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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Análise da pintura de Wasily Kandinsky - Composition VIII

Wasily Kandinsky - Composition VIII, 1923 – óleo sobre tela – 140,3 x 200,7 cm - Solomon R. Guggenheim Museum, New York


Análise da pintura de Wasily Kandinsky - Composition VIII


A ordem geométrica racional da Composição VIII é um oposto polar da Composição VII (1913). Pintado enquanto lecionava na Bauhaus, este trabalho ilustra como Kandinsky sintetizou elementos do suprematismo, construtivismo e o próprio estilo da escola. Ao combinar aspectos de todos os três movimentos, ele chegou aos planos de cor e à qualidade clara e linear vista neste trabalho. A forma, ao contrário da cor, estruturou a pintura em um equilíbrio dinâmico que pulsa pela tela. Este trabalho é uma expressão das ideias de Kandinsky sobre arte moderna e não objetiva, principalmente o significado de formas como triângulos, círculos e quadriculados. Kandinsky confiou em um estilo rígido para comunicar o conteúdo mais profundo de seu trabalho pelo resto de sua carreira.

Para Kandinsky, a cor significava mais do que apenas um componente visual de uma imagem, é sua alma. Em seus livros, ele descreveu sua própria perspectiva sobre como as cores interagem entre si e com o espectador. Kandinsky dizia poder "ouvir cores" e "ver sons".

“A cor é o teclado, os olhos são as harmonias, a alma é o piano com muitas cordas. O artista é a mão que toca, tocando uma tecla ou outra, para causar vibrações na alma” – Wassily Kandisnsky

Wassily Wassilyevich Kandinsky (Moscou, 4 de dezembro de 1866/16 de dezembro pelo calendário gregoriano - 13 de dezembro de 1944) foi um pintor russo e teórico da arte. Na década de 1910, Kandinsky desenvolveu seus primeiros estudos não figurativos, sendo por isso considerado o primeiro pintor ocidental a produzir uma tela abstrata. Ele estudou Direito e Economia na Universidade de Moscou, e declinou a carreira de professor de Direito para estudar Arte em Munich. Em 1902 Kandinsky expôs pela primeira vez com a Secessão de Berlim e produziu suas primeiras xilogravuras. Em 1903 ele começou a viajar para a Itália, Holanda e África do Norte e visitou a Rússia. Expôs no Salon d'Automne em Paris a partir de 1904. Ele retornou a Moscou em 1914, após a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Kandinsky não simpatizava com as teorias oficiais sobre a arte da Moscou comunista e voltou para a Alemanha em 1921. Lá, ensinou na escola Bauhaus de arte e arquitetura de 1922 até os nazistas a fecharem em 1933. Em seguida, mudou-se para a França, onde viveu o resto da sua vida, tornando-se um cidadão francês em 1939 e produzindo algumas das suas mais importantes obras de arte.

Esse blog possui um artigo sobre Gabriele Münter, uma companheira de Kandinsky, e a história do casal. Clique sobre esse link para ver:


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sábado, 29 de setembro de 2018

Série Pablo Picasso: sua musa Sylvette David


Pablo Picasso – Portrait of Sylvette 23, 1954 - desenho


Série Pablo Picasso: sua musa Sylvette David


Sylvette David, 1954


Pablo Picasso é conhecido por ter tido muitas esposas e amantes que tiveram finais infelizes, algumas cometendo suicídio. Quando ele já estava com mais de setenta anos, em 1954, conheceu uma garota de 19 anos, que usava seu cabelo loiro num rabo-de-cavalo e que chamava a atenção de todos.


Pablo Picasso – Portrait of Sylvette 01, 1954 - desenho


Sylvette David, 1954


Pablo Picasso – Portrait of Sylvette 04, 1954 – desenho – para esse desenho, Sylvette não posou nua, Picasso usou sua imaginação


O verdadeiro nome de Sylvette David é Lydia Corbett, uma artista plástica que cresceu na Riviera Francesa em Cannes e era muito parecida com a atriz Brigitte Bardot. Ela diz que Bardot copiou seu penteado de rabo-de-cavalo. As fotografias de Sylvette com o pintor apareceram na revista Paris Match, onde atraíram a atenção do marido de Bardot, o diretor de cinema Roger Vadim. Ela disse: “Tive apenas um breve encontro com Brigitte Bardot quando passamos uma pela outra na Promenade em Cannes durante o festival de cinema de 1954. Ela estava no braço de Vadim e eu estava no de Picasso, e é claro que nós olhamos uma para a outra e os homens deram uma longa olhada em nós." Bardot visitou Picasso em seu estúdio, mas ele não a pintou.


Brigitte Bardot e Pablo Picasso em Cannes, 1956


Pablo Picasso – Portrait of Sylvette 05, 1954 – óleo sobre tela


Pablo Picasso – Portrait of Sylvette 21, 1954 - desenho


Sylvette e seu noivo, Toby Jellinek, haviam se mudado para Vallauris para morar com a mãe dela. Toby, que era um designer de móveis de vanguarda, tinha um ateliê não muito longe do estúdio de Picasso, e Sylvette frequentemente passava pela janela do artista a caminho para encontrá-lo. Seu primeiro encontro com Picasso veio depois que o espanhol comprou duas cadeiras de Toby, que as entregou a sua modesta villa, La Galloise, nas colinas acima de Vallauris, acompanhadas por Sylvette.


Pablo Picasso – Portrait of Sylvette 25, 1954 - – óleo sobre tela


Sylvette David, 1954

 
Sobre a parede de seu estúdio ao lado, Sylvette viu Picasso segurando uma de suas pinturas. Era uma imagem simples de uma jovem com uma franja e um rabo de cavalo; foi um retrato dela, executado de memória. "Foi como um convite", ela lembrou mais tarde, então ela e suas amigas foram bater na porta dele. Picasso ficou tão feliz em ver Sylvette que ele a abraçou imediatamente. “Eu quero pintar você, pintar Sylvette!” Ele gritou.


Pablo Picasso – Portrait of Sylvette 27, 1954 - desenho


Pablo Picasso – Portrait of Sylvette David 24 in a Green Chair, 1954 - – óleo sobre tela


Nos meses que se seguiram, entre abril e junho, Picasso persuadiu Sylvette a posar para ele regularmente e criou uma série de mais de 60 retratos dela em várias mídias, incluindo desenhos e esculturas, além de 28 pinturas. Quando as obras foram expostas, as pessoas ficaram intrigadas com a natureza do relacionamento do artista com essa jovem beleza tímida e moderna. A revista Life anunciou uma nova época na arte de Picasso: o seu "Ponytail Period" (Período do rabo-de-cavalo). No entanto, depois disso, os críticos de arte passaram a desprezar essa série. Picasso havia sido abandonado por François Gilot e ele estava deprimido, encontrando consolo na beleza juvenil de Sylvette, porém sem nunca ter dormido com ela e, portanto, os críticos acharam que faltava engajamento emocional entre o artista e a modelo. Para outros, essa série demonstra a virtuosidade e inovação artística de Picasso.


Pablo Picasso – Sylvette David – escultura em concreto – 7,5 m de altura - Rotterdam, Holanda


Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou simplesmente Pablo Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), foi um pintor, escultor e desenhista espanhol. Foi reconhecidamente um dos mestres da arte do século XX. É considerado um dos artistas mais famosos e versáteis de todo o mundo, tendo criado mais de 20.000 trabalhos, não somente pinturas, mas também esculturas, cerâmica, gravura, desenho, cenários de teatro, usando, todos os tipos de materiais. Ele também é conhecido como um dos fundadores do Cubismo.


Sylvette David


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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Análise de Landscape with Yellow Birds de Paul Klee

Paul Klee - Landscape with Yellow Birds (Paisagem com Pássaros Amarelos), 1923 – caneta e tinta sobre papel – 35,5 x 44 cm – coleção particular


Análise de Landscape with Yellow Birds de Paul Klee


Para Paul Klee, a cor era tudo e nessa pintura, uma variedade de cores, sombras, luz e escuridão aumentam a sensação de movimento em um ambiente de sonho, com o senso de humor agudo do artista contribuindo de um modo divertido. Klee sempre procurou questionar o familiar, empregando ironia, e isso pode ser percebido aqui. O significado da imagem, como sempre, é ambíguo e aberto a interpretação pelo espectador. A produção da década de 1920 de Klee tendia ao abstrato, mas não completamente.

As obras de Klee, apresentadas em uma sinfonia de amarelo, azul e vermelho, criam uma impressão inexplicável de alegria, de música e de liberdade. Arte, artifício ou magia? Paul Klee é um gigante da Arte do século XX e um dos grandes inovadores criativos da época.


Paul Klee (Münchenbuchsee, 18 de dezembro de 1879 — Muralto, 29 de junho de 1940) foi um pintor e poeta suíço naturalizado alemão. Ele possuía um método individual, influenciado por muitos movimentos de arte, como surrealismo, cubismo e expressionismo, além de futurismo e abstração, realizando mais de 9.000 gravuras, desenhos e pinturas. Suas obras refletem seu humor seco e, às vezes, a sua perspectiva infantil, seus ânimos e suas crenças pessoais, e sua musicalidade. Ele e o pintor russo Wassily Kandinsky, seu amigo, também eram famosos por darem aulas na Bauhaus, uma escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda na Alemanha. A Bauhaus foi uma das maiores e mais importantes expressões do que é chamado Modernismo no design e na arquitetura, sendo a primeira escola de design do mundo. A escola foi fundada por Walter Gropius em 25 de abril de 1919. Em 1933, após uma série de perseguições por parte do governo nazista, a Bauhaus foi fechada.

Em meados da década de 1920, a técnica de arte de Klee passou para um gênero chamado divisionismo. Esta técnica de arte cria a oposição entre formas individuais e formas “dividuais”. Isto significa que ele usou formas que não podem ser divididas e formas que podem ser infinitamente divididas. Embora Klee enxergasse sua arte como um processo de criatividade espontânea e crescimento natural, exemplificado pela sua famosa descrição do desenho como "levar uma linha para um passeio", ele realmente verdadeiramente trabalhava com grande rigor, tendo produzido mais de 9.000 obras de arte.

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sábado, 16 de dezembro de 2017

Análise de “Color Study: Squares with Concentric Rings” de Wassily Kandinsky

Wassily Kandinsky - Color Study: Squares with Concentric Rings (Estudo de Cores: Quadrados com Anéis Concêntricos), 1913 – aquarela, guache e crayon sobre papel – 23,9 x 31,5 cm – Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munich


Análise de “Color Study: Squares with Concentric Rings” de Wassily Kandinsky


Quadrados com Círculos Concêntricos (Farbstudie - Quadrate und konzentrische Ringe), é um dos trabalhos mais famosos de Kandinsky. E é um pequeno estudo sobre como diferentes combinações de cores são percebidas. Kandinsky fez aquarelas e estudos práticos sobre a relação entre cor e forma, em preparação para as grandes composições abstratas que ele pintou. Nesse trabalho, ele aplicou camadas de aquarela em anéis concêntricos que se tocam nas bordas, transformando uns aos outros no processo. Esses estudos tinham uma abordagem metódica e sistemática sobre a teoria das cores, que Kandinsky mais tarde usou como professor no Instituto de Cultura Artística de Moscou entre 1920 e 1922 e também na Bauhaus, a escola de arte e arquitetura de Berlim, em Weimar, Alemanha, entre 1923 e 1933.

Para Kandinsky, a cor significava mais do que apenas um componente visual de uma imagem, é sua alma. Em seus livros, ele descreveu sua própria perspectiva sobre como as cores interagem entre si e com o espectador. Kandinsky dizia poder "ouvir cores" e "ver sons".

“A cor é o teclado, os olhos são as harmonias, a alma é o piano com muitas cordas. O artista é a mão que toca, tocando uma tecla ou outra, para causar vibrações na alma” – Wassily Kandisnsky

Wassily Wassilyevich Kandinsky (Moscou, 4 de dezembro de 1866/16 de dezembro pelo calendário gregoriano - 13 de dezembro de 1944) foi um pintor russo e teórico da arte. Na década de 1910, Kandinsky desenvolveu seus primeiros estudos não figurativos, sendo por isso considerado o primeiro pintor ocidental a produzir uma tela abstrata. Ele estudou Direito e Economia na Universidade de Moscou, e declinou a carreira de professor de Direito para estudar Arte em Munich. Em 1902 Kandinsky expôs pela primeira vez com a Secessão de Berlim e produziu suas primeiras xilogravuras. Em 1903 ele começou a viajar para a Itália, Holanda e África do Norte e visitou a Rússia. Expôs no Salon d'Automne em Paris a partir de 1904. Ele retornou a Moscou em 1914, após a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Kandinsky não simpatizava com as teorias oficiais sobre a arte da Moscou comunista e voltou para a Alemanha em 1921. Lá, ensinou na escola Bauhaus de arte e arquitetura de 1922 até os nazistas a fecharem em 1933. Em seguida, mudou-se para a França, onde viveu o resto da sua vida, tornando-se um cidadão francês em 1939 e produzindo algumas das suas mais importantes obras de arte.

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Roy Lichtenstein, sua arte e sua história

Roy Lichtenstein – In the Car, 1963 – óleo sobre tela – 172 x 203,5 cm - Scottish National Gallery of Modern Art, Edinburgh, Escócia, UK


Roy Lichtenstein, sua arte e sua história


Roy Lichtenstein – Look Mickey, 1961 – óleo sobre tela – 121,9 x 175,3 cm - National Gallery of Art, Washington, DC, USA


Roy Lichtenstein (Nova Iorque, 27 de outubro de 1923 — Nova Iorque, 29 de setembro de 1997) foi um dos artistas mais influentes e inovadores da segunda metade do século XX. Ele é preeminentemente identificado com a Pop Art, um movimento que ele ajudou a originar, e suas primeiras pinturas foram baseadas em imagens de histórias em quadrinhos e propagandas e apresentadas em um estilo imitando os processos de impressão em bruto da reprodução de jornais. Lichtenstein usava cores primárias, linhas escuras grossas, balões contendo texto e efeitos sonoros e o pontilhado usado como método de sombreamento. Seu trabalho foi fortemente influenciado pela publicidade popular e definiu a premissa básica da arte pop através de paródia. Essas pinturas revigoraram a cena artística americana e alteraram a história da arte moderna. Após o seu sucesso inicial no início dos anos 1960, ele criou uma obra de mais de 5.000 pinturas, impressões, desenhos, esculturas, murais e outros objetos celebrados por sua inteligência e invenção.


Roy Lichtenstein – Blam, 1962 – óleo sobre tela – 172,7 x 203,2 cm - Yale University Art Gallery, New Haven, Connecticut, USA


Roy Lichtenstein – Whaam, 1963 – acrílica e óleo sobre tela – 172,7 x 406,4 cm – Tate Modern, Londres, UK


Lichtenstein cresceu em New York, onde iniciou seus estudos de arte, e depois se graduou na Universidade Estadual de Ohio, onde também completou um mestrado em Artes. Em 1957, ele voltou para o estado de New York e se dedicou a lecionar. Foi nessa época que ele adotou o estilo do Expressionismo abstrato, sendo um converso tardio para esse estilo de pintura. Lichtenstein começou a ensinar no norte de Nova York na Universidade Estadual de Nova York em Oswego em 1958.


Roy Lichtenstein – Thinking of Him, 1963 – acrílica sobre tela – 172,7 x 173 cm - Yale University Art Gallery, New Haven, Connecticut, USA


Em junho de 1961, Lichtenstein voltou à ideia que ele tinha tido em Oswego, que era combinar personagens de quadrinhos com motivos abstratos. Lichtenstein se apropriou dos pontos de Benday (Benday dots), o padrão mecânico minucioso usado na gravura comercial, para transmitir textura e gradações de cor. Os pontos de Benday se tornaram para sempre identificados com Lichtenstein e a Pop Art. Lichtenstein tornou-se um gravador prolífico e expandiu-se em escultura, que ele não tinha tentado desde meados da década de 1950 e em peças bidimensionais e tridimensionais, ele empregou uma série de materiais industriais ou "não artísticos" produzindo objetos em série, que eram menos caros do que pinturas e escultura tradicionais.


Roy Lichtenstein – “Blonde” – 1965 – cerâmica pintada - 38,1 x 21 x 20,3 cm - coleção particular


Esse blog possui um artigo sobre as esculturas de Roy Lichtenstein. Clique sobre o link abaixo para ver:



Querendo crescer, Lichtenstein se afastou dos temas de quadrinhos que o levaram ao sucesso. No final da década de 1960, seu trabalho tornou-se menos narrativo e mais abstrato, pois continuou a meditar sobre a natureza da própria empresa artística. Ele começou a explorar e desconstruir a noção de pinceladas, que são convencionalmente concebidas como veículos de expressão, mas Lichtenstein tornou-as o próprio tema de suas obras.


Roy Lichtenstein – Little Big Painting, 1965 – óleo e acrílica sobre tela – 172,7 x 203,2 cm - Whitney Museum of American Art, New York, USA


Roy Lichtenstein – Still Life with Goldfish, 1974 – óleo e acrílica sobre tela – 203,2 x 152,4 cm - Philadelphia Museum of Art, PA, USA


A busca de novas formas e fontes foi ainda mais enfática após 1970, quando Lichtenstein expandiu sua paleta além de formas vermelhas, azuis, amarelas, pretas, brancas e verdes, e formas inventadas e combinadas. Ele não estava apenas isolando imagens encontradas, mas justapondo, sobrepondo, fragmentando e recompondo essas imagens.


Roy Lichtenstein – Stepping Out, 1978 – óleo e acrílica sobre tela – 220,3 x 178,1 cm - Metropolitan Museum of Art, New York, USA


Roy Lichtenstein – Interior with Mirrored Wall, 1991 – óleo e acrílica sobre tela – 320,4 x 406,4 cm - Solomon R. Guggenheim Museum, New York, USA


No início da década de 1980, Lichtenstein estava no ápice de uma movimentada carreira mural. Ele também completou grandes encomendas para esculturas públicas em Miami Beach, Columbus, Minneapolis, Paris, Barcelona e Cingapura.


Roy Lichtenstein – “El Cap de Barcelona (The Head)” - 1991–1992 – concreto e cerâmica – 19,51 m 


“Pop Art olha para o mundo. Não parece uma pintura de algo, parece a coisa em si” (Roy Lichtenstein)


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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Pablo Picasso – “Woman with a Book” (Mulher com um Livro), 1932 – óleo sobre tela - 130.5 x 97.8 cm – Norton Simon Museum, Pasadena, California, USA


Análise da pintura de Pablo Picasso – “Woman with a Book”


Ao usar uma cor exuberante e densamente aplicada em uma rede de sinuosas linhas negras, equilibrando sensualidade e restrição, a composição presta homenagem ao mestre neoclássico da linha, Jean-Auguste-Dominique Ingres, cujo trabalho Picasso admirava desde a juventude e cujo Retrato de Madame Moitessier, do pintor espanhol, foi visto por Picasso pela primeira vez em 1921. Picasso transformou a seriedade da modelo do meio do século XIX, em um retrato sonhador de sua amante, Marie-Thérèse Walter.


Jean-Auguste-Dominique Ingres - Madame Moitessier, 1856 – óleo sobre tela - 120 cm × 92 cm - National Gallery, London


Descansando a cabeça da modelo em sua mão, e substituindo o leque de Madame Moitessier pelas páginas de um livro, Picasso retratou o erotismo latente embaixo da imagem de respeitabilidade burguesa. O perfil sereno refletido em um espelho à direita no retrato de Picasso também faz referência ao seu precedente neoclássico, mas também pode constituir um autorretrato abstrato.


Picasso fez mais um retrato de Marie-Thérèse Walter lendo, que levou ao fim do seu casamento com Olga Khokhlova, depois que ela viu a pintura em uma exposição retrospectiva e percebeu que as características faciais da modelo não eram dela.


Pablo Picasso – La Lecture, 1932 – óleo sobre madeira – 65.5 cm × 51 cm - coleção particular


Esse blog possui mais um artigo sobre outra pintura de Marie-Thérèse Walter. Clique sobre o link abaixo para ver:



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sábado, 28 de janeiro de 2017

A história de Autumn Rhythm (Number 30) de Jackson Pollock

Jackson Pollock - Autumn Rhythm (Number 30), 1950 – tinta esmalte sobre tela - 266.7 x 525.8 cm – The Metropolitan Museum of Art, New York, USA


A história de Autumn Rhythm (Number 30) de Jackson Pollock


Autumn Rhythm, exemplifica o extraordinário equilíbrio entre o acidental e o controle que Pollock manteve sobre sua técnica. As palavras "derramado" e "gotejado", comumente usadas para descrever seu processo criativo heterodoxo, que envolvia pintar em uma tela estendida no chão, dificilmente sugerem a diversidade dos movimentos do artista (sacudindo, espirrando e pingando) ou as composições líricas que eles produziam.

Em Autumn Rhythm, como em muitas de suas pinturas, Pollock primeiro criou um esqueleto linear complexo usando tinta preta. Para esta camada inicial, a pintura foi diluída, de modo que ela foi embebida no comprimento da lona virgem, juntando intimamente imagem e suporte. Sobre esta estrutura preta Pollock teceu uma teia intrincada de linhas brancas, marrons e turquesa, que produzem ritmos e sensações visuais contrários: luz e escuridão, grosso e fino, pesado e flutuante, reto e curvo, horizontal e vertical. Passagens de textura contribuem para a complexidade da pintura (como os redemoinhos agrupados onde duas cores se encontram e texturas enrugadas formadas pela acumulação de tinta) e são pouco visíveis na confusão de linhas sobrepostas.

Paul Jackson Pollock (Cody, Wyoming, 28 de Janeiro de 1912 — Springs, 11 de Agosto de 1956) foi um dos primeiros artistas americanos a alcançar reputação mundial, se tornando um ícone do movimento expressionista abstrato. Ele passou sua infância em comunidades agrícolas no Arizona e no sul da Califórnia. Aos 18 anos, ele se mudou para Nova York, onde estudou arte e pintou para o Works Progress Administration. Em 1943, Pollock trabalhou brevemente como funcionário de manutenção no Museu de Pintura Não-Objetiva (precursor do Museu Guggenheim). Mais tarde naquele ano, Peggy Guggenheim o contratou até 1947, permitindo-lhe dedicar todo o seu tempo à pintura. Sua primeira exposição individual foi realizada no Guggenheim’s Art of This Century, New York (1943). Antes de 1947, o trabalho de Pollock refletia a influência de Pablo Picasso e do surrealismo, e do muralista mexicano Diego Rivera.

Em meados da década de 1940, Pollock pintava de uma maneira completamente abstrata, liberando-se das restrições verticais de um cavalete, afixando uma tela não esticada no chão. Em 1947 surgiu seu "estilo de gotejamento", marcado pelo uso de espátulas ou varetas para gotejar e salpicar a tinta, bem como despejar tinta diretamente da lata. Reminiscentes das noções surrealistas da pintura subconsciente e automática, os gotejamentos de Pollock, também chamados de "pinturas de ação", revolucionaram o potencial da arte contemporânea e promoveram o desenvolvimento do expressionismo abstrato.

A partir do outono de 1945, quando Pollock e a artista Lee Krasner se casaram, eles moraram em Springs, East Hampton, Nova York. Ela foi a influência mais importante em sua arte, sua carreira e seu legado. Sua vida foi marcada pelo alcoolismo e por um comportamento autodestrutivo. Ele faleceu em um acidente de carro aos 44 anos.


Assista um vídeo sobre Jackson Pollock, clicando aqui:




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quinta-feira, 10 de março de 2016

Piet Mondrian, sua arte e sua história

Piet Mondrian - Composition with Red, Blue and Yellow, 1930 – óleo sobre tela – 46 x 46 cm - Kunsthaus Zürich, Suiça 


Piet Mondrian, sua arte e sua história


Piet Mondrian – Autorretrato, 1900 – óleo sobre tela – 50,4 x 39,7 cm - Philips Collection, Washington DC, USA


Piet Mondrian em seu ateliê, 1944 – foto: Fritz Glarner


Piet Mondrian - Along the Amstel, 1903 – óleo sobre cartão - 31 x 41 cm - Gemeentemuseum Den Haag, Holanda


Pieter Cornelis "Piet" Mondriaan - após 1906 Mondrian (07 de março de 1872 - 01 de fevereiro de 1944), foi um pintor holandês. Mondrian foi introduzido à arte muito cedo. Seu pai era um professor de desenho e com seu tio, Frits Mondriaan, muitas vezes Piet pintava e desenhava ao longo do rio Gein. Depois de uma educação estritamente protestante, em 1892, Mondrian entrou para a Academia de Belas Artes, em Amsterdã. Começou sua carreira como professor, e também pintava. Sua obra a partir deste período é naturalista ou impressionista, consistindo em grande parte de paisagens. Estas imagens pastorais de seu país natal retratam moinhos de vento, campos e rios, inicialmente na forma impressionista holandesa da Escola de Haia e, em seguida, em uma variedade de estilos e técnicas que atestam a sua busca por um estilo pessoal. Estas pinturas mostram a influência de diversos movimentos artísticos, incluindo pontilhismo e as cores vivas do fauvismo.


Piet Mondrian - Willow Grove: Impression of Light and Shadow, c. 1905, oil on canvas, 35 × 45 cm, Dallas Museum of Art


Piet Mondrian - Evening; Red Tree, 1908–10 – óleo sobre tela - 70 × 99 cm - Gemeentemuseum Den Haag, Holanda


Piet Mondrian - View from the Dunes with Beach and Piers, Domburg, 1909 – óleo e lapis sobre cartão - Museum of Modern Art, New York City


A influência do cubismo marca um ponto de virada na carreira de Mondrian. Em 1912, ele mudou para Paris, que era o centro florescente de mundo da arte avant-garde, e sob a influência das obras de Picasso, Braque, e outros, mudou de um estilo Neo-impressionista representacional para abstrações modernas. O cubismo analítico deu a Mondrian a estrutura necessária para reduzir suas paisagens a seus elementos mais básicos de linha e forma. Ele fez uso da grade cubista, reduzindo suas imagens de árvores e edifícios a uma estrutura esquematizada. No entanto, ao contrário dos cubistas, Mondrian desejava ressaltar o nivelamento da superfície da pintura, em vez de aludir a três dimensões de profundidade ilusionista, como os cubistas representavam.


Piet Mondrian - The Gray Tree, 1911 – óleo sobre tela - 79.7 x 109.1 cm - Haags Gemeentemuseum, The Hague, Netherlands


Piet Mondrian - Still Life with Gingerpot 2, 1912 – óleo sobre tela - 91.5 x 120 cm - Haags Gemeentemuseum, The Hague, Netherlands


Piet Mondrian - Composition with Oval in Color Planes II, 1914 – óleo sobre tela - Haags Gemeentemuseum, The Hague, Netherlands


Após a Primeira Guerra Mundial, ele floresceu na atmosfera do pós-guerra de Paris, o que lhe permitiu liberdade criativa pura. Após a eclosão da Segunda Guerra Mundial, mudou-se para Manhattan, NY, onde passou o resto de sua vida. Era em seu estúdio em Manhattan que se sentia mais criativo, e no qual ele criou suas grandes obras-primas.


Piet Mondrian - Farm near Duivendrecht, c. 1916 – óleo sobre tela - 86.3 x 107.9 cm – Art Institute Chicago


Piet Mondrian - Tableau I, 1921 – óleo sobre tela - 96.5 x 60.5 cm - Museum Ludwig, Cologne, Germany


Piet Mondrian - Lozenge Composition with Red, Gray, Blue, Yellow, and Black, 1925 – óleo sobre tela - National Gallery of Art, Washingon, DC, USA


Mondrian foi um dos fundadores do movimento artístico e grupo De Stijl, que foi fundado em 1917 por Theo van Doesburg com artistas e arquitetos, desenvolvendo uma forma não-representacional denominada neoplasticismo, que era composta por um fundo branco, sobre o qual era pintada uma grade de linhas pretas verticais e horizontais e a inclusão das três cores primárias. Um teórico e escritor, Mondrian acreditava que a arte refletia a espiritualidade subjacente da natureza.
Mondrian representava o mundo em seus elementos verticais e horizontais básicos, as duas forças opostas essenciais: o positivo e o negativo, a dinâmica e a estática, o masculino e o feminino. O equilíbrio dinâmico de suas composições reflete o que ele via como o equilíbrio universal dessas forças.


Piet Mondrian - Composition with Red, Yellow and Blue, 1942 – óleo sobre tela – 72,7 x 69,2 cm – Tate Modern, London


Vestidos "Mondrian" por Yves Saint Laurent, com uma pintura, em 1966


Vestidos "Mondrian" por Yves Saint Laurent, 1965


Ele simplificou os temas de suas pinturas para os elementos mais básicos, a fim de revelar a essência da energia mística no equilíbrio de forças que governam a natureza e o universo. Seu equilíbrio assimétrico e um vocabulário pictórico simplificado foram cruciais no desenvolvimento da arte moderna, e seus icônicos trabalhos abstratos permanecem influentes e familiares na cultura popular.


Piet Mondrian - Broadway Boogie Woogie, 1943 – óleo sobre tela – 127 x 127 cm - Museum of Modern Art, New York, USA

Esta tela apresenta o clímax na perseguição ao longo da vida de Mondrian de transmitir a ordem em que assenta o mundo natural através de formas puramente abstratas em um plano de imagem plana. Ampliando o uso de seu vocabulário pictórico de base de linhas, quadrados e cores primárias, a grade preta foi substituída por linhas de cor intercalados com blocos de cor sólida. Esta, e suas outras últimas pinturas abstratas, mostram uma energia nova, revitalizada, que foi diretamente inspirada pela vitalidade de Nova York e o ritmo da música jazz. A distribuição assimétrica dos quadrados coloridos dentro das linhas amarelas ecoa o ritmo variado de vida na metrópole agitada. Quase se pode ver as pessoas correndo pela calçada enquanto táxis se apressam de farol em farol. Broadway Boogie-Woogie não só alude à vida dentro da cidade, mas também anuncia o desenvolvimento do papel de Nova York como o novo centro de arte moderna após a Segunda Guerra Mundial. A última pintura concluída de Mondrian, demonstra sua contínua inovação estilística, enquanto se manteve fiel às suas teorias e formato.


Assista um vídeo que mostra a evolução na arte de Mondrian, através de animação:





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