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quarta-feira, 23 de maio de 2018

A história da escultura de François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”

François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”, 1833 – mármore – 82 x 88 x 48 cm – Musée du Louvre, Paris, França


A história da escultura de François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga” (Young Neapolitan Fisherboy Playing with a Tortoise)


Embora reminiscente de escultura antiga, essa obra foi imbuída de uma sensação inédita de liberdade e frescor. Este jovem pescador com bom humor contagiante é um marco na história da arte. François rude abalou os alicerces do classicismo convencional pela ingenuidade de seu tema e sua representação não-idealizada da natureza. A graça do menino garantiu, sem dúvida, o sucesso dessa obra.

Esse garoto alegre, brincando com uma tartaruga mantida em cativeiro, causou uma polêmica acalorada no Salão de 1833. Pela primeira vez, um artista havia esculpido em mármore uma figura pitoresca, um assunto anedótico, em tamanho natural. Isso marcou uma ruptura completa com a ideologia clássica, segundo a qual as cenas de gênero eram consideradas indignas de arte estatuária, especialmente em um meio tão nobre quanto o mármore. O tema e o estilo de Rude também contradiziam os cânones clássicos.


François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”, 1833 – mármore – 82 x 88 x 48 cm – Musée du Louvre, Paris, França


A tradição de representar crianças brincando existia na escultura helenística, mas Rude enfatizou o aspecto popular e vivo de sua representação. A criança sentada na rede é um jovem pescador, cujo chapéu e escapulário (o objeto devocional em volta do pescoço) mostram que ele é de Nápoles. Sua atitude é despreocupada e todo o seu rosto (olhos enrugados, covinhas, boca aberta) está rindo.

Por volta de 1807, figuras pitorescas de camponeses e pescadores tornaram-se a personificação da natureza simples e inocente para poetas e artistas, e o sul da Itália era considerado como seu último refúgio sobrevivente. Rude, que nunca havia visitado a Itália, pode ter se inspirado em cenas do folclore italiano do pintor suíço Léopold Robert (1794-1835).


François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”, 1833 – mármore – 82 x 88 x 48 cm – Musée du Louvre, Paris, França


François Rude (4 de janeiro de 1784 - 3 de novembro de 1855) foi um escultor francês. Nascido em Dijon, ele trabalhou com seu pai como serralheiro até os 16 anos, mas recebeu treinamento em desenho de François Devosges, com quem ele aprendeu que um contorno forte e simples era um ingrediente inestimável nas artes plásticas. Depois ele morou em Paris e em Bruxelas, retornando a Paris onde permaneceu e se notabilizou. Seu grande sucesso data de 1833, quando recebeu a cruz da Legião de Honra por sua escultura do Garoto Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga (agora no Louvre), que também trouxe para ele a importante encomenda de todo o ornamento do friso escultural e de um grupo no Arco do Triunfo, em Paris. Este grupo, Départ des Volontaires de 1792 (Partida dos Voluntários de 1792), também conhecido como La Marseillaise, é uma obra cheia de energia que imortalizou o nome de Rude.


François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”, 1833 – mármore – 82 x 88 x 48 cm – Musée du Louvre, Paris, França


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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A história da escultura "The Winged Victory of Samothrace"

"The Winged Victory of Samothrace" ("A Vitória Alada de Samotrácia", também chamada de "Nike of Samothrace"), c. 200 – 190 A.C. – mármore de Paros – 244 cm – Louvre Museum, Paris


A história da escultura "The Winged Victory of Samothrace"





The Winged Victory of Samothrace é uma escultura helenística de mármore que representa Nike, a deusa grega da vitória, criada provavelmente no século II A.C. por um escultor não identificado, e é uma das mais famosas esculturas do mundo. Apenas um pequeno número de grandes estátuas helenísticas sobrevive no original, em vez de cópias romanas. Este monumento foi provavelmente um ex-voto oferecido pelo povo de Rodes em comemoração de uma vitória naval no início do segundo século A.C. O mármore de Paros é um material altamente apreciado pela brancura, fineza e semi-transparência. Foi explorado nas pedreiras daquela ilha grega para ser utilizado na construção de edifícios públicos e templos, e na confecção de esculturas pelos gregos da era clássica.




Este monumento excepcional foi descoberto em 1863 na pequena ilha de Samotrácia, no noroeste do mar Egeu que na época era parte do Império Otomano. Foi descoberta por Charles Champoiseau, vice-cônsul francês em Adrianople, Turquia. A deusa da Vitória (Nike, em grego) é mostrada na forma de uma mulher alada de pé na proa de um navio, enfrentando o forte vento que sopra através de suas roupas. Com a mão direita em concha em torno de sua boca, ela anunciava o evento que ela foi designada a comemorar. O colossal trabalho foi colocado em um nicho de pedra que havia sido cavado em uma colina, com vista para o teatro do Santuário dos Grandes Deuses. Este nicho também pode ter contido uma piscina cheia de água em que o navio parecia flutuar. Dada a sua colocação, o trabalho deveria ser visto do lado esquerdo frontal. Isso explica a disparidade na técnica de escultura, sendo o lado direito do corpo muito menos detalhado. A apresentação altamente teatral, combinada com a monumentalidade da deusa, sua ampla envergadura e o vigor de seu corpo, inclinado para a frente, reforçam a dramaticidade da cena.




O santuário de Samotrácia era consagrado aos Cabeiri, deuses da fertilidade, cuja ajuda foi invocada para proteger os navegadores e para conceder a vitória na guerra. A oferta de uma estátua de Nike empoleirada em um navio era um ato religioso em homenagem a esses deuses. Também é possível que este monumento tenha sido dedicado pelo povo de Rodes à comemoração de uma vitória naval específica. O tipo de navio representado e o mármore cinzento usado para a proa e a base da estátua sugerem que esta é, de fato, uma criação de Rodes. Se for assim, o trabalho pode ser datado do século II A.C. Também há uma inscrição parcial na base da estátua que inclui a palavra "Rhodios".

Antes de perder os braços, que nunca foram recuperados, acredita-se que a mão direita de Nike ficava em concha em volta da boca para aumentar o grito de vitória. A asa direita da estátua é uma versão em gesso, simétrica da asa esquerda original. Tal como acontece com os braços, a cabeça da figura nunca foi encontrada, mas vários fragmentos já foram localizados. Em 1950, uma equipe de arqueólogos descobriu a mão direita desaparecida da escultura, e agora ela está em uma caixa de vidro no Museu do Louvre, ao lado do pódio em que está a estátua.




A figura cria um efeito em espiral em uma composição que se abre em várias direções. Isto é conseguido pelos ângulos oblíquos das asas e a colocação da perna esquerda, e enfatizado pela roupa que sopra entre as pernas da deusa. O corpo feminino nu é revelado pela transparência do drapeado molhado. O escultor foi extraordinariamente habilidoso na criação de efeitos visuais. Nike of Samothrace é vista como uma representação icônica do espírito triunfante.




Desde 1883, a figura de mármore está exposta no Museu do Louvre em Paris, sobre a escadaria Daru, enquanto uma réplica em gesso fica no museu que está no local original do Santuário dos Grandes Deuses em Samotrácia. Existem inúmeras cópias em museus e galerias ao redor do mundo.




Assista um vídeo sobre a restauração dessa escultura:





A atriz Audrey Hepburn em cena do filme Funny Face de 1957, em frente da escultura The Winged Victory of Samothrace, no Louvre em Paris


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sábado, 27 de maio de 2017

Análise da escultura de Antonio Canova – “Paolina Borghese Bonaparte as Venus Victrix”

Antonio Canova – Paolina Borghese Bonaparte as Venus Victrix, 1805-1808 – mármore branco – 160 x 192 cm - Galleria Borghese, Roma, Itália


Análise da escultura de Antonio Canova – “Paolina Borghese Bonaparte as Venus Victrix”




Maria Paola Buonaparte, mais conhecida como Paolina Bonaparte (Ajaccio, 20 de outubro de 1780 – Roma, 9 de junho de 1825) foi a primeira princesa reinante de Guastalla, uma princesa da França, e princesa consorte de Sulmona e Rossano. Era irmã de Napoleão Bonaparte. Esta escultura foi encomendada pelo segundo marido de Paolina, o príncipe italiano, Camillo Borghese, logo após seu casamento em 1804, uma união destinada a ajudar Napoleão a realizar seus sonhos de estabelecer uma dinastia pan-europeia e legitimar suas reivindicações ao Reino da Itália.


Robert Lefèvre – Portrait of Pauline Bonaparte, Princesse Borghese, 1806 – óleo sobre tela – 216 x 151 cm – Palace of Versailles, França


É uma escultura neoclássica seminua reclinada, em tamanho natural, reclinada em um sofá almofadado em uma pose de graça estudada. A modelagem do corpo nu é extraordinariamente realista, e o tratamento de Canova da superfície do mármore capta a textura macia da pele. A sua cabeça está levemente erguida, sugerindo que algo ou alguém de repente entrou em sua linha de visão. A maçã que ela segura em sua mão esquerda, a identifica como Vênus Vitoriosa, a deusa premiada com a Maçã Dourada da Discórdia no provável primeiro concurso de beleza na história da cultura ocidental. A história vem da mitologia grega. Paris, o príncipe de Tróia julgou Vênus como sendo mais bela do que suas rivais, Minerva e Juno. Em troca, Vênus o apresentou a uma garota grega chamada Helena. O Julgamento de Paris foi um dos eventos que levaram à Guerra de Tróia e à fundação de Roma.








Os retratos nus eram incomuns, pois os indivíduos da classe alta geralmente usavam panos colocados estrategicamente. Não se sabe se ela realmente posou nua para a escultura, uma vez que apenas a cabeça é um retrato bastante realista, enquanto o torso nu é uma forma feminina neoclássica idealizada. Quando perguntada como ela pôde posar para o escultor vestindo tão pouco, Paolina respondeu que havia um fogão no estúdio que a manteve aquecida, embora isso pode ter sido deliberadamente inventado por ela, para despertar o escândalo. Canova foi instruído inicialmente para retratar Paolina Bonaparte inteiramente vestida, como a deusa casta Diana, mas Paolina insistiu em Vênus. Ela tinha uma reputação de promiscuidade, e pode ter gostado da polêmica de posar nua. O tema da escultura também pode ter sido afetado pela ascendência mítica da família Borghese: eles rastrearam sua descendência até Vênus, através de seu filho Enéas, o fundador de Roma.







A sala em que a escultura está exposta na Galleria Borghese também tem uma pintura de teto retratando o julgamento, pintado por Domenico de Angelis em 1779 e inspirado por um relevo famoso na fachada da Villa Medici. A base drapejada, continha um mecanismo para girar a escultura, como em outras obras de Canova, para que os espectadores pudessem observá-la de todos os ângulos sem se mover.


Domenico de Angelis - Stories of Venus and Aeneas, 1779 - Venus and Adonis, Paris denying Minerva the apple and Paris offering the apple to Venus” - 1791-92 – Galleria Borghese, Roma, Itália


Antonio Canova (Possagno, 1 de novembro de 1757 — Veneza, 13 de outubro de 1822) foi um desenhista, pintor, antiquário e arquiteto italiano, mas é mais lembrado como escultor, desenvolvendo uma carreira longa e produtiva. Seu estilo foi fortemente inspirado na arte da Grécia Antiga. Suas obras foram comparadas por seus contemporâneos com a melhor produção da Antiguidade, e foi tido como o maior escultor europeu desde Bernini. Canova não teve discípulos regulares, porém influenciou a escultura de toda a Europa em sua geração, atraindo inclusive artistas dos Estados Unidos, permanecendo como uma referência ao longo de todo o século XIX especialmente entre os escultores do Academismo. Com a ascensão da estética modernista caiu no esquecimento, mas sua posição prestigiosa foi restabelecida a partir de meados do século XX. Também manteve um continuado interesse na pesquisa arqueológica, foi um colecionador de antiguidades e esforçou-se por evitar que o acervo de arte italiana, antiga ou moderna, fosse disperso por outras coleções do mundo. Considerado por seus contemporâneos um modelo tanto de excelência artística como de conduta pessoal, desenvolveu importante atividade beneficente e de apoio aos jovens artistas. Foi Diretor da Accademia di San Luca em Roma e Inspetor-Geral de Antiguidades e Belas Artes dos estados papais, recebeu diversas condecorações e foi nobilitado pelo papa Pio VII com a outorga do título de Marquês de Ischia.

A produção completa de Canova é extensa. De esculturas de grande porte deixou mais de 50 bustos, 40 estátuas e mais de uma dúzia de grupos, sem falar nos monumentos fúnebres e nos inúmeros modelos em argila e gesso para obras definitivas que ainda sobrevivem, alguns dos quais nunca transferidos para o mármore, sendo assim peças únicas, e nas obras menores como as placas e medalhões em relevo, as pinturas e os desenhos. Canova cultivou uma ampla gama de temas e motivos, que juntos formam um panorama quase completo das principais emoções e princípios morais positivos do ser humano.




Esse blog possui mais um artigo sobre Antonio Canova. Clique sobre esse link para ver:



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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A história de “As Três Graças” de Antonio Canova

Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - 173 x 97 x 75 cm - Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia


A história de “As Três Graças” de Antonio Canova


“As Três Graças” é uma escultura neoclássica, em mármore, das personagens mitológicas “Três Cárites”, filhas de Zeus. Em algumas gravuras da estátua, elas foram identificadas como (da esquerda para a direita) Euphrosyne, Aglaia e Thalia. Euphrosyne representa a alegria, Thalia, a juventude e beleza e Aglaia, a elegância. Na mitologia, as Graças atuavam em banquetes e reuniões, principalmente para entreter e encantar os convidados dos deuses. Elas sempre foram figuras atraentes para artistas históricos, incluindo Sandro Botticelli e Raphael. Ao contrário das composições das Graças derivadas da antiguidade, onde as figuras exteriores estão viradas para a frente e a figura central abraça suas companheiras, de costas, as figuras de Canova ficam lado a lado, e de frente umas para as outras.


Sandro Botticelli – Primavera, c. 1482 – têmpera sobre madeira – 202 x 314 cm - Uffizi Gallery, Florence

Esse blog possui um artigo sobre essa pintura de Botticelli que inclui as figuras das Três Graças. Para ver, clique sobre esse link:



Three Graces, Roma, Século II. D.C. – mármore - 123 x 100cm - Metropolitan Museum of Art, New York


Uma versão da escultura faz parte do acervo do Museu Hermitage na Russia, outra é uma propriedade conjunta dos museus Victoria and Albert Museum de Londres e das Galerias Nacionais da Escócia, onde são exibidas rotativamente.

A primeira versão foi feita para a Imperatriz Josephine, a ex-esposa de Napoleão Bonaparte. Quando ela faleceu em Maio de 1814, seu filho Eugène a herdou e seu neto Maximilian a trouxe para St. Petersburg, onde agora está exposta no Museu Hermitage. Quando essa versão ainda estava no ateliê de Canova, John Russell, o 6° Duke de Bedford a viu e ficou muito impressionado com a obra. E quando a Imperatriz Josephine faleceu, ele se ofereceu para comprar a escultura. Como ela foi destinada ao filho de Josephine, o Duque encomendou uma segunda versão, que ficou pronta em 1817 e foi instalada na residência do Duque em Woburn Abbey. Canova viajou para a Inglaterra para supervisionar a sua instalação, escolhendo que ela fosse exibida em um pedestal adaptado em um rodapé de mármore, rotativo. Esta versão é agora propriedade conjunta do Victoria and Albert Museum e das Galerias Nacionais da Escócia.


Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - 173 x 97 x 75 cm - Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia


A versão do Hermitage é esculpida em mármore com veios e tem um pilar quadrado por trás da figura da esquerda (Eufrosina). A versão Woburn Abbey é esculpida em mármore branco e tem um pilar redondo, e a figura central (Aglaia) tem uma cintura um pouco mais larga.


Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - Victoria and Albert Museum e Galerias Nacionais da Escócia


A peça foi esculpida de um único bloco de mármore branco. Os assistentes de Canova a iniciaram, deixando para Canova a concluir e moldar a pedra para destacar a carne macia das Graças. Esta era uma marca registrada do artista, e a peça mostra uma forte lealdade ao movimento neoclássico do qual Canova é um expoente privilegiado no campo da escultura. As linhas são requintadas, refinadas e elegantes. Canova tinha retratado as Graças, numa pintura de 1799, e também realizou outros desenhos e um relevo do tema, executados por ele na mesma época. Em 1810, ele modelou um esboço de terracota que está no Musée de Lyon, França. O modelo para o mármore esculpido para a Imperatriz, foi o grupo de gesso em tamanho real, que ainda existe no Museu Canova em Possagno, Itália.

Antonio Canova (Possagno, 1 de novembro de 1757 — Veneza, 13 de outubro de 1822) foi um desenhista, pintor, antiquário e arquiteto italiano, mas é mais lembrado como escultor, desenvolvendo uma carreira longa e produtiva. Seu estilo foi fortemente inspirado na arte da Grécia Antiga. Suas obras foram comparadas por seus contemporâneos com a melhor produção da Antiguidade, e foi tido como o maior escultor europeu desde Bernini.

Canova não teve discípulos regulares, porém influenciou a escultura de toda a Europa em sua geração, atraindo inclusive artistas dos Estados Unidos, permanecendo como uma referência ao longo de todo o século XIX especialmente entre os escultores do Academismo. Com a ascensão da estética modernista caiu no esquecimento, mas sua posição prestigiosa foi restabelecida a partir de meados do século XX. Também manteve um continuado interesse na pesquisa arqueológica, foi um colecionador de antiguidades e esforçou-se por evitar que o acervo de arte italiana, antiga ou moderna, fosse disperso por outras coleções do mundo. Considerado por seus contemporâneos um modelo tanto de excelência artística como de conduta pessoal, desenvolveu importante atividade beneficente e de apoio aos jovens artistas. Foi Diretor da Accademia di San Luca em Roma e Inspetor-Geral de Antiguidades e Belas Artes dos estados papais, recebeu diversas condecorações e foi nobilitado pelo papa Pio VII com a outorga do título de Marquês de Ischia.

A produção completa de Canova é extensa. De esculturas de grande porte deixou mais de 50 bustos, 40 estátuas e mais de uma dúzia de grupos, sem falar nos monumentos fúnebres e nos inúmeros modelos em argila e gesso para obras definitivas que ainda sobrevivem, alguns dos quais nunca transferidos para o mármore, sendo assim peças únicas, e nas obras menores como as placas e medalhões em relevo, as pinturas e os desenhos. Canova cultivou uma ampla gama de temas e motivos, que juntos formam um panorama quase completo das principais emoções e princípios morais positivos do ser humano. 


Antonio Canova - The Three Graces - detalhe


Esse blog possui mais um artigo sobre Antonio Canova. Clique sobre esse link para ver:

http://www.arteeblog.com/2017/05/analise-da-escultura-de-antonio-canova.html


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quarta-feira, 23 de março de 2016

A história de “Cupido Testando uma de Suas Flechas” de Jacques Saly

Jacques Saly - "Cupido Testando uma de Suas Flechas" (L’Amour Essayant une de ses Flèches) – 1753 – mármore – 97 x 46 cm - base esculpida por Jacques Verbeckt – Musée du Louvre, Paris


A história de “Cupido Testando uma de Suas Flechas” de Jacques Saly


Em 1753, o escultor Jacques Saly assinou e datou sua obra-prima, a estátua de mármore “Cupido Testando Uma de Suas Flechas”. A peça tinha sido encomendada um ano antes por Madame de Pompadour, amante do Rei Louis XV, e foi apresentada ao Rei em pessoa, em 11 de Agosto de 1753, antes de ser instalada no Salon de l'Académie no Louvre, para ser mostrada ao público durante um mês.




O Cupido segura uma flecha em sua mão direita e, com o dedo mínimo da mão esquerda na ponta desta arma cruel, ele imagina o mal que ele vai fazer. O próprio escultor comentou sobre o trabalho: "O Cupido que prende e mostra com um sorriso duas setas que ele pensa em disparar. As setas estão amarradas com uma fita em que está inscrito: “Duo tela unus amor”. Esta citação tirada de “As Metamorfoses” de Ovídio significa "duas setas, um amor". O poeta Ovídio descreve o Cupido tirando de sua aljava duas setas com efeitos opostos: uma flecha com uma ponta arrendondada para inspirar o ódio, e outra flecha com uma ponta afiada para inspirar amor. O Cupido de Saly testa a ponta afiada da única flecha que importa para a Marquesa de Pompadour: aquela que acendeu o fogo do amor.





Jacques Saly se tornou Escultor Real em 1750, quando se tornou um membro da Academia Real de Pintura e Escultura. Recomendado pelo renomado escultor Edme Bouchardon, Saly foi chamado para a Dinamarca em 1753, para trabalhar na estátua equestre de Frederick V e ajudar a estabelecer a Academia Real Dinamarquesa de Belas Artes de Copenhague. Ele não voltou para a França até 1774, dois anos antes de sua morte. Apesar de sua curta carreira artística na França, Saly recebeu uma série de encomendas de prestígio. Sua obra-prima permanece sendo Cupido Testando uma de Suas Flechas, que Madame de Pompadour apresentou em suas três residências favoritas: no Château de Crécy e no Château de Bellevue, nos arredores de Paris, e no Hôtel d'Evreux, futuro local do Palais de l'Elysée. Escondida da vista em coleções privadas por mais de dois séculos, a escultura de Cupido de Saly foi revelada ao público em 2002 para a exposição Madame de Pompadour e as Artes do Château de Versailles. Ela foi considerada como um "tesouro nacional" pelo Estado francês em 2006. Depois de 1794, a obra foi adquirida por um comerciante de grãos e ficou em uma família aliada de seus descendentes. As obras de Jacques Saly, são raras. O Musée du Louvre lançou uma campanha para aquisição da obra e esta vai entrar na coleção permanente do museu em 2016.




Uma obra-prima da arte francesa pela sua delicadeza de composição e virtuosismo dos mármores, a estátua também é excelente pelo pedestal que permaneceu com ela desde o início. Ele foi executado pelo grande escultor e ornamentalista Jacques Verberckt, que produziu suntuosos painéis de madeira para o Château de Versailles e o Château de Fontainebleau, e que também era amigo de Saly. Na verdade, é bastante notável que os dois Escultores Reais trabalharam juntos na mesma encomenda.




Para executar este trabalho de arte espetacular, Saly aplicou toda a sua perícia. Seu reaparecimento na França é uma oportunidade inesperada para fazer brilhar luz sobre o artista, um escultor altamente qualificado que era sensível à arte de seu tempo.




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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Análise de “O Pensador” de Auguste Rodin

Auguste Rodin – O Pensador – Musée Rodin



Análise de “O Pensador” de Auguste Rodin






O Pensador é uma escultura em bronze de Auguste Rodin, geralmente colocada sobre um pedestal de pedra. O trabalho mostra uma figura masculina nua. maior do que o tamanho real de um homem, sentado em uma pedra com o queixo apoiado em uma mão, como se imerso em seus pensamentos, e é frequentemente utilizado como uma imagem para representar a filosofia. Originalmente chamado de O Poeta, a peça era parte de uma encomenda do Museu de Arte Decorativa em Paris para criar um portal monumental baseado na Divina Comédia, de Dante Alighieri. Cada uma das estátuas no portal representava um dos personagens principais do poema épico.




Quando concebido em 1880 em seu tamanho original (aprox. 70 cm) como o elemento culminante de “As Portas do Inf rno”, O Pensador representava Dante, autor da Divina Comédia, inclinando-se para observar os círculos do Inf rno, enquanto meditava em seu trabalho. O Pensador foi, portanto, inicialmente, tanto um ser com um corpo torturado, quase uma alma condenada, e um homem de pensamento livre, decidido a ultrapassar o seu sofrimento através da poesia. 


Michelangelo - Lorenzo de Medici (O Pensador) – Capela Medici, San Lorenzo, Florença

A pose dessa figura deve muito a Ugolino de Carpeaux (1861) e ao retrato de Lorenzo de Médici esculpido por Michelangelo (1526-1531). Rodin queria uma figura heróica na tradição de Michelangelo, para representar o intelecto, bem como poesia. 




O Pensador foi exibido individualmente em 1888 e tornou-se assim um trabalho independente. Ampliado em 1904, sua versão colossal provou ser ainda mais popular: a imagem de um homem perdido em seus pensamentos, mas cujo corpo poderoso sugere uma grande capacidade de ação, tornou-se uma das esculturas mais célebres já conhecidas. Numerosas tiragens (fundições) existem em todo o mundo, incluindo a que está agora nos jardins do Museu Rodin, um presente para a cidade de Paris instalado fora do Panthéon, em 1906, e outra nos jardins da casa de Rodin em Meudon, sobre o túmulo do escultor e sua esposa. Mais de vinte cópias da escultura estão em museus em todo o mundo.


Auguste Rodin em seu estúdio em 1904


Em uma carreira que durou do final do século XIX até o início do século XX, Auguste Rodin (francês, 1840-1917) foi profundamente inspirado pela tradição mas também se rebelou  contra suas formas idealizadas, introduzindo práticas inovadoras que pavimentaram o caminho para a escultura moderna. Ele acreditava que a arte deve ser fiel à natureza, uma filosofia que moldou suas atitudes com modelos e materiais. Seu gênio era expressar verdades interiores da psique humana, e seu olhar penetrou sob a aparência externa do mundo. Explorando este reino sob a superfície, Rodin desenvolveu uma técnica ágil para representar os estados físicos extremos que correspondem a expressões de turbulência interna ou esmagadora alegria. Ele esculpiu um universo de grande paixão e tragédia, um mundo de imaginação que excedeu a realidade mundana da existência cotidiana. Ele usou diversos materiais como bronze, mármore, gesso e argila. As marcas do estilo de Rodin, como a figura parcial, seu foco nas qualidades formais e relacionamentos ao invés da estrutura narrativa, e seu desejo de manter as marcas do processo escultural em suas obras, foram revolucionárias em seu tempo. A intensidade evocativa de seus trabalhos foi seguida por muitos artistas, incluindo os que trabalharam em seu estúdio, como Constantin Brancusi (francês, nascido na Roménia, 1876-1957) e Aristide Maillol (francês, 1861-1944).

Fonte: Musée Auguste Rodin


Assista um vídeo raro de Auguste Rodin esculpindo em seu estúdio em Paris em 1915:





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terça-feira, 3 de novembro de 2015

A Fontana di Trevi, suas esculturas, sua história e curiosidades



A Fontana di Trevi, suas esculturas, sua história e curiosidades  


A Fontana di Trevi é a maior fonte barroca na cidade de Roma, Itália. Uma lenda tradicional afirma que se o visitante jogar uma moeda na fonte, ele retornará a Roma.




A Fonte de Trevi é uma fonte imponente que servia como uma terminação de um aqueduto romano antigo, de nome Virgo (Virgem), construído por Marcus Vipsanius Agripa cerca de 19 A. C. Agripa era genro e o general favorito do Imperador Otávio Augusto. O aqueduto tinha 21 km de comprimento, sendo 19 km no subsolo. O aqueduto foi construído por Agripa para abastecer os banhos termais que ele construiu no Campo de Marte, no Panteão. De acordo com o livro "De aquaductibus Romae commentarius", o aqueduto leva o nome de uma senhora virgem que os soldados romanos encontraram quando estavam com sede e cansados. Ela os levou a uma fonte de água. Essa fonte estava entre dois dos muitos caminhos que levam a Roma. E essa fonte ainda hoje alimenta o aqueduto, que foi danificado pela invasão dos ostrogodos em 537. Depois das invasões bárbaras a última parte do aqueduto foi abandonada.




A partir do começo do Renascimento, os Papas começaram a decorar o final dos aquedutos com grandes fontes ricamente decoradas. O Papa Pio IV encomendou a Jacopo Della Porta a construção de uma nova fonte e a restauração dos tubos até a fonte original antiga. O projeto foi concluído em 1570 por Pio V. A fonte estava na praça onde está hoje, mas tinha uma orientação diferente, de frente para o oeste. O Papa Urbano VIII decidiu alterar a orientação da fonte de modo que seria possível vê-la a partir do Palácio Papal no Monte Quirinal. O projeto foi desenhado por Bernini, mas nunca foi concluído devido à falta de fundos.




Muitas competições entre artistas e arquitetos tiveram lugar durante o Renascimento e o período Barroco para se redesenhar os edifícios, as fontes, e até mesmo a Scalinata di Piazza di Spagna (as escadarias da Praça de Espanha). Em 1730, o papa Clemente XII organizou uma nova competição na qual o projeto de Nicola Salvi venceu. Este começou em 1732 e foi concluído em 1762, quando o Oceano de Pietro Bracci foi afixado no nicho central da fonte. Salvi morrera alguns anos antes, em 1751, com seu trabalho ainda pela metade. A fonte foi concluída por Giuseppe Pannini, que substituiu as alegorias insossas, representando Agrippa e Trívia, pelas belas esculturas de Oceano e seu séquito.




Este cartão postal de Roma passou pela maior reforma em 252 anos. A restauração da Fontana di Trevi foi concluída e ela foi reativada em 3 de Novembro de 2015 e é a primeira de uma série de restaurações financiadas pela indústria de moda Fendi e seu programa "Fendi for Fountains", que visa a conservação e valorização de algumas fontes históricas de Roma, através de constante suporte ao patrimônio histórico-artístico da capital italiana.




A fonte tem 26,30 m de altura, e 49,15 m de largura. Todos os dias ela derrama 80,000 metros cúbicos de água. O projeto da fonte de Trevi é baseado em três elementos arquitetônicos: uma fachada de travertino, estátuas de mármore carrara, e um recife de travertino. No meio, está a estátua de Oceano, com 5,8 m de altura, esculpida por Pietro Bracci, em sua carruagem levada por dois cavalos guiados por dois Tritões.  Na parte esquerda do arco está a estátua da Abundância. Acima dela há um relevo mostrando Agripa comandando seus generais para a construção do aqueduto. Na porção direita está a estátua da Saúde, com uma coroa de louros. Acima dela há um relevo mostrando a senhora Virgem indicando aos soldados a fonte de água. As quatro estátuas alegóricas localizados no sótão representam os bons efeitos da chuva sobre a fertilidade da terra e as quatro principais colheitas que dependem de fornecimento de água. A primeira estátua na esquerda segura o chifre da abundância e é símbolo da abundância das frutas. A segunda está segurando espigas de trigo e representa a fertilidade das colheitas. A terceira está segurando uma taça e cachos de uvas simbolizando as colheitas do outono. A última retrata a alegria das pradarias e jardins e está toda adornada com flores.




A explicação mais aceita para a palavra Trevi é que ela deriva da palavra latina Trivium que indica um cruzamento de três ruas. A principal estátua da fonte não representa Netuno, mas Oceano. Na verdade, Netuno tem um tritão em suas mãos e um golfinho a segui-lo. Em vez disso, como seu criador Nicola Salvi escreveu, a estátua é uma imagem do oceano, a personificação de um imenso rio que corre ao redor da Terra e do qual todas as correntes de água derivam.




O famoso ritual de jogar uma moeda na fonte tem duas explicações principais. Em primeiro lugar, os romanos antigos costumavam jogar moedas em fontes, rios ou lagos para fazer os deuses da água favorecem a sua viagem e ajudá-los a voltar para casa em segurança. Em segundo lugar, esta tradição foi inventada para arrecadar fundos para a manutenção da fonte.  A fonte edificada no século XVIII foi paga com o dinheiro arrecadado pela Igreja Católica após a reintrodução do jogo de loteria em Roma. Hoje em dia, as moedas lançadas por curiosos ou por apaixonados (três moedas para um bom casamento, segundo a tradição) totalizam todos os dias cerca de 3.000 euros. Um rendimento recolhido todos os dias e agora entregue à associação religiosa Caritas, cerca de 36 mil euros por ano.




A Fonte de Trevi aparece no filmes Three Coins in The Fountain (1954). O monumento também foi o cenário de uma das cenas mais famosas do cinema italiano: em La Dolce Vita de Federico Fellini (1960), Anita Ekberg entra na água e convida Marcello Mastroianni a fazer o mesmo.

Veja a Fontana di Trevi ao vivo, clicando sobre o link:



Assista o vídeo da inauguração da fonte:



Assista o vídeo da cena com a fonte, do filme La Dolce Vita:




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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Esculturas de Pablo Picasso

Pablo Picasso - Bust of a Woman - 1930-32 - Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York


Esculturas de Pablo Picasso 


Pablo Picasso - Glass of Absinthe – 1914 - © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York


Pablo Picasso (Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso - Málaga, 1881 — Mougins, 1973) foi o artista mais dominante e influente da primeira metade do século XX. Associado acima de tudo como o pioneiro do cubismo, ao lado de Georges Braque, ele também inventou a colagem e fez grandes contribuições para o Simbolismo e o Surrealismo. Viu-se acima de tudo como um pintor, mas sua escultura foi muito influente, e ele também explorou áreas tão diversas como a gravura e cerâmica.


Pablo Picasso – Guitar – 1924 – Paris - folha de metal pintado, caixa de lata pintada, e fio de ferro - © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York – Musée National Picasso, Paris


Pablo Picasso - Woman in the Garden -1929–30 – Paris – ferro soldado e pintado - © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York – Musée National Picasso, Paris 


Ao longo de sua longa carreira, Pablo Picasso se dedicou à escultura, utilizando tanto os materiais e técnicas tradicionais como os não convencionais. Ao contrário da pintura, em que ele foi formalmente treinado, a escultura ocupava um status exclusivamente pessoal e experimental para Picasso. Ele se aproximou do meio com a liberdade de um artista autodidata, pronto para quebrar todas as regras. Esta atitude o levou a desenvolver um carinho profundo por suas esculturas, e muitas fotografias de seus estúdios e casas testemunham isso. Ele as tratava quase como membros de sua família, amava a companhia das esculturas e de recriá-las em uma variedade de materiais e situações. Picasso manteve a maioria delas em sua posse privada durante sua vida.


Pablo Picasso - Standing Bull – 1947-48 -  © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York


Pablo Picasso - Vase: Woman – 1948 – Vallauris – barro pintado de branco com listas - © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York – Musée National Picasso, Paris


Picasso Sculpture oferece uma ampla pesquisa da obra de Pablo Picasso em três dimensões, abrangendo os anos de 1902 a 1964. A exposição reúne cerca de 140 esculturas da carreira inteira de Picasso por meio de empréstimos de grandes coleções públicas e particulares, dos EUA e do exterior, incluindo 50 esculturas do Museu Nacional Picasso, Paris. Com muitas obras em exibição pela primeira vez em os EUA, ela fornece uma oportunidade para explorar um aspecto raramente visto da longa e prolífica carreira de Picasso. A exposição é apresentada pelo MoMA em colaboração com o Musée National Picasso em Paris.


Pablo Picasso - Little Girl Jumping Rope – 1950 - © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York


 Pablo Picasso - She-Goat – 1950 - © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York


Picasso Sculpture se concentra no trabalho com a escultura ao longo da vida do artista, com um foco particular em seu uso de materiais e processos. A exposição, que apresenta mais de 100 esculturas, complementadas por trabalhos selecionados em papel e fotografias, visa promover a compreensão do que era a escultura para Picasso, e de como ele revolucionou a sua história através de um compromisso de reinvenção constante ao longo da vida. A exposição é organizada em capítulos correspondentes aos períodos distintos em que Picasso dedicou-se à escultura, cada vez explorando com nova intensidade, as possibilidades modernas desta forma antiga de arte.


Pablo Picasso - Baboon and Young – 1951 - Photograph: © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York


Na fase de maturidade, Picasso, tratou o tema da paternidade e incorporou brinquedos dos filhos em obras como “Baboon and Young” (1951), em que a cabeça de um babuíno de bronze é feita com um carrinho.


O compromisso de Picasso com a escultura foi episódico e não contínuo. Cada nova fase trouxe consigo um novo conjunto de ferramentas, materiais e processos, e muitas vezes uma nova musa e/ou um novo colaborador técnico.
“Picasso prestava muita atenção em tudo o que estava à volta dele. E na virada do século XIX para o XX a escultura estava em alta e muitos dos amigos dele eram escultores. Depois de conhecer o grande escultor francês, Auguste Rodin, Picasso decidiu que ia seguir esse caminho também”, conta a curadora da exposição, Anne Umland.


Pablo Picasso - Flowery Watering Can -1951–52 – Paris - gesso com regador, peças de metal, pregos e madeira - © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York – Musée National Picasso, Paris 


A fase mais cubista (1912-1915), que consagrou peças como “Guitar” e as seis versões de “Glass of Absinthe”, bagunçou a cabeça da crítica à época, incapaz de enquadrar seus trabalhos nos moldes tradicionais - escultura ou pintura, exclusivamente. O que, certamente, voltou e volta a acontecer.


Pablo Picasso – Bull - ca. 1958 – Cannes - madeira compensada, ramo de árvore, pregos e parafusos – © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York


Pablo Picasso – Chair – 1961 – Cannes – folha de metal pintada - © 2015 Estate of Pablo Picasso/Artists Rights Society (ARS), New York – Musée National Picasso, Paris 


Até 7 de Fevereiro de 2016
Museum of Modern Art (MoMA) - The Alfred H. Barr, Jr. Painting and Sculpture Galleries, fourth floor
11 WEST 53 STREET, NEW YORK, NY 10019 - (212) 708-9400


Picasso e Jacqueline em frente da residência Villa La Californie em Cannes, França – 8 de Fevereiro de 1956


Assista os vídeos:









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