sexta-feira, 29 de julho de 2016

A história da pintura “A Nona Onda” de Ivan Aivazovsky e de seu pintor

Ivan Aivazovsky – “A Nona Onda”, 1850 – óleo sobre tela – 221 x 332 cm - State Russian Museum, St. Petersburg, Russia


A história da pintura “A Nona Onda” de Ivan Aivazovsky e de seu pintor


“A Nona Onda” é o trabalho mais conhecido de Ivan Aivazovsky. O título refere-se à tradição náutica em que as ondas crescem cada vez maiores em uma série, até a maior onda, a nona onda, quando então a série começa novamente. Ela retrata um mar depois de uma tempestade noturna e as pessoas que enfrentam a morte, tentando se salvar, agarrando-se aos restos de um navio naufragado. A pintura tem tons quentes, o que reduz as conotações aparentemente ameaçadoras do mar. Parece plausível que as pessoas vão sobreviver. Esta pintura mostra o lado destrutivo, e a beleza da natureza.


Ivan Aivazovsky - Azure Grotto, Naples, 1841 – óleo sobre tela


Ivan Konstantinovich Aivazovskii (Teodósia, Crimeia, 29 de Julho de 1817 — Teodósia, 5 de Maio de 1900) foi um pintor russo de ascendência armênia, de estilo romântico, conhecido como um dos maiores pintores de paisagens marinhas. Deixou mais de seis mil obras, entre elas, a mais famosa, A Nona Onda.

Após a sua formação na Academia Imperial de Artes, Aivazovsky viajou para a Europa e morou brevemente na Itália no início de 1840. Ele então retornou para a Rússia e foi nomeado o principal pintor da Marinha russa. Aivazovsky tinha laços estreitos com a elite militar e política do Império Russo. Ele foi patrocinado pelo Estado e foi bem-visto durante sua vida. O ditado "digno do pincel de Aivazovsky", popularizado por Anton Chekhov, foi usado na Rússia para descrever algo inefavelmente lindo. Um dos mais proeminentes artistas russos de seu tempo, Aivazovsky também foi popular fora da Rússia. Ele realizou inúmeras exposições individuais na Europa e nos Estados Unidos.

Aivazovsky foi especialmente eficaz no desenvolvimento do jogo de luz em suas pinturas, aplicando camadas de cores para criar uma qualidade transparente, uma técnica pela qual é muito admirado. Embora tenha produzido muitos retratos e paisagens, mais de metade de todas as pinturas de Aivazovsky são representações realistas de cenas costeiras e marinhas. Sua técnica artística se destaca por sua capacidade de representar o brilho realista da água contra a luz, na pintura, seja ela a luz da lua cheia, a do nascer do sol, ou a dos navios de guerra em chamas. Muitas de suas pinturas também ilustram a sua habilidade de preencher o céu com luz, seja a luz difusa de uma lua cheia através da névoa, ou o brilho alaranjado do sol brilhando através das nuvens.

Além de ser o mais prolífico dos pintores armênios russos, Aivazovsky fundou uma escola de arte e galeria para educar os outros artistas da época. Ele também construiu um museu histórico em sua cidade natal em Feodosia, Crimeia, além de iniciar as primeiras expedições arqueológicas na mesma região.


Ivan Aivazovsky – Entre as Ondas, 1898 – óleo sobre tela – 66 x 97 cm - Aivazovsky National Art Gallery


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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Análise de The Prepared Bouquet de René Magritte

René Magritte – The Prepared Bouquet, 1957 – óleo sobre tela – 130,5 x 163 cm – coleção particular


Análise de The Prepared Bouquet de René Magritte

Um homem com um chapéu-coco está de costas para o espectador, com a figura de Flora da pintura "Primavera" de Sandro Botticelli colocada sobre seu casaco. Esta pintura exemplifica um artifício que Magritte comumente utilizava: esconder parcialmente um objeto, colocando um objeto menor na frente dele e, portanto, negar ao espectador o acesso completo para a imagem maior.

Essa imagem pode ter vários significados, como: "a arte é intemporal", ou "as pessoas passam, mas a arte permanece". Provavelmente Magritte escolheu essa imagem por seu valor pictórico e não por conotações alegóricas, como Boticelli utilizou na pintura "Primavera".

A ideia central que atravessa a obra de René Magritte é que a pintura deve ser poesia, e que a poesia deve evocar mistério. Toda a sua obra é uma tentativa de evocar este mistério, mas não de o revelar. Todas as definições de mistério têm algo a ver com a ideia de algo escondido, algo secreto. Algumas definições também podem possuir conotações religiosas ou místicas.

O comentário de Magritte sobre essa pintura, foi: "O homem é uma aparição visível como uma nuvem, como uma árvore, como uma casa, como tudo o que vemos. Eu não nego sua importância e nem eu lhe concedo qualquer proeminência em uma hierarquia das coisas que o mundo oferece visualmente".


Sandro Botticelli – Primavera, c. 1482 – têmpera sobre madeira – 202 x 314 cm - Uffizi Gallery, Florence


René François Ghislain Magritte (1898 - 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio, mas algumas pessoas desacreditam essa história, que pode ter se originado com a enfermeira da família. Supostamente, quando sua mãe foi encontrada, o seu vestido estava cobrindo seu rosto, uma imagem que tem sido sugerida como a fonte de várias obras de Magritte, de pessoas com um pano obscurecendo seus rostos. Em 1916, Magritte ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem casou em 1922. Trabalhou em uma fábrica de papel de parede, e foi designer de cartazes e anúncios até 1926, quando um contrato com a Galerie la Centaure, na capital belga, fez da pintura sua principal atividade.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Foi casado com sua esposa Georgette por 45 anos, sem qualquer escândalo, e a quem prometeu uma vida calma e tranquila, burguesa. Em suma, uma pessoa sem graça. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

Esse blog possui um artigo sobre a pintura Primavera de Sandro Botticelli. Clique sobre o link abaixo para ver:



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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Desafinado - Frank Sinatra & Antonio Carlos Jobim



Desafinado - Frank Sinatra & Antonio Carlos Jobim


Desafinado é uma canção composta por Tom Jobim e Newton Mendonça lançada como um single por João Gilberto em 1958 e incluída em seu álbum de estreia, Chega de Saudade, lançado em 1959. A canção é uma resposta à crítica da época, que considerava a bossa nova "música para cantores desafinados". A canção foi posteriormente gravada por diversos artistas, incluindo entre outros: Tom Jobim, Herb Alpert, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e Stan Getz, que em 1963 ganhou o Grammy de Melhor Performance de Jazz por um Solista ou Grupo Pequeno pela canção. Duas adaptações da canção para a língua inglesa foram realizadas: "Slightly Out of Tune", por Jon Hendricks e "Off Key", por Gene Lees, sendo essa a versão utilizada por Sinatra. A gravação está no álbum Frank Sinatra and Antonio Carlos Jobim - The Complete Reprise Studio Recordings de 1995 (gravação original de 1969).

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da bossa nova.

Francis Albert "Frank" Sinatra (Hoboken, 12 de dezembro de 1915 — Los Angeles, 14 de maio de 1998) foi um cantor e ator norte-americano. Lançou vários álbuns com aclamação crítica, realizou tours internacionais, e foi um dos fundadores do Rat Pack, além de fraternizar com celebridades e homens de estado, incluindo John F. Kennedy. Sinatra também forjou uma bem-sucedida carreira como ator, vencendo um Óscar de melhor ator secundário, uma nomeação para Oscar de melhor ator e aclamação crítica por sua performance. Sinatra foi homenageado no Prêmio Kennedy em 1983 e recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade de Ronald Reagan em 1985 e a Medalha de Ouro do Congresso em 1997. Sinatra também recebeu 11 Grammy Awards, incluindo o Grammy Trustees Award, Grammy Legend Award e o Grammy Lifetime Achievement Award. Possui duas estrelas na Calçada da Fama, uma por seu trabalho na música e outra por seu trabalho na TV norte-americana. É considerado um dos maiores intérpretes da música na década de 1950.


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Análise de “Hotel Lobby” de Edward Hopper

Edward Hopper – Hotel Lobby, 1943 – óleo sobre tela – 81,9 x 103,5 cm – Indianapolis Museum of Art, USA


Análise de “Hotel Lobby” de Edward Hopper


Hotel Lobby é uma obra típica de Hopper, exibindo seus temas clássicos de alienação e brevidade. Os Hoppers viajavam frequentemente, ao longo de sua carreira, se hospedando em muitos motéis e hotéis.

A pintura retrata duas mulheres e um homem na recepção de um pequeno hotel. À direita está uma mulher com cabelo louro e vestido azul, sentada com as pernas cruzadas e lendo um livro. À esquerda, uma mulher mais velha num vestido vermelho, um casaco e um chapéu. Um homem está ao seu lado, de terno e com um sobretudo dobrado sobre seu braço. Um funcionário atrás da recepção é pouco visível nas sombras. Uma das poucas pinturas de Hopper sem janelas, Hotel Lobby utiliza a luz da porta giratória e de uma área invisível por entre as vigas do teto.

A modelo para as mulheres da pintura foi Josephine. Após seu casamento em 1920, ela insistiu em ser a modelo para todas as personagens femininas nas pinturas de Hopper. O vestido vermelho que a mulher mais velha veste (que Josephine, em seu diário, descreve como coral) significa raiva e extroversão, enquanto o vestido azul usado pela mulher mais jovem mostra juventude e distância. Hopper era conhecido por ser seu próprio modelo em suas pinturas, portanto é provável que isso ocorreu em Hotel Lobby. Edward e Josephine, na data da pintura, tinham por volta de 60 anos.

Os hóspedes do hotel parecem estar viajando e suspensos no tempo, refletindo um sentimento estoico e dramático, que lembra os filmes de filme noir que Hopper pode ter visto e também a estrutura e sensação complexas das obras de Edgar Degas. A pintura utiliza luz dura e linhas rígidas para criar um ambiente desconfortável, cuidadosamente construído. O ponto de vista elevado e teatral da pintura pode ser derivado do amor de Hopper pelo teatro da Broadway. Antes de criar Hotel Lobby, Hopper desenhou dez estudos da obra, que estão na coleção do Whitney Museum of American Art, doados pela sua esposa, Josephine.

Edward Hopper (Nyack, 22 de julho de 1882 — 15 de maio de 1967) foi um pintor, artista gráfico e ilustrador norte-americano conhecido por suas misteriosas pinturas de representações realistas da solidão na contemporaneidade. Em cenários urbanos e rurais, as suas representações refletem a sua visão pessoal da vida moderna americana. Temas de solidão, transitoriedade, e alienação permeiam as imagens fantasmagóricas de Edward Hopper. Embora ele resistisse o rótulo, Hopper foi um grande praticante da Pintura de Cenas Americanas, um movimento da era da Depressão, que rejeitou o modernismo e outras influências europeias, preferindo temas exclusivamente americanos em um estilo realista. Um mestre da narrativa tranquila, Edward Hopper imbuía momentos comuns com intensidade psicológica e complexidade. Os espectadores inevitavelmente encontram-se atraídos para suas cenas cuidadosamente compostas, identificando-se ou especulando sobre os personagens, frequentemente isolados em si mesmos.

Esse blog possui mais artigos sobre Edward Hopper. Clique sobre os links abaixo para ver:





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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Lasar Segall, sua arte e sua história

Lasar Segall – Bananal, 1927 – óleo sobre tela – 87 x 127 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil


Lasar Segall, sua arte e sua história


Lasar Segall - Doppelbildnis Margarete und Zoe [Duas Amigas], c. 1917 – óleo sobre tela – 85 x 79 cm


Lasar Segall (Vilna, Lituânia, 21 de Julho de 1889 - São Paulo, Brasil, 2 de Agosto de 1957) foi um pintor, escultor, gravador e desenhista. Iniciou seus estudos em Vilna, capital da Lituânia, que na época estava sob o domínio da Rússia czarista. Seu pai era escriba da Torá, lei judaica contida nos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, cujo texto, manuscrito em pergaminho, é utilizado em cerimônias religiosas nas sinagogas. Estudou depois em Berlim e Dresden, onde ampliou seu contato com a pintura impressionista e realizou, em 1910, a primeira mostra individual na Galeria Gurlitt.


Lasar Segall – Família, 1922 – aquarela e guache sobre papel – 44,8 x 43,7 cm


No final de 1912, veio para o Brasil, onde já residiam 3 de seus 7 irmãos. No ano seguinte expôs em São Paulo e Campinas. No mesmo ano retornou à Europa. Inicialmente, realizou uma pintura impressionista, com influência de Jozef Israël e de Paul Cézanne (1839-1906). A partir de 1914, passou a se interessar pelo expressionismo, desenvolvendo-se plenamente nessa estética em 1917. Em 1919, em Dresden, fundou com Otto Dix (1891-1969) e outros, o Dresdner Sezession Gruppe, que agregava artistas expressionistas da cidade. A pintura de Segall, sob o impacto da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), refletia a preocupação com as injustiças sociais e o sofrimento humano. Seus quadros são estruturados por meio de planos construídos em diagonais e apresentam uma tendência à geometrização, com o predomínio de formas triangulares, utilizando cores escuras e contrastantes.


Lasar Segall – Morro Vermelho, 1926 – óleo sobre tela – 115 x 95 cm


Em 1923 voltou ao Brasil, fixando residência em São Paulo, onde foi destaque no cenário da arte moderna, considerado um representante das vanguardas europeias e onde participou da Semana de Arte Moderna em São Paulo. Nos primeiros trabalhos realizados no país, revelou um deslumbramento pela luz e pelas cores tropicais, com temas de mães negras, paisagens e favelas, onde acentuou o drama dos marginalizados pela sociedade. Foi no Brasil que, segundo suas próprias palavras, sua arte ficou como o "milagre da luz e da cor".


Lasar Segall - Retrato de Mário de Andrade, 1927 – óleo sobre tela – 72 x 60 cm - Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros - IEB/USP (São Paulo, SP)


 Lasar Segall - Perfil de Zulmira, 1928 – óleo sobre tela – 62,5 x 54 cm - Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Brasil


Separado de sua primeira esposa (Margarete), casou em 1925 com Jenny Klabin (sobrinha do seu cunhado e sua aluna) com quem teve os filhos Maurício Klabin Segall (que casou nos anos 50 com a atriz Beatriz de Toledo, posteriormente Beatriz Segall) e Oscar Klabin Segall. Nessa época, passou a viver com a família em Paris, onde se dedicou também à escultura. Suas obras nessa fase mostram uma atmosfera familiar e de intimidade. Com cores fortes procurou expressar as paixões e sofrimentos dos seres humanos. Seus personagens são mulatas, prostitutas e marinheiros. Suas paisagens são favelas e bananeiras. Anos mais tarde dedicou-se à escultura em madeira, pedra e gesso.


Lasar Segall – Casa do Mangue, 1929 – xilogravura – 31,5 x 42 cm - Museu Lasar Segall


Lasar Segall – Grupo, 1934 – bronze – 35,5 x 45 cm - Museu Lasar Segall


Em 1932, Segall retornou ao Brasil e se instalou em São Paulo, na casa projetada pelo arquiteto Gregori Warchavchik, seu concunhado. Essa casa abriga, atualmente, o Museu Lasar Segall, cujo acervo é formado por 3.119 trabalhos originais do artista, doados por seus filhos Maurício Segall e Oscar Klabin Segall, e por seu neto Mário Lasar Segall. Nesse mesmo ano foi um dos criadores da extinta Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM) na capital paulista, da qual se tornou diretor até 1935. A ideia central da SPAM era servir como um elo entre artistas, intelectuais, colecionadores, mecenas, e o público. A SPAM também foi criada para servir como um ambiente público para a arte de vanguarda no Brasil.



Lasar Segall – Navio de Emigrantes, 1939 – óleo sobre tela – 230 x 275 cm – Museu Lasar Segall


Em 1932, Lasar Segall desenhou uma série de móveis para sua residência da Rua Afonso Celso. Todos os móveis são em madeira, pintada com tinta preta, e os assentos estofados em tecido de linho bege. As linhas são retas, e o design se caracteriza pela sobriedade e funcionalidade, em nítida filiação com o espírito da Bauhaus. Apesar do pequeno número destas peças, sua qualidade e contemporaneidade permitem incluir Lasar Segall no reduzido grupo de designers modernistas, ao lado de Warchavchik, John Graz e Flávio de Carvalho.


Lasar Segall – Campos do Jordão, 1942 – óleo sobre tela – 73 x 100 cm 


Entre 1926 e 1929, realizou no Brasil a série Mangue, onde abordou o tema da prostituição, com um predominante clima de tensão, estabelecido pela presença de elementos como persianas e cortinados ou por ambientes opressivos onde se situam os personagens. A série Emigrantes, 1927/1928 possui uma atmosfera mais amena, onde surgem espaços abertos com a representação do céu e do mar. A produção de Segall na década de 1930 incluiu uma série de paisagens de Campos do Jordão e retratos da pintora Lucy Citti Ferreira. Os temas ligados a dramas humanos permanecem em quadros de grandes dimensões, como “Navio de Emigrantes”, 1939/1940. 


Lasar Segall - Lucy com a Mão nos Cabelos, 1939 – óleo sobre tela – 46 x 38 cm


Lasar Segall e a modelo Lucy Citti Ferreira, 1940. Foto: Hildegard Rosenthal


Na década de 1950, a arte de Segall revela mais liberdade plástica, aproximando-se da abstração. O humanismo, revelado pela preocupação com a violência, a miséria e as injustiças sociais, e certo caráter lírico estão presentes em toda a sua carreira. Segall abordou temas universais, expressando-os com emoção, por meio da cor em sua pintura ou pelo jogo entre linha e vazio em suas produções gráficas.


Lasar Segall – Favela, 1954 – óleo sobre tela – 65 x 50 cm – Museu Lasar Segall


Lasar Segall – Rua de Erradias, 1956 – óleo sobre tela – 116 x 147 cm – Coleção Oscar Klabin Segall, São Paulo, Brasil



“A arte surge da ânsia de comunhão e compreensão entre homem e homem, homem e sociedade, homem e mundo ... a arte é assim uma linguagem universal” – Lasar Segall (Diário Nacional, 26 de Outubro de 1928)


Ultimo retrato de Lasar Segall, 1957. Foto: Luís Lorch


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domingo, 17 de julho de 2016

Sting / Jobim - How Insensitive



Sting / Jobim - How Insensitive


"Insensatez" é um standard de bossa nova composta por Antônio Carlos Jobim, vagamente baseado no Preludio No.4 de Frédéric Chopin, com letra de Vinícius de Moraes. A letra em inglês foi escrita por Norman Gimbel. Foi gravada por inúmeros artistas, como João Gilberto, Ella Ftzgerald, Doris Day, Petula Clark, Elis Regina, Andy Williams, Diana Krall, Frank Sinatra, July Garland, Pat Metheny, Olivia Newton-John. Chick Corea, Stacey Kent, entre muitos outros.

Essa versão com Sting, foi gravada em 1994, no álbum Antonio Brasileiro. Foi a última gravação de Tom Jobim, que faleceu antes de seu lançamento.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da bossa nova.

Gordon Matthew Thomas Sumner, CBE (Wallsend, 2 de outubro de 1951), mais conhecido pelo seu nome artístico, Sting, é um músico, cantor e ator inglês. Antes de sua carreira solo foi o principal compositor, cantor e baixista da banda de rock The Police. Vendeu ao longo de sua carreira mais de 100 milhões de discos, e recebeu dezesseis Prêmios Grammy por seu trabalho e recebeu uma indicação ao Oscar de melhor canção original.



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sábado, 16 de julho de 2016

Pinturas de artistas em seus cavaletes

Jose Ferraz de Almeida Junior – O Descanso da Modelo – 1882 – óleo sobre tela – 100 x 130 cm - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro – Brasil


Pinturas de artistas em seus cavaletes



Marc Chagall – Artist at Easel, 1965 – óleo sobre tela - 49 x 55.5 cm – coleção particular


Rembrandt - Portrait Of The Artist At His Easel, Detail Of The Face, 1660 – óleo sobre tela - 111 x 90 cm - Musée du Louvre, Paris, France


Francisco Goya - Self-portrait in the Studio - c.1790-c.1795 – óleo sobre tela - 42 x 28 cm - Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, Madrid, Spain


Norman Rockwell - Triple Self-Portrait, 1960 – óleo sobre tela -  113 x 88.3 cm – Norman Rockwell Museum, Stockbridge, MA, USA


Henri Fantin-Latour - A Studio in the Batignolles (Homage to Manet) – 1870 – óleo sobre tela - 204 x 273.5 cm - Musée d'Orsay, Paris, France

Les Batignolles era o distrito onde Manet e muitos dos futuros impressionistas moravam. Fantin-Latour, um quieto observador desse período, reuniu em torno de Manet, apresentado como o líder da escola, uma série de jovens artistas com ideias inovadoras: da esquerda para a direita, estão Otto Schölderer, um pintor alemão que veio para a França para conhecer os seguidores de Courbet. Manet, sentado diante de seu cavalete. Auguste Renoir, vestindo um chapéu. Zacharie Astruc, um escultor e jornalista. Emile Zola, o porta-voz do novo estilo de pintura. Edmond Maître, um funcionário público da Câmara Municipal. Frédéric Bazille, e por último, Claude Monet. Neste retrato de grupo exibido no Salão de 1870, cada homem parece estar posando para a posteridade.


Nikolay Bogdanov-Belsky – Konstantin Korovin at the Easel - 57.8 x 46 cm


 Francisco Goya y Lucientes - The Family of Infante Don Luis de Bourbon (La Familia del Infante Don Luis) – 1798 – óelo sobre tela - 248 cm x 330 cm - Fondazione Magnani Rocca, Corte de Maminao, Parma Italy

Esse blog possui um artigo sobre essa pintura. Clique sobre o link abaixo para ver:



Gustave Caillebotte - Self-Portrait With An Easel, 1879-1880 – óleo sobre tela - 115 x 90 cm – coleção particular


Camille Corot - Self Portrait, Sitting Next To An Easel, 1825 – óleo sobre tela - 24.5 x 32.5 cm - Musée du Louvre, Paris, France


Elisabeth Vigée Le Brun - The Artist executing a portrait of Queen Marie Antoinette, 1791 – 100 x 81 cm - Galleria degli Uffizi, Florença

Esse blog possui um artigo sobre essa artista. Clique sobre o link abaixo para ver:



Johannes Vermeer - The Art of Painting - c.1666-c.1668 – óleo sobre tela - 120 x 100 cm - Kunsthistorisches Museum, Vienna, Austria

É provável que seja um autorretrato do artista retratando sua filha. A pintura também é nomeada como “Alegoria da Pintura”.


Giorgio de Chirico - Self Portrait in the Studio – 1935 – óleo sobre tela

Esse blog possui um artigo sobre esse artista. Clique sobre o link abaixo para ver:



Jean Auguste Dominique Ingres - Self-Portrait at the Age of 24, 1804 – óleo sobre tela – 61 x 77 cm - Musée Condé, Chantilly, France


Peder Severin Kroyer - Self-Portrait, Sitting By His Easel At Skagen Beach, 1902 – óleo sobre madeira – 54 x 45 cm – coleção particular


Pierre-Auguste Renoir - Frédéric Bazille at his Easel, 1867 – óleo sobre tela – 105 x 73,5 cm - Musée d'Orsay, Paris

Esse blog possui um artigo sobre essa pintura. Clique sobre o link abaixo para ver:



Vincent van Gogh - Self-Portrait With Dark Felt Hat At The Easel, 1886 – óleo sobre tela - Van Gogh Museum, Amsterdam, Netherlands


Diego Velazquez – Las Meninas, 1656 – óleo sobre tela – 276 x 318 cm - Museo del Prado, Madrid, Spain

Esse blog possui um artigo com análise dessa pintura. Clique sobre o link abaixo para ver:



Sofonisba Anguissola - Self-Portrait At The Easel, 1556 – óleo sobre tela – 66 x 57 cm -  Muzeum-Zamek, Lancut, Polonia


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terça-feira, 12 de julho de 2016

500.000 VISUALIZAÇÕES!!! Muito obrigada a todos que acessam, comentam e compartilham nossas postagens!



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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Análise de “Os Amantes” de Pablo Picasso

Pablo Picasso – The Lovers (Les Amoureux), 1923 – óleo sobre linho – 130.2 x 97.2 cm – National Gallery of Art, Washingtom, DC, USA



Análise de “Os Amantes” de Pablo Picasso

“Os Amantes” é uma pintura feita por Pablo Picasso durante o seu período neoclássico, em 1923, em Paris, França. No período após a agitação da I Guerra Mundial, vários artistas na Europa começaram a produzir obras em um estilo neoclássico. A imprensa fez o cubismo soar destrutivo no período durante e após a Primeira Guerra Mundial I. Isto levou a um "retorno à ordem", que era uma parte de uma reação "contra os excessos e originalidades violentas de movimentos pré-guerra como o cubismo, o expressionismo e primitivismo".

Picasso também visitou Pompéia e os museus de arte clássica em Nápoles e Roma durante a sua viagem à Itália em 1917 e o que viu afetou sua arte. Esta viagem e, em seguida, seu casamento com a bailarina russa Olga Kokhlova, que pertencia a uma classe social de elite, deram a Picasso inspiração para a pintura de temas clássicos, utilizando técnicas clássicas. “Os Amantes” retrata um relacionamento, um tema muito clássico, mostrando um jovem casal se abraçando.

Picasso utiliza várias técnicas artísticas para demonstrar a harmonia na pintura. O uso de linho, em vez de tela de lona, dá uma aparência mais suave e refinada à pintura. Picasso utilizou linhas suaves e contínuas nesta pintura, criando um efeito elegante. Há também uma ligeira ênfase nos contornos. Ele criou uma harmonia fluida na pintura utilizando pinceladas suaves. Picasso usou cores primárias nesta pintura incluindo vermelho, azul e amarelo. O casal tem cabelo castanho, o que é muito realista, mas sua cor de pele tem um branco acinzentado que lhes dá um aspecto escultural. As cores usadas não são saturadas, quase como em uma pintura afresco tradicional.

A pintura é dominada pelo casal e, ao contrário das obras cubistas de Picasso, seus corpos são proporcionais. A cabeça da mulher se inclina para o homem e o homem a abraça por trás, olhando para ela com muita atenção. Esta postura dos personagens nos dá uma sensação de afeto entre eles. Juntos, todos os detalhes da pintura criam uma sensação de harmonia e esse é um dos trabalhos mais conhecidos de Picasso de seu período neoclássico. O classicismo usa de pureza da linha e cor, com economia de meios, figuras ideais e uma atmosfera de nobreza e emoção contida. Picasso não imitou o classicismo, mas o aperfeiçoou em sua própria visão.


Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou simplesmente Pablo Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), foi um pintor, escultor e desenhista espanhol. Foi reconhecidamente um dos mestres da arte do século XX. É considerado um dos artistas mais famosos e versáteis de todo o mundo, tendo criado mais de 20.000 trabalhos, não somente pinturas, mas também esculturas, cerâmica, gravura, desenho, cenários de teatro, usando, todos os tipos de materiais. Ele também é conhecido como um dos fundadores do Cubismo.


Esse blog tem mais artigos sobre Pablo Picasso. Clique sobre os links abaixo para ver alguns:








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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Como foi feita a famosa cena de Fred Astaire dançando nas paredes em “Royal Wedding”



Como foi feita a famosa cena de Fred Astaire dançando nas paredes em “Royal Wedding”



Royal Wedding (Casamento Real) é um filme de 1951 da Metro-Goldwyn-Mayer, no gênero comédia musical, estrelado por Fred Astaire e Jane Powell, com música de Burton Lane e letras de Alan Jay Lerner. O filme foi dirigido por Stanley Donen. A história se passa em Londres, em 1947, na época do casamento da princesa Elizabeth com Philip Mountbatten, duque de Edimburgo. Astaire e Powell são irmãos em um duo de música e dança, ecoando a relação teatral da vida real de Fred e Adele Astaire. No filme, em um de seus mais conhecidos solos, Astaire dança nas paredes e tetos de seu quarto porque ele se apaixonou por uma mulher bonita, que também adora dançar.

A cena com a música "You're All the World to Me" (Você é todo o mundo para mim) foi filmada através da construção de um cenário dentro de um barril rotativo com a câmera e seu operador amarrado, podendo girar 360 graus juntamente com o quarto, enquanto Astaire dançava, permanecendo sempre na posição vertical como o quarto girando em torno dele. Então, como é que ele faz isso? O quarto no vídeo realmente gira como uma unidade, e todos os móveis foram pregados nas paredes e teto. Além disso, a câmera permanece conectada à sala de rotação, fazendo parecer como se os dançarinos estivessem desafiando a gravidade.

Veja como foi feita uma das mais espetaculares cenas de cinema, numa época em que não haviam computadores e os efeitos especiais eram feitos com enorme imaginação e engenhosidade. Clique sobre os vídeos abaixo para assistir a cena, como aparece no filme e como foi feita:





Fred Astaire (10 de Maio de 1899 - 22 de Junho de 1987) era um dançarino, cantor, ator, coreógrafo, músico e apresentador de televisão norte-americano. Sua carreira no palco, cinema e televisão abrangeu um total de 76 anos, com 31 filmes musicais, gravações e vários especiais de televisão. Como dançarino, ele é lembrado por seu senso de ritmo, seu perfeccionismo lendário, e como o parceiro de dança de Ginger Rogers, com quem co-estrelou uma série de dez musicais de Hollywood que transformaram o gênero. Recebeu inúmeros prêmios como o Oscar, Emmy Award, Golden Globe, entre outros.



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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Análise de “Autorretrato com Sete Dedos” de Marc Chagall

Marc Chagall – Autorretrato com Sete Dedos, 1912-1913 - óleo sobre tela - 126 x 107.5 cm - Stedelijk Museum, Amsterdam


Análise de “Autorretrato com Sete Dedos” de Marc Chagall


Fazer algo com sete dedos é uma expressão iídiche que significa fazer algo bem ou habilmente. Marc Chagall era um sonhador errante. A partir de sua humilde cidade natal de Vitebsk, Belarus, ele saiu para viver a grandeza de São Petersburgo, o romance de Paris, a liberdade de New York. Através de guerras, perseguição nazista, e a passagem de nove décadas, ele encontrou o amor, técnicas pioneiras no modernismo, e pintou. Acima de tudo, ele pintou.

Esta pintura não é uma imagem naturalista, no entanto, descreve muito sobre Marc Chagall como pessoa e como artista. A data da obra, 1912-1913, mostra que ela foi feita logo depois que ele mudou da Rússia para Paris. Sua localização em Paris é identificável porque a Torre Eiffel é visível através da janela. Em contraste com a sua localização geográfica, ele pintou imagens rurais, como uma leiteira e uma vaca. Sua cidade natal, Vitebsk, foi retratada em uma nuvem sobre sua cabeça. Enquanto ele estava na França, seus pensamentos e pinturas permaneceram centrados na Rússia.

Formalmente, as influências cubistas podem ser vistas nos planos desagregados que compõem o rosto do artista. Chagall mostra-se ainda mais nesta pintura colorida como preso entre dois mundos, escrevendo “Paris” e “Rússia” em letras hebraicas na parte superior da tela. A mão esquerda de Chagall tem sete dedos e o número sete era significativo para Chagall, por ele ter nascido no 7º dia do sétimo mês em 1887. E o número sete é tem muitas conotações místicas, na tradição judaica.
“Autorretrato com Sete Dedos” foi o primeiro autorretrato de Chagall, então com 25 anos de idade. Foi pintado em seu primeiro estúdio em Paris em La Ruche, Montparnasse, onde ele e 200 outros artistas viviam em miséria total.

Marc Chagall (Vitebsk 1887–1985 Saint-Paul-de-Vence) foi um artista prolífico, cuja carreira se estendeu por muitas décadas. Ele trabalhou em muitos tipos de mídias: desenho, pintura, mídia impressa e vitrais. Chagall participou dos movimentos modernos do pós-impressionismo incluindo surrealismo e expressionismo. Nascido perto da aldeia de Vitebsk, na atual Bielorrússia, Chagall mudou para Paris em 1910 permanecendo lá até 1914 para desenvolver seu estilo artístico, retornando à Russia por sentir saudades de sua noiva Bella, com quem se casou. Em 1923 mudaram novamente para a França, para escapar das dificuldades da vida soviética que se seguiram à I Guerra Mundial e à Revolução de Outubro. Em 1941, mudou para os Estados Unidos, escapando da Segunda Guerra Mundial e ali permaneceu até 1948, retornando para a França.

O início da vida de Chagall deixou-o com uma memória visual poderosa e uma inteligência pictórica. Depois de viver na França e experimentar a atmosfera de liberdade artística, ele criou uma nova realidade, que se baseou em ambos os mundos internos e externos. Mas foram as imagens e memórias de seus primeiros anos em Belarus, na Russia, que sustentaram a sua arte por mais de 70 anos. Há certos elementos em sua arte que se mantiveram permanentes e são vistos ao longo de sua carreira. Um deles foi a sua escolha dos temas e a forma como eles foram retratados. O elemento mais constante, obviamente, é o seu dom para a felicidade e sua compaixão instintiva, que mesmo nos assuntos mais sérios o impediam de dramatizar.

Uma dimensão simbólica sempre esteve presente nos temas de Chagall. Sem dúvida, esta abordagem ajudou Chagall a atingir a popularidade que seu trabalho desfrutava na época, mas ao mesmo tempo o desejo de ser compreensível emprestou às pinturas um toque de romantismo que parecia um pouco fora de época. Através de sua linguagem poética altamente original ele foi capaz de criar um novo universo a partir das três culturas diferentes que ele havia assimilado. Sua arte constitui uma espécie de mixagem entre culturas e tradições.

"Se eu criar com o meu coração quase todas as minhas intenções permanecem. Se for com a cabeça, quase nada. Um artista não deve ter medo de ser ele mesmo, de expressar apenas a si mesmo. Se ele é absolutamente e inteiramente sincero, o que ele diz e faz, será aceitável para os outros." – Marc Chagall.


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domingo, 3 de julho de 2016

A história da pintura de Julius LeBlanc Stewart – “On the Yacht Namouna”

Julius LeBlanc Stewart - On the Yacht Namouna, Venice, 1890 – óleo sobre tela – 142 x 196 cm - Wadsworth Atheneum Museum of Art, Hartford, CT, USA


A história da pintura de Julius LeBlanc Stewart – “On the Yacht Namouna”


James Gordon Bennett (10 de Maio de 1841 – 14 de Maio de 1918), um amigo de Julius LeBlanc Stewart, era o editor do New York Herald, fundado pelo seu pai (que emigrou da Escócia), e foi um playboy notório que gostava de atividades extravagantes e de lazer, incluindo iates. Entre suas muitas realizações relacionadas com o esporte, ele organizou a primeira partida de polo e a primeira partida de tênis nos Estados Unidos, e ele venceu a primeira corrida de iates transoceânica.

Stewart pintou vários retratos de grupo de Bennett antes de executar a obra “On the Yacht Namouna, Venice”. Usando o iate de Bennett como cenário, Stewart revela livremente a moral despreocupada da nova geração de americanos ricos que nunca exerceram trabalho duro, ao ganhar as fortunas herdadas dos seus antepassados. Nesta cena, com os personagens longe no mar e isolados, as pretensões sociais e o decoro são descartados durante esta tarde quente e ensolarada de frivolidade. Namouna era o maior e mais luxuoso iate particular do mundo quando Bennett o encomendou em 1882. Medindo 226 pés de comprimento, Louis C. Tiffany executou os mosaicos da lareira e ornamentos de vidro.

Uma das retratadas na pintura é a atriz Lillie Langtry (nascida Emilie Charlotte Le Breton - 13 de Outubro de 1853 - 12 de Fevereiro de 1929), celebrada como uma jovem de beleza e encanto, atriz e produtora. Sua aparência e sua personalidade atraíram o interesse, comentários e convites de artistas e damas da sociedade. Ela também era conhecida por seus relacionamentos com nobres, inclusive o Príncipe de Gales. Ela foi objeto de amplo interesse público e da mídia.

Julius LeBlanc Stewart (6 de Setembro de 1855, Filadélfia – 5 de Janeiro de 1919, Paris) aos dez anos mudou para Paris com sua família, onde viveu o resto de sua vida, e estabeleceu uma carreira de sucesso como pintor de retratos da elite da sociedade americana e francesa. Ele exibiu suas pinturas no famoso Salão de Paris entre 1878 e 1895. Durante sua carreira, vários americanos expatriados ricos que viviam em Paris encomendavam a Stewart retratos em grande escala de seus amigos e familiares.

Um contemporâneo de seu colega (e também pintor americano expatriado) John Singer Sargent, Stewart foi apelidado "o parisiense de Filadélfia". Seu pai foi o milionário do ramo de açúcar William Hood Stewart, que se tornou um grande colecionador de arte e um mecenas dos artistas Barbizon. Julius estudou com Eduardo Zamacois, com Jean-Léon Gérôme na École des Beaux-Arts, e mais tarde foi aluno de Raymondo de Madrazo.


Julius LeBlanc Stewart - Yachting in the Mediterranean, 1896 – óleo sobre tela - 110.5 x 161.3 cm – coleção particular


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