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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Análise da pintura de Edvard Munch – “The Brooch. Eva Mudocci”

Edvard Munch – The Brooch. Eva Mudocci, 1903 – litogravura - 76 × 53.2 cm – Munch Museum, Oslo


Análise da pintura de Edvard Munch – “The Brooch. Eva Mudocci”


Eva Mudocci (Rose Lynton, 1883 a 1953) era uma jovem e talentosa violinista britânica que Munch conheceu em 1902. Juntamente com a pianista Bella Edwards, ela excursionou pela Europa dando concertos que lhe trouxeram renome e aclamação. Edward Munch a conheceu em Paris em 1903. Eva Mudocci foi apresentada a Munch por seu amigo compositor Frederick Delius. Munch ficou tão inspirado por ela que fez essa famosa litografia.

Os dois se tornaram amigos íntimos. Inicialmente, o relacionamento era de natureza erótica, mas com o tempo se tornou mais parecido com um relacionamento fraternal. De 1902 a 1908, ela foi uma das confidentes mais próximas de Munch. Mudocci tornou-se uma figura ideal e uma musa para o artista, e este retrato, com sua atmosfera lírica e ritmos musicais, é sem dúvida um dos melhores retratos femininos de Munch.

Na litografia, Mudocci está retratada a partir de um ângulo baixo. Seu cabelo solto e escuro flui livremente em torno de seu rosto pálido. Seu olhar é baixo e virado para um lado, para algo além da moldura e invisível para o espectador. O ponto focal para a imagem é o seu broche, que cria um bom equilíbrio na composição e realça o seu olhar enigmático. O broche foi um presente do historiador de arte norueguês Jens Thiis em 1901. Mudocci aparece em outros dois trabalhos que Munch finalizou no mesmo ano: Violin Concert e Salome.

Eva Mudocci declarou sobre essa litografia: "Ele queria fazer um retrato perfeito de mim, mas cada vez que ele começava uma pintura a óleo, ele a destruía, porque ele não estava feliz com ela. Ele teve mais sucesso com as litografias, e as pedras que ele usou foram enviadas para o nosso quarto no Hotel Sans Souci em Berlim acompanhadas por uma nota que dizia: "Aqui está a pedra que caiu do meu coração".


Eva Mudocci com seu violino Stradivarius: “The Emiliani”, que hoje é propriedade de outra famosa violinista: Anne Sophie Mutter!


Esse blog possui um artigo sobre gravuras, incluindo litografias. Clique sobre esse link abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2015/06/gravuras-o-que-sao-os-tipos-e-exemplos_2.html


Edvard Munch (Løten, 12 de Dezembro de 1863 — Ekely, 23 de Janeiro de 1944) foi um pintor e gravurista norueguês, cujo tratamento intensamente evocativo de temas psicológicos foram construídos sobre alguns dos principais dogmas do Simbolismo do final do século 19, e exerceu grande influência no expressionismo alemão do início do século 20. Munch perdeu sua mãe e irmã favorita por tuberculose antes de seu décimo quarto aniversário. Tendo abandonado o estudo de engenharia devido a doenças frequentes, Munch decidiu se tornar um artista. Seus primeiros trabalhos revelaram a influência dos pintores plein-ar, como Monet e Renoir. Em 1889, Munch começou a passar longos períodos em Paris. Exposto ao trabalho de Gauguin e outros simbolistas franceses, Munch desenvolveu uma linguagem simplificada de cores ousadas e linha sinuosa para expressar sua visão do sofrimento humano, como a doença e a morte, depressão e alienação.

Como muitos artistas que amadureceram na esteira do impressionismo, Edvard Munch começou sua carreira pintando cenas estreitamente observadas do mundo em torno dele. Mas a obra de Munch assumiu uma ênfase cada vez mais profunda na subjetividade e uma rejeição ativa da realidade visível. O estilo único e altamente pessoal que ele desenvolveu para transmitir humor, emoção, ou memória influenciou fortemente o curso da arte do século XX e, em particular, o desenvolvimento do Expressionismo. Sobre sua arte, dizia: "Minha arte é realmente uma confissão voluntária e uma tentativa de explicar a mim mesmo minha relação com a vida. É, portanto, na verdade, uma espécie de egoísmo, mas eu constantemente espero que através desta, eu possa ajudar os outros a alcançar a clareza".


Esse blog possui mais artigos sobre Edvard Munch. Clique sobre os links abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2017/10/analise-de-scream-o-grito-de-edvard.html

http://www.arteeblog.com/2015/09/a-historia-inspiracao-e-o-local-da.html

http://www.arteeblog.com/2016/06/serie-edvard-munch-estudio-em-ekely.html

http://www.arteeblog.com/2016/01/edvard-munch-o-friso-da-vida-um-poema.html


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terça-feira, 24 de julho de 2018

Série Alphonse Mucha – The Seasons (As Estações), 1896

Alphonse Mucha – The Seasons (As Estações), 1896 - litografias coloridas – 103 x 54 cm – impressor: F. Champenois, Paris


Série Alphonse Mucha – The Seasons (As Estações), 1896


Este foi o primeiro conjunto de painéis decorativos de Mucha e se tornou uma de suas séries mais populares. Era tão popular que Mucha foi convidado por Champenois para produzir pelo menos mais dois conjuntos baseados no mesmo tema em 1897 e 1900. Desenhos para mais dois conjuntos também existem. A ideia de personificar as estações não era novidade - exemplos podiam ser encontrados nas obras dos Antigos Mestres, assim como nas outras publicações de Champenois. No entanto, as mulheres parecidas com ninfas de Mucha, sobrepostas a vistas sazonais do campo deram nova vida ao tema clássico. Nos quatro painéis mostrados aqui, Mucha captura os humores das estações - Primavera inocente, Verão sensual, Outono frutuoso e Inverno gelado, e juntos representam o ciclo harmonioso da Natureza.


Alphonse Mucha – Spring (Primavera), 1896 - litografia colorida – 103 x 54 cm


Alfons Maria Mucha - (Ivančice, 24 de julho de 1860 — Praga, 14 de julho de 1939) foi um pintor, ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os cartazes para os espetáculos de Sarah Bernhardt realizados na França, de 1894 a 1900, e uma série chamada Epopeia Eslava, elaborada entre 1912 e 1930.
Mucha se estabeleceu como um dos principais artistas de cartazes comerciais entre 1895 e 1900. Durante este período, seis cartazes de Mucha apareceram em Les Maîtres de l'Affiche, publicação mensal de Jules Chéret com os melhores cartazes da época, selecionados por ele. A partir desse momento, o estilo distintivo de Mucha foi chamado 'le style Mucha', tornando-se sinônimo do estilo Art Nouveau.


Alphonse Mucha – Summer (Verão), 1896 - litografia colorida – 103 x 54 cm


Ao ganhar um reconhecimento público mais amplo como o "Mestre do cartaz Art Nouveau", Mucha alcançou grande sucesso em um novo gênero: painéis decorativos ('panneaux décoratifs'). Painéis decorativos eram cartazes sem texto, projetados exclusivamente para apreciação artística ou decoração de paredes interiores. Foi o impressor Champenois quem inventou essa ideia do ponto de vista comercial: maximizar a oportunidade de negócios, reciclando os projetos de Mucha para muitas edições diferentes. No entanto, foi Mucha que os transformou em uma nova forma de arte, acessível e disponível para o público em geral, enquanto que, tradicionalmente, as obras de arte estavam disponíveis apenas para os poucos privilegiados. Mucha acreditava que, através da criação de belas obras de arte, a qualidade de vida poderia seria melhorada. Ele também acreditava que era seu dever como artista promover arte para pessoas comuns. Ele conseguiu cumprir ambos os objetivos por meio do seu conceito inovador de painéis decorativos produzidos em massa.


Alphonse Mucha – Autumn (Outono), 1896 - litografia colorida – 103 x 54 cm


Mucha produziu uma grande quantidade de pinturas, cartazes, propagandas e ilustrações de livros, esculturas, bem como desenhos para joias, tapetes, papéis de parede e cenários de teatro no que foi denominado inicialmente The Mucha Style, mas tornou-se conhecido como Art Nouveau (francês para "nova arte"). As obras de Mucha frequentemente incluíam belas mulheres jovens em vestes flutuantes, vagamente neoclássicas, muitas vezes cercadas por flores exuberantes que às vezes formavam halos atrás de suas cabeças.


Alphonse Mucha – Winter (Inverno), 1896 - litografia colorida – 103 x 54 cm


O estilo de Mucha foi exposto internacionalmente na Exposição Universal de 1900 em Paris, da qual Mucha disse: "Acho que a Exposition Universelle contribuiu para trazer valores estéticos para as artes e ofícios. Ele declarou que a arte existia apenas para comunicar uma mensagem espiritual, e nada mais.

Esse blog possui mais um artigo sobre Alphonse Mucha. Clique sobre o link abaixo para ver:



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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Análise das gravuras da Rainha Elizabeth II por Andy Warhol

Andy Warhol - Reigning Queens: Queen Elizabeth II of the United Kingdom, 1985 - Serigrafias em cores com "pó de diamante", sobre cartão - 100,0 x 80,0 cm – The Royal Collection


Análise das gravuras da Rainha Elizabeth II por Andy Warhol

Desde o início dos anos 1960, Andy Warhol (1928-1987) usou retratos existentes como base para muitas de suas gravuras e pinturas. Em 1985, Warhol realizou seu maior portfólio de serigrafias, intitulado 'Reigning Queens' que contém dezesseis impressões das quatro rainhas reinantes naquela época no mundo: a Rainha Elizabeth II do Reino Unido, a Rainha Beatrix da Holanda, a Rainha Ntombi Twala da Suazilândia e a Rainha Margrethe II da Dinamarca.

Para a série de serigrafias que retrata a rainha Elizabeth II (parte de seu portfólio de Rainhas Reinantes), ele se baseou na fotografia oficial lançada para o Jubileu de Prata em 1977, feita no Castelo de Windsor em 2 de Abril de 1975, pelo fotógrafo Peter Grugeon (1918-1980).

Warhol simplificou a fotografia de modo que tudo o que resta é uma máscara. Somos confrontados com um símbolo do poder real. Ao reproduzir a mesma imagem quatro vezes, Warhol demonstra o seu interesse na produção em massa e nos lembra que a rainha Elizabeth II é a mulher mais retratada do mundo. O uso de cores vibrantes e a introdução de formas gráficas dão às serigrafias um ar de artificialidade.

Esta tiragem pertence à 'Royal Edition'. Os contornos foram polvilhados com "pó de diamante", pequenas partículas de vidro moído que foram aplicadas à gravura quando a tinta ainda estava molhada, e brilham na luz como diamantes. A rainha não posou nem encomendou este retrato. As quatro cópias foram adquiridas para a Royal Collection em 2012.


Fotografia oficial lançada para o Jubileu de Prata em 1977, feita no Castelo de Windsor em 2 de Abril de 1975, pelo fotógrafo Peter Grugeon (1918-1980).


Andy Warhol, nascido Andrej Varhola, Jr. (Pittsburgh, 6 de agosto de 1928 — Nova Iorque, 22 de fevereiro de 1987), foi uma figura maior do movimento Pop Art. Além das serigrafias, Warhol também utilizava outras técnicas, como a colagem e o uso de materiais descartáveis, não usuais em obras de arte.

As abordagens inovadoras do Illustrator, cineasta, fotógrafo, pintor, modelo e até produtor musical Andy Warhol para fazer arte ainda influenciam a arte contemporânea e a cultura. Ele desafiou as fronteiras tradicionais entre arte e vida, arte e negócios e em todos os tipos de mídia. No processo, ele transformou a vida cotidiana em arte e a arte em uma maneira de viver o cotidiano.

Obcecado com a celebridade e a cultura de consumo, Andy Warhol criou algumas das mais icônicas imagens do século 20. Ele também ficou famoso por suas frases, como: “No futuro, todos serão famosos por 15 minutos”. Algumas de suas obras mais célebres são: “32 Campbell´s Soup Can” de 1962 e retratos de Marilyn Monroe, usando a técnica de silkscreen. Ele também foi mentor dos artistas Keith Harring e Jean-Michel Basquiat. Seu estilo Pop-Art tem adeptos até os dias atuais, como Richard Prince, Takashi Murakami e Jeff Koons, entre outros.



Esse blog possui um artigo sobre gravuras, onde a técnica de silkscreen (ou serigrafia) é descrita. Para ver, clique sobre o link abaixo:



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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Pinturas e Gravuras com Trem

Claude Monet - Saint-Lazare Gare, Normandy Train – 1887 – óleo sobre tela - 60.3 x 80.2 cm – Art Institute of Chicago


Pinturas e Gravuras com Trem


A Gare Saint-Lazare foi a maior e mais movimentada estação de trem em Paris. No início de 1877, com a ajuda de seu amigo Gustave Caillebotte, Claude Monet alugou um apartamento na vizinha Rue Moncey e começou a primeiro de 12 telas que mostram este ícone da modernidade. Ele mostrou sete delas, incluindo esta, na terceira exposição impressionista, em Abril daquele ano. Diz a lenda que ele arranjou para que as locomotivas que estivessem alimentadas com carvão extra, para que ele pudesse observar e pintar os efeitos do vapor: cinza quando preso dentro da estação, branco e nublado quando visto contra o céu.


Claude Monet - The Saint-Lazare Station – 1877 – óleo sobre tela – 75 x 104 cm - Musée D´Orsay, Paris


A Gare Saint-Lazare foi um cenário ideal para alguém que buscava os efeitos da mudança de luz, do movimento, de nuvens de vapor e de um tema radicalmente moderno. De lá saiu uma série de pinturas com pontos de vista diferentes, incluindo vistas para o vasto salão. Apesar da geometria aparente da armação metálica, o que prevalece aqui são realmente os efeitos da cor e luz, em vez de descrever uma preocupação com máquinas ou viajantes em detalhes. Certas zonas, verdadeiras peças de pintura pura, alcançam uma visão quase abstrata. Esta pintura foi elogiada por outro pintor da vida moderna, Gustave Caillebotte, cuja pintura foi muitas vezes o oposto da pintura de Monet.


Pierre Bonnard - Landscape with freight train - 1909 – óleo sobre tela - 108 x 77 cm - Hermitage, St. Petersburg, Russia


Edvard Munch - Train smoke – 1900 – óleo sobre tela - 84.5 x 109 cm - The Munch Museum



Mary Cassatt - Interior of a Tramway Passing a Bridge - 1890-1891 – gravura a ponta-seca - Art Institute of Chicago, Chicago, IL, USA


Ponta-seca é uma técnica de gravura por incisão direta que pode dispensar o uso de verniz. No geral, procede-se como se fosse uma água-forte, isto é, enverniza-se a chapa, faz-se o desenho (à mão ou por decalque) e fixa-se o desenho com a ponta-seca. A ponta grava o metal e levanta os dois lados do traço, que na gíria dos gravadores são chamadas de "rebarbas". Na ponta-seca a tinta da impressão fica presa, não só pela profundidade do traço, mas principalmente nas "rebarbas". As variações de tonalidades são conseguidas com maior ou menor pressão, fazendo com que a lâmina penetre mais ou menos na chapa. A gravura a ponta-seca permite uma tiragem reduzida. As tonalidades obtidas são aveludadas e quentes, destacando-se das demais modalidades, razão pela qual tem muita aceitação pelos artistas.


Pyotr Konchalovsky - Spring Landscape with train – 1931 - 62 x 79 cm


Camille Pissarro - Place de la Republique, Rouen (with Tramway) – 1883 – óleo sobre tela - 46.2 x 55.6 cm


Gino Severini - Red Cross Train Passing a Village – 1915 – óleo sobre tela - 88.9 x 116.2 cm - Solomon R. Guggenheim Museum, New York, USA


Depois de se mudar de Roma para Paris em 1906, Gino Severini entrou em contato próximo com Georges Braque, Pablo Picasso, e outros artistas importantes da capital da avant-garde, enquanto permaneceu em contato com seus compatriotas que permaneceram na Itália. Em 1910, ele assinou o "Manifesto Técnico: Pintura Futurista" com outros quatro artistas italianos, Giacomo Balla, Umberto Boccioni, Carlo Carrà, e Luigi Russolo, que queriam que suas pinturas expressassem a energia e velocidade da vida moderna.
Nesta pintura de um trem em movimento através da paisagem, Severini dividiu a paisagem, a fim de transmitir uma sensação de momentâneas imagens fragmentadas que caracterizam a nossa percepção de um objeto em excesso de velocidade. O choque de cores contrastantes intensas sugere o ruído e a potência do trem, que os futuristas admiravam como um emblema de vitalidade e potência.
Severini pintou esta tela no meio da I Guerra Mundial, enquanto morava em Igny, nos arredores de Paris. Anos mais tarde, ele recordou as circunstâncias: " Junto ao nosso casebre, os trens estavam passando dia e noite, cheios de material de guerra, ou soldados, e feridos". Durante 1915 ele criou muitas telas em que tentou evocar a guerra na pintura.


Alex Colville - Horse and Train – 1954


 Edward Hopper - Night on the El Train – 1918 – gravura a água forte - 18,3 x 20,1 cm – The British Museum



Edward Hopper (1882-1967) frequentou a Escola de Arte de Nova York, onde estudou com William Merritt Chase e Robert Henri. Hopper aprendeu primeiramente a técnica da gravura com o gravurista Martin Lewis em 1915, enquanto trabalhava como artista comercial freelance. Hopper produziu cerca de 70 gravuras ao longo dos próximos oito anos, mas abandonou a gravura depois de seu primeiro sucesso de crítica como pintor em 1924, aos 42 anos. Como ele mais tarde admitiu, 'Depois que eu comecei a gravar, minha pintura parecia cristalizar'.
Nesta cena de um casal em um trem, tarde da noite, Hopper nos coloca outro lado do corredor, como observadores. Ele imprime um senso de drama psicológico dentro de uma estrutura narrativa. Ele usa sua técnica de composição favorita, um ponto de vista oblíquo, ou em ângulo. O movimento do trem é indicado pelas cortinas ondulantes e correias balançando.


Norman Rockwell - Skiers on a Train – 1962 – óleo sobre tela


Vincent van Gogh - Landscape with Carriage and Train – 1890 – óleo sobre tela - 72 x 90 cm - Pushkin Museum of Fine Art, Moscow, Russia


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domingo, 2 de agosto de 2015

Análise de “Drawing Hands” de M. C. Escher, 1948

“Drawing Hands” – M. C. Escher – 1948 – litogravura - 28.2 x 33.3 cm


Análise de “Drawing Hands” de M. C. Escher, 1948

Escher freqüentemente empregava um jogo visual em que ele transformava uma estampa plana em um objeto tridimensional. O artista usou a sua própria mão direita como modelo para ambas as mãos representadas na gravura. A litogravura Drawing Hands (Desenhando Mãos) foi impressa pela primeira vez em Janeiro de 1948. Ela retrata uma folha de papel a partir da qual, de pulsos que permanecem planos na página, duas mãos estão em ascensão, de frente uma para a outra e no ato paradoxal de desenhar uma à outra. Escher usava com frequência paradoxos em suas obras, e este é um dos seus exemplos mais óbvios. O fato de ele conseguir fazer uma parte unidimensional se tornar tridimensional é realmente fascinante. As linhas fluem de tal forma que é realmente difícil imaginar como ele conseguiu fazê-las parecer tão naturais e realistas. Na obra percebemos a continuidade da construção do ser, ou seja, uma mão construindo a outra em uma relação de interdependência.

A imagem das mãos é um estudo impressionante da utilização das linhas e contraste. Escher habilmente utilizou contraste e sombras para criar a ilusão de textura e dimensão numa obra bidimensional. A obra também é um estudo do uso da luz. O sombreamento feito em cada mão, que as fazem parecer tão reais, é o resultado das condições de luz em que o espectador vê a peça. É uma excelente obra de arte visual, porque realiza dois dos principais objetivos da arte: é fascinante e instigante.


Maurits Cornelis Escher 

Maurits Cornelis Escher (17 de Junho de 1898 – 27 de Março de 1972) foi um artista gráfico holandês conhecido pelas suas xilogravuras, litografias e meios-tons (mezzotints), que tendem a representar construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e as metamorfoses - padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente em formas completamente diferentes. Ele também era conhecido pela execução de transformações geométricas (isometrias) nas suas obras. Uma das principais contribuições da obra deste artista está em sua capacidade de gerar imagens com efeitos de ilusões de óptica. Escher brincava com o fato de ter que representar o espaço, que é tridimensional, num plano bidimensional, como a folha de papel. Com isto ele criava figuras impossíveis, representações distorcidas e paradoxais. Posteriormente foi considerado um grande matemático geométrico. Escher utilizou quatro tipos de transformações geométricas que são: translações, rotações, reflexões e reflexões deslizantes. Como artista, conquistou a fama apenas em 1953, quando teve sua obra divulgada em uma revista americana. Seus trabalhos representam construções impossíveis e geometria infinita que se alternam e transformam em formas diferentes na mesma imagem. Escher deixou sua contribuição particular para o mundo e aos amantes da arte, sendo, atualmente, um dos artistas mais conhecidos do grande público. 

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terça-feira, 2 de junho de 2015

Gravuras: o que são, os tipos e exemplos

Edvard Munch – The Kiss – 1902 – xilogravura - 47 × 77 cm – The Munch Museum


Gravuras: o que são, os tipos e exemplos


Jost Amman - Block Cutter at Work – 1568 - xilogravura


Gravura é uma imagem obtida através da impressão a partir de uma matriz artesanal. A gravura é um múltiplo. As gravuras têm valor artístico por serem totalmente originais e realizadas artesanalmente. Foram realizadas por grandes artistas desde o final do século XV. O material da matriz é o que classifica o tipo da gravura. O resultado das técnicas de impressão é a transferência da imagem da matriz para outro tipo de suporte, como papel ou tecido. Cada gravura é numerada e assinada uma a uma, compondo uma edição restrita.


Rhinoceros - Albrecht Durer – 1515 – xilogravura - British Museum, London


Cada gravura é única em si e é uma obra original assinada. O fato de haver várias unidades da mesma imagem, nada tem a ver com a questão de sua originalidade. Ao contrário disso, a arte da gravura está justamente na perícia da reprodução da imagem e na fidelidade entre as unidades, por ser um processo totalmente artesanal.
Além do trabalho do artista, há também o do impressor. É ele quem domina os segredos do processamento da matriz e da sua reprodução fiel. Há artistas impressores também, mas em geral, a gravura é fruto de um trabalho em conjunto do artista e do impressor.


Rembrandt - The three trees – 1643 - gravura a água forte


As gravuras são assinadas, numeradas e datadas pelo próprio artista. Em geral a numeração aparece no rodapé da gravura, da seguinte forma: 1/100, por exemplo, indicando o número do exemplar (1) e quantas cópias foram produzidas daquela imagem (100). Grandes edições não chegam a 300 cópias, mas em geral o número é muito menor, devido ao desgaste da matriz durante a tiragem. Quanto menor for o numero do exemplar, mais valorizada é a gravura, pois as primeiras a serem feitas sairam de uma matriz menos desgastada. Muitas vezes as 2 ou 3 primeiras são reservadas para o artista, recebendo a sigla P.A. (Prova do Artista).



Esquerda:  Francisco Goya y Lucientes – “Que sacrificio!” – água forte e aquatinta
Direita:  Francisco Goya y Lucientes – “El si pronuncian y la mano alargan Al primero que llega” -  água forte e aquatinta

A matriz da gravura recebe um processo de incisão (riscos ou gravações na superfície) formando assim um alto ou baixo relevo, onde a tinta será espalhada, obtendo-se assim dois possíveis tipos de gravura: em encavo (o sulco recebe a tinta e aparece como positivo no trabalho final) ou em relevo (a superfície em alto relevo é que recebe a tinta, e o sulco aparece em negativo, sem a presença da tinta).
São considerados precursores da gravura os artistas dos séculos XV a XVIII (até 1830) que iniciaram a arte da gravura dentro da tradição ocidental. As principais técnicas utilizadas nesse período foram a xilogravura, a gravura em metal e água-forte. Raramente as gravuras eram feitas em papel, mas sim em tecido. Muitos artistas europeus como Albrecht Dürer, Rembrandt e Francisco Goya trabalharam com gravura. A fama internacional desses artistas, na época em que viveram, veio principalmente de suas gravuras, que eram mais populares que suas pinturas. Hoje em dia acontece o oposto: museus e galerias popularizaram suas pinturas enquanto as gravuras, por razões de conservação, são raramente exibidas.


Palácio de São Cristóvão, residencia dos Imperadores do Brasil - Jean-Baptiste Debret – século XIX – litogravura


Na atualidade em que a tecnologia é usada para tudo, a gravura resgata o bom gosto pelo trabalho artístico, feito manualmente, sem mecanização e em um processo milenar. A gravura é uma forma acessível de ter adquirir uma obra original de um grande artista.


M. C. Escher – Tower of Babel – 1928 – xilogravura - 62.1 cm × 38.6 cm 


Tipos de gravura:


The Great Wave off Kanagawa - Katsushika Hokusai - c. 1829–32 – xilogravura colorida - 25.7 cm × 37.8 cm

Xilogravura:

A Xilogravura é a técnica mais antiga para produzir gravuras, e seus princípios são muito simples. O artista retira de uma superfície plana de madeira (a matriz), com o auxílio de ferramentas de corte e entalhe (goivas) as partes que ele não quer que tenham cor na gravura. Após aplicar tinta na superfície, coloca um papel sobre a mesma. Ao aplicar pressão (com uma prensa) sobre essa folha a imagem é transferida para o papel. No fim do século XV, a xilogravura começou a ser usada em ilustrações para livros (iluminuras) e para cartas de baralhos.


Oswaldo Goeldi – Chuva – c. 1957 - xilogravura a cores - 22 x 29,5 cm - Coleção Frederico Mendes de Moraes


J.Borges - Cordel - O casado namorador - Xilogravura - 50x65

Linoleogravura:

Esta técnica assemelha-se ao entalhe da Xilogravura, no entanto, ao invés de madeira, a matriz é de material sintético - placas de borracha, chamadas "linóleo". Esta técnica é mais recente do que a Xilogravura devido ao material de sua matriz, e foi muito utilizada pelos artistas modernos, como Picasso por exemplo.


Pablo Picasso - Still Life under the Lamp – 1962 – linoleogravura © Estate of the artist


Gravura em metal:

A técnica da Gravura em metal começou a ser utilizada na Europa no século XV. As matrizes podem ser feitas a partir de placas de cobre, zinco, alumínio ou latão. Estas são gravadas com incisão direta ou pelo uso de banhos de ácido. Água-forte, água-tinta, ponta seca são as técnicas mais usuais. A matriz recebe a tinta e uma prensa é utilizada para transferir a imagem para o papel.
A gravura em metal era parte da arte do ourives por toda a Idade Média e a ideia de imprimir a gravura em metal no papel veio da possibilidade de usá-la como meio de registrar os desenhos que eram vendidos. A gravura em metal é uma das mais antigas técnicas de gravura. Existem obras nesta técnica datadas de 1500, produzidas por vários gênios da Renascença, como o alemão Albrecht Dürer.

Edward Hopper - Night on the El Train – 1918 – gravura em metal 


Uma maneira de fazer uma gravura em metal é com ferramentas, como a ponta seca, um instrumento de metal semelhante a uma grande agulha que serve de "caneta ou lápis". A ponta seca risca a chapa, que tem a superfície polida, e esses traços formam sulcos, micro concavidades, de modo a reterem a tinta, que será transferida por meio de uma grande pressão, ao passar por uma prensa de cilindro conhecida como prensa calcográfica, imprimindo assim, a imagem no papel. A impressão da imagem gravada em encavo baseia-se na retirada da tinta que se encontra nos sulcos gravados, o que exige uma considerável pressão mecânica e portanto equipamento adequado, que difere do tipográfico ou da impressão manual, empregada na xilogravura. Além de ferir a chapa de cobre com a ponta seca, obtendo o desenho, a chapa também pode receber outras ferramentas diretas, como o buril e o roulette.


Evandro Carlos Jardim - A tarde a sombra – 1976 - água-forte e água-tinta - 29,1 X 42,8


Outras maneiras de fazer gravura em metal são água-forte e água-tinta , os produtos químicos conhecidos por mordentes (ácido nítrico , percloreto de ferro etc.) que atacam as áreas da matriz que não foram isoladas com verniz, criando assim outro tipo de concavidades, e consequentemente, efeitos visuais. Desta forma, o artista obtém gradações de tom e uma infinidade de texturas visuais. Consegue-se uma gama de tons que vai do mais claro, até o mais profundo escuro. Estes procedimentos podem ser usados em conjunto.


M. C. Escher – Hand with Reflecting Sphere - 1935 – litogravura - 31.8 cm × 21.3 cm 

Litografia ou litogravura:

A técnica da Litografia parte do princípio químico que água e gordura se repelem. As imagens são desenhadas com material gorduroso sobre pedra calcária e com a aplicação de ácido sobre a mesma, a imagem é gravada. Assim como a gravura em metal, essa técnica também necessita de uma prensa para transferir para o papel a imagem gravada na pedra.


Roy Lichtenstein - Girl with Hair Ribbon – 1965 – litogravura


Ao contrário das outras técnicas da gravura, a Litografia é planográfica, ou seja, o desenho é feito através do acúmulo de gordura sobre a superfície da matriz, e não através de fendas e sulcos na matriz, como na xilogravura e na gravura em metal.


Henri de Toulouse-Lautrec  - Jane Avril – 1893 - litogravura impressa em 5 cores - 129.1 x 93.5 cm


A Litografia foi usada extensivamente nos primórdios da imprensa moderna no século XIX para impressão de toda sorte de documentos, rótulos, cartazes, mapas, jornais, dentre outros, além de possibilitar uma nova técnica expressiva para os artistas. Pode ser impressa em plástico, madeira, tecido e papel. Sabe-se que o primeiro pintor que utilizou com sucesso a técnica de litografia foi Goya, em sua série Touradas, de 1825. Este técnica atingiu seu apogeu nas últimas décadas do século XIX, quando diversos autores franceses como Gustave Doré, Renoir, Cézanne, Toulouse-Lautrec, Bonnard, dentre outros, promoveram uma renovação da litografia a cores.


Henri de Toulouse Lautrec - La Vache Enragee – 1930 - litogravura


A técnica da litografia pode ser dividida em quatro etapas básicas: Limpeza da matriz, para apagar a imagem anterior desenhada na pedra, para que não haja interferências no seu desenho original. A segunda etapa é desenhar sobre a pedra com materiais ricos em gordura, mas antes é necessário traçar uma margem de tamanho variado, com goma arábica. Uma vez a goma espalhada na pedra, a área atingida não receberá gordura. Aqui a criatividade do artista atua, além dos métodos tradicionais de desenho sobre pedra, pode-se usar lâminas e pontas-secas para adicionar textura, marcas com papel carbono, aguada, entre outros. A terceira etapa é o entintamento, em processos que fixam a gordura na superfície da pedra, evitando que esta se espalhe pelas áreas brancas, descaracterizando o desenho. A última etapa é a impressão, as primeiras tentativas são consideradas testes. A espessura da pedra deve ser de pelo menos 5 centímetros, para evitar rachaduras. O papel é colocado sobre a pedra, de maneira alinhada. Usa-se uma prensa manual própria para a litografia que exerce forte pressão.


Alphonse Mücha – Job – 1896 – litogravura



Alphonse Mücha - F. Champenois Imprimeur-Éditeur – 1897 –litogravura


Serigrafia:

A Serigrafia começa a ser aplicada mais frequentemente por artistas na segunda metade do século XX. Como as técnicas descritas acima, também a serigrafia apresenta diversas técnicas de gravação de imagem. Uma delas é a gravação por processo fotográfico. Imagens são gravadas na tela de poliéster e com a utilização manual de um rodo com a tinta a imagem é transferida para o papel.


Victor Vasarely – Sem Título – serigrafia – 95,2 x 98,5 cm


Serigrafia ou silk-screen é um processo de impressão no qual a tinta é vazada, pela pressão de um rodo ou puxador, através de uma tela preparada. A tela (Matriz serigráfica), normalmente de poliéster ou nylon, é esticada em um bastidor (quadro) de madeira, alumínio ou aço. A "gravação" da tela se dá pelo processo de fotossensibilidade, onde a matriz preparada com uma emulsão fotossensível é colocada sobre um fotolito, sendo este conjunto matriz+fotolito colocados por sua vez sobre uma mesa de luz. Os pontos escuros do fotolito correspondem aos locais que ficarão vazados na tela, permitindo a passagem da tinta pela trama do tecido, e os pontos claros (onde a luz passará pelo fotolito atingindo a emulsão) são impermeabilizados pelo endurecimento da emulsão fotossensível que foi exposta a luz.


Carlos Scliar - Carlos Gomes – serigrafia


É utilizada na impressão em variados tipos de materiais (papel, plástico, borracha, madeira, vidro, tecido, etc.), superfícies (cilíndrica, esférica, irregular, clara, escura, opaca, brilhante, etc.), espessuras ou tamanhos, com diversos tipos de tintas ou cores.

Rubens Gerchman - Beijo X - Serigrafia - 65x90


Alguns artistas iniciaram um importante trabalho de transformar um meio mecânico, cujas qualidades gráficas se limitavam às impressões comerciais, numa importante ferramenta para desenvolver seus estilos pessoais. O sentido desse esforço inicial estendeu-se aos artistas dos anos 1950, incluindo os expressionistas abstratos e os action painters, como Jackson Pollock. Foram ressaltados, entre outros, dois pontos básicos da técnica: sua extrema adaptabilidade que permite a aplicação sobre qualquer superfície inclusive tridimensional, muito conveniente para certas tendências artísticas e suas especificidades gráficas próprias, ou seja características gráficas que apenas a serigrafia pode proporcionar.

Carybé - Os Acrobatas - Serigrafia - 70x100


Da necessidade de artistas como Rauschemberg, Rosenquist, Warhol, Lichtenstein, Vasarely, houve o desenvolvimento contemporâneo do processo em aplicações artísticas. Novos conceitos foram associados às idéias tradicionais e o estigma "comercial" da serigrafia tornou-se uma questão ultrapassada.


Yutaka Toyota - Sem título - Serigrafia - 30x30


Monotipia:

É uma técnica de gravura em que se faz apenas uma impressão, portanto não é um múltiplo, mas sim uma obra única. Esse blog possui um artigo sobre monotipia. Clique sobre o link abaixo para abrir:



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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014 - A história da obra de arte: Henri de Toulouse–Lautrec - "The Seated Clowness (Mademoiselle Cha–u–Kao)" – 24 de Novembro de 2014

Henri de Toulouse–Lautrec - "The Seated Clowness (Mademoiselle Cha–u–Kao)" – 1896 - Litografia impressa em cinco cores sobre papel - 51.9 x 40 cm

Retrospectiva 2014 - A história da obra de arte: Henri de Toulouse–Lautrec - "The Seated Clowness (Mademoiselle Cha–u–Kao)" – 24 de Novembro de 2014

Veja mais obras relacionadas e texto em:



domingo, 28 de dezembro de 2014

Retrospectiva 2014 - Monotipia, uma arte única - 12 de Julho de 2014

                      Marc Chagall - Le Cheval Rose - 1965 - monotipia em papel japonês

Retrospectiva 2014 - Monotipia, uma arte única - 12 de Julho de 2014

Veja muitas fotos, texto explicando a técnica de monotipia e vídeo em:

http://designmuitomais.blogspot.com.br/2014/07/monotipia-uma-arte-unica.html