sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A história do retrato de Vincent van Gogh por Henri de Toulouse-Lautrec

Henri de Toulouse-Lautrec – Portrait of Vincent van Gogh, 1887 – giz colorido sobre cartão – 57 x 46 cm – The Van Gogh Museum, Amsterdam


A história do retrato de Vincent van Gogh por Henri de Toulouse-Lautrec


Toulouse-Lautrec estava em sua fase impressionista quando, aos 23 anos, retratou seu amigo de 34 anos, Vincent van Gogh. Mas em contraste com os impressionistas, Lautrec mostra-se um mestre em seu enfoque da psicologia de seu tema. Ao pintar o amigo de perfil, Lautrec não só procurou um lado desconhecido de Van Gogh (pois a maioria dos retratos e autorretratos dele mostram uma visão completa), como também permitiu um vislumbre de sua psique. Este retrato, feito bem antes que Toulouse-Lautrec ou seu modelo ficassem famosos, mostra Van Gogh sentado pensativo em uma mesa de um restaurante em Montmartre. Em frente a ele está um copo de absinto, e ele se inclina para a frente como se acabasse de ver alguém que ele conhecesse.

De acordo com o artista Paul Signac, Vincent van Gogh se dirigia todos os dias ao bar, onde os "absintos e brandies se seguiam rapidamente". O próprio Van Gogh admitiu que era "quase alcoólatra" quando ele partiu para Arles. Henri de Toulouse-Lautrec teve uma boa razão, portanto, para esboçar seu amigo em uma mesa com um copo de absinto. Nesta composição é visível o comando que Toulouse-Lautrec possuía de cor e linha. Também se nota aqui o que o tornou único: a descrição dos traços característicos dos modelos, que capturam a essência de uma pessoa, neste caso, as bochechas afundadas de Van Gogh, a testa pesada e a pose ansiosa e inclinada para a frente.

Lautrec conheceu Van Gogh no estúdio de Fernand Cormon, onde ambos estavam tendo aulas. Eles provavelmente trabalharam juntos intensamente por um tempo, já que o estilo e a técnica de suas pinturas neste período parecem muito semelhantes. Toulouse-Lautrec defendeu seu amigo na exposição 'Les Vingt' em Bruxelas, no início de 1890. Van Gogh enviou seis pinturas, que causaram um furor durante a abertura. Toulouse-Lautrec estava tão irritado com alguns dos comentários negativos que ele ouviu sobre o trabalho de Vincent que ele quase entrou em briga com outro artista. Os dois pintores podem ter visto um ao outro uma última vez alguns meses depois, quando Van Gogh saiu de Saint-Rémy e viajou para Auvers-sur-Oise via Paris. Pouco mais se sabe sobre sua amizade. Van Gogh respeitava muito o trabalho de Lautrec, e ele até persuadiu seu irmão a comprar algumas de suas pinturas, mas os dois artistas eram muito diferentes em temperamento e motivação para permanecerem companheiros próximos.

Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa (24 de Novembro de 1864 - 9 de Setembro de 1901) foi um pintor pós-impressionista e litógrafo francês, conhecido por pintar a vida boêmia de Paris do final do século XIX. Sendo ele mesmo um boêmio, faleceu precocemente aos 36 anos. Trabalhou por menos de vinte anos mas deixou um legado artístico importantíssimo, tanto no que se refere à qualidade e quantidade de suas obras, como também no que se refere à popularização e comercialização da arte. Toulouse-Lautrec revolucionou o design gráfico dos cartazes publicitários, ajudando a definir o estilo que seria posteriormente conhecido como Art Nouveau. Filho mais velho do Conde Toulouse-Lautrec-Monfa, de quem deveria herdar o título, faleceu antes do pai.

Vincent Willem van Gogh (Zundert, 30 de Março de 1853 — Auvers-sur-Oise, 29 de Julho de 1890) foi um pintor pós-impressionista holandês. Seu trabalho teve uma grande influência na arte do século 20. Sua produção inclui retratos, autorretratos, paisagens e naturezas-mortas de ciprestes, campos de trigo e girassóis. Ele completou muitas de suas obras mais conhecidas durante os dois últimos anos de sua vida. Em pouco mais de uma década, produziu mais de 2.100 obras de arte, incluindo 860 pinturas a óleo e mais de 1.300 aquarelas, desenhos, esboços e gravuras.

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Feliz Dia de Ação de Graças (Happy Thanksgiving)!

The First Thanksgiving at Plymouth - Jennie Augusta Brownscombe – 1914 – óleo sobre tela – 76,2 x 99,4 cm - Pilgrim Hall Museum, Plymouth, Massachusetts


Feliz Dia de Ação de Graças (Happy Thanksgiving)!

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Thanksgiving, ou dia de Ação de Graças, é um feriado comemorado nos Estados Unidos na quarta quinta-feira de novembro. Tem sido celebrado como um feriado federal a cada ano desde 1863, quando, durante a Guerra Civil, o presidente Abraham Lincoln proclamou um dia nacional de "Ação de Graças e de louvor ao nosso Pai beneficente que habita nos céus", a ser comemorado na última quinta-feira de Novembro. O Thanksgiving também é comemorado em outros países.

O evento que os americanos comumente chamam de "primeira ação de graças" foi comemorado pelos peregrinos em Plymouth, Massachusetts, após a sua primeira colheita no Novo Mundo em 1621. Esta festa durou três dias, e teve a participação de 90 nativos americanos (como contabilizados pelo participante Edward Winslow) e 53 peregrinos.


"The First Thanksgiving 1621" - Jean Leon Gerome Ferris -1899 - óleo sobre tela – 63,5 x 88,9 cm – coleção particular


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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Análise da pintura de René Magritte - Time Transfixed (O Tempo Trespassado)

René Magritte - Time Transfixed (La Durée Poignardée), 1938 – óleo sobre tela – 147 x 98,7 cm – The Art Institute of Chicago, USA


Análise da pintura de René Magritte - Time Transfixed (O Tempo Trespassado)


Esta é uma das pinturas mais conhecidas de Magritte. Nela, a visão de uma sala é limitada, dominada por um espelho sobre uma lareira. Em cima da lareira há um relógio (simbolizando o mistério do tempo) e saindo da lareira, há uma locomotiva a vapor, “destruindo” a paz da sala e viajando através do tempo.

O colecionador Edward James, impressionado com as pinturas de René Magritte na Exposição Surrealista Internacional de 1936, convidou o artista para pintar telas para o salão de baile de sua casa londrina. Uma delas foi essa pintura. O artista mais tarde explicou esta imagem: "Eu decidi pintar a imagem de uma locomotiva ... Para que seu mistério fosse evocado, outra imagem imediatamente familiar sem mistério, a imagem de uma lareira de sala de jantar, foi unida". A surpreendente justaposição e escala de elementos não relacionados, realçados pelo realismo preciso de Magritte, dão à imagem a sua inventividade e sedução. O artista colocou uma locomotiva na chaminé da lareira, para que pareça emergir de um túnel ferroviário.

O uso do surrealismo como meio, por Magritte, tem uma mensagem clara e um propósito como tal. Não é simplesmente fazer com que o absurdo pareça possível, trata-se de revelar o invisível. Através dos paradoxos em seu trabalho, ele encoraja seu público a buscá-lo e a entender melhor sua relação com ele. Magritte descreveu o processo para o quadro, explicando que a locomotiva veio primeiro e depois foi justaposta contra a lareira para evocar o seu mistério em comparação com a mundanidade dos arredores. Conseguir compreender o processo e o foco da Magritte torna mais fácil entender seu propósito também. Assim, o trem agora é o tempo atual, algo imortalizado como constantemente em movimento e empurrando para frente, quando na realidade ele não está indo a lugar nenhum.

Magritte não gostou da tradução inglesa do título francês original, La Duration Poignardé, que literalmente significa "tempo em andamento esfaqueado por uma adaga". Ele esperava que a pintura fosse instalada no pé da escada do colecionador, para que o trem "esfaqueasse" os hóspedes no caminho até o salão de baile. Ironicamente, em vez disso, James a instalou sobre sua lareira.


Esse blog possui um artigo sobre o marchand e colecionador Edward James e sobre sua propriedade na Inglaterra. Clique sobre esse link para ver:



René Magritte era um homem calmo e pensativo que preferia o anonimato. Passou a maior parte de sua carreira em Bruxelas, desenvolvendo um estilo de pintura meticuloso e realista que refletia seu treinamento inicial em arte comercial, pintando mármore falso e painéis de madeira para residências.
René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Laura Fygi - Quiet Nights Of Quiet Stars (Corcovado)



Laura Fygi - Quiet Nights of Quiet Stars (Corcovado)


"Corcovado" (conhecida em inglês como "Quiet Nights of Quiet Stars") é uma canção da Bossa Nova escrita por Antônio Carlos Jobim, em 1960. Uma letra em inglês foi mais tarde escrita por Gene Lees. O título em português refere-se ao morro do Corcovado, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Já foi gravada por inúmeros artistas, entre eles: João Gilberto, Miles Davis, Stan Getz, Charlie Bird, Oscar Peterson, Sergio Mendes, Doris Day, Henry Mancini, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Astrud Gilberto, Stacey Kent, Art Garfunkel, Diana Krall, Andrea Bocelli e muitos outros.

Laura Fygi (27 de agosto de 1955) é uma cantora holandesa de jazz. Ela cresceu no Uruguai. Seu pai era um empresário holandês e sua mãe uma dançarina egípcia de Dança do Ventre. Durante a década de 1980, ela foi membro da Centerfold, uma banda de discoteca holandesa, popular na Europa e no Japão. No início da década de 1990, ela começou uma carreira solo e gravou seu álbum de estreia com Toots Thielemans. Durante sua carreira, ela trabalhou com Johnny Griffin, Michel Legrand e Clark Terry e considera Julie London como uma das suas influências. Ela canta em inglês, chinês, francês, português e espanhol.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da Bossa Nova. Suas canções foram interpretadas por muitos cantores e instrumentistas no Brasil e internacionalmente. Em 1965 o álbum Getz / Gilberto (tendo Tom Jobim como compositor e pianista) foi o primeiro álbum de jazz a ganhar o Grammy Award para Álbum do Ano. A canção "Garota de Ipanema" foi gravada mais de 240 vezes por outros artistas, sendo uma das músicas mais gravadas de todos os tempos. Seu álbum de 1967 com Frank Sinatra, “Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim”, foi nomeado para Álbum do Ano em 1968. Jobim deixou um grande número de canções que agora estão incluídas nos repertórios standard de Jazz e pop.


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terça-feira, 14 de novembro de 2017

A história da pintura “A Corner of the Apartment” de Claude Monet

Claude Monet - A Corner of the Apartment (Um canto do apartamento), 1875 – óleo sobre tela – 81,5 x 60,5 cm – Musée D´Orsay, Paris, França


A história da pintura “A Corner of the Apartment” de Claude Monet


A dedicação de Monet à pintura de ar livre tornou as cenas interiores cada vez mais raras em seu trabalho. Monet morou em Argenteuil, perto de Paris, a partir de 1871, quando ele retornou da Inglaterra, até 1878. Durante este período, ele retratou sua esposa Camille em suas pinturas, com seu filho mais velho, Jean, nascido em 1867. Ele é retratado aqui, na segunda casa que Monet habitou em Argenteuil, com uma figura (provavelmente Camille), à sombra no fundo.

Monet posicionou o cavalete na varanda para retratar Jean no centro da sala. O primeiro plano aqui consiste em uma decoração simétrica: tapeçarias com motivos coloridos, plantas verdes e vasos decorativos, também vistos em outras pinturas de Monet. Esta composição dá a impressão de uma cortina se abrindo para um palco. O olhar do espectador é dirigido para a parte de trás da sala, em direção à área iluminada perto da janela. No centro da imagem, o padrão de espinha de peixe do parquet reforça a simetria da visão geral, enfatizando a perspectiva. Então, um após o outro, pode-se distinguir: Jean de pé ligeiramente à direita, a lâmpada e a mesa no centro, e Camille sentada à esquerda. A silhueta da criança é refletida no chão de parquet, acesa pela luz diurna que vem da janela.

Esta cena silenciosa e íntima, uma imagem da vida familiar diária em Argenteuil, é recriada em um espaço azulado. Esta gama de cores evoca uma atmosfera de tranquilidade e poesia.


Oscar-Claude Monet (Paris, 14 de novembro de 1840 — Giverny, 5 de dezembro de 1926) foi em quase todos os sentidos o fundador da pintura impressionista francesa, o próprio termo vindo de uma de suas pinturas, “Impressão, Sol Nascente”. Aos 11 anos, ele entrou na escola secundária das artes Le Havre. Cinco anos mais tarde, ele conheceu o artista Eugène Boudin, que lhe ensinou as técnicas de pintura "plein air" e tornou-se seu mentor. Aos 16 anos, Monet deixou a escola, indo para Paris, onde em vez de estudar as obras de arte dos grandes mestres, sentava-se à janela e pintava o que via fora. Aos 28 anos, depois de sair do exército e da guerra na Algéria, de volta em Paris, estudou os métodos "en plein air", juntamente com Pierre-Auguste Renoir, Frederic Bazille e Alfred Sisley, e desenvolveu o estilo de pintura que logo seria conhecido como Impressionismo. Ele exibiu muitas de suas obras em 1874, na primeira exposição impressionista. A ambição de Monet de documentar a paisagem francesa o levou a adotar um método de pintar a mesma cena muitas vezes para capturar a mudança de luz e o passar das estações.

Após a morte de sua esposa Camille por tuberculose depois do nascimento de seu segundo filho, Monet resolveu nunca mais viver na pobreza novamente, e estava determinado a criar algumas das melhores obras de arte do século XIX. Em 1890, ele estava próspero o suficiente para comprar uma casa grande com jardim em Giverny, onde começou um vasto projeto de paisagismo que incluiu lagoas com lírios, e que se tornariam o tema de suas obras mais conhecidas. Em 1899 ele começou a pintar os nenúfares, primeiro em vistas verticais com uma ponte japonesa como um elemento central, e mais tarde numa série de pinturas em larga escala que iria ocupá-lo continuamente pelos próximos 20 anos de sua vida.


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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Pinturas e ilustrações de Novembro

Alphons Mucha - "Novembre", 1899 – ilustração

Os Meses (1899): esta série de medalhões foi usada ​​para ilustrar a capa da revista Le Mois Littéraire antes de eles serem reproduzidos como cartões postais. Cada medalhão apresenta uma figura feminina posando contra um fundo natural, característico do mês representado. Alfons Maria Mucha - (Ivančice, 24 de julho de 1860 — Praga, 14 de julho de 1939) foi um pintor, ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os cartazes para os espetáculos de Sarah Bernhardt realizados na França, de 1894 a 1900, e uma série chamada Epopeia Eslava, elaborada entre 1912 e 1930.


Pinturas e ilustrações de Novembro


Childe Hassam - November, Cos Cob, c. 1902 – aquarela sobre papel – 44,5 x 53,9 cm – coleção particular


 Guy Orlando Rose – November, c. 1910 – óleo sobre tela – 60,9 x 73,6 cm – coleção particular



Alfred Sisley – Morning in November, 1881 – óleo sobre tela – 54 x 73 cm - coleção particular


John Atkinson Grimshaw – November Afternoon, Stapleton Park, 1877 – óleo sobre madeira – 28 x 43,5 cm – coleção particular


John Atkinson Grimshaw – November Moonlight – óleo sobre tela – 76,5 x 63,5 cm – coleção particular


Willard Metcalf - November Mist, 1922 – óleo sobre tela – 66 x 73,6 cm - New Britain Museum of American Art, Connecticut, USA


Eugène Grasset - "La Belle Jardiniere – Novembre", 1896 – ilustração

O artista gráfico suíço Eugène Samuel Grasset (1845-1917) foi uma das principais figuras do movimento Art Nouveau em Paris. Mais conhecido por seus cartazes emblemáticos e suas contribuições para design gráfico - um itálico que ele criou, em 1898, ainda é usado por designers de todo o mundo - Grasset também criou móveis, cerâmicas, tapeçarias, e selos postais. Em 1894, Grasset recebeu uma encomenda da loja de departamentos francesa La Belle Jardinière para criar doze obras de arte originais, a serem utilizadas como um calendário. Graciosas xilogravuras retratando belas moças em trajes de época e jardins que mudam com as estações do ano foram produzidas, com espaços vazios para as datas do calendário, em um portfólio de obras de arte chamado Les Mois (Os meses) pela editora Paris G. de Malherbe em 1896.


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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Análise da pintura “Moscow I” de Wassily Kandinsky

Wassily Kandinsky – Moscow I, 1916 – óleo sobre tela – 51,5 x 49,5 cm – The State Tretyakov Gallery, Moscow, Russia


Análise da pintura “Moscow I” de Wassily Kandinsky


Nessa pintura, Kandinsky criou uma imagem do centro de Moscou, uma de suas cidades favoritas. Em parte, usando um método futurista para transmitir o movimento das formas, ele criou uma espécie de curva no meio da Praça Vermelha, mostrando seus principais monumentos. Kandinsky expressou seu desejo de pintar um retrato de Moscou em uma carta à sua companheira, Gabriele Münter. Embora ele continuasse a refinar sua abstração, ele capturou o espírito da cidade. Kandinsky pintou os pontos de referência de forma circular como se ele estivesse no centro da Praça Vermelha, que virou um círculo com todos os monumentos girando sobre ele. Embora se referindo ao mundo exterior nesta pintura, ele manteve seu compromisso com a sinestesia de cor, som e expressão espiritual na arte. Kandinsky escreveu que ele amava particularmente o pôr-do-sol em Moscou porque era "o acorde final de uma sinfonia que desenvolve em cada tom uma vida que força toda Moscou a ressoar como o fortíssimo de uma enorme orquestra".

Wassily Kandinsky nasceu em Moscou e se mudou para a Alemanha em 1896 (veja uma pequena biografia do artista no final desse artigo). Em 1914, a Alemanha declarou a guerra à Rússia, e Kandinsky foi forçado a deixar Munique e retornar a Moscou. Aos 50 anos, ele estava começando uma nova vida. A Revolução de Outubro mudou tudo. Filho de um comerciante de chá, Kandinsky tinha sido rico, mas após a Revolução Russa, durante a qual um sistema comunista substituiu o regime czarista, perdeu sua propriedade durante uma redistribuição da terra. Consequentemente, seus planos para construir um grande estúdio ficaram em segundo lugar, devido a preocupações financeiras, como vender trabalho e encontrar emprego. A Primeira Guerra Mundial e, em 1917, a revolução bolchevique diminuíram sua produção artística. A abordagem espiritual de Kandinsky estava descompassada com os princípios então dominantes de racionalismo e de geometria pura. Por causa do seu isolamento artístico e privações de guerra, Kandinsky deixou a Rússia em 1921, para nunca mais voltar.

"Moscou representa dualidade, complexidade e alto nível de mobilidade, colisão e confusão de elementos separados de aparência ... Considero esta Moscou interna e externa como o ponto de partida da minha fome. Moscou é minha bifurcação pictórica ". – Kandinsky

Wassily Wassilyevich Kandinsky (Moscou, 4 de dezembro de 1866/16 de dezembro pelo calendário gregoriano - 13 de dezembro de 1944) foi um pintor russo e teórico da arte. Na década de 1910, Kandinsky desenvolveu seus primeiros estudos não figurativos, sendo por isso considerado o primeiro pintor ocidental a produzir uma tela abstrata. Ele estudou Direito e Economia na Universidade de Moscou, e declinou a carreira de professor de Direito para estudar Arte em Munich. Em 1902 Kandinsky expôs pela primeira vez com a Secessão de Berlim e produziu suas primeiras xilogravuras. Em 1903 ele começou a viajar para a Itália, Holanda e África do Norte e visitou a Rússia. Expôs no Salon d'Automne em Paris a partir de 1904. Ele retornou a Moscou em 1914, após a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Kandinsky não simpatizava com as teorias oficiais sobre a arte da Moscou comunista e voltou para a Alemanha em 1921. Lá, ensinou na escola Bauhaus de arte e arquitetura de 1922 até os nazistas a fecharem em 1933. Em seguida, mudou-se para a França, onde viveu o resto da sua vida, tornando-se um cidadão francês em 1939 e produzindo algumas das suas mais importantes obras de arte.

Esse blog possui um artigo sobre Gabriele Münter, uma companheira de Kandinsky, e a história do casal. Clique sobre esse link para ver:


Esse blog possui mais artigos sobre Kandinsky. Clique sobre os links abaixo para ver:



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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Análise de “The Scream” (O Grito) de Edvard Munch

Edvard Munch – The Scream, 1893 - óleo, tempera e crayon sobre papelão – 91 x 73,5 cm - Galeria Nacional em Oslo, Noruega – a versão mais conhecida


Análise de “The Scream” (O Grito) de Edvard Munch


“O Grito” é sem dúvida a obra mais famosa de Edvard Munch e uma das mais famosas e icônicas da História da Arte. Ela pertence a uma série que Munch produziu nos anos 1890 e que nomeou “O Friso da Vida”. Munch descreveu essa série como um poema de amor, vida e morte.

Esse blog possui um artigo sobre essa série. Clique sobre o link abaixo para ver:



Munch produziu várias versões de “O Grito”. As várias interpretações mostram a criatividade do artista e seu interesse em experimentar as possibilidades a serem obtidas em uma variedade de mídias, enquanto o tema da obra se encaixa no interesse que Munch possuía naquela época, em temas de relacionamentos, vida, morte e medo.


Edvard Munch – The Scream, 1893 - crayon sobre papelão – 74 x 56 cm – Munch Museum, Oslo, Noruega - possivelmente a versão mais antiga, parece ser o esboço em que Munch traçou os fundamentos da composição.


O Grito é uma obra surpreendentemente simples, na qual o artista utilizou um mínimo de formas para alcançar a máxima expressividade. Consiste em três áreas principais: a ponte, que se estende em um ângulo íngreme da distância intermediária à esquerda para preencher o primeiro plano, uma paisagem de litoral, lago ou fiorde e colinas, e o céu, que é realçado com linhas curvas em tons de laranja, amarelo, vermelho e azul-verde. As duas figuras verticais sem rosto no fundo pertencem à precisão geométrica da ponte, enquanto as linhas do corpo, as mãos e a cabeça da figura de primeiro plano ocupam as mesmas formas curvas que dominam a paisagem de fundo.

Apesar da simplificação radical, a paisagem na imagem é reconhecida como o fiorde de Kristiania visto de Ekeberg, com uma visão ampla sobre o fiorde, a cidade e as colinas além. No fundo à esquerda, no final do caminho com a balaustrada que corta diagonalmente a imagem, vemos duas figuras que se deslocam, muitas vezes consideradas como dois amigos que Munch menciona em notas relativas à imagem. Mas a figura em primeiro plano é a primeira a capturar a atenção do espectador. Suas mãos são mantidas em sua cabeça e sua boca está aberta em um grito silencioso, que é amplificado pelo movimento ondulante que atravessa a paisagem circundante. A figura é ambígua e é difícil dizer se é homem ou mulher, jovem ou velho - ou mesmo se é humano.


Edvard Munch – The Scream, 1895 - litografia – foram feitas cerca de 45 impressões, algumas foram coloridas à mão por Munch


De acordo com os diários de Munch, a ideia e a inspiração para The Scream foram muito autobiográficas, com o conteúdo da pintura baseado em uma experiência pessoal registrada em uma nota no seu diário em 1892: "Eu estava caminhando pela estrada com dois amigos quando o sol se pôs, de repente, o céu ficou vermelho como sangue. Eu parei e me encostei contra a cerca, me sentindo incrivelmente cansado. Línguas de fogo e sangue esticadas sobre o fiorde preto azulado. Os amigos continuaram andando, enquanto eu ficava para trás, tremendo de medo. Então ouvi o enorme grito infinito da natureza ".


Edvard Munch – The Scream, 1895 - crayon sobre papelão – essa versão foi vendida por quase US$ 120 milhões, na Sotheby's, em 2012


Enquanto a observação de um pôr-do-sol pode parecer relaxante e agradável, para Munch foi um momento de crise existencial. No que soa como um ataque de pânico, Munch descreveu sentimentos de exaustão, sobrecarregado por uma onda quase violenta de ansiedade. Como a maioria dos ataques de pânico, a experiência de Munch pelo fjord foi uma luta interna solitária, enquanto seus dois amigos caminham sem ele, completamente inconscientes dos sentimentos do artista.

Como Vincent Van Gogh, durante toda sua vida, Edvard Munch lutou com a ansiedade e a insanidade, tanto a nível pessoal quanto indiretamente, através da sua família. Sua irmã foi hospitalizada na época em que O Grito foi pintado, em um asilo mental localizado nas proximidades do local da pintura. Teria o grito que Munch ouviu, vindo do asilo?

A abordagem de Munch para a experiência da sinestesia, ou a união dos sentidos (por exemplo, a crença de que alguém pode provar uma cor ou cheirar uma nota musical), resulta na representação visual do som e da emoção. Como tal, The Scream representa um trabalho fundamental para o movimento simbolista, bem como uma inspiração importante para o movimento expressionista do início do século XX.

Essa pintura tem sido constantemente copiada e caricaturada de inúmeras maneiras, sendo extremamente popular, admirada e conhecida universalmente e perenemente.


Edvard Munch – The Scream, 1910 - tempera sobre papelão – 83 x 66 cm – Munch Museum, Oslo, Noruega – foi roubada em 2004, porém recuperada em 2006


Edvard Munch (Løten, 12 de Dezembro de 1863 — Ekely, 23 de Janeiro de 1944) foi um pintor e gravurista norueguês, cujo tratamento intensamente evocativo de temas psicológicos foram construídos sobre alguns dos principais dogmas do Simbolismo do final do século 19, e exerceu grande influência no expressionismo alemão do início do século 20. Munch perdeu sua mãe e irmã favorita por tuberculose antes de seu décimo quarto aniversário. Tendo abandonado o estudo de engenharia devido a doenças frequentes, Munch decidiu se tornar um artista. Seus primeiros trabalhos revelaram a influência dos pintores plein-ar, como Monet e Renoir. Em 1889, Munch começou a passar longos períodos em Paris. Exposto ao trabalho de Gauguin e outros simbolistas franceses, Munch desenvolveu uma linguagem simplificada de cores ousadas e linha sinuosa para expressar sua visão do sofrimento humano, como a doença e a morte, depressão e alienação.

Como muitos artistas que amadureceram na esteira do impressionismo, Edvard Munch começou sua carreira pintando cenas estreitamente observadas do mundo em torno dele. Mas a obra de Munch assumiu uma ênfase cada vez mais profunda na subjetividade e uma rejeição ativa da realidade visível. O estilo único e altamente pessoal que ele desenvolveu para transmitir humor, emoção, ou memória influenciou fortemente o curso da arte do século XX e, em particular, o desenvolvimento do Expressionismo. Sobre sua arte, dizia: "Minha arte é realmente uma confissão voluntária e uma tentativa de explicar a mim mesmo minha relação com a vida. É, portanto, na verdade, uma espécie de egoísmo, mas eu constantemente espero que através desta, eu possa ajudar os outros a alcançar a clareza".

Esse blog possui mais artigos sobre Edvard Munch. Clique sobre os links abaixo para ver:





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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Análise da pintura de Alfred Sisley - The Bridge at Villeneuve-la-Garenne

Alfred Sisley - The Bridge at Villeneuve-la-Garenne, 1872 – óleo sobre tela – 49,5 x 65,4 cm – Metropolitan Museum of Art, New York, USA


Análise da pintura de Alfred Sisley - The Bridge at Villeneuve-la-Garenne


A Ponte em Villeneuve-la-Garenne (1872) representa uma paisagem impressionista ao longo da margem do rio Sena. Esta visão de close-up, dramaticamente angular, retrata a ponte suspensa de ferro fundido e pedra que foi construída em 1844 para conectar a aldeia de Villeneuve-la-Garenne com o subúrbio parisiense de Saint-Denis. A perspectiva a partir da qual o artista escolheu pintar a ponte dá uma ideia do tamanho monumental da estrutura. Além disso, Sisley incluiu figuras para fornecer uma sensação de escala. Sisley animou a cena mostrando turistas no rio Sena e ao longo da margem do rio. Os traços planos de cores luminosas transmitem o efeito fugaz da luz solar na água.

Esta pintura é emblemática da obra de Alfred Sisley, enfatizando a percepção que o artista tinha do mundo natural. A aplicação de pinceladas rápidas captura os efeitos efêmeros da luz em uma superfície. Isso pode ser visto com as sutis nuances de cor no rio que refletem o céu, as nuvens e a grama.

Construídas recentemente, as pontes de última geração, representativas da modernidade, aparecem em várias pinturas de Sisley da década de 1870 e início da década de 1880. A Ponte em Villeneuve-la-Garenne é um estudo da natureza, e também ilustra o desejo da França de ser politicamente e industrialmente progressista após a perda da guerra franco-prussiana. A ponte foi reconstruída após a guerra e representa a restauração da França no final do século XIX. A Ponte em Villeneuve-la-Garenne representa então a retórica da esperança de regeneração.

Alfred Sisley (30 de outubro de 1839 - 29 de janeiro de 1899) foi um pintor de paisagens impressionista que nasceu e passou a maior parte de sua vida na França, mas manteve a cidadania britânica, tendo nascido de pais ingleses na França, e depois dividindo seu tempo entre os dois países. Ele foi o mais consistente dos impressionistas em sua dedicação à pintura de paisagem ao ar livre (en plein air). Embora tenha sido uma das figuras-chave do impressionismo francês, ele permaneceu como um estranho. Ao contrário de muitos de seus colegas, que examinavam a vida urbana, a industrialização e as pessoas, Sisley era quase exclusivamente pintor de paisagens, um tema do qual ele raramente se desviava.

Entre suas obras importantes estão uma série de pinturas do rio Tamisa, principalmente em torno de Hampton Court, executadas em 1874, e paisagens que retratam lugares em ou perto de Moret-sur-Loing. As pinturas notáveis do Sena e suas pontes nos antigos subúrbios de Paris são como muitas de suas paisagens, caracterizadas pela tranquilidade, em tons pálidos de verde, rosa, púrpura, azul e creme. Ao longo dos anos, o poder de expressão e intensidade de cores dele aumentou. Sisley produziu cerca de 900 pinturas a óleo, cerca de 100 crayons e muitos outros desenhos.

“Cada imagem mostra um ponto pelo qual o artista se apaixonou” – Alfred Sisley


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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Roy Lichtenstein, sua arte e sua história

Roy Lichtenstein – In the Car, 1963 – óleo sobre tela – 172 x 203,5 cm - Scottish National Gallery of Modern Art, Edinburgh, Escócia, UK


Roy Lichtenstein, sua arte e sua história


Roy Lichtenstein – Look Mickey, 1961 – óleo sobre tela – 121,9 x 175,3 cm - National Gallery of Art, Washington, DC, USA


Roy Lichtenstein (Nova Iorque, 27 de outubro de 1923 — Nova Iorque, 29 de setembro de 1997) foi um dos artistas mais influentes e inovadores da segunda metade do século XX. Ele é preeminentemente identificado com a Pop Art, um movimento que ele ajudou a originar, e suas primeiras pinturas foram baseadas em imagens de histórias em quadrinhos e propagandas e apresentadas em um estilo imitando os processos de impressão em bruto da reprodução de jornais. Lichtenstein usava cores primárias, linhas escuras grossas, balões contendo texto e efeitos sonoros e o pontilhado usado como método de sombreamento. Seu trabalho foi fortemente influenciado pela publicidade popular e definiu a premissa básica da arte pop através de paródia. Essas pinturas revigoraram a cena artística americana e alteraram a história da arte moderna. Após o seu sucesso inicial no início dos anos 1960, ele criou uma obra de mais de 5.000 pinturas, impressões, desenhos, esculturas, murais e outros objetos celebrados por sua inteligência e invenção.


Roy Lichtenstein – Blam, 1962 – óleo sobre tela – 172,7 x 203,2 cm - Yale University Art Gallery, New Haven, Connecticut, USA


Roy Lichtenstein – Whaam, 1963 – acrílica e óleo sobre tela – 172,7 x 406,4 cm – Tate Modern, Londres, UK


Lichtenstein cresceu em New York, onde iniciou seus estudos de arte, e depois se graduou na Universidade Estadual de Ohio, onde também completou um mestrado em Artes. Em 1957, ele voltou para o estado de New York e se dedicou a lecionar. Foi nessa época que ele adotou o estilo do Expressionismo abstrato, sendo um converso tardio para esse estilo de pintura. Lichtenstein começou a ensinar no norte de Nova York na Universidade Estadual de Nova York em Oswego em 1958.


Roy Lichtenstein – Thinking of Him, 1963 – acrílica sobre tela – 172,7 x 173 cm - Yale University Art Gallery, New Haven, Connecticut, USA


Em junho de 1961, Lichtenstein voltou à ideia que ele tinha tido em Oswego, que era combinar personagens de quadrinhos com motivos abstratos. Lichtenstein se apropriou dos pontos de Benday (Benday dots), o padrão mecânico minucioso usado na gravura comercial, para transmitir textura e gradações de cor. Os pontos de Benday se tornaram para sempre identificados com Lichtenstein e a Pop Art. Lichtenstein tornou-se um gravador prolífico e expandiu-se em escultura, que ele não tinha tentado desde meados da década de 1950 e em peças bidimensionais e tridimensionais, ele empregou uma série de materiais industriais ou "não artísticos" produzindo objetos em série, que eram menos caros do que pinturas e escultura tradicionais.


Roy Lichtenstein – “Blonde” – 1965 – cerâmica pintada - 38,1 x 21 x 20,3 cm - coleção particular


Esse blog possui um artigo sobre as esculturas de Roy Lichtenstein. Clique sobre o link abaixo para ver:



Querendo crescer, Lichtenstein se afastou dos temas de quadrinhos que o levaram ao sucesso. No final da década de 1960, seu trabalho tornou-se menos narrativo e mais abstrato, pois continuou a meditar sobre a natureza da própria empresa artística. Ele começou a explorar e desconstruir a noção de pinceladas, que são convencionalmente concebidas como veículos de expressão, mas Lichtenstein tornou-as o próprio tema de suas obras.


Roy Lichtenstein – Little Big Painting, 1965 – óleo e acrílica sobre tela – 172,7 x 203,2 cm - Whitney Museum of American Art, New York, USA


Roy Lichtenstein – Still Life with Goldfish, 1974 – óleo e acrílica sobre tela – 203,2 x 152,4 cm - Philadelphia Museum of Art, PA, USA


A busca de novas formas e fontes foi ainda mais enfática após 1970, quando Lichtenstein expandiu sua paleta além de formas vermelhas, azuis, amarelas, pretas, brancas e verdes, e formas inventadas e combinadas. Ele não estava apenas isolando imagens encontradas, mas justapondo, sobrepondo, fragmentando e recompondo essas imagens.


Roy Lichtenstein – Stepping Out, 1978 – óleo e acrílica sobre tela – 220,3 x 178,1 cm - Metropolitan Museum of Art, New York, USA


Roy Lichtenstein – Interior with Mirrored Wall, 1991 – óleo e acrílica sobre tela – 320,4 x 406,4 cm - Solomon R. Guggenheim Museum, New York, USA


No início da década de 1980, Lichtenstein estava no ápice de uma movimentada carreira mural. Ele também completou grandes encomendas para esculturas públicas em Miami Beach, Columbus, Minneapolis, Paris, Barcelona e Cingapura.


Roy Lichtenstein – “El Cap de Barcelona (The Head)” - 1991–1992 – concreto e cerâmica – 19,51 m 


“Pop Art olha para o mundo. Não parece uma pintura de algo, parece a coisa em si” (Roy Lichtenstein)


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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Jane Monheit / Caminhos Cruzados



Jane Monheit - Caminhos Cruzados


A canção “Caminhos Cruzados” foi composta por Tom Jobim em 1958, com letra de Newton Mendonça. Jane Monheit a gravou no álbum Surrender de 2007. A canção também gravada por vários artistas, como: Sylvia Telles (LP - Sylvia de 1958), Maysa (LP - Convite para ouvir Maysa n. 2 de 1958), João Gilberto (LP - Amoroso de 1977), Nara Leão (LP - Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim... de 1984), Antonio Carlos Jobim e Gal Costa (LP - Gal Costa de 1992).

Jane Monheit (nascida em 3 de novembro de 1977) é uma vocalista americana de jazz e pop. Ela colaborou com John Pizzarelli, Michael Bublé, Ivan Lins, entre outros, e recebeu indicações ao Grammy para duas de suas gravações. Em 2000, Jane lançou seu primeiro álbum, Never Never Land que ficou na Billboard Jazz chart por quase um ano, e foi votado o Best Debut Recording do ano por membros da Jazz Journalists Association. A cantora lançou em 2007 um novo álbum, chamado Surrender, com forte influência da música brasileira.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da Bossa Nova. Suas canções foram interpretadas por muitos cantores e instrumentistas no Brasil e internacionalmente. Em 1965 o álbum Getz / Gilberto (tendo Tom Jobim como compositor e pianista) foi o primeiro álbum de jazz a ganhar o Grammy Award para Álbum do Ano. A canção "Garota de Ipanema" foi gravada mais de 240 vezes por outros artistas, sendo uma das músicas mais gravadas de todos os tempos. Seu álbum de 1967 com Frank Sinatra, “Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim”, foi nomeado para Álbum do Ano em 1968. Jobim deixou um grande número de canções que agora estão incluídas nos repertórios standard de Jazz e pop.


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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Análise da pintura “The Last Evening” de James Tissot

James Tissot – The Last Evening, 1873 – óleo sobre tela – 72,4 x 102,8 cm – Guildhall Art Gallery, Londres, UK


Análise da pintura “The Last Evening” (A Última Noite) de James Tissot


Essa pintura é uma cena a bordo de um navio. É um emaranhado de emoções ​​e relacionamentos indefinidos: uma mulher em uma cadeira de balanço olha para a distância, enquanto um marinheiro que usa uma aliança de casamento se dirige a ela, com o braço em torno de sua cadeira. Em um banco ao lado do convés, outro marinheiro, mais velho e barbudo, segura um jornal, entre os joelhos. Seu companheiro de assento, um cavalheiro idoso com chapéu alto e corrente de relógio, olha para trás, com irritação, para algo fora de vista. Enquanto isso, uma menina pequena com uma fita de cabelo de veludo preto se inclina na parte de trás do banco, observando o homem idoso (um avô? Um guardião?). Atrás de todos eles, o cordame deste navio e de vários outros, atravessam o céu num emaranhado de linhas de tinta preta. Essas linhas são uma alusão direta aos cabos de telégrafo que foram colocados sob o Atlântico menos de uma década antes que essa pintura fosse feita.

A modelo para a pintura foi Margaret Kennedy (1840-1930), a esposa de um amigo de Tissot, o capitão John Freebody, cujo navio levou emigrantes para a América. Ele foi o modelo do homem mais novo na pintura, e o irmão mais velho de Margaret, o Capitão Lumley Kennedy, foi o modelo do homem com barba vermelha. 

A moça parece estar em um momento de pensamento silencioso. O que ela estaria pensando? Que o marinheiro que ela ama está prestes a partir para o mar? Ou que ela partirá nesse navio e tem medo dos meses vindouros? O marinheiro seria seu esposo, ou alguém que não a conhecia e se sensibilizou com sua preocupação e a tenta consolar? Seria o homem mais velho seu pai? A menina, sua irmã? A pintura é sobre comunicação que não pode ser descodificada, olhares que não podem ser explicados e que não se alinham. Todos nesta pintura estão tentando dizer algo, nessa cena cheia de tensão.


James Joseph Jacques Tissot (Nantes, 15 de outubro de 1836 – Buillon, 8 de agosto de 1902) foi um pintor francês. Tissot expôs no Salão de Paris pela primeira vez aos 23 anos. A característica do seu primeiro período foi como pintor dos charmes femininos. Demi-mondaine seria a forma mais acurada de chamar uma série de estudos que ele chamou de La Femme a Paris (A mulher em Paris). Lutou na Guerra Franco-Prussiana e, sob a suspeita de ser comunista, deixou Paris em direção a Londres. Lá estudou com Seymour Haden, desenhou caricaturas para a Revista Vanity Fair, pintou retratos e também telas temáticas. Seu trabalho mais grandioso foi a produção de mais de 700 aquarelas ilustrando a vida de Jesus e sobre o Velho Testamento.



Esse blog possui mais artigos sobre James Tissot. Clique sobre os links abaixo para ver:






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