segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Análise da pintura “The Last Evening” de James Tissot

James Tissot – The Last Evening, 1873 – óleo sobre tela – 72,4 x 102,8 cm – Guildhall Art Gallery, Londres, UK


Análise da pintura “The Last Evening” (A Última Noite) de James Tissot


Essa pintura é uma cena a bordo de um navio. É um emaranhado de emoções ​​e relacionamentos indefinidos: uma mulher em uma cadeira de balanço olha para a distância, enquanto um marinheiro que usa uma aliança de casamento se dirige a ela, com o braço em torno de sua cadeira. Em um banco ao lado do convés, outro marinheiro, mais velho e barbudo, segura um jornal, entre os joelhos. Seu companheiro de assento, um cavalheiro idoso com chapéu alto e corrente de relógio, olha para trás, com irritação, para algo fora de vista. Enquanto isso, uma menina pequena com uma fita de cabelo de veludo preto se inclina na parte de trás do banco, observando o homem idoso (um avô? Um guardião?). Atrás de todos eles, o cordame deste navio e de vários outros, atravessam o céu num emaranhado de linhas de tinta preta. Essas linhas são uma alusão direta aos cabos de telégrafo que foram colocados sob o Atlântico menos de uma década antes que essa pintura fosse feita.

A modelo para a pintura foi Margaret Kennedy (1840-1930), a esposa de um amigo de Tissot, o capitão John Freebody, cujo navio levou emigrantes para a América. Ele foi o modelo do homem mais novo na pintura, e o irmão mais velho de Margaret, o Capitão Lumley Kennedy, foi o modelo do homem com barba vermelha. 

A moça parece estar em um momento de pensamento silencioso. O que ela estaria pensando? Que o marinheiro que ela ama está prestes a partir para o mar? Ou que ela partirá nesse navio e tem medo dos meses vindouros? O marinheiro seria seu esposo, ou alguém que não a conhecia e se sensibilizou com sua preocupação e a tenta consolar? Seria o homem mais velho seu pai? A menina, sua irmã? A pintura é sobre comunicação que não pode ser descodificada, olhares que não podem ser explicados e que não se alinham. Todos nesta pintura estão tentando dizer algo, nessa cena cheia de tensão.


James Joseph Jacques Tissot (Nantes, 15 de outubro de 1836 – Buillon, 8 de agosto de 1902) foi um pintor francês. Tissot expôs no Salão de Paris pela primeira vez aos 23 anos. A característica do seu primeiro período foi como pintor dos charmes femininos. Demi-mondaine seria a forma mais acurada de chamar uma série de estudos que ele chamou de La Femme a Paris (A mulher em Paris). Lutou na Guerra Franco-Prussiana e, sob a suspeita de ser comunista, deixou Paris em direção a Londres. Lá estudou com Seymour Haden, desenhou caricaturas para a Revista Vanity Fair, pintou retratos e também telas temáticas. Seu trabalho mais grandioso foi a produção de mais de 700 aquarelas ilustrando a vida de Jesus e sobre o Velho Testamento.



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