Pierre-Auguste Renoir - Spring Bouquet (Buquê de Primavera),
1866 – óleo sobre tela – 104,8 x 80,3 cm – Fogg Art Museum, Harvard University,
Cambridge, Massachusetts, USA
Análise de “Spring Bouquet” de Pierre-Auguste Renoir
A técnica impressionista ainda não havia evoluído quando
Renoir pintou essa obra, ainda no início de sua carreira. Em vez de um efeito
generalizado de cor luminosa, que no Impressionismo sugerirá flores sem
retratá-las precisamente, aqui as pétalas são separadas e distintas e a tela
brilha com luz e cor. A textura das flores é muito bem retratada, e parece que
o próprio perfume das flores também está lá. A tonalidade azul prateada é acentuada
pelos acentos em tons escuros e as flores amarelas são como estrelas. Renoir
está no limiar de sua carreira, mas seu gosto já é excepcional.
A composição forma um triangulo. Para contrabalançar a assimetria
das flores transbordando para o canto inferior esquerdo, Renoir colocou uma
área de sombra à direita do vaso, que contrasta com a luz abaixo dela.
Especialmente importante é a colocação da linha em diagonal da rachadura no
tampo da mesa, no lado inferior direito da tela, que contribui para o equilíbrio
da composição, fazendo um contraponto com as flores brancas sobre a mesa. A
pintura também demonstra o desenvolvimento de Renoir como artista. Em vez de
aplicar a tinta com uma faca de paleta (uma técnica que emprestou de artistas
como Courbet), Renoir adotou um traço mais livre e mais fino usando apenas um
pincel.
Para muitos artistas franceses durante a década de 1860, a
natureza morta floral persistia como um teste de habilidade puramente
pictórica. Este buquê exuberante em um vaso japonês do início da carreira de
Renoir, atesta o envolvimento do artista com as tradições históricas da arte do
passado. Ele aborda a nobre prática holandesa da natureza morta através da
grande escala de sua tela, enquanto sua atenção às texturas e cores do arranjo
evoca o trabalho de pintores franceses do século XVIII como Antoine Watteau e
François Boucher, artistas que estudou quando era um adolescente, enquanto
trabalhava como pintor de porcelana.
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Pinturas de mulheres com pássaros, por Édouard Manet e
Pierre-Auguste Renoir
Pierre-August Renoir - Woman with Parakeet (Mulher com
Periquito), 1871 – óleo sobre tela - 92.1 x 65.1 cm - Solomon R. Guggenheim
Museum, New York, USA
A mulher que segura o papagaio é a amiga de Renoir e sua
companheira por seis anos, Lise Tréhot, cujos traços juvenis são reconhecíveis
em nada menos que outras 16 telas pintadas pelo artista entre 1867 e 1872. Ele
provavelmente pintou essa obra logo após seu retorno da Guerra Franco-Prussiana
em 1871, antes de Lise se casar com um arquiteto de uma família abastada em
abril de 1872, e para nunca mais ver Renoir. A mulher segura um papagaio, um
animal de estimação popular e exótico na época. O vestido de tafetá preto com
punhos brancos e faixa vermelha acentua o cabelo escuro e a pele branca de
Lise. As paredes e plantas verde-escuras sugerem um interior bastante pesado e
formal.
Ao longo da história da arte, inúmeras imagens de mulheres
com pássaros retrataram a intimidade e o vínculo emocional entre humanos e
animais. O tema de uma mulher com um papagaio ou periquito era particularmente
comum em pinturas durante esta época. Em muitos casos, essa imagem simboliza a
natureza, ou às vezes se refere à mulher como vazia e imitando os outros. Nessa
pintura, a analogia entre a mulher e sua ave de estimação é comparativamente
discreta. O cenário rico e sufocante restringe o espaço da modelo, como o do
papagaio quando confinado à sua gaiola dourada. O papagaio também pode ser
caracterizado como desempenhando o papel tradicional de confidente para a
mulher. Essa pintura nunca foi exposta no Salão de Paris. Em 1871, ano em que a
obra foi pintada, não houve Salão de Exposição devido à Guerra
Franco-Prussiana.
Édouard
Manet - Young Lady in 1866, 1886 – óleo sobre tela - 185.1 x 128.6 cm –
Metropolitan Museum of Art, New York, USA
A modelo de Manet, Victorine Meurent, tinha posado recentemente
para os nus ousados nas pinturas Olympia e Luncheon on the Grass. Aqui,
parecendo relativamente recatada, ela veste um roupão de seda íntimo. Os
críticos olharam a pintura como uma referência para a mulher com um papagaio de
Courbet". A mulher foi pintada contra um fundo azul meia-noite, e ela tem
uma pose estudada, um pouco afetada. As texturas, a fruta que caiu do poleiro,
o cabelo avermelhado e até mesmo o rosto da mulher, têm as características
francesas de que Gustave Courbet era então o mestre.
Essa pintura é interpretada como uma alegoria dos cinco
sentidos: o ramo de flores (cheiro), a laranja (gosto), o papagaio-confidente
(audição) e o monóculo de homem nos dedos da modelo (visão e tato).
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Pierre-Auguste
Renoir – Tama, the Japanese Dog, c. 1876 – óleo sobre tela – 38,3 x 46,2 cm – The
Clark Art Institute, Williamstown, MA, USA
Renoir pintou esta imagem de um pequinês-spaniel para seu
amigo Henri Cernuschi, um banqueiro e colecionador de arte asiática. A raça,
uma das favoritas da família imperial japonesa, foi considerada elegantemente
exótica quando Cernuschi trouxe o cão para a França em 1873. O pelo preto e
branco do animal se destaca contra as pinceladas coloridas do fundo, que em
parte obscurecem uma inscrição do nome do animal, Tama, fracamente visível no
canto superior esquerdo da pintura.
Série Pierre-Auguste Renoir – pinturas com cães
Pierre-Auguste
Renoir – Head of a Dog, 1870 – óleo sobre tela – 21,9 x 20 cm – National
Gallery of Art, Washington, DC, USA
Pierre-Auguste Renoir – Girl with a Dog, c. 1875 – óleo sobre
tela – coleção particular
Pierre-Auguste
Renoir - Portrait of Alfred Bérard with His Dog, 1881 – óleo sobre tela - 65.2
x 51.1 cm – Philadelphia Museum of Art, Philadelphis, PA, USA
Pierre-Auguste
Renoir - Young Woman with a Dog, 1876 - óleo sobre tela – coleção particular
Pierre-Auguste Renoir – Madame Renoir (Aline Charigot) with
a Dog, 1880 – óleo sobre tela – 32 x 41 cm – coleção particular
Aline Charigot também foi retratada com seu cãozinho em
outra pintura de Renoir: “Luncheon of the Boating Party”. Esse blog possui um
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Pierre-Auguste
Renoir - Luncheon of the Boating Party, 1880 – 1881 – óleo sobre tela – 129,9 x
172,7 cm - The Phillips Collection, Washington, DC, USA
Pierre-Auguste
Renoir - Luncheon of the Boating Party – detalhe: Aline Charigot
Pierre-Auguste
Renoir - Young Girl with a Dog, 1888 - óleo sobre tela – coleção particular
Pierre-Auguste
Renoir - Woman with a Black Dog, 1874 – óleo sobre tela – coleção particular
Pierre-Auguste Renoir - Jules Le Coeur Walking in the
Fontainbleau Forest with his Dogs, 1866 – óleo sobre tela - Museu de Arte de
São Paulo Assis Châteaubriand, São Paulo, Brasil
Em fevereiro de 1866, Renoir acompanhou o arquiteto e pintor
Jules Le Coeur em uma caminhada e pintura por Fontainebleau. Durante a primeira
metade do século XIX, o desenvolvimento de um extenso sistema ferroviário
proporcionou acesso mais fácil e rápido ao ambiente natural, além dos limites
imediatos da cidade de Paris. A floresta de Fontainebleau, um retiro real,
tornou-se um local popular de recreação e escape das tensões da vida urbana. A
expansão das trilhas para caminhada e a publicação de numerosos guias para a
floresta introduziram novas paisagens silvestres para consumo e diversão
públicos. A floresta tornou-se um tema popular entre pintores e fotógrafos, e
Renoir criou várias obras que capturaram a densa vegetação e colinas de
Fontainebleau. Essa pintura foi, sem dúvida, executada no local, bem como no
estúdio. Renoir retratou seu amigo enquanto ele subia por um caminho coberto de
grama através do terreno montanhoso e densamente coberto da Floresta.
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Pierre-Auguste
Renoir - Luncheon of the Boating Party, 1880 – 1881 – óleo sobre tela – 129,9 x
172,7 cm - The Phillips Collection, Washington, DC, USA
Detalhes e curiosidades sobre a pintura “Luncheon of the
Boating Party” de Pierre-Auguste Renoir
A pintura “Luncheon of the Boating Party” (Almoço dos
Barqueiros) é talvez a mais famosa de Pierre-Auguste Renoir. Ela foi exposta no
Salão dos Impressionistas em Paris, em 1882 e foi considerada a melhor pintura
da exposição. Ela foi adquirida pelo famoso negociante de arte Paul Durand-Ruel,
considerado o inventor do Impressionismo, grande apoiador dos artistas, então
iniciantes.
Esse blog possui um artigo sobre Paul Durand-Ruel. Clique no
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A pintura mostra os amigos de Renoir, numa atmosfera
agradável, comendo, bebendo vinho e conversando em uma varanda com vista para o
rio Sena, no restaurante Maison Fournaise em Chatou. Os parisienses iam à
Maison Fournaise para alugar barcos a remo, comer uma boa refeição ou passar a
noite. A pintura também reflete a sociedade francesa na metade final do século
XIX. O restaurante recebia clientes de muitas classes, incluindo empresários,
mulheres da sociedade, artistas, atrizes, escritores, críticos, costureiras e
garotas vendedoras de lojas. Este grupo diversificado representava uma nova e
moderna sociedade parisiense. A cena mostra o final de uma refeição, com apenas frutas e
vinho sobre as mesas. O dia estava lindo e as pessoas, depois de comerem,
querem ficar desfrutando a companhia dos demais.
Pierre-Auguste
Renoir - Luncheon of the Boating Party - Aline Charigot
Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party - da
esquerda para a direita: Louise-Alphonsine Fournaise, Raoul Barbier, Ellen
Andrée e Angèle Legault
Na pintura, o pintor Gustave Caillebotte, está sentado no canto
inferior direito, de chapéu. A então futura esposa de Renoir, Aline Charigot,
está em primeiro plano brincando com um cãozinho, um affenpinscher. Também
sentada da mesa da frente, ao lado de Caillebotte, está a atriz Angèle Legault.
Em pé, ao lado dela está o jornalista italiano Adrien Maggiolo. Sentado de costas,
à mesa atrás deles, de chapéu marrom, está o antigo prefeito da Saigon Colonial,
Baron Raoul Barbier. E na mesma mesa, bebendo vinho, está a atriz Ellen Andrée.
Há mais um rosto de um rapaz sentado ao lado dela que não foi identificado. No
canto superior direito da pintura, em pé, com as mãos enluvadas levadas ao
rosto, está a atriz Jeanne Samary. Ao lado dela, de chapéu claro e olhando
atentamente o seu rosto, está o artista Paul Lhote e em frente a ela, de
cartola e barba, o burocrata Eugène Pierre Lestringez. No centro da pintura, ao
fundo está em pé, fumando e olhando para os espectadores da pintura, o poeta e
crítico Jules Laforgue e conversando com ele, de cartola, o historiador de arte
Charles Ephrussi (colecionador e editor da Gazette des Beaux-Arts). Em pé, no
lado esquerdo da pintura, apoiados no corrimão, estão os filhos do proprietário
do restaurante, Louise-Alphonsine Fournaise e Alphonse Fournaise Jr.
Pierre-Auguste
Renoir - Luncheon of the Boating Party - Angèle Legault, Antonio Maggiolo e
Gustave Caillebotte
Renoir compôs esta cena complicada sem estudos prévios. Ele
passou meses fazendo inúmeras mudanças na tela, pintando as figuras individuais
quando seus modelos estavam disponíveis e adicionando depois o toldo listrado
ao longo da borda superior.
Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party - O restaurante
Maison Fournaise à margem do rio Sena em Chatou, na França, nos dias atuais
Pierre-Auguste Renoir - Luncheon of the Boating Party - O restaurante
Maison Fournaise à margem do rio Sena em Chatou, na França, nos dias atuais
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Pierre-Auguste
Renoir – The White Pierrot (Jean Renoir), 1901/1902 – óleo sobre tela – 79,1 x 61,9 cm –
Detroit Institute of Art, Detroit, USA
A história da pintura The White Pierrot (Jean Renoir) de Pierre-Auguste
Renoir
Pierre-Auguste Renoir (Limoges, França, 25 de fevereiro de
1841 - Cagnes-sur-Mer, França, 3 de dezembro de 1919), começou como aprendiz de
pintor de porcelana e estudou desenho em seu tempo livre. Depois de anos como
um pintor iniciante, Renoir ajudou a lançar um movimento artístico chamado
impressionismo em 1870s. Ele acabou se tornando um dos artistas mais
conceituados de sua época. Depois de um começo humilde como aprendiz numa fábrica de
porcelanas, ele entrou na École des Beaux-Arts em 1862. Renoir também se tornou
um estudante de Charles Gleyre. No estúdio de Gleyre, Renoir logo fez amizade
com outros três jovens artistas: Frédéric Bazille, Claude Monet e Alfred
Sisley. E, através de Monet, conheceu talentos emergentes como Camille Pissarro
e Paul Cézanne. Com eles, fundou o Impressionismo.
Os Impressionistas são tão universalmente populares hoje que
é difícil imaginar um momento em que eles não eram admirados. Mas no início dos
anos 1870 eles se esforçaram para serem aceitos. Evitados pelo establishment da
arte, foram até mesmo citados como 'lunáticos' por um crítico. O termo
"impressionista" foi usado pela primeira vez como um insulto, em
resposta a uma exposição de pinturas novas em Paris em 1874. Esse grupo diverso
de pintores, rejeitados pelo establishment da arte, desafiadoramente criaram a
sua própria exposição. O nome do estilo deriva do título de um trabalho de
Claude Monet, “Impression, Soleil Levant” (Impressão, Sol Nascente).
Renoir se casou com sua modelo e namorada de longa data,
Aline Charigot em 1890, com quem já tinha um filho, Pierre. Depois de seu
casamento, Renoir pintou muitas cenas de sua esposa e da vida familiar diária,
incluindo seus filhos e sua babá, a prima de Aline, Gabrielle Renard. Os Renoir
tiveram três filhos: Jean Renoir, que se tornou um cineasta de destaque, Pierre
Renoir, que se tornou um ator de teatro e de cinema, e Claude Renoir, que se
tornou um artista de cerâmica.
Jean Renoir foi retratado nessa pintura.
Jean Renoir (Paris, França, 15 de setembro de 1894 - Beverly
Hills, California, 12 de fevereiro de 1979) foi um cineasta francês,
roteirista, ator, produtor e autor. Como um diretor de cinema e ator, ele fez
mais de quarenta filmes da era do cinema mudo até o fim da década de 1960. Seus
filmes La Grande Illusion (1937) e The Rules of the Game (1939) são
freqüentemente citados pelos críticos como um dos maiores filmes já feitos.
Entre inúmeras honras acumuladas durante sua vida, ele recebeu um Oscar:
Lifetime Achievement Academy Award em 1975 por sua contribuição para a
indústria cinematográfica.
O Pierrot é um personagem de pantomima e Commedia dell'Arte
cujas origens estão numa trupe italiana do final do século XVII que atuava em
Paris e era conhecida como a Comédie-Italienne. Na cultura popular
contemporânea (na poesia, na ficção, nas artes visuais, bem como no palco, na
tela e na sala de concertos) ele é um palhaço triste, apaixonado pela
Colombina, que inevitavelmente lhe parte o coração e o deixa pelo Arlequim. Mas
depois Colombina descobre o amor de Pierrot por ela, despede-se de Arlequim e reencontra
Pierrot com quem passa a viver junto em um relacionamento com muita felicidade.
Ele atua desmascarado, com um rosto esbranquiçado, e veste uma blusa branca
solta (algumas vezes metade pretas) com botões grandes e calças brancas largas
e uma lágrima desenhada abaixo dos olhos. A característica principal do seu
comportamento é a sua ingenuidade, e é visto como um bobo, sendo sempre o alvo
de piadas, mas mesmo assim continua a confiar nas pessoas. O Pierrot também é
apresentado como sendo lunático, distante e inconsciente da realidade.
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Pierre-Auguste
Renoir - Dance at Bougival, City Dance e Country Dance
A história de três pinturas de dança de Pierre-Auguste
Renoir
Renoir gostava de cenas de dança. City Dance e Country Dance
foram concebidas como um par: o formato é idêntico e as figuras de quase
tamanho natural representam dois aspectos diferentes, mesmo opostos, da dança.
A elegante restrição dos dançarinos da cidade e o belo salão de baile ao seu
redor contrastam com a alegria da dança ao ar livre.
Pierre-Auguste Renoir - City Dance, 1883 –
óleo sobre tela – 180 x 90 cm – Musée d´Orsay, Paris
Em Country Dance, o
casal impregnado pela música parece ter deixado uma mesa desordenada, um
descuido acentuado pelo chapéu caído no primeiro plano. Há muitos contrastes
entre os dois painéis, mesmo nas cores, frio para o vestido de Suzanne Valadon
em City Dance, quente para Aline Charigot, a futura esposa de Renoir, que
empresta seu sorriso ao dançarino em Country Dance. Apesar de suas diferenças,
os dois casais parecem estar ligados pelo mesmo movimento, como se eles
encarnassem uma sequência da mesma dança.
Pierre-Auguste Renoir - Country Dance,
1883 – óleo sobre tela – 180 x 90 cm – Musée d´Orsay, Paris
Exibidos pelo marchand Durand-Ruel (Esse blog possui um
artigo sobre Durand-Ruel, o descobridor do Impressionismo. No final desse
artigo há um link para a história dele) em sua galeria, onde as possuiu por
muitos anos, as duas pinturas marcam uma mudança na técnica de Renoir no início
dos anos 1880. O desenho é mais preciso e a simplificação da paleta contrasta
fortemente com as vibrantes pinceladas de seus trabalhos anteriores. O próprio
Renoir admitiu que uma maior atenção ao desenho era o resultado de uma
necessidade de mudança que sentia depois de ver as obras de Rafael em Itália.
Pierre-Auguste
Renoir – Dance at Bougival, 1883 – óleo sobre tela – 181,9 x 98,1 cm – Museum of
Fine Arts, Boston, USA
Os cafés ao ar livre do subúrbio Bougival, à beira do rio
Sena, nos arredores de Paris, eram locais de recreação populares para os
moradores da cidade, incluindo os pintores impressionistas. Renoir, que era
essencialmente um pintor de figuras, usa a cor intensa e a pincelada luxuriante
para realçar a sensação de prazer transportada pelo par girando, que domina a
composição. O rosto da mulher, emoldurado por seu chapéu vermelho, é o foco da
atenção, tanto a nossa quanto a de seu companheiro. A obra retrata dois amigos
de Renoir, Suzanne Valadon e Paul Auguste Llhote. A pintura foi descrita como
uma das primeiras reversões de Renoir a um estilo de pintura mais clássico, que
ele aprendeu copiando pinturas no Louvre, porém mantendo a paleta brilhante de
seus colegas impressionistas.
Esse blog possui um artigo sobre Paul Durand-Ruel, o
inventor do Impressionismo. Clique sobre esse link para ver:
Pierre
Auguste Renoir - Portrait Mademoiselle Irène Cahen d`Anvers (Little Irene),
1880 – óleo sobre tela - 65 x 54 cm - Foundation E.G. Bührle, Zuric
O rico banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers, encomendou
três retratos a Pierre Auguste Renoir (Limoges, 25 de Fevereiro de 1841 –
Cagnes-sur-Mer, 3 de Dezembro de 1919) em 1880, um de cada uma de suas filhas. Renoir
não negociou um preço antes de iniciar o seu trabalho. Ao completar o retrato
de Irène (então com 8 anos), os Cahens decidiram que não gostaram, e disseram a
Renoir para pintar as duas irmãs mais novas de Irene (Alice e Elisabeth) juntas.
Louis Cahen pagou a Renoir meros 1.500 francos pelas duas pinturas (muito menos
do que realmente valiam, mesmo naquele tempo), e para adicionar insulto à
injúria, pendurou-as nos aposentos de seus servos. Renoir ficou furioso.
Aos 19 anos, Irène se casou com Moïse de Camondo, o último
de uma longa linhagem de banqueiros judeus do Império Otomano. Durante seu
casamento, seu retrato de Renoir foi pendurado em um dos hotéis dos Camondo.
Irène e Moïse tiveram dois filhos, Nissim e Béatrice durante o seu curto
casamento de cinco anos, antes de Irène se converter ao catolicismo e fugir com
o cavalariço dos Camondo, o conde Charles Sampieri em 1896. Irène conseguiu obter
um divórcio, dando a Moïse a custódia total de seus filhos, e Irène se casou
com Charles, tornando-se a condessa Irène Sampieri. O retrato voltou para a mãe
de Irène, Louise, durante o divórcio, e ela, por sua vez o presenteou para a
sua neta Béatrice, entre 1910 e 1933.
O filho de Irène se tornou um aviador do exército francês
durante a Primeira Guerra Mundial. Ele faleceu em batalha, em 1917. A filha de
Irène, Béatrice se casou e teve dois filhos. Moïse morreu em 1935 e a sua
fortuna ficou em grande parte para sua filha. Sua mansão e coleção de arte foram
doadas para uma fundação, para criar um museu em honra de seu filho, o Musée
Nissim de Comondo.
Em 1939, os nazistas invadiram a França. Como muitos outros,
Béatrice e seu esposo optaram por ficar em Paris, acreditando que sua riqueza e
status iriam protegê-los. Eles estavam errados, e em 1941 eles e seus filhos
(juntamente com a irmã de Irène, Elisabeth) foram enviados para Auschwitz, onde
foram todos mortos. Irène, agora separada de Charles, conseguiu se salvar,
escondendo-se atrás de seu sobrenome italiano e de sua religião. Sua outra
irmã, Alice, também sobreviveu ao holocausto e viveu até os 89 anos, falecendo em 1969,
em Nice.
O retrato, agora muito valioso, foi roubado da casa Reinach
em 1941 pela Reichsleiter Rosenberg Taskforce e tornou-se propriedade de Herman
Göring. Em 1945, os Aliados libertaram o retrato, e ele foi enviado para um
ponto de coleta em Munique. No final de 1946, o retrato começou a viajar com
outras pinturas liberadas, em uma exposição intitulada "Obras-primas de
coleções francesas encontradas na Alemanha e na Suíça", onde foi visto por
Irène. Ela conseguiu obter a posse da obra, pois a última posse legal era de
sua filha, de quem Irène era a herdeira. Em 1949, Irène a vendeu para Emil Georg
Bührle, que estava começando a colecionar obras de impressionistas franceses.
Ao longo dos próximos anos, Irène gastou o dinheiro obtido com a venda desse
retrato e toda a fortuna Camondo em cassinos no sul da França, até a sua morte
em 1963. Após a morte de Emil Georg Bührle, em 1956, o retrato foi finalmente doado
à Fundação E.G. Bührle em Zurique onde está agora em exposição.
Pierre Auguste Renoir - Rosa e Azul (As Meninas Cahen d´Anvers),
1881 – óleo sobre tela - 119 x 74 cm – Masp (Museu de Arte de São Paulo, Assis Chateaubriand,
Brasil)
A pintura Rosa e Azul (As Meninas Cahen d´Anvers), é considerada
um dos mais populares ícones da coleção do Museu de Arte de São Paulo, onde se
encontra desde 1952. Renoir retratou as duas filhas do banqueiro Louis Raphael
Cahen d’Anvers, a loira Elisabeth, nascida em dezembro de 1874, e a mais nova,
Alice, em fevereiro de 1876, quando tinham respectivamente seis e cinco anos de
idade. Alice recordou muitas décadas depois (quando então possuía o título de Lady,
por ter casado com o general Townsend of Kut), que o tédio das sessões era
compensado pelo prazer de vestir o elegante vestido de renda.
O título mais popular dessa obra (Rosa e Azul), que se
refere às cores dos vestidos das meninas, desde 1900, quando esteve exposta
na galeria Bernheim-Jeune, em Paris. O artista transmitiu com as cores e a
delicadeza de tonalidades, todo o frescor e a candura da infância. As meninas
quase se materializam diante do observador, a de azul com seu ar vaidoso, e a
de rosa com um certo enfado, quase beirando as lágrimas. As duas meninas,
impecavelmente penteadas e vestidas, seguram a mão uma da outra para maior
segurança. Usando vestidos de festa idênticos, com fitas, faixas e meias
combinando e os cabelos escovados em franjas perfeitas, Alice, com cinco anos
de idade, à esquerda, olha para o espectador como se estivesse para se
desmanchar em lágrimas, enquanto a irmã maior, Elisabeth, de seis anos, parece
um pouco mais confortável enquanto posa.
A obra, produzida por encomenda de Louis-Raphael Cahen
d'Anvers, pertenceu à coleção particular de sua família, em Paris. Foi
redescoberta, aparentemente abandonada, em um apartamento na capital francesa,
no ano de 1900, pelos marchands Bernheim-Jeune, passando a compor o acervo da
Galeria Bernheim-Jeune et Fils, também em Paris. Em seguida, a obra foi
sucessivamente vendida, até ser adquirida em 7 de julho de 1952, pelo Museu de
Arte de São Paulo, com recursos doados pelo fundador do museu, Assis
Chateaubriand. O retrato das meninas Cahen d’Anvers, além de possuir uma ampla
bibliografia e um vasto histórico de exibições, angariou também a simpatia dos
visitantes do MASP, tornando-se uma das mais populares e apreciadas obras do
museu e uma fonte de inspiração para outros pintores e para o público.
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Jean-Frédéric Bazille – Retrato de Pierre-Auguste Renoir,
1867 – óleo sobre tela - 122 x 107 cm - Musée d'Orsay, Paris
Jean-Frédéric Bazille e Pierre-Auguste Renoir
Renoir e Bazille se conheceram em Novembro de 1862, no
estúdio de Charles Gleyre, onde eles tiveram aulas de desenho, juntamente com
Monet e Sisley. Os quatro alunos rapidamente se tornaram amigos e deixaram
Gleyre, na primavera de 1863, para se dedicarem inteiramente à pintura ao ar
livre.
No verão seguinte, Bazille mudou para um estúdio em Paris,
compartilhado com Renoir. No final de 1867, Bazille pintou seu amigo em uma
atitude jovial, com os pés sobre o assento da cadeira. Sua pose sugere um
estereótipo de um artista descontraído, mas suas roupas são as de qualquer
homem da sociedade. Nesta época, Paris era a capital do estilo e moda feminina,
mas a moda masculina era ditada por Londres. As cores eram discretas, as roupas
eram sóbrias, e o que estava em voga era um corte fino e ajuste perfeito.
Renoir está até usando botas com inserções elásticas, uma inovação do século 19
que ajudou homens e mulheres colocarem suas botas sem fechos, como usamos hoje.
Como a roupa dos homens era bastante convencional e pouco variada, a maneira
que um homem poderia se expressar (especialmente em um retrato estático) era em
sua atitude e como ele se portava. A pintura permaneceu na posse de Renoir para
o resto de sua vida.
Renoir retribuiu, pintando um retrato de seu amigo em seu
estúdio. Apesar de suas diferenças, um fator é comum nestas pinturas: elas
representam o que parece ser um momento aleatório na vida cotidiana e evitam
qualquer aparência de uma composição posada.
Pierre-Auguste Renoir - Frédéric Bazille, 1867 – óleo sobre
tela – 105 x 73,5 cm - Musée d'Orsay, Paris
Bazille está em seu cavalete, inclinando ligeiramente para a
frente, com as pernas cruzadas, trabalhando em uma natureza morta de aves
mortas. Na parede atrás dele está uma paisagem de inverno de Claude Monet com
uma vista de Honfleur. As
cores predominantes na pintura são cinza e bege. Além de ser um simples retrato, esta pintura esconde a
presença das cinco figuras principais do impressionismo: Frédéric Bazille
(1841-1870), Alfred Sisley (1839-1899), Claude Monet (1840-1926) e Renoir, bem
como o mais velho, Edouard Manet (1832-1883).
Eles se reúnem no estúdio da Rue Visconti em Paris, que
Bazille (mais rico do que seus colegas), compartilhava com eles. Um dia, em
1867, Sisley e Bazille se encontraram frente a frente, com uma natureza morta
de uma garça e dois ou três pardais, colocados sobre um pano branco em uma
mesa. As duas pinturas resultantes estão agora no Musée Fabre, em Montpellier. Enquanto seus amigos trabalhavam,
Renoir retratou Bazille. Querendo também prestar homenagem a Monet, ele coloca uma
cena de neve na parede, provavelmente Road to Saint Simeon Farm in Winter
(coleção particular).
Monet respondeu rapidamente a esta referência pintando o
retrato de Renoir, agora no Musée d'Orsay. Manet, embora não esteja representado
na pintura, é associado a ela, por ter mais tarde comprado a pintura de Renoir. A figura de Bazille se destaca contra um conjunto díspar de
pinturas que cobrem a parede do estúdio, algumas voltadas para fora, algumas em
direção à parede. As cores dominantes de cinza e bege também são uma
reminiscência de Manet. Elas intensificam os raros salpicos de outra cor na
pintura: o laço vermelho de seus sapatos, a pintura clara perto da borda da palheta,
ou o rosa da face, invadido pela sombra.
Morisot posou para Manet. Monet posou para Renoir. Bazille
posou para Monet. Renoir posou para Bazille. Na verdade, a maioria dos
impressionistas posou um para o outro, aparentemente o tempo todo. Talvez eles
precisavam um do outro: muitos deles estavam perto da falência, especialmente
no início de suas carreiras, e eles não podiam pagar modelos. Mas também pode
ser o caso de que uma das revoluções do período impressionista era a
valorização do homem comum. O retratista não ficava mais restrito a
representações da aristocracia ou figuras famosas ao longo da história.
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Pierre-Auguste
Renoir – Pont Neuf, Paris, 1872 – óleo sobre tela - 75.3 x 93.7 cm – National Gallery
of Art, Washington, DC
A
história da obra de Pierre-Auguste Renoir: Pont Neuf, Paris – com vídeo
Durante as duas primeiras décadas de sua carreira como
pintor, Pierre-Auguste Renoir (Limoges, 25 de fevereiro de 1841 —
Cagnes-sur-Mer, 3 de dezembro de 1919), aprendeu muito sobre seu ofício,
fazendo pinturas de paisagens. Talvez porque ele se sentisse liberado da
preocupação de representar seres humanos (amigos ou clientes que,
eventualmente, tenham sido ofendidos), Renoir realizou suas experiências mais
audaciosas de luz, cor, forma e pinceladas, em cenas de bosques, jardins, água
e terra. Esta liberdade de expressão e sua inovação ousada como colorista que
pintava ao ar livre, inevitavelmente desbravaram seus caminhos para as pinturas
figurativas pelas quais Renoir é tão amado.
Nesta pintura, Renoir retrata a famosa mais antiga ponte de
Paris, agitada, com os homens vestindo cartolas, as mulheres carregando
sombrinhas, e soldados com bonés vermelhos. Embora suas pinturas figurativas sejam
mais conhecidas, as paisagens de Renoir ressoam com vigor e frescura visual
para o desenvolvimento do impressionismo, mais aparente aqui em sua transcrição
dos efeitos da luz solar. O sol do meio-dia impregna o panorama, a sua
intensidade elevando a paleta de cores do artista e suprimindo detalhes incidentais
para enfatizar a cena populosa.
Edmond Renoir, um irmão mais novo do artista e um jornalista
novato em 1872, relatou mais tarde o início desta pintura em uma entrevista. Ele
contou como Renoir conseguiu a permissão do proprietário para ocupar um andar
superior de um café por um dia, para retratar a vista da famosa ponte. Edmond
segurava periodicamente os transeuntes, o tempo suficiente para o artista gravar
as suas aparências, perguntando as horas para eles, ou perguntando a
localização de algum endereço. Renoir até mesmo assinalou a presença de Edmond
na cena, com bengala na mão e chapéu de palha na cabeça, em dois locais.
Se, como Edmond indicou, a obra foi pintada durante um único
dia, esse foi precedido por preparativos cuidadosos, possivelmente incluindo a delimitação preliminar das características arquitetônicas. Pintado
na sequência da Guerra Franco-Prussiana e subsequente guerra civil que devastou
a França em 1870 e 1871, a imagem de Renoir de 1872 é uma amostra representativa
dos cidadãos franceses cruzando a ponte mais antiga de Paris, o coração intacto
do país se recuperando.
Assista um vídeo com descrição dos detalhes e com animação
deles:
Pierre-Auguste
Renoir – “À Beira Mar” (By The Seashore) – 1883 – óleo sobre tela – 92,1 x 72,4
cm - The Metropolitan Museum of Art, New York
Análise de “À Beira Mar” (By The Seashore) de Pierre-Auguste
Renoir
Pierre-Auguste
Renoir (Limoges, 25 de Fevereiro de 1841 – Cagnes-sur-Mer, 3 de Dezembro de
1919) provavelmente pintou este trabalho em seu estúdio,
tendo como modelo a futura esposa, com quem se casou em 1890, Aline Charigot (1859-1915),
em uma cadeira de vime. O arco das sobrancelhas escuras da modelo e o nariz arrebitado
no rosto agradável de bochechas rosadas, são comuns na obras de Renoir. A praia
atrás dela representa, provavelmente, a costa da Normandia perto de Dieppe.
Esta tela reflete o impacto da viagem de Renoir para a
Itália em 1881-1882, o que o inspirou a unir a "grandeza e
simplicidade" que ele admirava na arte renascentista com a luminosidade do
impressionismo. Sua nova abordagem, que ele chamou de sua forma
"seca", é evidente no rosto de Aline, com as suas características
cuidadosamente desenhadas e manipulação suave da pintura. As pinceladas rápidas
no fundo, no entanto, mostram a técnica mais livre de anos anteriores de
Renoir. Após esta viagem, ele começou a explorar uma nova forma de pintura,
diferente do Impressionismo. Ele começou a enfatizar contornos e modelagem,
abandonando o princípio de que as cenas devem ser pintadas ao ar livre para
capturar a luz e a atmosfera.
Séries Arteeblog: Grandes marchands e mecenas das artes – O
homem que inventou o Impressionismo – com fotos, vídeo e exposição em 2015
Paul Durand-Ruel (1831 - 1922) foi um negociante de arte
francês, um dos primeiros negociantes de arte modernos que prestaram apoio aos
seus pintores com estipêndios e exposições individuais. Seu pai era um
comerciante de arte. Em 1865 o jovem Paul assumiu os negócios da família, que
representavam artistas como Corot e os da escola de Barbizon, de pinturas de
paisagem francesas. Em 1867 ele mudou sua galeria da Rue de la Paix 1, em
Paris, para Rue Laffitte 16, com uma filial na Rue Le Peletier 111. Durante a
década de 1860 e início dos anos 1870 Paul Durand-Ruel foi um defensor
importante e bem sucedido comerciante de arte da Escola de Barbizon. No entanto
Durand-Ruel logo estabeleceu uma relação com um grupo de pintores que se
tornaria conhecido como os Impressionistas.
Claude
Monet - Lavacourt Under Snow – c. 1878-81 – óleo sobre tela – 59.7 x 80.6 cm - The
National Gallery, London
Os Impressionistas são tão universalmente populares hoje que
é difícil imaginar um momento em que eles não eram admirados. Mas no início dos
anos 1870 eles se esforçaram para serem aceitos. Evitados pelo establishment da
arte, foram até mesmo citados como 'lunáticos' por um crítico.
Um homem, no entanto, reconheceu o valor desse estilo de
arte desde o início. Paul Durand-Ruel, um negociante de arte de Paris,
descobriu este grupo de jovens artistas, incluindo Monet, Degas, Manet, Renoir,
Pissarro e Sisley, e apostou neles. O termo "impressionista" foi usado pela primeira
vez como um insulto, em resposta a uma exposição de pinturas novas em Paris em
1874. Esse grupo diverso de pintores, rejeitados pelo establishment da arte,
desafiadoramente criaram a sua própria exposição.
Camille
Pissarro - The Boulevard Montmartre at Night – 1897 – óleo sobre tela - 53.3 x
64.8 cm - The National Gallery, London
Percebendo o potencial elegante de suas ridicularizadas
“impressões” da vida urbana e suburbana, Durand-Ruel dedicou o resto de sua
vida a construir uma audiência para o seu trabalho, e também durante esse
processo, a criação do mercado de arte moderna. Tal era a sua perseverança, que Durand-Ruel quase faliu duas
vezes, antes de globalizar com sucesso sua operação, com postos avançados em
Londres, Bruxelas e Nova York, e estabelecendo o “one-man show” como a norma
internacional para exposições.
Pierre-Auguste
Renoir - Lakeside Landscape – c. 1889 – óleo sobre tela - 47 x 58.2 cm - The
National Gallery, London
Durante a Guerra Franco-Prussiana, de 1870-71, Paul
Durand-Ruel deixou Paris e fugiu para Londres, onde se encontrou com um grupo
de artistas franceses, incluindo Charles-François Daubigny, Claude Monet e
Camille Pissarro. Em dezembro de 1870 ele abriu a primeira de dez exposições
anuais da Sociedade de Artistas Franceses em sua nova galeria de Londres na New
Bond Street 168, com Charles Deschamps como gerente.
Claude Monet
- Bathers at La Grenouillère - 1869 – óleo sobre tela – 92 x 73 cm - The National Gallery, London
Claude Monet
- Bathers at La Grenouillère - 1869 –
detalhe - – óleo sobre tela – 92 x 73 cm - The National Gallery, London
Durand-Ruel fez exposições do Impressionismo e de outras
obras (incluindo o pintor americano expatriado James Abbott McNeill Whistler,
que morou em Londres) em suas galerias de Paris e Londres. Ele também trouxe trabalho
deles para Nova York, onde seus três filhos, Joseph, Charles e George
gerenciavam sua galeria, expondo artistas estabelecidos de Nova York com Impressionistas
franceses alternadamente, e fazendo muito para estabelecer a popularidade da
arte Impressionista nos Estados Unidos.
Edgar Degas
- Beach Scene – c. 1869-70 – óleo sobre papel sobre tela - 47.5 x 82.9 cm – The
National Gallery, London
Durante as últimas três décadas do século 19, Paul
Durand-Ruel tornou-se o negociante de arte mais conhecido e importante do Impressionismo
francês no mundo. Ele conseguiu estabelecer o mercado de Impressionismo nos
Estados Unidos, bem como na Europa. Edgar Degas, Édouard Manet, Claude Monet,
Berthe Morisot, Camille Pissarro, Pierre-Auguste Renoir, Alfred Sisley, estão entre
os artistas importantes que Durand-Ruel
ajudou a estabelecer. No que diz respeito aos americanos em relação ao Impressionismo,
Durand-Ruel disse certa vez: "O público americano não ri. Ele compra! Sem a
América, eu estaria perdido, arruinado, depois de ter comprado tantos Monets e
Renoir. As duas exposições lá em 1886 me salvaram. o público americano comprou
moderadamente... mas graças a esse público, Monet e Renoir puderam viver e
depois o público francês seguiu o exemplo".
Pierre-Auguste
Renoir - At the Theatre (La Première Sortie) - 1876-7 – óleo sobre tela - 65 x
49.5 cm - The National Gallery, London
O que caracteriza o Impressionismo para a maioria das
pessoas hoje em dia, é ao mesmo tempo o tema e a técnica. Paisagens e cenas da
vida urbana e suburbana moderna pintadas em cores brilhantes e puras são típicas.
Os Impressionistas muitas vezes começavam (e às vezes concluíam) suas pinturas
ao ar livre em vez de em um estúdio. Suas pinceladas rapidamente aplicadas, são
visíveis. É preciso um salto da imaginação para percebermos quão radical o movimento
foi considerado em seu tempo.
A vida moderna e a maneira como as pessoas comuns passavam
seu tempo livre foram assuntos populares para muitos pintores impressionistas.
Monet, Renoir e Degas nos mostram os teatros, cafés e estâncias campestres
populares do final do século 19 em Paris.
Pierre-Auguste
Renoir - The Skiff (La Yole) – 1875 – óleo sobre tela - 71 x 92 cm - The
National Gallery, London
As descobertas científicas e invenções do século 19 tiveram
uma influência importante sobre a forma como os pintores trabalhavam. Novas
pesquisas encorajaram os artistas a experimentar com as cores complementares.
Por exemplo, na tela de Renoir “The Skiff (La Yole)”, ele coloca um barco cor de
laranja contra o azul cobalto da água. Laranja e azul eram entendidas como
opostas uma à outra no espectro de cor, e colocando-as lado a lado, cada uma
parece mais profunda e mais brilhante.
Ainda mais significativo para os impressionistas era um
interesse na forma como a mente humana processa o que vê. Quando olhamos para
uma paisagem ou uma multidão de pessoas, nós não vemos instantaneamente cada
rosto ou folha em foco detalhado, mas como uma massa de cor e luz. Os pintores
impressionistas tentaram expressar essa experiência.
Claude
Monet - The Water-Lily Pond – 1899 – óleo sobre tela - 88.3 x 93.1 cm - The
National Gallery, London
Em 1883 Monet mudou para Giverny, onde morou até sua morte.
Lá ele criou um jardim "com o objetivo de cultivar plantas
aquáticas", sobre o qual ele construiu uma ponte arqueada no estilo
japonês. Em 1899, quando o jardim tinha amadurecido, Monet pintou 17 vistas do
jardim sob condições de luz diferentes. Rodeada por vegetação luxuriante, a
ponte é vista aqui da própria lagoa, no meio de um arranjo de juncos e folhas
de salgueiro.
Outro fator que mudou a forma como os artistas pintavam foi
a inovação da tinta pronta em tubos. A moagem de pigmentos, a fim de formar a
tinta a óleo, era um processo trabalhoso. A disponibilidade de uma ampla gama
de cores prontas significava que os artistas podiam trabalhar ao ar livre, ao
invés de em um estúdio. Eles também podiam trabalhar em uma velocidade muito
maior, em alguns momentos aplicando a tinta diretamente do tubo, sem usar um
pincel.
Claude
Monet - The Beach at Trouville – 1870 – óleo sobre tela - 38 x 46.5 cm - The
National Gallery, London
Claude Monet - The Beach at Trouville – 1870 – detalhe com
areia na tinta à óleo, mostrando que essa obre foi pelo menos parcialmente,
pintada na praia
“The Beach at Trouville” é uma pequena tela pintada por
Monet, enquanto ele estava em lua de mel na costa. Ele e sua esposa Camille
estavam em seu caminho para Londres, para escapar da guerra franco-prussiana. A
tela foi pintada evidentemente na praia e não em um estúdio. Grãos de areia e
migalhas de conchas se misturaram na tinta a óleo. O imediatismo da pintura
também é evidente na tinta branca espessa representando a luz que incide sobre
a saia de Camille, e a sombra caindo em seu rosto. A imagem é quase comparável
a uma foto de família, uma gravação informal de um momento privado.
A National Gallery de Londres está com a exposição
temporária “Inventing Impressionism”, com 85 obras-primas do movimento, onde
com exceção de uma obra, todas passaram pelas mãos de Durand-Ruel.
Até 31 de Maio de 2015
The
National Gallery, Trafalgar Square, London WC2N 5DN
Em seguida a exposição estará no Philadelphia Museum of Art,
de 24 de Junho até 13 de Setembro de 2015
Philadelphia
Museum of Art - Dorrance Special Exhibition Galleries - 2600 Benjamin Franklin
Parkway, Philadelphia, PA 19130 - informações: 215-763-8100