segunda-feira, 27 de julho de 2015

Análise de "Sunlights in Cafeteria" de Edward Hopper

Edward Hopper - Sunlights in Cafeteria – 1958 – óleo sobre tela – 102.1 x 152.7 cm – Yale University Art Gallery


Análise de "Sunlights in Cafeteria" de Edward Hopper

Em certo sentido, “Sunlight in a Cafeteria” (Luz do Sol no Restaurante) representa uma inversão da situação na pintura “Nighthawks” (Notívagos). Em vez de uma lanchonete com balconista vemos um restaurante com ninguém para atender os clientes. Em vez de uma cena noturna com luz fluorescente, vemos a luz do dia. Em vez de olhar para um interior a partir do lado do fora, estamos olhando de dentro para fora. Em vez de uma esquina aparentemente movimentada de cidade grande, nós estamos em uma rua tranquila. Mas a diferença mais importante está no fato de apesar dos personagens terem vindo para jantar ao mesmo tempo, os dois não se conhecem. Assim como em Nighthawks, Hopper mantém o espectador à distância, criando ansiedade.


Edward Hopper – Nighthawks – 1942 – óleo sobre tela - 84 cm x 1.52 m - Art Institute of Chicago 


Hopper foi um mestre da sutileza. Nessa cena, um homem e uma mulher estão sentados em mesas separadas em um restaurante ensolarado. Eles são os únicos clientes. O que interessa ao artista é o momento de suspense antes de uma primeira tentativa de contato ser feita, o campo de força mental e emocional que pode surgir entre dois estranhos.

Ela senta-se em plena luz solar, ele em semi-sombra. Ele se vira em direção a ela, mas esconde o seu interesse, olhando para fora da janela. Ela é incapaz de mostrar o seu interesse ao ponto de nem mesmo tentar encontrar seu olhar como que por acidente. Ela poderia virar discretamente em direção a ele, mas hesita e olha para suas mãos. Isso não vai funcionar. A dura linha de sombra entre homem e mulher não será superada, a menos que um deles tome a iniciativa.

Apesar das cidades serem lotadas de pessoas, algumas se sentem isoladas. Hopper descreve esse sentimento de isolamento de figuras solitárias, em cidades aparentemente vazias de pessoas. Hopper não está pintando um mundo sem pessoas, ele está pintando pessoas sem companhia. Assim, a mulher solitária, ignorando o homem apontando para ela, é uma representação desse sentimento de isolamento, em uma cidade lotada de pessoas.

Edward Hopper (Nyack, 22 de julho de 1882 — 15 de maio de 1967) foi um pintor, artista gráfico e ilustrador norte-americano conhecido por suas misteriosas pinturas de representações realistas da solidão na contemporaneidade. Em cenários urbanos e rurais, as suas representações refletem a sua visão pessoal da vida moderna americana. 

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