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terça-feira, 17 de abril de 2018

Análise de “Spring Bouquet” de Pierre-Auguste Renoir

Pierre-Auguste Renoir - Spring Bouquet (Buquê de Primavera), 1866 – óleo sobre tela – 104,8 x 80,3 cm – Fogg Art Museum, Harvard University, Cambridge, Massachusetts, USA


Análise de “Spring Bouquet” de Pierre-Auguste Renoir


A técnica impressionista ainda não havia evoluído quando Renoir pintou essa obra, ainda no início de sua carreira. Em vez de um efeito generalizado de cor luminosa, que no Impressionismo sugerirá flores sem retratá-las precisamente, aqui as pétalas são separadas e distintas e a tela brilha com luz e cor. A textura das flores é muito bem retratada, e parece que o próprio perfume das flores também está lá. A tonalidade azul prateada é acentuada pelos acentos em tons escuros e as flores amarelas são como estrelas. Renoir está no limiar de sua carreira, mas seu gosto já é excepcional.


A composição forma um triangulo. Para contrabalançar a assimetria das flores transbordando para o canto inferior esquerdo, Renoir colocou uma área de sombra à direita do vaso, que contrasta com a luz abaixo dela. Especialmente importante é a colocação da linha em diagonal da rachadura no tampo da mesa, no lado inferior direito da tela, que contribui para o equilíbrio da composição, fazendo um contraponto com as flores brancas sobre a mesa. A pintura também demonstra o desenvolvimento de Renoir como artista. Em vez de aplicar a tinta com uma faca de paleta (uma técnica que emprestou de artistas como Courbet), Renoir adotou um traço mais livre e mais fino usando apenas um pincel.

Para muitos artistas franceses durante a década de 1860, a natureza morta floral persistia como um teste de habilidade puramente pictórica. Este buquê exuberante em um vaso japonês do início da carreira de Renoir, atesta o envolvimento do artista com as tradições históricas da arte do passado. Ele aborda a nobre prática holandesa da natureza morta através da grande escala de sua tela, enquanto sua atenção às texturas e cores do arranjo evoca o trabalho de pintores franceses do século XVIII como Antoine Watteau e François Boucher, artistas que estudou quando era um adolescente, enquanto trabalhava como pintor de porcelana.


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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Pinturas de mulheres com pássaros, por Édouard Manet e Pierre-Auguste Renoir



Pinturas de mulheres com pássaros, por Édouard Manet e Pierre-Auguste Renoir


Pierre-August Renoir - Woman with Parakeet (Mulher com Periquito), 1871 – óleo sobre tela - 92.1 x 65.1 cm - Solomon R. Guggenheim Museum, New York, USA


A mulher que segura o papagaio é a amiga de Renoir e sua companheira por seis anos, Lise Tréhot, cujos traços juvenis são reconhecíveis em nada menos que outras 16 telas pintadas pelo artista entre 1867 e 1872. Ele provavelmente pintou essa obra logo após seu retorno da Guerra Franco-Prussiana em 1871, antes de Lise se casar com um arquiteto de uma família abastada em abril de 1872, e para nunca mais ver Renoir. A mulher segura um papagaio, um animal de estimação popular e exótico na época. O vestido de tafetá preto com punhos brancos e faixa vermelha acentua o cabelo escuro e a pele branca de Lise. As paredes e plantas verde-escuras sugerem um interior bastante pesado e formal.

Ao longo da história da arte, inúmeras imagens de mulheres com pássaros retrataram a intimidade e o vínculo emocional entre humanos e animais. O tema de uma mulher com um papagaio ou periquito era particularmente comum em pinturas durante esta época. Em muitos casos, essa imagem simboliza a natureza, ou às vezes se refere à mulher como vazia e imitando os outros. Nessa pintura, a analogia entre a mulher e sua ave de estimação é comparativamente discreta. O cenário rico e sufocante restringe o espaço da modelo, como o do papagaio quando confinado à sua gaiola dourada. O papagaio também pode ser caracterizado como desempenhando o papel tradicional de confidente para a mulher. Essa pintura nunca foi exposta no Salão de Paris. Em 1871, ano em que a obra foi pintada, não houve Salão de Exposição devido à Guerra Franco-Prussiana.


Édouard Manet - Young Lady in 1866, 1886 – óleo sobre tela - 185.1 x 128.6 cm – Metropolitan Museum of Art, New York, USA


A modelo de Manet, Victorine Meurent, tinha posado recentemente para os nus ousados nas pinturas Olympia e Luncheon on the Grass. Aqui, parecendo relativamente recatada, ela veste um roupão de seda íntimo. Os críticos olharam a pintura como uma referência para a mulher com um papagaio de Courbet". A mulher foi pintada contra um fundo azul meia-noite, e ela tem uma pose estudada, um pouco afetada. As texturas, a fruta que caiu do poleiro, o cabelo avermelhado e até mesmo o rosto da mulher, têm as características francesas de que Gustave Courbet era então o mestre.

Essa pintura é interpretada como uma alegoria dos cinco sentidos: o ramo de flores (cheiro), a laranja (gosto), o papagaio-confidente (audição) e o monóculo de homem nos dedos da modelo (visão e tato).


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sexta-feira, 23 de março de 2018

Série Pierre-Auguste Renoir – pinturas com cães

Pierre-Auguste Renoir – Tama, the Japanese Dog, c. 1876 – óleo sobre tela – 38,3 x 46,2 cm – The Clark Art Institute, Williamstown, MA, USA

Renoir pintou esta imagem de um pequinês-spaniel para seu amigo Henri Cernuschi, um banqueiro e colecionador de arte asiática. A raça, uma das favoritas da família imperial japonesa, foi considerada elegantemente exótica quando Cernuschi trouxe o cão para a França em 1873. O pelo preto e branco do animal se destaca contra as pinceladas coloridas do fundo, que em parte obscurecem uma inscrição do nome do animal, Tama, fracamente visível no canto superior esquerdo da pintura.


Série Pierre-Auguste Renoir – pinturas com cães


Pierre-Auguste Renoir – Head of a Dog, 1870 – óleo sobre tela – 21,9 x 20 cm – National Gallery of Art, Washington, DC, USA


Pierre-Auguste Renoir – Girl with a Dog, c. 1875 – óleo sobre tela – coleção particular


Pierre-Auguste Renoir - Portrait of Alfred Bérard with His Dog, 1881 – óleo sobre tela - 65.2 x 51.1 cm – Philadelphia Museum of Art, Philadelphis, PA, USA


Pierre-Auguste Renoir - Young Woman with a Dog, 1876 - óleo sobre tela – coleção particular


Pierre-Auguste Renoir – Madame Renoir (Aline Charigot) with a Dog, 1880 – óleo sobre tela – 32 x 41 cm – coleção particular

Aline Charigot também foi retratada com seu cãozinho em outra pintura de Renoir: “Luncheon of the Boating Party”. Esse blog possui um artigo sobre essa pintura. Clique sobre o link abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2017/12/detalhes-e-curiosidades-sobre-pintura.html


Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party, 1880 – 1881 – óleo sobre tela – 129,9 x 172,7 cm - The Phillips Collection, Washington, DC, USA


Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party – detalhe: Aline Charigot


Pierre-Auguste Renoir - Young Girl with a Dog, 1888 - óleo sobre tela – coleção particular


Pierre-Auguste Renoir - Woman with a Black Dog, 1874 – óleo sobre tela – coleção particular


Pierre-Auguste Renoir - Jules Le Coeur Walking in the Fontainbleau Forest with his Dogs, 1866 – óleo sobre tela - Museu de Arte de São Paulo Assis Châteaubriand, São Paulo, Brasil

Em fevereiro de 1866, Renoir acompanhou o arquiteto e pintor Jules Le Coeur em uma caminhada e pintura por Fontainebleau. Durante a primeira metade do século XIX, o desenvolvimento de um extenso sistema ferroviário proporcionou acesso mais fácil e rápido ao ambiente natural, além dos limites imediatos da cidade de Paris. A floresta de Fontainebleau, um retiro real, tornou-se um local popular de recreação e escape das tensões da vida urbana. A expansão das trilhas para caminhada e a publicação de numerosos guias para a floresta introduziram novas paisagens silvestres para consumo e diversão públicos. A floresta tornou-se um tema popular entre pintores e fotógrafos, e Renoir criou várias obras que capturaram a densa vegetação e colinas de Fontainebleau. Essa pintura foi, sem dúvida, executada no local, bem como no estúdio. Renoir retratou seu amigo enquanto ele subia por um caminho coberto de grama através do terreno montanhoso e densamente coberto da Floresta.


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sábado, 9 de dezembro de 2017

Detalhes e curiosidades sobre a pintura “Luncheon of the Boating Party” de Pierre-Auguste Renoir

Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party, 1880 – 1881 – óleo sobre tela – 129,9 x 172,7 cm - The Phillips Collection, Washington, DC, USA


Detalhes e curiosidades sobre a pintura “Luncheon of the Boating Party” de Pierre-Auguste Renoir


A pintura “Luncheon of the Boating Party” (Almoço dos Barqueiros) é talvez a mais famosa de Pierre-Auguste Renoir. Ela foi exposta no Salão dos Impressionistas em Paris, em 1882 e foi considerada a melhor pintura da exposição. Ela foi adquirida pelo famoso negociante de arte Paul Durand-Ruel, considerado o inventor do Impressionismo, grande apoiador dos artistas, então iniciantes.

Esse blog possui um artigo sobre Paul Durand-Ruel. Clique no link abaixo para ver:


A pintura mostra os amigos de Renoir, numa atmosfera agradável, comendo, bebendo vinho e conversando em uma varanda com vista para o rio Sena, no restaurante Maison Fournaise em Chatou. Os parisienses iam à Maison Fournaise para alugar barcos a remo, comer uma boa refeição ou passar a noite. A pintura também reflete a sociedade francesa na metade final do século XIX. O restaurante recebia clientes de muitas classes, incluindo empresários, mulheres da sociedade, artistas, atrizes, escritores, críticos, costureiras e garotas vendedoras de lojas. Este grupo diversificado representava uma nova e moderna sociedade parisiense. A cena mostra o final de uma refeição, com apenas frutas e vinho sobre as mesas. O dia estava lindo e as pessoas, depois de comerem, querem ficar desfrutando a companhia dos demais.


Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party - Aline Charigot


Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party - da esquerda para a direita: Louise-Alphonsine Fournaise, Raoul Barbier, Ellen Andrée e Angèle Legault


Na pintura, o pintor Gustave Caillebotte, está sentado no canto inferior direito, de chapéu. A então futura esposa de Renoir, Aline Charigot, está em primeiro plano brincando com um cãozinho, um affenpinscher. Também sentada da mesa da frente, ao lado de Caillebotte, está a atriz Angèle Legault. Em pé, ao lado dela está o jornalista italiano Adrien Maggiolo. Sentado de costas, à mesa atrás deles, de chapéu marrom, está o antigo prefeito da Saigon Colonial, Baron Raoul Barbier. E na mesma mesa, bebendo vinho, está a atriz Ellen Andrée. Há mais um rosto de um rapaz sentado ao lado dela que não foi identificado. No canto superior direito da pintura, em pé, com as mãos enluvadas levadas ao rosto, está a atriz Jeanne Samary. Ao lado dela, de chapéu claro e olhando atentamente o seu rosto, está o artista Paul Lhote e em frente a ela, de cartola e barba, o burocrata Eugène Pierre Lestringez. No centro da pintura, ao fundo está em pé, fumando e olhando para os espectadores da pintura, o poeta e crítico Jules Laforgue e conversando com ele, de cartola, o historiador de arte Charles Ephrussi (colecionador e editor da Gazette des Beaux-Arts). Em pé, no lado esquerdo da pintura, apoiados no corrimão, estão os filhos do proprietário do restaurante, Louise-Alphonsine Fournaise e Alphonse Fournaise Jr.


Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party - Angèle Legault, Antonio Maggiolo e Gustave Caillebotte


Renoir compôs esta cena complicada sem estudos prévios. Ele passou meses fazendo inúmeras mudanças na tela, pintando as figuras individuais quando seus modelos estavam disponíveis e adicionando depois o toldo listrado ao longo da borda superior.


Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party - O restaurante Maison Fournaise à margem do rio Sena em Chatou, na França, nos dias atuais


Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party - O restaurante Maison Fournaise à margem do rio Sena em Chatou, na França, nos dias atuais


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sábado, 25 de fevereiro de 2017

A história da pintura The White Pierrot (Jean Renoir) de Pierre-Auguste Renoir

Pierre-Auguste Renoir – The White Pierrot (Jean Renoir), 1901/1902 – óleo sobre tela – 79,1 x 61,9 cm – Detroit Institute of Art, Detroit, USA


A história da pintura The White Pierrot (Jean Renoir) de Pierre-Auguste Renoir


Pierre-Auguste Renoir (Limoges, França, 25 de fevereiro de 1841 - Cagnes-sur-Mer, França, 3 de dezembro de 1919), começou como aprendiz de pintor de porcelana e estudou desenho em seu tempo livre. Depois de anos como um pintor iniciante, Renoir ajudou a lançar um movimento artístico chamado impressionismo em 1870s. Ele acabou se tornando um dos artistas mais conceituados de sua época. Depois de um começo humilde como aprendiz numa fábrica de porcelanas, ele entrou na École des Beaux-Arts em 1862. Renoir também se tornou um estudante de Charles Gleyre. No estúdio de Gleyre, Renoir logo fez amizade com outros três jovens artistas: Frédéric Bazille, Claude Monet e Alfred Sisley. E, através de Monet, conheceu talentos emergentes como Camille Pissarro e Paul Cézanne. Com eles, fundou o Impressionismo.

Os Impressionistas são tão universalmente populares hoje que é difícil imaginar um momento em que eles não eram admirados. Mas no início dos anos 1870 eles se esforçaram para serem aceitos. Evitados pelo establishment da arte, foram até mesmo citados como 'lunáticos' por um crítico. O termo "impressionista" foi usado pela primeira vez como um insulto, em resposta a uma exposição de pinturas novas em Paris em 1874. Esse grupo diverso de pintores, rejeitados pelo establishment da arte, desafiadoramente criaram a sua própria exposição. O nome do estilo deriva do título de um trabalho de Claude Monet, “Impression, Soleil Levant” (Impressão, Sol Nascente).

Renoir se casou com sua modelo e namorada de longa data, Aline Charigot em 1890, com quem já tinha um filho, Pierre. Depois de seu casamento, Renoir pintou muitas cenas de sua esposa e da vida familiar diária, incluindo seus filhos e sua babá, a prima de Aline, Gabrielle Renard. Os Renoir tiveram três filhos: Jean Renoir, que se tornou um cineasta de destaque, Pierre Renoir, que se tornou um ator de teatro e de cinema, e Claude Renoir, que se tornou um artista de cerâmica.
Jean Renoir foi retratado nessa pintura.


Jean Renoir (Paris, França, 15 de setembro de 1894 - Beverly Hills, California, 12 de fevereiro de 1979) foi um cineasta francês, roteirista, ator, produtor e autor. Como um diretor de cinema e ator, ele fez mais de quarenta filmes da era do cinema mudo até o fim da década de 1960. Seus filmes La Grande Illusion (1937) e The Rules of the Game (1939) são freqüentemente citados pelos críticos como um dos maiores filmes já feitos. Entre inúmeras honras acumuladas durante sua vida, ele recebeu um Oscar: Lifetime Achievement Academy Award em 1975 por sua contribuição para a indústria cinematográfica.

O Pierrot é um personagem de pantomima e Commedia dell'Arte cujas origens estão numa trupe italiana do final do século XVII que atuava em Paris e era conhecida como a Comédie-Italienne. Na cultura popular contemporânea (na poesia, na ficção, nas artes visuais, bem como no palco, na tela e na sala de concertos) ele é um palhaço triste, apaixonado pela Colombina, que inevitavelmente lhe parte o coração e o deixa pelo Arlequim. Mas depois Colombina descobre o amor de Pierrot por ela, despede-se de Arlequim e reencontra Pierrot com quem passa a viver junto em um relacionamento com muita felicidade. Ele atua desmascarado, com um rosto esbranquiçado, e veste uma blusa branca solta (algumas vezes metade pretas) com botões grandes e calças brancas largas e uma lágrima desenhada abaixo dos olhos. A característica principal do seu comportamento é a sua ingenuidade, e é visto como um bobo, sendo sempre o alvo de piadas, mas mesmo assim continua a confiar nas pessoas. O Pierrot também é apresentado como sendo lunático, distante e inconsciente da realidade.


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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A história de três pinturas de dança de Pierre-Auguste Renoir

Pierre-Auguste Renoir - Dance at Bougival, City Dance e Country Dance


A história de três pinturas de dança de Pierre-Auguste Renoir


Renoir gostava de cenas de dança. City Dance e Country Dance foram concebidas como um par: o formato é idêntico e as figuras de quase tamanho natural representam dois aspectos diferentes, mesmo opostos, da dança. A elegante restrição dos dançarinos da cidade e o belo salão de baile ao seu redor contrastam com a alegria da dança ao ar livre.


Pierre-Auguste Renoir - City Dance, 1883 – óleo sobre tela – 180 x 90 cm – Musée d´Orsay, Paris


 Em Country Dance, o casal impregnado pela música parece ter deixado uma mesa desordenada, um descuido acentuado pelo chapéu caído no primeiro plano. Há muitos contrastes entre os dois painéis, mesmo nas cores, frio para o vestido de Suzanne Valadon em City Dance, quente para Aline Charigot, a futura esposa de Renoir, que empresta seu sorriso ao dançarino em Country Dance. Apesar de suas diferenças, os dois casais parecem estar ligados pelo mesmo movimento, como se eles encarnassem uma sequência da mesma dança.


Pierre-Auguste Renoir - Country Dance, 1883 – óleo sobre tela – 180 x 90 cm – Musée d´Orsay, Paris


Exibidos pelo marchand Durand-Ruel (Esse blog possui um artigo sobre Durand-Ruel, o descobridor do Impressionismo. No final desse artigo há um link para a história dele) em sua galeria, onde as possuiu por muitos anos, as duas pinturas marcam uma mudança na técnica de Renoir no início dos anos 1880. O desenho é mais preciso e a simplificação da paleta contrasta fortemente com as vibrantes pinceladas de seus trabalhos anteriores. O próprio Renoir admitiu que uma maior atenção ao desenho era o resultado de uma necessidade de mudança que sentia depois de ver as obras de Rafael em Itália.


Pierre-Auguste Renoir – Dance at Bougival, 1883 – óleo sobre tela – 181,9 x 98,1 cm – Museum of Fine Arts, Boston, USA


Os cafés ao ar livre do subúrbio Bougival, à beira do rio Sena, nos arredores de Paris, eram locais de recreação populares para os moradores da cidade, incluindo os pintores impressionistas. Renoir, que era essencialmente um pintor de figuras, usa a cor intensa e a pincelada luxuriante para realçar a sensação de prazer transportada pelo par girando, que domina a composição. O rosto da mulher, emoldurado por seu chapéu vermelho, é o foco da atenção, tanto a nossa quanto a de seu companheiro. A obra retrata dois amigos de Renoir, Suzanne Valadon e Paul Auguste Llhote. A pintura foi descrita como uma das primeiras reversões de Renoir a um estilo de pintura mais clássico, que ele aprendeu copiando pinturas no Louvre, porém mantendo a paleta brilhante de seus colegas impressionistas.


Esse blog possui um artigo sobre Paul Durand-Ruel, o inventor do Impressionismo. Clique sobre esse link para ver:



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sábado, 10 de setembro de 2016

As irmãs Cahen d´Anvers em pinturas de Renoir


As irmãs Cahen d´Anvers em pinturas de Renoir


Pierre Auguste Renoir - Portrait Mademoiselle Irène Cahen d`Anvers (Little Irene), 1880 – óleo sobre tela - 65 x 54 cm - Foundation E.G. Bührle, Zuric


O rico banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers, encomendou três retratos a Pierre Auguste Renoir (Limoges, 25 de Fevereiro de 1841 – Cagnes-sur-Mer, 3 de Dezembro de 1919) em 1880, um de cada uma de suas filhas. Renoir não negociou um preço antes de iniciar o seu trabalho. Ao completar o retrato de Irène (então com 8 anos), os Cahens decidiram que não gostaram, e disseram a Renoir para pintar as duas irmãs mais novas de Irene (Alice e Elisabeth) juntas. Louis Cahen pagou a Renoir meros 1.500 francos pelas duas pinturas (muito menos do que realmente valiam, mesmo naquele tempo), e para adicionar insulto à injúria, pendurou-as nos aposentos de seus servos. Renoir ficou furioso.

Aos 19 anos, Irène se casou com Moïse de Camondo, o último de uma longa linhagem de banqueiros judeus do Império Otomano. Durante seu casamento, seu retrato de Renoir foi pendurado em um dos hotéis dos Camondo. Irène e Moïse tiveram dois filhos, Nissim e Béatrice durante o seu curto casamento de cinco anos, antes de Irène se converter ao catolicismo e fugir com o cavalariço dos Camondo, o conde Charles Sampieri em 1896. Irène conseguiu obter um divórcio, dando a Moïse a custódia total de seus filhos, e Irène se casou com Charles, tornando-se a condessa Irène Sampieri. O retrato voltou para a mãe de Irène, Louise, durante o divórcio, e ela, por sua vez o presenteou para a sua neta Béatrice, entre 1910 e 1933.

O filho de Irène se tornou um aviador do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial. Ele faleceu em batalha, em 1917. A filha de Irène, Béatrice se casou e teve dois filhos. Moïse morreu em 1935 e a sua fortuna ficou em grande parte para sua filha. Sua mansão e coleção de arte foram doadas para uma fundação, para criar um museu em honra de seu filho, o Musée Nissim de Comondo.

Em 1939, os nazistas invadiram a França. Como muitos outros, Béatrice e seu esposo optaram por ficar em Paris, acreditando que sua riqueza e status iriam protegê-los. Eles estavam errados, e em 1941 eles e seus filhos (juntamente com a irmã de Irène, Elisabeth) foram enviados para Auschwitz, onde foram todos mortos. Irène, agora separada de Charles, conseguiu se salvar, escondendo-se atrás de seu sobrenome italiano e de sua religião. Sua outra irmã, Alice, também sobreviveu ao holocausto e viveu até os 89 anos, falecendo em 1969, em Nice.

O retrato, agora muito valioso, foi roubado da casa Reinach em 1941 pela Reichsleiter Rosenberg Taskforce e tornou-se propriedade de Herman Göring. Em 1945, os Aliados libertaram o retrato, e ele foi enviado para um ponto de coleta em Munique. No final de 1946, o retrato começou a viajar com outras pinturas liberadas, em uma exposição intitulada "Obras-primas de coleções francesas encontradas na Alemanha e na Suíça", onde foi visto por Irène. Ela conseguiu obter a posse da obra, pois a última posse legal era de sua filha, de quem Irène era a herdeira. Em 1949, Irène a vendeu para Emil Georg Bührle, que estava começando a colecionar obras de impressionistas franceses. Ao longo dos próximos anos, Irène gastou o dinheiro obtido com a venda desse retrato e toda a fortuna Camondo em cassinos no sul da França, até a sua morte em 1963. Após a morte de Emil Georg Bührle, em 1956, o retrato foi finalmente doado à Fundação E.G. Bührle em Zurique onde está agora em exposição.


Pierre Auguste Renoir - Rosa e Azul (As Meninas Cahen d´Anvers), 1881 – óleo sobre tela - 119 x 74 cm – Masp (Museu de Arte de São Paulo, Assis Chateaubriand, Brasil)


A pintura Rosa e Azul (As Meninas Cahen d´Anvers), é considerada um dos mais populares ícones da coleção do Museu de Arte de São Paulo, onde se encontra desde 1952. Renoir retratou as duas filhas do banqueiro Louis Raphael Cahen d’Anvers, a loira Elisabeth, nascida em dezembro de 1874, e a mais nova, Alice, em fevereiro de 1876, quando tinham respectivamente seis e cinco anos de idade. Alice recordou muitas décadas depois (quando então possuía o título de Lady, por ter casado com o general Townsend of Kut), que o tédio das sessões era compensado pelo prazer de vestir o elegante vestido de renda.

O título mais popular dessa obra (Rosa e Azul), que se refere às cores dos vestidos das meninas, desde 1900, quando esteve exposta na galeria Bernheim-Jeune, em Paris. O artista transmitiu com as cores e a delicadeza de tonalidades, todo o frescor e a candura da infância. As meninas quase se materializam diante do observador, a de azul com seu ar vaidoso, e a de rosa com um certo enfado, quase beirando as lágrimas. As duas meninas, impecavelmente penteadas e vestidas, seguram a mão uma da outra para maior segurança. Usando vestidos de festa idênticos, com fitas, faixas e meias combinando e os cabelos escovados em franjas perfeitas, Alice, com cinco anos de idade, à esquerda, olha para o espectador como se estivesse para se desmanchar em lágrimas, enquanto a irmã maior, Elisabeth, de seis anos, parece um pouco mais confortável enquanto posa.

A obra, produzida por encomenda de Louis-Raphael Cahen d'Anvers, pertenceu à coleção particular de sua família, em Paris. Foi redescoberta, aparentemente abandonada, em um apartamento na capital francesa, no ano de 1900, pelos marchands Bernheim-Jeune, passando a compor o acervo da Galeria Bernheim-Jeune et Fils, também em Paris. Em seguida, a obra foi sucessivamente vendida, até ser adquirida em 7 de julho de 1952, pelo Museu de Arte de São Paulo, com recursos doados pelo fundador do museu, Assis Chateaubriand. O retrato das meninas Cahen d’Anvers, além de possuir uma ampla bibliografia e um vasto histórico de exibições, angariou também a simpatia dos visitantes do MASP, tornando-se uma das mais populares e apreciadas obras do museu e uma fonte de inspiração para outros pintores e para o público.


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domingo, 26 de junho de 2016

Jean-Frédéric Bazille e Pierre-Auguste Renoir

Jean-Frédéric Bazille – Retrato de Pierre-Auguste Renoir, 1867 – óleo sobre tela - 122 x 107 cm - Musée d'Orsay, Paris


Jean-Frédéric Bazille e Pierre-Auguste Renoir


Renoir e Bazille se conheceram em Novembro de 1862, no estúdio de Charles Gleyre, onde eles tiveram aulas de desenho, juntamente com Monet e Sisley. Os quatro alunos rapidamente se tornaram amigos e deixaram Gleyre, na primavera de 1863, para se dedicarem inteiramente à pintura ao ar livre.

No verão seguinte, Bazille mudou para um estúdio em Paris, compartilhado com Renoir. No final de 1867, Bazille pintou seu amigo em uma atitude jovial, com os pés sobre o assento da cadeira. Sua pose sugere um estereótipo de um artista descontraído, mas suas roupas são as de qualquer homem da sociedade. Nesta época, Paris era a capital do estilo e moda feminina, mas a moda masculina era ditada por Londres. As cores eram discretas, as roupas eram sóbrias, e o que estava em voga era um corte fino e ajuste perfeito. Renoir está até usando botas com inserções elásticas, uma inovação do século 19 que ajudou homens e mulheres colocarem suas botas sem fechos, como usamos hoje. Como a roupa dos homens era bastante convencional e pouco variada, a maneira que um homem poderia se expressar (especialmente em um retrato estático) era em sua atitude e como ele se portava. A pintura permaneceu na posse de Renoir para o resto de sua vida.

Renoir retribuiu, pintando um retrato de seu amigo em seu estúdio. Apesar de suas diferenças, um fator é comum nestas pinturas: elas representam o que parece ser um momento aleatório na vida cotidiana e evitam qualquer aparência de uma composição posada.


Pierre-Auguste Renoir - Frédéric Bazille, 1867 – óleo sobre tela – 105 x 73,5 cm - Musée d'Orsay, Paris


 Bazille está em seu cavalete, inclinando ligeiramente para a frente, com as pernas cruzadas, trabalhando em uma natureza morta de aves mortas. Na parede atrás dele está uma paisagem de inverno de Claude Monet com uma vista de Honfleur. As cores predominantes na pintura são cinza e bege. Além de ser um simples retrato, esta pintura esconde a presença das cinco figuras principais do impressionismo: Frédéric Bazille (1841-1870), Alfred Sisley (1839-1899), Claude Monet (1840-1926) e Renoir, bem como o mais velho, Edouard Manet (1832-1883).

 Eles se reúnem no estúdio da Rue Visconti em Paris, que Bazille (mais rico do que seus colegas), compartilhava com eles. Um dia, em 1867, Sisley e Bazille se encontraram frente a frente, com uma natureza morta de uma garça e dois ou três pardais, colocados sobre um pano branco em uma mesa. As duas pinturas resultantes estão agora no Musée Fabre, em Montpellier. Enquanto seus amigos trabalhavam, Renoir retratou Bazille. Querendo também prestar homenagem a Monet, ele coloca uma cena de neve na parede, provavelmente Road to Saint Simeon Farm in Winter (coleção particular). 

Monet respondeu rapidamente a esta referência pintando o retrato de Renoir, agora no Musée d'Orsay. Manet, embora não esteja representado na pintura, é associado a ela, por ter mais tarde comprado a pintura de Renoir. A figura de Bazille se destaca contra um conjunto díspar de pinturas que cobrem a parede do estúdio, algumas voltadas para fora, algumas em direção à parede. As cores dominantes de cinza e bege também são uma reminiscência de Manet. Elas intensificam os raros salpicos de outra cor na pintura: o laço vermelho de seus sapatos, a pintura clara perto da borda da palheta, ou o rosa da face, invadido pela sombra.


Morisot posou para Manet. Monet posou para Renoir. Bazille posou para Monet. Renoir posou para Bazille. Na verdade, a maioria dos impressionistas posou um para o outro, aparentemente o tempo todo. Talvez eles precisavam um do outro: muitos deles estavam perto da falência, especialmente no início de suas carreiras, e eles não podiam pagar modelos. Mas também pode ser o caso de que uma das revoluções do período impressionista era a valorização do homem comum. O retratista não ficava mais restrito a representações da aristocracia ou figuras famosas ao longo da história. 


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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A história da obra de Pierre-Auguste Renoir: Pont Neuf, Paris – com vídeo

Pierre-Auguste Renoir – Pont Neuf, Paris, 1872 – óleo sobre tela - 75.3 x 93.7 cm – National Gallery of Art, Washington, DC


A história da obra de Pierre-Auguste Renoir: Pont Neuf, Paris – com vídeo


Durante as duas primeiras décadas de sua carreira como pintor, Pierre-Auguste Renoir (Limoges, 25 de fevereiro de 1841 — Cagnes-sur-Mer, 3 de dezembro de 1919), aprendeu muito sobre seu ofício, fazendo pinturas de paisagens. Talvez porque ele se sentisse liberado da preocupação de representar seres humanos (amigos ou clientes que, eventualmente, tenham sido ofendidos), Renoir realizou suas experiências mais audaciosas de luz, cor, forma e pinceladas, em cenas de bosques, jardins, água e terra. Esta liberdade de expressão e sua inovação ousada como colorista que pintava ao ar livre, inevitavelmente desbravaram seus caminhos para as pinturas figurativas pelas quais Renoir é tão amado.

Nesta pintura, Renoir retrata a famosa mais antiga ponte de Paris, agitada, com os homens vestindo cartolas, as mulheres carregando sombrinhas, e soldados com bonés vermelhos. Embora suas pinturas figurativas sejam mais conhecidas, as paisagens de Renoir ressoam com vigor e frescura visual para o desenvolvimento do impressionismo, mais aparente aqui em sua transcrição dos efeitos da luz solar. O sol do meio-dia impregna o panorama, a sua intensidade elevando a paleta de cores do artista e suprimindo detalhes incidentais para enfatizar a cena populosa.

Edmond Renoir, um irmão mais novo do artista e um jornalista novato em 1872, relatou mais tarde o início desta pintura em uma entrevista. Ele contou como Renoir conseguiu a permissão do proprietário para ocupar um andar superior de um café por um dia, para retratar a vista da famosa ponte. Edmond segurava periodicamente os transeuntes, o tempo suficiente para o artista gravar as suas aparências, perguntando as horas para eles, ou perguntando a localização de algum endereço. Renoir até mesmo assinalou a presença de Edmond na cena, com bengala na mão e chapéu de palha na cabeça, em dois locais.

Se, como Edmond indicou, a obra foi pintada durante um único dia, esse foi precedido por preparativos cuidadosos, possivelmente incluindo a delimitação preliminar das características arquitetônicas. Pintado na sequência da Guerra Franco-Prussiana e subsequente guerra civil que devastou a França em 1870 e 1871, a imagem de Renoir de 1872 é uma amostra representativa dos cidadãos franceses cruzando a ponte mais antiga de Paris, o coração intacto do país se recuperando.


Assista um vídeo com descrição dos detalhes e com animação deles:





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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Análise de “À Beira Mar” (By The Seashore) de Pierre-Auguste Renoir

Pierre-Auguste Renoir – “À Beira Mar” (By The Seashore) – 1883 – óleo sobre tela – 92,1 x 72,4 cm - The Metropolitan Museum of Art, New York


Análise de “À Beira Mar” (By The Seashore) de Pierre-Auguste Renoir


Pierre-Auguste Renoir (Limoges, 25 de Fevereiro de 1841 – Cagnes-sur-Mer, 3 de Dezembro de 1919) provavelmente pintou este trabalho em seu estúdio, tendo como modelo a futura esposa, com quem se casou em 1890, Aline Charigot (1859-1915), em uma cadeira de vime. O arco das sobrancelhas escuras da modelo e o nariz arrebitado no rosto agradável de bochechas rosadas, são comuns na obras de Renoir. A praia atrás dela representa, provavelmente, a costa da Normandia perto de Dieppe.
Esta tela reflete o impacto da viagem de Renoir para a Itália em 1881-1882, o que o inspirou a unir a "grandeza e simplicidade" que ele admirava na arte renascentista com a luminosidade do impressionismo. Sua nova abordagem, que ele chamou de sua forma "seca", é evidente no rosto de Aline, com as suas características cuidadosamente desenhadas e manipulação suave da pintura. As pinceladas rápidas no fundo, no entanto, mostram a técnica mais livre de anos anteriores de Renoir. Após esta viagem, ele começou a explorar uma nova forma de pintura, diferente do Impressionismo. Ele começou a enfatizar contornos e modelagem, abandonando o princípio de que as cenas devem ser pintadas ao ar livre para capturar a luz e a atmosfera.


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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Séries Arteeblog: Grandes marchands e mecenas das artes – O homem que inventou o Impressionismo – com fotos, vídeo e exposição em 2015



Séries Arteeblog: Grandes marchands e mecenas das artes – O homem que inventou o Impressionismo – com fotos, vídeo e exposição em 2015


Paul Durand-Ruel (1831 - 1922) foi um negociante de arte francês, um dos primeiros negociantes de arte modernos que prestaram apoio aos seus pintores com estipêndios e exposições individuais. Seu pai era um comerciante de arte. Em 1865 o jovem Paul assumiu os negócios da família, que representavam artistas como Corot e os da escola de Barbizon, de pinturas de paisagem francesas. Em 1867 ele mudou sua galeria da Rue de la Paix 1, em Paris, para Rue Laffitte 16, com uma filial na Rue Le Peletier 111. Durante a década de 1860 e início dos anos 1870 Paul Durand-Ruel foi um defensor importante e bem sucedido comerciante de arte da Escola de Barbizon. No entanto Durand-Ruel logo estabeleceu uma relação com um grupo de pintores que se tornaria conhecido como os Impressionistas.


Claude Monet - Lavacourt Under Snow – c. 1878-81 – óleo sobre tela – 59.7 x 80.6 cm - The National Gallery, London


Os Impressionistas são tão universalmente populares hoje que é difícil imaginar um momento em que eles não eram admirados. Mas no início dos anos 1870 eles se esforçaram para serem aceitos. Evitados pelo establishment da arte, foram até mesmo citados como 'lunáticos' por um crítico.
Um homem, no entanto, reconheceu o valor desse estilo de arte desde o início. Paul Durand-Ruel, um negociante de arte de Paris, descobriu este grupo de jovens artistas, incluindo Monet, Degas, Manet, Renoir, Pissarro e Sisley, e apostou neles. O termo "impressionista" foi usado pela primeira vez como um insulto, em resposta a uma exposição de pinturas novas em Paris em 1874. Esse grupo diverso de pintores, rejeitados pelo establishment da arte, desafiadoramente criaram a sua própria exposição. 


Camille Pissarro - The Boulevard Montmartre at Night – 1897 – óleo sobre tela - 53.3 x 64.8 cm - The National Gallery, London


Percebendo o potencial elegante de suas ridicularizadas “impressões” da vida urbana e suburbana, Durand-Ruel dedicou o resto de sua vida a construir uma audiência para o seu trabalho, e também durante esse processo, a criação do mercado de arte moderna. Tal era a sua perseverança, que Durand-Ruel quase faliu duas vezes, antes de globalizar com sucesso sua operação, com postos avançados em Londres, Bruxelas e Nova York, e estabelecendo o “one-man show” como a norma internacional para exposições.


Pierre-Auguste Renoir - Lakeside Landscape – c. 1889 – óleo sobre tela - 47 x 58.2 cm - The National Gallery, London


Durante a Guerra Franco-Prussiana, de 1870-71, Paul Durand-Ruel deixou Paris e fugiu para Londres, onde se encontrou com um grupo de artistas franceses, incluindo Charles-François Daubigny, Claude Monet e Camille Pissarro. Em dezembro de 1870 ele abriu a primeira de dez exposições anuais da Sociedade de Artistas Franceses em sua nova galeria de Londres na New Bond Street 168, com Charles Deschamps como gerente.


Claude Monet - Bathers at La Grenouillère -  1869 – óleo sobre tela – 92 x 73 cm - The National Gallery, London

Claude Monet - Bathers at La Grenouillère -  1869 – detalhe - – óleo sobre tela – 92 x 73 cm - The National Gallery, London


Durand-Ruel fez exposições do Impressionismo e de outras obras (incluindo o pintor americano expatriado James Abbott McNeill Whistler, que morou em Londres) em suas galerias de Paris e Londres. Ele também trouxe trabalho deles para Nova York, onde seus três filhos, Joseph, Charles e George gerenciavam sua galeria, expondo artistas estabelecidos de Nova York com Impressionistas franceses alternadamente, e fazendo muito para estabelecer a popularidade da arte Impressionista nos Estados Unidos.


Edgar Degas - Beach Scene – c. 1869-70 – óleo sobre papel sobre tela - 47.5 x 82.9 cm – The National Gallery, London


Durante as últimas três décadas do século 19, Paul Durand-Ruel tornou-se o negociante de arte mais conhecido e importante do Impressionismo francês no mundo. Ele conseguiu estabelecer o mercado de Impressionismo nos Estados Unidos, bem como na Europa. Edgar Degas, Édouard Manet, Claude Monet, Berthe Morisot, Camille Pissarro, Pierre-Auguste Renoir, Alfred Sisley, estão entre os artistas  importantes que Durand-Ruel ajudou a estabelecer. No que diz respeito aos americanos em relação ao Impressionismo, Durand-Ruel disse certa vez: "O público americano não ri. Ele compra! Sem a América, eu estaria perdido, arruinado, depois de ter comprado tantos Monets e Renoir. As duas exposições lá em 1886 me salvaram. o público americano comprou moderadamente... mas graças a esse público, Monet e Renoir puderam viver e depois o público francês seguiu o exemplo".


Pierre-Auguste Renoir - At the Theatre (La Première Sortie) - 1876-7 – óleo sobre tela - 65 x 49.5 cm - The National Gallery, London

O que caracteriza o Impressionismo para a maioria das pessoas hoje em dia, é ao mesmo tempo o tema e a técnica. Paisagens e cenas da vida urbana e suburbana moderna pintadas em cores brilhantes e puras são típicas. Os Impressionistas muitas vezes começavam (e às vezes concluíam) suas pinturas ao ar livre em vez de em um estúdio. Suas pinceladas rapidamente aplicadas, são visíveis. É preciso um salto da imaginação para percebermos quão radical o movimento foi considerado em seu tempo.
A vida moderna e a maneira como as pessoas comuns passavam seu tempo livre foram assuntos populares para muitos pintores impressionistas. Monet, Renoir e Degas nos mostram os teatros, cafés e estâncias campestres populares do final do século 19 em Paris.


Pierre-Auguste Renoir - The Skiff (La Yole) – 1875 – óleo sobre tela - 71 x 92 cm - The National Gallery, London 

As descobertas científicas e invenções do século 19 tiveram uma influência importante sobre a forma como os pintores trabalhavam. Novas pesquisas encorajaram os artistas a experimentar com as cores complementares. Por exemplo, na tela de Renoir “The Skiff (La Yole)”, ele coloca um barco cor de laranja contra o azul cobalto da água. Laranja e azul eram entendidas como opostas uma à outra no espectro de cor, e colocando-as lado a lado, cada uma parece mais profunda e mais brilhante.
Ainda mais significativo para os impressionistas era um interesse na forma como a mente humana processa o que vê. Quando olhamos para uma paisagem ou uma multidão de pessoas, nós não vemos instantaneamente cada rosto ou folha em foco detalhado, mas como uma massa de cor e luz. Os pintores impressionistas tentaram expressar essa experiência.


Claude Monet - The Water-Lily Pond – 1899 – óleo sobre tela - 88.3 x 93.1 cm - The National Gallery, London

Em 1883 Monet mudou para Giverny, onde morou até sua morte. Lá ele criou um jardim "com o objetivo de cultivar plantas aquáticas", sobre o qual ele construiu uma ponte arqueada no estilo japonês. Em 1899, quando o jardim tinha amadurecido, Monet pintou 17 vistas do jardim sob condições de luz diferentes. Rodeada por vegetação luxuriante, a ponte é vista aqui da própria lagoa, no meio de um arranjo de juncos e folhas de salgueiro.


Etienne Clémentel, vista Stereoscópica de Monet em seu jardim em Giverny - Foto © Musée d'Orsay, Dist RMN/Patrice Schmidt


Outro fator que mudou a forma como os artistas pintavam foi a inovação da tinta pronta em tubos. A moagem de pigmentos, a fim de formar a tinta a óleo, era um processo trabalhoso. A disponibilidade de uma ampla gama de cores prontas significava que os artistas podiam trabalhar ao ar livre, ao invés de em um estúdio. Eles também podiam trabalhar em uma velocidade muito maior, em alguns momentos aplicando a tinta diretamente do tubo, sem usar um pincel.


Claude Monet - The Beach at Trouville – 1870 – óleo sobre tela - 38 x 46.5 cm - The National Gallery, London

Claude Monet - The Beach at Trouville – 1870 – detalhe com areia na tinta à óleo, mostrando que essa obre foi pelo menos parcialmente, pintada na praia

“The Beach at Trouville” é uma pequena tela pintada por Monet, enquanto ele estava em lua de mel na costa. Ele e sua esposa Camille estavam em seu caminho para Londres, para escapar da guerra franco-prussiana. A tela foi pintada evidentemente na praia e não em um estúdio. Grãos de areia e migalhas de conchas se misturaram na tinta a óleo. O imediatismo da pintura também é evidente na tinta branca espessa representando a luz que incide sobre a saia de Camille, e a sombra caindo em seu rosto. A imagem é quase comparável a uma foto de família, uma gravação informal de um momento privado.


Pierre-Auguste Renoir - Paul Durand-Ruel – 1910 – óleo sobre tela – 65,5 x 54,5 cm - Archives Durand-Ruel © Durand-Ruel & Cie



Paul Durand-Ruel em sua galeria em Paris, c. 1910

 A National Gallery de Londres está com a exposição temporária “Inventing Impressionism”, com 85 obras-primas do movimento, onde com exceção de uma obra, todas passaram pelas mãos de Durand-Ruel.
Até 31 de Maio de 2015
The National Gallery, Trafalgar Square, London WC2N 5DN


Em seguida a exposição estará no Philadelphia Museum of Art, de 24 de Junho até 13 de Setembro de 2015
Philadelphia Museum of Art - Dorrance Special Exhibition Galleries - 2600 Benjamin Franklin Parkway, Philadelphia, PA 19130 - informações: 215-763-8100

Assista o vídeo da exposição:



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