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domingo, 15 de setembro de 2019

Análise da pintura “A Página em Branco” de René Magritte

René Magritte - The Blank Page – 1967 - óleo sobre tela - 54 x 65 cm - Musée Royaux des Beaux-Arts, Brussels, Belgium


Análise da pintura “A Página em Branco” de René Magritte


Essa é a última pintura de Magritte antes de sua morte, em 15 de agosto de 1967. É um tributo à obsessão de Stéphane Mallarmé pela página em branco.

Ao colocar um círculo brilhante estrategicamente no centro superior da composição, Magritte brinca com a imaginação do espectador. O círculo brilhante flutua no céu noturno, mas aparece na frente de um galho de árvore, sugerindo que é de fato uma fruta madura e não uma lua cheia. Magritte cria uma figura com dupla identidade: dependendo da percepção do espectador, o círculo brilhante serve diferentes funções. Magritte equilibra lindamente essa composição em camadas, colocando uma cidade na parte inferior da composição e o galho de árvore no topo. O trabalho transmite uma sensação de calma silenciosa, como se o espectador quase pudesse ouvir os grilos cantando na calada da noite.

"Se fôssemos ver as folhas atrás da lua, seria extraordinário, a vida finalmente seria significativa". - René Magritte

Stéphane Mallarmé (18 de março de 1842 - 9 de setembro de 1898), pseudônimo de Étienne Mallarmé, foi poeta e crítico francês. Ele foi um grande poeta simbolista francês, e seu trabalho antecipou e inspirou várias escolas artísticas revolucionárias do início do século XX, como o cubismo, o futurismo, o dadaísmo e o surrealismo.

René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.


Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

Esse blog possui mais artigos sobre René Magritte. Clique sobre os links abaixo para ver:











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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Análise da pintura de René Magritte – The Lovers (Os Amantes)

René Magritte – The Lovers, 1928 – óleo sobre tela – 54 x 73,4 cm – Museum of Modern Art (MoMA), New York, USA


Análise da pintura de René Magritte – The Lovers (Os Amantes)


Esta pintura mostra uma figura masculina de terno preto, abraçado com uma mulher vestida de vermelho. As figuras estão se beijando, mas, curiosamente, através dos véus. E é isso que faz a pintura ser provocadora. Há várias interpretações possíveis para as pinturas de Magritte. Desejos frustrados são um tema comum no trabalho dele. Aqui, uma barreira de tecido impede o abraço íntimo entre dois amantes, transformando um ato de paixão em isolamento e frustração. Uma possível interpretação para essa pintura, é a representação de nossa incapacidade de revelar totalmente a verdadeira natureza de nossos companheiros mais íntimos.

Faces escondidas da vista são uma característica comum em muitas pinturas de Magritte. Quando ele tinha 14 anos, sua mãe cometeu suicídio por afogamento. Ele testemunhou o resgate do corpo de sua mãe com a camisola molhada em volta do rosto e alguns especularam que esse trauma o levou a mostrar rostos obscurecidos em suas obras. No entanto, Magritte negou isso. Magritte dizia: “Minhas pinturas são imagens visíveis que não escondem nada, elas evocam mistérios. Quando as pessoas veem uma de minhas pinturas, elas se fazem essa pergunta simples: O que isso significa? Não significa nada, porque o mistério também não significa nada, é desconhecido”.


René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Análise da pintura “Personal Values” de René Magritte

René Magritte – Personal Values, 1952 – óleo sobre tela – 80 x 100 cm - San Francisco Museum of Modern Art (SFMOMA), San Francisco, California, USA


Análise da pintura “Personal Values” de René Magritte


Nessa pintura, o artista apresenta uma sala cheia de coisas familiares, mas ele dá proporções humanas a esses objetos que antes eram despretensiosos, criando um senso de desorientação e incongruência. Dentro e fora são invertidos por sua representação de um céu nas paredes internas da sala. O familiar torna-se desconhecido, o normal, estranho; Magritte cria um mundo paradoxal que é, em suas próprias palavras, "um desafio ao senso comum". As pinceladas finas são quase invisíveis e bem misturadas, fazendo com que a pintura pareça muito polida e refinada.

Quando Alexander Iolas, o marchand de Magritte, viu pela primeira vez esta pintura, ele ficou violentamente perturbado por ela. O artista respondeu: "Na minha pintura, o pente (e os outros objetos também) perdeu especificamente seu “caráter social”, tornou-se um objeto de luxo inútil, que pode deixar o espectador sentir-se perturbado. Bem, esta é a prova da eficácia da imagem".

Essa pintura conduz a uma reflexão: não importa de que maneira é a vida do espectador, todas as pessoas tem seu próprio conjunto de valores pessoais, um grupo de itens que lhes são caros. Esse conjunto de itens pessoais pode não significar muito para os outros, mas para cada indivíduo, seu valor não pode ser medido.

Embora seja frequentemente agrupado com surrealistas como Salvador Dalí, Max Ernst e Yves Tanguy, Magritte adotou uma abordagem um pouco diferente na pintura. Em vez de criar imagens de fantasia, ele evocava a estranheza e a ambiguidade latentes na realidade. "Eu não pinto visões", ele disse uma vez. "Por minha capacidade, por meios pictóricos, eu descrevo objetos - e a relação mútua de objetos - de tal forma que nenhum dos nossos conceitos ou sentimentos habituais está necessariamente ligado a eles."

René Magritte era um homem calmo e pensativo que preferia o anonimato. Passou a maior parte de sua carreira em Bruxelas, desenvolvendo um estilo de pintura meticuloso e realista que refletia seu treinamento inicial em arte comercial, pintando mármore falso e painéis de madeira para residências.

René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Análise da pintura de Salvador Dali – The Persistence of Memory

Salvador Dali – The Persistence of Memory, 1931 – óleo sobre tela – 24 x 33 cm – Museum of Modern Art, New York, US


Análise da pintura de Salvador Dali – The Persistence of Memory


Esta pintura é uma das obras mais famosas de Salvador Dali, com representações de relógios de bolso. O tema implícito dessa pintura é o tempo, como nos relógios se derretendo ou a decadência implícita pelas formigas em enxame. Salvador Dalí frequentemente descrevia suas pinturas como “fotografias de sonhos pintadas à mão”. Dali disse sobre essa pintura, que ele dominou “os habituais truques paralisantes de enganar os olhos”, e que pintou esse trabalho “com a fúria mais imperialista da precisão, mas apenas, para sistematizar confusão e assim ajudar a desacreditar completamente o mundo da realidade”.  

Há, no entanto, algo real: ele baseou esta paisagem à beira-mar nas falésias de sua região natal na Catalunha, Espanha. A grande criatura central, composta de nariz e olho fechado, foi retirada da imaginação de Dalí, embora tenha sido frequentemente interpretada como um autorretrato. Seus longos cílios parecem insetos. Os relógios podem simbolizar a passagem do tempo como se experimenta no sono ou a persistência do tempo aos olhos do sonhador.


Salvador Dali – The Persistence of Memory, 1931 – óleo sobre tela – 24 x 33 cm – Museum of Modern Art, New York, US - detalhe


Um possível significado autobiográfico do título da pintura, Persistência da Memória, pode ser uma referência à própria memória de Dali de seu próprio ambiente de infância. Isso poderia explicar a qualidade abandonada e desabitada da paisagem na pintura, não visitada desde a infância de Dali.

Salvador Dalí estava muito interessado nos escritos de Sigmund Freud sobre psicologia. Freud revolucionou a forma como as pessoas pensam sobre a mente com sua teoria do subconsciente: “o subconsciente é a parte da psique que pensa e sente sem que a pessoa tenha consciência desses pensamentos e sentimentos”. De acordo com Freud, os sonhos são mensagens codificadas do subconsciente, e artistas surrealistas como Dalí estavam interessados no que poderia ser revelado por seus sonhos.

Dalí auto induzia alucinações a fim de acessar seu subconsciente enquanto criava a arte, um processo que ele chamou de método crítico-paranoico. Sobre os resultados desse processo, ele escreveu: “Sou o primeiro a ser surpreendido e muitas vezes aterrorizado pelas imagens que vejo aparecerem na minha tela. Registro sem escolha e com toda a exatidão possível os ditames do meu subconsciente, meus sonhos”. Embora ele alegasse se surpreender com as imagens, Dalí as produziu com precisão meticulosa, criando a ilusão de que esses lugares poderiam existir no mundo real. Em sua maneira tipicamente irônica, Dali proclamou: "A única diferença entre um louco e eu é que não sou louco".

Salvador Dalí retornou ao tema desta pintura com a variação A Desintegração da Persistência da Memória (1954), mostrando seu famoso trabalho anterior fragmentando sistematicamente em elementos componentes menores, e uma série de blocos retangulares que revelam novas imagens através das lacunas entre eles, implicando algo abaixo da superfície do trabalho original. Dalí também produziu várias litografias e esculturas sobre o tema de relógios macios no final de sua carreira. Algumas dessas esculturas são a Persistência da Memória, a Nobreza do Tempo, o Perfil do Tempo e os Três Relógios Dançantes.

Salvador Dalí i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol (Figueres, 11 de maio de 1904 — Figueres, 23 de janeiro de 1989) foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres da Renascença. O extenso repertório artístico de Dalí incluía cinema, escultura e fotografia, em colaboração com uma variedade de artistas em uma variedade de mídias. Ele dizia amar tudo que era dourado e excessivo, e ter uma paixão pelo luxo. Dalí era altamente imaginativo, e também gostava de se entregar a um comportamento incomum e grandioso. Sua maneira excêntrica e as ações públicas que chamavam a atenção, às vezes atraíam mais atenção do que sua arte, para consternação daqueles que mantinham seu trabalho em alta estima e para a irritação de seus críticos

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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Análise da pintura de René Magritte - Time Transfixed (O Tempo Trespassado)

René Magritte - Time Transfixed (La Durée Poignardée), 1938 – óleo sobre tela – 147 x 98,7 cm – The Art Institute of Chicago, USA


Análise da pintura de René Magritte - Time Transfixed (O Tempo Trespassado)


Esta é uma das pinturas mais conhecidas de Magritte. Nela, a visão de uma sala é limitada, dominada por um espelho sobre uma lareira. Em cima da lareira há um relógio (simbolizando o mistério do tempo) e saindo da lareira, há uma locomotiva a vapor, “destruindo” a paz da sala e viajando através do tempo.

O colecionador Edward James, impressionado com as pinturas de René Magritte na Exposição Surrealista Internacional de 1936, convidou o artista para pintar telas para o salão de baile de sua casa londrina. Uma delas foi essa pintura. O artista mais tarde explicou esta imagem: "Eu decidi pintar a imagem de uma locomotiva ... Para que seu mistério fosse evocado, outra imagem imediatamente familiar sem mistério, a imagem de uma lareira de sala de jantar, foi unida". A surpreendente justaposição e escala de elementos não relacionados, realçados pelo realismo preciso de Magritte, dão à imagem a sua inventividade e sedução. O artista colocou uma locomotiva na chaminé da lareira, para que pareça emergir de um túnel ferroviário.

O uso do surrealismo como meio, por Magritte, tem uma mensagem clara e um propósito como tal. Não é simplesmente fazer com que o absurdo pareça possível, trata-se de revelar o invisível. Através dos paradoxos em seu trabalho, ele encoraja seu público a buscá-lo e a entender melhor sua relação com ele. Magritte descreveu o processo para o quadro, explicando que a locomotiva veio primeiro e depois foi justaposta contra a lareira para evocar o seu mistério em comparação com a mundanidade dos arredores. Conseguir compreender o processo e o foco da Magritte torna mais fácil entender seu propósito também. Assim, o trem agora é o tempo atual, algo imortalizado como constantemente em movimento e empurrando para frente, quando na realidade ele não está indo a lugar nenhum.

Magritte não gostou da tradução inglesa do título francês original, La Duration Poignardé, que literalmente significa "tempo em andamento esfaqueado por uma adaga". Ele esperava que a pintura fosse instalada no pé da escada do colecionador, para que o trem "esfaqueasse" os hóspedes no caminho até o salão de baile. Ironicamente, em vez disso, James a instalou sobre sua lareira.


Esse blog possui um artigo sobre o marchand e colecionador Edward James e sobre sua propriedade na Inglaterra. Clique sobre esse link para ver:



René Magritte era um homem calmo e pensativo que preferia o anonimato. Passou a maior parte de sua carreira em Bruxelas, desenvolvendo um estilo de pintura meticuloso e realista que refletia seu treinamento inicial em arte comercial, pintando mármore falso e painéis de madeira para residências.
René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Análise da pintura “Galatea of the Spheres” de Salvador Dali

Salvador Dali - Galatea of the Spheres, 1952 – óleo sobre tela – 65 x 54 cm - Dali Theatre and Museum, Figueres, Espanha


Análise da pintura “Galatea of the Spheres” de Salvador Dali


“Galatea das Esferas” retrata o rosto de Gala Dalí, esposa e musa de Salvador Dalí, composto por uma série de esferas, aparentemente suspensas no espaço. O nome Galatea pode referir-se a uma ninfa do mar da mitologia clássica conhecida por sua virtude, e pode também se referir à estátua amada por seu criador, Pygmalion. Representa uma síntese da arte do renascimento e da teoria atômica e ilustra a descontinuidade final da matéria, com as esferas representando partículas atômicas.

Essa pintura é uma das obras mais representativas do período do misticismo nuclear de Dali. É o resultado de um Dalí apaixonado pela ciência e pelas teorias da desintegração do átomo. Ele se interessou muito pela física nuclear depois da primeira explosão da bomba atômica em 1945 e descreveu o átomo como seu "alimento favorito para o pensamento". Reconhecendo que a matéria é formada por átomos que não se tocam, ele tentou replicar isso em sua arte daquela época, com itens suspensos e sem contato entre si, em várias pinturas. Galatea das Esferas é um dos atos mais eloquentes de homenagem ao rosto de Gala que Dalí produziu.


Salvador e Gala Dali


Gala Dalí (Kazan, 7 de setembro de 1894 — Port Lligat, 10 de junho de 1982), mais conhecida simplesmente como Gala, foi a esposa de Paul Éluard, e depois de Salvador Dalí, e uma inspiração para eles e muitos outros escritores e artistas. Gala nasceu Elena Ivanovna Diakonova ,em Kazan, Kazan Governorate, Império Russo, em uma família de intelectuais.

Salvador Dalí i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol (Figueres, 11 de maio de 1904 — Figueres, 23 de janeiro de 1989) foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres da Renascença. O extenso repertório artístico de Dalí incluía cinema, escultura e fotografia, em colaboração com uma variedade de artistas em uma variedade de mídias. Ele dizia amar tudo que era dourado e excessivo, e ter uma paixão pelo luxo. Dalí era altamente imaginativo, e também gostava de se entregar a um comportamento incomum e grandioso. Sua maneira excêntrica e as ações públicas que chamavam a atenção, às vezes atraíam mais atenção do que sua arte, para consternação daqueles que mantinham seu trabalho em alta estima e para a irritação de seus críticos

Salvador Dali - "Eu chamo minha esposa: Gala, Galushka, Gradiva. Oliva, pela forma oval do seu rosto e a cor de sua pele. Oliveta, diminutivo de Olive e seus derivados delirantes Oliueta, Oriueta, Buribeta, Buriueteta, Suliueta, Solibubuleta, Oliburibuleta, Ciueta, Liueta. Também a chamo Lionette, porque quando ela fica com raiva, ela ruge como o leão da Metro-Goldwyn-Mayer".


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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Análise de René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus)

René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus), 1927 – óleo sobre tela – 49,5 x 65,5 cm – Coleção particular


Análise de René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus) 


Em muitas obras de Magritte é emblemático de muitas maneiras, que rostos ou a ausência deles desempenhem um papel crucial na construção da peça. Magritte tinha o hábito de repetir muitos dos mesmos objetos em novas situações e também de explorar o potencial de uma cena como um todo, executando variações sobre ela. Nesta pintura há uma mulher representada como mais velha e também como mais nova. É como se fossem duas mulheres. Uma que existe apenas na parte de trás da cabeça da mulher mais velha, que também existe apenas em parte como um amor que nunca foi plenamente realizado. Ou outra possível interpretação é a de uma cabeça masculina e uma feminina, simbolizando um amor não realizado, ou terminado entre um casal.

René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.


René Magritte


Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Análise da pintura “La Clairvoyance” de René Magritte

René Magritte – La Clairvoyance (A Clarividência), 1936 – óleo sobre tela - 54.5 x 65.5 cm – coleção particular


Análise da pintura “La Clairvoyance” de René Magritte


Na pintura “A Clarividência” René Magritte está pintando um autorretrato de si mesmo pintando um pássaro, usando um ovo como modelo. Magritte está pintando mais do que está bem na frente dele: ele está pintando uma possibilidade, o potencial, o futuro. Daí o nome desta pintura: Clarividência. Magritte pintou-se, pintando sua percepção do futuro.

Retratando-se nessa pintura e a nomeando "clarividência", Magritte entregou uma mensagem sobre si mesmo como pintor: ele é clarividente, ele transmite o futuro através de sua arte. Por isso, essa pintura é tanto sobre ele como um pintor, como sobre a obra de arte resultante. Magritte está compartilhando sua filosofia, assim como muitos de seus contemporâneos surrealistas fizeram (como Joan Miro e Salvador Dali). Magritte foi ousado o suficiente para usar sua pintura para se engajar em um diálogo com seus espectadores.


Foto de René Magritte pintando La Clairvoyance (A Clarividência)


René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.



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sábado, 27 de agosto de 2016

Man Ray, sua arte e fotografia

Man Ray – Black and White, 1926 – fotografia

Esta fotografia da cabeça de Kiki de Montparnasse ao lado de uma máscara cerimonial africana carrega um título que faz referência ao processo em preto e branco da fotografia. Ela foi criada num momento em que a arte e a cultura africanas estavam na moda. Os rostos ovais dos dois parecem quase idênticos em suas expressões serenas, porém há um contraste entre o rosto pálido e macio, com a máscara preta e brilhante. Man Ray explora temas estéticos de iluminação e imagens: um oval ao lado de outro oval, um deitado de lado contrasta com outro que está ereto, um iluminado de cima e o outro de lado. 


Man Ray, sua arte e fotografia


Man Ray – Jazz, 1919 – tempera e tinta sobre papel – 55,8 x 71,2 cm - Columbus Museum of Art, Ohio, USA


Man Ray (Emmanuel Radnitzky, 27 de Agosto de 1890 - 18 de Novembro de 1976) cresceu em Nova Jersey e tornou-se um artista comercial em Nova York na década de 1910. Trabalhou em um escritório de publicidade e, em seguida, como desenhista para editores de livros sobre engenharia, atlas e mapas. Ele começou a assinar seu nome Man Ray em 1912, embora sua família não alterasse o seu sobrenome para Ray até os anos 1920.


Man Ray – Ingre´s Violin, 1924 – fotografia

Inspirado pela pintura La Grande Baigneuse de Jean-Auguste-Dominique Ingres, Ray posicionou Kiki de Montparnasse usando um turbante como a modelo para esta foto. Ele transformou o corpo feminino em um instrumento musical pintando buracos de violino nas costas dela, brincando com a ideia de objetivação de um corpo animado. As obras de Ingres eram admiradas por muitos artistas surrealistas, por sua representação de figuras femininas distorcidas. A paixão bem conhecida de Ingres pelo violino criou a gíria em francês "Violon d'Ingres", que significa um hobby. Muitos descrevem “Le Violon d'Ingres” como um trocadilho visual, que descreve sua musa, Kiki, como o “Violon d'Ingres” de Man Ray.


Ele colaborou significativamente com o Dadaísmo e o Surrealismo. Produziu grandes obras em uma variedade de mídia, mas considerava-se um pintor acima de tudo. Ele era mais conhecido por sua fotografia, e era um fotógrafo renomado de moda e de retratos. Man Ray também é conhecido por seu trabalho com fotogramas, que ele chamava de "rayographs", em referência a si mesmo.


Man Ray - Orchestra from the portfolio Revolving Doors, 1926 – gravura - 55,9 x 37,8 cm – The Museum of Modern Art, New York, USA


Man Ray - Woman with Long Hair, 1929 – fotografia


Inicialmente, ele aprendeu sozinho a fotografar, de modo a reproduzir suas próprias obras de arte, que incluíam pinturas e técnica mista. Em 1921 ele se mudou para Paris e montou um estúdio fotográfico para se sustentar. Na década de 1920, também começou a fazer filmes. Ele logo se estabeleceu no bairro de Montparnasse, onde moravam muitos artistas. Pouco depois de chegar em Paris, Man Ray conheceu e se apaixonou por Kiki de Montparnasse (Alice Prin), modelo de artistas e celebrada personagem dos círculos boêmios de Paris. Kiki foi companheira de Man Ray durante a maior parte da década de 1920. Ela foi a modelo de algumas de suas imagens fotográficas mais famosos e atuou em seus filmes experimentais, Le Retour à la Raison e L'Étoile de Mer. Em 1929, ele começou um caso de amor com a fotógrafa surrealista Lee Miller. Durante 20 anos em Montparnasse, Man Ray foi um fotógrafo renomado. Membros importantes do mundo da arte, como James Joyce, Gertrude Stein, Jean Cocteau e Antonin Artaud, posaram para sua câmera. Man Ray participou da primeira exposição surrealista com Jean Arp, Max Ernst, André Masson, Joan Miró e Pablo Picasso na Galerie Pierre, em Paris em 1925.


Man Ray – Les Larmes, 1932 – fotografia

Esta fotografia recortada demonstra o interesse de Man Ray na narrativa cinematográfica. Os olhos da modelo e os cílios revestidos com rímel estão olhando para cima, levando os espectadores a imaginar para onde ela está olhando e qual é a fonte de sua angústia. A obra foi criada logo após o rompimento do artista com sua assistente e amante, Lee Miller. Ray criou vários trabalhos em uma tentativa de vingança sobre uma amante que o deixou. A modelo está com lágrimas de contas de vidro nas bochechas. Aqui, mais uma vez, Man Ray está explorando o seu interesse no real e irreal, desafiando o significado da fotografia.


Pouco antes da Segunda Guerra Mundial, Man Ray voltou para os Estados Unidos e se estabeleceu em Los Angeles a partir de 1940, até 1951. Ele estava desapontado por ter sido reconhecido somente por sua fotografia nos Estados Unidos e não pelo cinema, pintura, escultura e outros meios de comunicação em que trabalhava. Em 1951 Man Ray retornou a Paris. Ele se concentrou principalmente na pintura até sua morte em 1976.


Man Ray - La Fortune, 1938 – óleo sobre linho – 60,2 x 73,2 cm – The Whitney Museum of Art, New York, USA


"Registrar meus sonhos nunca foi meu objetivo, apenas a determinação para realizá-los." – Man Ray em catálogo da exposição Julien Levy, Abril de 1945.

"Criar é divino, reproduzir é humano." – Man Ray em "Originais Gráficos Múltiplos", por volta de 1968, publicado em Objets de Mon Affection, de 1983.

"Eu pinto o que não pode ser fotografado, o que vem da imaginação ou de sonhos, ou de um desejo inconsciente. Eu fotografo as coisas que eu não desejo pintar, as coisas que já têm uma existência." – Man Ray em entrevista sem data, por volta de 1970, publicada em “Man Ray: Fotógrafo”, de 1981.


Man Ray - Observatory Time: The Lovers, 1936 – óleo sobre tela – 100 x 250,4 cm – coleção particular

Quando Lee Miller deixou Man Ray em 1932, ele foi tomado por um desespero que expressou através da arte, fazendo algumas das obras mais memoráveis de sua carreira nesse período. Segundo ele, todos os dias, durante dois anos, ao acordar, a primeira coisa que fazia era continuar esta pintura, e isso o ajudou a superar a perda. Ele fez uma série de pinturas e objetos sobre os lábios de Lee Miller. 


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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Análise de The Prepared Bouquet de René Magritte

René Magritte – The Prepared Bouquet, 1957 – óleo sobre tela – 130,5 x 163 cm – coleção particular


Análise de The Prepared Bouquet de René Magritte

Um homem com um chapéu-coco está de costas para o espectador, com a figura de Flora da pintura "Primavera" de Sandro Botticelli colocada sobre seu casaco. Esta pintura exemplifica um artifício que Magritte comumente utilizava: esconder parcialmente um objeto, colocando um objeto menor na frente dele e, portanto, negar ao espectador o acesso completo para a imagem maior.

Essa imagem pode ter vários significados, como: "a arte é intemporal", ou "as pessoas passam, mas a arte permanece". Provavelmente Magritte escolheu essa imagem por seu valor pictórico e não por conotações alegóricas, como Boticelli utilizou na pintura "Primavera".

A ideia central que atravessa a obra de René Magritte é que a pintura deve ser poesia, e que a poesia deve evocar mistério. Toda a sua obra é uma tentativa de evocar este mistério, mas não de o revelar. Todas as definições de mistério têm algo a ver com a ideia de algo escondido, algo secreto. Algumas definições também podem possuir conotações religiosas ou místicas.

O comentário de Magritte sobre essa pintura, foi: "O homem é uma aparição visível como uma nuvem, como uma árvore, como uma casa, como tudo o que vemos. Eu não nego sua importância e nem eu lhe concedo qualquer proeminência em uma hierarquia das coisas que o mundo oferece visualmente".


Sandro Botticelli – Primavera, c. 1482 – têmpera sobre madeira – 202 x 314 cm - Uffizi Gallery, Florence


René François Ghislain Magritte (1898 - 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio, mas algumas pessoas desacreditam essa história, que pode ter se originado com a enfermeira da família. Supostamente, quando sua mãe foi encontrada, o seu vestido estava cobrindo seu rosto, uma imagem que tem sido sugerida como a fonte de várias obras de Magritte, de pessoas com um pano obscurecendo seus rostos. Em 1916, Magritte ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem casou em 1922. Trabalhou em uma fábrica de papel de parede, e foi designer de cartazes e anúncios até 1926, quando um contrato com a Galerie la Centaure, na capital belga, fez da pintura sua principal atividade.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Foi casado com sua esposa Georgette por 45 anos, sem qualquer escândalo, e a quem prometeu uma vida calma e tranquila, burguesa. Em suma, uma pessoa sem graça. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

Esse blog possui um artigo sobre a pintura Primavera de Sandro Botticelli. Clique sobre o link abaixo para ver:



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terça-feira, 14 de junho de 2016

A História de “O Filho do Homem” de René Magritte

René Magritte – O Filho do Homem, 1946 – óleo sobre tela – 116 x 89 cm – coleção particular


A História de “O Filho do Homem” de René Magritte


Magritte pintou O Filho do Homem como um autorretrato. A pintura mostra um homem em um sobretudo e um chapéu coco, em frente a uma mureta, e atrás dela, o mar e um céu nublado. O rosto do homem está em grande parte escondido por uma maçã verde pairando no ar. No entanto, os olhos do homem podem ser vistos, espreitando sobre a maçã. Outra característica sutil é o braço esquerdo do homem, que parece dobrar para trás, na altura do cotovelo. Essa pintura se assemelha a outras duas pinturas de Magritte: “The Great War on Facades” e “Man in the Bowler Hat”.


René Magritte - The Great War on Facades, 1964 – óleo sobre tela 


René Magritte - Man in the Bowler Hat, 1964 – óleo sobre tela


Sobre a pintura, Magritte disse: "Pelo menos ela esconde o rosto parcialmente. Bem, então você tem a face aparente, a maçã, escondendo o visível, mas oculto, o real rosto da pessoa. É algo que acontece constantemente. Tudo o que vemos esconde outra coisa, e nós sempre queremos ver o que está escondido, pelo que vemos. Há um interesse no que está escondido e que o visível não nos mostra. Este interesse pode assumir a forma de um sentimento bastante intenso, uma espécie de conflito, pode-se dizer, entre o visível que está oculto e o visível que está presente."


René Magritte 

René François Ghislain Magritte (1898 - 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio, mas algumas pessoas desacreditam essa história, que pode ter se originado com a enfermeira da família. Supostamente, quando sua mãe foi encontrada, o seu vestido estava cobrindo seu rosto, uma imagem que tem sido sugerida como a fonte de várias obras de Magritte, de pessoas com um pano obscurecendo seus rostos. Em 1916, Magritte ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem casou em 1922. Trabalhou em uma fábrica de papel de parede, e foi designer de cartazes e anúncios até 1926, quando um contrato com a Galerie la Centaure, na capital belga, fez da pintura sua principal atividade.


René Magritte com Georgette

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Foi casado com sua esposa Georgette por 45 anos, sem qualquer escândalo, e a quem prometeu uma vida calma e tranquila, burguesa. Em suma, uma pessoa sem graça. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.


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sábado, 17 de outubro de 2015

A história do “Telefone Lagosta” de Salvador Dali

Salvador Dali – Telefone Lagosta – 1936 – telefone comum e lagosta em gesso - 15 × 30 × 17 cm


A história do “Telefone Lagosta” de Salvador Dali


O Telefone Lagosta (também conhecido como Telefone Afrodisíaco) é um objeto surrealista, criado por Salvador Dalí em 1936 para o poeta, marchand e mecenas de artes Inglês Edward James (1907-1984), um grande colecionador de arte surrealista. A ideia para o objeto estranho veio uma noite, quando Dali, Edward James e amigos jantavam. Eles estavam jogando suas conchas de lagosta quando uma caiu sobre um telefone. Pode-se imaginar Dali saltando por cima da mesa de jantar e exclamando: "Eureka”.

Em seu livro A Vida Secreta, Dalí escreveu provocativamente sobre sua procura por saber por que, quando ele pediu uma lagosta grelhada em um restaurante, ele nunca foi servido com um telefone fervido: “Eu não entendo por que razão, quando eu peço uma lagosta grelhada em um restaurante, eu nunca sou servido com um telefone cozido. Eu não entendo por que o champanhe é sempre gelado e por que os telefones, que são habitualmente tão terrivelmente quentes e desagradavelmente pegajosos ao toque, não são também colocados em baldes de prata com gelo picado em torno deles.”

Este é um exemplo clássico de um objeto surrealista, feito a partir de um conjunto de itens que normalmente não são associados uns com os outros, resultando em algo ao mesmo tempo brincalhão e ameaçador. Dalí acreditava que tais objetos poderiam revelar os desejos secretos do inconsciente. Lagostas e telefones tinham fortes conotações sexuais para Dalí. O telefone aparece em certos quadros do final dos anos 1930, e a lagosta aparece em desenhos e projetos, geralmente associadas ao prazer e dor erótica.

Este objeto surreal também pode ser visto como saudação de Dali a Vincent Van Gogh, o pintor do século 19, que simbolizava o artista "louco" por cortar parte de sua orelha. Dali gostava de pensar sobre si mesmo como o artista louco do século 20, proclamando: "A única diferença entre um louco e eu é que não sou louco!" Aqui, Dali criou um objeto que, como todos os objetos surrealistas, deve ser ativado no olho da mente. Imagine atender um telefone, colocando uma garra de lagosta contra seu ouvido: ela poderia facilmente cortar sua orelha fora. Desta forma, Dali produz uma homenagem moderna e surreal para Van Gogh e aos artistas "loucos" em geral.


Salvador Dali – Telefone Lagosta – 1936 – telefone comum e lagosta em gesso – versão off-white


Dalí produziu cinco exemplos da versão colorida do seu telefone. Um deles esteve na exposição itinerante Universo Dalí. Os demais estão no  Museum für Kommunikation Frankfurt, na Fundação Edward James, na Galeria Nacional da Austrália e na coleção da Tate Modern, em Londres. Dalí também produziu uma versão off-white de seu telefone. Os seis exemplos conhecidos estão no Minneapolis Institute of Arts, no Salvador Dalí Museum em St. Petersburg, Florida,  no Centro Cultural de Belém, em Portugal (e é propriedade do colecionador de arte Joe Berardo) e na Johannesburg Art Gallery (JAG) em Johannesburg, South Africa.


Veja também o artigo “Grandes Marchands e Mecenas das Artes: Edward James (René Magritte e Salvador Dali)” nesse Blog, clicando sobre:



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