domingo, 26 de junho de 2016

Jean-Frédéric Bazille e Pierre-Auguste Renoir

Jean-Frédéric Bazille – Retrato de Pierre-Auguste Renoir, 1867 – óleo sobre tela - 122 x 107 cm - Musée d'Orsay, Paris


Jean-Frédéric Bazille e Pierre-Auguste Renoir


Renoir e Bazille se conheceram em Novembro de 1862, no estúdio de Charles Gleyre, onde eles tiveram aulas de desenho, juntamente com Monet e Sisley. Os quatro alunos rapidamente se tornaram amigos e deixaram Gleyre, na primavera de 1863, para se dedicarem inteiramente à pintura ao ar livre.

No verão seguinte, Bazille mudou para um estúdio em Paris, compartilhado com Renoir. No final de 1867, Bazille pintou seu amigo em uma atitude jovial, com os pés sobre o assento da cadeira. Sua pose sugere um estereótipo de um artista descontraído, mas suas roupas são as de qualquer homem da sociedade. Nesta época, Paris era a capital do estilo e moda feminina, mas a moda masculina era ditada por Londres. As cores eram discretas, as roupas eram sóbrias, e o que estava em voga era um corte fino e ajuste perfeito. Renoir está até usando botas com inserções elásticas, uma inovação do século 19 que ajudou homens e mulheres colocarem suas botas sem fechos, como usamos hoje. Como a roupa dos homens era bastante convencional e pouco variada, a maneira que um homem poderia se expressar (especialmente em um retrato estático) era em sua atitude e como ele se portava. A pintura permaneceu na posse de Renoir para o resto de sua vida.

Renoir retribuiu, pintando um retrato de seu amigo em seu estúdio. Apesar de suas diferenças, um fator é comum nestas pinturas: elas representam o que parece ser um momento aleatório na vida cotidiana e evitam qualquer aparência de uma composição posada.


Pierre-Auguste Renoir - Frédéric Bazille, 1867 – óleo sobre tela – 105 x 73,5 cm - Musée d'Orsay, Paris


 Bazille está em seu cavalete, inclinando ligeiramente para a frente, com as pernas cruzadas, trabalhando em uma natureza morta de aves mortas. Na parede atrás dele está uma paisagem de inverno de Claude Monet com uma vista de Honfleur. As cores predominantes na pintura são cinza e bege. Além de ser um simples retrato, esta pintura esconde a presença das cinco figuras principais do impressionismo: Frédéric Bazille (1841-1870), Alfred Sisley (1839-1899), Claude Monet (1840-1926) e Renoir, bem como o mais velho, Edouard Manet (1832-1883).

 Eles se reúnem no estúdio da Rue Visconti em Paris, que Bazille (mais rico do que seus colegas), compartilhava com eles. Um dia, em 1867, Sisley e Bazille se encontraram frente a frente, com uma natureza morta de uma garça e dois ou três pardais, colocados sobre um pano branco em uma mesa. As duas pinturas resultantes estão agora no Musée Fabre, em Montpellier. Enquanto seus amigos trabalhavam, Renoir retratou Bazille. Querendo também prestar homenagem a Monet, ele coloca uma cena de neve na parede, provavelmente Road to Saint Simeon Farm in Winter (coleção particular). 

Monet respondeu rapidamente a esta referência pintando o retrato de Renoir, agora no Musée d'Orsay. Manet, embora não esteja representado na pintura, é associado a ela, por ter mais tarde comprado a pintura de Renoir. A figura de Bazille se destaca contra um conjunto díspar de pinturas que cobrem a parede do estúdio, algumas voltadas para fora, algumas em direção à parede. As cores dominantes de cinza e bege também são uma reminiscência de Manet. Elas intensificam os raros salpicos de outra cor na pintura: o laço vermelho de seus sapatos, a pintura clara perto da borda da palheta, ou o rosa da face, invadido pela sombra.


Morisot posou para Manet. Monet posou para Renoir. Bazille posou para Monet. Renoir posou para Bazille. Na verdade, a maioria dos impressionistas posou um para o outro, aparentemente o tempo todo. Talvez eles precisavam um do outro: muitos deles estavam perto da falência, especialmente no início de suas carreiras, e eles não podiam pagar modelos. Mas também pode ser o caso de que uma das revoluções do período impressionista era a valorização do homem comum. O retratista não ficava mais restrito a representações da aristocracia ou figuras famosas ao longo da história. 


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