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domingo, 15 de setembro de 2019

Análise da pintura “A Página em Branco” de René Magritte

René Magritte - The Blank Page – 1967 - óleo sobre tela - 54 x 65 cm - Musée Royaux des Beaux-Arts, Brussels, Belgium


Análise da pintura “A Página em Branco” de René Magritte


Essa é a última pintura de Magritte antes de sua morte, em 15 de agosto de 1967. É um tributo à obsessão de Stéphane Mallarmé pela página em branco.

Ao colocar um círculo brilhante estrategicamente no centro superior da composição, Magritte brinca com a imaginação do espectador. O círculo brilhante flutua no céu noturno, mas aparece na frente de um galho de árvore, sugerindo que é de fato uma fruta madura e não uma lua cheia. Magritte cria uma figura com dupla identidade: dependendo da percepção do espectador, o círculo brilhante serve diferentes funções. Magritte equilibra lindamente essa composição em camadas, colocando uma cidade na parte inferior da composição e o galho de árvore no topo. O trabalho transmite uma sensação de calma silenciosa, como se o espectador quase pudesse ouvir os grilos cantando na calada da noite.

"Se fôssemos ver as folhas atrás da lua, seria extraordinário, a vida finalmente seria significativa". - René Magritte

Stéphane Mallarmé (18 de março de 1842 - 9 de setembro de 1898), pseudônimo de Étienne Mallarmé, foi poeta e crítico francês. Ele foi um grande poeta simbolista francês, e seu trabalho antecipou e inspirou várias escolas artísticas revolucionárias do início do século XX, como o cubismo, o futurismo, o dadaísmo e o surrealismo.

René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.


Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

Esse blog possui mais artigos sobre René Magritte. Clique sobre os links abaixo para ver:











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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Análise da pintura de René Magritte – The Lovers (Os Amantes)

René Magritte – The Lovers, 1928 – óleo sobre tela – 54 x 73,4 cm – Museum of Modern Art (MoMA), New York, USA


Análise da pintura de René Magritte – The Lovers (Os Amantes)


Esta pintura mostra uma figura masculina de terno preto, abraçado com uma mulher vestida de vermelho. As figuras estão se beijando, mas, curiosamente, através dos véus. E é isso que faz a pintura ser provocadora. Há várias interpretações possíveis para as pinturas de Magritte. Desejos frustrados são um tema comum no trabalho dele. Aqui, uma barreira de tecido impede o abraço íntimo entre dois amantes, transformando um ato de paixão em isolamento e frustração. Uma possível interpretação para essa pintura, é a representação de nossa incapacidade de revelar totalmente a verdadeira natureza de nossos companheiros mais íntimos.

Faces escondidas da vista são uma característica comum em muitas pinturas de Magritte. Quando ele tinha 14 anos, sua mãe cometeu suicídio por afogamento. Ele testemunhou o resgate do corpo de sua mãe com a camisola molhada em volta do rosto e alguns especularam que esse trauma o levou a mostrar rostos obscurecidos em suas obras. No entanto, Magritte negou isso. Magritte dizia: “Minhas pinturas são imagens visíveis que não escondem nada, elas evocam mistérios. Quando as pessoas veem uma de minhas pinturas, elas se fazem essa pergunta simples: O que isso significa? Não significa nada, porque o mistério também não significa nada, é desconhecido”.


René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Análise da pintura “Personal Values” de René Magritte

René Magritte – Personal Values, 1952 – óleo sobre tela – 80 x 100 cm - San Francisco Museum of Modern Art (SFMOMA), San Francisco, California, USA


Análise da pintura “Personal Values” de René Magritte


Nessa pintura, o artista apresenta uma sala cheia de coisas familiares, mas ele dá proporções humanas a esses objetos que antes eram despretensiosos, criando um senso de desorientação e incongruência. Dentro e fora são invertidos por sua representação de um céu nas paredes internas da sala. O familiar torna-se desconhecido, o normal, estranho; Magritte cria um mundo paradoxal que é, em suas próprias palavras, "um desafio ao senso comum". As pinceladas finas são quase invisíveis e bem misturadas, fazendo com que a pintura pareça muito polida e refinada.

Quando Alexander Iolas, o marchand de Magritte, viu pela primeira vez esta pintura, ele ficou violentamente perturbado por ela. O artista respondeu: "Na minha pintura, o pente (e os outros objetos também) perdeu especificamente seu “caráter social”, tornou-se um objeto de luxo inútil, que pode deixar o espectador sentir-se perturbado. Bem, esta é a prova da eficácia da imagem".

Essa pintura conduz a uma reflexão: não importa de que maneira é a vida do espectador, todas as pessoas tem seu próprio conjunto de valores pessoais, um grupo de itens que lhes são caros. Esse conjunto de itens pessoais pode não significar muito para os outros, mas para cada indivíduo, seu valor não pode ser medido.

Embora seja frequentemente agrupado com surrealistas como Salvador Dalí, Max Ernst e Yves Tanguy, Magritte adotou uma abordagem um pouco diferente na pintura. Em vez de criar imagens de fantasia, ele evocava a estranheza e a ambiguidade latentes na realidade. "Eu não pinto visões", ele disse uma vez. "Por minha capacidade, por meios pictóricos, eu descrevo objetos - e a relação mútua de objetos - de tal forma que nenhum dos nossos conceitos ou sentimentos habituais está necessariamente ligado a eles."

René Magritte era um homem calmo e pensativo que preferia o anonimato. Passou a maior parte de sua carreira em Bruxelas, desenvolvendo um estilo de pintura meticuloso e realista que refletia seu treinamento inicial em arte comercial, pintando mármore falso e painéis de madeira para residências.

René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Análise da pintura de René Magritte - Time Transfixed (O Tempo Trespassado)

René Magritte - Time Transfixed (La Durée Poignardée), 1938 – óleo sobre tela – 147 x 98,7 cm – The Art Institute of Chicago, USA


Análise da pintura de René Magritte - Time Transfixed (O Tempo Trespassado)


Esta é uma das pinturas mais conhecidas de Magritte. Nela, a visão de uma sala é limitada, dominada por um espelho sobre uma lareira. Em cima da lareira há um relógio (simbolizando o mistério do tempo) e saindo da lareira, há uma locomotiva a vapor, “destruindo” a paz da sala e viajando através do tempo.

O colecionador Edward James, impressionado com as pinturas de René Magritte na Exposição Surrealista Internacional de 1936, convidou o artista para pintar telas para o salão de baile de sua casa londrina. Uma delas foi essa pintura. O artista mais tarde explicou esta imagem: "Eu decidi pintar a imagem de uma locomotiva ... Para que seu mistério fosse evocado, outra imagem imediatamente familiar sem mistério, a imagem de uma lareira de sala de jantar, foi unida". A surpreendente justaposição e escala de elementos não relacionados, realçados pelo realismo preciso de Magritte, dão à imagem a sua inventividade e sedução. O artista colocou uma locomotiva na chaminé da lareira, para que pareça emergir de um túnel ferroviário.

O uso do surrealismo como meio, por Magritte, tem uma mensagem clara e um propósito como tal. Não é simplesmente fazer com que o absurdo pareça possível, trata-se de revelar o invisível. Através dos paradoxos em seu trabalho, ele encoraja seu público a buscá-lo e a entender melhor sua relação com ele. Magritte descreveu o processo para o quadro, explicando que a locomotiva veio primeiro e depois foi justaposta contra a lareira para evocar o seu mistério em comparação com a mundanidade dos arredores. Conseguir compreender o processo e o foco da Magritte torna mais fácil entender seu propósito também. Assim, o trem agora é o tempo atual, algo imortalizado como constantemente em movimento e empurrando para frente, quando na realidade ele não está indo a lugar nenhum.

Magritte não gostou da tradução inglesa do título francês original, La Duration Poignardé, que literalmente significa "tempo em andamento esfaqueado por uma adaga". Ele esperava que a pintura fosse instalada no pé da escada do colecionador, para que o trem "esfaqueasse" os hóspedes no caminho até o salão de baile. Ironicamente, em vez disso, James a instalou sobre sua lareira.


Esse blog possui um artigo sobre o marchand e colecionador Edward James e sobre sua propriedade na Inglaterra. Clique sobre esse link para ver:



René Magritte era um homem calmo e pensativo que preferia o anonimato. Passou a maior parte de sua carreira em Bruxelas, desenvolvendo um estilo de pintura meticuloso e realista que refletia seu treinamento inicial em arte comercial, pintando mármore falso e painéis de madeira para residências.
René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Análise de René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus)

René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus), 1927 – óleo sobre tela – 49,5 x 65,5 cm – Coleção particular


Análise de René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus) 


Em muitas obras de Magritte é emblemático de muitas maneiras, que rostos ou a ausência deles desempenhem um papel crucial na construção da peça. Magritte tinha o hábito de repetir muitos dos mesmos objetos em novas situações e também de explorar o potencial de uma cena como um todo, executando variações sobre ela. Nesta pintura há uma mulher representada como mais velha e também como mais nova. É como se fossem duas mulheres. Uma que existe apenas na parte de trás da cabeça da mulher mais velha, que também existe apenas em parte como um amor que nunca foi plenamente realizado. Ou outra possível interpretação é a de uma cabeça masculina e uma feminina, simbolizando um amor não realizado, ou terminado entre um casal.

René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.


René Magritte


Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Análise da pintura “La Clairvoyance” de René Magritte

René Magritte – La Clairvoyance (A Clarividência), 1936 – óleo sobre tela - 54.5 x 65.5 cm – coleção particular


Análise da pintura “La Clairvoyance” de René Magritte


Na pintura “A Clarividência” René Magritte está pintando um autorretrato de si mesmo pintando um pássaro, usando um ovo como modelo. Magritte está pintando mais do que está bem na frente dele: ele está pintando uma possibilidade, o potencial, o futuro. Daí o nome desta pintura: Clarividência. Magritte pintou-se, pintando sua percepção do futuro.

Retratando-se nessa pintura e a nomeando "clarividência", Magritte entregou uma mensagem sobre si mesmo como pintor: ele é clarividente, ele transmite o futuro através de sua arte. Por isso, essa pintura é tanto sobre ele como um pintor, como sobre a obra de arte resultante. Magritte está compartilhando sua filosofia, assim como muitos de seus contemporâneos surrealistas fizeram (como Joan Miro e Salvador Dali). Magritte foi ousado o suficiente para usar sua pintura para se engajar em um diálogo com seus espectadores.


Foto de René Magritte pintando La Clairvoyance (A Clarividência)


René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.



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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Análise de The Prepared Bouquet de René Magritte

René Magritte – The Prepared Bouquet, 1957 – óleo sobre tela – 130,5 x 163 cm – coleção particular


Análise de The Prepared Bouquet de René Magritte

Um homem com um chapéu-coco está de costas para o espectador, com a figura de Flora da pintura "Primavera" de Sandro Botticelli colocada sobre seu casaco. Esta pintura exemplifica um artifício que Magritte comumente utilizava: esconder parcialmente um objeto, colocando um objeto menor na frente dele e, portanto, negar ao espectador o acesso completo para a imagem maior.

Essa imagem pode ter vários significados, como: "a arte é intemporal", ou "as pessoas passam, mas a arte permanece". Provavelmente Magritte escolheu essa imagem por seu valor pictórico e não por conotações alegóricas, como Boticelli utilizou na pintura "Primavera".

A ideia central que atravessa a obra de René Magritte é que a pintura deve ser poesia, e que a poesia deve evocar mistério. Toda a sua obra é uma tentativa de evocar este mistério, mas não de o revelar. Todas as definições de mistério têm algo a ver com a ideia de algo escondido, algo secreto. Algumas definições também podem possuir conotações religiosas ou místicas.

O comentário de Magritte sobre essa pintura, foi: "O homem é uma aparição visível como uma nuvem, como uma árvore, como uma casa, como tudo o que vemos. Eu não nego sua importância e nem eu lhe concedo qualquer proeminência em uma hierarquia das coisas que o mundo oferece visualmente".


Sandro Botticelli – Primavera, c. 1482 – têmpera sobre madeira – 202 x 314 cm - Uffizi Gallery, Florence


René François Ghislain Magritte (1898 - 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio, mas algumas pessoas desacreditam essa história, que pode ter se originado com a enfermeira da família. Supostamente, quando sua mãe foi encontrada, o seu vestido estava cobrindo seu rosto, uma imagem que tem sido sugerida como a fonte de várias obras de Magritte, de pessoas com um pano obscurecendo seus rostos. Em 1916, Magritte ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem casou em 1922. Trabalhou em uma fábrica de papel de parede, e foi designer de cartazes e anúncios até 1926, quando um contrato com a Galerie la Centaure, na capital belga, fez da pintura sua principal atividade.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Foi casado com sua esposa Georgette por 45 anos, sem qualquer escândalo, e a quem prometeu uma vida calma e tranquila, burguesa. Em suma, uma pessoa sem graça. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

Esse blog possui um artigo sobre a pintura Primavera de Sandro Botticelli. Clique sobre o link abaixo para ver:



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terça-feira, 14 de junho de 2016

A História de “O Filho do Homem” de René Magritte

René Magritte – O Filho do Homem, 1946 – óleo sobre tela – 116 x 89 cm – coleção particular


A História de “O Filho do Homem” de René Magritte


Magritte pintou O Filho do Homem como um autorretrato. A pintura mostra um homem em um sobretudo e um chapéu coco, em frente a uma mureta, e atrás dela, o mar e um céu nublado. O rosto do homem está em grande parte escondido por uma maçã verde pairando no ar. No entanto, os olhos do homem podem ser vistos, espreitando sobre a maçã. Outra característica sutil é o braço esquerdo do homem, que parece dobrar para trás, na altura do cotovelo. Essa pintura se assemelha a outras duas pinturas de Magritte: “The Great War on Facades” e “Man in the Bowler Hat”.


René Magritte - The Great War on Facades, 1964 – óleo sobre tela 


René Magritte - Man in the Bowler Hat, 1964 – óleo sobre tela


Sobre a pintura, Magritte disse: "Pelo menos ela esconde o rosto parcialmente. Bem, então você tem a face aparente, a maçã, escondendo o visível, mas oculto, o real rosto da pessoa. É algo que acontece constantemente. Tudo o que vemos esconde outra coisa, e nós sempre queremos ver o que está escondido, pelo que vemos. Há um interesse no que está escondido e que o visível não nos mostra. Este interesse pode assumir a forma de um sentimento bastante intenso, uma espécie de conflito, pode-se dizer, entre o visível que está oculto e o visível que está presente."


René Magritte 

René François Ghislain Magritte (1898 - 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio, mas algumas pessoas desacreditam essa história, que pode ter se originado com a enfermeira da família. Supostamente, quando sua mãe foi encontrada, o seu vestido estava cobrindo seu rosto, uma imagem que tem sido sugerida como a fonte de várias obras de Magritte, de pessoas com um pano obscurecendo seus rostos. Em 1916, Magritte ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem casou em 1922. Trabalhou em uma fábrica de papel de parede, e foi designer de cartazes e anúncios até 1926, quando um contrato com a Galerie la Centaure, na capital belga, fez da pintura sua principal atividade.


René Magritte com Georgette

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Foi casado com sua esposa Georgette por 45 anos, sem qualquer escândalo, e a quem prometeu uma vida calma e tranquila, burguesa. Em suma, uma pessoa sem graça. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.


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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Arte do dia: Sixteenth of September - Rene Magritte - 1956

Sixteenth of September - Rene Magritte - 1956

As árvores são um tema recorrente na obra de Magritte que afirmou:
"Crescendo a partir da Terra para o Sol, uma árvore é imagem de uma certa felicidade. Para perceber esta imagem, devemos ficar imóveis como a árvore. Quando estamos em movimento, é a árvore que se torna o espectador. É testemunha, igualmente, na forma de cadeiras, mesas e portas, do espetáculo de nossa vida. A árvore, tendo se tornado um caixão, desaparece na terra. E quando ela se transforma em fogo, desaparece no ar.”

Aqui Magritte sobrepõe uma lua crescente na frente da árvore. O artista se referiu à sua justaposição intencional de objetos incongruentes como "estímulo objetivo." Em referência a esta imagem, Magritte observou: "Eu só pintei a lua em uma árvore nas cores cinza-azulados da noite." Normalmente, os títulos das pinturas de Magritte eram determinados após terem sido concluídos. Neste caso, o título foi ideia do amigo de Magritte, o poeta surrealista Louis Scutenaire. O artista tenta subverter as leis da física, bem como questionar a percepção do espectador de uma imagem tão profundamente enraizada na cultura comum.

René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.


Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu côco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

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