terça-feira, 20 de novembro de 2018

Análise da pintura de René Magritte – The Lovers (Os Amantes)

René Magritte – The Lovers, 1928 – óleo sobre tela – 54 x 73,4 cm – Museum of Modern Art (MoMA), New York, USA


Análise da pintura de René Magritte – The Lovers (Os Amantes)


Esta pintura mostra uma figura masculina de terno preto, abraçado com uma mulher vestida de vermelho. As figuras estão se beijando, mas, curiosamente, através dos véus. E é isso que faz a pintura ser provocadora. Há várias interpretações possíveis para as pinturas de Magritte. Desejos frustrados são um tema comum no trabalho dele. Aqui, uma barreira de tecido impede o abraço íntimo entre dois amantes, transformando um ato de paixão em isolamento e frustração. Uma possível interpretação para essa pintura, é a representação de nossa incapacidade de revelar totalmente a verdadeira natureza de nossos companheiros mais íntimos.

Faces escondidas da vista são uma característica comum em muitas pinturas de Magritte. Quando ele tinha 14 anos, sua mãe cometeu suicídio por afogamento. Ele testemunhou o resgate do corpo de sua mãe com a camisola molhada em volta do rosto e alguns especularam que esse trauma o levou a mostrar rostos obscurecidos em suas obras. No entanto, Magritte negou isso. Magritte dizia: “Minhas pinturas são imagens visíveis que não escondem nada, elas evocam mistérios. Quando as pessoas veem uma de minhas pinturas, elas se fazem essa pergunta simples: O que isso significa? Não significa nada, porque o mistério também não significa nada, é desconhecido”.


René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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