terça-feira, 20 de outubro de 2015

Análise de duas telas curiosas de Francisco Goya y Lucientes


Análise de duas telas curiosas de Francisco Goya y Lucientes


Francisco Goya y Lucientes - The Family of Infante Don Luis de Bourbon (La Familia del Infante Don Luis) – 1798 – óelo sobre tela - 248 cm x 330 cm - Fondazione Magnani Rocca, Corte de Maminao, Parma Italy


A tela contém uma cena familiar de Don Luis, tio do rei de Espanha Carlos IV em seu banimento de Arenas de San Pedro, a que estava condenado pela sua renúncia à carreira eclesiástica e posterior casamento morganático com Maria Theresa de Vallabriga. 

Em meados de Agosto de 1783 Goya se mudou para Arenas de San Pedro, a convite do Infante Don Luis, irmão mais novo de Carlos III, no exílio na cidade de Avila. O pintor manteve-se com a família até 19 de setembro para fazer inúmeros retratos individuais de membros da família. No ano seguinte, ele voltou para fazer esse retrato coletivo. Don Luis estava feliz na companhia do pintor e realmente feliz com as pinturas. O retrato de família é uma das primeiras obras-primas de Goya.

No centro da imagem estão Dona Maria Teresa de Vallabriga, esposa do Infante, sendo penteada por seu cabeleireiro. Ao lado, Don Luis de perfil, auto-absorvido com as cartas que são colocadas sobre a mesa. Atrás dele e também de perfil, seu filho, Dom Luis Maria de Borbón y Vallabriga, mais tarde cardeal e arcebispo de Toledo. Ao seu lado, a pequena Maria Teresa de Borbón y Vallabriga. Algumas senhoras da pequena côrte e o pintor em frente de seu cavalete completam este lado esquerdo da tela. O lado direito é ocupado por diferentes amigos e membros da corte de D. Luis ao lado de uma ama de leite segurando uma criança nos braços.

Goya criou uma atmosfera maravilhosa através da luz, e do ambiente descontraído como deveriam ser as noites de Don Luis. A composição é organizada através de duas diagonais que se cruzam no centro, lugar ocupado pela Dona Maria Teresa. As qualidades de tecidos e acabamentos foram representados soberbamente, abrindo as portas para Goya como o retratista mestre da Côrte.


Francisco Goya y Lucientes - Charles IV de Espanha e Sua Família (Charles IV of Spain and his family) – 1800 – óleo sobre tela - 280 cm x 336 cm – Museo Nacional del Prado, Madri


Esta é uma das pinturas mais famosas do artista. Em 1799, aos 54 anos, Goya foi nomeado Primeiro Pintor da Côrte. Foi nessa época que ele pintou “Charles IV de Espanha e Sua Família”, na primavera e verão de 1800, em Aranjuez e Madri. Goya completou esta pintura, inspirada no estilo casual da tela “Las Meninas” (1656) de Velázquez, para a família real da Espanha, cuja composição enigmática e complexa levanta questões sobre realidade e ilusão, criando uma relação incerta entre o observador e as figuras representadas e por mostrar o artista incluído na cena, pintando a tela, de frente para o espectador. Por essas complexidades, "Las Meninas" é uma das obras mais analisadas da pintura ocidental.

Esse blog possui um artigo sobre a pintura "Las Meninas" de Velázquez. Clique sobre o link abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2016/04/analise-de-las-meninas-de-diego.html

Embora os personagens da pintura estejam em poses naturais e plausíveis, estão ostensivamente vestidos com suas melhores roupas e jóias. Os críticos modernos têm muitas interpretações sobre o estilo da pintura e colocação das figuras. A obra de Goya, e a aparência dos personagens pode ser seu comentário sobre o reinado do Rei Carlos IV. Além disso, a colocação da Rainha María Luisa de Parma (1751-1818) no centro da pintura pode ser uma indicação do seu poder real.

A família real, aparentemente, está visitando o estúdio do artista, e Goya pode ser visto à esquerda olhando para o espectador. Como em "Las Meninas", o artista é mostrado trabalhando em uma tela, da qual apenas a parte traseira é visível. No entanto, a atmosfera calorosa do interior do palácio da obra de Velázquez é substituída na de Goya por um sentido de desconforto disfarçado.

Ladeando os Reis estão os seus filhos: o infante Francisco de Paula (1794-1865) e a infanta María Isabel (1789-1848). À esquerda estão o Príncipe das Astúrias e futuro Fernando VII (1784-1833) vestindo azul, o infante Carlos María de Isidro (1788-1855), que foi o segundo na sucessão ao trono, a infanta María Josefa (1744-1801), que era irmã do rei e um jovem não identificado. À direita estão o infante Antonio Pascual (1755-1817) irmão do Rei, um perfil de Carlota Joaquina (1775-1830), Rainha de Portugal e filha mais velha dos Reis e o príncipe e a princesa de Parma, a infanta María Luisa (1782-1824) segurando seu filho Carlos Luis (1799-1883) e seu marido, Luis de Bourbon, o futuro rei da Etruria.

Goya não apresenta seus modelos como ele os via. Ele os apresenta como eles viam a si mesmos. Ele registra a evidência incontestável fornecida pelos próprios modelos. Não temos nesta pintura uma imagem esteticamente condicionada para que o artista assuma total responsabilidade. O artista abdicou de sua prerrogativa tradicional, a de interpretar a realidade, reformulando-a de acordo com os ditames de seu estilo pessoal. Goya abandona a posição de um agente que transmite uma realidade idealmente transformada por meio de um ato inspirado da criação. Em vez disso, ele testemunha a existência de certos fenômenos, sem se dignar a envolver-se na interpretação significativa das verdades a que ele testemunha.

Goya é parte da pintura, em pé na parte de trás, onde ele não pode ver o tema, olhando diretamente para nós, é como se fossemos um espelho. Toda a família ali com Goya, olhando-se no espelho, enquanto Goya pinta o grupo a partir do reflexo. A composição de Goya, a maneira como ele organiza a pintura, praticamente diz: "Eu vos dou um reflexo da família de Carlos IV, e não uma interpretação idealizada". Ele está nos mostrando o que realmente está lá.


Diego Velazquez – Las Meninas – 1656 – óleo sobre tela - 318 x 276 cm - Museo del Prado, Madrid




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domingo, 18 de outubro de 2015

Ilustrações do mês de Outubro

Alphons Mucha - "Octobre"


Ilustrações do mês de Outubro


Os Meses (1899): esta série de medalhões foi usada ​​para ilustrar a capa da revista Le Mois Littéraire antes de eles serem reproduzidos como cartões postais. Cada medalhão apresenta uma figura feminina posando contra um fundo natural, característico do mês representado.
Alfons Maria Mucha - (Ivančice, 24 de julho de 1860 — Praga, 14 de julho de 1939) foi um pintor, ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os cartazes para os espetáculos de Sarah Bernhardt realizados na França, de 1894 a 1900, e uma série chamada Epopéia Eslava, elaborada entre 1912 e 1930.


"Alegoria del mes de Octubre" - Caspar Camps i Junyent – 1901


Gaspar Camps i Junyent (Igualada, 1874 - Barcelona 1942) foi um pintor, desenhista e ilustrador que participou do movimento artístico em voga no final do século XIX, o Art Nouveau da França e sua implementação na Catalunha, o modernismo catalão. De origem espanhola, Gaspar Camps passou a maior parte de sua carreira na França. Ele foi influenciado por Alphons Mucha , o artista checo vivendo em Paris, então no auge de sua carreira. Dada a influência de Mucha, incluindo seus cartazes artísticos, Gaspar Camps foi chamado de Mucha Catalan.


"La Belle Jardiniere – Octobre" - Eugène Grasset – 1896


O artista gráfico suiço Eugène Samuel Grasset (1845-1917) foi uma das principais figuras do movimento Art Nouveau em Paris. Mais conhecido por seus cartazes emblemáticos e suas contribuições para design gráfico - um itálico que ele criou, em 1898, ainda é usado por designers de todo o mundo - Grasset também criou móveis, cerâmicas, tapeçarias, e selos postais. Em 1894, Grasset recebeu uma  encomenda da loja de departamentos francesa La Belle Jardinière para criar doze obras de arte originais, a serem utilizadas como um calendário. Graciosas xilogravuras retratando belas moças em trajes de época e jardins que mudam com as estações do ano foram produzidas, com espaços vazios para as datas do calendário, em um portfolio de obras de arte chamado Les Mois (Os meses) pela editora Paris G. de Malherbe em 1896.


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sábado, 17 de outubro de 2015

A história do “Telefone Lagosta” de Salvador Dali

Salvador Dali – Telefone Lagosta – 1936 – telefone comum e lagosta em gesso - 15 × 30 × 17 cm


A história do “Telefone Lagosta” de Salvador Dali


O Telefone Lagosta (também conhecido como Telefone Afrodisíaco) é um objeto surrealista, criado por Salvador Dalí em 1936 para o poeta, marchand e mecenas de artes Inglês Edward James (1907-1984), um grande colecionador de arte surrealista. A ideia para o objeto estranho veio uma noite, quando Dali, Edward James e amigos jantavam. Eles estavam jogando suas conchas de lagosta quando uma caiu sobre um telefone. Pode-se imaginar Dali saltando por cima da mesa de jantar e exclamando: "Eureka”.

Em seu livro A Vida Secreta, Dalí escreveu provocativamente sobre sua procura por saber por que, quando ele pediu uma lagosta grelhada em um restaurante, ele nunca foi servido com um telefone fervido: “Eu não entendo por que razão, quando eu peço uma lagosta grelhada em um restaurante, eu nunca sou servido com um telefone cozido. Eu não entendo por que o champanhe é sempre gelado e por que os telefones, que são habitualmente tão terrivelmente quentes e desagradavelmente pegajosos ao toque, não são também colocados em baldes de prata com gelo picado em torno deles.”

Este é um exemplo clássico de um objeto surrealista, feito a partir de um conjunto de itens que normalmente não são associados uns com os outros, resultando em algo ao mesmo tempo brincalhão e ameaçador. Dalí acreditava que tais objetos poderiam revelar os desejos secretos do inconsciente. Lagostas e telefones tinham fortes conotações sexuais para Dalí. O telefone aparece em certos quadros do final dos anos 1930, e a lagosta aparece em desenhos e projetos, geralmente associadas ao prazer e dor erótica.

Este objeto surreal também pode ser visto como saudação de Dali a Vincent Van Gogh, o pintor do século 19, que simbolizava o artista "louco" por cortar parte de sua orelha. Dali gostava de pensar sobre si mesmo como o artista louco do século 20, proclamando: "A única diferença entre um louco e eu é que não sou louco!" Aqui, Dali criou um objeto que, como todos os objetos surrealistas, deve ser ativado no olho da mente. Imagine atender um telefone, colocando uma garra de lagosta contra seu ouvido: ela poderia facilmente cortar sua orelha fora. Desta forma, Dali produz uma homenagem moderna e surreal para Van Gogh e aos artistas "loucos" em geral.


Salvador Dali – Telefone Lagosta – 1936 – telefone comum e lagosta em gesso – versão off-white


Dalí produziu cinco exemplos da versão colorida do seu telefone. Um deles esteve na exposição itinerante Universo Dalí. Os demais estão no  Museum für Kommunikation Frankfurt, na Fundação Edward James, na Galeria Nacional da Austrália e na coleção da Tate Modern, em Londres. Dalí também produziu uma versão off-white de seu telefone. Os seis exemplos conhecidos estão no Minneapolis Institute of Arts, no Salvador Dalí Museum em St. Petersburg, Florida,  no Centro Cultural de Belém, em Portugal (e é propriedade do colecionador de arte Joe Berardo) e na Johannesburg Art Gallery (JAG) em Johannesburg, South Africa.


Veja também o artigo “Grandes Marchands e Mecenas das Artes: Edward James (René Magritte e Salvador Dali)” nesse Blog, clicando sobre:



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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Cris Delanno e Roberto Menescal - Ela é Carioca




Cris Delanno e Roberto Menescal - Ela é Carioca 
           
Cris Delanno é compositora, intérprete, cantora e musicista.  Considerada por Andy Summers (The Police) “A Maior Cantora do Mundo”, é a voz principal do grupo BossaCucaNova. Começou a cantar no Coral Infantil do Theatro Municipal do Rio de Janeiro aos 5 anos de idade, participando de óperas como La Boheme, Carmen e Tosca. Carioca, nascida no Texas, absorveu muito do estilo da música americana, integrando, como solista, um coral tipicamente negro, o African American Unity Choir. Aos 17 anos estava à frente do grupo do lendário Luiz Carlos Vinhas e já aos 18 anos conheceu Roberto Menescal, que logo viu a excelente intérprete que ela iria se tornar.Já dividiu o palco com Carlos Lyra, Roberto Menescal, Luiz Carlos Vinhas, Marcos Valle, Andy Summers (The Police), Oscar Castro Neves, BossaCucaNova, Ed Motta, Simoninha, Ivan Lins, entre outros.


Roberto Menescal nasceu em Vitória (ES), em 1937. Aos 18 anos, estreou na música profissionalmente acompanhando artistas como Silvinha Telles, Maysa, Elis Regina e outros. Já em 1958, estourou com uma brilhante carreira de compositor criando ao lado de nomes como Carlos Lyra, Tom Jobim e Ronaldo Bôscoli, a Bossa Nova. A partir daí, a “batida diferente” do seu violão afinado tornou-se mundialmente conhecida. Autor de canções como “O Barquinho”, “Você”, “Nós e o Mar”, “Bye, bye Brasil”, “Telefone” e outros clássicos, Menescal ajudou a levantar a bandeira do Brasil em todo o mundo. Enquanto nos EUA se produzia jazz, o Brasil exportava o swing da Bossa Nova. Em 1962, Menescal participou do famoso Concerto de Bossa Nova no Carnegie Hall, em New York, ao lado de nomes como Tom Jobim, Carlos Lyra, João Gilberto, dentre outros. Este Concerto significou a entrada oficial da bossa nova no exterior. Nesses mais de 50 anos de carreira, Menescal vem apresentando trabalhos de altíssima qualidade. Além de gravar com importantes nomes como Paul Winter, Toots Thielemans e Herbie Mann, e orquestrar discos de inúmeros artistas, como Maysa, Silvinha Telles, Lúcio Alves, Caetano Veloso, João Bosco e Alcione, desenvolveu trabalhos como produtor de discos com Elis Regina, com quem trabalhou também como músico e arranjador, Leila Pinheiro, Emílio Santiago, Nara Leão, Joana, Ivan Lins e outros artistas.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

10 Pinturas sobre Professores

Pierre-Auguste Renoir - The Piano Lesson – 1889 – óleo sobre tela - Joslyn Art Museum - Omaha, NE


10 Pinturas sobre Professores


Jan Steen (1626-1679) - Drawing Lesson – óleo sobre tela


Johannes Vermeer - The Music Lesson - c. 1662-c.1665 – óleo sobre tela -  64.5 x 73.3 cm - Royal Collection, Windsor Castle, London, UK



Lord Frederic Leighton - The Music Lesson, 1877 – óleo sobre tela - 93 × 95 cm - Guildhall Art Gallery


Carl Larsson - The First Lesson – 1903 – óleo sobre tela


Nikolay Bogdanov-Belsky - Children in a Class – 1918 – óleo sobre tela


Gustave Caillebotte - The Piano Lesson – 1881 – óleo sobre tela - Musée Marmottan, Paris, France


Jan Steen - School Teacher - c. 1668 – óleo sobre tela


Norman Rockwell - Happy Birthday, Miss Jones, 1956 – óleo sobre tela – coleção de George Lucas

Feliz Aniversário, Miss Jones, apareceu na capa do The Saturday Evening Post publicado em 17 de março de 1956. Esta pintura foi a 289ª de Rockwell em um total de 322 pinturas que foram publicadas na capa do Saturday Evening Post. A carreira de Rockwell com o Post durou 47 anos, desde sua primeira ilustração de capa, Boy With Baby Carriage em 1916, até o último, Retrato de John F. Kennedy, em 1963. O óleo sobre tela original faz parte da coleção do cineasta George Lucas.

Esse blog possui um artigo sobre a coleção de George Lucas das pinturas de Norman Rockwell. Clique sobre o link abaixo para ver:

https://www.arteeblog.com/2015/06/serie-arteeblog-arte-e-cinema-norman.html



Albert Anker - The School Exam – 1862 – óleo sobre tela


Edgar Degas - Ballet School – 1873 – óleo sobre tela


Bonus:


 Rembrandt - A Scholar - 1631 – óleo sobre tela - 104.5 x 92 cm – coleção particular


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

5 Pinturas de Bares por Édouard Manet

Édouard Manet - A Bar at the Folies-Bergère – 1882 – óleo sobre tela - 96 x 130 cm - Courtauld Institute of Art, London, UK


5 Pinturas de Bares por Édouard Manet


Um Bar em Folies-Bergère (Un bar aux Folies-Bergère) retrata uma cena do café-concerto Folies-Bèrgere, em Paris. Este é um retrato incomum porque é de alguém no trabalho, e alguém que aos nossos olhos é definida por seu trabalho e é profundamente infeliz com ele. Ela é alienada de seu entorno, como se houvesse um painel de vidro entre ela e todos os outros no salão: os bebedores, tagarelas, amantes, mentirosos, ladrões e empresários. A modelo da moça da pintura era Suzon, de acordo com as recordações de amigos de Manet: uma jovem que trabalhava no Folies-Bergère, um dos grandes cafés-concertos parisienses,  uma espécie de salão de cerveja com música, atos de circo e outros entretenimentos.
Esta não é uma pintura realista do Folies-Bergère. Suzon trabalhava lá, mas ela posou para a pintura no ateliê de Manet, atrás de uma mesa cheia de garrafas. Ele fundiu esta imagem com esboços pintados rapidamente no Folies-Bergère. Não há nenhuma tentativa de tornar a imagem coerente: existe, como críticos contemporâneos apontaram, uma inconsistência na relação entre os reflexos no espelho e as coisas reais. O homem de cartola se aproximando de Suzon de um modo sinistro, no canto superior direito do espelho teria de estar em pé, de costas para nós na frente do bar, e Suzon deveria estar refletida em um lugar totalmente diferente. Esta pintura é cheia de mistério, ambiguidade, dúvida. Porque o que está no espelho não pode ser um reflexo do que vemos na frente dele. As coisas estão deslocadas, o reflexo da garçonete está muito longe para a direita, quando podemos ver que o espelho é paralelo ao plano da imagem em si, há um homem na frente de seu reflexo no espelho, e não há um na "realidade" na frente dele.
O que significa a expressão da garçonete? Tristeza? Arrependimento? Mal-estar? Alienação? Ela parece inocente e ao mesmo tempo, nós não ficaríamos surpresos ao saber que a conversa no espelho entre seu reflexo e o homem de cartola diz respeito a sua disponibilidade para uma outra finalidade completamente diferente do que servir copos de vinho e vender laranjas. Ao incluir um prato de laranjas em primeiro plano, Manet identifica a garçonete como uma prostituta, de acordo com o historiador de arte Larry L. Ligo, que diz que Manet habitualmente associava laranjas com a prostituição em suas pinturas. Os numerosos elementos presentes sobre o balcão do bar, garrafas de bebidas, flores, frutas, formam uma evolução piramidal, encontrando o cume, não por acaso, nas flores que ornam o colo da servente.
Essa pintura é sobre como as coisas em um espelho são diferentes das coisas na frente dos nossos olhos, é sobre a sensação de visão e os mistérios da representação e sobre a própria pintura. Um bar no Folies-Bergère é uma versão moderna de “Las Meninas” de Velázquez (1656-7). Velazquez inclui o rei e a rainha refletidos em um espelho na parte de trás de um salão do palácio. Manet adorava Velazquez, e transferiu essa estética de reflexão para os tempos modernos, para criar um mundo que só existe em espelhos. Isso transforma o espectador em uma presença espectral, perturbadora, parte da multidão que Suzon olha com tanta desilusão.
O quadro possui a assinatura de Manet no rótulo da garrafa vermelha, no canto inferior esquerdo da tela.


Édouard Manet - At The Cafe – 1878 – óleo sobre tela - Oskar Reinhart Foundation, Winterthur, Switzerland


Muitas vezes Manet visitou o Reichshoffen Brasserie no Boulevard de Rochechourt, sobre o qual ele baseou No Café em 1878. Várias pessoas estão no bar, e uma mulher confronta o espectador, enquanto outros esperam para serem servidos. O cenário é o cabaret Reichshoffen na avenida Rochechouart. A imagem é uma de uma série de cenas semelhantes pintadas seja aqui ou na Nouvelle-Athenes. O homem de cartola é um dos modelos regulares de Manet; ele também posou para a aquarela intitulada Punchinello.



Édouard Manet - The Cafe Concert - 1878 – óleo sobre tela – 47,3 x 39,1 cm - The Walters Art Museum


Em O Café-Concerto, Manet apresenta três figuras centrais que formam um triângulo, mas estão envolvidas em direções opostas. A cena de um café-concerto deve ser casual, mas Manet sugere separação. A garçonete aprecia uma cerveja, a mulher no bar fuma um cigarro, o homem aparece à vontade e observa o desempenho do cantor conhecido como "La Belle Polonaise", refletido no espelho no fundo da pintura. Note-se que o homem evoca confiança, porque ao contrário das mulheres, os homens podiam frequentar cafés sem insegurança. As mulheres retratadas nessas cenas estavam correndo determinados riscos com relação à moralidade. A pintura foi feita e concluída em um estúdio, mas dá a aparência de ser recém-observada. A cena está situada no Cabaret de Reichshoffen no Boulevard Rochechouart, onde as mulheres à margem da sociedade estão misturadas livremente com senhores endinheirados.


Édouard Manet - Corner of a Cafe Concert - 1878-1880 – óleo sobre tela – 97,1 x 77,5 cm – National Gallery, London

Este trabalho foi originalmente a metade direita de uma pintura da Brasserie de Reichshoffen, iniciada cerca de 1878 e cortada em dois por Manet, antes de a completar. Esta metade foi então ampliada no lado direito e um fundo novo foi acrescentado. A Brasserie de Reichshoffen era no Boulevard Rochechouart, Paris. Na época, brasseries com garçonetes eram relativamente novas na cidade.


Édouard Manet - Le Bon Bock – 1873 – óleo sobre tela - 94.6 x 83.3 cm – Philadelphia Museum of Art

Nessa pintura, um homem alegre, grande e barbudo senta-se com um cachimbo na mão e um copo de cerveja na outra, olhando diretamente para o espectador. Em 1872 Edouard Manet viajou para a Holanda, e a viagem revigorou sua apreciação de longa data da pintura de gênero holandesa do século XVII. No Salão de Paris no ano seguinte, ele mostrou esta imagem de um homem que aprecia sua cerveja preta forte, cerveja de primavera. As tonalidades quentes e a manipulação viva de tinta particularmente lembram a obra de Frans Hals. A pintura foi bem recebida no Salão, onde a evocação do estilo de pintura do antigo mestre foi muito apreciada. O modelo de Manet, que suportou mais de sessenta sessões, foi um vizinho do artista chamado Bellot.


As pinturas de cenas de café de Manet são observações da vida social em Paris do século 19. As pessoas estão bebendo cerveja, escutando música, flertando, lendo, ou esperando. Muitas destas pinturas foram baseadas em esboços executados no local. Tais representações constituem a vida de um flâneur. Elas são pintadas em um estilo solto, fazendo referência a Hals e Velázquez, e ao mesmo tempo capturando o humor e sensação de vida noturna parisiense. Elas são instantâneos de boemia, trabalhadores urbanos, bem como da burguesia. Manet gostava da atmosfera de cafés e brasseries e muitas vezes ia neles para relaxar após o trabalho. Ele se encontrava com seus amigos lá, e a maior parte do conhecimento que temos de sua vida e hábitos vem das pessoas que costumavam falar com ele ou sentar-se perto dele no Café Guerbois, Tortoni de, ou no Nouvelle-Athenes.

Édouard Manet (Paris, 23 de janeiro de 1832 — Paris, 30 de abril de 1883) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX. Manet era filho de pais ricos. Ele estudou com Thomas Couture. Sua obra foi fundada sobre a oposição de luz e sombra, uma paleta restrita em que o preto era muito importante, e em pintar diretamente do modelo. O trabalho do espanhol Velázquez influenciou diretamente a sua adoção deste estilo. Manet nunca participou nas exposições dos Impressionistas, mas continuou a competir nos Salões de Paris. Seus temas não convencionais tirados da vida moderna, e sua preocupação com a liberdade do artista em lidar com tinta fez dele um importante precursor do Impressionismo. A obra de Manet se tornou famosa no Salon des Refusés, a exposição de pinturas rejeitadas pelo Salon oficial. Em 1863 e 1867, ele realizou exposições individuais. Na década de 1870, sob a influência de Monet e Renoir, ele produziu paisagens e cenas de rua inspiradas diretamente pelo impressionismo. Ele permaneceu relutante em expor com os Impressionistas, e procurou a aprovação do Salão de toda a sua vida.


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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Análise de “Dali de Trás Pintando Gala de Trás Eternizada por Seis Córneas Virtuais Provisoriamente Refletidas por Seis Espelhos Reais”, com vídeo

Salvador Dali – “Dali de Trás Pintando Gala de Trás Eternizada por Seis Córneas Virtuais Provisoriamente Refletidas por Seis Espelhos Reais” – 1973 – óleo sobre tela – 60,5 x 60,5 cm - © Salvador Dalí, Fundació Gala-Salvador Dalí, Figueres

Análise de “Dali de Trás Pintando Gala de Trás Eternizada por Seis Córneas Virtuais Provisoriamente Refletidas por Seis Espelhos Reais”, com vídeo

Esse é um trabalho estereoscópico, um exemplo das experiências que Dalí realizou na década de setenta. Através do estereoscópio, o artista desejava alcançar a terceira dimensão e obter o efeito de profundidade. Como em Las Meninas de Velazquez, o pintor também aparece em sua própria criação.
Dali explora perspectiva e observação em uma pintura sobre o ato de pintar, e sobre maneiras de ver. O artista espanhol era fascinado pela percepção e era um entusiasmado experimentador precoce de 3D.

Uma das maiores obras de Dali, essa não é uma pintura surrealista óbvia. Pelo contrário, o que parece muito real se torna irreal através da interpretação. Este exercício em si é outro jogo sutil que existe em toda as obras de Salvador Dali. A percepção nunca é apenas a percepção, e o que parece ser algo é quase sempre outra coisa.

Este trabalho é um exemplo brilhante de domínio da técnica na pintura de Dali. O título do trabalho é típico das suas pinturas, muito longo, descritivo, e um pouco surreal. É uma descrição subjetiva, ou seja, "O que eu estou vendo agora é como eu quero que você veja isso".

O que quer dizer o título "Seis Córneas Virtuais" e "Seis Espelhos Reais”? Vemos o pintor, e sua tela, vazia. Vemos o reflexo de Dali e Gala no espelho, e em ambos falta seu olho direito. Vemos seu olho esquerdo, 2 olhos. Podemos inferir que os espectadores do espelho, Dali e Gala, também têm dois olhos cada (que não vemos), que somam quatro, mais dois é igual a seis. Estes são os olhos, são as córneas, e eles também são os espelhos. Os olhos são reflexos, mas o que eles estão refletindo, aparentemente, é uma Gala imortalizada. O que Dali vê é um Dali incompleto e uma Gala incompleta, que serão concluídos por meio de sua pintura. O espelho na pintura é a pintura, é o que Dali vê, e o que ele vê é Gala-Dalí inacabada, ou seja, no processo de tornar-se, não feita, mas imortal.

O importante aqui é que o próprio Dali não pode ver este casal eternizado, ele precisa de algo mais para "olhar através de", e o espelho é o símbolo disso, mas não é o olhar através de aparatos. O que Dali precisa ver é seu reflexo sobre si mesmo. Ele precisa de Gala para fazer isso, para projetar seus pensamentos sobre ela e através dela, poder ver os dois. Imagine alguém sentado ao seu lado, enquanto você está pintando. Ele não pode ver sua pintura. Por um momento vocês fazem contato visual, naquele momento você infere o que o outro pode estar pensando sobre você. Então através desse olhar você tem uma idéia sobre si mesmo. Para Dali isso significa imortalizar Gala. Nesse momento íntimo ele está vivendo através de sua criação de Gala, uma criação que vemos como "inacabada", ele nunca pode terminá-la, porque ela é eterna.

Dali, muitas vezes considerado como imprevisível e explosivo, era na verdade rigorosamente constante em alguns níveis. Um deles era definitivamente sua reverência para com Gala, que considerava a influência mais importante em sua vida. Ela foi sua musa durante praticamente toda a sua vida adulta, e ele pintou inúmeros retratos dela. Ele nunca foi o mesmo depois de sua morte, em 1982.

Gala Dalí (Kazan, 7 de setembro de 1894 — Port Lligat, 10 de junho de 1982), mais conhecida simplesmente como Gala, foi a esposa de Paul Éluard, e depois de Salvador Dalí, e uma inspiração para eles e muitos outros escritores e artistas. Gala nasceu Elena Ivanovna Diakonova ,em Kazan, Kazan Governorate, Império Russo, em uma família de intelectuais.

Salvador Dali - "Eu chamo minha esposa: Gala, Galushka, Gradiva. Oliva, pela forma oval do seu rosto e a cor de sua pele. Oliveta, diminutivo de Olive e seus derivados delirantes Oliueta, Oriueta, Buribeta, Buriueteta, Suliueta, Solibubuleta, Oliburibuleta, Ciueta, Liueta. Também a chamo Lionette, porque quando ela fica com raiva, ela ruge como o leão da Metro-Goldwyn-Mayer".

Assista os vídeos com fotos de outras obras de Gala retratada por Dali e fotos dos dois:



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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Goya: Os Retratos

Francisco de Goya - The Duchess of Alba – 1797 - The Hispanic Society of America, New York



Goya: Os Retratos


Francisco Goya - Self Portrait – c. 1773 - Museo Goya, Colección Ibercaja, Zaragoza


Francisco José de Goya y Lucientes (Fuendetodos, 30 de março de 1746  — Bordeaux, 15 ou 16 de abril de 1828) foi um pintor e gravador espanhol. Os retratos compõem um terço da produção de Goya - e mais de 150 ainda sobrevivem hoje. Impressionantes e muitas vezes implacáveis, os retratos de Goya demonstram sua abordagem não convencional e sua habilidade ousadamente notável de capturar a psicologia de seus modelos.



Francisco de Goya - The Count of Floridablanca – 1783 - Colección del Banco de España, Madrid



Francisco de Goya - The Duke and Duchess of Osuna and their Children – 1788 - Museo Nacional del Prado, Madrid


Goya já tinha 37 anos quando recebeu sua primeira encomenda importante, o retrato do primeiro-ministro da Espanha, o Conde Floridablanca. A reputação de Goya cresceu rapidamente. Ambicioso e orgulhoso de seu status, ele ganhou clientes de todo o espectro da sociedade espanhola:  desde a família real e aristocratas, os intelectuais, políticos e figuras militares, até seus próprios amigos e familiares.


Francisco de Goya - The Family of the Infante Don Luis de Borbón 1783 - Magnani-Rocca Foundation, Parma


Francisco Goya - Countess-Duchess Benavente – 1785 - Private Collection, Spain


Profundamente afetado por sua surdez,que foi o resultado de uma doença grave aos 40 anos, o retratismo permaneceu um meio pelo qual Goya podia se comunicar. Sua abordagem era sem obstáculos, ele não tinha medo de revelar o que via, fornecendo penetrante visão sobre os aspectos públicos e privados de sua vida, desde suas primeiras encomendas até trabalhos posteriores mais íntimos, pintados durante a seu auto-imposto exílio na França, na década de 1820. Uma carreira que percorreu revolução e restauração, guerra com a França, e a agitação cultural do Iluminismo espanhol.

Aqui abaixo os 3 retratos de uma família, reunidos:

Francisco Goya - The Countess of Altamira and her daughter, María Agustina – 1788 - The Lehman Collection at the Metropolitan Museum of Art, New York


Francisco Goya - The Count of Altamira - Banco de España, Madrid


Francisco Goya - Manuel Osorio Manrique de Zuñiga - The Metropolitan Museum of Art, New York


Este retrato representa o filho do conde de Altamira. Vestido em um esplêndido traje vermelho, Manuel é mostrado brincando com uma pega de estimação (que segura o cartão de visitas do pintor em seu bico), uma gaiola cheia de passarinhos, e três gatos de olhos arregalados. 


Nascido antes de Mozart e Casanova, e sobrevivendo Napoleão, a vida de Goya durou mais de 80 anos durante os quais ele testemunhou uma série de acontecimentos dramáticos que mudaram o curso da história europeia. "Goya: Os Retratos”  traça a carreira do artista, desde os seus primórdios na Corte em Madrid à sua nomeação como Primeiro Pintor da Corte de Carlos IV, e como retratista favorito da aristocracia espanhola. E explora o período difícil sob o governo de Joseph Bonaparte e da ascensão ao trono de D. Fernando VII, antes de concluir com os seus últimos anos de auto-exílio na França.


Francisco Goya - Charles III in Hunting Dress – 1788 - Duquesa del Arco Collection, Madrid


Francisco Goya - Portrait of Ferdinand VII – 1814 - Museo del Prado, Madrid


Altamente considerado por Delacroix, Degas, Manet e Picasso, Goya é um dos pintores mais famosos da Espanha. Goya usou em seus retratos, desde pinturas em tamanho natural em tela, às miniaturas em cobre e seus belos desenhos em giz preto e vermelho 


Francisco Goya – Self Portrait Before an Easel – 1795 - @ Museo de la Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, Madrid


Francisco Goya - Mariano Goya (neto do artista e sua última pintura) - 1828 - Meadows Museum, SMU, Dallas



Assista os vídeos de uma exposição de Janeiro de 2016 na National Gallery, London:







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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Lani Hall & Sergio Mendes – Dreamer (Tom Jobim) - com Herb Alpert no trompete




Lani Hall & Sergio Mendes – Dreamer (Tom Jobim) - com Herb Alpert no trompete

Sérgio Santos Mendes (Niterói, Rio de Janeiro, 1941) é um músico e compositor brasileiro de bossa nova. Sérgio Mendes começou com o Sexteto Bossa Rio, gravando o disco "Dance Moderno" em 1961. Viajando pela Europa e pelos Estados Unidos, gravou vários álbuns, chegando a tocar no Carnegie Hall. Mudou para os EUA em 1964. Foi nos Estados Unidos que começou o grupo Sérgio Mendes & Brasil 66, alcançando sucesso. As vocalistas do grupo eram Lani Hall e Bibi Vogel. Tem mais de trinta discos lançados, e o mais recente deles conta com participações especiais de, entre outros, Stevie Wonder e Black Eyed Peas.

Lani Hall (6 de novembro de 1945) é uma cantora, letrista, autora, e a esposa de Herb Alpert. De 1966 a 1971, foi vocalista do grupo Sérgio Mendes & Brasil '66. Ela é mais conhecida por sua interpretação da música-tema de James Bond no filme de 1983 Never Say Never Again. Em 1986, ela foi premiada com seu primeiro Grammy e recebeu seu segundo Grammy em 2013.

Herbert "Herb" Alpert (31 março de 1935) é um músico americano mais associado ao grupo Herb Alpert & Tijuana Brass. Alpert recebeu nove Grammy Awards, catorze álbuns de platina e quinze álbuns de ouro. Em 1996, Alpert tinha vendido 72 milhões de álbuns no mundo inteiro.


Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da bossa nova.


sábado, 3 de outubro de 2015

Rembrandt Rindo – a história de duas únicas pinturas

Rembrandt - "Rembrandt Laughing" (Rembrandt Rindo) - c. 1628 – óleo sobre placa de cobre - 22.2 x 17.1 cm – The J. Paul Getty Museum


Rembrandt Rindo – a história de duas únicas pinturas


Esta é uma das poucas pinturas de Rembrandt, do final de 1620, realizada sobre cobre. Ele assinou no canto superior esquerdo com seu monograma "RHL" (Rembrandt Harmenszoon Leidensis), que ele usou apenas brevemente, do final de 1627 ao início de 1629. Uma inscrição em francês escrita à mão no verso (provavelmente do século XIX), menciona o filósofo Demócrito.
Aqui, em um trabalho pequeno e livremente pintado, ele aparece sob o disfarce de um soldado, relaxado e envolvendo o espectador com uma risada. Neste sofisticado auto-retrato, pintado aos 21 ou 22 anos de idade, Rembrandt combina um estudo de caráter e emoção (conhecido em holandês como um tronie) com uma auto-apresentação jovial rara. As pinceladas curtas no rosto e a manipulação rápida do fundo neutro transmitem uma sensação de espontaneidade e urgência. Rembrandt se retratou descontraído e vestindo traje militar. Ele sorri amplamente, mostrando seus dentes. Seu cabelo cai elegantemente em um longo cacho por cima do ombro esquerdo. Essa pintura é notável porque é uma evocação física de uma risada. É possível sentir o corpo inteiro rindo, e isso se reflete no rosto, com os olhos enrugados e um grande sorriso. O riso é uma emoção muito difícil de retratar, especialmente se o artista está tentando fazer isso, olhando em um espelho para fazer um auto-retrato. Embora possamos atribuir esta imagem à sua atitude jovial e ao seu crescente sucesso na época, ela também pode ser considerada como uma propaganda para suas habilidades. Rembrandt Rindo é contagiante. Seu sorriso atrai você e faz você responder na mesma moeda.

Rembrandt pintou cerca de 90 auto-retratos durante sua vida, incluindo cerca de cinquenta pinturas, trinta e duas gravuras e sete desenhos. Os auto-retratos mostram um diário visual do artista ao longo de um período de quarenta anos. Os historiadores de arte afirmam que ele fez isso como uma investigação psicológica em seu 'eu'. A auto-reflexão não pode ser totalmente excluída, mas a realidade é mais simples. O mercado de arte necessitava de peças históricas e 'tronies' (retratos que expressam uma emoção particular). Por não usar um modelo, mas a si mesmo, posando como uma persona bíblica ou mitológica, Rembrandt salvava tempo, dinheiro e abordava diferentes compradores de arte simultaneamente. Além disso, mestres famosos se retrataram para colecionadores de retratos de celebridades, e muitos deles também mantinham auto-retratos em seu estúdio para mostrar a sua habilidade para clientes potenciais. Ele se retratou rindo em apenas duas pinturas.


Rembrandt - Self-portrait as Zeuxis Laughing (Auto-retrato Como Zeuxis Rindo) – c. 1662 – óleo sobre tela – 82,5 x 65 cm - Wallraf-Richartz-Museum


O 'Auto-Retrato Como Zeuxis Rindo' é o penúltimo de Rembrandt, pintado 6 anos antes da sua morte. Ele não esconde sua velhice, com camadas grossas de tinta fazendo os sulcos na testa e as pesadas ​​bolsas sob seus olhos, literalmente palpáveis. Mas, apesar deste estilo áspero e realista, ele difere de seus outros auto-retratos. O pincel nas mãos de Rembrandt identifica sua profissão. Mas por que ele está rindo, olhando diretamente para o espectador? A imagem da mulher idosa nas sombras do lado esquerdo dá a resposta. Refere-se a uma lenda sobre o antigo pintor Zeuxis, que riu até a morte depois de pintar uma velha bruxa que ordenou um retrato de si mesma como Afrodite, deusa do amor. Sem dúvida, essa história atraiu o pintor da vida real, em um momento de sua carreira quando os compradores o abandonaram em favor de um novo, idealizado estilo classicista. Ao retratar a si mesmo como Zeuxis, que muitas vezes também se sentiu mal compreendido pelo público, Rembrandt ridiculariza um mundo que finge ser melhor do que é. A última risada de Rembrandt nesta pintura é provocativa sobre o espectador.


Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Leida, 15 de julho de 1606 — Amsterdam, 4 de outubro de 1669) foi um pintor e gravador holandês. É considerado um dos maiores nomes da história da arte europeia e o mais importante da história holandesa. É considerado, por alguns, como o maior pintor de todos os tempos. Suas contribuições à arte surgiram em um período denominado pelos historiadores de "Século de Ouro dos Países Baixos", na qual a influência política, a ciência, o comércio e a cultura holandesa, particularmente a pintura, atingiram seu ápice. Os maiores triunfos criativos de Rembrandt são exemplificados especialmente nos retratos de seus contemporâneos, autorretratos e ilustrações de cenas da Bíblia. Seus autorretratos formam uma biografia singular e intimista em que o artista pesquisou a si mesmo sem vaidade e com a máxima sinceridade. A representação de cenas bíblicas era baseada no conhecimento de Rembrandt sobre o texto específico, na sua assimilação da composição clássica, e em suas observações da população de Amsterdam. Devido à sua empatia pela condição humana, ele foi chamado de "um dos grandes profetas da civilização".


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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A História da Pintura de James Tissot: Outubro

James Tissot – “October” – 1877 – óleo sobre tela - 53.5 x 116.8 cm - Museum of Fine Arts Montreal, Canada


A História da Pintura de James Tissot: Outubro

Como numa Comédia de Costumes, esse quadro sobre comportamento social e sobre moda passageira, capturado em Outubro, é uma das melhores obras do artista. Elegantemente vestida, a Sra Newton volta-se para o espectador, num gesto coquete, mostrando um tornozelo bem-torneado no farfalhar de anáguas de renda, com sua bota trilhando um tapete de folhas de outono. Sinais do estilo Japonista estão presentes, na verticalidade inspirada por pergaminhos kakemono e no fundo tumultuado de castanheiras.
Esse é um dos retratos da companheira de James Tissot, Kate Newton. A Sra. Newton tinha vinte e dois anos de idade, e era mãe de dois filhos ilegítimos quando a pintura foi feita. Quando James Tissot a conheceu, ela também era uma bela divorciada. A felicidade deles teria sido perfeita mas ela contraíu tuberculose e aos 28 anos, por não suportar ver seu amado sofrer com sua doença, terminou sua vida de musa graciosa e notória do pintor, deixando-o  inconsolável.

Para ler a história completa de Kate Newton e James Tissot e ver mais pinturas, clique sobre o link:



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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

João Gilberto - O Barquinho



João Gilberto - O Barquinho



A canção “O Barquinho” foi composta por Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, lançada em 1961.

João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (Juazeiro, Bahia, 10 de junho de 1931), conhecido como João Gilberto, é um cantor, violonista e compositor brasileiro. Tido como o pioneiro criador da bossa nova, é considerado um gênio e uma lenda viva da música popular brasileira. Foi eleito pela revista Rolling Stone Brasil a 13ª maior voz brasileira de todos os tempos.
Desde o lançamento de Chega de Saudade, munido apenas da voz e do violão, começou uma revolução na música brasileira e na música mundial. Dono de uma sonoridade original e moderna, João Gilberto foi o artista que levou a música popular brasileira ao mundo, principalmente para os Estados Unidos, Europa e Japão. Tido como um dos maiores influentes do jazz americano no século XX, ganhou prêmios importantes nos Estados Unidos e na Europa, como o Grammy, em meio a beatlemania.


Esse blog possui mais artigos sobre João Gilberto. Clique sobre os links abaixo para ver: