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sábado, 10 de setembro de 2016

As irmãs Cahen d´Anvers em pinturas de Renoir


As irmãs Cahen d´Anvers em pinturas de Renoir


Pierre Auguste Renoir - Portrait Mademoiselle Irène Cahen d`Anvers (Little Irene), 1880 – óleo sobre tela - 65 x 54 cm - Foundation E.G. Bührle, Zuric


O rico banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers, encomendou três retratos a Pierre Auguste Renoir (Limoges, 25 de Fevereiro de 1841 – Cagnes-sur-Mer, 3 de Dezembro de 1919) em 1880, um de cada uma de suas filhas. Renoir não negociou um preço antes de iniciar o seu trabalho. Ao completar o retrato de Irène (então com 8 anos), os Cahens decidiram que não gostaram, e disseram a Renoir para pintar as duas irmãs mais novas de Irene (Alice e Elisabeth) juntas. Louis Cahen pagou a Renoir meros 1.500 francos pelas duas pinturas (muito menos do que realmente valiam, mesmo naquele tempo), e para adicionar insulto à injúria, pendurou-as nos aposentos de seus servos. Renoir ficou furioso.

Aos 19 anos, Irène se casou com Moïse de Camondo, o último de uma longa linhagem de banqueiros judeus do Império Otomano. Durante seu casamento, seu retrato de Renoir foi pendurado em um dos hotéis dos Camondo. Irène e Moïse tiveram dois filhos, Nissim e Béatrice durante o seu curto casamento de cinco anos, antes de Irène se converter ao catolicismo e fugir com o cavalariço dos Camondo, o conde Charles Sampieri em 1896. Irène conseguiu obter um divórcio, dando a Moïse a custódia total de seus filhos, e Irène se casou com Charles, tornando-se a condessa Irène Sampieri. O retrato voltou para a mãe de Irène, Louise, durante o divórcio, e ela, por sua vez o presenteou para a sua neta Béatrice, entre 1910 e 1933.

O filho de Irène se tornou um aviador do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial. Ele faleceu em batalha, em 1917. A filha de Irène, Béatrice se casou e teve dois filhos. Moïse morreu em 1935 e a sua fortuna ficou em grande parte para sua filha. Sua mansão e coleção de arte foram doadas para uma fundação, para criar um museu em honra de seu filho, o Musée Nissim de Comondo.

Em 1939, os nazistas invadiram a França. Como muitos outros, Béatrice e seu esposo optaram por ficar em Paris, acreditando que sua riqueza e status iriam protegê-los. Eles estavam errados, e em 1941 eles e seus filhos (juntamente com a irmã de Irène, Elisabeth) foram enviados para Auschwitz, onde foram todos mortos. Irène, agora separada de Charles, conseguiu se salvar, escondendo-se atrás de seu sobrenome italiano e de sua religião. Sua outra irmã, Alice, também sobreviveu ao holocausto e viveu até os 89 anos, falecendo em 1969, em Nice.

O retrato, agora muito valioso, foi roubado da casa Reinach em 1941 pela Reichsleiter Rosenberg Taskforce e tornou-se propriedade de Herman Göring. Em 1945, os Aliados libertaram o retrato, e ele foi enviado para um ponto de coleta em Munique. No final de 1946, o retrato começou a viajar com outras pinturas liberadas, em uma exposição intitulada "Obras-primas de coleções francesas encontradas na Alemanha e na Suíça", onde foi visto por Irène. Ela conseguiu obter a posse da obra, pois a última posse legal era de sua filha, de quem Irène era a herdeira. Em 1949, Irène a vendeu para Emil Georg Bührle, que estava começando a colecionar obras de impressionistas franceses. Ao longo dos próximos anos, Irène gastou o dinheiro obtido com a venda desse retrato e toda a fortuna Camondo em cassinos no sul da França, até a sua morte em 1963. Após a morte de Emil Georg Bührle, em 1956, o retrato foi finalmente doado à Fundação E.G. Bührle em Zurique onde está agora em exposição.


Pierre Auguste Renoir - Rosa e Azul (As Meninas Cahen d´Anvers), 1881 – óleo sobre tela - 119 x 74 cm – Masp (Museu de Arte de São Paulo, Assis Chateaubriand, Brasil)


A pintura Rosa e Azul (As Meninas Cahen d´Anvers), é considerada um dos mais populares ícones da coleção do Museu de Arte de São Paulo, onde se encontra desde 1952. Renoir retratou as duas filhas do banqueiro Louis Raphael Cahen d’Anvers, a loira Elisabeth, nascida em dezembro de 1874, e a mais nova, Alice, em fevereiro de 1876, quando tinham respectivamente seis e cinco anos de idade. Alice recordou muitas décadas depois (quando então possuía o título de Lady, por ter casado com o general Townsend of Kut), que o tédio das sessões era compensado pelo prazer de vestir o elegante vestido de renda.

O título mais popular dessa obra (Rosa e Azul), que se refere às cores dos vestidos das meninas, desde 1900, quando esteve exposta na galeria Bernheim-Jeune, em Paris. O artista transmitiu com as cores e a delicadeza de tonalidades, todo o frescor e a candura da infância. As meninas quase se materializam diante do observador, a de azul com seu ar vaidoso, e a de rosa com um certo enfado, quase beirando as lágrimas. As duas meninas, impecavelmente penteadas e vestidas, seguram a mão uma da outra para maior segurança. Usando vestidos de festa idênticos, com fitas, faixas e meias combinando e os cabelos escovados em franjas perfeitas, Alice, com cinco anos de idade, à esquerda, olha para o espectador como se estivesse para se desmanchar em lágrimas, enquanto a irmã maior, Elisabeth, de seis anos, parece um pouco mais confortável enquanto posa.

A obra, produzida por encomenda de Louis-Raphael Cahen d'Anvers, pertenceu à coleção particular de sua família, em Paris. Foi redescoberta, aparentemente abandonada, em um apartamento na capital francesa, no ano de 1900, pelos marchands Bernheim-Jeune, passando a compor o acervo da Galeria Bernheim-Jeune et Fils, também em Paris. Em seguida, a obra foi sucessivamente vendida, até ser adquirida em 7 de julho de 1952, pelo Museu de Arte de São Paulo, com recursos doados pelo fundador do museu, Assis Chateaubriand. O retrato das meninas Cahen d’Anvers, além de possuir uma ampla bibliografia e um vasto histórico de exibições, angariou também a simpatia dos visitantes do MASP, tornando-se uma das mais populares e apreciadas obras do museu e uma fonte de inspiração para outros pintores e para o público.


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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A história da pintura de Frans Hals – The Laughing Cavalier (O Cavaleiro Risonho)

Frans Hals – The Laughing Cavalier (O Cavaleiro Risonho), 1624 – óleo sobre tela – 83 x 67,3 cm Wallace Collection, London


A história da pintura de Frans Hals – The Laughing Cavalier (O Cavaleiro Risonho)


Este exuberante retrato de meia altura tem sido descrito como "um dos mais brilhantes de todos os retratos do período Barroco". Está inscrito com a data (1624) e a idade do modelo (26). O trabalho é único nos retratos masculinos de Hals pelas ricas cores que são amplamente transmitidas pelo traje extravagante do modelo: um gibão bordado com motivos extravagantes em branco, ouro e vermelho, com um florete de punho dourado, visível na dobra do cotovelo.

Nem a identidade do modelo, nem a função do retrato foram ainda firmemente estabelecidas. O traje deslumbrante pode oferecer algumas pistas importantes: os motivos bordados no gibão do modelo foram identificados em livros de emblemas da época e eram símbolos dos prazeres e dores do amor. Eles incluem abelhas, setas, cornucópias flamejantes e nós de amantes. Como alusões à galhardia e ao namoro, eles podem indicar que a obra foi pintada como um retrato de noivado, embora nenhuma pintura companheira a essa tenha sido identificada. Também tem sido sugerido que os desenhos dos bordados (particularmente o caduceu, o atributo do deus romano Mercúrio) aludem a uma ocupação no comércio e foi proposto recentemente que o modelo tenha sido Tieleman Roosterman, um rico comerciante de tecidos em Harleem, Holanda.

Por volta de 1624, Hals pintou uma série de retratos individuais e duplos, bem como um retrato de grupo de uma sociedade de milícia cívica. Este trabalho é provavelmente o mais famoso retrato do artista e demonstra o seu virtuosismo na viva caracterização de seus modelos.
Hals concede ao modelo um aspecto dominante, colocando-o em estreita proximidade com o plano de imagem e descreve-o a partir de um baixo ponto de vista. A pose arrogante da mão no quadril está intimamente associada com os retratos masculinos de Hals: um meio de dotar seus modelos com vitalidade e autoconfiança, a pose também serve como um dispositivo de ilusionista para dar à imagem uma maior profundidade pictórica.

No início do século XIX, a reputação de Hals caiu em relativa obscuridade. Apesar disso, o retrato tornou-se objeto de uma batalha furiosa entre o 4º Marquês de Hertford e o Barão James de Rothschild em um leilão de Paris em 1865. Foi adquirida por Lord Hertford e esse evento foi um ponto de virada na reputação crítica do artista. Na exposição da Royal Academy de 1888, a pintura foi exibida com o título 'The Laughing Cavalier” (O Cavaleiro Risonho). Apesar de o modelo não estar rindo nem ser um cavaleiro, o título transmite a sensação de jovialidade e arrogância que é um efeito cumulativo do baixo ponto de vista e da deslumbrante técnica juntamente com o bigode arrebitado do modelo, seus olhos brilhando, e sua postura arrogante.

O efeito dos olhos que parecem seguir o espectador de todos os ângulos é um resultado do modelo ter sido retratado como olhando diretamente para a frente, em direção ao ponto de vista do artista, combinado com o fato de ser uma representação estática bidimensional disso, a partir de qualquer ângulo que a pintura seja visualizada. 

Frans Hals (c. 1582 - 26 de agosto de 1666) foi um pintor retratista holandês da Golden Age que viveu e trabalhou em Haarlem. Ele é notável por suas pinceladas soltas de pintura, e ajudou a introduzir este estilo de pintura viva na arte holandesa. Hals desempenhou um papel importante na evolução do retrato do século 17.


Fonte: The Wallace Collection

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sábado, 5 de setembro de 2015

Curiosidades sobre a Madame X e John Singer Sargent

Madame X (Madame Pierre Gautreau) - John Singer Sargent – 1883-84 - 208.6 x 109.9 cm – Metropolitan Museum of Art, New York



Curiosidades sobre a Madame X e John Singer Sargent 


Virginie Amélie Avegno Gautreau (1859-1915) nasceu na Louisiana, filha do Major Anatole Avegno de New Orleans, um cavalheiro cuja família emigrou de Camogli, Itália, e Marie Virginie de Ternant, de Parlange Plantation, Louisiana. Depois do Major Avegno morrer de ferimentos sofridos na Batalha de Shiloh durante a Guerra da Secessão (ou Guerra Civil Americana), a senhora Avegno levou suas filhas para Paris. Lá Virginie se tornou uma célebre beleza e casou-se com Pierre Gautreau, um banqueiro parisiense, muito mais velho que ela. Sargent provavelmente a conheceu em 1881. Em 1882, ele escreveu para ela, querendo pintar seu retrato. Ele trabalhou no retrato na casa de verão dos Gautreau na Bretanha em 1883, mas teve dificuldade em encontrar uma pose e perspectiva adequadas. Numerosos estudos mostram suas diferentes tentativas de composição.





















Madame Pierre Gautreau era conhecida em Paris pela sua aparência ardilosa. Sargent esperava melhorar sua reputação pintando e exibindo seu retrato. Trabalhou sem uma encomenda, mas com a cumplicidade de sua modelo, enfatizando seu estilo pessoal ousado ao mostrar a alça direita do vestido escorregando de seu ombro. No Salão de 1884, o retrato recebeu mais zombaria do que elogios. Sargent repintou a alça no ombro e guardou o trabalho por mais de trinta anos. Quando, finalmente, ele o vendeu para o Metropolitan Museum, comentou: "Eu acho que é a melhor coisa que eu fiz", mas pediu para o Museu disfarçar o nome da modelo.







































Foto à direita: John Singer Sargent - A Figure Study – aquarela e grafite - c. 1883

No retrato final, a modelo está usando como joias apenas uma tiara nos cabelos e um anel de casamento na mão esquerda. Sua pele extremamente pálida (provavelmente com grossa camada de maquiagem) está muito exposta pelo vestido (escolhido por Sargent) decotado e sem mangas, ao contrário do que era costume para as damas da alta sociedade de então usarem ao serem retratadas. Esse contraste de pele exposta (com roupa e pose ousadas e provocativas) com um anel de casamento foi o que escandalizou os críticos e a sociedade, pois indicava uma senhora casada mas disponível a manter affairs com outros homens. Ela era sedutora, com uma beleza não convencional, com lábios finos, um nariz um pouco longo e extrema palidez. Ela tinha um andar ondulante e todos os artistas da época queriam retrata-la. Ainda assim, ela não era figura de destaque nas altas rodas parisienses, por sua ascendência. Foi então que Sargent, que também queria se destacar no mundo artístico parisiense a viu e ficou obsecado pela ideia de retrata-la, oferecendo-se para faze-lo sem ter recebido uma encomenda formal, o que ela aceitou.



Na foto à esquerda, o retrato com a alça do vestido na posição original
Na foto à direita: John Singer Sargent - Study of Mme Gautreau - c.1884 – óleo sobre tela – 206,4 x 107,9 cm – Tate Britain





John Singer Sargent com o Retrato de Madame X no cavalete, em seu ateliê

Virginie Amélie Avegno Gautreau era uma alpinista social. Casou com um rico banqueiro muito mais velho que ela e dizem que ela teve muitos "casos", mas nada provado ou registrado. Um rumor sobre um possível affair entre modelo e pintor surgiu porque esse retrato foi muito difícil de fazer, pois a modelo não tinha paciência para posar. Levou mais de 1 ano em cerca de 30 sessões, e Sargent se hospedou na casa de campo dela na Bretanha por uns meses, para conseguir que ela ficasse quieta para ele poder fazer o retrato. Assim como ela tinha sido em Paris, no campo Gautreau estava entediada pelo processo de posar. Ali, também haviam compromissos sociais, bem como as responsabilidades com sua filha de quatro anos, a mãe, os hóspedes da casa, e uma equipe de serviçais.
Quando a obra foi exposta no Salon de 1884, as reputações da modelo e do artista foram arrasadas. Ela caiu na obscuridade e ele foi para a Inglaterra, onde restaurou sua boa reputação a partir de uma tela:  “Carnation, Lily, Lily, Rose” cuja história e fotos estão no artigo “A história de “Carnation, Lily, Lily, Rose” de John Singer Sargent”. Clique sobre o link para visualizar: 


John Singer Sargent (Florença, 12 de janeiro de 1856 — Londres, 14 de abril de 1925) foi um dos retratistas mais procurados e prolíficos da alta sociedade internacional. Um americano expatriado, John Singer Sargent pintou com elegância o mundo cosmopolita, ao qual pertencia. Nascido de pais americanos que residiam na Itália, Sargent passou sua vida adulta em Paris, movendo-se para Londres em meados de 1880. O artista viajava com freqüência, e foi durante essas viagens que ele experimentou mais extensivamente com pintura en plein air, ou ao ar livre. Tornou-se um dos maiores retratistas e muralistas de seu tempo. Com a maestria técnica e a engenhosidade de seus trabalhos, retratou brilhantemente seus modelos, enfocando-lhes o refinamento aristocrático e a altivez.


Sargent, sentado no centro, na festa de um artista, em New York, c. 1888 © Private collection


Como Sargent nunca casou e manteve sólidas amizades masculinas, além de fazer alguns retratos nus de modelos masculinos (uma série de desenhos que Sargent nunca expôs e que mais tarde foram doados pela família dele para o Museu Fogg de Harvard), surgiu o boato (nunca comprovado) que ele era homossexual ou bissexual. Em 1884, em Paris, Sargent conheceu o escritor Henry James, que se tornou um de seus maiores apoiadores. James sugeriu que ele se mudasse para a Inglaterra e começou a preparar o caminho para ele lá. James escreveu a um amigo: "Eu quero que ele venha aqui para viver e trabalhar - existe um enorme campo em Londres para um real pintor das mulheres, e de temas magníficos, de ambos os sexos". Sargent e James tinham muito em comum. Os dois eram americanos na Europa que haviam passado grande parte de sua infância no exterior. Ambos eram solteiros expatriados, reservados, diligentes, cuidadosos sobre suas vidas privadas. Eles gostavam muito da sociedade, ambos se interessavam por mulheres elegantes. No modo que eles navegavam seus próprios desenraizamentos e suas próprias sexualidades inquietas, movendo-se entre Inglaterra, França e América, na forma como eles pareciam, como artistas, modernos e também à moda antiga, preocupados tanto com a superfície como com a psicologia, eles poderiam ter sido imagens espelhadas um do outro.


John Singer Sargent - Henry James – 1913 – óleo sobre tela - 85.1 × 67.3 cm - National Portrait Gallery, London

John Singer Sargent era extremamente social e saía todas as noites. Sua vida social girava em torno de arte, música, e teatro, e ele estava profundamente engajado na cultura de seu tempo, sempre aberto a novas influências, e capaz de nutrir amizades com aqueles que ele admirava. Suas diversas amizades o vinculam com a vanguarda dos movimentos contemporâneos nas artes. Curiosamente, amigos, muitas vezes descreviam a personalidade de Sargent como tímida, nervosa e inábil. Sargent era cosmopolita e fluente em Inglês, Francês, Espanhol e Italiano, e falava um pouco de Alemão, mas se expressava através de sua arte.
Sargent cultivou e manteve amizades (tais como os artistas Claude Monet e Auguste Rodin, os escritores Robert Louis Stevenson e Henry James, e o ator Ellen Terry, entre outrosque foram essenciais para a sua arte, nutrindo sua criatividade e fornecendo inspiração, e elas foram cruciais para o desenvolvimento de sua carreira ao longo de sua vida. Sargent constantemente expandiu o seu círculo de colaboradores, permanecendo dedicado aos amigos ao longo da vida. Por exemplo, era comum Sargent manter relações sociais com clientes, anos depois de ter concluído os seus retratos. Sua rede de amigos tornou possível alcançar o sucesso em ambos os lados do Atlântico.


John Singer Sargent – Auto-Retrato – 1886 – óleo sobre tela - 34.5 × 29.7 cm - Aberdeen Art Gallery and Museums Collections, United Kingdom 


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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A História dos Retratos de Madame Récamier

Portrait of Madame Récamier - François Pascal Simon, Baron Gérard - 1802 – óleo sobre tela - 225 × 145 cm - Musée Carnavalet, Paris


A História dos Retratos de Madame Récamier 


Portrait of Madame Récamier - Jacques-Louis David – 1800 – óleo sobre tela – 174 x 224 cm – Louvre, Paris


O Retrato de Madame Récamier por Jacques-Louis David, mostra a socialite de Paris, Juliette Récamier, no auge da moda neoclássica, reclinada sobre um sofá estilo Diretório em um vestido de linha Império, com braços quase nus, e cabelo curto "à la Titus", tudo isso sendo muito avant-garde para a época. Récamier é um tipo de sofá ou chaise longue em que ela gostava de se reclinar e foi assim nomeado em sua homenagem. Esse é menos do que um retrato de uma pessoa mas sim, um ideal de elegância feminina. Madame Récamier (1777-1849), embora com apenas vinte e três anos, já era uma das mulheres mais admiradas do seu tempo.

Encomendada por Madame Récamier em 1800, a imagem permaneceu inacabada. David não estava satisfeito e queria refazê-la, mas para Madame Récamier, David trabalhou muito lentamente, e ela encomendou a um de seus alunos (François Pascal Simon) um novo retrato. Contrariado por isso, David disse a ela: "As mulheres têm seus caprichos, assim como os artistas. Permita-me satisfazer o meu, mantendo este retrato". A pintura permaneceu em seu estúdio, inacabado, e provavelmente não foi visto pelo público até ele entrar no acervo do Louvre em 1826.

François Pascal Simon, Barão de Gérard (Roma, 12 de março de 1770 — Paris, 11 de janeiro de 1837), mais conhecido por François Gérard, foi um pintor e gravador neo-clássico francês que se destacou como retratista. Os seus retratos, em especial os femininos, são notáveis pela delicadeza do traço e pela simplicidade e franqueza de expressão. 

Jeanne-Françoise Julie Adélaïde Récamier (04 de dezembro de 1777 - 11 de maio de 1849), conhecida como Juliette, era uma líder da sociedade francesa, cujo salão atraiu parisienses dos principais círculos literários e políticos do início do século 19. Nascida em Lyon, era a única filha de Jean Bernard, conselheiro do Rei e um notário, e sua esposa, Marie Julie Matton.

Ela casou aos 15 anos com Jacques-Rose Récamier (1751-1830), um banqueiro quase 30 anos mais velho que ela. Récamier escreveu: "Eu não estou apaixonado por ela, mas eu sinto por ela uma afeição genuína. Ela possui virtudes e princípios que são raros em uma idade tão precoce, é de coração terno, carinhoso, caridoso e gentil, amada por todos que a conhecem”. Surgiu um boato de que ele era de fato o seu pai natural, que casou com ela para fazê-la sua herdeira. Isso não foi provado. O casamento nunca foi consumado e Juliette permaneceu virgem até, pelo menos, seus quarenta anos. Ela era charmosa e atraente e tinha muitos admiradores, destacando-se: François-René de Chateaubriand, Lucien Bonaparte, Príncipe Augusto da Prussia.

Linda, realizada, e com amor pela literatura, Juliette era tímida e modesta por natureza. Desde os primeiros dias do Consulado Francês até quase o fim da Monarquia de Julho, o seu salão em Paris foi um dos principais resorts da sociedade literária e política que seguiam o que estava na moda. Os habitués de sua casa incluíam muitos ex-monarquistas, mais ou menos descontentes com o governo. Esta circunstância, juntamente com a sua recusa em agir como dama de companhia para Imperatriz consorte Joséphine de Beauharnais e sua amizade com Germaine de Staël, a trouxe sob suspeita.
Foi através de Mme de Staël que Mme Récamier conheceu Benjamin Constant. Mme Récamier acabou sendo exilada de Paris pelas ordens de Napoleão I. Depois de uma curta estadia em sua Lyon natal, ela foi a Roma, e, finalmente, para Nápoles. Lá Mme de Récamier estava em muito bons termos com Joachim Murat e sua esposa Caroline Bonaparte, que eram, então, opositores dos Bourbons. Ela convenceu Constant a defender as reivindicações de Murat em um memorando dirigido ao Congresso de Viena, e também induziu-o a assumir uma atitude decidida em oposição a Napoleão durante os Cem Dias. Seu marido sofreu pesadas perdas financeiras em 1805. Houve um projeto para seu divórcio, a fim de que ela pudesse se casar com o príncipe Augusto da Prússia, mas, embora seu marido estivesse de acordo, isso não foi providenciado. Ela perdeu a maior parte do que restava de sua fortuna, mas continuou a receber visitantes em seu apartamento em L'Abbaye-aux-Bois, um convento do século 17 (demolido em 1907) situado na rua 16 rue de Sèvres, em Paris, onde ela se aposentou em 1819.

Salon: Um salão literário (salon littéraire em francês) é uma reunião onde homens e mulheres eruditos se encontram regularmente, sob os auspícios de um anfitrião (ou anfitriã) para mútua diversão e para debater questões relativas a eventos correntes, filosofia, literatura, moral etc. O termo é geralmente associado aos encontros literários e filosóficos da França dos séculos XVII e XVIII, embora continue a ser praticado em muitos lugares do mundo mesmo nos dias de hoje. O termo foi muito utilizado para descrever os encontros das "précieuses", os círculos intelectuais e literários que se formavam ao redor de mulheres eruditas na primeira metade do século XVII, cuja afetação era ridicularizada por Molière. Alguns dos salon do século XIX eram mais inclusivos, aproximando-se da informalidade e centrados à roda de pintores e "leões literários", tais como o de Mme Récamier. 


Detalhe da tela de François Pascal Simon

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segunda-feira, 20 de julho de 2015

A história de ”La Femme a la Perle” de Jean-Baptiste Camille Corot

La Femme a la Perle - Jean-Baptiste Camille Corot – c. 1868-70 – óleo sobre tela – 70 x 55 cm – Musée du Louvre, Paris


A história de ”La Femme a la Perle” (A Mulher com a Pérola) de Jean-Baptiste Camille Corot

Essa pintura foi uma das obras mais importantes do pintor e gravurista francês Jean-Baptiste Camille Corot. Como o principal pintor da escola de Barbizon na França, em meados do século XIX, Corot testemunhou a vicissitude do classicismo, romantismo, realismo e a ascensão do impressionismo.
Mulher com uma Pérola é uma das figuras humanas que Corot pintou na terceira parte de sua carreira. Os personagens em seus retratos são serenos e luminosos. Muito se tem especulado sobre a fonte de inspiração para a Mulher com uma Pérola e é possível que ela tenha sido inspirada pela obra de Leonardo Di Vinci (1452-1519), a Mona Lisa, pelo posicionamento das mãos, a expressão facial, o posicionamento da modelo, Berthe Goldschmidt, posando em um vestido italiano que Corot trouxe de uma de suas viagens. É quase um pastiche da Mona Lisa. Algumas pessoas ficam confusas com o título que indica que a mulher na pintura está portando uma pérola, quando na verdade é uma pequena folha pendurada em sua testa. Embora a pérola seja apenas uma espécie de ilusão, é um reflexo do julgamento da veracidade pelo pintor


Leonardo da Vinci - Mona Lisa – 1503-17 – óleo sobre madeira – 77 x 53 cm - Musée du Louvre, Paris

O título, que permanece sem explicação, parece ecoar o de outro retrato de uma jovem mulher por Johannes Vermeer (1632-1675), Garota com Brinco de Pérola. A pérola, facilmente reconhecível na pintura de Vermeer, na pintura de Corot toma a forma de um ornamento (uma pequena folha) de cor escura, parte de um véu transparente que cobre a parte superior da testa da jovem.


Johannes Vermeer – Girl with a Pearl Earring – c. 1665 – óleo sobre tela – 44,5 x 39 cm - Mauritshuis, The Hague, Netherlands 


Sobre a liberdade técnica do artista e a cor clara, o poeta e crítico de arte Charles Baudelaire (1821-1867) descreveu o trabalho como um "milagre do coração e da mente".

Jean-Baptiste-Camille Corot (1796 - 1875) foi um pintor francês de paisagens e de retratos, assim como um gravurista. Ele é uma figura fundamental na história da pintura de paisagem e sua vasta produção faz referência tanto à tradição Neo-Clássica, como antecipa as inovações do plein-ar do impressionismo. Em 1825-1828, Corot viajou para a Itália (o que era considerado essencial para a formação de um artista da paisagem). Em 1827, ele enviou suas primeiras pinturas ao Salão de Paris. Corot viajou extensivamente pela Europa ao longo de sua vida, e durante essas viagens ele pintou ao ar livre, preenchendo inúmeros cadernos com desenhos. Durante os meses de inverno, ele trabalhava em estúdio, em ambiciosas paisagens e temas mitológicos e religiosos destinadas para o Salão de Paris. Sua reputação foi estabelecida na década de 1850, que também foi o período em que seu estilo tornou-se mais suave e suas cores mais restritas. Sua influência na posterior pintura de paisagem do século 19, incluindo os Impressionistas, foi imensa, particularmente em sua interpretação de luz sobre a paisagem.

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terça-feira, 25 de março de 2014

Retrato de Clarice Lispector - street art


Retrato de Clarice Lispector - street art na Vila Madalena, São Paulo, Brasil
Arte: Jimmy C. e Sliks
Clarice Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira.