terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Rã (The Frog) - Eliane Elias live in Marseille e mais duas versões



A Rã (The Frog) - Eliane Elias live in Marseille e mais duas versões


A canção A rã foi composta por João Donato (Rio Branco, 17 de Agosto de 1934), um pianista, acordeonista, arranjador, cantor e compositor brasileiro. Donato promove fusões musicais, de jazz e música latina. Na década de 1950, João Donato se mudou para os Estados Unidos onde permaneceu durante treze anos e realizou o que nunca tinha conseguido no Brasil: reincorporar a musicalidade afro-cubana ao jazz. Lá gravou o disco A Bad Donato e compôs músicas como "Amazonas", "A Rã" e "Cadê Jodel". Como arranjador participou de discos de grandes nomes da MPB.

Eliane Elias (São Paulo, 19 de março de 1960) é uma pianista, cantora, compositora e arranjadora brasileira. Começou a tocar piano aos 6 anos de idade. Em 1981, mudou para Nova York, onde estudou na Juilliard School of Music, e onde mora ainda. Elias é conhecida por seu estilo musical distinto que mistura suas raízes brasileiras e sua voz com habilidades de jazz instrumental, e composição. Em 2016 venceu o Grammy Awards na categoria de Melhor álbum de jazz latino, com Made In Brazil, o primeiro álbum que gravou no Brasil e para o qual atuou como produtora, compositora, arranjadora, pianista e vocalista.

Veja a mesma canção interpretada por Tim Maia e por João Donato:







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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Análise da pintura “La Clairvoyance” de René Magritte

René Magritte – La Clairvoyance (A Clarividência), 1936 – óleo sobre tela - 54.5 x 65.5 cm – coleção particular


Análise da pintura “La Clairvoyance” de René Magritte


Na pintura “A Clarividência” René Magritte está pintando um autorretrato de si mesmo pintando um pássaro, usando um ovo como modelo. Magritte está pintando mais do que está bem na frente dele: ele está pintando uma possibilidade, o potencial, o futuro. Daí o nome desta pintura: Clarividência. Magritte pintou-se, pintando sua percepção do futuro.

Retratando-se nessa pintura e a nomeando "clarividência", Magritte entregou uma mensagem sobre si mesmo como pintor: ele é clarividente, ele transmite o futuro através de sua arte. Por isso, essa pintura é tanto sobre ele como um pintor, como sobre a obra de arte resultante. Magritte está compartilhando sua filosofia, assim como muitos de seus contemporâneos surrealistas fizeram (como Joan Miro e Salvador Dali). Magritte foi ousado o suficiente para usar sua pintura para se engajar em um diálogo com seus espectadores.


Foto de René Magritte pintando La Clairvoyance (A Clarividência)


René François Ghislain Magritte (Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Em 1912 sua mãe, Régina, cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio. Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Foi durante esse período que ele conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922. René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou imitando a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.

Sua arte caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte, e o surrealismo atrai justamente porque explora nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objetos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, tais como o torso feminino, o chapéu coco, o castelo, a rocha e a janela, entre outros, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.

Magritte fez pinturas de objetos comuns em contextos incomuns, e assim criou sua própria forma de poesia para expressar seu inconsciente, de uma forma filosófica e conceitual. O artista, ao contrário dos outros surrealistas, era uma pessoa perturbadoramente comum, sempre vestindo um sobretudo, terno e gravata. Para Magritte suas pinturas não tinham qualquer significado, porque o mistério não tem significado. Ficamos apenas com o mistério e a incerteza, o que torna o trabalho dele mais misterioso e mais atraente.



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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A história da pintura “Spring (Jeanne Demarsy)” de Édouard Manet

Édouard Manet - Spring (Jeanne Demarsy), 1881 – óleo sobre tela - 74 × 51.5 cm – The J. Paul Getty Museum, Los Angeles, CA


A história da pintura “Spring (Jeanne Demarsy)” de Édouard Manet


A pintura Spring (Primavera) retrata a jovem atriz Jeanne Demarsy, nascida Anne Darlaud (1865-1937), como a incorporação da moda de Primavera. Foi sua esmagadora estreia pública quando a pintura foi exibida em 1882 no Paris Salon, cerca de cinco anos antes de ela atingir um momento de fama no palco parisiense, em seu papel como Vênus, em uma produção de Orphée de Offenbach em 1887.


Jeanne Demarsy (ou Jeanne de Marsy), nascida Anne Darlaud 


Ao compor Spring, Manet levou em consideração tanto as últimas tendências da moda quanto as tradições artísticas. Um conhecedor ávido da alta costura feminina, ele compôs o conjunto de Jeanne, vasculhando costureiras e chapeleiras. Posando sua modelo no estúdio, no entanto, ele se referiu às convenções dos retratos do início do Renascimento italiano, apresentando a modelo em meio comprimento, de perfil, e contra uma grande quantidade de vegetação densa, luxuriante de rododendros, que oferecem um vislumbre do céu azul cobalto. A Primavera de Manet foi concebida como uma imagem que resume a sua época moderna através da figura de uma bela Parisienne. Ela olha para a frente e parece plenamente consciente do olhar de admiração do espectador.
Este retrato estreou na última grande exposição pública da vida de Manet, o Salon de Paris de 1882. Por mais de duas décadas, os quadros de Manet foram rejeitados pelo Salon ou foram tema de controvérsia. Primavera foi o maior sucesso da carreira do artista nos Salons de Paris.


Édouard Manet - Spring (Jeanne Demarsy), 1881 – em exibição no The J. Paul Getty Museum, Los Angeles, CA – com modelo personificando a pintura


Édouard Manet (Paris, 23 de janeiro de 1832 — Paris, 30 de abril de 1883) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX. Manet era filho de pais ricos. Ele estudou com Thomas Couture. Sua obra foi fundada sobre a oposição de luz e sombra, uma paleta restrita em que o preto era muito importante, e em pintar diretamente do modelo. O trabalho do espanhol Velázquez influenciou diretamente a sua adoção deste estilo. Manet nunca participou nas exposições dos Impressionistas, mas continuou a competir nos Salões de Paris. Seus temas não convencionais tirados da vida moderna, e sua preocupação com a liberdade do artista em lidar com tinta fez dele um importante precursor do Impressionismo. A obra de Manet se tornou famosa no Salon des Refusés, a exposição de pinturas rejeitadas pelo Salon oficial. Em 1863 e 1867, ele realizou exposições individuais. Na década de 1870, sob a influência de Monet e Renoir, ele produziu paisagens e cenas de rua inspiradas diretamente pelo impressionismo. Ele permaneceu relutante em expor com os Impressionistas, e procurou a aprovação do Salão de toda a sua vida.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Análise da pintura de Claude Monet - The Lunch (Monet's Garden at Argenteuil)

Claude Monet - The Lunch (Monet's Garden at Argenteuil), 1873 – óleo sobre tela - 160 x 201 cm - Musée d'Orsay, Paris


Análise da pintura de Claude Monet - The Lunch (Monet's Garden at Argenteuil)

A pintura “O almoço, Jardim de Monet em Argenteuil” mostra a informalidade confortável da vida de Monet na primeira casa em que a família de Monet morou em Argenteuil, durante os meses de alto verão. Em primeiro plano estão um banco, uma mesa lateral e a mesa de refeições. O jardim, cercado por três lados, é um símbolo de um mundo seguro. Com a refeição concluída, Camille (a esposa de Monet), leva uma visita para um passeio pelo jardim, enquanto Jean, seu filho, brinca com seus blocos de madeira na sombra projetada pela mesa.

Essa pintura foi exibida na segunda exposição impressionista de 1876 como um "painel decorativo". O charme do tema reside sobretudo na impressão de espontaneidade, na simples evocação de uma vida familiar. A mesa não foi limpa no final de uma refeição. Um chapéu, pendurado no galho de uma árvore, uma bolsa e um guarda-sol deixados no banco, parecem ter sido esquecidos lá. Monet recriou as sensações mais agradáveis de uma tarde ensolarada (como as flores vivas, as manchas frescas de sombra, os tecidos arejados dos vestidos de verão), com pinceladas de cor levemente aplicadas.

Camille-Leonix Doncieux (1847-1879) ainda estava na adolescência, quando Monet a conheceu por volta de 1865. Ela era de origem humilde e trabalhou como modelo. Uma garota atraente, inteligente, com cabelos escuros e olhos maravilhosos. Claude Monet era um pintor pobre naquela época. Camille se tornou sua amiga, amante e modelo. O casal vivia em situação de pobreza deprimente. Em 1867 Camille Doncieux deu à luz o primeiro filho do casal, Jean. O pai de Claude recusou-se a levá-la para a família por causa de suas origens modestas. Mas em 28 de junho de 1870 Claude Monet e Camille Doncieux se casaram em uma cerimônia civil. Em 1877 Camille deu à luz seu segundo filho, Michel. Logo a saúde de Camille foi se deteriorando. Em 5 de Setembro de 1879, Camille morreu aos 32 anos. Monet nem sempre a tratou bem e provavelmente tinha começado um relacionamento com outra mulher, Alice Hoschede, enquanto ainda estava casado com Camille. Mas ele ficou profundamente chocado com a morte de Camille. Claude pintou-a uma última vez, em seu leito de morte. O retrato pertence à coleção do Musée d'Orsay em Paris. Ela foi o tema de uma série de pinturas de Monet, bem como de Pierre-Auguste Renoir e Édouard Manet.


Esse blog possui outro artigo sobre Camille Monet. Clique sobre esse link para ver:

http://www.arteeblog.com/2015/06/a-historia-de-la-japonaise-camille.html

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sábado, 17 de setembro de 2016

Pinturas do Jardin de Luxembourg em Paris

Henri Rousseau - The Monument to Chopin in The Luxembourg Gardens, 1909 – óleo sobre tela – 38 x 47 cm - Hermitage, St. Petersburg, Russia


Pinturas do Jardin de Luxembourg em Paris


Eliseu Visconti – Jardim de Luxemburgo, 1905 – óleo sobre tela – 50 x 60 cm - coleção particular


Vincent van Gogh - Terrace in the Luxembourg Garden, 1886 – óleo sobre tela – 46,1 x 27,1 cm - Sterling and Francine Clark Art Institute at Williamstown, MA, USA


O Jardin du Luxembourg, localizado no 6º arrondissement de Paris, foi criado no início de 1612 por Marie de Médici, a viúva do rei Henrique IV da França, para uma nova residência, que ela mandou construir, o Palácio de Luxemburgo. Nos dias atuais, o jardim é do Senado francês, que se reúne no Palácio. Ele cobre 23 hectares e é conhecido por seus gramados, avenidas arborizadas, canteiros, os modelos de veleiros em sua lagoa circular, e pela pitoresca fonte Medici, construída em 1620.






                                                    



Henri Matisse - The Luxembourg Gardens, 1901 – óleo sobre tela - Hermitage, St. Petersburg, Russia


Zinaida Serebriakova - The Luxembourg Gardens, 1946 – óleo sobre tela


Pierre-Auguste Renoir - At the Luxembourg Gardens, 1883 – óleo sobre tela – 64 x 53 cm – coleção particular


James Tissot - Without a Dowry (Sem um Dote), Sunday in the Luxembourg Gardens, 1883-1885 – óleo sobre tela – coleção particular


John Singer Sargent - Luxembourg Gardens at Twilight, 1879 – 65,7 x 92,4 cm - óleo sobre tela – Philadelphia Museum of Art, USA



Maurice Prendergast - Luxembourg Gardens, 1907 – óleo sobre madeira – 34,9 x 26,7 cm – coleção particular


Felix Vallotton - Luxembourg Garden, 1895 – óleo sobre tela – 73 x 54 cm – coleção particular


Zinaida Serebriakova – Paris, Luxembourg Gardens, 1930 – óleo sobre tela


Vittorio Matteo Corcos - Conversation in the Jardin du Luxembourg, 1892 – óleo sobre tela – 171 x 140 cm – coleção particular



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Bom Dia Rio (Posto 6) - Bossa Cuca Nova



Bom Dia Rio (Posto 6) - Bossa Cuca Nova

A canção Bom Dia Rio foi composta por Bossacucanova e Nelson Motta.

Cris Delanno é compositora, intérprete, cantora e musicista.  Considerada por Andy Summers (The Police) “A Maior Cantora do Mundo”, é a voz principal do grupo BossaCucaNova. Começou a cantar no Coral Infantil do Theatro Municipal do Rio de Janeiro aos 5 anos de idade, participando de óperas como La Boheme, Carmen e Tosca. Carioca, nascida no Texas, absorveu muito do estilo da música americana, integrando, como solista, um coral tipicamente negro, o African American Unity Choir. Aos 17 anos estava à frente do grupo do lendário Luiz Carlos Vinhas e já aos 18 anos conheceu Roberto Menescal, que logo viu a excelente intérprete que ela iria se tornar.Já dividiu o palco com Carlos Lyra, Roberto Menescal, Luiz Carlos Vinhas, Marcos Valle, Andy Summers (The Police), Oscar Castro Neves, BossaCucaNova, Ed Motta, Simoninha, Ivan Lins, entre outros.

Jaques Morelenbaum (Rio de Janeiro, 18 de maio de 1954) é um violoncelista, arranjador, maestro, produtor musical e compositor brasileiro. É casado com a cantora Paula Morelenbaum. Iniciou a carreira musical como integrante do grupo A Barca do Sol, participou também da Nova Banda em dez anos de parceria com Antônio Carlos Jobim, atuando em espetáculos e gravações que os levaram a vencedores do Grammy com o CD Antônio Brasileiro. Destacado como violoncelista, estudou música no Brasil e mais tarde ingressou no New England Conservatory. Em 1995 integrou o Quarteto Jobim Morelenbaum (juntamente com Paula Morelenbaum, Paulo Jobim e Daniel Jobim) com o qual excursionou várias vezes à Europa, Estados Unidos e no Brasil. Formou juntamente com Paula Morelenbaum e o renomado pianista e compositor japonês Ryuichi Sakamoto o grupo M2S, com o qual gravou vários projetos, incluindo os memoráveis Casa e A day in New York.


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Análise da pintura “Woman Holding a Balance” de Johannes Vermeer

Johannes Vermeer - Woman Holding a Balance – 1662-1663 – óleo sobre tela – 39,7 x 35,5 cm - National Gallery of Art, Washington, D.C.


Análise da pintura “Woman Holding a Balance” de Johannes Vermeer - com vídeo


“Woman Holding a Balance” (Mulher Segurando uma Balança) é um excelente exemplo do sentido requintado de estabilidade e ritmo de Johannes Vermeer. A modelo da pintura possivelmente foi a esposa do artista, Catharina Vermeer. Estudos técnicos da pintura mostraram que ela foi estendida cerca de cinco centímetros em todos os lados, em uma data muito posterior. Opiniões sobre o tema e o simbolismo da pintura diferem, com a mulher, alternadamente vista como um símbolo de santidade ou mundanismo.


Johannes Vermeer - Woman Holding a Balance – 1662-1663 - National Gallery of Art, Washington, D.C. - detalhe


Na pintura, uma mulher vestida com um casaco azul com acabamentos de pele, permanece serenamente ante uma mesa em um canto de uma sala. A balança em sua mão direita, está em equilíbrio, sugestiva do estado interior de sua mente. Uma grande pintura do Juízo Final, emoldurada em preto, está pendurada na parede de trás da sala. Um pano azul brilhante, abaixo de um espelho, uma janela à esquerda (invisível, salvo sua cortina dourada) fornece luz. Caixas abertas, duas fileiras de pérolas, e uma corrente de ouro estão sobre a mesa robusta. Uma luz suave entra pela janela e ilumina a cena, enfatizando o vestido e a possível gravidez da modelo, mas é mais evidente na cortina, aumentando a luz que banha a pensativa modelo. A mulher está tão pensativa que o espectador quase hesita em se intrometer em seu momento de silêncio da contemplação.


Johannes Vermeer - Woman Holding a Balance – 1662-1663 - National Gallery of Art, Washington, D.C. - detalhe


A pintura parece ter um significado místico. A justaposição visual da mulher e do Juízo Final é reforçada por paralelos temáticos: julgar é pesar. É preciso primeiro examinar a consciência e pesar os pecados, como se fosse o Dia do Julgamento. Essa introspecção pode levar a escolhas virtuosas ao longo do caminho da vida. “Mulher Segurando uma Balança”, portanto, alegoricamente nos impele para conduzir nossas vidas com temperança e moderação. A mulher está entre os tesouros terrenos de ouro e pérolas e um lembrete visual das consequências eternas de suas ações, lembrando que a futilidade deste mundo é pura vaidade. Vermeer enfatizou esta mensagem através de sua composição refinada e iluminação.


Johannes Vermeer - Woman Holding a Balance – 1662-1663 - National Gallery of Art, Washington, D.C. - detalhe


Johannes Vermeer (Delft, 31 de Outubro de 1632 - Delft, 15 de Dezembro de 1675), também conhecido como Vermeer de Delft ou Johannes van der Meer, é o segundo pintor holandês mais famoso e importante do século XVII (um período que é conhecido por Idade de Ouro Holandesa, devido às espantosas conquistas culturais e artísticas do país nessa época), depois de Rembrandt. Os seus quadros são admirados por suas cores, composições inteligentes e brilhante uso da luz. Era filho de um comerciante de artes. Casou-se em 1653 com Catharina Bolenes e teve 15 filhos, dos quais morreram 4 em tenra idade. No mesmo ano juntou-se à guilda de pintores de Saint Lucas. Mais tarde, em 1662 e 1669, foi escolhido para presidir a guilda. Sabe-se que vivia com magros rendimentos como comerciante de arte, e não pela venda dos seus quadros. Só alcançou fama póstuma no século XIX. Conhecem-se hoje muito poucos quadros de Vermeer. Só sobrevivem 35 a 40 trabalhos atribuídos ao pintor.


Assista um vídeo com análise da pintura, pelos curadores da National Gallery of Art, Washington, D.C. clicando sobre ele:




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sábado, 10 de setembro de 2016

As irmãs Cahen d´Anvers em pinturas de Renoir


As irmãs Cahen d´Anvers em pinturas de Renoir


Pierre Auguste Renoir - Portrait Mademoiselle Irène Cahen d`Anvers (Little Irene), 1880 – óleo sobre tela - 65 x 54 cm - Foundation E.G. Bührle, Zuric


O rico banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers, encomendou três retratos a Pierre Auguste Renoir (Limoges, 25 de Fevereiro de 1841 – Cagnes-sur-Mer, 3 de Dezembro de 1919) em 1880, um de cada uma de suas filhas. Renoir não negociou um preço antes de iniciar o seu trabalho. Ao completar o retrato de Irène (então com 8 anos), os Cahens decidiram que não gostaram, e disseram a Renoir para pintar as duas irmãs mais novas de Irene (Alice e Elisabeth) juntas. Louis Cahen pagou a Renoir meros 1.500 francos pelas duas pinturas (muito menos do que realmente valiam, mesmo naquele tempo), e para adicionar insulto à injúria, pendurou-as nos aposentos de seus servos. Renoir ficou furioso.

Aos 19 anos, Irène se casou com Moïse de Camondo, o último de uma longa linhagem de banqueiros judeus do Império Otomano. Durante seu casamento, seu retrato de Renoir foi pendurado em um dos hotéis dos Camondo. Irène e Moïse tiveram dois filhos, Nissim e Béatrice durante o seu curto casamento de cinco anos, antes de Irène se converter ao catolicismo e fugir com o cavalariço dos Camondo, o conde Charles Sampieri em 1896. Irène conseguiu obter um divórcio, dando a Moïse a custódia total de seus filhos, e Irène se casou com Charles, tornando-se a condessa Irène Sampieri. O retrato voltou para a mãe de Irène, Louise, durante o divórcio, e ela, por sua vez o presenteou para a sua neta Béatrice, entre 1910 e 1933.

O filho de Irène se tornou um aviador do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial. Ele faleceu em batalha, em 1917. A filha de Irène, Béatrice se casou e teve dois filhos. Moïse morreu em 1935 e a sua fortuna ficou em grande parte para sua filha. Sua mansão e coleção de arte foram doadas para uma fundação, para criar um museu em honra de seu filho, o Musée Nissim de Comondo.

Em 1939, os nazistas invadiram a França. Como muitos outros, Béatrice e seu esposo optaram por ficar em Paris, acreditando que sua riqueza e status iriam protegê-los. Eles estavam errados, e em 1941 eles e seus filhos (juntamente com a irmã de Irène, Elisabeth) foram enviados para Auschwitz, onde foram todos mortos. Irène, agora separada de Charles, conseguiu se salvar, escondendo-se atrás de seu sobrenome italiano e de sua religião. Sua outra irmã, Alice, também sobreviveu ao holocausto e viveu até os 89 anos, falecendo em 1969, em Nice.

O retrato, agora muito valioso, foi roubado da casa Reinach em 1941 pela Reichsleiter Rosenberg Taskforce e tornou-se propriedade de Herman Göring. Em 1945, os Aliados libertaram o retrato, e ele foi enviado para um ponto de coleta em Munique. No final de 1946, o retrato começou a viajar com outras pinturas liberadas, em uma exposição intitulada "Obras-primas de coleções francesas encontradas na Alemanha e na Suíça", onde foi visto por Irène. Ela conseguiu obter a posse da obra, pois a última posse legal era de sua filha, de quem Irène era a herdeira. Em 1949, Irène a vendeu para Emil Georg Bührle, que estava começando a colecionar obras de impressionistas franceses. Ao longo dos próximos anos, Irène gastou o dinheiro obtido com a venda desse retrato e toda a fortuna Camondo em cassinos no sul da França, até a sua morte em 1963. Após a morte de Emil Georg Bührle, em 1956, o retrato foi finalmente doado à Fundação E.G. Bührle em Zurique onde está agora em exposição.


Pierre Auguste Renoir - Rosa e Azul (As Meninas Cahen d´Anvers), 1881 – óleo sobre tela - 119 x 74 cm – Masp (Museu de Arte de São Paulo, Assis Chateaubriand, Brasil)


A pintura Rosa e Azul (As Meninas Cahen d´Anvers), é considerada um dos mais populares ícones da coleção do Museu de Arte de São Paulo, onde se encontra desde 1952. Renoir retratou as duas filhas do banqueiro Louis Raphael Cahen d’Anvers, a loira Elisabeth, nascida em dezembro de 1874, e a mais nova, Alice, em fevereiro de 1876, quando tinham respectivamente seis e cinco anos de idade. Alice recordou muitas décadas depois (quando então possuía o título de Lady, por ter casado com o general Townsend of Kut), que o tédio das sessões era compensado pelo prazer de vestir o elegante vestido de renda.

O título mais popular dessa obra (Rosa e Azul), que se refere às cores dos vestidos das meninas, desde 1900, quando esteve exposta na galeria Bernheim-Jeune, em Paris. O artista transmitiu com as cores e a delicadeza de tonalidades, todo o frescor e a candura da infância. As meninas quase se materializam diante do observador, a de azul com seu ar vaidoso, e a de rosa com um certo enfado, quase beirando as lágrimas. As duas meninas, impecavelmente penteadas e vestidas, seguram a mão uma da outra para maior segurança. Usando vestidos de festa idênticos, com fitas, faixas e meias combinando e os cabelos escovados em franjas perfeitas, Alice, com cinco anos de idade, à esquerda, olha para o espectador como se estivesse para se desmanchar em lágrimas, enquanto a irmã maior, Elisabeth, de seis anos, parece um pouco mais confortável enquanto posa.

A obra, produzida por encomenda de Louis-Raphael Cahen d'Anvers, pertenceu à coleção particular de sua família, em Paris. Foi redescoberta, aparentemente abandonada, em um apartamento na capital francesa, no ano de 1900, pelos marchands Bernheim-Jeune, passando a compor o acervo da Galeria Bernheim-Jeune et Fils, também em Paris. Em seguida, a obra foi sucessivamente vendida, até ser adquirida em 7 de julho de 1952, pelo Museu de Arte de São Paulo, com recursos doados pelo fundador do museu, Assis Chateaubriand. O retrato das meninas Cahen d’Anvers, além de possuir uma ampla bibliografia e um vasto histórico de exibições, angariou também a simpatia dos visitantes do MASP, tornando-se uma das mais populares e apreciadas obras do museu e uma fonte de inspiração para outros pintores e para o público.


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sábado, 3 de setembro de 2016

A história da pintura “The Beach at Trouville” de Claude Monet

Claude Monet - The Beach at Trouville – 1870 – óleo sobre tela - 38 x 46.5 cm - The National Gallery, London


A história da pintura “The Beach at Trouville” de Claude Monet


Claude Monet - The Beach at Trouville – 1870 – detalhe com areia na tinta à óleo, mostrando que essa obra foi, pelo menos parcialmente, pintada na praia


“The Beach at Trouville” (A Praia em Trouville) é uma tela pintada por Monet, enquanto ele estava em lua de mel na costa. Ele e sua esposa Camille estavam em seu caminho para Londres, para escapar da guerra franco-prussiana. Esta pintura é uma das cinco cenas de praia produzidas por Monet no verão de 1870, que podem ter sido esboços preparatórios para uma pintura maior que Monet pretendia apresentar no Salon de Paris. A figura à esquerda é, provavelmente, Camille, a esposa de Monet, e a mulher à direita, possivelmente, a esposa do pintor Eugène Boudin, cujas cenas de praia influenciaram o trabalho de Monet.


Claude Monet - Camille on the Beach, 1870 – óleo sobre tela - 31 x 15 cm - Musée Marmottan-Monet, Paris


A pintura é incomum em sua composição (um close-up de figuras simetricamente dispostas) e na bravura de sua técnica. Os traços brancos de pintura iluminando o vestido de Camille, são proeminentes. Eles contrastam com o rosto sombreado, provavelmente escondido por um véu, e o guarda-sol protegendo o chapéu florido. Grãos de areia e migalhas de conchas se misturaram na tinta a óleo, confirmando que ela deve ter sido, pelo menos parcialmente, executada na praia. A imagem é quase comparável a uma foto de família, uma gravação informal de um momento privado.


Claude Monet - On The Beach At Trouville, 1870 – óleo sobre tela - 38 x 46 cm -Musée Marmottan-Monet, Paris


Camille-Leonix Doncieux (1847-1879) ainda estava na adolescência, quando Monet a conheceu por volta de 1865. Ela era de origem humilde e trabalhou como modelo. Uma garota atraente, inteligente, com cabelos escuros e olhos maravilhosos. Claude Monet era um pintor pobre naquela época. Camille se tornou sua amiga, amante e modelo. O casal vivia em situação de pobreza deprimente. Em 1867 Camille Doncieux deu à luz o primeiro filho do casal, Jean. O pai de Claude recusou-se a levá-la para a família por causa de suas origens modestas. Mas em 28 de junho de 1870 Claude Monet e Camille Doncieux se casaram em uma cerimônia civil. Em 1877 Camille deu à luz seu segundo filho, Michel. Logo a saúde de Camille foi se deteriorando. Em 5 de Setembro de 1879, Camille morreu aos 32 anos. Monet nem sempre a tratou bem e provavelmente tinha começado um relacionamento com outra mulher, Alice Hoschede, enquanto ainda estava casado com Camille. Mas ele ficou profundamente chocado com a morte de Camille. Claude pintou-a uma última vez, em seu leito de morte. O retrato pertence à coleção do Musée d'Orsay em Paris. Ela foi o tema de uma série de pinturas de Monet, bem como de Pierre-Auguste Renoir e Édouard Manet. 


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Claude Monet – Camille Sitting on the Beach at Trouville, 1870 – óleo sobre tela – 46 x 38 cm – coleção particular


Claude Monet - Camille on the Beach at Trouville, 1870 – óleo sobre tela - 46.4 x 38.1 cm - Yale University Art Gallery, New Haven CT


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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Pinturas e ilustrações de Setembro

Caspar Camps i Junyent - Alegoria del mes de Septiembre, 1901 – ilustração

Gaspar Camps i Junyent (Igualada, 1874 - Barcelona 1942) foi um pintor, desenhista e ilustrador que participou do movimento artístico em voga no final do século XIX, o Art Nouveau da França e sua implementação na Catalunha, o modernismo catalão. De origem espanhola, Gaspar Camps passou a maior parte de sua carreira na França. Ele foi influenciado por Alphons Mucha , o artista checo vivendo em Paris, então no auge de sua carreira. Dada a influência de Mucha, incluindo seus cartazes artísticos, Gaspar Camps foi chamado de Mucha Catalan.


Pinturas e ilustrações de Setembro


Edmund Blair Leighton – September, 1915 – óleo sobre tela - Laing Art Gallery, Newcastle-upon-Tyne, United Kingdom


Camille Pissarro - September Fête, Pontoise, 1872 – óleo sobre tela – 46 x 55 cm – coleção particular


Alfred Sisley - September Morning, 1887 – óleo sobre tela – coleção particular


Alphons Mucha - Septembre, 1899 – ilustração

Os Meses (1899): esta série de medalhões foi usada ​​para ilustrar a capa da revista Le Mois Littéraire antes de eles serem reproduzidos como cartões postais. Cada medalhão apresenta uma figura feminina posando contra um fundo natural, característico do mês representado.
Alfons Maria Mucha - (Ivančice, 24 de julho de 1860 — Praga, 14 de julho de 1939) foi um pintor, ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os cartazes para os espetáculos de Sarah Bernhardt realizados na França, de 1894 a 1900, e uma série chamada Epopéia Eslava, elaborada entre 1912 e 1930.


Childe Hassam - September Moonrise, 1900 – óleo sobre tela - 40.64 × 46.36 – Dallas Museum of Art, USA


George Henry - A September Day, 1935 – óleo sobre tela


René Magritte - Sixteenth of September, 1956 – guache sobre grafite - 35.56 x 27.62 cm – Minneapolis Institute of Art, USA

Esse blog possui um artigo com uma análise dessa pintura. Clique sobre esse link para ver:



Willard Metcalf – September, 1910 – óleo sobre tela - 53.34 x 67.31 cm – coleção particular



Eugène Grasset - La Belle Jardiniere – Septembre, 1896 – ilustração

O artista gráfico suiço Eugène Samuel Grasset (1845-1917) foi uma das principais figuras do movimento Art Nouveau em Paris. Mais conhecido por seus cartazes emblemáticos e suas contribuições para design gráfico - um itálico que ele criou, em 1898, ainda é usado por designers de todo o mundo - Grasset também criou móveis, cerâmicas, tapeçarias, e selos postais. Em 1894, Grasset recebeu uma encomenda da loja de departamentos francesa La Belle Jardinière para criar doze obras de arte originais, a serem utilizadas como um calendário. Graciosas xilogravuras retratando belas moças em trajes de época e jardins que mudam com as estações do ano foram produzidas, com espaços vazios para as datas do calendário, em um portfólio de obras de arte chamado Les Mois (Os meses) pela editora Paris G. de Malherbe em 1896.


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