quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Análise de “Dali de Trás Pintando Gala de Trás Eternizada por Seis Córneas Virtuais Provisoriamente Refletidas por Seis Espelhos Reais”, com vídeo

Salvador Dali – “Dali de Trás Pintando Gala de Trás Eternizada por Seis Córneas Virtuais Provisoriamente Refletidas por Seis Espelhos Reais” – 1973 – óleo sobre tela – 60,5 x 60,5 cm - © Salvador Dalí, Fundació Gala-Salvador Dalí, Figueres

Análise de “Dali de Trás Pintando Gala de Trás Eternizada por Seis Córneas Virtuais Provisoriamente Refletidas por Seis Espelhos Reais”, com vídeo

Esse é um trabalho estereoscópico, um exemplo das experiências que Dalí realizou na década de setenta. Através do estereoscópio, o artista desejava alcançar a terceira dimensão e obter o efeito de profundidade. Como em Las Meninas de Velazquez, o pintor também aparece em sua própria criação.
Dali explora perspectiva e observação em uma pintura sobre o ato de pintar, e sobre maneiras de ver. O artista espanhol era fascinado pela percepção e era um entusiasmado experimentador precoce de 3D.

Uma das maiores obras de Dali, essa não é uma pintura surrealista óbvia. Pelo contrário, o que parece muito real se torna irreal através da interpretação. Este exercício em si é outro jogo sutil que existe em toda as obras de Salvador Dali. A percepção nunca é apenas a percepção, e o que parece ser algo é quase sempre outra coisa.

Este trabalho é um exemplo brilhante de domínio da técnica na pintura de Dali. O título do trabalho é típico das suas pinturas, muito longo, descritivo, e um pouco surreal. É uma descrição subjetiva, ou seja, "O que eu estou vendo agora é como eu quero que você veja isso".

O que quer dizer o título "Seis Córneas Virtuais" e "Seis Espelhos Reais”? Vemos o pintor, e sua tela, vazia. Vemos o reflexo de Dali e Gala no espelho, e em ambos falta seu olho direito. Vemos seu olho esquerdo, 2 olhos. Podemos inferir que os espectadores do espelho, Dali e Gala, também têm dois olhos cada (que não vemos), que somam quatro, mais dois é igual a seis. Estes são os olhos, são as córneas, e eles também são os espelhos. Os olhos são reflexos, mas o que eles estão refletindo, aparentemente, é uma Gala imortalizada. O que Dali vê é um Dali incompleto e uma Gala incompleta, que serão concluídos por meio de sua pintura. O espelho na pintura é a pintura, é o que Dali vê, e o que ele vê é Gala-Dalí inacabada, ou seja, no processo de tornar-se, não feita, mas imortal.

O importante aqui é que o próprio Dali não pode ver este casal eternizado, ele precisa de algo mais para "olhar através de", e o espelho é o símbolo disso, mas não é o olhar através de aparatos. O que Dali precisa ver é seu reflexo sobre si mesmo. Ele precisa de Gala para fazer isso, para projetar seus pensamentos sobre ela e através dela, poder ver os dois. Imagine alguém sentado ao seu lado, enquanto você está pintando. Ele não pode ver sua pintura. Por um momento vocês fazem contato visual, naquele momento você infere o que o outro pode estar pensando sobre você. Então através desse olhar você tem uma idéia sobre si mesmo. Para Dali isso significa imortalizar Gala. Nesse momento íntimo ele está vivendo através de sua criação de Gala, uma criação que vemos como "inacabada", ele nunca pode terminá-la, porque ela é eterna.

Dali, muitas vezes considerado como imprevisível e explosivo, era na verdade rigorosamente constante em alguns níveis. Um deles era definitivamente sua reverência para com Gala, que considerava a influência mais importante em sua vida. Ela foi sua musa durante praticamente toda a sua vida adulta, e ele pintou inúmeros retratos dela. Ele nunca foi o mesmo depois de sua morte, em 1982.

Gala Dalí (Kazan, 7 de setembro de 1894 — Port Lligat, 10 de junho de 1982), mais conhecida simplesmente como Gala, foi a esposa de Paul Éluard, e depois de Salvador Dalí, e uma inspiração para eles e muitos outros escritores e artistas. Gala nasceu Elena Ivanovna Diakonova ,em Kazan, Kazan Governorate, Império Russo, em uma família de intelectuais.

Salvador Dali - "Eu chamo minha esposa: Gala, Galushka, Gradiva. Oliva, pela forma oval do seu rosto e a cor de sua pele. Oliveta, diminutivo de Olive e seus derivados delirantes Oliueta, Oriueta, Buribeta, Buriueteta, Suliueta, Solibubuleta, Oliburibuleta, Ciueta, Liueta. Também a chamo Lionette, porque quando ela fica com raiva, ela ruge como o leão da Metro-Goldwyn-Mayer".

Assista os vídeos com fotos de outras obras de Gala retratada por Dali e fotos dos dois:



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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Goya: Os Retratos

Francisco de Goya - The Duchess of Alba – 1797 - The Hispanic Society of America, New York



Goya: Os Retratos


Francisco Goya - Self Portrait – c. 1773 - Museo Goya, Colección Ibercaja, Zaragoza


Francisco José de Goya y Lucientes (Fuendetodos, 30 de março de 1746  — Bordeaux, 15 ou 16 de abril de 1828) foi um pintor e gravador espanhol. Os retratos compõem um terço da produção de Goya - e mais de 150 ainda sobrevivem hoje. Impressionantes e muitas vezes implacáveis, os retratos de Goya demonstram sua abordagem não convencional e sua habilidade ousadamente notável de capturar a psicologia de seus modelos.



Francisco de Goya - The Count of Floridablanca – 1783 - Colección del Banco de España, Madrid



Francisco de Goya - The Duke and Duchess of Osuna and their Children – 1788 - Museo Nacional del Prado, Madrid


Goya já tinha 37 anos quando recebeu sua primeira encomenda importante, o retrato do primeiro-ministro da Espanha, o Conde Floridablanca. A reputação de Goya cresceu rapidamente. Ambicioso e orgulhoso de seu status, ele ganhou clientes de todo o espectro da sociedade espanhola:  desde a família real e aristocratas, os intelectuais, políticos e figuras militares, até seus próprios amigos e familiares.


Francisco de Goya - The Family of the Infante Don Luis de Borbón 1783 - Magnani-Rocca Foundation, Parma


Francisco Goya - Countess-Duchess Benavente – 1785 - Private Collection, Spain


Profundamente afetado por sua surdez,que foi o resultado de uma doença grave aos 40 anos, o retratismo permaneceu um meio pelo qual Goya podia se comunicar. Sua abordagem era sem obstáculos, ele não tinha medo de revelar o que via, fornecendo penetrante visão sobre os aspectos públicos e privados de sua vida, desde suas primeiras encomendas até trabalhos posteriores mais íntimos, pintados durante a seu auto-imposto exílio na França, na década de 1820. Uma carreira que percorreu revolução e restauração, guerra com a França, e a agitação cultural do Iluminismo espanhol.

Aqui abaixo os 3 retratos de uma família, reunidos:

Francisco Goya - The Countess of Altamira and her daughter, María Agustina – 1788 - The Lehman Collection at the Metropolitan Museum of Art, New York


Francisco Goya - The Count of Altamira - Banco de España, Madrid


Francisco Goya - Manuel Osorio Manrique de Zuñiga - The Metropolitan Museum of Art, New York


Este retrato representa o filho do conde de Altamira. Vestido em um esplêndido traje vermelho, Manuel é mostrado brincando com uma pega de estimação (que segura o cartão de visitas do pintor em seu bico), uma gaiola cheia de passarinhos, e três gatos de olhos arregalados. 


Nascido antes de Mozart e Casanova, e sobrevivendo Napoleão, a vida de Goya durou mais de 80 anos durante os quais ele testemunhou uma série de acontecimentos dramáticos que mudaram o curso da história europeia. "Goya: Os Retratos”  traça a carreira do artista, desde os seus primórdios na Corte em Madrid à sua nomeação como Primeiro Pintor da Corte de Carlos IV, e como retratista favorito da aristocracia espanhola. E explora o período difícil sob o governo de Joseph Bonaparte e da ascensão ao trono de D. Fernando VII, antes de concluir com os seus últimos anos de auto-exílio na França.


Francisco Goya - Charles III in Hunting Dress – 1788 - Duquesa del Arco Collection, Madrid


Francisco Goya - Portrait of Ferdinand VII – 1814 - Museo del Prado, Madrid


Altamente considerado por Delacroix, Degas, Manet e Picasso, Goya é um dos pintores mais famosos da Espanha. Goya usou em seus retratos, desde pinturas em tamanho natural em tela, às miniaturas em cobre e seus belos desenhos em giz preto e vermelho 


Francisco Goya – Self Portrait Before an Easel – 1795 - @ Museo de la Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, Madrid


Francisco Goya - Mariano Goya (neto do artista e sua última pintura) - 1828 - Meadows Museum, SMU, Dallas



Assista os vídeos de uma exposição de Janeiro de 2016 na National Gallery, London:







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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Lani Hall & Sergio Mendes – Dreamer (Tom Jobim) - com Herb Alpert no trompete




Lani Hall & Sergio Mendes – Dreamer (Tom Jobim) - com Herb Alpert no trompete

Sérgio Santos Mendes (Niterói, Rio de Janeiro, 1941) é um músico e compositor brasileiro de bossa nova. Sérgio Mendes começou com o Sexteto Bossa Rio, gravando o disco "Dance Moderno" em 1961. Viajando pela Europa e pelos Estados Unidos, gravou vários álbuns, chegando a tocar no Carnegie Hall. Mudou para os EUA em 1964. Foi nos Estados Unidos que começou o grupo Sérgio Mendes & Brasil 66, alcançando sucesso. As vocalistas do grupo eram Lani Hall e Bibi Vogel. Tem mais de trinta discos lançados, e o mais recente deles conta com participações especiais de, entre outros, Stevie Wonder e Black Eyed Peas.

Lani Hall (6 de novembro de 1945) é uma cantora, letrista, autora, e a esposa de Herb Alpert. De 1966 a 1971, foi vocalista do grupo Sérgio Mendes & Brasil '66. Ela é mais conhecida por sua interpretação da música-tema de James Bond no filme de 1983 Never Say Never Again. Em 1986, ela foi premiada com seu primeiro Grammy e recebeu seu segundo Grammy em 2013.

Herbert "Herb" Alpert (31 março de 1935) é um músico americano mais associado ao grupo Herb Alpert & Tijuana Brass. Alpert recebeu nove Grammy Awards, catorze álbuns de platina e quinze álbuns de ouro. Em 1996, Alpert tinha vendido 72 milhões de álbuns no mundo inteiro.


Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da bossa nova.


sábado, 3 de outubro de 2015

Rembrandt Rindo – a história de duas únicas pinturas

Rembrandt - "Rembrandt Laughing" (Rembrandt Rindo) - c. 1628 – óleo sobre placa de cobre - 22.2 x 17.1 cm – The J. Paul Getty Museum


Rembrandt Rindo – a história de duas únicas pinturas


Esta é uma das poucas pinturas de Rembrandt, do final de 1620, realizada sobre cobre. Ele assinou no canto superior esquerdo com seu monograma "RHL" (Rembrandt Harmenszoon Leidensis), que ele usou apenas brevemente, do final de 1627 ao início de 1629. Uma inscrição em francês escrita à mão no verso (provavelmente do século XIX), menciona o filósofo Demócrito.
Aqui, em um trabalho pequeno e livremente pintado, ele aparece sob o disfarce de um soldado, relaxado e envolvendo o espectador com uma risada. Neste sofisticado auto-retrato, pintado aos 21 ou 22 anos de idade, Rembrandt combina um estudo de caráter e emoção (conhecido em holandês como um tronie) com uma auto-apresentação jovial rara. As pinceladas curtas no rosto e a manipulação rápida do fundo neutro transmitem uma sensação de espontaneidade e urgência. Rembrandt se retratou descontraído e vestindo traje militar. Ele sorri amplamente, mostrando seus dentes. Seu cabelo cai elegantemente em um longo cacho por cima do ombro esquerdo. Essa pintura é notável porque é uma evocação física de uma risada. É possível sentir o corpo inteiro rindo, e isso se reflete no rosto, com os olhos enrugados e um grande sorriso. O riso é uma emoção muito difícil de retratar, especialmente se o artista está tentando fazer isso, olhando em um espelho para fazer um auto-retrato. Embora possamos atribuir esta imagem à sua atitude jovial e ao seu crescente sucesso na época, ela também pode ser considerada como uma propaganda para suas habilidades. Rembrandt Rindo é contagiante. Seu sorriso atrai você e faz você responder na mesma moeda.

Rembrandt pintou cerca de 90 auto-retratos durante sua vida, incluindo cerca de cinquenta pinturas, trinta e duas gravuras e sete desenhos. Os auto-retratos mostram um diário visual do artista ao longo de um período de quarenta anos. Os historiadores de arte afirmam que ele fez isso como uma investigação psicológica em seu 'eu'. A auto-reflexão não pode ser totalmente excluída, mas a realidade é mais simples. O mercado de arte necessitava de peças históricas e 'tronies' (retratos que expressam uma emoção particular). Por não usar um modelo, mas a si mesmo, posando como uma persona bíblica ou mitológica, Rembrandt salvava tempo, dinheiro e abordava diferentes compradores de arte simultaneamente. Além disso, mestres famosos se retrataram para colecionadores de retratos de celebridades, e muitos deles também mantinham auto-retratos em seu estúdio para mostrar a sua habilidade para clientes potenciais. Ele se retratou rindo em apenas duas pinturas.


Rembrandt - Self-portrait as Zeuxis Laughing (Auto-retrato Como Zeuxis Rindo) – c. 1662 – óleo sobre tela – 82,5 x 65 cm - Wallraf-Richartz-Museum


O 'Auto-Retrato Como Zeuxis Rindo' é o penúltimo de Rembrandt, pintado 6 anos antes da sua morte. Ele não esconde sua velhice, com camadas grossas de tinta fazendo os sulcos na testa e as pesadas ​​bolsas sob seus olhos, literalmente palpáveis. Mas, apesar deste estilo áspero e realista, ele difere de seus outros auto-retratos. O pincel nas mãos de Rembrandt identifica sua profissão. Mas por que ele está rindo, olhando diretamente para o espectador? A imagem da mulher idosa nas sombras do lado esquerdo dá a resposta. Refere-se a uma lenda sobre o antigo pintor Zeuxis, que riu até a morte depois de pintar uma velha bruxa que ordenou um retrato de si mesma como Afrodite, deusa do amor. Sem dúvida, essa história atraiu o pintor da vida real, em um momento de sua carreira quando os compradores o abandonaram em favor de um novo, idealizado estilo classicista. Ao retratar a si mesmo como Zeuxis, que muitas vezes também se sentiu mal compreendido pelo público, Rembrandt ridiculariza um mundo que finge ser melhor do que é. A última risada de Rembrandt nesta pintura é provocativa sobre o espectador.


Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Leida, 15 de julho de 1606 — Amsterdam, 4 de outubro de 1669) foi um pintor e gravador holandês. É considerado um dos maiores nomes da história da arte europeia e o mais importante da história holandesa. É considerado, por alguns, como o maior pintor de todos os tempos. Suas contribuições à arte surgiram em um período denominado pelos historiadores de "Século de Ouro dos Países Baixos", na qual a influência política, a ciência, o comércio e a cultura holandesa, particularmente a pintura, atingiram seu ápice. Os maiores triunfos criativos de Rembrandt são exemplificados especialmente nos retratos de seus contemporâneos, autorretratos e ilustrações de cenas da Bíblia. Seus autorretratos formam uma biografia singular e intimista em que o artista pesquisou a si mesmo sem vaidade e com a máxima sinceridade. A representação de cenas bíblicas era baseada no conhecimento de Rembrandt sobre o texto específico, na sua assimilação da composição clássica, e em suas observações da população de Amsterdam. Devido à sua empatia pela condição humana, ele foi chamado de "um dos grandes profetas da civilização".


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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A História da Pintura de James Tissot: Outubro

James Tissot – “October” – 1877 – óleo sobre tela - 53.5 x 116.8 cm - Museum of Fine Arts Montreal, Canada


A História da Pintura de James Tissot: Outubro

Como numa Comédia de Costumes, esse quadro sobre comportamento social e sobre moda passageira, capturado em Outubro, é uma das melhores obras do artista. Elegantemente vestida, a Sra Newton volta-se para o espectador, num gesto coquete, mostrando um tornozelo bem-torneado no farfalhar de anáguas de renda, com sua bota trilhando um tapete de folhas de outono. Sinais do estilo Japonista estão presentes, na verticalidade inspirada por pergaminhos kakemono e no fundo tumultuado de castanheiras.
Esse é um dos retratos da companheira de James Tissot, Kate Newton. A Sra. Newton tinha vinte e dois anos de idade, e era mãe de dois filhos ilegítimos quando a pintura foi feita. Quando James Tissot a conheceu, ela também era uma bela divorciada. A felicidade deles teria sido perfeita mas ela contraíu tuberculose e aos 28 anos, por não suportar ver seu amado sofrer com sua doença, terminou sua vida de musa graciosa e notória do pintor, deixando-o  inconsolável.

Para ler a história completa de Kate Newton e James Tissot e ver mais pinturas, clique sobre o link:



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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

João Gilberto - O Barquinho



João Gilberto - O Barquinho



A canção “O Barquinho” foi composta por Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, lançada em 1961.

João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (Juazeiro, Bahia, 10 de junho de 1931), conhecido como João Gilberto, é um cantor, violonista e compositor brasileiro. Tido como o pioneiro criador da bossa nova, é considerado um gênio e uma lenda viva da música popular brasileira. Foi eleito pela revista Rolling Stone Brasil a 13ª maior voz brasileira de todos os tempos.
Desde o lançamento de Chega de Saudade, munido apenas da voz e do violão, começou uma revolução na música brasileira e na música mundial. Dono de uma sonoridade original e moderna, João Gilberto foi o artista que levou a música popular brasileira ao mundo, principalmente para os Estados Unidos, Europa e Japão. Tido como um dos maiores influentes do jazz americano no século XX, ganhou prêmios importantes nos Estados Unidos e na Europa, como o Grammy, em meio a beatlemania.


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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Análise de “Fish Magic” de Paul Klee

Paul Klee - Fish Magic – 1925 – óleo, aquarela e colagem sobre tela colada em madeira - 77.2 x 98.4 cm – Philadelphia Museum of Art 


Análise de “Fish Magic” de Paul Klee


Em Fish Magic, Paul Klee criou um reino mágico onde o aquático, o celestial e o terrestre se misturam. A superfície preta delicada cobre uma camada inferior de cores, que o artista revelou, arranhando e rabiscando desenhos na tinta preta, uma versão sofisticada das brincadeiras de crianças com lápis de cera. No centro da pintura, um quadrado de musselina está colado sobre a tela. Uma linha diagonal longa que chega ao topo da torre do relógio aumenta a sensação de magia, parecendo pronta para puxar o quadrado de musselina, para revelar algo por baixo. Fish Magic se enquadra dentro da tradição do romantismo alemão, com sua mistura de fantasia e empirismo naturais, de poesia e pragmatismo. Paul Klee foi um dos maiores filósofos e teóricos da arte do século XX, especialmente no campo da cor, bem como um de seus maiores fantasiadores. Em pinturas como Fish Magic, estes dois dons divergentes são reconciliados, com o intelecto e a imaginação unindo forças. A arte de Klee é apreciada principalmente pela sua reserva inesgotável de encantos, inevitavelmente trazendo sorrisos a todos.  

Paul Klee (Münchenbuchsee, 18 de dezembro de 1879 — Muralto, 29 de junho de 1940) foi um pintor e poeta suíço naturalizado alemão. Ele possuía um método individual, influenciado por muitos movimentos de arte, como surrealismo, cubismo e expressionismo, além de futurismo e abstração, realizando mais de 10.000 gravuras, desenhos e pinturas. Suas obras refletem seu humor seco e, às vezes, a sua perspectiva infantil, seus ânimos e suas crenças pessoais, e sua musicalidade. Ele e o pintor russo Wassily Kandinsky, seu amigo, também eram famosos por darem aulas na Bauhaus, uma escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda na Alemanha. A Bauhaus foi uma das maiores e mais importantes expressões do que é chamado Modernismo no design e na arquitetura, sendo a primeira escola de design do mundo. A escola foi fundada por Walter Gropius em 25 de abril de 1919. Em 1933, após uma série de perseguições por parte do governo nazista, a Bauhaus foi fechada.

Em meados da década de 1920, a técnica de arte de Klee passou para um gênero chamado divisionismo. Esta técnica de arte cria a oposição entre formas individuais e formas “dividuais”. Isto significa que ele usou formas que não podem ser divididas e formas que podem ser infinitamente divididas. Em Fish Magic, pode-se olhar para cada peixe individualmente e comparar as escamas, barbatanas e brânquias de cada peixe ou olhar para a pintura como um todo e ver um grupo de peixes que compõem a obra de arte. Este gênero de arte expressa o subconsciente através de imagens e cria imagens oníricas bizarras.

As várias figuras do quadro Fish Magic podem ter várias mensagens ou interpretações. A pintura pode ser interpretada apenas como uma cena subaquática, onde o relógio representa o tempo restante antes de os peixes serem capturados. No entanto, um tema mais provável desse trabalho, e que também é visto em muitas obras de Klee, é a diferença entre o tempo cósmico e o terreno,  entre o tempo infinito e finito. E sugere que toda a vida é controlada pelo tempo. A vida é representado pelas flores, peixes e seres, e o tempo é representado pelo relógio, objetos celestes, e a cortina. O ser com duas faces parece estar olhando para ambos os mundos do tempo versus vida, o que lembra a eventual mortalidade de toda a vida.


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sábado, 26 de setembro de 2015

Pinturas de Primavera de Sir Lawrence Alma-Tadema

Sir Lawrence Alma-Tadema – Rosas de Heliogábalo (The Roses of Heliogabalus) - 1888 – óleo sobre tela – 213,9 x 132,1 cm


Pinturas de Primavera de Sir Lawrence Alma-Tadema


Sir Lawrence Alma-Tadema – Rosas de Heliogábalo (The Roses of Heliogabalus) - detalhe


“Rosas de Heliogábalo” é uma das pinturas mais famosas de Alma-Tadema. Ela retrata o imperador romano Egabalus (Heliogábalo), um psicótico debochado. Neste episódio, ele está tentando sufocar seu público desavisado com pétalas de rosa, que foram atiradas a partir de painéis de um teto falso. Alma-Tadema, sendo um perfeccionista meticuloso, queria que cada pétala fosse tão perfeitamente realista quanto possível, e recebeu embarques de pétalas de rosa enviadas a ele da Riviera durante o inverno de 1887-1888, para ele ter exemplares frescos. Esta era uma prática comum de Alma-Tadema, que muitas vezes encomendava flores de toda a Europa e por vezes, da África, como exemplares para suas pinturas, apressando-se para concluir o trabalho antes das flores morrerem.


Sir Lawrence Alma-Tadema – Promessa de Primavera (Promise of Spring), 1890 - óleo sobre madeira -  38.1 x 22.5 cm - Museum of Fine Arts, Boston


Lawrence Alma-Tadema (Dronrijp, Noruega, 8 de janeiro de 1836 - Wiesbaden, 26 de junho de 1912) foi um dos mais proeminentes pintores e desenhistas do neoclassicismo europeu. Ao longo de sua vida, Alma-Tadema também adquiriu cidadania na Bélgica bem como no Reino Unido. Ao completar os seus sessenta e três anos de idade, em 1899, a Rainha Vitória concedeu a Alma-Tadema o título honorífico de Cavalheiro (Sir).


Sir Lawrence Alma-Tadema - Primavera Flora nos Jardins da Villa Borghese (Flora Spring in the Gardens of the Villa Borghese) - 1877 – aquarela


Depois de sua mudança para a Inglaterra, a carreira de Alma-Tadema teve um sucesso contínuo. Ele se tornou um dos artistas mais famosos e bem pagos do seu tempo, reconhecido e recompensado. Em 1871 ele conheceu e fez amizade com a maioria dos principais pintores pré-rafaelitas e foi em parte devido à sua influência que o artista iluminou sua paleta, variou suas matizes, e atenuou sua pincelada.


Sir Lawrence Alma-Tadema – Quando as Flores Retornam (When Flowers Return) - 1911 – óleo sobre tela

As obras de Alma-Tadema são notáveis pela maneira em que as flores, texturas e reflexos de superfícies duras, como metais, cerâmica e especialmente mármore, são pintadas. Seu trabalho mostra muito da execução fina e cor brilhante dos velhos mestres holandeses. E também notáveis pelo interesse humano com que impregna todas as suas cenas da vida antiga, trazendo-as para o âmbito do sentimento moderno, e nos encantando com sentimentos delicados e lúdicos. Desde o início de sua carreira, Alma-Tadema estava particularmente preocupado com a precisão da arquitetura, muitas vezes incluindo objetos que ele via em museus - como o Museu Britânico, em Londres - em suas obras. Ele também leu muitos livros e levou muitas imagens deles. E acumulou uma enorme quantidade de fotografias de locais antigos da Itália, que usou para maior precisão nos detalhes de suas composições. Ele era um perfeccionista. 


Sir Lawrence Alma-Tadema - O Ano na Primavera. Tudo está Certo com o Mundo (The Year´s at the Spring. All s Right with the World) - 1902 – óleo sobre tela


Como um artista de renome internacional, ele pode ser citado como uma influência sobre grandes artistas europeus, como Gustav Klimt e Fernand Khnopff. Ambos incorporam motivos clássicos em suas obras e utilizam técnicas de composição não convencionais de Alma-Tadema, como corte abrupto na borda da tela. Eles, como Alma-Tadema, também empregam imagens codificadas para transmitir um significado para suas pinturas. Nos últimos anos de sua vida, Alma-Tadema viu o surgimento do Pós-impressionismo, fauvismo, cubismo e futurismo, os quais ele vivamente reprovava. Como seu aluno John Collier escreveu, "é impossível conciliar a arte de Alma-Tadema com a de Matisse, Gauguin e Picasso”. Ele é agora considerado como um dos principais pintores clássicos do século XIX, cujas obras demonstram o cuidado e a exatidão de uma era fascinada por tentar visualizar o passado, que começava a ser recuperado através de pesquisas arqueológicas.


Sir Lawrence Alma-Tadema – A Voz da Primavera (The Voice of Spring) - 1910 – óleo sobre tela - 114.9 x 48.6 cm


Sir Lawrence Alma-Tadema – Flores de Primavera (Spring Flowers) - óleo sobre tela – 24 x 18 cm


 Sir Lawrence Alma-Tadema - Thou Rose of all the Roses – óleo sobre tela


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) - 1894 – óleo sobre tela - 178.4 x 80.3 cm -  J. Paul Getty Museum, Los Angeles


Nesta pintura, Alma-Tadema descreveu o costume Vitoriano de enviar as crianças para colher flores na manhã do dia 01 de Maio, mas colocou a cena na Roma antiga. Uma procissão de mulheres e crianças descem escadas de mármore transportam e usam flores coloridas. Espectadores preenchem as janelas e telhado de um edifício clássico. Um grande pesquisador histórico, Alma-Tadema era meticuloso sobre retratar os elementos históricos em suas pinturas. Aqui, ele fez um grande esforço para retratar os Romanos: tudo, desde os instrumentos de música até os detalhes arquitetônicos e vestimentas são precisos para a história Romana. Ele tinha uma curiosidade insaciável sobre a antiguidade clássica, e criou mais de trezentas pinturas sobre o tema. Esta pintura foi utilizada como uma referência para o filme “Cleópatra” de Cecil B. De Mille, em 1934.


 Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Wave (Tom Jobim) - Yamandu Costa + Dominguinhos



Wave (Tom Jobim) - Yamandu Costa + Dominguinhos

Yamandu Costa (Passo Fundo, 24 de janeiro de 1980) é um violonista e compositor brasileiro. É considerado um dos maiores violonistas do Brasil. Até os quinze anos, sua única escola musical era a música folclórica do Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Depois de ouvir Radamés Gnatalli começou a procurar por outros brasileiros como Baden Powell, Tom Jobim e Raphael Rabello. Aos dezessete anos apresentou-se pela primeira vez em São Paulo no Circuito Cultural Banco do Brasil, produzido pelo Estúdio Tom Brasil, e a partir daí passou a ser reconhecido como músico revelação do violão brasileiro. Yamandu toca estilos diversos como choro, bossa nova, milonga, tango, jazz, samba e chamamé, difícil enquadrá-lo em uma corrente musical principal, dado que mistura todos os estilos e cria interpretações de rara personalidade no seu violão de sete cordas.

José Domingos de Morais (Garanhuns, 12 de fevereiro de 1941  — São Paulo, 23 de julho de 2013), conhecido como Dominguinhos, foi um instrumentista, cantor e compositor brasileiro. Exímio sanfoneiro, teve como mestres nomes como Luiz Gonzaga e Orlando Silveira. Teve em sua formação musical influências de baião, bossa nova, choro, forró, xote e jazz. A sua integração ao grupo de Luis Gonzaga fez com que ganhasse reputação como músico e arranjador, aproximando-se de artistas consagrados dos movimentos bossa nova e MPB, nos anos 70 e 80. Fez trabalhos junto a músicos de renome, como Nara Leão, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Chico Buarque e Toquinho. Acabou por se consolidar em uma carreira musical própria, englobando gêneros musicais diversos como bossa nova, jazz e pop.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da bossa nova. 

Texto: Wikipedia


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

“Munch: Van Gogh”


“Munch: Van Gogh”


Vincent van Gogh - Starry Night over Rohne – 1888 - Musèe d'Orsay



Edvard Munch - Starry Night - 1922–24 - Munch Museum, Oslo





Em uma exposição espetacular é possível descubrir os paralelos entre dois artistas emblemáticos: Vincent van Gogh e Edvard Munch. Com muitas obras-primas de todo o mundo, incluindo "O Grito" de Munch e "Noite Estrelada sobre o Rhone" de Van Gogh.



Edvard Munch – O Grito – 1893 – têmpera e pastel sobre madeira – 91 x 73,5 cm - National Gallery, Oslo, Noruega




Em “Munch: Van Gogh”, o foco é sobre os paralelos entre dois artistas icônicos. Suas visões sobre a vida e a arte estão intimamente relacionadas, apesar de eles nunca terem se encontrado. Seus trabalhos são coloridos, intensos, expressivos e radicais. Suas vidas são muito semelhantes em muitos aspectos. Por isso, Vincent van Gogh (1853-1890) e o artista norueguês Edvard Munch (1863-1944) são muitas vezes mencionados juntos. Ambos criaram arte com um forte conteúdo emocional, expresso através de um estilo pessoal e inovador, e ambos viveram vidas atribuladas. E há paralelos surpreendentes entre sua arte e seus objetivos artísticos. Cada um deles representava um rumo artístico em direção a temas existenciais e universais em novos e expressivos idiomas. No entanto, as conexões mais profundas entre os dois artistas nunca foram completamente iluminadas no contexto de uma exposição.


Vincent van Gogh - Self-Portrait with Grey Felt Hat – 1887, Paris - Van Gogh Museum (Vincent van Gogh Foundation)



Edvard Munch - Self-Portrait – 1886 - National Museum of Art, Architecture and Design, Oslo. Photo: National Museum



A Princesa Beatrix e a Rainha Sonja na exposição "Munch: Van Gogh"


Pela primeira vez, uma exposição estuda em detalhes as semelhanças entre os dois artistas. Entre mais de cem obras de arte (75 pinturas e 30 trabalhos sobre papel), existem várias obras emblemáticas e obras que raramente são emprestadas, como “O Grito” e “Madonna” por Edvard Munch e “Noite Estrelada Sobre o Rhone” e “Patience Escalier” ('O agricultor') por Vincent van Gogh. "Munch: Van Gogh" oferece a oportunidade única para admirar uma parte importante do trabalho de ambos os artistas em um único local.


Vincent van Gogh - The Yellow House ("The Street") – 1888, Arles - Van Gogh Museum (Vincent van Gogh Foundation)
Edvard Munch - Red Virginia Creeper - 1898-1900




Paris tornou-se um ponto de virada para ambos os artistas. Um confronto com as novas tendências da arte libertaram o potencial que abrigavam, desafiando-os a formular seu próprio programa. Embora as suas obras sejam diferentes no que diz respeito ao tema e implementação, ambos estavam preocupados em dar expressão à condição do homem moderno, e eles conseguiram isso trabalhando o meio pictórico ao máximo: a paleta vibrante, uma linguagem altamente estilizada e pessoal, pinceladas corajosas e composições não convencionais são características de ambos.
"Munch: Van Gogh" é o resultado de um projeto de colaboração de longo prazo entre o Museu Van Gogh em Amsterdam e do Museu Munch, em Oslo. Ambos os museus gerenciam, pesquisam e apresentam as maiores e mais importantes coleções de obras de Van Gogh e Munch do mundo.


Edvard Munch – Fertility - 1899–1900 - Canica Art Collection




“Durante sua curta vida, Van Gogh não permitiu que sua chama apagasse. Fogo e brasas eram seus pincéis durante os poucos anos de sua vida, enquanto ele praticou a sua arte. Eu tenho pensado, e desejo - no longo prazo, com mais dinheiro à minha disposição do que ele tinha - seguir os seus passos.”
Edvard Munch, 23 de outubro de 1933


Vincent van Gogh - Wheatfield with a Reaper – 1889, Saint-Rémy-de-Provence - Van Gogh Museum (Vincent van Gogh Foundation) 


 Assista o vídeo:



Até 17 de Janeiro de 2016
Van Gogh Museum
Museumplein 6, Amsterdam, Holanda
Informações: +31 (0)20 570 5200


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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Pinturas e Gravuras com Trem

Claude Monet - Saint-Lazare Gare, Normandy Train – 1887 – óleo sobre tela - 60.3 x 80.2 cm – Art Institute of Chicago


Pinturas e Gravuras com Trem


A Gare Saint-Lazare foi a maior e mais movimentada estação de trem em Paris. No início de 1877, com a ajuda de seu amigo Gustave Caillebotte, Claude Monet alugou um apartamento na vizinha Rue Moncey e começou a primeiro de 12 telas que mostram este ícone da modernidade. Ele mostrou sete delas, incluindo esta, na terceira exposição impressionista, em Abril daquele ano. Diz a lenda que ele arranjou para que as locomotivas que estivessem alimentadas com carvão extra, para que ele pudesse observar e pintar os efeitos do vapor: cinza quando preso dentro da estação, branco e nublado quando visto contra o céu.


Claude Monet - The Saint-Lazare Station – 1877 – óleo sobre tela – 75 x 104 cm - Musée D´Orsay, Paris


A Gare Saint-Lazare foi um cenário ideal para alguém que buscava os efeitos da mudança de luz, do movimento, de nuvens de vapor e de um tema radicalmente moderno. De lá saiu uma série de pinturas com pontos de vista diferentes, incluindo vistas para o vasto salão. Apesar da geometria aparente da armação metálica, o que prevalece aqui são realmente os efeitos da cor e luz, em vez de descrever uma preocupação com máquinas ou viajantes em detalhes. Certas zonas, verdadeiras peças de pintura pura, alcançam uma visão quase abstrata. Esta pintura foi elogiada por outro pintor da vida moderna, Gustave Caillebotte, cuja pintura foi muitas vezes o oposto da pintura de Monet.


Pierre Bonnard - Landscape with freight train - 1909 – óleo sobre tela - 108 x 77 cm - Hermitage, St. Petersburg, Russia


Edvard Munch - Train smoke – 1900 – óleo sobre tela - 84.5 x 109 cm - The Munch Museum



Mary Cassatt - Interior of a Tramway Passing a Bridge - 1890-1891 – gravura a ponta-seca - Art Institute of Chicago, Chicago, IL, USA


Ponta-seca é uma técnica de gravura por incisão direta que pode dispensar o uso de verniz. No geral, procede-se como se fosse uma água-forte, isto é, enverniza-se a chapa, faz-se o desenho (à mão ou por decalque) e fixa-se o desenho com a ponta-seca. A ponta grava o metal e levanta os dois lados do traço, que na gíria dos gravadores são chamadas de "rebarbas". Na ponta-seca a tinta da impressão fica presa, não só pela profundidade do traço, mas principalmente nas "rebarbas". As variações de tonalidades são conseguidas com maior ou menor pressão, fazendo com que a lâmina penetre mais ou menos na chapa. A gravura a ponta-seca permite uma tiragem reduzida. As tonalidades obtidas são aveludadas e quentes, destacando-se das demais modalidades, razão pela qual tem muita aceitação pelos artistas.


Pyotr Konchalovsky - Spring Landscape with train – 1931 - 62 x 79 cm


Camille Pissarro - Place de la Republique, Rouen (with Tramway) – 1883 – óleo sobre tela - 46.2 x 55.6 cm


Gino Severini - Red Cross Train Passing a Village – 1915 – óleo sobre tela - 88.9 x 116.2 cm - Solomon R. Guggenheim Museum, New York, USA


Depois de se mudar de Roma para Paris em 1906, Gino Severini entrou em contato próximo com Georges Braque, Pablo Picasso, e outros artistas importantes da capital da avant-garde, enquanto permaneceu em contato com seus compatriotas que permaneceram na Itália. Em 1910, ele assinou o "Manifesto Técnico: Pintura Futurista" com outros quatro artistas italianos, Giacomo Balla, Umberto Boccioni, Carlo Carrà, e Luigi Russolo, que queriam que suas pinturas expressassem a energia e velocidade da vida moderna.
Nesta pintura de um trem em movimento através da paisagem, Severini dividiu a paisagem, a fim de transmitir uma sensação de momentâneas imagens fragmentadas que caracterizam a nossa percepção de um objeto em excesso de velocidade. O choque de cores contrastantes intensas sugere o ruído e a potência do trem, que os futuristas admiravam como um emblema de vitalidade e potência.
Severini pintou esta tela no meio da I Guerra Mundial, enquanto morava em Igny, nos arredores de Paris. Anos mais tarde, ele recordou as circunstâncias: " Junto ao nosso casebre, os trens estavam passando dia e noite, cheios de material de guerra, ou soldados, e feridos". Durante 1915 ele criou muitas telas em que tentou evocar a guerra na pintura.


Alex Colville - Horse and Train – 1954


 Edward Hopper - Night on the El Train – 1918 – gravura a água forte - 18,3 x 20,1 cm – The British Museum



Edward Hopper (1882-1967) frequentou a Escola de Arte de Nova York, onde estudou com William Merritt Chase e Robert Henri. Hopper aprendeu primeiramente a técnica da gravura com o gravurista Martin Lewis em 1915, enquanto trabalhava como artista comercial freelance. Hopper produziu cerca de 70 gravuras ao longo dos próximos oito anos, mas abandonou a gravura depois de seu primeiro sucesso de crítica como pintor em 1924, aos 42 anos. Como ele mais tarde admitiu, 'Depois que eu comecei a gravar, minha pintura parecia cristalizar'.
Nesta cena de um casal em um trem, tarde da noite, Hopper nos coloca outro lado do corredor, como observadores. Ele imprime um senso de drama psicológico dentro de uma estrutura narrativa. Ele usa sua técnica de composição favorita, um ponto de vista oblíquo, ou em ângulo. O movimento do trem é indicado pelas cortinas ondulantes e correias balançando.


Norman Rockwell - Skiers on a Train – 1962 – óleo sobre tela


Vincent van Gogh - Landscape with Carriage and Train – 1890 – óleo sobre tela - 72 x 90 cm - Pushkin Museum of Fine Art, Moscow, Russia


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