quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A história de três pinturas de dança de Pierre-Auguste Renoir

Pierre-Auguste Renoir - Dance at Bougival, City Dance e Country Dance


A história de três pinturas de dança de Pierre-Auguste Renoir


Renoir gostava de cenas de dança. City Dance e Country Dance foram concebidas como um par: o formato é idêntico e as figuras de quase tamanho natural representam dois aspectos diferentes, mesmo opostos, da dança. A elegante restrição dos dançarinos da cidade e o belo salão de baile ao seu redor contrastam com a alegria da dança ao ar livre.


Pierre-Auguste Renoir - City Dance, 1883 – óleo sobre tela – 180 x 90 cm – Musée d´Orsay, Paris


 Em Country Dance, o casal impregnado pela música parece ter deixado uma mesa desordenada, um descuido acentuado pelo chapéu caído no primeiro plano. Há muitos contrastes entre os dois painéis, mesmo nas cores, frio para o vestido de Suzanne Valadon em City Dance, quente para Aline Charigot, a futura esposa de Renoir, que empresta seu sorriso ao dançarino em Country Dance. Apesar de suas diferenças, os dois casais parecem estar ligados pelo mesmo movimento, como se eles encarnassem uma sequência da mesma dança.


Pierre-Auguste Renoir - Country Dance, 1883 – óleo sobre tela – 180 x 90 cm – Musée d´Orsay, Paris


Exibidos pelo marchand Durand-Ruel (Esse blog possui um artigo sobre Durand-Ruel, o descobridor do Impressionismo. No final desse artigo há um link para a história dele) em sua galeria, onde as possuiu por muitos anos, as duas pinturas marcam uma mudança na técnica de Renoir no início dos anos 1880. O desenho é mais preciso e a simplificação da paleta contrasta fortemente com as vibrantes pinceladas de seus trabalhos anteriores. O próprio Renoir admitiu que uma maior atenção ao desenho era o resultado de uma necessidade de mudança que sentia depois de ver as obras de Rafael em Itália.


Pierre-Auguste Renoir – Dance at Bougival, 1883 – óleo sobre tela – 181,9 x 98,1 cm – Museum of Fine Arts, Boston, USA


Os cafés ao ar livre do subúrbio Bougival, à beira do rio Sena, nos arredores de Paris, eram locais de recreação populares para os moradores da cidade, incluindo os pintores impressionistas. Renoir, que era essencialmente um pintor de figuras, usa a cor intensa e a pincelada luxuriante para realçar a sensação de prazer transportada pelo par girando, que domina a composição. O rosto da mulher, emoldurado por seu chapéu vermelho, é o foco da atenção, tanto a nossa quanto a de seu companheiro. A obra retrata dois amigos de Renoir, Suzanne Valadon e Paul Auguste Llhote. A pintura foi descrita como uma das primeiras reversões de Renoir a um estilo de pintura mais clássico, que ele aprendeu copiando pinturas no Louvre, porém mantendo a paleta brilhante de seus colegas impressionistas.


Esse blog possui um artigo sobre Paul Durand-Ruel, o inventor do Impressionismo. Clique sobre esse link para ver:



Esse blog possui mais artigos sobre Pierre-Auguste Renoir. Clique sobre os links abaixo para ver:







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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

John Pizzarelli - The Girl From Ipanema



John Pizzarelli - The Girl from Ipanema

"Garota de Ipanema" foi composta em 1962 por Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim. Em 19 de março de 1963 foi lançada pela Verve Records e no ano seguinte, saiu no LP Getz/Gilberto, interpretada por Astrud Gilberto em conjunto com João Gilberto e Stan Getz, com a participação de Tom Jobim ao piano. A letra de Vinicius, foi inspirada em Helô Pinheiro, que passava frequentemente em frente ao Bar Veloso (hoje Garota de Ipanema), em Ipanema. Tom e Vinicius frequentavam assiduamente o bar, que dispunha de pequenas mesas na calçada. A Garota de Ipanema, Heloísa, morava perto e somente dois anos e meio depois, ficou sabendo que era a inspiração da canção. A versão em inglês desta canção é "The Girl from Ipanema", com letra escrita por Norman Gimbel em 1963. Já foi cantada por Frank Sinatra, Cher, Mariza, Madonna, Sepultura, Amy Winehouse e vários outros artistas.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da bossa nova.

John Pizzarelli, Jr. (6 de Abril de 1960) é um guitarrista, vocalista e compositor norte-americano de jazz nascido em Paterson, Nova Jersey. Ele é casado com a cantora Jessica Molaskey e é filho de Bucky Pizzarelli, lendário guitarrista de jazz. As influências da música brasileira, principalmente da bossa nova, são flagrantes no trabalho de John Pizzarelli. O artista já gravou dois álbuns inteiramente dedicados à música brasileira: Brazil (na verdade, um álbum de Rosemary Clooney em que ele toca e canta 4 canções), em 2000 e Bossa Nova, em 2004. O artista teria tido seu primeiro contato com a música brasileira, em 1981, ao ouvir no rádio de seu carro a canção Besame Mucho interpretada por João Gilberto. A forma de tocar de Gilberto o teria impressionado tanto que ele teria comprado o LP Amoroso/Brasil e aprendido a tocar todas as canções nele contidas.


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domingo, 6 de novembro de 2016

Frans Post e suas pinturas do Brasil

Frans Post – Vista de Olinda, Brasil, 1662 – óleo sobre tela - Rijksmuseum


Frans Post e suas pinturas do Brasil


Logo após a criação da Companhia das Índias Ocidentais (1621), a República Holandesa tentou conquistar porções do Brasil dos portugueses. O Brasil foi a maior região produtora de açúcar do mundo. Centenas de plantações de açúcar operavam ali usando escravos de Angola. Eventualmente os holandeses derrotaram os portugueses em 1630. A chegada de Johan Maurits de Nassau-Siegen em 1637 como o regulador da colônia destinou-se estabilizar a situação e expandir os territórios holandeses.


Frans Post - Vista da Ilha de Itamaracá, Brasil, 1637 - óleo sobre tela - 63,5 × 89,5 cm - Rijksmuseum

Esta é a primeira pintura conhecida de Post, feita em 3 de novembro de 1637. Inicialmente Johan Maurits queria construir a nova capital na ilha de Itamaracá. Os dois homens e seus escravos em primeiro plano provavelmente estão explorando a ilha. Na colina sobre a água está Schoppestad, e à direita, Fort Oranje, que ainda pode ser visitado hoje.


Johan Maurits pensou grande. Seu lema era "Até onde o mundo se estende", uma ambição ilustrada pelos projetos realizados durante sua estada de sete anos. Fortes, pontes, casas e palácios foram construídos. Mauritsstad tornou-se a nova capital. Os holandeses tomaram o controle do comércio de escravos africanos. A seu pedido, cientistas e artistas como Frans Post registraram as maravilhas da natureza da nova colônia. Eles documentaram rapidamente a flora, fauna e habitantes nativos. A arte produzida indiretamente prestou homenagem a Johan Maurits.


Frans Post - Vista do Rio São Francisco Brasil com Fort Maurits e uma capivara, 1639 - Musée du Louvre, Paris


Em 1636, o artista de Haarlem Frans Post (1612-1680) viajou para a colônia holandesa do Brasil na comitiva do governador Johan Maurits de Nassau-Siegen, que tinha sido encarregado de assegurar a nova colônia e torná-la ainda mais lucrativa, aumentando o número de plantações de açúcar. O governador levou consigo um grupo de artistas e cientistas, entre eles Frans Post, para registrar a paisagem, os habitantes e a flora e fauna. Durante sete anos a flora e fauna brasileira inspiraram muitas de suas obras de arte. O país continuou a inspirar Post quando voltou aos Países Baixos em 1644, e continuou a pintar paisagens brasileiras, que se venderam muito bem.


Frans Post - Vila Brasileira, 1675-1680 - óleo sobre madeira - 20,5 × 26,5 cm - Rijksmuseum

A província de Pernambuco, que os holandeses capturaram dos portugueses, era o lar de muitos grupos étnicos diferentes. Em primeiro plano está uma família índia. Mais atrás um casal holandês passeia em direção à varanda. E de pé no parapeito da varanda está uma mulher portuguesa com véu e um escravo com uma cesta na cabeça.


O Rijksmuseum, em Amsterdam, Holanda, expôs as paisagens brasileiras e seus esboços preliminares dessas obras de Frans Post, além de dúzias de bichos empalhados, em empréstimo especial do Naturalis Biodiversity Center, em Leiden em 2016. Além disso, trinta e quatro desenhos de animais feitos por Post fazem sua primeira aparição pública. Estes estudos completamente desconhecidos foram recentemente descobertos no Noord-Hollands Archief em Haarlem. Com uma retrospectiva de seis pinturas, esboços preliminares, um mapa de parede e animais reais (empalhados), o Rijksmuseum mostrou como Frans Post encontrou e imortalizou este novo mundo fascinante, com empréstimos do Louvre, Paris, Museu Boijmans Van Beuningen, Roterdã, e da Fundação Estudar, São Paulo.


Frans Post – Jaguar, c. 1638-43 - aquarela e guache, com caneta e tinta preta, sobre grafite - Noord-Hollands Archief, Haarlem


Um empréstimo especial veio do Noord-Hollands Archief, uma coleção pública em Haarlem. No decurso de um projeto de digitalização, o curador da coleção de imagens, Alexander de Bruin, encontrou trinta e quatro desenhos completamente desconhecidos de Frans Post. Sempre se suspeitou que a flora e fauna nativa retratada nas pinturas de Post tenham sido baseadas em desenhos originais feitos no Brasil. Até agora, entretanto, não se conhecia um único estudo de animal ou planta feito por ele. Os estudos de animais fornecem o elo perdido entre a aventura brasileira de sete anos de Post e as pinturas que ele produziu em seu retorno a Haarlem.


Frans Post - Moustached Guenon, c. 1638-1644 - aquarela e guache, com caneta e tinta preta, sobre grafite - inscrição traduzida: Um macaco de nariz azul de Angola, um metro e meio de grande porte, está muito irritado e malicioso - Noord-Hollands Archief, Haarlem


Invasões holandesas é o nome normalmente dado ao projeto de ocupação da Região Nordeste do Brasil pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.) durante o século XVII. As invasões holandesas foram o maior conflito político-militar da colônia. Embora concentradas no atual Nordeste, não se resumiram a um episódio regional. As invasões holandesas do Brasil aconteceram entre 1624 e 1654 (quando ocorreu a Insurreição Pernambucana), sendo a Administração de Maurício de Nassau entre 1637-1644.


Frans Post – Paisagem no Rio Senhor de Engenho, Brazil, 1670-1680 – óleo sobre madeira- 22.5 × 28 cm - Rijksmuseum

Esta pintura é parte de uma série de paisagens que Frans Post pintou em seu retorno à Holanda em 1644. A figura em primeiro plano que carrega uma cesta em sua cabeça recorre regularmente em seu trabalho.


João Maurício de Nassau-Siegen (Johan Maurits van Nassau-Siegen - Dillenburg, 17 de Junho de 1604 – Cleves, 20 de Dezembro de 1679), cognominado "o Brasileiro", foi conde e (após 1674) príncipe de Nassau-Siegen, um Estado do Sacro Império Romano-Germânico e mais tarde da Confederação Germânica, localizado nas cercanias das cidades de Wiesbaden e Coblença.

Frans Post (Leyden, 1612 — Haarlem, 1680), foi um gravador, pintor e desenhista. Ele era filho de Jan Jansz Post, um pintor de vidros de Leiden e irmão mais novo de Pieter Post, pintor e arquiteto. Ele trabalhou no estúdio de seu irmão Pieter antes de 1636, quando este o recomendou a Johan Maurits van Nassau, governador geral da colônia holandesa de curta duração no Brasil. Frans Post acompanhou Van Nassau ao Brasil, onde permaneceu por sete anos. De volta à Holanda, ele se instalou em Haarlem, onde se juntou à guilda de St Luke. Suas exóticas paisagens brasileiras se tornaram famosas e bem vendidas.


Frans Post - Paisagem no Brasil, 1652 - óleo sobre tela - 282,5 × 210,5 cm - Rijksmuseum

Esta é a maior pintura de Post. Caracteriza uma paisagem larga de rio com uma plantação distante de açúcar, vislumbrada como se vista através de uma "janela". Um pássaro de costas manchadas está ilusionisticamente pintado como se empoleirado na moldura, e o artista igualmente retratou um gafanhoto e uma iguana escondidos entre as plantas e os frutos exóticos brasileiros.


Esse blog possui um artigo sobre o Museu Mauritshuis, a Casa de Mauricio de Nassau. Clique sobre esse link para ver:

http://www.arteeblog.com/2016/03/serie-museus-mauritshuis.html 


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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ilustrações do mês de Novembro

Eugène Grasset - "La Belle Jardiniere – Novembre", 1896 – ilustração


Ilustrações do mês de Novembro


O artista gráfico suíço Eugène Samuel Grasset (1845-1917) foi uma das principais figuras do movimento Art Nouveau em Paris. Mais conhecido por seus cartazes emblemáticos e suas contribuições para design gráfico - um itálico que ele criou, em 1898, ainda é usado por designers de todo o mundo - Grasset também criou móveis, cerâmicas, tapeçarias, e selos postais. Em 1894, Grasset recebeu uma encomenda da loja de departamentos francesa La Belle Jardinière para criar doze obras de arte originais, a serem utilizadas como um calendário. Graciosas xilogravuras retratando belas moças em trajes de época e jardins que mudam com as estações do ano foram produzidas, com espaços vazios para as datas do calendário, em um portfólio de obras de arte chamado Les Mois (Os meses) pela editora Paris G. de Malherbe em 1896.


Alphons Mucha - "Novembre", 1899 - ilustração

Os Meses (1899): esta série de medalhões foi usada ​​para ilustrar a capa da revista Le Mois Littéraire antes de eles serem reproduzidos como cartões postais. Cada medalhão apresenta uma figura feminina posando contra um fundo natural, característico do mês representado.

Alfons Maria Mucha - (Ivančice, 24 de julho de 1860 — Praga, 14 de julho de 1939) foi um pintor, ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os cartazes para os espetáculos de Sarah Bernhardt realizados na França, de 1894 a 1900, e uma série chamada Epopeia Eslava, elaborada entre 1912 e 1930.


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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Análise de “Woman Reading a Letter” de Johannes Vermeer

Johannes Vermeer - Woman Reading a Letter, c. 1663 – óleo sobre tela – 46,5 x 39 cm – Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda


Análise de “Woman Reading a Letter” de Johannes Vermeer


Esta pintura (“Mulher Lendo uma Carta”) é um dos retratos mais cativantes da Vermeer, do mundo privado de uma jovem mulher. Apreciando um momento quieto, a jovem está absorvida na leitura de uma carta na luz da manhã. Ela ainda está vestindo a jaqueta de noite azul. Todas as cores na composição são secundárias ao seu radiante azul obtido com pó de pedra “lápis lázuli”. Vermeer registrou os efeitos de luz com precisão extraordinária. Particularmente inovadora é a sua representação da pele da mulher em cinza pálido, e também as sombras na parede, usando luz azul.

A cena quieta de Vermeer é ao mesmo tempo familiar e enigmática. A composição é tão meticulosamente ordenada, que cada elemento contribui para o humor reflexivo da personagem em seu centro. De pé, imóvel em uma mesa diante de uma janela invisível, ela lê atentamente a página de uma carta, possivelmente uma mensagem preciosa de um amante. Sobre a mesa, uma segunda página da missiva cobre parcialmente um colar de grandes pérolas em uma fita azul, talvez recém removido da caixa de joias aberta nas proximidades.

A luz suave da manhã reflete os grandes pregos de latão que decoram as cadeiras espanholas, que têm florões de cabeça de leões, bem como as pequenas tachas ao longo da borda do assento. Em uma demonstração magistral de comando e manipulação de efeitos ópticos de Vermeer, as cadeiras e o mapa ferroviário lançam sombras azuladas na parede, mas a própria mulher, não. De acordo com a atmosfera delicada do interior, ele suavizou a topografia representada no grande mapa da Holanda e West Friesland para tons de ocre, tonalidades que sugerem seu estado interno complexo.

Embora o conteúdo da correspondência seja um mistério, a cabeça inclinada da mulher e os lábios entreabertos transmitem uma sensação de suspense. O significado da silhueta arredondada da mulher leva a muitos debates desde o final do século 19. Para alguns espectadores, sua forma sugere a gravidez, o que teria sido um tema atípico para o período. Como visto em outras pinturas de Vermeer e seus contemporâneos, a forma cônica, em grande moda em meados da década de 1660, foi alcançada vestindo uma jaqueta em Evasê sobre uma saia grossa virada na cintura.

Essa pintura é uma das representações mais enigmáticas de Vermeer de um novo tema na pintura de gênero holandesa (assuntos da vida cotidiana): mulheres em ambientes domésticos, muitas vezes tão preocupadas que se esquecem do olhar do espectador, em ambientes íntimos, na década de 1660.


Johannes Vermeer (Delft, 31 de Outubro de 1632 - Delft, 15 de Dezembro de 1675), também conhecido como Vermeer de Delft ou Johannes van der Meer, é o segundo pintor holandês mais famoso e importante do século XVII (um período que é conhecido por Idade de Ouro Holandesa, devido às espantosas conquistas culturais e artísticas do país nessa época), depois de Rembrandt. Os seus quadros são admirados por suas cores, composições inteligentes e brilhante uso da luz. Era filho de um comerciante de artes. Casou-se em 1653 com Catharina Bolenes e teve 15 filhos, dos quais morreram 4 em tenra idade. No mesmo ano juntou-se à guilda de pintores de Saint Lucas. Mais tarde, em 1662 e 1669, foi escolhido para presidir a guilda. Sabe-se que vivia com magros rendimentos como comerciante de arte, e não pela venda dos seus quadros. Só alcançou fama póstuma no século XIX. Conhecem-se hoje muito poucos quadros de Vermeer. Só sobrevivem 35 a 40 trabalhos atribuídos ao pintor.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A história de “A Princesa Eugénie cercada por suas Damas de Companhia” de Franz-Xaver Winterhalter

Franz-Xaver Winterhalter – The Empress Eugénie surrounded by her Ladies in Waiting, 1855 – óleo sobre tela – 300 x 420 cm - Compiègne, Musée National du Château, França


A história de “A Princesa Eugénie cercada por suas Damas de Companhia” de Franz-Xaver Winterhalter


Franz-Xaver Winterhalter foi o pintor favorito da imperatriz Eugénie. Provavelmente ela usou sua própria fortuna pessoal para pagar por este famoso retrato. Exibido no Palácio Fontainebleau durante o Segundo Império, a obra foi finalmente dada à imperatriz em 1881, quando foi pendurada na entrada de sua residência em Farnborough Hill. Winterhalter era um retratista das cortes reais da Europa, e era o pintor oficial da dinastia Orleans antes de 1848, sendo o retratista preferido da família imperial francesa. A soberana (nascida Eugenie de Montijo e que por sua beleza esposou Napoleão III em 1853), é representada aqui no início de seu reinado, no meio de suas Damas de Companhia.

Inspirada em cenas bucólicas do século 18, esta composição monumental retrata a soberana e sua comitiva contra o pano de fundo de uma clareira sombreada em uma floresta. A composição é bastante artificial e formal. A imperatriz, ligeiramente à esquerda do centro, domina e é cercada pelo grupo. À sua direita está a Princesse d'Essling, líder das damas, a quem ela está oferecendo algumas madressilvas. À sua esquerda, está a Duchesse de Bassano, matrona da honra. Diante dela, sentam-se a Baronne de Pierres e a Vicomtesse de Lezay-Marnésia. No primeiro plano está a Comtesse de Montebello. À direita estão três outras damas de honra: a Baronne de Malaret, a Marquise de Las Marismas e a Marquise de la Tour-Maubourg.

Em flagrante contraste com o ambiente rústico, as Damas de Companhia rivalizam em vestimentas de luxo. Cada uma está vestindo seu melhor vestido de baile, dando assim ao pintor um pretexto para uma exibição virtuosa da pintura de tecidos, mesmo em detrimento das semelhanças. Na verdade, o verdadeiro tema desta glorificação da crinolina é a seda, tule, musseline, tafetá, rendas e fitas. Apenas a simplicidade das joias parece corresponder à configuração pastoral.

A obra é particularmente reveladora no que diz respeito ao extremo requinte típico da Corte. Esta mesma pompa foi exibida na abertura da Exposição Universal de Paris de 1855, a primeira grande manifestação oficial do regime imperial e uma etapa importante em termos de reconhecimento internacional do regime. Esta pintura foi exibida naquela ocasião no Salon d'Honneur, e (apesar do censor oficial) foi discretamente ridicularizada pela imprensa especializada de arte. Apesar do desprezo crítico, a pintura foi e ainda é um enorme sucesso de público.

Esta evocação de prestígio da segunda França imperial sublinha o encanto brilhante da corte de Napoleão III, o que contrasta com os anos maçantes do reinado de burguês Louis-Philippe. Nas Tuileries, Fontainebleau ou Compiegne, a vida luxuosa da corte do Segundo Império é o sinal tangível da aparente força do novo regime e de uma prosperidade econômica sem precedentes, celebrada pela primeira Exposição Mundial, realizada em Paris em 1855.


Etienne Billet (1821-1888) - Portrait of the Empress Eugénie – óleo sobre tela - Musée de la Marine et de l'Economie de Marseille, França


Eugénia de Montijo, nascida Maria Eugênia Ignácia Augustina de Palafox-Portocarrero de Guzmán y Kirkpatrick (Granada, 5 de Maio de 1826 - Madrid, 11 de Julho de 1920), foi marquesa de Ardales, marquesa de Moya, a 19ª Condessa de Teba, condessa de Montijo e, como esposa de Napoleão III, foi imperatriz dos Franceses. Após a morte do pai, em 1839 Eugênia se mudou, juntamente com sua mãe, para Paris, onde passou a frequentar as festas da alta sociedade, sendo cortejada por Carlos Luis Napoleão Bonaparte, o futuro Napoleão III da França. Conta-se que Eugénia era extraordinariamente bela, e que seus cabelos muito longos eram de um castanho incomum. Diz-se que, um dia, em uma conversa mais íntima ao pé do ouvido, Napoleão III lhe perguntou "qual é o caminho mais curto para seus aposentos", e ela respondeu: "pela capela, meu senhor, pela capela". Casaram-se em Paris no dia 19 de janeiro de 1853, e Eugênia ousou ser uma das primeiras noivas a casar-se de branco, seguindo o exemplo da rainha Vitória da Inglaterra, em uma época em que as noivas se casavam de azul, verde e até de vermelho.

Dizem (sem comprovação) que a imperatriz, que detestava o desconforto produzido pelas 9 anáguas engomadas que eram usadas para armar as saias na corte, decidiu substituí-las. Havia uma fábrica de espetos, em processo de falência, chamada Peugeot. Em um dia de julho de 1854 a fábrica recebeu a ilustre visita da imperatriz que lhes trouxe um desenho seu de uma espécie de gaiola feita de finíssimos aros de arame de aço e que, desde então, tornaria a indumentária feminina muito mais leve e mais arejada, a crinolina. A Peugeot foi salva da falência (após 1870 ela passou a produzir guarda-chuvas, depois bicicletas até chegar aos automóveis), a França tornou-se líder mundial inconteste no universo da moda e o nome da bela Eugênia passou a estar associado, para todo o sempre, às “maisons” de alta costura. Após a queda do 2º Império foi juntamente com o marido para o exílio na Inglaterra e quando este morreu em Chislehurst, Kent no dia 9 de novembro de 1873, passou a residir em Biarritz onde nos tempos de imperatriz costumava passar o verão e depois no Palácio de Liria e no de Dueñas em Sevilha.

Franz Xaver Winterhalter (20 de Abril de 1805 - 08 de Julho de 1873) foi um pintor e litógrafo alemão, conhecido por seus retratos de realeza em meados do século XIX. Era um retratista em moda nas cortes da Europa. Entre suas obras mais conhecidas estão os retratos que fez de Isabel da Áustria, conhecida como "Sissi da Áustria e Hungria".



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terça-feira, 25 de outubro de 2016

A história da pintura "At the Lapin Agile" de Pablo Picasso

Pablo Picasso - At the Lapin Agile, 1905 - óleo sobre tela – 99,1 x 100,3 cm - The Metropolitan Museum of Art, New York


A história da pintura "At the Lapin Agile" de Pablo Picasso


Neste celebrado trabalho (agora um ícone da vida boêmia em Paris na virada do século passado), Picasso retratou a si mesmo vestido como um arlequim. Ele está acompanhado por sua amante recente, Germaine Pichot. Anteriormente, ela havia sido a obsessão fatal do grande amigo de Picasso, Casagemas, que cometeu suicídio em 1901. A pintura foi encomendada por Frédé Gérard (visto tocando violão no fundo da tela) para o seu cabaré de Montmartre, Le Lapin Agile, onde ficou sendo o único trabalho de Picasso em exibição permanente em Paris de 1905 até 1912, quando foi vendido a um colecionador alemão.


Pablo Picasso - Portrait de Germaine Pichot, 1902 - óleo sobre tela - 50.2 x 41.6 cm – Coleção particular


O local foi originalmente chamado de "Cabaret des Assassins". A tradição conta que o cabaré recebeu este nome porque um bando de assassinos invadiu e matou o filho do proprietário. O cabaret já existia há mais de 20 anos quando, em 1875, o artista André Gill pintou a placa que viria a sugerir seu nome permanente. Era uma foto de um coelho saltando de uma panela, e os moradores do bairro começaram a chamar o night-club de "Le Lapin a Gill", "O Coelho de Gill".







Picasso chegou em Paris, em 1900, acompanhado pelos amigos Pallares e Casagemas para ver o trabalho “Ciência e Caridade” na Exposição Universal. Eles aproveitaram para visitar o Louvre, o Museu de Luxemburgo, para ver obras de Cézanne e Gauguin, e aproveitar os bailes populares famosos do Moulin de la Galette, uma localidade com muita história, sendo o tema de pinturas de Corot, Renoir, Van Gogh, Utrillo Bonnard e Toulouse-Lautrec.




Visitaram as galerias de arte, tais como a de Berthe Weill onde eles conheceram Manyac, um negociante de arte que procurava obras de arte para ela. Manyac se interessou pelo trabalho de Picasso e propôs a compra de várias telas além de assumir o controle de seus interesses, de modo que em breve ele estava vendendo obras de Picasso a Berthe Weill, que no mesmo dia as revendeu para Adolphe Brisson, um crítico literário dos Temps.


Pablo Picasso - Les Deux Saltimbanques (Arlequin et sa Compagne), 1901 – óleo sobre tela – Coleção particular


Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou simplesmente Pablo Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), foi um pintor, escultor e desenhista espanhol. Foi reconhecidamente um dos mestres da arte do século XX. É considerado um dos artistas mais famosos e versáteis de todo o mundo, tendo criado mais de 20.000 trabalhos, não somente pinturas, mas também esculturas, cerâmica, gravura, desenho, cenários de teatro, usando, todos os tipos de materiais. Ele também é conhecido como um dos fundadores do Cubismo.


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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Análise de René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus)

René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus), 1927 – óleo sobre tela – 49,5 x 65,5 cm – Coleção particular


Análise de René Magritte - Faraway Looks (Les regards perdus) 


Em muitas obras de Magritte é emblemático de muitas maneiras, que rostos ou a ausência deles desempenhem um papel crucial na construção da peça. Magritte tinha o hábito de repetir muitos dos mesmos objetos em novas situações e também de explorar o potencial de uma cena como um todo, executando variações sobre ela. Nesta pintura há uma mulher representada como mais velha e também como mais nova. É como se fossem duas mulheres. Uma que existe apenas na parte de trás da cabeça da mulher mais velha, que também existe apenas em parte como um amor que nunca foi plenamente realizado. Ou outra possível interpretação é a de uma cabeça masculina e uma feminina, simbolizando um amor não realizado, ou terminado entre um casal.

René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.


René Magritte


Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.

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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

José Ferraz de Almeida Júnior, sua arte e sua história

José Ferraz de Almeida Júnior – Leitura, 1892 – óleo sobre tela - 95 × 141 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


José Ferraz de Almeida Júnior, sua arte e sua história


José Ferraz de Almeida Júnior (Itu, 8 de Maio de 1850 — Piracicaba, 13 de Novembro de 1899), foi um pintor e desenhista brasileiro da segunda metade do século XIX. É apontado como precursor da abordagem de temática regionalista, introduzindo assuntos até então inéditos na produção acadêmica brasileira, como um amplo destaque conferido a personagens simples e anônimos e a fidedignidade com que retratou a cultura caipira, suprimindo a monumentalidade em voga no ensino artístico oficial em favor de um naturalismo.


José Ferraz de Almeida Júnior – Arredores do Louvre, 1880 – óleo sobre tela - 36 × 54 cm – Coleção do Automóvel Clube de São Paulo


Em 1869 Almeida Júnior estava inscrito na Academia Imperial de Belas-Artes, aluno de Julio Le Chevrel (c.1810 – 1872) e de Vítor Meireles (1832 - 1903). Durante o curso, parece ter sido a principal diversão dos colegas, com seu jeito de caipira, seu linguajar matuto, as roupas de roceiro. Quando terminou o curso, Almeida Júnior, ao invés de tentar concorrer ao prêmio de viagem à Europa, preferiu retornar a Itu, onde abriu ateliê, onde fazia retratos e lecionava desenho. O acaso, porém, fez com que um de seus retratos fosse apreciado pelo Imperador Pedro II, durante uma viagem que realizou em 1875 à Província de São Paulo. Foi chamado à presença do soberano, que já o conhecia da Academia que lhe perguntou por que não ia aperfeiçoar-se na Europa, oferecendo-se logo em seguida para lhe custear pessoalmente a viagem.  


José Ferraz de Almeida Júnior – O Derrubador Brasileiro, 1879 - óleo sobre tela - 227 × 182 cm - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro


José Ferraz de Almeida Júnior – O descanso do modelo, 1882 – óleo sobre tela - 98 × 131 cm - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro


Em 23 de Março do ano seguinte, um decreto da Mordomia da Casa Imperial abriu crédito de 300 francos mensais para que Almeida Júnior fosse estudar em Paris ou Roma. Em 4 de Novembro de 1876, o artista seguiu com destino à França, e um mês depois já estava matriculado na Escola Superior de Belas Artes, em Paris, como aluno do célebre Cabanel (1823 - 1889). Almeida Júnior participou de quatro edições do Salon de Paris, entre 1879 e 1882. É desse período que datam algumas de suas maiores obras-primas, como “O Derrubador Brasileiro” (Salon de 1880), “A Fuga para o Egito” (Salon de 1881) e “O Descanso do Modelo” (Salon de 1882). Outras obras emblemáticas do período francês do pintor são “Arredores de Paris” e “Arredores do Louvre”.



José Ferraz de Almeida Júnior – Cena de Família de Adolfo Augusto Pinto, 1891 – óleo sobre tela – 106 x 137 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


De volta ao Brasil em 1882, Almeida Júnior realizou sua primeira mostra individual na Academia Imperial de Belas Artes, exibindo sua produção parisiense. No ano seguinte, abriu seu ateliê na rua da Glória, em São Paulo, onde contribuiu para a formação de novas gerações de pintores, dentre os quais, Pedro Alexandrino. Em São Paulo, Almeida Júnior promoveu vernissages exclusivas para a imprensa e potenciais compradores. Executou retratos de barões do café, de professores da Faculdade de Direito de São Paulo e de partidários do movimento republicano, além de paisagens e pinturas de gênero. Sua atuação como artista consagrado em São Paulo contribuiu decisivamente para o amadurecimento artístico da capital paulista.


José Ferraz de Almeida Júnior – Caipiras negaceando, 1888 – óleo sobre tela - 280 × 215 cm - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro


Na última década de sua vida, Almeida Júnior realizou o conjunto de telas de temática regionalista pelo qual viria conquistar definitivamente seu lugar na história da arte brasileira, quando não hesitou em retratar o caipira em seu ambiente pobre e simples, em sua vida calma e triste, sem nunca o ridicularizar ou transformá-lo em personagem pitoresco. Com as inovações introduzidas nessas telas, começando pela temática, e com a luminosidade solar presente no clareamento da paleta e a gestualidade mais livre, Almeida Júnior não abandonou as lições de desenho e composição geométrica de sua formação acadêmica.


José Ferraz de Almeida Júnior – Caipira Picando Fumo, 1893 – óleo sobre tela – 202 x 141 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


José Ferraz de Almeida Júnior – O Violeiro, 1899 – óleo sobre tela - 141 × 172 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


Os personagens do pintor são gente de carne e osso, que conheceu pessoalmente. O modelo para “Picando Fumo” era um tipo popular de Itu, Quatro Paus, e a mulher que aparece escutando “O Violeiro” era figura notória da cidade, misto de enfermeira e dançarina num cabaré local.



José Ferraz de Almeida Júnior – A Noiva, 1886 – óleo sobre tela – 64 x 50 cm


 José Ferraz de Almeida Júnior - A Leitora (Moça com livro), 1879 – óleo sobre tela - 50 × 61 cm - Museu de Arte de São Paulo, São Paulo


A modelo que foi sua grande inspiração foi Maria Laura, retratada em “A Noiva” de 1886, “A Pintura” de 1892, “Leitura” de 1892, e talvez também em “O Importuno” de 1898, em “Saudades” de 1899, ou em “Repouso”. Almeida Júnior era um homem tímido e retraído, porém paradoxalmente ousado, afrontando a tudo e a todos, em se tratando de seu amor por Maria Laura, sua grande paixão e o motivo de sua trágica morte, em 13 de Novembro de 1899, quando o artista caiu apunhalado, diante do Hotel Central de Piracicaba, por José de Almeida Sampaio, seu primo e marido de Maria Laura, quando este acabara de descobrir a ligação amorosa que existia, havia longos anos, entre a mulher e o pintor.


José Ferraz de Almeida Júnior – O importuno, 1898 – óleo sobre tela – 145 x 97 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


José Ferraz de Almeida Júnior – Saudade, 1899 – óleo sobre tela - 197 × 101 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


Almeida Júnior foi um precursor no panorama da pintura nacional, em sua obra, que abrange pinturas históricas, religiosas e de gênero, retratos e paisagens. Sua produção, não muito extensa, é valiosa do ponto de vista estético, histórico e social, nela se misturando influências românticas, realistas e até mesmo pré-impressionistas.


José Ferraz de Almeida Júnior – Partida da Monção, 1897 – óleo sobre tela – 390 x 640 cm - Acervo do Museu Paulista, São Paulo


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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A história de “As Três Graças” de Antonio Canova

Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - 173 x 97 x 75 cm - Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia


A história de “As Três Graças” de Antonio Canova


“As Três Graças” é uma escultura neoclássica, em mármore, das personagens mitológicas “Três Cárites”, filhas de Zeus. Em algumas gravuras da estátua, elas foram identificadas como (da esquerda para a direita) Euphrosyne, Aglaia e Thalia. Euphrosyne representa a alegria, Thalia, a juventude e beleza e Aglaia, a elegância. Na mitologia, as Graças atuavam em banquetes e reuniões, principalmente para entreter e encantar os convidados dos deuses. Elas sempre foram figuras atraentes para artistas históricos, incluindo Sandro Botticelli e Raphael. Ao contrário das composições das Graças derivadas da antiguidade, onde as figuras exteriores estão viradas para a frente e a figura central abraça suas companheiras, de costas, as figuras de Canova ficam lado a lado, e de frente umas para as outras.


Sandro Botticelli – Primavera, c. 1482 – têmpera sobre madeira – 202 x 314 cm - Uffizi Gallery, Florence

Esse blog possui um artigo sobre essa pintura de Botticelli que inclui as figuras das Três Graças. Para ver, clique sobre esse link:



Three Graces, Roma, Século II. D.C. – mármore - 123 x 100cm - Metropolitan Museum of Art, New York


Uma versão da escultura faz parte do acervo do Museu Hermitage na Russia, outra é uma propriedade conjunta dos museus Victoria and Albert Museum de Londres e das Galerias Nacionais da Escócia, onde são exibidas rotativamente.

A primeira versão foi feita para a Imperatriz Josephine, a ex-esposa de Napoleão Bonaparte. Quando ela faleceu em Maio de 1814, seu filho Eugène a herdou e seu neto Maximilian a trouxe para St. Petersburg, onde agora está exposta no Museu Hermitage. Quando essa versão ainda estava no ateliê de Canova, John Russell, o 6° Duke de Bedford a viu e ficou muito impressionado com a obra. E quando a Imperatriz Josephine faleceu, ele se ofereceu para comprar a escultura. Como ela foi destinada ao filho de Josephine, o Duque encomendou uma segunda versão, que ficou pronta em 1817 e foi instalada na residência do Duque em Woburn Abbey. Canova viajou para a Inglaterra para supervisionar a sua instalação, escolhendo que ela fosse exibida em um pedestal adaptado em um rodapé de mármore, rotativo. Esta versão é agora propriedade conjunta do Victoria and Albert Museum e das Galerias Nacionais da Escócia.


Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - 173 x 97 x 75 cm - Hermitage Museum, St. Petersburg, Russia


A versão do Hermitage é esculpida em mármore com veios e tem um pilar quadrado por trás da figura da esquerda (Eufrosina). A versão Woburn Abbey é esculpida em mármore branco e tem um pilar redondo, e a figura central (Aglaia) tem uma cintura um pouco mais larga.


Antonio Canova - The Three Graces, 1814-1817 – mármore - Victoria and Albert Museum e Galerias Nacionais da Escócia


A peça foi esculpida de um único bloco de mármore branco. Os assistentes de Canova a iniciaram, deixando para Canova a concluir e moldar a pedra para destacar a carne macia das Graças. Esta era uma marca registrada do artista, e a peça mostra uma forte lealdade ao movimento neoclássico do qual Canova é um expoente privilegiado no campo da escultura. As linhas são requintadas, refinadas e elegantes. Canova tinha retratado as Graças, numa pintura de 1799, e também realizou outros desenhos e um relevo do tema, executados por ele na mesma época. Em 1810, ele modelou um esboço de terracota que está no Musée de Lyon, França. O modelo para o mármore esculpido para a Imperatriz, foi o grupo de gesso em tamanho real, que ainda existe no Museu Canova em Possagno, Itália.

Antonio Canova (Possagno, 1 de novembro de 1757 — Veneza, 13 de outubro de 1822) foi um desenhista, pintor, antiquário e arquiteto italiano, mas é mais lembrado como escultor, desenvolvendo uma carreira longa e produtiva. Seu estilo foi fortemente inspirado na arte da Grécia Antiga. Suas obras foram comparadas por seus contemporâneos com a melhor produção da Antiguidade, e foi tido como o maior escultor europeu desde Bernini.

Canova não teve discípulos regulares, porém influenciou a escultura de toda a Europa em sua geração, atraindo inclusive artistas dos Estados Unidos, permanecendo como uma referência ao longo de todo o século XIX especialmente entre os escultores do Academismo. Com a ascensão da estética modernista caiu no esquecimento, mas sua posição prestigiosa foi restabelecida a partir de meados do século XX. Também manteve um continuado interesse na pesquisa arqueológica, foi um colecionador de antiguidades e esforçou-se por evitar que o acervo de arte italiana, antiga ou moderna, fosse disperso por outras coleções do mundo. Considerado por seus contemporâneos um modelo tanto de excelência artística como de conduta pessoal, desenvolveu importante atividade beneficente e de apoio aos jovens artistas. Foi Diretor da Accademia di San Luca em Roma e Inspetor-Geral de Antiguidades e Belas Artes dos estados papais, recebeu diversas condecorações e foi nobilitado pelo papa Pio VII com a outorga do título de Marquês de Ischia.

A produção completa de Canova é extensa. De esculturas de grande porte deixou mais de 50 bustos, 40 estátuas e mais de uma dúzia de grupos, sem falar nos monumentos fúnebres e nos inúmeros modelos em argila e gesso para obras definitivas que ainda sobrevivem, alguns dos quais nunca transferidos para o mármore, sendo assim peças únicas, e nas obras menores como as placas e medalhões em relevo, as pinturas e os desenhos. Canova cultivou uma ampla gama de temas e motivos, que juntos formam um panorama quase completo das principais emoções e princípios morais positivos do ser humano. 


Antonio Canova - The Three Graces - detalhe


Esse blog possui mais um artigo sobre Antonio Canova. Clique sobre esse link para ver:

http://www.arteeblog.com/2017/05/analise-da-escultura-de-antonio-canova.html


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