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domingo, 6 de novembro de 2016

Frans Post e suas pinturas do Brasil

Frans Post – Vista de Olinda, Brasil, 1662 – óleo sobre tela - Rijksmuseum


Frans Post e suas pinturas do Brasil


Logo após a criação da Companhia das Índias Ocidentais (1621), a República Holandesa tentou conquistar porções do Brasil dos portugueses. O Brasil foi a maior região produtora de açúcar do mundo. Centenas de plantações de açúcar operavam ali usando escravos de Angola. Eventualmente os holandeses derrotaram os portugueses em 1630. A chegada de Johan Maurits de Nassau-Siegen em 1637 como o regulador da colônia destinou-se estabilizar a situação e expandir os territórios holandeses.


Frans Post - Vista da Ilha de Itamaracá, Brasil, 1637 - óleo sobre tela - 63,5 × 89,5 cm - Rijksmuseum

Esta é a primeira pintura conhecida de Post, feita em 3 de novembro de 1637. Inicialmente Johan Maurits queria construir a nova capital na ilha de Itamaracá. Os dois homens e seus escravos em primeiro plano provavelmente estão explorando a ilha. Na colina sobre a água está Schoppestad, e à direita, Fort Oranje, que ainda pode ser visitado hoje.


Johan Maurits pensou grande. Seu lema era "Até onde o mundo se estende", uma ambição ilustrada pelos projetos realizados durante sua estada de sete anos. Fortes, pontes, casas e palácios foram construídos. Mauritsstad tornou-se a nova capital. Os holandeses tomaram o controle do comércio de escravos africanos. A seu pedido, cientistas e artistas como Frans Post registraram as maravilhas da natureza da nova colônia. Eles documentaram rapidamente a flora, fauna e habitantes nativos. A arte produzida indiretamente prestou homenagem a Johan Maurits.


Frans Post - Vista do Rio São Francisco Brasil com Fort Maurits e uma capivara, 1639 - Musée du Louvre, Paris


Em 1636, o artista de Haarlem Frans Post (1612-1680) viajou para a colônia holandesa do Brasil na comitiva do governador Johan Maurits de Nassau-Siegen, que tinha sido encarregado de assegurar a nova colônia e torná-la ainda mais lucrativa, aumentando o número de plantações de açúcar. O governador levou consigo um grupo de artistas e cientistas, entre eles Frans Post, para registrar a paisagem, os habitantes e a flora e fauna. Durante sete anos a flora e fauna brasileira inspiraram muitas de suas obras de arte. O país continuou a inspirar Post quando voltou aos Países Baixos em 1644, e continuou a pintar paisagens brasileiras, que se venderam muito bem.


Frans Post - Vila Brasileira, 1675-1680 - óleo sobre madeira - 20,5 × 26,5 cm - Rijksmuseum

A província de Pernambuco, que os holandeses capturaram dos portugueses, era o lar de muitos grupos étnicos diferentes. Em primeiro plano está uma família índia. Mais atrás um casal holandês passeia em direção à varanda. E de pé no parapeito da varanda está uma mulher portuguesa com véu e um escravo com uma cesta na cabeça.


O Rijksmuseum, em Amsterdam, Holanda, expôs as paisagens brasileiras e seus esboços preliminares dessas obras de Frans Post, além de dúzias de bichos empalhados, em empréstimo especial do Naturalis Biodiversity Center, em Leiden em 2016. Além disso, trinta e quatro desenhos de animais feitos por Post fazem sua primeira aparição pública. Estes estudos completamente desconhecidos foram recentemente descobertos no Noord-Hollands Archief em Haarlem. Com uma retrospectiva de seis pinturas, esboços preliminares, um mapa de parede e animais reais (empalhados), o Rijksmuseum mostrou como Frans Post encontrou e imortalizou este novo mundo fascinante, com empréstimos do Louvre, Paris, Museu Boijmans Van Beuningen, Roterdã, e da Fundação Estudar, São Paulo.


Frans Post – Jaguar, c. 1638-43 - aquarela e guache, com caneta e tinta preta, sobre grafite - Noord-Hollands Archief, Haarlem


Um empréstimo especial veio do Noord-Hollands Archief, uma coleção pública em Haarlem. No decurso de um projeto de digitalização, o curador da coleção de imagens, Alexander de Bruin, encontrou trinta e quatro desenhos completamente desconhecidos de Frans Post. Sempre se suspeitou que a flora e fauna nativa retratada nas pinturas de Post tenham sido baseadas em desenhos originais feitos no Brasil. Até agora, entretanto, não se conhecia um único estudo de animal ou planta feito por ele. Os estudos de animais fornecem o elo perdido entre a aventura brasileira de sete anos de Post e as pinturas que ele produziu em seu retorno a Haarlem.


Frans Post - Moustached Guenon, c. 1638-1644 - aquarela e guache, com caneta e tinta preta, sobre grafite - inscrição traduzida: Um macaco de nariz azul de Angola, um metro e meio de grande porte, está muito irritado e malicioso - Noord-Hollands Archief, Haarlem


Invasões holandesas é o nome normalmente dado ao projeto de ocupação da Região Nordeste do Brasil pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.) durante o século XVII. As invasões holandesas foram o maior conflito político-militar da colônia. Embora concentradas no atual Nordeste, não se resumiram a um episódio regional. As invasões holandesas do Brasil aconteceram entre 1624 e 1654 (quando ocorreu a Insurreição Pernambucana), sendo a Administração de Maurício de Nassau entre 1637-1644.


Frans Post – Paisagem no Rio Senhor de Engenho, Brazil, 1670-1680 – óleo sobre madeira- 22.5 × 28 cm - Rijksmuseum

Esta pintura é parte de uma série de paisagens que Frans Post pintou em seu retorno à Holanda em 1644. A figura em primeiro plano que carrega uma cesta em sua cabeça recorre regularmente em seu trabalho.


João Maurício de Nassau-Siegen (Johan Maurits van Nassau-Siegen - Dillenburg, 17 de Junho de 1604 – Cleves, 20 de Dezembro de 1679), cognominado "o Brasileiro", foi conde e (após 1674) príncipe de Nassau-Siegen, um Estado do Sacro Império Romano-Germânico e mais tarde da Confederação Germânica, localizado nas cercanias das cidades de Wiesbaden e Coblença.

Frans Post (Leyden, 1612 — Haarlem, 1680), foi um gravador, pintor e desenhista. Ele era filho de Jan Jansz Post, um pintor de vidros de Leiden e irmão mais novo de Pieter Post, pintor e arquiteto. Ele trabalhou no estúdio de seu irmão Pieter antes de 1636, quando este o recomendou a Johan Maurits van Nassau, governador geral da colônia holandesa de curta duração no Brasil. Frans Post acompanhou Van Nassau ao Brasil, onde permaneceu por sete anos. De volta à Holanda, ele se instalou em Haarlem, onde se juntou à guilda de St Luke. Suas exóticas paisagens brasileiras se tornaram famosas e bem vendidas.


Frans Post - Paisagem no Brasil, 1652 - óleo sobre tela - 282,5 × 210,5 cm - Rijksmuseum

Esta é a maior pintura de Post. Caracteriza uma paisagem larga de rio com uma plantação distante de açúcar, vislumbrada como se vista através de uma "janela". Um pássaro de costas manchadas está ilusionisticamente pintado como se empoleirado na moldura, e o artista igualmente retratou um gafanhoto e uma iguana escondidos entre as plantas e os frutos exóticos brasileiros.


Esse blog possui um artigo sobre o Museu Mauritshuis, a Casa de Mauricio de Nassau. Clique sobre esse link para ver:

http://www.arteeblog.com/2016/03/serie-museus-mauritshuis.html 


Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

“Em casa na Holanda: Vermeer e seus contemporâneos, da British Royal Collection”

Gerrit Dou (Leiden 1613-Leiden 1675) - The Grocer's Shop, 1672 – óleo sobre madeira – 41,5 x 32 cm - Royal Collection Trust/© Her Majesty Queen Elizabeth II 2015 – adquirida por George IV em 1817


“Em casa na Holanda: Vermeer e seus contemporâneos, da British Royal Collection”


A Família Real britânica possui uma das melhores coleções de pinturas dos velhos mestres, do mundo. A coleção foi reunida ao longo de muitos séculos por sucessivos monarcas. As pinturas normalmente ficam penduradas a portas fechadas no Palácio de Buckingham e em outras residências reais.


Nicolaes Maes (Dordrecht 1634-Amsterdam 1693) - The listening Housewife, 1655 – óleo sobre madeira – 74,9 x 60,4 cm - Royal Collection Trust/© Her Majesty Queen Elizabeth II 2016 – adquirida por George IV em 1811


A famosa Royal Collection, herdada por Sua Majestade a Rainha Elizabeth II, contém destaques das obras de pintores famosos, como Gerard ter Borch, Gerrit Dou, Pieter de Hooch, Gabriel Metsu e Jan Steen. As obras selecionadas para esta exposição são todas pinturas de gênero, de artistas holandeses da Idade de Ouro, que mostram a vida como ela foi vivida: camponeses lutando, damas e cavalheiros flertando, mães amorosas e lojistas comuns.


Johannes Vermeer - Lady at the Virginals with a Gentleman ('The Music Lesson'), c.1660-1662 – óleo sobre tela – 74,1 x 64,6 cm - Royal Collection Trust / © Her Majesty Queen Elizabeth II 2016 – adquirida por George III com a coleção do Consul Joseph Smith em 1762

O destaque da exposição é a “Dama no Virginals com um Cavalheiro (A lição de música)" por Johannes Vermeer, uma das 36 obras sobreviventes e muito raras de Johannes Vermeer. Esta pintura data de 1660-1662 e mostra uma dama e um cavalheiro ao lado de um virginal (Virginal é um instrumento musical de cordas, da família do cravo). Acima do instrumento está pendurado um espelho, em que vemos o reflexo do pé do cavalete de pintura de Vermeer. A música é, sem dúvida, um símbolo do amor nesta pintura. A pintura foi adquirida pelo rei George III da Inglaterra em 1762, mas foi atribuída a Frans van Mieris, o Velho, na época. Só mais tarde foi reconhecida como uma obra de Vermeer.


Gerard ter Borch (Zwolle 1617-Deventer 1681) - A Gentleman pressing a Lady to drink, c. 1658-9 – óleo sobre tela – 41,5 x 32 cm - Royal Collection Trust/© Her Majesty Queen Elizabeth II 2016 – adquirida por George IV em 1812


Pieter de Hooch (Rotterdam 1629-Amsterdam 1684) - A Courtyard in Delft at Evening: a Woman spinning, 1657 – óleo sobre tela – 69,3 x 53,8 cm - Royal Collection Trust/© Her Majesty Queen Elizabeth II 2014 – adquirida por George IV em 1829


A exposição “At Home in Holland: Vermeer and his Contemporaries from the British Royal Collection” é uma colaboração entre a Royal Collection Trust e o Mauritshuis. A exposição foi realizada na Galeria da Rainha no Palácio de Buckingham, em Londres, e na Galeria da Rainha no Palácio de Holyroodhouse, em Edimburgo sob o título de “Masters of the Everyday: Dutch Artists in the Age of Vermeer”.


Jan Steen - A Woman at het Toilet, 1663 – óleo sobre madeira – 65,8 x 53 cm - Royal Collection Trust / © Her Majesty Queen Elizabeth II 2016 – adquirida por George IV em 1821

Outro dos destaques da exposição é “Uma mulher em sua Toalete” por Jan Steen, de 1663. Nele, podemos ver uma jovem que, aparentemente, não está colocando a meia, mas a puxando fora, enquanto seus olhos encontram os do espectador. Aqui também, o contexto é visto como amoroso. Estas representações eram extremamente populares em sua época. Steen deixa claro que os prazeres físicos são transitórios, mostrando um crânio na abertura da porta, sob um alaúde com uma corda quebrada.


Jan Steen (Leiden 1626-Leiden 1679) - Interior of a Tavern, with Cardplayers and a Violin Player, c. 1665 – óleo sobre tela – 81,9 x 70,6 cm - Royal Collection Trust/© Her Majesty Queen Elizabeth II 2016 – adquirida por George IV em 1818


Gerrit Dou (Leiden 1613-Leiden 1675) - A Girl chopping Onions, 1646 – óleo sobre madeira – 20,8 x 16,9 cm - Royal Collection Trust/© Her Majesty Queen Elizabeth II 2016 – adquirida por George IV em 1814


Godfried Schalcken (Made 1643-The Hague 1706) - A Family Concert, 1660s – óleo sobre madeira – 57,9 x 47,3 cm - Royal Collection Trust/© Her Majesty Queen Elizabeth II 2016 – adquirida por George IV em 1810


Gabriel Metsu (Leiden 1629-Amsterdam 1667) - The Cello Player, c. 1658 – óleo sobre tela – 63,3 x 48,3 cm - Royal Collection Trust/© Her Majesty Queen Elizabeth II 2016 – adquirida por George IV em 1814


Até 8 de Janeiro de 2017
Plein 29, 2511 CS Den Haag, Holanda
Fonte: Mauritshuis


Sua Alteza Real a Duquesa de Cambridge visitando a exposição no Mauritshuis, com a diretora do museu, Emilie Gordenker, em 12 de Outubro de 2016


O Mauritshuis (Casa de Mauricio) é um museu de arte e também um edifício histórico em Haia, na Holanda. O museu abriga o Gabinete Real de Pinturas que consiste de 841 objetos, a maioria pinturas holandesas da Era de Ouro. Originalmente, o edifício do século 17 foi a residência de conde João Maurício de Nassau.

Esse blog possui um artigo sobre o Mauritshuis. Clique sobre o link abaixo para ver:


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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Goya: Os Retratos

Francisco de Goya - The Duchess of Alba – 1797 - The Hispanic Society of America, New York



Goya: Os Retratos


Francisco Goya - Self Portrait – c. 1773 - Museo Goya, Colección Ibercaja, Zaragoza


Francisco José de Goya y Lucientes (Fuendetodos, 30 de março de 1746  — Bordeaux, 15 ou 16 de abril de 1828) foi um pintor e gravador espanhol. Os retratos compõem um terço da produção de Goya - e mais de 150 ainda sobrevivem hoje. Impressionantes e muitas vezes implacáveis, os retratos de Goya demonstram sua abordagem não convencional e sua habilidade ousadamente notável de capturar a psicologia de seus modelos.



Francisco de Goya - The Count of Floridablanca – 1783 - Colección del Banco de España, Madrid



Francisco de Goya - The Duke and Duchess of Osuna and their Children – 1788 - Museo Nacional del Prado, Madrid


Goya já tinha 37 anos quando recebeu sua primeira encomenda importante, o retrato do primeiro-ministro da Espanha, o Conde Floridablanca. A reputação de Goya cresceu rapidamente. Ambicioso e orgulhoso de seu status, ele ganhou clientes de todo o espectro da sociedade espanhola:  desde a família real e aristocratas, os intelectuais, políticos e figuras militares, até seus próprios amigos e familiares.


Francisco de Goya - The Family of the Infante Don Luis de Borbón 1783 - Magnani-Rocca Foundation, Parma


Francisco Goya - Countess-Duchess Benavente – 1785 - Private Collection, Spain


Profundamente afetado por sua surdez,que foi o resultado de uma doença grave aos 40 anos, o retratismo permaneceu um meio pelo qual Goya podia se comunicar. Sua abordagem era sem obstáculos, ele não tinha medo de revelar o que via, fornecendo penetrante visão sobre os aspectos públicos e privados de sua vida, desde suas primeiras encomendas até trabalhos posteriores mais íntimos, pintados durante a seu auto-imposto exílio na França, na década de 1820. Uma carreira que percorreu revolução e restauração, guerra com a França, e a agitação cultural do Iluminismo espanhol.

Aqui abaixo os 3 retratos de uma família, reunidos:

Francisco Goya - The Countess of Altamira and her daughter, María Agustina – 1788 - The Lehman Collection at the Metropolitan Museum of Art, New York


Francisco Goya - The Count of Altamira - Banco de España, Madrid


Francisco Goya - Manuel Osorio Manrique de Zuñiga - The Metropolitan Museum of Art, New York


Este retrato representa o filho do conde de Altamira. Vestido em um esplêndido traje vermelho, Manuel é mostrado brincando com uma pega de estimação (que segura o cartão de visitas do pintor em seu bico), uma gaiola cheia de passarinhos, e três gatos de olhos arregalados. 


Nascido antes de Mozart e Casanova, e sobrevivendo Napoleão, a vida de Goya durou mais de 80 anos durante os quais ele testemunhou uma série de acontecimentos dramáticos que mudaram o curso da história europeia. "Goya: Os Retratos”  traça a carreira do artista, desde os seus primórdios na Corte em Madrid à sua nomeação como Primeiro Pintor da Corte de Carlos IV, e como retratista favorito da aristocracia espanhola. E explora o período difícil sob o governo de Joseph Bonaparte e da ascensão ao trono de D. Fernando VII, antes de concluir com os seus últimos anos de auto-exílio na França.


Francisco Goya - Charles III in Hunting Dress – 1788 - Duquesa del Arco Collection, Madrid


Francisco Goya - Portrait of Ferdinand VII – 1814 - Museo del Prado, Madrid


Altamente considerado por Delacroix, Degas, Manet e Picasso, Goya é um dos pintores mais famosos da Espanha. Goya usou em seus retratos, desde pinturas em tamanho natural em tela, às miniaturas em cobre e seus belos desenhos em giz preto e vermelho 


Francisco Goya – Self Portrait Before an Easel – 1795 - @ Museo de la Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, Madrid


Francisco Goya - Mariano Goya (neto do artista e sua última pintura) - 1828 - Meadows Museum, SMU, Dallas



Assista os vídeos de uma exposição de Janeiro de 2016 na National Gallery, London:







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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

“Munch: Van Gogh”


“Munch: Van Gogh”


Vincent van Gogh - Starry Night over Rohne – 1888 - Musèe d'Orsay



Edvard Munch - Starry Night - 1922–24 - Munch Museum, Oslo





Em uma exposição espetacular é possível descubrir os paralelos entre dois artistas emblemáticos: Vincent van Gogh e Edvard Munch. Com muitas obras-primas de todo o mundo, incluindo "O Grito" de Munch e "Noite Estrelada sobre o Rhone" de Van Gogh.



Edvard Munch – O Grito – 1893 – têmpera e pastel sobre madeira – 91 x 73,5 cm - National Gallery, Oslo, Noruega




Em “Munch: Van Gogh”, o foco é sobre os paralelos entre dois artistas icônicos. Suas visões sobre a vida e a arte estão intimamente relacionadas, apesar de eles nunca terem se encontrado. Seus trabalhos são coloridos, intensos, expressivos e radicais. Suas vidas são muito semelhantes em muitos aspectos. Por isso, Vincent van Gogh (1853-1890) e o artista norueguês Edvard Munch (1863-1944) são muitas vezes mencionados juntos. Ambos criaram arte com um forte conteúdo emocional, expresso através de um estilo pessoal e inovador, e ambos viveram vidas atribuladas. E há paralelos surpreendentes entre sua arte e seus objetivos artísticos. Cada um deles representava um rumo artístico em direção a temas existenciais e universais em novos e expressivos idiomas. No entanto, as conexões mais profundas entre os dois artistas nunca foram completamente iluminadas no contexto de uma exposição.


Vincent van Gogh - Self-Portrait with Grey Felt Hat – 1887, Paris - Van Gogh Museum (Vincent van Gogh Foundation)



Edvard Munch - Self-Portrait – 1886 - National Museum of Art, Architecture and Design, Oslo. Photo: National Museum



A Princesa Beatrix e a Rainha Sonja na exposição "Munch: Van Gogh"


Pela primeira vez, uma exposição estuda em detalhes as semelhanças entre os dois artistas. Entre mais de cem obras de arte (75 pinturas e 30 trabalhos sobre papel), existem várias obras emblemáticas e obras que raramente são emprestadas, como “O Grito” e “Madonna” por Edvard Munch e “Noite Estrelada Sobre o Rhone” e “Patience Escalier” ('O agricultor') por Vincent van Gogh. "Munch: Van Gogh" oferece a oportunidade única para admirar uma parte importante do trabalho de ambos os artistas em um único local.


Vincent van Gogh - The Yellow House ("The Street") – 1888, Arles - Van Gogh Museum (Vincent van Gogh Foundation)
Edvard Munch - Red Virginia Creeper - 1898-1900




Paris tornou-se um ponto de virada para ambos os artistas. Um confronto com as novas tendências da arte libertaram o potencial que abrigavam, desafiando-os a formular seu próprio programa. Embora as suas obras sejam diferentes no que diz respeito ao tema e implementação, ambos estavam preocupados em dar expressão à condição do homem moderno, e eles conseguiram isso trabalhando o meio pictórico ao máximo: a paleta vibrante, uma linguagem altamente estilizada e pessoal, pinceladas corajosas e composições não convencionais são características de ambos.
"Munch: Van Gogh" é o resultado de um projeto de colaboração de longo prazo entre o Museu Van Gogh em Amsterdam e do Museu Munch, em Oslo. Ambos os museus gerenciam, pesquisam e apresentam as maiores e mais importantes coleções de obras de Van Gogh e Munch do mundo.


Edvard Munch – Fertility - 1899–1900 - Canica Art Collection




“Durante sua curta vida, Van Gogh não permitiu que sua chama apagasse. Fogo e brasas eram seus pincéis durante os poucos anos de sua vida, enquanto ele praticou a sua arte. Eu tenho pensado, e desejo - no longo prazo, com mais dinheiro à minha disposição do que ele tinha - seguir os seus passos.”
Edvard Munch, 23 de outubro de 1933


Vincent van Gogh - Wheatfield with a Reaper – 1889, Saint-Rémy-de-Provence - Van Gogh Museum (Vincent van Gogh Foundation) 


 Assista o vídeo:



Até 17 de Janeiro de 2016
Van Gogh Museum
Museumplein 6, Amsterdam, Holanda
Informações: +31 (0)20 570 5200


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