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sexta-feira, 31 de outubro de 2025


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quarta-feira, 10 de janeiro de 2024


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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

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segunda-feira, 18 de março de 2019

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segunda-feira, 12 de março de 2018

Mary Cassatt, sua arte e sua história

Mary Cassatt – The Tea, c. 1880 – óleo sobre tela – 64,8 x 92,1 cm – Museum of Fine Arts Boston, USA

(Essa pintura está ambientada em uma sala contemporânea, provavelmente da própria Cassatt. O papel de parede listrado e a lareira de mármore esculpido, ornamentada com uma pintura elaboradamente emoldurada e um jarro de porcelana, são típicas de um interior parisiense de classe média alta e o antigo serviço de chá prateado na mesa em primeiro plano implica uma história familiar distinta. As duas mulheres desempenham os papéis tradicionais de anfitriã e convidada, embora pareça que a conversa tenha parado. A anfitriã (à esquerda, com um simples vestido marrom) apoia a mão no queixo enquanto a convidada (vestindo chapéu, cachecol , e luvas que indicam que ela veio de fora) sorve seu chá. A anfitriã é provavelmente a irmã de Cassatt, Lydia e a convidada, uma amiga da família, mas é igualmente provável que as mulheres fossem as modelos habituais de Cassatt, uma morena e uma loira.)


Mary Cassatt, sua arte e sua história


Mary Cassatt – The Cup of Tea (Lydia Cassatt) – c. 1880 – 1881 – 92,4 x 65,4 cm – The Metropolitan Museum of Art, New York, USA


Mary Cassatt – Portrait of the Artist, 1878 – aquarela e guache sobre papel – 60 x 41,1 cm – The Metropolitan Museum of Art, New York


Mary Stevenson Cassatt (22 de Maio de 1844-14 de Junho de 1926), nasceu na cidade de Allegheny (agora parte de Pittsburgh), Pensilvânia, passou sua infância com sua família na França e na Alemanha. Ela cresceu em um ambiente que via viagens como parte integrante da educação.


Mary Cassatt - Mother Combing Her Child's Hair, ca. 1901 – crayon sobre papel - 64.1 x 80.3 cm - Brooklyn Museum, New York, USA


Mary Cassatt - Woman with a Pearl Necklace in a Loge (Lydia), 1879 – óleo sobre tela - 81.3 x 59.7 cm – Philadelphia Museum of Art, USA


Embora sua família se opusesse a ela se tornar uma artista profissional, Cassatt começou a estudar pintura na Academia de Belas Artes da Pensilvânia, na Filadélfia, aos 15 anos de idade, de 1860 a 1862. Uma parte da preocupação de seus pais pode ter sido a exposição de Cassatt às ideias feministas e ao comportamento boêmio de alguns dos estudantes do sexo masculino. Cassatt e suas amigas eram defensoras da igualdade de direitos para os sexos. Apenas cerca de 20 por cento dos estudantes eram do sexo feminino e poucas delas estavam tão determinadas, como Cassatt, para fazer da arte a sua carreira. Impaciente com o ritmo lento da instrução e a atitude condescendente dos estudantes e professores do sexo masculino, ela decidiu estudar os antigos mestres por conta própria. Na Academia, as estudantes do sexo feminino não podiam usar modelos ao vivo, e treinavam principalmente observando moldes de esculturas.


Mary Cassatt - Children Playing on the Beach, 1884 – óleo sobre tela - 97.4 x 74.2 cm - National Gallery of Art, Washington, DC, USA


Mary Cassatt – Breakfast in Bed, 1897 – óleo sobre tela - Huntington Library, San Marino, CA, USA


Em 1865, ela convenceu seus pais a deixá-la estudar em Paris, com a mãe e as amigas da família atuando como acompanhantes, onde teve aulas particulares com o principal pintor acadêmico daquela época, Jean-Léon Gérôme. Cassatt aumentou seu treinamento artístico fazendo cópias diárias no Louvre, obtendo a licença que era necessária para controlar os "copistas", geralmente mulheres de baixa remuneração, que iam diariamente ao museu para pintar cópias para venda. O museu também servia como um local social para estudantes francesas e americanas, que, como Cassatt, não tinham permissão para entrar nos Cafés onde a avant-garde socializava. Em 1868, pela primeira vez uma pintura de Cassatt (The Mandolin Player) foi aceita no Salão de Paris.


Mary Cassatt – The Mandolin Player, 1868 – óleo sobre tela – 92 x 73,5 cm – coleção particular


Mary Cassatt - Young Mother Sewing, 1900 – óleo sobre tela - 92.4 x 73.7 cm – The Metropolitan Museum of Art, New York, USA


Depois de três anos e meio na França, a guerra franco-prussiana interrompeu os estudos de Cassatt e ela retornou para a Filadélfia no final do verão de 1870. Ela voltou para a Europa em 1871, passando oito meses em Parma, na Itália, em 1872, estudando as pinturas de Correggio e Parmigianino. Em 1873, ela visitou a Espanha, a Bélgica e a Holanda para estudar e copiar as obras de Velázquez, Rubens e Hals. Em junho de 1874, Cassatt se instalou em Paris, onde começou a expor regularmente nos Salões e onde seus pais e sua irmã Lídia se reuniram com ela em 1877. Nesse mesmo ano, Edgar Degas a convidou a se juntar ao grupo de artistas independentes mais tarde conhecido como os Impressionistas. Sendo a única americana oficialmente associada ao grupo, Cassatt expôs em quatro de suas oito exposições, em 1879, 1880, 1881 e 1886.


Mary Cassatt – Summertime, 1894 – óleo sobre tela – 73,6 x 96,5 cm - Armand Hammer Museum of Art, Los Angeles, CA, USA


Mary Cassatt - The Boating Party, 1893 – 1894 – óleo sobre tela - 90 x 117.3 cm - National Gallery of Art, Washington, DC, USA


Cassatt e Degas tiveram um longo período de colaboração. Os dois tinham estúdios muito perto, Cassatt na rue Laval, 19 e Degas na rue Frochot, 4, a menos de cinco minutos a pé. Degas adotou o hábito de ir olhar o estúdio de Cassatt e oferecer seus conselhos e ajudá-la a obter modelos. Eles tinham muito em comum: compartilhavam gostos semelhantes na arte e na literatura, eram de origens afluentes, estudaram pintura na Itália e ambos eram independentes, nunca se casaram. É improvável que eles estivessem em um relacionamento dadas as suas origens sociais conservadores e fortes princípios morais.


Mary Cassatt - Sarah in a Green Bonnet, 1901 – óleo sobre tela - National Gallery of Art, Washington, DC, USA


Mary Cassatt - The Child's Bath, 1893 – óleo sobre tela – Art Institute of Chicago, USA


Sob a influência dos Impressionistas, Cassatt revisou sua técnica, composição e uso de cor e luz, manifestando sua admiração pelas obras da vanguarda francesa, especialmente de Degas e Manet. Como Degas, ela estava principalmente interessada em composições de figuras. Durante o final da década de 1870 e início da década de 1880, os temas de suas obras eram sua família (especialmente sua irmã Lydia), o teatro e a ópera. Mais tarde, ela se especializou no tema de mães e crianças, que ela tratou com calor e naturalidade em pinturas, crayons e gravuras. Nem Mary nem Lydia se casaram. Mary decidiu ainda jovem que o casamento seria incompatível com sua carreira. Lydia, que foi frequentemente pintada por sua irmã, sofria de episódios recorrentes de doença, e sua morte em 1882 deixou Cassatt temporariamente incapaz de trabalhar.


Mary Cassatt – “Woman Bathing” - 1890-1891 – ponta-seca e aquatinta sobre papel -  43.2 x 29.8 cm – National Gallery of Art, Washington, DC, USA


Mary Cassatt – “The Coiffure” (“O Penteado”) - 1890-1891 - ponta-seca e aquatinta sobre papel -  43.2 x 30.7 cm – Art Institute of Chicago, IL, US


Cassatt participou da onda de feminismo que ocorreu na década de 1840, permitindo que as mulheres tivessem acesso a instituições educacionais em faculdades e universidades. Ela foi uma defensora da igualdade para as mulheres, fazendo campanha com suas amigas para bolsas de viagem iguais para todos os estudantes na década de 1860 e para o direito de votar na década de 1910.


Mary Cassatt – “The Fitting” (“A Prova”) – 1891 - ponta seca e água-tinta impressa em cores sobre papel texturizado branco desbotado - 47.8 x 30.8 cm – Metropolitan Museum of Art, New York, USA


Cassatt foi conselheira de vários grandes colecionadores de arte e beneficiou muitas coleções públicas e privadas nos Estados Unidos. Desde seus primeiros dias em Paris, ela encorajou a coleção de antigos mestres e das vanguardas francesas. Ela convenceu os colecionadores a eventualmente doarem suas coleções aos museus de arte americanos. Em reconhecimento às suas contribuições para as artes, a França lhe concedeu a Legion d'Honneur em 1904. Embora fundamental em aconselhar os colecionadores americanos, o reconhecimento da sua própria arte foi mais lento nos Estados Unidos.


Mary Cassatt - Little Girl in a Blue Armchair, 1878 – óleo sobre tela - 89.5 x 129.8 cm – National Gallery of Art, Washington, DC, USA

(Com uma paleta limitada e pinceladas vibrantes, Cassatt criou uma interação dinâmica de formas contrastantes, com a pequena menina jogada em uma cadeira em um momento de tédio ou exaustão, e o pequeno cão em um estado de repouso absoluto. Esta pintura atesta a relação recém-formada entre Mary Cassatt e os Impressionistas, e a sua assimilação de um estilo de pintura mais livre. Cassatt retrabalhou a pintura com a ajuda de seu amigo Edgar Degas e a expôs junto com outras 10 pinturas em sua exposição de estreia com os impressionistas em 1879.)


Esse blog possui mais artigos sobre Mary Cassatt. Clique sobre os links abaixo para ver:




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sábado, 10 de dezembro de 2016

Zinaida Serebriakova, sua arte e sua história

Zinaida Serebriakova – At the Dressing Table (self-portrait), 1909 – óleo sobre tela – 75 x 65 cm - The State Tretyakov Gallery, Moscow


Zinaida Serebriakova, sua arte e sua história


A composição da pintura “At the Dressing Table” (Na Penteadeira) é representada como um reflexo em um espelho, que é tradicional para o gênero de autorretrato. Este dispositivo introduz um elemento de intimidade e, ao mesmo tempo, cria um afastamento necessário. O tema "através do espelho", nessa obra, não dá origem a um sentimento de mistério. Mesmo as velas, que normalmente simbolizam o passar do tempo nas pinturas, parecem esquecer sua função na atmosfera leve do quadro. Os olhos brilhantes enormes da retratada e seu rosto amigável transmitem calor. As mãos e o cabelo fornecem uma moldura para o rosto. Serebryakova não se anuncia de forma alguma como artista. Tem-se a sensação de que o autorretrato foi pintado para o círculo íntimo de sua família mais próxima.


Zinaida Serebriakova – Country Girl, 1906 - The State Russian Museum, Saint Petersburg, Russia


Zinaida Yevgenyevna Serebriakova (10 de Dezembro de 1884 - 19 de Setembro de 1967) foi uma pintora russa. Zinaida Serebriakova nasceu perto de Kharkov, Ucrânia, em uma das famílias mais refinadas e artísticas da Rússia. Ela pertencia à família artística Benois, com conceituados arquitetos e artistas plásticos. O ator e escritor russo-inglês Peter Ustinov também era relacionado a essa família. Em 1900 entrou na escola de arte fundada pela princesa M. K. Tenisheva. Foi aluna de Ilya Repin em 1901 do retratista Osip Braz entre 1903 e 1905. Em 1902-1903 passou um tempo na Itália e de 1905 a 1906 estudou na Académie de la Grande Chaumière em Paris.


Zinaida Serebriakova - The Orchard, 1908-9 - Têmpera sobre papel - 47.7 x 56 cm - The Russian Museum, St. Petersburg, Russia


Zinaida Serebriakova - Apple-Tree, 1910s – óleo sobre tela - 55 x 78.5 cm - Donetsk Regional Art Museum, Donetsk, Ukraine


A partir de sua juventude, Zinaida Serebriakova esforçou-se para expressar seu amor ao mundo e para mostrar sua beleza. Suas primeiras obras falam eloquentemente dessa busca e de sua aguda consciência da beleza da terra russa e seu povo. Estes trabalhos são estudos feitos da natureza, e embora fosse jovem naquele tempo, seu talento, confiança e ousadia extraordinários eram aparentes. Um amplo reconhecimento público veio com o autorretrato de Serebriakova, “At the Dressing Table”, exibido pela primeira vez em uma grande exposição montada pela União de Artistas Russos em 1910.


Zinaida Serebriakova - The Bather, 1911 – óleo sobre tela - 98 x 89 cm - The Russian Museum, St. Petersburg, Russia


Zinaida Serebriakova - Self-portrait as Pierrot, 1911 – óleo sobre tela - 71.6 x 58.5 cm - The Art Museum, Odessa, Ukraine


No início da Revolução de Outubro, em 1917, toda a vida de Serebriakova mudou. Em 1919, seu marido Boris morreu de tifo contraído em prisões bolcheviques. Ela foi deixada sem qualquer renda, responsável por seus quatro filhos e sua mãe doente. Todas as reservas de sua propriedade em Neskuchnoye tinham sido saqueadas, então a família sofria de fome. Ela teve que desistir de pintura a óleo em favor das técnicas menos caras de carvão e lápis. Esta foi a época de sua mais trágica pintura, House of Cards, que retrata seus quatro filhos órfãos.


Zinaida Serebriakova - The House of Cards, 1919 – óleo sobre tela - 65 x 75.5 cm - The Russian Museum, St. Petersburg, Russia


Zinaida Serebriakova – Lunchtime, 1914 – óleo sobre tela - 88.5 x 107 cm - The Tretyakov Gallery, Moscow, Russia


Em dezembro de 1920 ela se mudou para o apartamento de seu avô em Petrogrado. Depois da Revolução de Outubro, os habitantes de apartamentos particulares foram obrigados a compartilhá-los com outros habitantes, mas Serebriakova teve sorte, pois foi cercada por artistas do Teatro de Arte de Moscou. Assim, o trabalho de Serebriakova durante este período centra-se na vida do teatro. Também por essa época, a filha de Serebriakova, Tatiana, entrou na academia de ballet, e Serebriakova criou uma série de crayons no Teatro Mariinsky.



Zinaida Serebriakova - Young Sylphids (Ballet Chopiniana), 1924 – óleo sobre tela - 82.5 x 103 cm – coleção particular

(Les Sylphides é um balé baseado em obras do músico Frédéric Chopin, coreografado por Mikhail Fokine, com costumes de Alexandre Benois e com orquestração de Alexander Glazunov. Como "Chopiniana" a estréia se deu no dia 19 de fevereiro de 1909 no teatro Maryinsky em São Petersburgo. Os bailarinos desta apresentação foram Tamara Karsavina, Nijinsky, Anna Pavlova e Alexandra Baldina. Como "Les Sylphides" a estréia se deu em 2 de junho de 1909 no Teatro de Châtelet em Paris, produzida por Serguei Diaghilev para os Ballets Russes. Os bailarinos desta apresentação foram os mesmos da apresentação da Chopiniana. Os costumes e cenários foram também de Alexandre Benois. "Les Sylphides" alguma vezes é confundido com outro balé denominado "La Sylphide" . De nome parecido e com o mesmo tema que é a invocação das figuras mitológicas das sílfides, a semelhança para por aí. São balés bem distintos, com músicas, coreografias, cenário e criação realizadas por pessoas diferentes. Durante três anos, a artista Zinaida Serebriakova (1884-1967) assistiu aos ensaios do balé do Teatro Mariinsky.)


No outono de 1924, Serebriakova foi para Paris, tendo recebido uma encomenda para um grande mural decorativo. Ao terminar este trabalho, ela pretendia retornar à União Soviética, onde sua mãe e os quatro filhos permaneceram. No entanto, ela não foi capaz de retornar, e embora ela tenha sido capaz de trazer seus filhos menores, Alexandre e Catherine, para Paris em 1926 e 1928, respectivamente, ela não pôde fazer o mesmo para seus dois filhos mais velhos, Evgenyi e Tatiana, e não os viu novamente por muitos anos. 


Zinaida Serebriakova - Katya in Blue, by the Christmas Tree, 1922 – crayon sobre papel - 65 x 47.5 cm – coleção particular


Em 1947, Serebriakova finalmente recebeu a cidadania francesa, e somente no governo de Khruschev ela recebeu permissão para retomar o contato com sua família na União Soviética. Em 1960, após 36 anos de separação forçada, sua filha mais velha, Tatiana (Tata), finalmente pôde visitá-la. Nessa época, Tatiana também estava trabalhando como artista, pintando cenários para o Teatro de Arte de Moscou.


Zinaida Serebriakova - Versailles Roofs, 1924 – Têmpera - 46.2 x 61.7 cm - The Tretyakov Gallery, Moscow, Russia


Os trabalhos de Zinaida Serebriakova foram finalmente expostos na União Soviética em 1966, em Moscou, Leningrado e Kiev, recebendo grandes elogios, e ela foi comparada a Botticelli e Renoir. No entanto, embora tenha enviado cerca de 200 de suas obras para serem mostradas na União Soviética, a maior parte do seu trabalho permanece na França nos dias atuais.


Zinaida Serebriakova - Self-Portrait, 1946 óleo sobre papel - 65.5 x 47.3 cm - The Russian Museum, St. Petersburg, Russia


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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Raoul Dufy, sua arte e sua história

Raoul Dufy - Regatta at Cowes, 1934 – óleo sobre linho - 81.6 x 100.3 cm - National Gallery of Art, Washington, D.C.

Esse blog possui mais um artigo sobre essa pintura. Clique sobre esse link para ver:

http://www.arteeblog.com/2017/06/analise-da-pintura-de-raoul-dufy.html


Raoul Dufy, sua arte e sua história


Raoul Dufy – Autorretrato, 1899 – óleo sobre tela – 41 x 33,7 cm - Musée d'art moderne André Malraux (MuMa), Le Havre, França


Raoul Dufy (03 de junho de 1877 - 23 de março de 1953) foi um pintor fauvista francês. Ele também era um desenhista, gravador, ilustrador de livros, designer cênico, designer de móveis, e planejador de espaços públicos. Raoul Dufy nasceu em uma grande família em Le Havre, na Normandia. Quando tinha 18 anos, ele começou a frequentar aulas de arte. Os pintores de paisagens impressionistas, como Claude Monet e Camille Pissarro, influenciaram Dufy profundamente. Sua primeira exposição (na Exposição de Artistas Franceses) ocorreu em 1901. Em seguida, ele exibiu novamente em 1903 no Salon des Indépendants.


Raoul Dufy - The Beach Of Sainte-Adresse, 1904 – óleo sobre tela – 81 x 65 cm - Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, France


Raoul Dufy - Yacht with Flags at Le Havre, 1904 – óleo sobre tela - 69 x 81 cm - Musée d'art moderne André Malraux (MuMa), Le Havre, França


A pintura de Henri Matisse Luxe, Calme et Volupté, que Dufy viu no Salon des Indépendants em 1905, foi uma revelação para o jovem artista, e direcionou seus interesses para o fauvismo. Ele entendeu que o Impressionismo era uma coisa do passado e que a pintura estava agora se voltando para uma transcrição de "a imaginação introduzida no desenho e cor". O grupo Les Fauves (os animais selvagens) enfatizava a cor brilhante e os contornos. A pintura de Dufy refletiu essa estética até cerca de 1909, quando o contato com a obra de Paul Cézanne o levou a adotar uma técnica um pouco mais sutil.


Esse blog possui um artigo sobre a pintura Luxe, Calme et Volupté de Henri Matisse. Clique sobre o link abaixo para ver:




Raoul Dufy - Posters At Trouville, 1906 – óleo sobre tela - Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, France


Raoul Dufy - The Duke Of Reichstadt, 1915 – aquarela sobre papel - 59.5 x 39.4 cm - Musée des Beaux-Arts, Lyon, France


A partir de 1920, depois de ter flertado brevemente com o cubismo, Dufy desenvolveu sua própria abordagem distinta, com perspectivas encurtadas e a utilização de finas lavagens de cor aplicadas rapidamente, de uma maneira que ficou conhecida como estenográfica.


Raoul Dufy - Casino of Nice, 1927 – óleo sobre tela – coleção particular


Raoul Dufy – The Gate, 1930 – óleo sobre tela – 130,2 x 162,5 cm - Wallraf-Richartz-Museum & Fondation Corboud, Cologne, Germany


A cor era mais importante para Dufy, do que as formas. Ele concentrou-se em relações de cores, como a cor se relaciona com outras cores e na composição da arte como um todo. Em seu sistema de composição um artista deve escolher três cores: uma representando a cor principal, outra mais escura para a cor de sombra e a terceira cor como a cor de luz. O artista deve, então, sistematizar a proporção de luz, sombra e luz refletida, para o equilíbrio. A luz iguala três unidades, a sombra duas e a luz refletida, uma unidade. Este sistema permitiu a Dufy representar a essência de um espaço sem registrar a cor local. A pintura tradicional tenta criar espaço tridimensional em uma superfície plana, no entanto Dufy usou sua própria fórmula de composição para expressar ritmos visuais através de uma superfície plana bidimensional com profundidade limitada.


Raoul Dufy – Paris, 1934 – óleo sobre tela - 156.5 x 196.2 cm - Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles, CA, USA


Raoul Dufy – Anemones, 1942 – guache sobre papel – 51,7 x 65,4 cm – coleção particular


Os óleos e aquarelas alegres de Dufy retratam acontecimentos da época, incluindo cenas de iates, vistas da Riviera Francesa, festas chiques e eventos musicais. A natureza otimista, da moda, decorativa e ilustrativa de grande parte de seu trabalho fez com que sua produção fosse menos valorizada do que as obras de artistas que abordaram criticamente uma ampla gama de preocupações sociais.


Raoul Dufy - Console With Two Windows, 1948 – óleo sobre tela - 65,5 x 81 cm – Musée des Beaux Arts de Nice, France


Raoul Dufy - Homage to Claude Debussy, 1952 – óleo sobre tela – 65 x 73 cm - Musée d'art moderne André Malraux, Le Havre, France


Dufy também ficou famoso como ilustrador e como artista comercial. Ele pintou murais para edifícios públicos e também produziu um grande número de tapeçarias e desenhos de cerâmica. Suas obras aparecem em livros de Guillaume Apollinaire, Stéphane Mallarmé, e André Gide.


Assista um vídeo com mais obras de Raoul Dufy:





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terça-feira, 12 de abril de 2016

Roberto Burle Marx e suas múltiplas artes

Roberto Burle Marx – Guaratiba, 1989 – óleo sobre tela


Roberto Burle Marx e suas múltiplas artes


Roberto Burle Marx


Roberto Burle Marx (4 de Agosto de 1909 - 4 de Junho de 1994) foi um arquiteto paisagista brasileiro, assim como desenhista, pintor, escultor, musicista, cenógrafo, figurinista, criador de joias e tapeçarias. Seus projetos de parques e jardins o tornaram mundialmente famoso.


Roberto Burle Marx - Autorretrato, 1929 - carvão s/ papel


Roberto Burle Marx - Duas Figuras, 1942 - óleo sobre tela


Um dos mais proeminentes arquitetos paisagistas do século XX, seus famosos projetos vão desde os notáveis pavimentos de mosaico na avenida à beira-mar da Praia de Copacabana do Rio de Janeiro até a multiplicidade de jardins que embelezam Brasília, um dos vários projetos em larga escala que ele executou em colaboração com o famoso arquiteto Oscar Niemeyer. Embora o seu trabalho como paisagista seja conhecido em todo o mundo, o trabalho do artista em outros meios continua a ser pouco conhecido.


Roberto Burle Marx - Calçada de Copacabana, Rio de Janeiro


Roberto Burle Marx - Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro, projeto da década de 1950


Burle Marx defendeu o uso de plantas nativas, fazendo numerosas incursões na selva brasileira ao longo de sua vida inteira em busca de espécies raras. Ele foi um horticultor e um ecologista pioneiro que só usou plantas adequadas para o meio ambiente. Ao longo de uma carreira de mais de sessenta anos, Burle Marx projetou mais de 2.000 jardins em todo o mundo e descobriu mais de trinta espécies de plantas que agora levam seu nome, sem nunca deixar de pintar, esculpir e tecer.


Roberto Burle Marx - Eixo Monumental, em Brasília. Projeto de 1960


Roberto Burle Marx - Jardins na Unesco em Paris


Segundo declarações do próprio Burle Marx, em 1928, foi uma exposição de pinturas de Picasso, Klee e Matisse, que visitou na Galeria Flechstein, bem como uma retrospectiva da obra de Van Gogh, em Berlim, que lhe causaram profunda impressão e o levaram à decisão de estudar pintura. Ao retornar ao Brasil, atende a uma sugestão do amigo e vizinho no Leme, Lúcio Costa, para voltar a estudar na Escola Nacional de Belas Artes. Permanece cerca de 2 anos nessa Escola. Opta por interromper o curso, decepcionado com os métodos de ensino acadêmicos, centrados na cópia de modelos gregos em gesso. Substitui o ensino formal na Academia, por um caminho próprio.
Elaborada no final dos anos 20 até o início da década de 40, a pintura de Marx revela-se presa ao expressionismo em seus temas, ordenação de figuras, formas estilizadas ou simplificadas, cores intensas, ou mesmo o efeito psicológico que procura imprimir aos autorretratos e retratos de tipos populares, cenas intimistas com nus femininos, naturezas mortas, paisagens, favelas.


Roberto Burle Marx - Paisagem de Sta.Teresa, 1946 - óleo sobre tela


Roberto Burle Marx - Saxofone, 1946 - óleo sobre madeira


Na década de 40, Burle Marx se interessa pela pintura pré-cubista e cubista de Cézanne, Picasso, Braque, Léger, Gris, Lhote, entre outros, e em alguns depoimentos afirma ter maior afinidade pela obra de Braque, pois considera genial a sua influência na arte contemporânea e sua compreensão do conceito pictórico.


Roberto Burle Marx - Catavento, 1948 - óleo sobre tela


Roberto Burle Marx - Begônias, 1950 - guache sobre papel


Na década de 50, aproxima-se do abstracionismo sem, no entanto, abandonar ou romper definitivamente com a figuração. Suas composições sugerem mosaicos de formas construídas com uma geometria não ortodoxa, com uma configuração mais orgânica ou biomórfica.


Roberto Burle Marx - Sem título, 1967 - acrílico sobre tela


Roberto Burle Marx – Serigrafia 


Burle Marx nunca se fixou em movimentos ou escolas artísticas. Seu espírito meticuloso e devotado à pesquisa permitiu-lhe trafegar por todas as vertentes, sem assumir compromisso com nenhuma. Concebia a arte como um sistema de formas, cores e ritmos, entes que eram amalgamados em composições. O artista pensava nas pinturas e jardins como cartografias de vistas aéreas de campos ou paisagens, que se situam na confluência da imaginação e percepção, constatação e sonho.


Roberto Burle Marx - Tapeçaria


Mesmo sem educação formal em arquitetura paisagística, o aprendizado de Burle Marx na pintura influenciou a criação de seus jardins. Ele aceitava, embora de forma relutante, que "pintava" com as plantas, apesar de seu trabalho não ser reduzido ao efeito pictórico e visual produzido por suas paisagens, pois Marx se auto definia como um artista de jardins. Conhecido por sua preocupação ambiental e pela preocupação com a preservação da flora brasileira, Roberto inovou ao usar plantas nativas do Brasil em suas criações e isso se tornou sua característica marcante. Por esse motivo, o "estilo Burle Marx" tornou-se sinônimo do paisagismo brasileiro no mundo.


Joias de Roberto Burle Marx


Em 1949 comprou uma área de 365.000 m² em Barra de Guaratiba, litoral do Rio de Janeiro, aonde começou a organizar sua enorme coleção de plantas. Em 1985, essa propriedade foi doada ao Governo Federal. Hoje em dia é possível encontrar jardins projetados por Roberto Burle Marx em várias partes do mundo, além do Parque Burle Marx (São Paulo). Para Burle Marx, um jardim "é uma obra viva, que resulta da combinação de diferentes formas e cores, como na pintura ou nos sons musicais. Um bom jardim é aquele que revela compreensão espacial e justaposição de formas e volumes, como na pintura e na arquitetura”.


Sítio Roberto Burle Marx


Roberto Burle Marx pintando uma toalha de mesa no Sítio Roberto Burle Marx


Pela singularidade de seus jardins, que contribuíram para a humanização dos espaços públicos, nacionais e internacionais e para dar uma nova feição à arquitetura brasileira (residências particulares, empresas e edifícios governamentais), Burle Marx recebeu inúmeros prêmios e condecorações, em todo o mundo. Até 1994, ano de sua morte, havia projetado mais de dois mil jardins públicos e privados, para os quais transferiu as formas, as cores e a estética do modernismo.


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