post - Paisagem no Brasil, 1652 - óleo sobre tela - 282,5 × 210,5 cm - Rijksmuseum

Esta é a maior pintura de Post. Caracteriza uma paisagem larga de rio com uma plantação distante de açúcar, vislumbrada como se vista através de uma "janela". Um pássaro de costas manchadas está ilusionisticamente pintado como se empoleirado na moldura, e o artista igualmente retratou um gafanhoto e uma iguana escondidos entre as plantas e os frutos exóticos brasileiros.


Esse blog possui um artigo sobre o Museu Mauritshuis, a Casa de Mauricio de Nassau. Clique sobre esse link para ver:

http://www.arteeblog.com/2016/03/serie-museus-mauritshuis.html 


Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Lasar Segall, sua arte e sua história

Lasar Segall – Bananal, 1927 – óleo sobre tela – 87 x 127 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil


Lasar Segall, sua arte e sua história


Lasar Segall - Doppelbildnis Margarete und Zoe [Duas Amigas], c. 1917 – óleo sobre tela – 85 x 79 cm


Lasar Segall (Vilna, Lituânia, 21 de Julho de 1889 - São Paulo, Brasil, 2 de Agosto de 1957) foi um pintor, escultor, gravador e desenhista. Iniciou seus estudos em Vilna, capital da Lituânia, que na época estava sob o domínio da Rússia czarista. Seu pai era escriba da Torá, lei judaica contida nos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, cujo texto, manuscrito em pergaminho, é utilizado em cerimônias religiosas nas sinagogas. Estudou depois em Berlim e Dresden, onde ampliou seu contato com a pintura impressionista e realizou, em 1910, a primeira mostra individual na Galeria Gurlitt.


Lasar Segall – Família, 1922 – aquarela e guache sobre papel – 44,8 x 43,7 cm


No final de 1912, veio para o Brasil, onde já residiam 3 de seus 7 irmãos. No ano seguinte expôs em São Paulo e Campinas. No mesmo ano retornou à Europa. Inicialmente, realizou uma pintura impressionista, com influência de Jozef Israël e de Paul Cézanne (1839-1906). A partir de 1914, passou a se interessar pelo expressionismo, desenvolvendo-se plenamente nessa estética em 1917. Em 1919, em Dresden, fundou com Otto Dix (1891-1969) e outros, o Dresdner Sezession Gruppe, que agregava artistas expressionistas da cidade. A pintura de Segall, sob o impacto da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), refletia a preocupação com as injustiças sociais e o sofrimento humano. Seus quadros são estruturados por meio de planos construídos em diagonais e apresentam uma tendência à geometrização, com o predomínio de formas triangulares, utilizando cores escuras e contrastantes.


Lasar Segall – Morro Vermelho, 1926 – óleo sobre tela – 115 x 95 cm


Em 1923 voltou ao Brasil, fixando residência em São Paulo, onde foi destaque no cenário da arte moderna, considerado um representante das vanguardas europeias e onde participou da Semana de Arte Moderna em São Paulo. Nos primeiros trabalhos realizados no país, revelou um deslumbramento pela luz e pelas cores tropicais, com temas de mães negras, paisagens e favelas, onde acentuou o drama dos marginalizados pela sociedade. Foi no Brasil que, segundo suas próprias palavras, sua arte ficou como o "milagre da luz e da cor".


Lasar Segall - Retrato de Mário de Andrade, 1927 – óleo sobre tela – 72 x 60 cm - Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros - IEB/USP (São Paulo, SP)


 Lasar Segall - Perfil de Zulmira, 1928 – óleo sobre tela – 62,5 x 54 cm - Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Brasil


Separado de sua primeira esposa (Margarete), casou em 1925 com Jenny Klabin (sobrinha do seu cunhado e sua aluna) com quem teve os filhos Maurício Klabin Segall (que casou nos anos 50 com a atriz Beatriz de Toledo, posteriormente Beatriz Segall) e Oscar Klabin Segall. Nessa época, passou a viver com a família em Paris, onde se dedicou também à escultura. Suas obras nessa fase mostram uma atmosfera familiar e de intimidade. Com cores fortes procurou expressar as paixões e sofrimentos dos seres humanos. Seus personagens são mulatas, prostitutas e marinheiros. Suas paisagens são favelas e bananeiras. Anos mais tarde dedicou-se à escultura em madeira, pedra e gesso.


Lasar Segall – Casa do Mangue, 1929 – xilogravura – 31,5 x 42 cm - Museu Lasar Segall


Lasar Segall – Grupo, 1934 – bronze – 35,5 x 45 cm - Museu Lasar Segall


Em 1932, Segall retornou ao Brasil e se instalou em São Paulo, na casa projetada pelo arquiteto Gregori Warchavchik, seu concunhado. Essa casa abriga, atualmente, o Museu Lasar Segall, cujo acervo é formado por 3.119 trabalhos originais do artista, doados por seus filhos Maurício Segall e Oscar Klabin Segall, e por seu neto Mário Lasar Segall. Nesse mesmo ano foi um dos criadores da extinta Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM) na capital paulista, da qual se tornou diretor até 1935. A ideia central da SPAM era servir como um elo entre artistas, intelectuais, colecionadores, mecenas, e o público. A SPAM também foi criada para servir como um ambiente público para a arte de vanguarda no Brasil.



Lasar Segall – Navio de Emigrantes, 1939 – óleo sobre tela – 230 x 275 cm – Museu Lasar Segall


Em 1932, Lasar Segall desenhou uma série de móveis para sua residência da Rua Afonso Celso. Todos os móveis são em madeira, pintada com tinta preta, e os assentos estofados em tecido de linho bege. As linhas são retas, e o design se caracteriza pela sobriedade e funcionalidade, em nítida filiação com o espírito da Bauhaus. Apesar do pequeno número destas peças, sua qualidade e contemporaneidade permitem incluir Lasar Segall no reduzido grupo de designers modernistas, ao lado de Warchavchik, John Graz e Flávio de Carvalho.


Lasar Segall – Campos do Jordão, 1942 – óleo sobre tela – 73 x 100 cm 


Entre 1926 e 1929, realizou no Brasil a série Mangue, onde abordou o tema da prostituição, com um predominante clima de tensão, estabelecido pela presença de elementos como persianas e cortinados ou por ambientes opressivos onde se situam os personagens. A série Emigrantes, 1927/1928 possui uma atmosfera mais amena, onde surgem espaços abertos com a representação do céu e do mar. A produção de Segall na década de 1930 incluiu uma série de paisagens de Campos do Jordão e retratos da pintora Lucy Citti Ferreira. Os temas ligados a dramas humanos permanecem em quadros de grandes dimensões, como “Navio de Emigrantes”, 1939/1940. 


Lasar Segall - Lucy com a Mão nos Cabelos, 1939 – óleo sobre tela – 46 x 38 cm


Lasar Segall e a modelo Lucy Citti Ferreira, 1940. Foto: Hildegard Rosenthal


Na década de 1950, a arte de Segall revela mais liberdade plástica, aproximando-se da abstração. O humanismo, revelado pela preocupação com a violência, a miséria e as injustiças sociais, e certo caráter lírico estão presentes em toda a sua carreira. Segall abordou temas universais, expressando-os com emoção, por meio da cor em sua pintura ou pelo jogo entre linha e vazio em suas produções gráficas.


Lasar Segall – Favela, 1954 – óleo sobre tela – 65 x 50 cm – Museu Lasar Segall


Lasar Segall – Rua de Erradias, 1956 – óleo sobre tela – 116 x 147 cm – Coleção Oscar Klabin Segall, São Paulo, Brasil



“A arte surge da ânsia de comunhão e compreensão entre homem e homem, homem e sociedade, homem e mundo ... a arte é assim uma linguagem universal” – Lasar Segall (Diário Nacional, 26 de Outubro de 1928)


Ultimo retrato de Lasar Segall, 1957. Foto: Luís Lorch


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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Antonio Parreiras, sua arte e sua história

Antonio Parreiras – A Tarde – 1887 – óleo sobre tela – 200 x 130 cm - Museu Antonio Parreiras, Niteroi, Brasil



Antonio Parreiras, sua arte e sua história – com vídeos


Antonio Parreiras 



Antonio Parreiras – Panorama de Niterói – 1892 – óleo sobre tela - 243.5 x 338.3 cm


Antonio Diogo da Silva Parreiras (Niterói, RJ, 1860-1937) é um dos principais paisagistas brasileiros do período entre o final do século 19 e as primeiras décadas do século 20. Em seus 78 anos de vida, teve uma produção grande e importante. Vivenciou momentos importantes da história do Brasil: a monarquia, a república e o início do Estado Novo , e retratou esse período.


Antonio Parreiras – Escola ao Ar Livre – c. 1892 – óleo sobre tela - 100 x 148.5 cm

Em 1883 iniciou seus estudos na Academia Imperial de Belas Artes, onde frequentou as aulas do professor de paisagem Georg Grimm. Após dois anos, junto a França Júnior, Castagneto, Hipólito Caron e Domingos Garcia y Vasquez, abandonou a Academia quando esta proíbiu que o mestre desse aulas de pintura ao ar livre. Ainda sob a orientação de Grimm, o grupo pintou paisagens da praia da Boa Viagem, em Niterói. Em janeiro de 1885, em seu ateliê naquela cidade, Parreiras realizou a primeira exposição de sua produção. Esses quadros e mais alguns foram expostos no mesmo ano no Rio de Janeiro. Assim, iniciou uma carreira permeada de exposições individuais, não só no Rio de Janeiro, mas, posteriormente, em diversos Estados do Brasil, como São Paulo, Pará, Amazonas e Rio Grande do Sul. Realizou uma série de excursões e viagens de estudo por diversas partes do País.


Antonio Parreiras – Vencido – 1905 – óleo sobre tela – 60 x 83 cm - Museu Antônio Parreiras em Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.


Antonio Parreiras – Ventania – 1888 – óleo sobre tela – 150 x 100 cm – Pinacoteca do Estado de São Paulo


A imprensa do período observou a falta de prática do artista no desenho de figura e, em diversas ocasiões, incitou o jovem a ir aperfeiçoar-se na Europa. Parreiras executou então a pintura “A Tarde”, para submissão à compra pelo Governo Imperial. Com o dinheiro da venda, viajou pela primeira vez à Europa, desembarcando em Gênova, de onde seguiu para Roma. Por fim, se estabeleceu em Veneza. Tornou-se aluno livre da Academia de Belas Artes local, onde estudou com Filippo Carcano.


Antonio Parreiras – Fantasia – 1909 – óleo sobre tela – 89 x 146 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


Em 1890 retornou ao Brasil e inscreveu trabalhos na Exposição Geral de Belas Artes daquele ano, a primeira organizada no período republicano, obtendo Pequena Medalha de Ouro. Pela primeira vez, fez uma pintura histórica, sob encomenda. Embrenhou-se nas florestas tropicais, reproduzindo nas telas o clima e o mistério que existem na flora e na fauna locais, com verdes intensos e cores fortes. Marinhas e cenas campestres completam a sua produção artística, que o coloca entre os principais paisagistas do Brasil.


Antonio Parreiras – O Caçador de Esmeraldas – 1910 – óleo sobre tela - 97.5 x 195 cm


Entre o fim do Século XIX e o início do Século XX, Parreiras tornou-se um artista consagrado. Ele ampliou o leque de temas e deixou de dedicar-se exclusivamente às paisagens. A partir de 1899, recebeu encomendas de execução de painéis em alguns palácios e prédios públicos. Incentivado por Victor Meirelles (1832 - 1903), executou pinturas de cenas históricas para o poder público. Entre elas se destacam “Proclamação da República”, “Morte de Estácio de Sá” e “Prisão de Tiradentes”, trabalhos que aumentaram sua notoriedade no Brasil. O sucesso lhe proporcionou uma vida mais confortável. A partir de 1906, Parreiras viveu entre Paris e Niterói. Manteve ateliê na França, onde trabalhou e expôs com regularidade.


Antonio Parreiras – Fim de Romance – 1912 – óleo sobre tela – 97 x 185 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


 Antonio Parreiras – Nonchalance – 1914 – óleo sobre tela – 100 x 200 cm


Retornou ao Brasil em 1907, e em 1908 seguiu para Belém, de onde se transferiu novamente para Paris, levando consigo o filho Dakir, para iniciá-lo na pintura. Em 1909, mostrou seu trabalho, o nu feminino “Fantasia”, no Salon de la Societé National des Beaux Arts. A repercussão foi muito positiva, e esse gênero de pintura se tornou um dos principais filões de sua produção. Em 1910 inscreveu no Salon a pintura “Frinéia”, aceita por unanimidade pelo júri. Passa então a ser conhecido na Europa como pintor de nus. Apresenta posteriormente “Dolorida” em 1910, “Flor Brasileira” em 1913, “Nonchalance” em 1914 e “Modelo em Repouso” em 1920. Parreiras foi eleito, pelos leitores da Revista Fon Fon, o maior pintor brasileiro vivo em 1925.


Antonio Parreiras – Frinéia – 1909 - óleo sobre tela - 89,5 x 145,5 cm


Foram poucas as paisagens realizadas na década de 1920. Contudo, prosseguiu na realização de pinturas históricas. Depois, pelas dificuldades em obter novas encomendas de pinturas históricas, Parreiras voltou-se novamente para a pintura de paisagens. Adoeceu progressivamente a partir de 1932, e, ao falecer, deixou prontos os originais da segunda parte de seu livro de memórias, “História de um Pintor”, contada por ele mesmo, cuja primeira edição data de 1926. Segundo ele próprio, realizou ao longo de aproximadamente 55 anos, mais de 850 pinturas, das quais 720 em solo brasileiro, tendo feito 39 exposições no Rio de Janeiro e em vários outros estados do Brasil.


Antonio Parreiras – Fundação da Cidade de São Paulo – 1913 – óleo sobre tela – 200 x 300 cm


Antonio Parreiras – Pintando do Natural – 1937 – óleo sobre tela - 77,5 x 96 cm – Museu Antonio Parreiras, Niteroi, RJ


Assista o vídeo abaixo e faça uma visita guiada virtual ao Museu Antonio Parreiras, em Niteroi, Rio de Janeiro:





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sexta-feira, 27 de março de 2015

Exposição – Arte do Brasil até 1900 - MASP – Museu de Arte de São Paulo – Assis Chateaubriand

Nicolau Fachinetti - Enseada do Botafogo – 1869 – óleo sobre tela – 51 x 87 cm


Exposição – Arte do Brasil até 1900 - MASP – Museu de Arte de São Paulo – Assis Chateaubriand


Arthur Timótheo da Costa – A Dama de Verde – 1908 – óleo sobre tela – 50 x 61 cm


Frans Post - Paisagem com Tamanduá – entre 1660 e 1680 – óleo sobre madeira – 56 x 79 cm


A exposição apresenta um recorte da coleção de pintura brasileira do MASP, do século 17 ao 19, do período colonial à República. Reúne não apenas obras da coleção, mas também documentos do arquivo histórico e fotográfico do Museu, e apresenta não só um panorama do período mas também revela um pouco das histórias em torno da construção do acervo MASP. Assim, diversas histórias se entrelaçam: a do MASP, a trajetória das obras do Museu e a própria história da arte brasileira.
Arte do Brasil até 1900 é a primeira de uma série de exposições dedicadas ao acervo do MASP, foco da programação de 2015. A mostra reúne não apenas obras da coleção, mas também documentos do arquivo histórico e fotográfico do museu. A exposição apresenta um recorte da coleção de pintura brasileira do MASP, do século 17 ao 19, do período colonial à República. Como “arte do Brasil” compreende-se toda produção realizada no Brasil, sobre o Brasil, por brasileiros ou estrangeiros. Desta forma, estão incluídos tanto os artistas viajantes europeus, quanto os pintores acadêmicos brasileiros.


Victor Meirelles – Moema – 1866 – óleo sobre tela – 129 x 190 cm


Benedito Calixto - Rampa do Porto do Bispo em Santos - c. 1900 – óleo sobre tela - 39 x 84 cm


Embora o conjunto apresentado não tenha a pretensão de construir uma história da arte abrangente do período e inclua retratos e naturezas mortas, um forte fio condutor é a representação da paisagem - de Frans Post, com sua pintura de fundação da paisagem no Brasil no século 17, passando pelos viajantes do século 19, como Henry Chamberlain, E. F. Schute, Joseph Brüggermann, Nicolas Vinet e Félix-Émile Taunay, ao conjunto de pinturas de Benedito Calixto, o grande pintor das paisagens paulistas.


E. F. Schute - Cachoeira de Paulo Afonso – 1850


Frans Post – Cachoeira de Paulo Afonso - 1649 – óleo sobre tela - 58,5 x 46 cm


Destacam-se, ainda, retratos de Victor Meirelles, Almeida Júnior, Belmiro de Almeida, Henrique Bernardelli, Pedro Américo e Eliseu Visconti, figuras centrais da história da arte do período. Algumas obras do início do século 20 são apresentadas em razão do diálogo próximo que estabelecem com a tradição do século anterior - de Antonio Parreiras, João Baptista da Costa e Arthur Timótheo da Costa. Chama a atenção a ausência de mulheres entre os artistas; estas aparecem apenas como representações num período dominado por homens.


José Ferraz de Almeida Júnior - O Pintor Belmiro de Almeida – séc. XIX – óleo sobre madeira – 55 x 47 cm


João Batista Castagneto - Uma Salva em dia de grande Gala na Baía do Rio de Janeiro – 1887 – óleo sobre tela – 74 x 150 cm


Por outro lado, dois pintores negros encontram-se no grupo - Timótheo da Costa e Emmanuel Zamor. Se o mais conhecido e visível acervo do museu é o de obras, o mais extenso é o documental, que inclui correspondências sobre doações, aquisições, empréstimos e atribuições entre o MASP e outras instituições ou indivíduos, notas fiscais e recibos, fichas de registro de obras, convites e folders de exposições, recortes de jornais e revistas, fotografias de obras e de exposições, entre outros. Em museus, os documentos e fotografias do arquivo normalmente não são expostos. Ao trazê-los a público justapondo-os às suas respectivas obras, oferecemos uma nova camada de leitura sobre a coleção, revelando parte da história do museu.


Henrique Bernardelli - Interior com Menina que Lê - 1876-1886 – óleo sobre tela - 95 x 63 cm


José Ferraz de Almeida Júnior - Moça com Livro - óleo sobre tela - 50 x 61 cm

A expografia reconstrói o projeto de Lina Bo Bardi para o acervo do MASP na FAAP, Fundação Armando Alvares Penteado, em São Paulo. Entre 1957 e 1959 o MASP e a FAAP criaram em parceria o Instituto de Arte Contemporânea para sediar os cursos e a coleção do museu, embora não tenha perdurado. A coleção ficou exposta por cerca de um ano na FAAP, com visitação apenas para convidados, retornando para o a antiga sede do museu, na Rua 7 de abril. A reconstrução de expografias que marcaram a história do museu (no MASP FAAP, no 2º subsolo, e do MASP 7 de Abril, no 1º andar) é um prelúdio da retomada da radical expografia dos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi para a coleção permanente, planejada para o segundo semestre.


A exposição Arte do Brasil até 1900  Com obras da coleção e documentos do arquivo do MASP e remontagem de expografia de Lina Bo Bardi para o MASP na FAAP, da década de 1950, feita pelo Metro


Vista geral da exposição da coleção do MASP na FAAP em 1957


Ao justapor obras e documentos em uma mesma exposição, Arte do Brasil até 1900 apresenta não só um panorama do período, mas também revela um pouco das histórias em torno da construção do acervo. Assim, diversas histórias se entrelaçam: a do MASP, a trajetória das obras no museu e a própria história da arte brasileira.



Victor Meirelles – Dom Pedro II - 1864 – óleo sobre tela - 252 x 165 cm


De 26 de março a 6 de junho de 2015
MASP - Museu de Arte de São Paulo - Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP
Informações: 3251-5644


Texto: MASP - Museu de Arte de São Paulo - Assis Chateaubriand