Mostrando postagens com marcador Tissot. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tissot. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Análise da pintura “Seaside (July: Specimen of a Portrait)” de James Tissot

James Tissot – Seaside (July: Specimen of a Portrait), c. 1878 – óleo sobre tela – 87,5 x 61 cm - Cleveland Museum of Art, Cleveland, Ohio, USA


Análise da pintura “Seaside (July: Specimen of a Portrait)” ("À beira-mar - Julho: Espécime de um Retrato)" de James Tissot


Esta pintura pertence a uma série de alegorias representando vários meses do ano. A pose relaxada da modelo e a praia distante sugerem férias de verão à beira-mar. Tissot parece ter ficado indeciso quanto ao título da pintura e é provável que as legendas foram adicionadas na esperança de atrair encomendas de retratos. Esta imagem encantadora e elegante, o ápice do trabalho de Tissot no auge de sua carreira, mostra sua musa e amante Kathleen Newton reclinada em um divã, em um dia quente de verão. Ela é vista com a cabeça emoldurada por uma janela através da qual aparece uma visão da praia em Ramsgate, um famoso resort à beira-mar na costa de Kent.

Em “Seaside” Kathleen aparece em um vestido de musselina branca. Esse vestido aparece em vários trabalhos de Tissot desse período, e deve ter sido um dos itens mais usados regularmente em seu guarda-roupa. Quanto ao cenário, sabe-se que o casal visitou Ramsgate aproximadamente em 1876. Mas seria errado ver a pintura como um registro literal de um feriado à beira-mar. Ela é, na verdade, uma ficção altamente sofisticada. Embora a luz de Ramsgate figure ao fundo, ela parece projetada fora da janela do estúdio de Tissot, em sua casa em St. John's Wood, Londres. A visão é, sem dúvida, baseada em um dos estudos topográficos que ele fez exatamente para esse tipo de uso, misturada com a familiaridade da roupa de Kate Newton, as almofadas de veludo amarelo o estofamento florido, e outros objetos de estúdio que encontramos em outras pinturas. Não há dúvida que Tissot criou uma imagem de fontes diferentes, e a impressão que a imagem produz é essencialmente produto de habilidade e imaginação.

Existe outra versão da pintura em uma coleção particular. As duas imagens são quase idênticas em tamanho e algumas vezes foram confundidas nos registros. Existem duas diferenças principais entre as duas versões. A primeira, pela qual o próprio Tissot foi responsável, é a vista através da janela. Na pintura de Cleveland, vemos um pequeno trecho de praia, cercado por ondas quebradas, com um foco muito mais próximo do que na outra versão, com a vista panorâmica de Ramsgate, abraçando o mar, a parede do porto e o farol. A segunda diferença parece ser o resultado de um posterior retoque, feito por outra pessoa, no penteado de Kate, que foi modernizado na pintura de Cleveland.


James Tissot – Seaside (July: Specimen of a Portrait), c. 1878 – óleo sobre tela – 86,4 x 60,3 cm – coleção particular


Para ler a história completa de Kate Newton e James Tissot e ver mais pinturas, clique sobre o link:

http://www.arteeblog.com/2014/07/historias-da-historia-da-arte-kate.html


James Joseph Jacques Tissot (Nantes, 15 de outubro de 1836 – Buillon, 8 de agosto de 1902) foi um pintor francês. Tissot expôs no Salão de Paris pela primeira vez aos 23 anos. A característica do seu primeiro período foi como pintor dos charmes femininos. Demi-mondaine seria a forma mais acurada de chamar uma série de estudos que ele chamou de La Femme a Paris (A mulher em Paris). Lutou na Guerra Franco-Prussiana e, sob a suspeita de ser comunista, deixou Paris em direção a Londres. Lá estudou com Seymour Haden, desenhou caricaturas para a Revista Vanity Fair, pintou retratos e também telas temáticas. Seu trabalho mais grandioso foi a produção de mais de 700 aquarelas ilustrando a vida de Jesus e sobre o Velho Testamento.


Esse blog possui mais artigos sobre James Tissot. Clique sobre os links abaixo para ver:


http://www.arteeblog.com/2018/10/a-historia-da-pintura-de-james-tissot.html

http://www.arteeblog.com/2018/06/a-historia-da-pintura-de-james-tissot.html

http://www.arteeblog.com/2017/10/analise-da-pintura-last-evening-de.html

http://www.arteeblog.com/2015/04/a-historia-da-obra-de-james-tissot-in.html

http://www.arteeblog.com/2017/02/analise-da-pintura-de-edgar-degas.html


Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


terça-feira, 2 de outubro de 2018

A História da Pintura de James Tissot: Outubro

James Tissot – “October” – 1877 – óleo sobre tela - 53.5 x 116.8 cm - Museum of Fine Arts Montreal, Canada


A História da Pintura de James Tissot: Outubro


Como numa Comédia de Costumes, essa pintura sobre comportamento social e sobre moda passageira, capturado em Outubro, é uma das melhores obras do artista. Elegantemente vestida, a Sra Newton volta-se para o espectador, num gesto coquete, mostrando um tornozelo bem-torneado no farfalhar de anáguas de renda, com sua bota trilhando um tapete de folhas de outono. Sinais do estilo Japonista estão presentes, na verticalidade inspirada por pergaminhos kakemono e no fundo tumultuado de castanheiras.

Esse é um dos retratos da companheira de James Tissot, Kate Newton. A Sra. Newton tinha vinte e dois anos de idade, e era mãe de dois filhos ilegítimos quando a pintura foi feita. Quando James Tissot a conheceu, ela também era uma bela divorciada. A felicidade deles teria sido perfeita mas ela contraíu tuberculose e aos 28 anos, por não suportar ver seu amado sofrer com sua doença, terminou sua vida de musa graciosa e notória do pintor, deixando-o  inconsolável.

Para ler a história completa de Kate Newton e James Tissot e ver mais pinturas, clique sobre o link:


James Joseph Jacques Tissot (Nantes, 15 de outubro de 1836 – Buillon, 8 de agosto de 1902) foi um pintor francês. Tissot expôs no Salão de Paris pela primeira vez aos 23 anos. A característica do seu primeiro período foi como pintor dos charmes femininos. Demi-mondaine seria a forma mais acurada de chamar uma série de estudos que ele chamou de La Femme a Paris (A mulher em Paris). Lutou na Guerra Franco-Prussiana e, sob a suspeita de ser comunista, deixou Paris em direção a Londres. Lá estudou com Seymour Haden, desenhou caricaturas para a Revista Vanity Fair, pintou retratos e também telas temáticas. Seu trabalho mais grandioso foi a produção de mais de 700 aquarelas ilustrando a vida de Jesus e sobre o Velho Testamento.


Esse blog possui mais artigos sobre James Tissot. Clique sobre os links abaixo para ver:






Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


segunda-feira, 25 de junho de 2018

A história da pintura de James Tissot – The Hammock (A Rede)

James Tissot – The Hammock (A Rede), 1879 - óleo sobre tela - 127 x 76.2 cm – coleção particular


A história da pintura de James Tissot – The Hammock (A Rede)


O cenário dessa pintura é o jardim do próprio Tissot em St. John's Wood, Londres, com a sua lagoa e colunata de ferro fundido. A colunata, que aparece frequentemente em suas pinturas, foi copiada de um original em mármore no Parc Monceau, em Paris. Na Londres vitoriana, a manutenção de um jardim tão elaborado era um sinal de riqueza. Uma das histórias contadas entre os amigos de Tissot em Paris era que ele era tão bem-sucedido que tinha criados com luvas brancas polindo as folhas de seus arbustos. Em The Hammock ele brinca com a ideia de luxo, langor e amor.

A modelo para a jovem na rede foi a amada amante irlandesa de Tissot, Kathleen Newton, com quem ele morava em sua casa no subúrbio de St. John's Wood, no norte de Londres. Após um breve e desastroso casamento arranjado, Newton se divorciou quando tinha apenas dezessete anos. Ela tinha uma filha e um filho muito parecido com Tissot. Para evitar fofocas e escândalo, o casal viveu uma vida muito privada. O rosto de Newton era familiar para a sociedade londrina através das pinturas de Tissot, onde ela foi retratada muitas vezes, mas sua identidade permanecia um mistério fora do círculo imediato do artista. Somente em 1946 sua identidade foi revelada publicamente, quando sua sobrinha respondeu a um pedido de informações de um curioso jornalista londrino.


Esse blog possui um artigo sobre Kathleen Newton. Clique sobre o link abaixo para ler mais detalhes de sua história e ver mais pinturas:



Preguiçosamente lendo seu jornal, Newton provoca o espectador masculino, com um vislumbre de sua anágua. O cachorro dormindo perto de seus pés aparece como o alter-ego do artista (os cães estavam associados tanto à fidelidade quanto ao desejo sexual). O livro que está sobre o tapete é provavelmente francês, e isso também pode ser uma indicação simbólica da própria presença de Tissot, como se ele estivesse sentado e lendo aos pés de sua amante.

Como seus amigos e colegas artistas Manet, Degas e Whistler, Tissot era fascinado pela arte e design japoneses. Ele foi um colecionador de objetos japoneses desde o início de sua carreira em Paris, na década de 1860, e o guarda-sol em The Hammock é um exemplo entre muitos em que ele os usava em elementos decorativos em suas pinturas. Na década de 1870, o Japão passara a representar a libertação dos modos do Ocidente, e os artistas de vanguarda do Movimento Estético na Grã-Bretanha consideravam a graciosa simplicidade do design japonês como um antídoto ao naturalismo afetado da maioria das pinturas britânicas. A rede de Newton também é de uma cultura distante: é brasileira.

James Tissot fez mais uma obra com o mesmo tema e título:


James Tissot – The Hammock (A Rede), 1880 – água-forte (gravura em metal) e ponta-seca sobre papel – 27,9 x 18,3 cm - The Art Institute of Chicago, USA


James Joseph Jacques Tissot (Nantes, 15 de outubro de 1836 – Buillon, 8 de agosto de 1902) foi um pintor francês. Tissot expôs no Salão de Paris pela primeira vez aos 23 anos. A característica do seu primeiro período foi como pintor dos charmes femininos. Demi-mondaine seria a forma mais acurada de chamar uma série de estudos que ele chamou de La Femme a Paris (A mulher em Paris). Lutou na Guerra Franco-Prussiana e, sob a suspeita de ser comunista, deixou Paris em direção a Londres. Lá estudou com Seymour Haden, desenhou caricaturas para a Revista Vanity Fair, pintou retratos e também telas temáticas. Seu trabalho mais grandioso foi a produção de mais de 700 aquarelas ilustrando a vida de Jesus e sobre o Velho Testamento.

Esse blog possui mais artigos sobre James Tissot. Clique sobre os links abaixo para ver:






Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.



quinta-feira, 24 de julho de 2014

Histórias da História da Arte: Kate Newton e o pintor James Tissot

James Tissot - Retrato da Sra. Newton - Kathleen Newton - em 1876

Histórias da História da Arte: Kate Newton e o pintor James Tissot 

Kathleen Irene Ashburnham "Kate" Kelly era descendente de uma família de médicos católicos irlandeses e foi criada em Agra e Lahore, na Índia. Seu pai, Charles Frederick Ashburnham Kelly, um oficial do exército irlandês, foi contratado pela Companhia das Índias Orientais, em Lahore. A mãe, Flora Boyd, era da Irlanda. Em 1858, o pai de Kate foi transferido para Agra, uma cidade famosa pelo Taj Mahal, onde subiu para o posto de principal ajudante e oficial contador.


James Tissot - A Type of Beauty


James Tissot – “October” – 1877 – óleo sobre tela - Musée des beaux-arts de Montréal

Esse blog possui um artigo sobre essa pintura. Clique no link abaixo para ver:



Kelly fez um arranjo de casamento para sua filha de dezesseis anos de idade, Kate com Isaac Newton, um cirurgião do Serviço Civil indiano. Na viagem de ida para se casar, o capitão Palliser ficou obcecado com sua beleza, mas não teve sucesso em sua sedução. Depois do casamento, em Janeiro de 1870 e antes da consumação, Kate, supostamente mediante os conselhos de um padre católico, explicou a Isaac o ocorrido com o capitão. Newton instituiu o processo de divórcio e mandou-a de volta para a Inglaterra. O capitão pagou sua passagem, negociando  em troca, que ela se tornaria sua amante. Ela ficou grávida, mas se recusou a casar com Palliser. Sua filha, Muriel Violet Mary Newton, nasceu em Yorkshire em 20 de dezembro de 1871. O divórcio foi concedido em 20 de julho de 1872. Kate e Violet foram morar com a família da irmã de Kate, Polly em Hill Road, St John Wood.


James Tissot – “The Hammock” (A Rede) – 1879 – óleo sobre tela -  127 x 76 cm

Esse blog possui um artigo sobre essa pintura. Clique no link abaixo para ver:



Depois de seu envolvimento nos acontecimentos da Comuna de Paris em 1871, o pintor francês Jacques Tissot - James Joseph Jacques Tissot (Nantes15 de outubro de 1836 – Buillon8 de agosto de 1902) - mudou-se para Londres e também mudou seu nome para James. Em Março de 1876, Kate deu à luz seu filho, Cecil George Newton Ashburnham. Tissot é supostamente o pai da criança. Kate e seus filhos mudaram para sua casa. Naquele mesmo ano, ela apareceu pela primeira vez em uma de suas pinturas,  A Passing Storm, e uma gravura, intitulada Ramsgate.


James Tissot - A Passing Storm - c. 1876 - óleo sobre tela - 76.84 × 99.7 cm


James Tissot – “Hide and Seek” (esconde-esconde) - c. 1877 – óleo sobre madeira - 73.4 × 53.9 cm – National Gallery of Art 


James Tissot – “In the Sunshine” (Ao sol) – c. 1881 – óleo sobre tela 
Esta pintura encantadora mostra Kathleen sentada sobre um tapete no jardim, ao lado de sua filha Violet. A outra menina pequena segurando o guarda-sol é sua sobrinha, Lillian Hervey. Sentada no muro está sua irmã, Mary Hervey (Polly), bagunçando o cabelo de Cecil George Newton, que se supõe ser o filho de James Tissot.

James Tissot - Auto-retrato - 1865


Depois de 1.876 as pinturas de Tissot tendem a refletir cenas domésticas ao invés da vida da sociedade. Kate tinha 23 anos quando, em 1877, posou para a pintura "Mavourneen", um termo carinhoso derivado do gaélico irlandês "mo mhuirnín" ("minha querida"), possivelmente uma referência a "Kathleen Mavourneen", uma canção popular ou a peça (com base na canção), que foi encenada pela primeira vez em Londres, em 1876. Ela foi chamada de "ravissante Irlandaise", e Tissot era fascinado pelo conflito de sua formação católica irlandesa, o divórcio e o status de mãe solteira de dois filhos.


James Tissot - "Mavourneen" - 1877 - óleo sobre tela


James Tissot - L’Ete (Verão) – 1878 - 91.44 x 50.80 cm


Embora não fosse incomum aos homens bem sucedidos e ricos daquela época manterem uma amante, eles não as exibiam nem anunciavam a sua ligação (como fez Tissot) de forma aberta. O caso muito público de Tissot com Kathleen chocou a sociedade de Londres, que o havia recebido de braços abertos e ele teve que escolher entre sua vida social e Kathleen. Para Tissot não havia dúvida: Kathleen era o amor de sua vida. Ele e Kathleen se acomodaram numa vida de domesticidade e foram felizes, com seus muitos amigos artistas que continuaram a apoiá-los. Eles nunca se casaram e isso pode ter sido devido às suas educações católicas rígidas e crenças. 


James Tissot – “The Garden Bench” (O Banco de Jardim) - 1882
A pintura acima mostra Kathleen Newton e seus filhos, Cecil George e Violet e sua sobrinha, Lilian Hervey, filha de sua irmã Polly. Embora Tissot tenha exposto a pintura, ele não a vendeu e a manteve com ele, como um memorial, até sua morte.


James Tissot – “Quiet” - c. 1881 - 33.02 x 22.86 cm


Tissot descreveu sua vida como "felicidade doméstica", mas Kate contraiu tuberculose. Como sua saúde piorou, a arte de Tissot sutilmente mudou novamente, refletindo temas da doença ou de partida. Ela foi incapaz de ver o seu sofrimento e ingeriu uma overdose de láudano, morrendo em novembro de 1882. Tissot sentou-se ao lado do seu caixão por quatro dias. Divorciada por ser honesta e íntegra, a mãe solteira de dois filhos e musa de algumas das mais belas obras do período vitoriano se matou aos 28 anos, porque não podia suportar a tristeza de seu amante. Depois disso ele deixou Londres e se dedicou a pinturas religiosas.


James Tissot, Kathleen Newton e seus filhos Violet e Cecil, 1879


Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas compartilhe usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais.