sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Análise da pintura “La Clairvoyance” de René Magritte

René Magritte – La Clairvoyance (A Clarividência), 1936 – óleo sobre tela - 54.5 x 65.5 cm – coleção particular


Análise da pintura “La Clairvoyance” de René Magritte


Na pintura “A Clarividência” René Magritte está pintando um autorretrato de si mesmo pintando um pássaro, usando um ovo como modelo. Magritte está pintando mais do que está bem na frente dele: ele está pintando uma possibilidade, o potencial, o futuro. Daí o nome desta pintura: Clarividência. Magritte pintou-se, pintando sua percepção do futuro.

Retratando-se nessa pintura e a nomeando "clarividência", Magritte entregou uma mensagem sobre si mesmo como pintor: ele é clarividente, ele transmite o futuro através de sua arte. Por isso, essa pintura é tanto sobre ele como um pintor, como sobre a obra de arte resultante. Magritte está compartilhando sua filosofia, assim como muitos de seus contemporâneos surrealistas fizeram (como Joan Miro e Salvador Dali). Magritte foi ousado o suficiente para usar sua pintura para se engajar em um diálogo com seus espectadores.


Foto de René Magritte pintando La Clairvoyance (A Clarividência)


René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.



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