sábado, 21 de novembro de 2015

Séries Arteeblog: Grandes marchands e mecenas das artes – Peggy Guggenheim

Peggy Guggenheim Collection


Séries Arteeblog: Grandes marchands e mecenas das artes – Peggy Guggenheim (com vídeo)


Peggy Guggenheim Collection


Peggy Guggenheim 


Marguerite "Peggy" Guggenheim (26 de Agosto de 1898 – 23 de Dezembro de 1979) além de uma grande herdeira, foi mecenas de artistas e dona de uma das mais importantes coleções de arte moderna do século 20. Ela era filha de Benjamin Guggenheim, que faleceu no naufrágio do Titanic, em 1912, e sobrinha de Solomon R. Guggenheim, que estabeleceu a Fundação Solomon R. Guggenheim, com museus em vários países.


Jean Arp - Overturned Blue Shoe with Two Heels Under a Black Vault - c. 1925 – madeira pintada - 79.3 x 104.6 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Marc Chagall - Rain – 1911 – óleo e carvão sobre tela - 86.7 x 108 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


No início de seus 20 anos, Peggy trabalhou numa livraria avant-garde e se envolveu nos círculos intelectuais e artísticos de Nova York, onde conheceu seu primeiro marido, Laurence Vail, um escritor e escultor Dadaísta, com quem teve dois filhos. Peggy Guggenheim ficou conhecida por seu amor à arte e por sua vida pessoal, por ter tido inumeráveis “casos” com artistas e escritores.
Em 1921 Peggy Guggenheim viajou para a Europa, e logo se viu no centro da boemia parisiense e dos americanos expatriados e se tornou amiga de artistas, como Constantin Brancusi e Marcel Duchamp.

Peggy Guggenheim em sua cama, com a obra de Alexander Calder - Silver Bedhead 


Alexander Calder - Silver Bed Head - 1945–46 – prata – 160 x 131 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Em 1937 Peggy abriu uma galeria de arte em Londres. A abertura da galeria Guggenheim Jeune em Janeiro de 1938 marcou o início de uma carreira que afetaria significativamente o curso da arte do pós-guerra. Seu amigo Samuel Beckett pediu para ela dedicar-se à arte contemporânea que era "um ser vivo", e Marcel Duchamp a apresentou a artistas e a instruiu sobre arte contemporânea e artistas. A primeira exposição da galeria apresentou obras de Jean Cocteau e a segunda de Vasily Kandinsky, sua primeira exposição individual na Inglaterra. A galeria também expôs obras de Henry Moore, Alexander Calder, Raymond Duchamp-Villon, Constantin Brâncuși, Jean Arp, Max Ernst, Pablo Picasso, Georges Braque e Kurt Schwitters.


Vasily Kandinsky - Landscape with Red Spots, No. 2 - 1913 – óleo sobre tela - 117.5 x 140 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Giorgio de Chirico - The Red Tower – 1913 – óleo sobre tela - 73.5 x 100.5 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Em 1939, cansada de sua galeria, Peggy decidiu abrir um museu moderno, com seu amigo Herbert Read como seu diretor. Entre 1939 e 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, Peggy adquiriu obras para o futuro museu, mantendo sua palavra de "comprar uma pintura por dia". Algumas das obras-primas de sua coleção, como as de Pablo Picasso, Max Ernst, Francis Picabia, Joan Miró, Georges Braque, Magritte, Man Ray, Salvador Dalí, Piet Mondrian, Fernand Léger, Brancusi, Paul Klee e Marc Chagall foram compradas naquele momento. Então decidiu voltar para sua terra natal, Nova York. Em Julho de 1941, Peggy fugiu da França ocupada pelos nazistas junto com Max Ernst, que viria a ser seu segundo marido (eles se divorciaram em 1943).


Peggy Guggenheim e Max Ernst


Max Ernst - The Kiss - 1927 – óleo sobre tela - 129 x 161.2 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Peggy imediatamente começou a procurar um local para seu museu de arte moderna, enquanto continuava a adquirir obras para sua coleção. Em Outubro de 1942 ela abriu o museu / galeria Art of This Century (Arte deste Século). Projetada pelo arquiteto austríaco Frederick Kiesler, a galeria tinha salas de exposições extraordinariamente inovadoras e logo se tornou o local mais estimulante para a arte contemporânea em Nova York. Três das quatro galerias eram dedicadas à arte cubista e abstrata, ao surrealismo e à arte cinética, com apenas a quarta galeria, a sala da frente, sendo uma galeria comercial. Foi lá que Peggy exibiu sua coleção de arte cubista, abstrata e surrealista. Ela realizou exposições temporárias de grandes artistas europeus e de vários jovens artistas americanos então desconhecidos, como Jackson Pollock, a "estrela" da galeria, com sua primeira exposição no final de 1943. A partir de Julho de 1943, Peggy sustentou Pollock com uma mesada e ela ativamente promoveu e vendeu seus quadros. Peggy encorajou e apoiou a nascente avant-garde de Nova York.


Peggy Guggenheim e Jackson Pollock


Jackson Pollock - Alchemy – 1947 – óleo, alumínio, esmalte e barbante sobre tela - 114.6 x 221.3 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Em 1947 Peggy decidiu voltar para a Europa, onde sua coleção foi mostrada pela primeira vez na Bienal de Veneza de 1948, dando a artistas como Arshile Gorky, Jackson Pollock e Mark Rothko, a sua primeira exposição européia. Em 1948 Peggy comprou o Palazzo Venier dei Leoni sobre o Grande Canal de Veneza, onde passou a residir. Em 1949, ela realizou uma exposição de esculturas no jardim, e em 1951, abriu sua coleção para o público. Durante seus 30 anos em Veneza, Peggy Guggenheim continuou a colecionar obras de arte e a apoiar artistas americanos e europeus. Em 1962 Peggy Guggenheim recebeu o título de Cidadã Honorária de Veneza.


Alberto Giacometti - Woman Walking – 1932 – gesso e fio de ferro – 150 cm de altura incluindo a base - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Georges Braque - The Bowl of Grapes – 1926 – óleo com cascalho e areia sobre tela de linho – 100 x 80,8 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Giacomo Balla - Abstract Speed + Sound - 1913–14 – óleo sobre cartão sem verniz em moldura pintada pelo artista - 54.5 x 76.5 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Em 1969, o Museu Solomon R. Guggenheim, de Nova York convidou Peggy Guggenheim para mostrar sua coleção lá, e foi nessa ocasião que ela resolveu doar seu palácio e suas obras de arte para a Fundação Solomon R. Guggenheim. Peggy faleceu aos 81anos, em 23 de Dezembro de 1979. Suas cinzas foram colocadas em um canto do jardim do Palazzo Venier dei Leoni, ao lado do lugar onde ela enterrou seus 12 amados cães. Desde então o Peggy Guggenheim Collection cresceu e se tornou um dos melhores museus de arte moderna do mundo e é uma das atrações mais visitadas de Veneza, com mais de 300 obras de mais de 100 dos artistas mais influentes do século 20. 


Jean Metzinger - At the Cycle-Race Track – 1912 – óleo e colagem sobre tela - 130.4 x 97.1 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Joan Miró - Dutch Interior II - 1928 – óleo sobre tela – 92 x 73 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Pablo Picasso - On the Beach -  1937 – óleo, pastel e giz sobre tela - 129.1 x 194 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Henry Moore - Three Standing Figures - 1953 – bronze e patina – 71,7 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Paul Delvaux - The Break of Day - July 1937 – óleo sobre tela – 120 x 150,5 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


René Magritte - Empire of Light - 1953–54 – óleo sobre tela - 195.4 x 131.2 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Lucio Fontana - Concetto Spaziale - 1951 – óleo sobre tela - 85.1 x 66 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Willem de Kooning - Nude Figure–Woman on the Beach – 1963 – óleo sobre papel colado em tela - 81.3 x 67.3 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Mark Rothko - Red - 1968 – óleo sobre papel sobre tela - 83.8 x 65.4 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


Andy Warhol - Flowers - 1964 – óleo sobre tela – 61 x 61 cm - The Solomon R. Guggenheim Foundation Peggy Guggenheim Collection, Venice, 1976


"Eu me dediquei à minha coleção. Eu fiz dela o trabalho da minha vida. Eu não sou uma colecionadora de arte. Eu sou um museu." – Peggy Guggenheim



Assista o video abaixo, clicando sobre ele e faça uma visita virtual ao museu: 






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terça-feira, 17 de novembro de 2015

A história de “Schubert ao Piano” de Gustav Klimt

Gustav Klimt - Schubert ao Piano (Schubert am Klavier) – 1899 – óleo sobre tela – 150 x 200 cm - Destruída por um incêndio provocado por forças alemãs em retirada em 1945 em Schloss Immendorf, Áustria


A história de “Schubert ao Piano” de Gustav Klimt


Em 1898, o industrial grego Nikolaus Dumba encomendou a Hans Makart, Franz Matsch e Gustav Klimt a decoração de três cômodos em seu apartamento de luxo, com pinturas e também móveis. Isto era bem diferente de qualquer coisa que Klimt tinha feito antes: produzir duas pinturas para os painéis acima das portas para um cliente particular, em uma escala doméstica. A Klimt foi dada a sala de música. Enquanto uma das telas, "Música II", é uma obra alegórica remontando a pinturas anteriores, a outra, "Schubert ao Piano", é altamente inovadora. Provavelmente Dumba solicitou que Schubert fosse o tema da pintura, pois ele era certamente popular na época e também era o compositor favorito de Klimt. O que é particularmente notável sobre esse retrato é como Klimt abandonou completamente a ideia de uma representação histórica exata, mostrando os personagens em trajes contemporâneos. A iluminação sutil emitida pela vela tende a dissolver os elementos na imagem. Não é possível determinar o espaço em que os personagens são mostrados e apenas o perfil de Schubert se destaca, nitidamente focado.


Gustav Klimt – Music II – 1898 – óleo sobre tela – 150 x 200 cm - Destruída por um incêndio provocado por forças alemãs em retirada em 1945 em Schloss Immendorf, Áustria


Na pintura de Schubert, a jovem ruiva é Mizzi Zimmerman, que estava esperando um filho do pintor. O vestido de seda que ela está usando foi emprestado por Serena Lederer, uma vienense rica , mecenas das artes e colecionadora de 14 obras de Klimt, incluindo um retrato da amante de Egon Schiele, Valerie Neuzil.
Mizzi tambem posou nua para outra obra de Klimt, The Naked Truth (Nuda Veritas), mas Klimt (que havia engravidado outra moça ao mesmo tempo) não queria se casar com ela, alegando que recebera uma importante encomenda: pintar Medicina, Filosofia e Jurisprudência no teto da Universidade de Viena.


Gustav Klimt - The Naked Truth (Nuda Veritas) - 1899 – óleo sobre tela - 252 x 56,2 cm - Austrian Theater Museum , Vienna

O texto do poeta alemão Schiller na parte superior da pintura diz: "Se você não pode agradar a todos com suas ações e sua arte, você deve satisfazer alguns. Agradar a muitos é perigoso". O tom um pouco agressivo desta inscrição, combinado com o espelho que a figura feminina estende para o espectador, nos convidando a examinar a nós mesmos, talvez possa estar relacionado com a rebeldia do movimento Secessão.

A pintura "Schubert ao Piano" não pode ser mais vista: Essa e outras telas da coleção de Serena Lederer foram destruídas pelos nazistas em 1945. Serena Lederer levou a coleção de 14 pinturas de Klimt para o museu de Schloss Immendorf, para ficarem mais seguras. mas os nazistas em retirada (1945) atearam fogo no museu. Muitas obras de Klimt foram destruídas, incluindo: Golden Apple Tree, Philosophy and Jurisprudence (que Lederer comprou quando a Universidade de Viena rejeitou a obra), Girl Friends e Music II. O número exato de pinturas queimadas em Schloss Immendorf é desconhecida.


Veja mais pinturas de Serena Lederer e leia a história dela no artigo desse Blog: "Grandes marchands e mecenas da arte: Serena Lederer (Gustav Klimt)" – clicando no link abaixo:



Franz Peter Schubert ( 31 de Janeiro de  1797, 19 de Novembro de 1828) foi um compositor austríaco. Embora falecido aos 31 anos, Schubert foi um compositor prolífico, tendo escrito cerca de 600 Lieder (canções executadas por piano e cantor), nove sinfonias (incluindo a famosa "Symphony No. 8 (Unfinished Symphony)”, música litúrgica, óperas, músicas incidentais e um grande corpo de música de câmara e música solo de piano. A apreciação da música de Schubert durante sua vida foi limitada, mas o interesse por seu trabalho aumentou significativamente nas décadas após a sua morte. Franz Liszt, Robert Schumann, Johannes Brahms e Felix Mendelssohn, entre outros, descobriram e divulgaram suas obras no século 19. Hoje, Schubert é visto como um dos principais expoentes do início da música romântica (era romântica)e continua sendo um dos compositores mais executados.


Gustav Klimt (Baumgarten, Viena, 14 de julho de 1862 — Viena, 6 de fevereiro de 1918) foi um pintor simbolista austríaco. Associado ao simbolismo, destacou-se dentro do movimento Art Nouveau austríaco e foi um dos fundadores do movimento da Secessão de Viena, que recusava a tradição acadêmica nas artes, e do seu jornal, Ver Sacrum. Klimt foi também membro honorário das universidades de Munique e Viena. Os seus maiores trabalhos incluem pinturas, murais, esboços e outros objetos de arte, muitos dos quais estão em exposição na Galeria da Secessão de Viena.

Esse blog possui mais artigos sobre Gustav Klimt. Clique sobre os links abaixo para ver:

http://www.arteeblog.com/2015/07/a-fase-dourada-de-gustav-klimt.html

http://www.arteeblog.com/2017/02/a-historia-da-pintura-auditorium-of-old.html

http://www.arteeblog.com/2018/06/a-historia-da-pintura-de-gustav-klimt.html

http://www.arteeblog.com/2018/07/analise-da-pintura-kiss-de-gustav-klimt.html


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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Antonio Parreiras, sua arte e sua história

Antonio Parreiras – A Tarde – 1887 – óleo sobre tela – 200 x 130 cm - Museu Antonio Parreiras, Niteroi, Brasil



Antonio Parreiras, sua arte e sua história – com vídeos


Antonio Parreiras 



Antonio Parreiras – Panorama de Niterói – 1892 – óleo sobre tela - 243.5 x 338.3 cm


Antonio Diogo da Silva Parreiras (Niterói, RJ, 1860-1937) é um dos principais paisagistas brasileiros do período entre o final do século 19 e as primeiras décadas do século 20. Em seus 78 anos de vida, teve uma produção grande e importante. Vivenciou momentos importantes da história do Brasil: a monarquia, a república e o início do Estado Novo , e retratou esse período.


Antonio Parreiras – Escola ao Ar Livre – c. 1892 – óleo sobre tela - 100 x 148.5 cm

Em 1883 iniciou seus estudos na Academia Imperial de Belas Artes, onde frequentou as aulas do professor de paisagem Georg Grimm. Após dois anos, junto a França Júnior, Castagneto, Hipólito Caron e Domingos Garcia y Vasquez, abandonou a Academia quando esta proíbiu que o mestre desse aulas de pintura ao ar livre. Ainda sob a orientação de Grimm, o grupo pintou paisagens da praia da Boa Viagem, em Niterói. Em janeiro de 1885, em seu ateliê naquela cidade, Parreiras realizou a primeira exposição de sua produção. Esses quadros e mais alguns foram expostos no mesmo ano no Rio de Janeiro. Assim, iniciou uma carreira permeada de exposições individuais, não só no Rio de Janeiro, mas, posteriormente, em diversos Estados do Brasil, como São Paulo, Pará, Amazonas e Rio Grande do Sul. Realizou uma série de excursões e viagens de estudo por diversas partes do País.


Antonio Parreiras – Vencido – 1905 – óleo sobre tela – 60 x 83 cm - Museu Antônio Parreiras em Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.


Antonio Parreiras – Ventania – 1888 – óleo sobre tela – 150 x 100 cm – Pinacoteca do Estado de São Paulo


A imprensa do período observou a falta de prática do artista no desenho de figura e, em diversas ocasiões, incitou o jovem a ir aperfeiçoar-se na Europa. Parreiras executou então a pintura “A Tarde”, para submissão à compra pelo Governo Imperial. Com o dinheiro da venda, viajou pela primeira vez à Europa, desembarcando em Gênova, de onde seguiu para Roma. Por fim, se estabeleceu em Veneza. Tornou-se aluno livre da Academia de Belas Artes local, onde estudou com Filippo Carcano.


Antonio Parreiras – Fantasia – 1909 – óleo sobre tela – 89 x 146 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


Em 1890 retornou ao Brasil e inscreveu trabalhos na Exposição Geral de Belas Artes daquele ano, a primeira organizada no período republicano, obtendo Pequena Medalha de Ouro. Pela primeira vez, fez uma pintura histórica, sob encomenda. Embrenhou-se nas florestas tropicais, reproduzindo nas telas o clima e o mistério que existem na flora e na fauna locais, com verdes intensos e cores fortes. Marinhas e cenas campestres completam a sua produção artística, que o coloca entre os principais paisagistas do Brasil.


Antonio Parreiras – O Caçador de Esmeraldas – 1910 – óleo sobre tela - 97.5 x 195 cm


Entre o fim do Século XIX e o início do Século XX, Parreiras tornou-se um artista consagrado. Ele ampliou o leque de temas e deixou de dedicar-se exclusivamente às paisagens. A partir de 1899, recebeu encomendas de execução de painéis em alguns palácios e prédios públicos. Incentivado por Victor Meirelles (1832 - 1903), executou pinturas de cenas históricas para o poder público. Entre elas se destacam “Proclamação da República”, “Morte de Estácio de Sá” e “Prisão de Tiradentes”, trabalhos que aumentaram sua notoriedade no Brasil. O sucesso lhe proporcionou uma vida mais confortável. A partir de 1906, Parreiras viveu entre Paris e Niterói. Manteve ateliê na França, onde trabalhou e expôs com regularidade.


Antonio Parreiras – Fim de Romance – 1912 – óleo sobre tela – 97 x 185 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


 Antonio Parreiras – Nonchalance – 1914 – óleo sobre tela – 100 x 200 cm


Retornou ao Brasil em 1907, e em 1908 seguiu para Belém, de onde se transferiu novamente para Paris, levando consigo o filho Dakir, para iniciá-lo na pintura. Em 1909, mostrou seu trabalho, o nu feminino “Fantasia”, no Salon de la Societé National des Beaux Arts. A repercussão foi muito positiva, e esse gênero de pintura se tornou um dos principais filões de sua produção. Em 1910 inscreveu no Salon a pintura “Frinéia”, aceita por unanimidade pelo júri. Passa então a ser conhecido na Europa como pintor de nus. Apresenta posteriormente “Dolorida” em 1910, “Flor Brasileira” em 1913, “Nonchalance” em 1914 e “Modelo em Repouso” em 1920. Parreiras foi eleito, pelos leitores da Revista Fon Fon, o maior pintor brasileiro vivo em 1925.


Antonio Parreiras – Frinéia – 1909 - óleo sobre tela - 89,5 x 145,5 cm


Foram poucas as paisagens realizadas na década de 1920. Contudo, prosseguiu na realização de pinturas históricas. Depois, pelas dificuldades em obter novas encomendas de pinturas históricas, Parreiras voltou-se novamente para a pintura de paisagens. Adoeceu progressivamente a partir de 1932, e, ao falecer, deixou prontos os originais da segunda parte de seu livro de memórias, “História de um Pintor”, contada por ele mesmo, cuja primeira edição data de 1926. Segundo ele próprio, realizou ao longo de aproximadamente 55 anos, mais de 850 pinturas, das quais 720 em solo brasileiro, tendo feito 39 exposições no Rio de Janeiro e em vários outros estados do Brasil.


Antonio Parreiras – Fundação da Cidade de São Paulo – 1913 – óleo sobre tela – 200 x 300 cm


Antonio Parreiras – Pintando do Natural – 1937 – óleo sobre tela - 77,5 x 96 cm – Museu Antonio Parreiras, Niteroi, RJ


Assista o vídeo abaixo e faça uma visita guiada virtual ao Museu Antonio Parreiras, em Niteroi, Rio de Janeiro:





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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Análise de “O Pensador” de Auguste Rodin

Auguste Rodin – O Pensador – Musée Rodin



Análise de “O Pensador” de Auguste Rodin






O Pensador é uma escultura em bronze de Auguste Rodin, geralmente colocada sobre um pedestal de pedra. O trabalho mostra uma figura masculina nua. maior do que o tamanho real de um homem, sentado em uma pedra com o queixo apoiado em uma mão, como se imerso em seus pensamentos, e é frequentemente utilizado como uma imagem para representar a filosofia. Originalmente chamado de O Poeta, a peça era parte de uma encomenda do Museu de Arte Decorativa em Paris para criar um portal monumental baseado na Divina Comédia, de Dante Alighieri. Cada uma das estátuas no portal representava um dos personagens principais do poema épico.




Quando concebido em 1880 em seu tamanho original (aprox. 70 cm) como o elemento culminante de “As Portas do Inf rno”, O Pensador representava Dante, autor da Divina Comédia, inclinando-se para observar os círculos do Inf rno, enquanto meditava em seu trabalho. O Pensador foi, portanto, inicialmente, tanto um ser com um corpo torturado, quase uma alma condenada, e um homem de pensamento livre, decidido a ultrapassar o seu sofrimento através da poesia. 


Michelangelo - Lorenzo de Medici (O Pensador) – Capela Medici, San Lorenzo, Florença

A pose dessa figura deve muito a Ugolino de Carpeaux (1861) e ao retrato de Lorenzo de Médici esculpido por Michelangelo (1526-1531). Rodin queria uma figura heróica na tradição de Michelangelo, para representar o intelecto, bem como poesia. 




O Pensador foi exibido individualmente em 1888 e tornou-se assim um trabalho independente. Ampliado em 1904, sua versão colossal provou ser ainda mais popular: a imagem de um homem perdido em seus pensamentos, mas cujo corpo poderoso sugere uma grande capacidade de ação, tornou-se uma das esculturas mais célebres já conhecidas. Numerosas tiragens (fundições) existem em todo o mundo, incluindo a que está agora nos jardins do Museu Rodin, um presente para a cidade de Paris instalado fora do Panthéon, em 1906, e outra nos jardins da casa de Rodin em Meudon, sobre o túmulo do escultor e sua esposa. Mais de vinte cópias da escultura estão em museus em todo o mundo.


Auguste Rodin em seu estúdio em 1904


Em uma carreira que durou do final do século XIX até o início do século XX, Auguste Rodin (francês, 1840-1917) foi profundamente inspirado pela tradição mas também se rebelou  contra suas formas idealizadas, introduzindo práticas inovadoras que pavimentaram o caminho para a escultura moderna. Ele acreditava que a arte deve ser fiel à natureza, uma filosofia que moldou suas atitudes com modelos e materiais. Seu gênio era expressar verdades interiores da psique humana, e seu olhar penetrou sob a aparência externa do mundo. Explorando este reino sob a superfície, Rodin desenvolveu uma técnica ágil para representar os estados físicos extremos que correspondem a expressões de turbulência interna ou esmagadora alegria. Ele esculpiu um universo de grande paixão e tragédia, um mundo de imaginação que excedeu a realidade mundana da existência cotidiana. Ele usou diversos materiais como bronze, mármore, gesso e argila. As marcas do estilo de Rodin, como a figura parcial, seu foco nas qualidades formais e relacionamentos ao invés da estrutura narrativa, e seu desejo de manter as marcas do processo escultural em suas obras, foram revolucionárias em seu tempo. A intensidade evocativa de seus trabalhos foi seguida por muitos artistas, incluindo os que trabalharam em seu estúdio, como Constantin Brancusi (francês, nascido na Roménia, 1876-1957) e Aristide Maillol (francês, 1861-1944).

Fonte: Musée Auguste Rodin


Assista um vídeo raro de Auguste Rodin esculpindo em seu estúdio em Paris em 1915:





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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Análise de “À Beira Mar” (By The Seashore) de Pierre-Auguste Renoir

Pierre-Auguste Renoir – “À Beira Mar” (By The Seashore) – 1883 – óleo sobre tela – 92,1 x 72,4 cm - The Metropolitan Museum of Art, New York


Análise de “À Beira Mar” (By The Seashore) de Pierre-Auguste Renoir


Pierre-Auguste Renoir (Limoges, 25 de Fevereiro de 1841 – Cagnes-sur-Mer, 3 de Dezembro de 1919) provavelmente pintou este trabalho em seu estúdio, tendo como modelo a futura esposa, com quem se casou em 1890, Aline Charigot (1859-1915), em uma cadeira de vime. O arco das sobrancelhas escuras da modelo e o nariz arrebitado no rosto agradável de bochechas rosadas, são comuns na obras de Renoir. A praia atrás dela representa, provavelmente, a costa da Normandia perto de Dieppe.
Esta tela reflete o impacto da viagem de Renoir para a Itália em 1881-1882, o que o inspirou a unir a "grandeza e simplicidade" que ele admirava na arte renascentista com a luminosidade do impressionismo. Sua nova abordagem, que ele chamou de sua forma "seca", é evidente no rosto de Aline, com as suas características cuidadosamente desenhadas e manipulação suave da pintura. As pinceladas rápidas no fundo, no entanto, mostram a técnica mais livre de anos anteriores de Renoir. Após esta viagem, ele começou a explorar uma nova forma de pintura, diferente do Impressionismo. Ele começou a enfatizar contornos e modelagem, abandonando o princípio de que as cenas devem ser pintadas ao ar livre para capturar a luz e a atmosfera.


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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Antonio Carlos Jobim & Frank Sinatra - Drinking Water




Antonio Carlos Jobim & Frank Sinatra - Drinking Water

"Água de Beber" ("Drinking Water") é uma canção brasileira da bossa nova, composta por Antonio Carlos Jobim, com a letra escrita por Vinicius de Moraes. A versão em inglês foi escrita por Norman Gimbel. Sinatra/Jobim: The Complete Reprise Recordings é um álbum de compilação de 2010 de Frank Sinatra, composto por 20 faixas que ele gravou com o músico brasileiro Antônio Carlos Jobim.



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Giorgio de Chirico, arte metafísica

Giorgio de Chirico – Auto-retrato – 1922 – óleo sobre tela – 38,4 x 51 cm - Toledo Museum of Art


Giorgio de Chirico, arte metafísica




Giorgio de Chirico (Vólos, Grécia, 10 de julho de 1888 — Roma, 20 de novembro de 1978), também conhecido como Népoli, foi um pintor nascido na Grécia, filho de pais italianos, que nos anos anteriores à Primeira Guerra Mundial, fundou o movimento de arte Escola Metafísica, considerada uma precursora do Surrealismo.


Giorgio de Chirico - The Uncertainty of the Poet – 1913 – óleo sobre tela – Tate Gallery, London


Em 1913, ele exibiu pinturas no Salão dos Independentes de Paris e no Salon d'Automne. Seu trabalho foi notado por Pablo Picasso e Guillaume Apollinaire, e ele vendeu sua primeira pintura, a Torre Vermelha. Em 1914, através de Apollinaire, ele conheceu o negociante de arte Paul Guillaume, com quem assinou um contrato para sua produção artística.


Giorgio de Chirico - A Torre Vermelha (La tour rouge) - 1913 – óleo sobre tela - 73.5 x 100.5 cm - Peggy Guggenheim Collection


A pintura metafísica de Giorgio de Chirico antecipa elementos que depois aparecem na pintura surrealista: padrões arquitetônicos, grandes espaços nus, manequins anônimos e ambientes oníricos. Do dadaísmo, os pintores surrealistas e, com eles, De Chirico, herdam diretamente as atitudes destrutivas e niilistas. O que o próprio artista qualifica de “pintura metafísica” corresponde à necessidade de sonho, de mistério e de erotismo própria do surrealismo. E assim, desde o começo, a obra de De Chirico conhece um êxito considerável.


Giorgio de Chirico – Ariadne – 1913 – óleo e grafite sobre tela - 135.3 × 180.3 cm – The Metropolitan Museum of Art, New York


Giorgio de Chirico - Piazza d'Italia – 1913 – óleo sobre tela - 35.2 x 25 cm - Art Gallery of Ontario, Toronto, Canada 


Menos que interpretar ou alterar a realidade, a pintura de De Chirico dirige-se a uma "outra realidade", metafísica, além da história. Os cenários projetados pelo pintor entre 1910 e 1915 permitem flagrar os contornos do novo estilo, que se consolidará entre 1917 e 1920. Os elementos arquitetônicos mobilizados nas composições (colunas, torres, praças, monumentos neoclássicos, chaminés de fábricas etc.) constroem, paradoxalmente, espaços vazios e misteriosos. As figuras humanas, quando presentes, carregam consigo forte sentimento de solidão e silêncio. São meio-homens, meio-estátuas, vistos de costas ou de muito longe. Quase não é possível entrever rostos, apenas silhuetas e sombras, projetadas pelos corpos e construções. As fontes das invenções metafísicas, da iconografia e da realidade deslocada de De Chirico são as filosofias de Nietzche, Schopenhauer e Weininger.


Giorgio de Chirico - Metaphysical Interior with Biscuits – 1916 – óleo sobre tela – 81,3 x 65,1 cm - The Menil Collection, Houston, Texas


Giorgio de Chirico - Hector and Andromache – 1912 – óleo sobre madeira -  Galleria Nazionale d'Arte Moderna e Contemporanea, Rome, Italy


Grande parte do impacto dos quadros de De Chirico é derivado da clareza contida de seu estilo. Ele a alcançou, rejeitando as inovações formais da arte moderna e optando por uma forma franca, realista, que lhe permitiu descrever objetos com simplicidade. O resultado foi um estilo que, um pouco como René Magritte, é rica em mistério evocativo apesar do caráter simples da representação.


Giorgio de Chirico – Mistério e Melancolia de uma Rua – 1914 – óleo sobre tela - 85 x 69 cm


Depois de 1919, ele ficou interessado em técnicas tradicionais de pintura, e trabalhou em um estilo neoclássico ou neo-barroco, enquanto frequentemente revisitava os temas metafísicos de seu trabalho anterior. Em 1939, ele adotou um estilo neo-barroco influenciado por Rubens. As pinturas posteriores de De Chirico nunca receberam o mesmo elogio crítico como as de seu período metafísico.


Giorgio de Chirico em seu estúdio em 1925

Frases de Giorgio de Chirico:

“O que devo amar senão o enigma?” Nesta, ele se assemelha ao norte-americano, seu contemporâneo, Edward Hopper: a luz solar de suas pinturas, suas sombras profundas, suas calçadas vazias e silêncios portentosos criando uma poesia visual enigmática.

"Para se tornar verdadeiramente imortal uma obra de arte deve escapar de todos os limites humanos. A lógica e o bom senso só irão interferir. Mas quando essas barreiras são quebradas, entra na região de visão da infância e do sonho." Em “Mistério e Criação”, Giorgio de Chirico, Paris 1913


Giorgio de Chirico - Self Portrait in the Studio – 1935 – óleo sobre tela


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terça-feira, 3 de novembro de 2015

A Fontana di Trevi, suas esculturas, sua história e curiosidades



A Fontana di Trevi, suas esculturas, sua história e curiosidades  


A Fontana di Trevi é a maior fonte barroca na cidade de Roma, Itália. Uma lenda tradicional afirma que se o visitante jogar uma moeda na fonte, ele retornará a Roma.




A Fonte de Trevi é uma fonte imponente que servia como uma terminação de um aqueduto romano antigo, de nome Virgo (Virgem), construído por Marcus Vipsanius Agripa cerca de 19 A. C. Agripa era genro e o general favorito do Imperador Otávio Augusto. O aqueduto tinha 21 km de comprimento, sendo 19 km no subsolo. O aqueduto foi construído por Agripa para abastecer os banhos termais que ele construiu no Campo de Marte, no Panteão. De acordo com o livro "De aquaductibus Romae commentarius", o aqueduto leva o nome de uma senhora virgem que os soldados romanos encontraram quando estavam com sede e cansados. Ela os levou a uma fonte de água. Essa fonte estava entre dois dos muitos caminhos que levam a Roma. E essa fonte ainda hoje alimenta o aqueduto, que foi danificado pela invasão dos ostrogodos em 537. Depois das invasões bárbaras a última parte do aqueduto foi abandonada.




A partir do começo do Renascimento, os Papas começaram a decorar o final dos aquedutos com grandes fontes ricamente decoradas. O Papa Pio IV encomendou a Jacopo Della Porta a construção de uma nova fonte e a restauração dos tubos até a fonte original antiga. O projeto foi concluído em 1570 por Pio V. A fonte estava na praça onde está hoje, mas tinha uma orientação diferente, de frente para o oeste. O Papa Urbano VIII decidiu alterar a orientação da fonte de modo que seria possível vê-la a partir do Palácio Papal no Monte Quirinal. O projeto foi desenhado por Bernini, mas nunca foi concluído devido à falta de fundos.




Muitas competições entre artistas e arquitetos tiveram lugar durante o Renascimento e o período Barroco para se redesenhar os edifícios, as fontes, e até mesmo a Scalinata di Piazza di Spagna (as escadarias da Praça de Espanha). Em 1730, o papa Clemente XII organizou uma nova competição na qual o projeto de Nicola Salvi venceu. Este começou em 1732 e foi concluído em 1762, quando o Oceano de Pietro Bracci foi afixado no nicho central da fonte. Salvi morrera alguns anos antes, em 1751, com seu trabalho ainda pela metade. A fonte foi concluída por Giuseppe Pannini, que substituiu as alegorias insossas, representando Agrippa e Trívia, pelas belas esculturas de Oceano e seu séquito.




Este cartão postal de Roma passou pela maior reforma em 252 anos. A restauração da Fontana di Trevi foi concluída e ela foi reativada em 3 de Novembro de 2015 e é a primeira de uma série de restaurações financiadas pela indústria de moda Fendi e seu programa "Fendi for Fountains", que visa a conservação e valorização de algumas fontes históricas de Roma, através de constante suporte ao patrimônio histórico-artístico da capital italiana.




A fonte tem 26,30 m de altura, e 49,15 m de largura. Todos os dias ela derrama 80,000 metros cúbicos de água. O projeto da fonte de Trevi é baseado em três elementos arquitetônicos: uma fachada de travertino, estátuas de mármore carrara, e um recife de travertino. No meio, está a estátua de Oceano, com 5,8 m de altura, esculpida por Pietro Bracci, em sua carruagem levada por dois cavalos guiados por dois Tritões.  Na parte esquerda do arco está a estátua da Abundância. Acima dela há um relevo mostrando Agripa comandando seus generais para a construção do aqueduto. Na porção direita está a estátua da Saúde, com uma coroa de louros. Acima dela há um relevo mostrando a senhora Virgem indicando aos soldados a fonte de água. As quatro estátuas alegóricas localizados no sótão representam os bons efeitos da chuva sobre a fertilidade da terra e as quatro principais colheitas que dependem de fornecimento de água. A primeira estátua na esquerda segura o chifre da abundância e é símbolo da abundância das frutas. A segunda está segurando espigas de trigo e representa a fertilidade das colheitas. A terceira está segurando uma taça e cachos de uvas simbolizando as colheitas do outono. A última retrata a alegria das pradarias e jardins e está toda adornada com flores.




A explicação mais aceita para a palavra Trevi é que ela deriva da palavra latina Trivium que indica um cruzamento de três ruas. A principal estátua da fonte não representa Netuno, mas Oceano. Na verdade, Netuno tem um tritão em suas mãos e um golfinho a segui-lo. Em vez disso, como seu criador Nicola Salvi escreveu, a estátua é uma imagem do oceano, a personificação de um imenso rio que corre ao redor da Terra e do qual todas as correntes de água derivam.




O famoso ritual de jogar uma moeda na fonte tem duas explicações principais. Em primeiro lugar, os romanos antigos costumavam jogar moedas em fontes, rios ou lagos para fazer os deuses da água favorecem a sua viagem e ajudá-los a voltar para casa em segurança. Em segundo lugar, esta tradição foi inventada para arrecadar fundos para a manutenção da fonte.  A fonte edificada no século XVIII foi paga com o dinheiro arrecadado pela Igreja Católica após a reintrodução do jogo de loteria em Roma. Hoje em dia, as moedas lançadas por curiosos ou por apaixonados (três moedas para um bom casamento, segundo a tradição) totalizam todos os dias cerca de 3.000 euros. Um rendimento recolhido todos os dias e agora entregue à associação religiosa Caritas, cerca de 36 mil euros por ano.




A Fonte de Trevi aparece no filmes Three Coins in The Fountain (1954). O monumento também foi o cenário de uma das cenas mais famosas do cinema italiano: em La Dolce Vita de Federico Fellini (1960), Anita Ekberg entra na água e convida Marcello Mastroianni a fazer o mesmo.

Veja a Fontana di Trevi ao vivo, clicando sobre o link:



Assista o vídeo da inauguração da fonte:



Assista o vídeo da cena com a fonte, do filme La Dolce Vita:




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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Ilustrações do mês de Novembro

Alphons Mucha - "Novembre"


Ilustrações do mês de Novembro


Os Meses (1899): esta série de medalhões foi usada ​​para ilustrar a capa da revista Le Mois Littéraire antes de eles serem reproduzidos como cartões postais. Cada medalhão apresenta uma figura feminina posando contra um fundo natural, característico do mês representado.
Alfons Maria Mucha - (Ivančice, 24 de julho de 1860 — Praga, 14 de julho de 1939) foi um pintor, ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os cartazes para os espetáculos de Sarah Bernhardt realizados na França, de 1894 a 1900, e uma série chamada Epopéia Eslava, elaborada entre 1912 e 1930.


"La Belle Jardiniere – Novembre" - Eugène Grasset – 1896


O artista gráfico suiço Eugène Samuel Grasset (1845-1917) foi uma das principais figuras do movimento Art Nouveau em Paris. Mais conhecido por seus cartazes emblemáticos e suas contribuições para design gráfico - um itálico que ele criou, em 1898, ainda é usado por designers de todo o mundo - Grasset também criou móveis, cerâmicas, tapeçarias, e selos postais. Em 1894, Grasset recebeu uma  encomenda da loja de departamentos francesa La Belle Jardinière para criar doze obras de arte originais, a serem utilizadas como um calendário. Graciosas xilogravuras retratando belas moças em trajes de época e jardins que mudam com as estações do ano foram produzidas, com espaços vazios para as datas do calendário, em um portfolio de obras de arte chamado Les Mois (Os meses) pela editora Paris G. de Malherbe em 1896.


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