quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A história de “As Três Graças” de Antonio Canova

Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - 173 x 97 x 75 cm - Hermitage Museum, Moscou


A história de “As Três Graças” de Antonio Canova


“As Três Graças” é uma escultura neoclássica, em mármore, das personagens mitológicas “Três Cárites”, filhas de Zeus. Em algumas gravuras da estátua, elas foram identificadas como (da esquerda para a direita) Euphrosyne, Aglaia e Thalia. Euphrosyne representa a alegria, Thalia, a juventude e beleza e Aglaia, a elegância. Na mitologia, as Graças atuavam em banquetes e reuniões, principalmente para entreter e encantar os convidados dos deuses. Elas sempre foram figuras atraentes para artistas históricos, incluindo Sandro Botticelli e Raphael. Ao contrário das composições das Graças derivadas da antiguidade, onde as figuras exteriores estão viradas para a frente e a figura central abraça suas companheiras, de costas, as figuras de Canova ficam lado a lado, e de frente umas para as outras.


Sandro Botticelli – Primavera, c. 1482 – têmpera sobre madeira – 202 x 314 cm - Uffizi Gallery, Florence

Esse blog possui um artigo sobre essa pintura de Botticelli que inclui as figuras das Três Graças. Para ver, clique sobre esse link:



Three Graces, Roma, Século II. D.C. – mármore - 123 x 100cm - Metropolitan Museum of Art, New York


Uma versão da escultura faz parte do acervo do Museu Hermitage em Moscou, outra é uma propriedade conjunta dos museus Victoria and Albert Museum de Londres e das Galerias Nacionais da Escócia, onde são exibidas rotativamente.

A primeira versão foi feita para a Imperatriz Josephine, a ex-esposa de Napoleão Bonaparte. Quando ela faleceu em Maio de 1814, seu filho Eugène a herdou e seu neto Maximilian a trouxe para St. Petersburg, onde agora está exposta no Museu Hermitage. Quando essa versão ainda estava no ateliê de Canova, John Russell, o 6° Duke de Bedford a viu e ficou muito impressionado com a obra. E quando a Imperatriz Josephine faleceu, ele se ofereceu para comprar a escultura. Como ela foi destinada ao filho de Josephine, o Duque encomendou uma segunda versão, que ficou pronta em 1817 e foi instalada na residência do Duque em Woburn Abbey. Canova viajou para a Inglaterra para supervisionar a sua instalação, escolhendo que ela fosse exibida em um pedestal adaptado em um rodapé de mármore, rotativo. Esta versão é agora propriedade conjunta do Victoria and Albert Museum e das Galerias Nacionais da Escócia.


Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - 173 x 97 x 75 cm - Hermitage Museum, Moscou


A versão do Hermitage é esculpida em mármore com veios e tem um pilar quadrado por trás da figura da esquerda (Eufrosina). A versão Woburn Abbey é esculpida em mármore branco e tem um pilar redondo, e a figura central (Aglaia) tem uma cintura um pouco mais larga.


Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - Victoria and Albert Museum e Galerias Nacionais da Escócia


A peça foi esculpida de um único bloco de mármore branco. Os assistentes de Canova a iniciaram, deixando para Canova a concluir e moldar a pedra para destacar a carne macia das Graças. Esta era uma marca registrada do artista, e a peça mostra uma forte lealdade ao movimento neoclássico do qual Canova é um expoente privilegiado no campo da escultura. As linhas são requintadas, refinadas e elegantes. Canova tinha retratado as Graças, numa pintura de 1799, e também realizou outros desenhos e um relevo do tema, executados por ele na mesma época. Em 1810, ele modelou um esboço de terracota que está no Musée de Lyon, França. O modelo para o mármore esculpido para a Imperatriz, foi o grupo de gesso em tamanho real, que ainda existe no Museu Canova em Possagno, Itália.

Antonio Canova (Possagno, 1 de novembro de 1757 — Veneza, 13 de outubro de 1822) foi um desenhista, pintor, antiquário e arquiteto italiano, mas é mais lembrado como escultor, desenvolvendo uma carreira longa e produtiva. Seu estilo foi fortemente inspirado na arte da Grécia Antiga. Suas obras foram comparadas por seus contemporâneos com a melhor produção da Antiguidade, e foi tido como o maior escultor europeu desde Bernini.

Canova não teve discípulos regulares, porém influenciou a escultura de toda a Europa em sua geração, atraindo inclusive artistas dos Estados Unidos, permanecendo como uma referência ao longo de todo o século XIX especialmente entre os escultores do Academismo. Com a ascensão da estética modernista caiu no esquecimento, mas sua posição prestigiosa foi restabelecida a partir de meados do século XX. Também manteve um continuado interesse na pesquisa arqueológica, foi um colecionador de antiguidades e esforçou-se por evitar que o acervo de arte italiana, antiga ou moderna, fosse disperso por outras coleções do mundo. Considerado por seus contemporâneos um modelo tanto de excelência artística como de conduta pessoal, desenvolveu importante atividade beneficente e de apoio aos jovens artistas. Foi Diretor da Accademia di San Luca em Roma e Inspetor-Geral de Antiguidades e Belas Artes dos estados papais, recebeu diversas condecorações e foi nobilitado pelo papa Pio VII com a outorga do título de Marquês de Ischia.

A produção completa de Canova é extensa. De esculturas de grande porte deixou mais de 50 bustos, 40 estátuas e mais de uma dúzia de grupos, sem falar nos monumentos fúnebres e nos inúmeros modelos em argila e gesso para obras definitivas que ainda sobrevivem, alguns dos quais nunca transferidos para o mármore, sendo assim peças únicas, e nas obras menores como as placas e medalhões em relevo, as pinturas e os desenhos. Canova cultivou uma ampla gama de temas e motivos, que juntos formam um panorama quase completo das principais emoções e princípios morais positivos do ser humano. 


Antonio Canova - The Three Graces - detalhe


Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


Nenhum comentário:

Postar um comentário