segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Análise de René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus)

René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus), 1927 – óleo sobre tela – 49,5 x 65,5 cm – Coleção particular


Análise de René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus) 


Em muitas obras de Magritte é emblemático de muitas maneiras, que rostos ou a ausência deles desempenhem um papel crucial na construção da peça. Magritte tinha o hábito de repetir muitos dos mesmos objetos em novas situações e também de explorar o potencial de uma cena como um todo, executando variações sobre ela. Nesta pintura há uma mulher representada como mais velha e também como mais nova. É como se fossem duas mulheres. Uma que existe apenas na parte de trás da cabeça da mulher mais velha, que também existe apenas em parte como um amor que nunca foi plenamente realizado. Ou outra possível interpretação é a de uma cabeça masculina e uma feminina, simbolizando um amor não realizado, ou terminado entre um casal.

René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.


René Magritte


Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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