quinta-feira, 23 de abril de 2015

A história da obra de James Tissot: “In the Conservatory (Rivals)” ou “Na Estufa (Rivais)”

James Tissot - “In the Conservatory (Rivals)” – óleo sobre tela - 38.4 x 51.1 cm


A história da obra de James Tissot: “In the Conservatory (Rivals)” ou “Na Estufa (Rivais)”

Nesta encantadora pintura de um encontro social, James Tissot apresenta alguns dos esplendores que a riqueza disponibilizava na década de 1870: plantas exóticas de todo o mundo, objetos de arte orientais e do século XVIII e mulheres jovens atraentes, vestidas na última moda. É uma imagem que mostra a ascensão meteórica de Tissot, desde que chegou à Inglaterra em 1871, e foi projetada para atrair os novos colecionadores, que foram parcialmente fundamentais no seu rápido sucesso.
Tissot se estabeleceu em Londres, durante o segundo semestre de 1871, quando encomendas de retratos e a London International Exhibition de 1872 ofereciam melhores perspectivas de trabalho e ganhos do que a Paris pós Commune e Siege (O cerco de Paris, de 19 de setembro de 1870 a 28 de Janeiro 1871, e a consequente captura da cidade por forças prussianas, levou à derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana e o estabelecimento do império alemão, bem como a Comuna de Paris). Pinturas expostas por Tissot em 1872 foram abocanhadas por colecionadores e isso resultou em um fluxo contínuo de pedidos. No início de 1873 Tissot foi capaz de arrendar uma grande casa com jardim na Grove End Road, St John Wood, um subúrbio de Londres arborizado, onde muitos artistas moravam. Ele encomendou ao jovem arquiteto escocês, John McKean Brydon, um projeto e a construção de uma extensão da casa, com estúdio e Jardim de Inverno (estufa), que dobrou o espaço do andar térreo da casa e proporcionou um ambiente elegante, para entreter os amigos, clientes e imprensa crítica. O projeto de Brydon, exibido na Royal Academy em 1874, mostra o grande estúdio com duas janelas de sacada, que Tissot usou como cenário para inúmeras pinturas.
A entrada em degraus dá acesso através de portas de vidro duplo ao jardim. Ao longo do comprimento do estúdio há uma estufa de altura dupla, que preenche o fundo da obra “In the Conservatory”. Foi descrita como separada do estúdio por um arranjo de divisórias de vidro e cortinas, que pode ser visto claramente na pintura. Estufas eram utilizadas como extensões de salas, mas precisavam de uma maneira de fecha-las de modo que o clima correto pudesse ser mantido para as plantas exóticas.


James Tissot - “In the Conservatory (Rivals)” – óleo sobre tela - 38.4 x 51.1 cm - detalhe

Duas jovens em vestidos formais próprios para a tarde, em musselina plissada azul com chapéus combinando, dominam o centro da composição. Uma sentada, tomando chá, suas luvas removidas fora de vista, os lábios entreabertos como se estivesse dizendo algo para o casal sentado em frente, em cuja direção ela olha. Este casal, à direita da pintura, sentam perto um do outro, mas não interagem. O jovem de cabelos escuros parece encerrado em seus pensamentos, a jovem mulher no vestido rosa e chapéu combinando, sem sorrir, quase taciturna. Sua falta de interação é destacada por contraste com um par de pé ao fundo, na estufa: um homem com bigode ruivo, sua cartola segura por trás dele, olhando para a mulher ao lado dele, vestida com vestido de musselina branca com decoração de fita amarela. Ela olha para baixo e segura em sua mão direita um leque aberto que cobre a parte inferior do rosto. Os dois estão absortos um no outro e há claramente uma forma de conversação ou flerte entre eles.
Algumas pessoas interpretam o par no primeiro plano à direita como sendo a mãe das meninas vestidas de azul e um pretendente com pouco entusiasmo por elas. Mas ela parece muito jovem para ser a mãe, embora pudesse ser uma dama de companhia casada, e sua linguagem corporal sugere que ela e o jovem são um casal, ainda que, entre eles paire uma atmosfera gelada. Eles tiveram uma discussão, talvez antes delas chegarem, ou o jovem disse algo de cortesia, ou mostrou atenção indevida, a uma ou mais das jovens vestidas de azul? Tissot é o mestre contador de histórias, plantando pistas instigantes através de gestos, expressões e detalhes incidentais, mas deixando seus contos visuais ambíguos e abertos a diferentes interpretações.
Ao fazer os espectadores imaginando o que foi dito ou está prestes a acontecer, Tissot mantém seus quadros frescos e relevantes, para que cada espectador traga as suas próprias experiências e sentimentos em sua interpretação da obra. Isso faz com que as imagens de Tissot sejam tão fascinantes e populares para as audiências modernas como eram para os seus contemporâneos. A especulação quanto ao seu conteúdo e significado também levou a vários títulos diferentes sendo dados às obras de Tissot por proprietários e marchands. "Rivais", embora seja um título que Tissot deu a uma pintura diferente, poderia se aplicar aqui entre a jovem de vestido rosa e as duas garotas vestidas de azul. "Chá da tarde" é a ocasião social.
No centro da pintura, a segunda jovem em musselina azul, com decorações de fita mais escuras do que a primeira, está por trás de uma pequena mesa Biedermeier, para onde uma bandeja com xícaras de chá foi trazida. Ela possui um leque fechado na mão direita enluvada e olha para o espectador, os lábios entreabertos como se estivesse dizendo algo, sua mão esquerda na bandeja de chá, prestes a levantá-la e oferecer-nos uma xícara. O espectador está sendo convidados para a reunião, há um banquinho de espera. É possível que as duas jovens em azul sejam irmãs, pois nessa época. irmãs (não apenas gêmeas) muitas vezes usavam vestidos iguais.
Jardins de Inverno (ou estufas) como o de Tissot eram uma símbolo máximo de riqueza e luxo, sua construção de vidro e metal era cara. Plantas exóticas de todo o mundo eram caras para comprar, mas eram muito mais caras para manter, especialmente a rega das plantas e o aquecimento do seu ambiente através de um sistema de tubos de água quente escondidos. A estufa de Tissot transborda com espécimes fabulosos, dispostos a justapor formas, tamanhos e tons de verde, com uma dispersão de cor de camélias e outras plantas com flores. Os franceses eram famosos por seu arranjo artístico de plantio em parques, jardins e estufas durante o século 19, e Tissot exibe seu próprio talento e paixão pela arte em suas pinturas da estufa e jardim em Grove End Road.


James Tissot - "The Bunch of Lilacs" – 1875 – óleo sobre tela

O traje de musselina com fitas azuis mais escuras é usado novamente em "The Bunch of Lilacs", no interior da estufa de Tissot. Aqui, a jovem retirou o chapéu, segurando-o pela corda em seu dedo mindinho esquerdo, deixando a mão esquerda apoiar o jarro de lilases que ela segura pela alça em sua mão direita. O piso de azulejos polidos reluzentes, vislumbrado no fundo da imagem do chá da tarde, é mostrado com perfeição, com a jovem e plantas ao redor espelhados em sua superfície. Vários objetos orientais são vistos nas duas pinturas, como uma lanterna oriental, gaiola, um grande queimador de incenso em bronze, um pote de cerâmica azul e branco em um suporte. Tissot era um grande colecionador de arte oriental em Paris, e depois em Londres. Algumas de suas cerâmicas chinesas e japonesas, têxteis, fotografias e outras obras de arte aparecem em inúmeras pinturas.


James Tissot – "The Fan" – 1875 – óleo sobre tela

Esta pequena pintura usa a mesma modelo loira (embora diferentemente vestida), com um nariz delicado e queixo pontudo, que é vista bebendo chá no lado esquerdo da pintura “In the Conservatory (Rivals)”, e era uma das favoritas antes do artista conhecer o grande amor de sua vida, Kathleen Newton, por volta de 1876.

James Joseph Jacques Tissot (Nantes, 15 de outubro de 1836 – Buillon, 8 de agosto de 1902) foi um pintor francês. Tissot expôs no Salão de Paris pela primeira vez aos 23 anos. A característica do seu primeiro período foi como pintor dos charmes femininos. Demi-mondaine seria a forma mais acurada de chamar uma série de estudos que ele chamou de La Femme a Paris (A mulher em Paris). Lutou na Guerra Franco-Prussiana e, sob a suspeita de ser comunista, deixou Paris em direção a Londres. Lá estudou com Seymour Haden, desenhou caricaturas para a Revista Vanity Fair, pintou retratos e também telas temáticas. Seu trabalho mais grandioso foi a produção de mais de 700 aquarelas ilustrando a vida de Jesus e sobre o Velho Testamento.


Veja mais informações sobre James Tissot no artigo desse blog: Histórias da História da Arte: Kate Newton e o pintor James Tissot. Clique sobre o link:

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