Mostrando postagens com marcador escultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escultura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de maio de 2018

A história da escultura de François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”

François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”, 1833 – mármore – 82 x 88 x 48 cm – Musée du Louvre, Paris, França


A história da escultura de François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga” (Young Neapolitan Fisherboy Playing with a Tortoise)


Embora reminiscente de escultura antiga, essa obra foi imbuída de uma sensação inédita de liberdade e frescor. Este jovem pescador com bom humor contagiante é um marco na história da arte. François rude abalou os alicerces do classicismo convencional pela ingenuidade de seu tema e sua representação não-idealizada da natureza. A graça do menino garantiu, sem dúvida, o sucesso dessa obra.

Esse garoto alegre, brincando com uma tartaruga mantida em cativeiro, causou uma polêmica acalorada no Salão de 1833. Pela primeira vez, um artista havia esculpido em mármore uma figura pitoresca, um assunto anedótico, em tamanho natural. Isso marcou uma ruptura completa com a ideologia clássica, segundo a qual as cenas de gênero eram consideradas indignas de arte estatuária, especialmente em um meio tão nobre quanto o mármore. O tema e o estilo de Rude também contradiziam os cânones clássicos.


François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”, 1833 – mármore – 82 x 88 x 48 cm – Musée du Louvre, Paris, França


A tradição de representar crianças brincando existia na escultura helenística, mas Rude enfatizou o aspecto popular e vivo de sua representação. A criança sentada na rede é um jovem pescador, cujo chapéu e escapulário (o objeto devocional em volta do pescoço) mostram que ele é de Nápoles. Sua atitude é despreocupada e todo o seu rosto (olhos enrugados, covinhas, boca aberta) está rindo.

Por volta de 1807, figuras pitorescas de camponeses e pescadores tornaram-se a personificação da natureza simples e inocente para poetas e artistas, e o sul da Itália era considerado como seu último refúgio sobrevivente. Rude, que nunca havia visitado a Itália, pode ter se inspirado em cenas do folclore italiano do pintor suíço Léopold Robert (1794-1835).


François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”, 1833 – mármore – 82 x 88 x 48 cm – Musée du Louvre, Paris, França


François Rude (4 de janeiro de 1784 - 3 de novembro de 1855) foi um escultor francês. Nascido em Dijon, ele trabalhou com seu pai como serralheiro até os 16 anos, mas recebeu treinamento em desenho de François Devosges, com quem ele aprendeu que um contorno forte e simples era um ingrediente inestimável nas artes plásticas. Depois ele morou em Paris e em Bruxelas, retornando a Paris onde permaneceu e se notabilizou. Seu grande sucesso data de 1833, quando recebeu a cruz da Legião de Honra por sua escultura do Garoto Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga (agora no Louvre), que também trouxe para ele a importante encomenda de todo o ornamento do friso escultural e de um grupo no Arco do Triunfo, em Paris. Este grupo, Départ des Volontaires de 1792 (Partida dos Voluntários de 1792), também conhecido como La Marseillaise, é uma obra cheia de energia que imortalizou o nome de Rude.


François Rude – “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”, 1833 – mármore – 82 x 88 x 48 cm – Musée du Louvre, Paris, França


Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A história da escultura "The Winged Victory of Samothrace"

"The Winged Victory of Samothrace" ("A Vitória Alada de Samotrácia", também chamada de "Nike of Samothrace"), c. 200 – 190 A.C. – mármore de Paros – 244 cm – Louvre Museum, Paris


A história da escultura "The Winged Victory of Samothrace"





The Winged Victory of Samothrace é uma escultura helenística de mármore que representa Nike, a deusa grega da vitória, criada provavelmente no século II A.C. por um escultor não identificado, e é uma das mais famosas esculturas do mundo. Apenas um pequeno número de grandes estátuas helenísticas sobrevive no original, em vez de cópias romanas. Este monumento foi provavelmente um ex-voto oferecido pelo povo de Rodes em comemoração de uma vitória naval no início do segundo século A.C. O mármore de Paros é um material altamente apreciado pela brancura, fineza e semi-transparência. Foi explorado nas pedreiras daquela ilha grega para ser utilizado na construção de edifícios públicos e templos, e na confecção de esculturas pelos gregos da era clássica.




Este monumento excepcional foi descoberto em 1863 na pequena ilha de Samotrácia, no noroeste do mar Egeu que na época era parte do Império Otomano. Foi descoberta por Charles Champoiseau, vice-cônsul francês em Adrianople, Turquia. A deusa da Vitória (Nike, em grego) é mostrada na forma de uma mulher alada de pé na proa de um navio, enfrentando o forte vento que sopra através de suas roupas. Com a mão direita em concha em torno de sua boca, ela anunciava o evento que ela foi designada a comemorar. O colossal trabalho foi colocado em um nicho de pedra que havia sido cavado em uma colina, com vista para o teatro do Santuário dos Grandes Deuses. Este nicho também pode ter contido uma piscina cheia de água em que o navio parecia flutuar. Dada a sua colocação, o trabalho deveria ser visto do lado esquerdo frontal. Isso explica a disparidade na técnica de escultura, sendo o lado direito do corpo muito menos detalhado. A apresentação altamente teatral, combinada com a monumentalidade da deusa, sua ampla envergadura e o vigor de seu corpo, inclinado para a frente, reforçam a dramaticidade da cena.




O santuário de Samotrácia era consagrado aos Cabeiri, deuses da fertilidade, cuja ajuda foi invocada para proteger os navegadores e para conceder a vitória na guerra. A oferta de uma estátua de Nike empoleirada em um navio era um ato religioso em homenagem a esses deuses. Também é possível que este monumento tenha sido dedicado pelo povo de Rodes à comemoração de uma vitória naval específica. O tipo de navio representado e o mármore cinzento usado para a proa e a base da estátua sugerem que esta é, de fato, uma criação de Rodes. Se for assim, o trabalho pode ser datado do século II A.C. Também há uma inscrição parcial na base da estátua que inclui a palavra "Rhodios".

Antes de perder os braços, que nunca foram recuperados, acredita-se que a mão direita de Nike ficava em concha em volta da boca para aumentar o grito de vitória. A asa direita da estátua é uma versão em gesso, simétrica da asa esquerda original. Tal como acontece com os braços, a cabeça da figura nunca foi encontrada, mas vários fragmentos já foram localizados. Em 1950, uma equipe de arqueólogos descobriu a mão direita desaparecida da escultura, e agora ela está em uma caixa de vidro no Museu do Louvre, ao lado do pódio em que está a estátua.




A figura cria um efeito em espiral em uma composição que se abre em várias direções. Isto é conseguido pelos ângulos oblíquos das asas e a colocação da perna esquerda, e enfatizado pela roupa que sopra entre as pernas da deusa. O corpo feminino nu é revelado pela transparência do drapeado molhado. O escultor foi extraordinariamente habilidoso na criação de efeitos visuais. Nike of Samothrace é vista como uma representação icônica do espírito triunfante.




Desde 1883, a figura de mármore está exposta no Museu do Louvre em Paris, sobre a escadaria Daru, enquanto uma réplica em gesso fica no museu que está no local original do Santuário dos Grandes Deuses em Samotrácia. Existem inúmeras cópias em museus e galerias ao redor do mundo.




Assista um vídeo sobre a restauração dessa escultura:





A atriz Audrey Hepburn em cena do filme Funny Face de 1957, em frente da escultura The Winged Victory of Samothrace, no Louvre em Paris


Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


sábado, 27 de maio de 2017

Análise da escultura de Antonio Canova – “Paolina Borghese Bonaparte as Venus Victrix”

Antonio Canova – Paolina Borghese Bonaparte as Venus Victrix, 1805-1808 – mármore branco – 160 x 192 cm - Galleria Borghese, Roma, Itália


Análise da escultura de Antonio Canova – “Paolina Borghese Bonaparte as Venus Victrix”




Maria Paola Buonaparte, mais conhecida como Paolina Bonaparte (Ajaccio, 20 de outubro de 1780 – Roma, 9 de junho de 1825) foi a primeira princesa reinante de Guastalla, uma princesa da França, e princesa consorte de Sulmona e Rossano. Era irmã de Napoleão Bonaparte. Esta escultura foi encomendada pelo segundo marido de Paolina, o príncipe italiano, Camillo Borghese, logo após seu casamento em 1804, uma união destinada a ajudar Napoleão a realizar seus sonhos de estabelecer uma dinastia pan-europeia e legitimar suas reivindicações ao Reino da Itália.


Robert Lefèvre – Portrait of Pauline Bonaparte, Princesse Borghese, 1806 – óleo sobre tela – 216 x 151 cm – Palace of Versailles, França


É uma escultura neoclássica seminua reclinada, em tamanho natural, reclinada em um sofá almofadado em uma pose de graça estudada. A modelagem do corpo nu é extraordinariamente realista, e o tratamento de Canova da superfície do mármore capta a textura macia da pele. A sua cabeça está levemente erguida, sugerindo que algo ou alguém de repente entrou em sua linha de visão. A maçã que ela segura em sua mão esquerda, a identifica como Vênus Vitoriosa, a deusa premiada com a Maçã Dourada da Discórdia no provável primeiro concurso de beleza na história da cultura ocidental. A história vem da mitologia grega. Paris, o príncipe de Tróia julgou Vênus como sendo mais bela do que suas rivais, Minerva e Juno. Em troca, Vênus o apresentou a uma garota grega chamada Helena. O Julgamento de Paris foi um dos eventos que levaram à Guerra de Tróia e à fundação de Roma.








Os retratos nus eram incomuns, pois os indivíduos da classe alta geralmente usavam panos colocados estrategicamente. Não se sabe se ela realmente posou nua para a escultura, uma vez que apenas a cabeça é um retrato bastante realista, enquanto o torso nu é uma forma feminina neoclássica idealizada. Quando perguntada como ela pôde posar para o escultor vestindo tão pouco, Paolina respondeu que havia um fogão no estúdio que a manteve aquecida, embora isso pode ter sido deliberadamente inventado por ela, para despertar o escândalo. Canova foi instruído inicialmente para retratar Paolina Bonaparte inteiramente vestida, como a deusa casta Diana, mas Paolina insistiu em Vênus. Ela tinha uma reputação de promiscuidade, e pode ter gostado da polêmica de posar nua. O tema da escultura também pode ter sido afetado pela ascendência mítica da família Borghese: eles rastrearam sua descendência até Vênus, através de seu filho Enéas, o fundador de Roma.







A sala em que a escultura está exposta na Galleria Borghese também tem uma pintura de teto retratando o julgamento, pintado por Domenico de Angelis em 1779 e inspirado por um relevo famoso na fachada da Villa Medici. A base drapejada, continha um mecanismo para girar a escultura, como em outras obras de Canova, para que os espectadores pudessem observá-la de todos os ângulos sem se mover.


Domenico de Angelis - Stories of Venus and Aeneas, 1779 - Venus and Adonis, Paris denying Minerva the apple and Paris offering the apple to Venus” - 1791-92 – Galleria Borghese, Roma, Itália


Antonio Canova (Possagno, 1 de novembro de 1757 — Veneza, 13 de outubro de 1822) foi um desenhista, pintor, antiquário e arquiteto italiano, mas é mais lembrado como escultor, desenvolvendo uma carreira longa e produtiva. Seu estilo foi fortemente inspirado na arte da Grécia Antiga. Suas obras foram comparadas por seus contemporâneos com a melhor produção da Antiguidade, e foi tido como o maior escultor europeu desde Bernini. Canova não teve discípulos regulares, porém influenciou a escultura de toda a Europa em sua geração, atraindo inclusive artistas dos Estados Unidos, permanecendo como uma referência ao longo de todo o século XIX especialmente entre os escultores do Academismo. Com a ascensão da estética modernista caiu no esquecimento, mas sua posição prestigiosa foi restabelecida a partir de meados do século XX. Também manteve um continuado interesse na pesquisa arqueológica, foi um colecionador de antiguidades e esforçou-se por evitar que o acervo de arte italiana, antiga ou moderna, fosse disperso por outras coleções do mundo. Considerado por seus contemporâneos um modelo tanto de excelência artística como de conduta pessoal, desenvolveu importante atividade beneficente e de apoio aos jovens artistas. Foi Diretor da Accademia di San Luca em Roma e Inspetor-Geral de Antiguidades e Belas Artes dos estados papais, recebeu diversas condecorações e foi nobilitado pelo papa Pio VII com a outorga do título de Marquês de Ischia.

A produção completa de Canova é extensa. De esculturas de grande porte deixou mais de 50 bustos, 40 estátuas e mais de uma dúzia de grupos, sem falar nos monumentos fúnebres e nos inúmeros modelos em argila e gesso para obras definitivas que ainda sobrevivem, alguns dos quais nunca transferidos para o mármore, sendo assim peças únicas, e nas obras menores como as placas e medalhões em relevo, as pinturas e os desenhos. Canova cultivou uma ampla gama de temas e motivos, que juntos formam um panorama quase completo das principais emoções e princípios morais positivos do ser humano.




Esse blog possui mais um artigo sobre Antonio Canova. Clique sobre esse link para ver:



Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A história de “As Três Graças” de Antonio Canova

Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - 173 x 97 x 75 cm - Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia


A história de “As Três Graças” de Antonio Canova


“As Três Graças” é uma escultura neoclássica, em mármore, das personagens mitológicas “Três Cárites”, filhas de Zeus. Em algumas gravuras da estátua, elas foram identificadas como (da esquerda para a direita) Euphrosyne, Aglaia e Thalia. Euphrosyne representa a alegria, Thalia, a juventude e beleza e Aglaia, a elegância. Na mitologia, as Graças atuavam em banquetes e reuniões, principalmente para entreter e encantar os convidados dos deuses. Elas sempre foram figuras atraentes para artistas históricos, incluindo Sandro Botticelli e Raphael. Ao contrário das composições das Graças derivadas da antiguidade, onde as figuras exteriores estão viradas para a frente e a figura central abraça suas companheiras, de costas, as figuras de Canova ficam lado a lado, e de frente umas para as outras.


Sandro Botticelli – Primavera, c. 1482 – têmpera sobre madeira – 202 x 314 cm - Uffizi Gallery, Florence

Esse blog possui um artigo sobre essa pintura de Botticelli que inclui as figuras das Três Graças. Para ver, clique sobre esse link:



Three Graces, Roma, Século II. D.C. – mármore - 123 x 100cm - Metropolitan Museum of Art, New York


Uma versão da escultura faz parte do acervo do Museu Hermitage na Russia, outra é uma propriedade conjunta dos museus Victoria and Albert Museum de Londres e das Galerias Nacionais da Escócia, onde são exibidas rotativamente.

A primeira versão foi feita para a Imperatriz Josephine, a ex-esposa de Napoleão Bonaparte. Quando ela faleceu em Maio de 1814, seu filho Eugène a herdou e seu neto Maximilian a trouxe para St. Petersburg, onde agora está exposta no Museu Hermitage. Quando essa versão ainda estava no ateliê de Canova, John Russell, o 6° Duke de Bedford a viu e ficou muito impressionado com a obra. E quando a Imperatriz Josephine faleceu, ele se ofereceu para comprar a escultura. Como ela foi destinada ao filho de Josephine, o Duque encomendou uma segunda versão, que ficou pronta em 1817 e foi instalada na residência do Duque em Woburn Abbey. Canova viajou para a Inglaterra para supervisionar a sua instalação, escolhendo que ela fosse exibida em um pedestal adaptado em um rodapé de mármore, rotativo. Esta versão é agora propriedade conjunta do Victoria and Albert Museum e das Galerias Nacionais da Escócia.


Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - 173 x 97 x 75 cm - Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia


A versão do Hermitage é esculpida em mármore com veios e tem um pilar quadrado por trás da figura da esquerda (Eufrosina). A versão Woburn Abbey é esculpida em mármore branco e tem um pilar redondo, e a figura central (Aglaia) tem uma cintura um pouco mais larga.


Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - Victoria and Albert Museum e Galerias Nacionais da Escócia


A peça foi esculpida de um único bloco de mármore branco. Os assistentes de Canova a iniciaram, deixando para Canova a concluir e moldar a pedra para destacar a carne macia das Graças. Esta era uma marca registrada do artista, e a peça mostra uma forte lealdade ao movimento neoclássico do qual Canova é um expoente privilegiado no campo da escultura. As linhas são requintadas, refinadas e elegantes. Canova tinha retratado as Graças, numa pintura de 1799, e também realizou outros desenhos e um relevo do tema, executados por ele na mesma época. Em 1810, ele modelou um esboço de terracota que está no Musée de Lyon, França. O modelo para o mármore esculpido para a Imperatriz, foi o grupo de gesso em tamanho real, que ainda existe no Museu Canova em Possagno, Itália.

Antonio Canova (Possagno, 1 de novembro de 1757 — Veneza, 13 de outubro de 1822) foi um desenhista, pintor, antiquário e arquiteto italiano, mas é mais lembrado como escultor, desenvolvendo uma carreira longa e produtiva. Seu estilo foi fortemente inspirado na arte da Grécia Antiga. Suas obras foram comparadas por seus contemporâneos com a melhor produção da Antiguidade, e foi tido como o maior escultor europeu desde Bernini.

Canova não teve discípulos regulares, porém influenciou a escultura de toda a Europa em sua geração, atraindo inclusive artistas dos Estados Unidos, permanecendo como uma referência ao longo de todo o século XIX especialmente entre os escultores do Academismo. Com a ascensão da estética modernista caiu no esquecimento, mas sua posição prestigiosa foi restabelecida a partir de meados do século XX. Também manteve um continuado interesse na pesquisa arqueológica, foi um colecionador de antiguidades e esforçou-se por evitar que o acervo de arte italiana, antiga ou moderna, fosse disperso por outras coleções do mundo. Considerado por seus contemporâneos um modelo tanto de excelência artística como de conduta pessoal, desenvolveu importante atividade beneficente e de apoio aos jovens artistas. Foi Diretor da Accademia di San Luca em Roma e Inspetor-Geral de Antiguidades e Belas Artes dos estados papais, recebeu diversas condecorações e foi nobilitado pelo papa Pio VII com a outorga do título de Marquês de Ischia.

A produção completa de Canova é extensa. De esculturas de grande porte deixou mais de 50 bustos, 40 estátuas e mais de uma dúzia de grupos, sem falar nos monumentos fúnebres e nos inúmeros modelos em argila e gesso para obras definitivas que ainda sobrevivem, alguns dos quais nunca transferidos para o mármore, sendo assim peças únicas, e nas obras menores como as placas e medalhões em relevo, as pinturas e os desenhos. Canova cultivou uma ampla gama de temas e motivos, que juntos formam um panorama quase completo das principais emoções e princípios morais positivos do ser humano. 


Antonio Canova - The Three Graces - detalhe


Esse blog possui mais um artigo sobre Antonio Canova. Clique sobre esse link para ver:

http://www.arteeblog.com/2017/05/analise-da-escultura-de-antonio-canova.html


Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


quarta-feira, 23 de março de 2016

A história de “Cupido Testando uma de Suas Flechas” de Jacques Saly

Jacques Saly - "Cupido Testando uma de Suas Flechas" (L’Amour Essayant une de ses Flèches) – 1753 – mármore – 97 x 46 cm - base esculpida por Jacques Verbeckt – Musée du Louvre, Paris


A história de “Cupido Testando uma de Suas Flechas” de Jacques Saly


Em 1753, o escultor Jacques Saly assinou e datou sua obra-prima, a estátua de mármore “Cupido Testando Uma de Suas Flechas”. A peça tinha sido encomendada um ano antes por Madame de Pompadour, amante do Rei Louis XV, e foi apresentada ao Rei em pessoa, em 11 de Agosto de 1753, antes de ser instalada no Salon de l'Académie no Louvre, para ser mostrada ao público durante um mês.




O Cupido segura uma flecha em sua mão direita e, com o dedo mínimo da mão esquerda na ponta desta arma cruel, ele imagina o mal que ele vai fazer. O próprio escultor comentou sobre o trabalho: "O Cupido que prende e mostra com um sorriso duas setas que ele pensa em disparar. As setas estão amarradas com uma fita em que está inscrito: “Duo tela unus amor”. Esta citação tirada de “As Metamorfoses” de Ovídio significa "duas setas, um amor". O poeta Ovídio descreve o Cupido tirando de sua aljava duas setas com efeitos opostos: uma flecha com uma ponta arrendondada para inspirar o ódio, e outra flecha com uma ponta afiada para inspirar amor. O Cupido de Saly testa a ponta afiada da única flecha que importa para a Marquesa de Pompadour: aquela que acendeu o fogo do amor.





Jacques Saly se tornou Escultor Real em 1750, quando se tornou um membro da Academia Real de Pintura e Escultura. Recomendado pelo renomado escultor Edme Bouchardon, Saly foi chamado para a Dinamarca em 1753, para trabalhar na estátua equestre de Frederick V e ajudar a estabelecer a Academia Real Dinamarquesa de Belas Artes de Copenhague. Ele não voltou para a França até 1774, dois anos antes de sua morte. Apesar de sua curta carreira artística na França, Saly recebeu uma série de encomendas de prestígio. Sua obra-prima permanece sendo Cupido Testando uma de Suas Flechas, que Madame de Pompadour apresentou em suas três residências favoritas: no Château de Crécy e no Château de Bellevue, nos arredores de Paris, e no Hôtel d'Evreux, futuro local do Palais de l'Elysée. Escondida da vista em coleções privadas por mais de dois séculos, a escultura de Cupido de Saly foi revelada ao público em 2002 para a exposição Madame de Pompadour e as Artes do Château de Versailles. Ela foi considerada como um "tesouro nacional" pelo Estado francês em 2006. Depois de 1794, a obra foi adquirida por um comerciante de grãos e ficou em uma família aliada de seus descendentes. As obras de Jacques Saly, são raras. O Musée du Louvre lançou uma campanha para aquisição da obra e esta vai entrar na coleção permanente do museu em 2016.




Uma obra-prima da arte francesa pela sua delicadeza de composição e virtuosismo dos mármores, a estátua também é excelente pelo pedestal que permaneceu com ela desde o início. Ele foi executado pelo grande escultor e ornamentalista Jacques Verberckt, que produziu suntuosos painéis de madeira para o Château de Versailles e o Château de Fontainebleau, e que também era amigo de Saly. Na verdade, é bastante notável que os dois Escultores Reais trabalharam juntos na mesma encomenda.




Para executar este trabalho de arte espetacular, Saly aplicou toda a sua perícia. Seu reaparecimento na França é uma oportunidade inesperada para fazer brilhar luz sobre o artista, um escultor altamente qualificado que era sensível à arte de seu tempo.




Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Análise de “O Pensador” de Auguste Rodin

Auguste Rodin – O Pensador – Musée Rodin



Análise de “O Pensador” de Auguste Rodin






O Pensador é uma escultura em bronze de Auguste Rodin, geralmente colocada sobre um pedestal de pedra. O trabalho mostra uma figura masculina nua. maior do que o tamanho real de um homem, sentado em uma pedra com o queixo apoiado em uma mão, como se imerso em seus pensamentos, e é frequentemente utilizado como uma imagem para representar a filosofia. Originalmente chamado de O Poeta, a peça era parte de uma encomenda do Museu de Arte Decorativa em Paris para criar um portal monumental baseado na Divina Comédia, de Dante Alighieri. Cada uma das estátuas no portal representava um dos personagens principais do poema épico.




Quando concebido em 1880 em seu tamanho original (aprox. 70 cm) como o elemento culminante de “As Portas do Inf rno”, O Pensador representava Dante, autor da Divina Comédia, inclinando-se para observar os círculos do Inf rno, enquanto meditava em seu trabalho. O Pensador foi, portanto, inicialmente, tanto um ser com um corpo torturado, quase uma alma condenada, e um homem de pensamento livre, decidido a ultrapassar o seu sofrimento através da poesia. 


Michelangelo - Lorenzo de Medici (O Pensador) – Capela Medici, San Lorenzo, Florença

A pose dessa figura deve muito a Ugolino de Carpeaux (1861) e ao retrato de Lorenzo de Médici esculpido por Michelangelo (1526-1531). Rodin queria uma figura heróica na tradição de Michelangelo, para representar o intelecto, bem como poesia. 




O Pensador foi exibido individualmente em 1888 e tornou-se assim um trabalho independente. Ampliado em 1904, sua versão colossal provou ser ainda mais popular: a imagem de um homem perdido em seus pensamentos, mas cujo corpo poderoso sugere uma grande capacidade de ação, tornou-se uma das esculturas mais célebres já conhecidas. Numerosas tiragens (fundições) existem em todo o mundo, incluindo a que está agora nos jardins do Museu Rodin, um presente para a cidade de Paris instalado fora do Panthéon, em 1906, e outra nos jardins da casa de Rodin em Meudon, sobre o túmulo do escultor e sua esposa. Mais de vinte cópias da escultura estão em museus em todo o mundo.


Auguste Rodin em seu estúdio em 1904


Em uma carreira que durou do final do século XIX até o início do século XX, Auguste Rodin (francês, 1840-1917) foi profundamente inspirado pela tradição mas também se rebelou  contra suas formas idealizadas, introduzindo práticas inovadoras que pavimentaram o caminho para a escultura moderna. Ele acreditava que a arte deve ser fiel à natureza, uma filosofia que moldou suas atitudes com modelos e materiais. Seu gênio era expressar verdades interiores da psique humana, e seu olhar penetrou sob a aparência externa do mundo. Explorando este reino sob a superfície, Rodin desenvolveu uma técnica ágil para representar os estados físicos extremos que correspondem a expressões de turbulência interna ou esmagadora alegria. Ele esculpiu um universo de grande paixão e tragédia, um mundo de imaginação que excedeu a realidade mundana da existência cotidiana. Ele usou diversos materiais como bronze, mármore, gesso e argila. As marcas do estilo de Rodin, como a figura parcial, seu foco nas qualidades formais e relacionamentos ao invés da estrutura narrativa, e seu desejo de manter as marcas do processo escultural em suas obras, foram revolucionárias em seu tempo. A intensidade evocativa de seus trabalhos foi seguida por muitos artistas, incluindo os que trabalharam em seu estúdio, como Constantin Brancusi (francês, nascido na Roménia, 1876-1957) e Aristide Maillol (francês, 1861-1944).

Fonte: Musée Auguste Rodin


Assista um vídeo raro de Auguste Rodin esculpindo em seu estúdio em Paris em 1915:





Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas compartilhe usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais.


sábado, 20 de junho de 2015

A história de Apollo e Daphne de Gian-Lorenzo Bernini

Apollo e Daphne - Gian-Lorenzo Bernini – 1622-25 - mármore de Carrara – 243 cm - Galleria Borghese, Roma, Itália

A história de Apollo e Daphne de Gian-Lorenzo Bernini




Gian Lorenzo Bernini criou uma obra-prima para o Cardeal Scipione Borghese que descreve a casta ninfa Daphne sendo transformada em uma árvore loureiro, perseguida em vão por Apolo deus da luz. A escultura foi a última de uma série de obras de arte encomendadas pelo Cardeal Scipione Borghese, no início da carreira de Bernini, que não executou a escultura sozinho, mas teve a ajuda significativa de um membro da sua oficina, Giuliano Finelli, que esculpiu os detalhes que mostram a conversão de Daphne de humana para árvore, como a casca e ramos, bem como os cabelos ao vento. Alguns historiadores, contudo, desconsideram a importância da contribuição de Finelli.




Esta escultura de mármore em tamanho natural, iniciada por Bernini aos vinte e quatro anos e executada entre 1622 e 1625, sempre esteve abrigada no mesmo local, mas ficava originalmente em uma base mais baixa e mais estreita contra a parede perto da escada. Apesar de a escultura poder ser apreciada a partir de vários ângulos, Bernini planejou para que ela seja vista de lado, permitindo que o observador veja as reações de Apollo e Daphne simultaneamente e assim compreendendo a narrativa da história em um único instante, sem a necessidade de mudar de posição. Assim, quem entra no salão vê primeiro Apollo por trás, em seguida, a ninfa em fuga aparecendo no processo de metamorfose: casca de árvore cobre a maior parte de seu corpo, mas de acordo com Ovídio, a mão de Apollo ainda pode sentir seu coração batendo por baixo. Assim, a cena termina por Daphne sendo transformada em uma árvore de louro para fugir do divino agressor dela.




Quando Phoebus (Apollo), atingido pela “seta do amor” de Cupido, vê a filha solteira de Pneus um deus do rio, ele fica admirado com sua beleza e consumido pelo desejo. Apolo, o mais belo deus do Olimpo, autoconfiante com seu arco de prata, irritou Cupido com sua arrogância. Assim, o Cupido lançou duas flechas, uma de amor em Apolo e outra de chumbo na ninfa Daphne, que afastava o amor. Como Daphne foi atingida pela “seta repelente do amor” de Cupido e nega o amor dos homens, a ninfa foge, e ele implacavelmente a persegue, implorando e prometendo tudo. Quando suas forças estão no final, ela reza para seu pai Pneus:  "Destrua a beleza que tem me ferido, ou mude o corpo que destrói minha vida”. Antes de sua oração terminar, um torpor se apossa de todo o seu corpo, e uma casca fina surge em torno de seu peito, seu cabelo torna-se como folhas em movimento, seus braços se alteram para ramos ondulantes e seus pés antes ativos para raízes agarradas ao chão. Seu rosto ficou escondido por folhas. Phoebus amou a árvore graciosa, agarrou-se a ela e beijou a madeira e disse: "Mas desde que tu não podes ser minha esposa certamente serás minha árvore”. E afirmou que os ramos do loureiro sempre o acompanharão em sua coroa verde e vistosa, participando de seus triunfos eternamente. Dessa maneira, os ramos de loureiro ficaram associados a Apolo, tanto que nos Jogos Olímpicos ele ainda constitui parte do prêmio.




A presença deste mito pagão na villa do Cardeal foi justificada por um dito moral composto em latim pelo Cardeal Maffeo Barberini (mais tarde o Papa Urbano VIII) e gravado na base, que diz: “Aqueles que gostam de perseguir formas fugazes de prazer , no final encontram apenas folhas e frutos amargos em suas mãos”. Em 1785, quando Marcantonio Borghese IV decidiu colocar a escultura no centro do salão, Vincenzo Pacetti projetou a base atual, usando as peças originais, acrescentando gesso no pedestal e outra placa que ostenta a águia Borghese, esculpida por Lorenzo Cardelli.


Gian Lorenzo Bernini (Nápoles, 7 de dezembro de 1598 – Roma, 28 de novembro de 1680) foi um eminente artista do barroco italiano, trabalhando principalmente na cidade de Roma. Distinguiu-se como escultor e arquiteto, além de pintor, desenhista e cenógrafo. Esculpiu numerosas obras de arte presentes até os dias atuais em Roma e no Vaticano. Gian Lorenzo Bernini nasceu em Nápoles, filho de Pietro Bernini, escultor maneirista. Acompanhou seu pai a Roma, onde suas precoces habilidades de prodígio logo foram notadas pelo pintor Annibale Carracci e pelo Papa Paulo V. Seus primeiros trabalhos foram inspirados em esculturas helenistas e romanas, que estudou em detalhe. Virtuosismo e imitação do mundo eram os dotes do escultor, mas foi o gênero de retratos ou bustos que fez sua fortuna. Por toda sua vida retratou papas, reis, nobres, personagens mais importantes e influentes de seu tempo. 




Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas compartilhe usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais.


quarta-feira, 11 de março de 2015

“Os Portões do Paraíso” - Lorenzo Ghiberti - 1425-52 (com vídeo)

Gates of Paradise on the East door of Baptistry - Lorenzo Ghiberti - 1425-52 – bronze dourado - 5,20 metros de altura por 3,10 de largura e 11 centímetros de espessura - Museo delle Opere del Duomo, Florence


“Os Portões do Paraíso” - Lorenzo Ghiberti - 1425-52 - assista um vídeo ao final do artigo




No inverno de 1400-1401, Lorenzo Ghiberti participou no concurso para projetar um novo conjunto de portas de bronze para o Batistério de San Giovanni. A construção da cúpula tinha começado, mas não seria concluída estruturalmente até 1436 com o plano de engenharia do difícil Filippo Brunelleschi, frequente rival de Ghiberti.


    
1. Adão e Eva 2. Caim e Abel 3. Noé 4. Abraão 5. Isaac com Esaú e Jacó 6. Joseph 7. Moisés 8. Joshua 9. David 10. Salomão e a Rainha de Sabá

Ghiberti ganhou a concorrência para as portas. Apesar de muitas encomendas na Florença renascentista serem determinadas através de concurso, Ghiberti recebeu a encomenda de um segundo conjunto de portas sem precisa participar de um concurso. Este segundo conjunto de portas, concluído em 1452 (depois de 21 anos de trabalho), foi apelidado "The Gates of Paradise" (Os Portões do Paraíso) por Michelangelo, que não era conhecido por elogiar facilmente. Ghiberti disse que suas portas foram feitas "com a maior diligência e grande amor, a obra mais singular que eu já fiz".


 

Genesis: Criação de Adão (Tentação ao fundo).  Criação de Eva: Parte da figura de Eva pode ser vista na parte superior deste painel. Figuras de Adão e Eva ocupam a borda superior


                                     
  Caim e Abel: na distância os irmãos oferecem seus sacrifícios e um pouco mais perto, Caim mata Abel. Na posição intermediária Abel é visto com seu cão observando seus rebanhos. Em primeiro plano Caim usa o arado e à direita recebe a sentença de D´us


Noé: animais que saem da Arca. Em primeiro plano está a vergonha de Noé (embriaguez) e à direita o seu sacrifício

O Batistério, construído cerca de 1050, tem um plano central, com oito lados e três portas, ao leste, norte e sul. As portas ao sul, terminadas em 1330 por Andrea Pisano, têm quadrifólios com oito Virtudes sentadas e 20 cenas da vida de João Batista (O batistério é dedicado a ele, como muitos foram). Ghiberti projetou as portas ao norte em 1404-1424, usando o mesmo formato quadrifólio como Pisano e com o mesmo número de relevos - 28. Seu segundo conjunto de portas, o chamado “Gates of Paradise”, no entanto, têm painéis muito maiores e um formato quadrado, em vez do quatrefoil medieval. Assim elas podem acomodar várias cenas relativas a um herói do Velho Testamento e usar muitas figuras (mais de uma centena em alguns painéis) e extensos detalhes. Estas portas retratam acontecimentos desde a criação até o reinado de Salomão.


Abraham: Anjos anunciando que Sarah dará à luz um filho. O Sacrifício de Isaac




Isaac: em primeiro plano estão as mulheres que assistiram no nascimento de Jacó e Esaú, com Rebecca em trabalho de parto na posição intermediária. Também em primeiro plano estão Isaac enviando Esaú à caça e à direita Jacob recebendo a bênção de Isaac, com uma bela Rebecca clássica, e o conspirador, por perto. No fundo Esaú é visto em baixo relevo, caçando e no telhado Rebecca está ouvindo a advertência de D´us sobre o conflito final entre seus dois filhos que ainda não nasceram



Em "A História de José" é retratado o esquema narrativo de Joseph lançado ao poço por seus irmãos, Joseph vendido aos comerciantes, os comerciantes entregando Joseph ao Faraó, Joseph Interpretando o sonho do Faraó, o Faraó pagando-lhe com honra, Jacob enviando seus filhos ao Egito e Joseph reconhecendo seus irmãos e voltando para casa. Este painel foi o mais difícil de executar e também o mais bonito





Moisés: Filhas de Israel. Recebendo as Tábuas da Lei


As portas são compostas por 10 painéis retangulares, dispostos em duas colunas. Eles retratam cenas do Antigo Testamento da esquerda para a direita e de cima para baixo. Em cada painel, Ghiberti descreveu mais de uma cena, portanto existem mais de cinquenta cenas descritas. Ao redor de toda a moldura dourada e ricamente decorada das portas, Ghiberti adicionou 24 pequenos bustos de bronze, de florentinos célebres. Os dois bustos centrais são retratos do artista e de seu pai, Bartolomeo Ghiberti.




Joshua. Joshua em carruagem precedida pela arca da aliança. As Pedras. O fundo com a cidade de Jericó e os sacerdotes com trombetas

  
Executado na técnica de cera perdida (relievo schiacciato), Ghiberti quase pintou em escultura.
Ghiberti usou o método narrativo medieval de combinar várias histórias dentro de um quadro, mas os relevos também mostram a influência da escultura clássica no estilo das figura e poses de alguns personagens, a influência da arquitetura clássica nos edifícios retratados, e a influência do realismo renascentista nos gestos e movimentos de suas figuras.




David. Golias caído - David está em processo de cortar a cabeça de Golias com sua própria espada grande. Parte da figura de Noé pode ser vista na borda inferior

Os dez painéis descrevem cenas do Antigo Testamento, desde a Criação até Salomão, sendo: Adão e Eva, Caim e Abel, Noé, Abraão, Jacó e Esaú, José, Moisés, Josué, Davi e Salomão e Sheba. Eles são conhecidos por sua vívida ilusão de espaço profundo em relevo, que veio a partir da construção da perspectiva com base em uma teoria matemática da representação do espaço tridimensional em um plano bidimensional, uma teoria emprestada de Brunelleschi. Essas portas têm figuras com partes de seus corpos projetados a partir do fundo, bem como detalhes em relevo muito raso. A profundidade é representada através da perspectiva linear de um ponto, perspectiva aérea ou atmosférica, e as figuras em recuo progressivo de tamanhos, como se elas recuassem na distância. As portas não são apenas bonitas, mas são também uma maravilha técnica.



  Salomão: Salomão e a Rainha de Sabá


                       
  


   
Detalhes fronteiriços: à esquerda - Jonas e Hannah. centro e detalhe: auto-retrato de Ghiberti

Ghiberti foi um artista popular em seu tempo. Seu trabalho era bonito e apelou para um público amplo. Ghiberti também era conhecido por sua capacidade de trabalhar bem com os outros, uma habilidade útil na Florença renascentista. Os artistas trabalhavam sob patrocínio e sob encomendas, por isso, apesar de todo o gênio que possuíssem, eles estavam sempre respondendo a outra pessoa. Ghiberti era bom de charme e manipulação de seus clientes, o que foi particularmente útil para ele que quase nunca cumpria um prazo. Além disso, ele tinha o controle sobre sua oficina. Seus assistentes incluíam Donatello, Paolo Uccello, e Michelozzo. Os artistas raramente trabalhavam sós, muitos deles tinham assistentes e colaboradores. Os dois conjuntos de portas de bronze de Ghiberti apresentam uma unicidade e coerência, os historiadores de arte têm tido dificuldade em discernir conjuntos individuais de mãos na obra.
Os "Gates of Paradise" situados no Batistério são uma cópia dos originais, substituídos em 1990 para preservar os painéis depois de mais de 500 anos de exposição e danos. Para proteger os painéis originais para o futuro, eles estão sendo restaurados e mantidos em um ambiente seco no Museo dell'Opera del Duomo, o museu de arte e escultura do Duomo em Florença. Alguns dos painéis originais estão em exposição no museu, os demais estão sendo restaurados e limpos.

Assista o vídeo:



Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas compartilhe usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais.