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sábado, 10 de junho de 2017

A história do retrato de Henri Matisse por André Derain

André Derain – “Henri Matisse”, 1905 – óleo sobre tela – 46 x 34,9 cm – Tate Modern, London, UK


A história do retrato de Henri Matisse por André Derain


Este retrato pode ter sido o exposto no Salon d'Automne em outubro-novembro de 1905 como 'Portrait'. Ele foi feito durante um feriado no porto de pesca de Collioure, no sul da França, no verão de 1905, quando Henri Matisse e Derain pintaram retratos uns dos outros. Durante esta viagem, Derain também pintou uma pequena tela de Matisse sentado com os pés descalços numa mesa na praia.


André Derain – Portrait of Henri Matisse, c. 1905 – óleo sobre tela – 33 x 41 cm – Philadelphia Museum of Art, PA, USA

Esta pintura é um dos três retratos de Matisse feitos por Derain, que são a representação de um artista mais jovem de seu mentor mais velho, e também um souvenir do verão, quando eles influenciaram o trabalho um do outro. Matisse é visto através de uma porta, sentado em uma mesa dobrável junto ao mar. Descalço, com as calças enroladas acima dos tornozelos, ele senta-se numa cadeira de praia frágil. As pinceladas espessas de pigmento saturado transformam pontos delicados do Pontilhismo em um estilo ousado de pinceladas individuais colocadas lado a lado ou uma acima da outra. O resultado é um padrão semelhante a um mosaico e um esquema rítmico de cores primárias que mantêm a frescura de um esboço rápido enquanto captura vividamente a configuração onde Matisse e Derain trabalhavam.


Matisse conheceu Derain em 1900 e, no outono de 1904, quando Derain acabava de voltar de seu serviço militar, o ajudou a persuadir seus pais a não o fazer desistir de sua carreira como pintor. Na primavera de 1905, Derain juntou-se aos Matisses quando foram para o sul em Collioure. Foi lá que os dois artistas fizeran suas primeiras pinturas Fauve puras e características. Em contraste com a estância balneária de Saint Tropez, onde Matisse tinha passado férias e pintado em 1904, Collioure em 1905, era uma cidade portuária e uma autêntica vila de pescadores em declínio. Os guias de turismo da época, enfatizavam a luz e a cor de Collioure como suas atrações mais famosas, e as cartas de Derain para seus amigos em Paris registram que a representação da luz e da sombra era um tema muito discutido pelos dois artistas.

Sob a influência de Matisse, Derain começou a usar cores fortes e não naturalistas, aplicadas em pequenas pinceladas separadas, para transmitir as sensações de luz e sombra. O uso radical de cor deles levou os críticos os descreverem como ‘fauvistas’ ou feras, e ‘fauvismo’ tornou-se um importante paralelo à ascensão do expressionismo na Alemanha. O grupo Les Fauves (os animais selvagens) enfatizava a cor brilhante e os contornos. Outros artistas do Fauvismo foram Georges Braque, Raoul Dufy, Georges Rouault e Maurice de Vlaminck.


André Derain (Île-de-France, 10 de junho de 1880 - Île-de-France, 8 de setembro de 1954) começou a estudar por conta própria. Em 1898, ele estudava engenharia e também pintura com Eugène Carrière. Em 1900 ele conheceu e dividiu um estúdio com Maurice de Vlaminck, mas isso foi interrompido pelo serviço militar até 1904. Então ele passou um período com Henri Matisse no sul da França e depois frequentou a Académie Julian em Paris.

Em março de 1906, o conhecido comerciante de arte Ambroise Vollard enviou Derain para Londres para produzir uma série de pinturas com a cidade como tema. Em 30 pinturas (29 das quais ainda existem), Derain apresentou um retrato de Londres que era radicalmente diferente de qualquer coisa feita por pintores anteriores da cidade, como Whistler ou Monet. Com cores e composições corajosas, Derain pintou várias imagens do Tamisa e da Tower Bridge. Essas pinturas de Londres permanecem entre suas obras mais populares. Em 1907 Derain se mudou para Montmartre para estar perto de seu amigo Pablo Picasso e de outros artistas notáveis. Em Montmartre, ele começou a mudar a paleta Fauvista brilhante para tons mais silenciosos, mostrando a influência do cubismo e de Paul Cézanne. Por volta de 1911, o trabalho de Derain começou a refletir seu estudo dos Antigos Mestres. Ele foi convocado pelo exército durante a Primeira Guerra Mundial. Após a guerra, Derain ganhou nova aclamação como líder do classicismo renovado, então ascendente. Com a loucura de seus anos Fauve muito atrás, ele foi admirado como um defensor da tradição.


Henri Matisse - Portrait of André Derain, 1905 - óleo sobre tela - 29 x 39,5 cm - Tate Modern, London, UK


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sábado, 3 de junho de 2017

Análise da pintura de Raoul Dufy - Regatta at Cowes

Raoul Dufy - Regatta at Cowes, 1934 – óleo sobre linho - 81.6 x 100.3 cm - National Gallery of Art, Washington, D.C., USA


Análise da pintura de Raoul Dufy - Regatta at Cowes


A pintura mais famosa de Raoul Dufy, "Regatta at Cowes", é conhecida pela sua colorida representação de uma corrida de barcos ao longo da Riviera Francesa. Dufy pintou esta obra-prima quando ele se hospedou em um resort famoso na Ilha de Wight, Inglaterra, local de regatas internacionais. Nesta ocasião, ele testemunhou muitos iates pequenos se preparando para a corrida. Este espetáculo inspirou Dufy a usar suas pinceladas brilhantes e criar essa maravilhosa pintura.

Dufy pintou os iates organizados aleatoriamente, possivelmente vibrando na brisa leve, capturando a energia e o romantismo do ambiente do mar. Esta pintura imensamente colorida retrata a busca da alegria desenfreada, o entusiasmo e a interpretação emocional de Dufy, sem fazer uma afirmação social. Depois de realizar essa pintura, Dufy passou a explorar mais rios, como Deauville e Trouville, onde ele retratou seus barcos chiques. "Regatta at Cowes" continua a encantar os amantes da arte por seu fervor, luminosidade e entusiasmo, e é um marco intemporal e importante para o Fauvismo.


Raoul Dufy (03 de junho de 1877 - 23 de março de 1953) foi um pintor fauvista francês. Ele também era um desenhista, gravador, ilustrador de livros, designer cênico, designer de móveis, e planejador de espaços públicos. A partir de 1905, Dufy entendeu que o Impressionismo era uma coisa do passado e que a pintura estava agora se voltando para uma transcrição de "a imaginação introduzida no desenho e cor". O grupo Les Fauves (os animais selvagens) enfatizava a cor brilhante e os contornos. A pintura de Dufy refletiu essa estética até cerca de 1909, quando o contato com a obra de Paul Cézanne o levou a adotar uma técnica um pouco mais sutil.

A cor era mais importante para Dufy, do que as formas. Ele se concentrou em relações de cores e na composição da arte como um todo, idealizando um sistema que permitiu representar a essência de um espaço sem registrar a cor local. A pintura tradicional tenta criar espaço tridimensional em uma superfície plana, no entanto Dufy usou sua própria fórmula de composição para expressar ritmos visuais através de uma superfície plana bidimensional com profundidade limitada. Os óleos e aquarelas alegres de Dufy retratam acontecimentos da época, incluindo cenas de iates, vistas da Riviera Francesa, festas chiques e eventos musicais. A natureza otimista, da moda, decorativa e ilustrativa de grande parte de seu trabalho fez com que sua produção fosse menos valorizada do que as obras de artistas que abordaram criticamente uma ampla gama de preocupações sociais.


Esse blog possui mais um artigo sobre Raoul Dufy. Clique sobre esse link para ver:



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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Kees van Dongen, sua arte e sua história

Kees van Dongen – The Corn Poppy, c. 1919 – óleo sobre tela – 54.6 × 45.7 cm – The Museum of Fine Arts, Houston, USA


Kees van Dongen, sua arte e sua história

"A pintura é a mais bela das mentiras" - Kees van Dongen


Kees van Dongen – The Acrobat, 1905 – óleo sobre madeira – 78,4 x 51,3 cm – coleção particular


Kees (Cornelis Theodorus Maria) van Dongen (Delfshaven, Rotterdam, Holanda, 26 de Janeiro de 1877 – Monte Carlo, Mônaco, 28 de Maio de 1968) foi um pintor fauvista que ganhou notoriedade por seus retratos sensuais e extravagantes.


Kees van Dongen – Hat with Cherries, 1905 – óleo sobre tela – 65 x 54,5 cm – coleção particular


Kees van Dongen – In front of the Mirror, 1908 – óleo sobre tela – 205,7 x 165,1 cm – coleção particular


Kees van Dongen começou seus estudos na Academia Real de Belas Artes de Rotterdam. Durante este período (1892-97), Van Dongen frequentou a zona portuária da cidade, onde ele desenhava cenas de marinheiros e prostitutas. Van Dongen se mudou Paris em 1899. No verão de 1914, ele levou a esposa e a filha para Rotterdam para visitar sua família e por causa da Primeira Guerra Mundial, permaneceu lá até 1918, retornando então para Paris.


Kees van Dongen – La Parisienne, 1910 – óleo sobre tela – 61,9 x 50,8 cm – Virginia Museum of Fine Arts, Richmond, VA, USA


Kees van Dongen – Woman with Blue Hat, c. 1910-1912 – óleo sobre tela – 100,5 x 81 cm – coleção particular


Van Dongen começou a expor em Paris e participou na controvertida exposição Salon d'Automne de 1905, juntamente com Henri Matisse, André Derain, Albert Marquet, Maurice de Vlaminck, Charles Camoin e Jean Puy. Por causa das cores brilhantes que esse grupo usava para pintar, foram chamados de Fauves ("Feras Selvagens"). Van Dongen também foi brevemente um membro do grupo expressionista alemão Die Brücke (A Ponte). Nesses anos, ele fez parte de uma onda vanguardista de pintores, entre os quais Maurice de Vlaminck, Henri Rousseau, Robert Delaunay, Albert Marquet, Édouard Vuillard, que aspiravam a uma renovação da pintura que julgavam estar presa no neoimpressionismo. Em 1906, Van Dongen mudou-se para Montmartre, onde era amigo do círculo que cercava Pablo Picasso e sua namorada Fernande Olivier.


Kees van Dongen – Café Florian, Venice, 1921 – óleo sobre tela – 92,2 x 73,2 cm – coleção particular


Kees van Dongen – The Beach at Deauville, 1945-55 – óleo sobre tela – 50,5 x 65,5 cm – The Metropolitan Museum of Art, New York, USA


Após a Primeira Guerra Mundial, Van Dongen desenvolveu as cores exuberantes de seu estilo Fauvista. Isso lhe rendeu uma sólida reputação com a burguesia francesa e a classe alta, onde estava na moda, por seus retratos. Com um cinismo brincalhão, ele comentou sua popularidade como retratista com as mulheres da alta sociedade: "O essencial é alongar as mulheres e, especialmente, torná-las magras, depois disso só resta aumentar suas joias. Elas ficam arrebatadas”.


Kees van Dongen - Le sphinx (La femme aux chrysanthèmes), 1920 – óleo sobre tela - 146 x 113 cm - Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris


Kees van Dongen – Driving in the Woods – óleo sobre tela – 54 x 65 cm – coleção particular


O uso de cor não misturada por Van Dongen reflete sua associação com o fauvismo e o expressionismo, dois movimentos artísticos em Paris caracterizados pelo uso corajoso, às vezes violento da cor. Pintadas com uma certa estilização, as modelos de Van Dongen muitas vezes se assemelham umas às outras, com seus grandes olhos enegrecidos e tons de pele branca e pálida.


Kees van Dongen – At the Racetrack, 1950´s – óleo sobre tela – The Metropolitan Museum of Art, New York, USA


Em 1926, foi nomeado Cavaleiro da Legião de Honra Francesa e, em 1927, recebeu a Ordem da Coroa da Bélgica, em reconhecimento pelas suas contribuições à arte. Em 1929, o governo francês concedeu-lhe a cidadania. Em 1959 Kees van Dongen foi morar em Mônaco. Faleceu em sua casa em Monte Carlo em 1968. Uma coleção extensiva do trabalho de Van Dongen está no acervo do New National Museum of Monaco. 


Kees van Dongen – Maria, 1907-1910 – óleo sobre tela – 64.8 x 54.3 cm - The Metropolitan Museum of Art, New York, USA


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