terça-feira, 14 de julho de 2015

A fase dourada de Gustav Klimt

Gustav Klimt - Portrait of Adele Bloch-Bauer I – 1907 – óleo, prata e ouro sobre tela – 138 x 138 cm – Neue Galerie, New York


A fase dourada de Gustav Klimt


O Retrato de Adele Bloch-Bauer I é o primeiro de dois retratos de Bloch-Bauer pintados por Klimt e tem sido referido como o trabalho final e mais plenamente representativo de sua fase dourada. Adele Bloch-Bauer (1881-1925) era uma requintada senhora dos salões vienenses, amante das artes, uma cliente e amiga próxima de Gustav Klimt. Klimt levou três anos para concluir a pintura. Desenhos preliminares para ela datam a partir de 1903/4. O quadro foi pintado em Viena e encomendado pelo marido de Adele, Ferdinand Bloch-Bauer. Como um rico industrial que fez fortuna na indústria do açúcar, ele patrocinou as artes e favoreceu e apoiou Gustav Klimt. Adele Bloch-Bauer tornou-se a única modelo que foi pintada duas vezes por Klimt, quando ele completou um segundo retrato dela, Retrato de Adele Bloch-Bauer II, em 1912.
Adele indicou no seu testamento que os quadros de Klimt deveriam ser doados à Austrian State Gallery. Em 1925 Adele faleceu de meningite, e quando os nazistas ocuparam a Áustria, o seu viuvo exiliou-se na Suíça. Todas as suas propriedades foram confiscadas, incluída a coleçao Klimt. No seu testamento de 1945, Bauer-Bloch designou os seus sobrinhos e sobrinhas, incluindo Maria Altmann, como herdeiros do seu patrimônio. Depois de uma batalha legal nos Estados Unidos e na Áustria, determinou-se em 2006 que Maria Altmann era a proprietária legal desta e de outras quatro pinturas de Klimt. Em junho de 2006 o trabalho foi vendido por US $ 135 milhões a Ronald Lauder da Neue Galerie, em Nova York, na época um preço recorde para uma pintura. A pintura está exposta na Neue Galerie desde julho de 2006. Lauder tentou por muitos anos recuperar a arte que tinha sido propriedade da comunidade judaica, a maioria da Alemanha e Áustria, e que fora confiscada ou roubada pelo governo nazista e trabalhou para esta meta enquanto foi embaixador dos Estados Unidos na Áustria, membro da "World Jewish Restitution Organization", e da comissão designada por Bill Clinton para examinar casos de roubo nazista. É significativo o comentário de Lauder ao recuperar o Retrato de Adele Bloch-Bauer I: "Esta é a nossa Mona Lisa”.

Gustav Klimt (Baumgarten, Viena, 14 de julho de 1862 — Viena, 6 de fevereiro de 1918) ) foi um dos grandes pintores decorativos que trabalharam nos monumentos majestosos da Ringstrasse na Viena imperial no final do século 19. No alvorecer do novo século, ele liderou a Secessão Vienense. Ouro e os motivos decorativos que são característicos das obras de Klimt, são um símbolo dessa revolução artística. Em 1876 estudou desenho ornamental na Escola de Artes Decorativas. Associado ao simbolismo, destacou-se dentro do movimento Art Nouveau austríaco e foi um dos fundadores do movimento da Secessão de Viena (que recusava a tradição acadêmica nas artes) e do seu jornal, Ver Sacrum. Klimt foi também membro honorário das universidades de Munique e Viena. Os seus maiores trabalhos incluem pinturas, murais, desenhos e outros objetos de arte, muitos deles em exposição na Galeria da Secessão de Viena.


Gustav Klimt - Pallas Athene – 1898 – óleo sobre tela – 75 x 75 cm - Historisches Museum der Stadt Wien

Pallas Athene, é uma interpretação final do século XIX da deusa grega da guerra e da sabedoria. Athene, ou Athena , olha para o espectador com penetrantes olhos cinzentos. A deusa usa a égide, que é aqui retratada como um peitoral composto por escamas douradas cintilantes. As borlas descritas na Ilíada de Homero foram transformadas por Klimt em espirais decorativas de ouro. No centro da égide vemos o rosto de um Gorgon, olhando malignamente. Além da égide, Athena também usa um elmo e segura uma lança. Esta lança dourada torna-se um ponto focal vertical, enquadrando o lado direito da pintura. Athena segura uma figura feminina diminuta em sua outra mão. Esta figura representa Nike, a deusa da vitória. Vale a pena notar que esta imagem de Nike se equipara estilisticamente com outra obra de Klimt, chamada "Nuda Veritas".

Filho de um ourives, Klimt incorporou a folha de ouro para realçar a beleza de seus temas e para aumentar a sensação de magia e de preciosidade. Desse modo, ele consegue investir seus trabalhos com um sentido de intemporalidade, onde a ausência de perspectiva e a supressão de sombra contêm ecos de ícones religiosos. Ele adornou as paredes do Palais Stoclet com uma magnífica árvore  da vida rodopiante, com galhos de ouro entrelaçados. Durante a sua Idade de Ouro, Klimt completou várias obras-primas, incluindo O Beijo, Danaë e o Retrato de Adele Bloch-Bauer I.


Gustav Klimt – Judith – 1901 – óleo sobre tela - 84 x 42 cm - Österreichische Galerie Belvedere, Vienna

Judit I (e a cabeça de Holofernes) é uma pintura que mostra a personagem bíblica de Judite segurando a cabeça decepada de Holofernes.

A Fase de Ouro de Klimt foi marcada por reação crítica positiva e sucesso financeiro. Muitas de suas pinturas deste período incluem folhas de ouro coladas sobre as telas. Klimt tinha usado anteriormente o ouro em sua Pallas Athene (1898) e Judith I (1901). Klimt viajou pouco, mas viagens a Veneza e Ravena, ambas famosas por seus belos mosaicos, muito provavelmente inspiraram a sua técnica e seu imaginário de ouro bizantino.


Danae – Gustav Klimt – 1907 – óleo sobre tela – 77 x 83 cm – coleção particular

Danaë era um tema popular no início de 1900 para muitos artistas. Ela foi usada como o símbolo por excelência do amor divino, e transcendência. Enquanto estava presa por seu pai, o rei de Argos, em uma torre de bronze, Danaë foi visitada por Zeus. Algum tempo depois de sua visita celestial ela deu à luz um filho, Perseus, que é citado mais tarde na mitologia grega por matar a Górgona Medusa e resgatar Andromeda.


The Kiss - Gustav Klimt - 1907-1908 – óleo sobre tela - 180 × 180 cm - The Österreichische Galerie Belvedere, Vienna, Austria

“O Beijo” (Lovers) foi pintado em uma tela que forma um quadrado perfeito, retratando um casal se abraçando, seus corpos entrelaçados em vestes elaboradas decoradas num estilo influenciado por ambas as construções lineares do estilo Artes e Ofícios e as formas orgânicas do movimento Art Nouveau. A obra foi elaborada com tinta a óleo e camadas aplicadas de folha de ouro, um aspecto que lhe confere a sua aparência impressionante e moderna. A pintura está agora no museu Österreichische Galerie Belvedere no palácio Belvedere, em Viena, e é amplamente considerada uma obra-prima do início do período moderno. É um símbolo de Viena Jugendstil, o Art Nouveau vienense, e é considerada a obra mais popular de Klimt. Pinturas como O Beijo eram manifestações visuais do espírito fin-de-siècle, porque elas capturam uma decadência transmitida por imagens opulentas e sensuais. Supõe-se que Klimt e sua companheira Emilie Flöge posaram para o trabalho, mas não há nenhuma evidência ou registro para provar isso.


The Tree of Life - Gustav Klimt – 1905 – óleo sobre tela - 195 cm × 102 cm - Museum of Applied Arts, Vienna, Austria

A árvore da vida é um símbolo importante usado por muitas teologias, filosofias e mitologias. Ela simboliza a ligação entre o céu e a terra e o submundo. Para admiradores de Klimt, o mural também tem outro significado, sendo a única paisagem criada pelo artista durante seu período áureo. A pintura é um estudo para uma série de três mosaicos criados por Klimt em 1905-1911 para um trabalho encomendado no Palais Stoclet em Bruxelas, Bélgica. Os mosaicos estão distribuídos em três paredes da sala de jantar do Palais.


Assista o vídeo abaixo: 





Gustav Klimt

Klimt escreveu pouco sobre sua visão ou seus métodos. Em um raro escrito chamado "Comentário sobre um auto-retrato inexistente", ele afirma: "Eu nunca pintei um auto-retrato. Estou menos interessado em mim mesmo como um tema para uma pintura do que em outras pessoas, acima de tudo mulheres ... Não há nada especial sobre mim. Eu sou um pintor que pinta dia após dia, de manhã à noite. Quem quiser saber algo sobre mim deve olhar atentamente para as minhas pinturas."

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domingo, 12 de julho de 2015

18 Pinturas de Hora do Chá

Le Goûter (Tea Time) - Jean Metzinger – 1911 - Philadelphia Museum of Art


18 Pinturas de Hora do Chá


Le Goûter (Tea Time) - Jean Metzinger – 1911
Esta pintura foi exibida em Paris, no Salon d'Automne de 1911, no Salon de la Section d'Or de 1912, e reproduzida no Du Cubisme, de Jean Metzinger e Albert Gleizes, em 1912. No ano seguinte, foi reproduzida em Les Peintres Cubistes de Guillaume Apollinaire. A pintura também foi publicada em Cubistas e Pós-impressionismo de Arthur Jerome Eddy (1914, 1919), apelidada “A provadora”. André Salmon apelidou esta pintura "La Joconde du Cubisme" (La Joconde Cubiste), A Mona Lisa do cubismo (Mona Lisa com uma colher de chá). "Tea Time" era muito mais famosa do que qualquer pintura que Picasso e Braque tinham feito até este momento, porque Picasso e Braque, por não se apresentarem nos Salons, retiraram-se do público. Para a maioria das pessoas, a ideia do cubismo estava realmente associada com um artista como Metzinger, muito mais do que com Picasso.


The Cup of Tea - Andre Derain – 1935 – óleo sobre tela - 92 x 74 cm - Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, France


Lady at the Tea Table - Lilla Cabot Perry – 1905


William McGregor Paxton – Tea Leaves – 1909 - óleo sobre tela - 91.6 x 71.9 cm – The Metropolitan Museum of Art

Em um salão sem janelas permeado por uma luz suave, uma atmosfera de sonho, e os sons do silêncio, duas mulheres elegantes passam o tempo fazendo muito pouco ou nada. Paxton aponta para uma narrativa, mas ele pede que o espectador a invente, recapitulando a ambiguidade das pinturas de Vermeer, que ele admirava. Paxton frequentemente retratava mulheres refinadas, esposas de seus clientes e suas filhas, em interiores bonitos em Boston, do tipo que elas, como guardiãs da cultura, teriam decorado e ocupado. Ao equiparar as mulheres com os objetos estéticos preciosos que as cercam, Paxton ecoa o espírito do romancista Henry James, que retratou mulheres como objetos colecionáveis em The American (1877) e Retrato de uma Senhora (1881). As obras de Paxton também concordam com os pronunciamentos do sociólogo Thorstein Veblen, que observou em sua Teoria da Classe Ociosa (1899) que o "lazer conspícuo" de uma mulher sinaliza a riqueza de seu pai ou marido.


The Tea - Pierre Bonnard – 1916 – óleo sobre tela


Herb Tea - Janet Fish – 1995

Janet Fish (18 de maio de 1938) é uma artista americana contemporânea. Ela pinta naturezas mortas em estilo realista, com a luz saltando para fora de superfícies reflexivas, como filme plástico contendo objetos sólidos e copos vazios ou parcialmente cheios. Suas pinturas estão na coleção de muitos museus.


The Cup of Tea - Pierre-Auguste Renoir - c.1906-1907 – óleo sobre tela


Shinagawa - Hot Tea - Keisai Eisen – 1845 – estilo: Ukiyo-e

Ukiyo-e, ukiyo-ye ou ukiyo-ê (浮世絵, "retratos do mundo flutuante", em sentido literal), vulgarmente também conhecido como estampa japonesa, é um gênero de xilogravura e pintura que prosperou no Japão entre os séculos XVII e XIX. Destinava-se inicialmente ao consumo pela classe mercante do período Edo (1603 – 1867). Entre as mais populares temáticas abordadas, estão a beleza feminina, o teatro kabuki, os lutadores de sumô, cenas históricas e lendas populares, cenas de viagem e paisagens, fauna e flora.


Tea in the Garden - Henri Matisse – 1919 – óleo sobre tela - 140.3 x 211.5 cm - Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles, CA, USA


Arrangement in Pink and Gray (Afternoon Tea) - Edmund Charles Tarbell - c.1894 – óleo sobre tela - Worcester Art Museum, Worcester, Massachusetts, USA


The Tea Cup - Jackson Pollock – 1946 – óleo sobre tela – 40 x 28 cm - Collection Frieder Burda, Baden Baden


The Tea Set - Claude Monet - 1872


Tea Time - James Tissot - 1872 – óleo sobre tela - 66 x 47.9 cm – The Metropolitan Museum of Art, New York

Quando o francês Tissot mudou para Londres em 1871, ele mergulhou na cena local, com trabalhos para a revista Vanity Fair e pinturas de gênero com o rio Tamisa como pano de fundo. O chá é uma repetição da parte esquerda de uma de suas cenas mais famosas de Londres, Bad News (Museu Nacional do País de Gales, Cardiff), que mostra um capitão e sua namorada absorvendo a notícia de sua partida iminente, enquanto uma companheira prepara chá.


James Tissot – Bad News – 1872 – óleo sobre tela - 68.6 × 91.4 cm - National Museum Cardiff

Bad News mostra a Pool of London através das janelas da taberna, enquanto Tea exibe a densa paisagem urbana de Londres além desse trecho do rio. Amigo de Tissot, Edgar Degas possuia um estudo a lápis para esta imagem.


The tea - Federico Zandomeneghi - 1890-1893 – pastel sobre papel


The Terre-Cuite Tea Set (aka French Tea Garden) - Childe Hassam – 1910 – óleo sobre tela


 The Cup of Tea - Mary Cassatt - c.1879 – óleo sobre tela - Leeds City Art Gallery

A irmã de Mary Cassatt, Lydia, foi muito importante em sua vida. Como nenhuma delas tomou a decisão de casar, elas viveram juntas na França até a morte de Lydia em 1882. Mary usou Lydia como modelo em muitas de suas pinturas, como em The Cup of Tea. Esta pintura é mais uma pintura de gênero do que um retrato, uma vez que representa um costume social que Cassatt revisitou muitas vezes em suas pinturas: tomar uma xícara de chá. Pintada em uma maneira impressionista, muitos críticos de arte viram a pintura como inacabada, porque Cassatt deixou pequenas porções periféricas da tela sem pintura.


The Tea - Mary Cassatt - 1879-1880 – óleo sobre tela - 92.7 x 64.77 cm


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terça-feira, 7 de julho de 2015

Curiosidades sobre o teto da Ópera Garnier em Paris, por Marc Chagall (com vídeo)


Curiosidades sobre o teto da Ópera Garnier em Paris, por Marc Chagall (com vídeo)

A pedido de Napoleão III, em 1861, o arquiteto Charles Garnier começou a construir uma nova casa de ópera em Paris. Inaugurado sob a Terceira República em 5 de janeiro de 1875, o edifício capturou a imaginação dos seus contemporâneos com design arrojado, eclético e opulento do arquiteto.




Em 1963, Chagall foi contratado para pintar o novo teto da Ópera de Paris (Palais Garnier), um edifício do século 19 e majestoso monumento nacional. André Malraux,o então ministro da Cultura da França queria algo único e decidiu que Chagall seria o artista ideal. No entanto, esta escolha de artista causou polêmica: alguns se opuseram a ter um judeu russo decorando um monumento nacional francês, outros não gostaram do teto do edifício histórico ser pintado por um artista moderno. Algumas revistas escreveram artigos condescendentes sobre Chagall e Malraux, sobre os quais Chagall comentou com um escritor: “É incrível a forma como os estrangeiros ressentem os franceses. Você vive aqui a maior parte de sua vida, você se torna um cidadão francês naturalizado, trabalha de graça para decorar suas catedrais, e ainda desprezam você. Você não é um deles.”




No entanto, Chagall deu continuidade ao projeto que levou um ano para ser concluído pelo artista, então com 77 anos. A tela final tem cerca de 220 metros quadrados. Tem cinco seções que foram coladas a painéis de poliéster e içadas até o teto de 21 m. As imagens que Chagall pintou na tela prestam homenagem aos compositores Mozart, Wagner, Mussorgsky, Berlioz e Ravel, entre outros, bem como a atores famosos e dançarinos. O teto de Chagall fez, sem dúvida, o Palais Garnier estar na moda novamente.




Chagall era um pintor lírico e a conecção de seu teto com a construção de Garnier é mais profunda do que se poderia pensar. Chagall tinha um espírito místico-religioso para quem o amor é a força que une e move tudo no universo, cujas criaturas e objetos são parte de um movimento total, sem gravidade ou resistência superior ou inferior, perfeito para pintar um teto de ópera!




O trabalho foi apresentado ao público no dia 23 de setembro de 1964, na presença de Malraux e 2.100 convidados. Pela primeira vez os melhores lugares estavam no círculo superior. Para começar, o grande lustre de cristal pendurado no centro do teto foi apagado . Todo o corpo de baile veio ao palco e depois, em honra de Chagall, a orquestra da Ópera tocou o final da "Jupiter Symphony" de Mozart, o compositor favorito de Chagall. Durante os últimos compassos da música, o lustre foi aceso, dando vida à pintura do artista no teto, em toda a sua glória, arrancando aplausos entusiasmados da platéia.




Depois que o novo teto foi revelado, mesmo os mais ferrenhos opositores da obra cairam em silêncio. A imprensa  declarou em unanimidade que o novo trabalho de Chagall é uma grande contribuição para a cultura francesa. Malraux disse mais tarde: "Que outro artista vivo poderia ter pintado o teto da Ópera de Paris da maneira que Chagall o fez? Ele é acima de tudo um dos grandes coloristas do nosso tempo. Muitas de suas telas e o teto da Ópera representam imagens sublimes que se classificam entre as melhores poesias visuais do nosso tempo."




No discurso de Chagall para o público, ele explicou o significado do trabalho: “Lá em cima na minha pintura, eu quis refletir, como um espelho em um ramalhete, os sonhos e as criações dos cantores e músicos, para lembrar o movimento do público colorido abaixo, e para homenagear os grandes compositores de ópera e ballet. Eu ofereço este trabalho como um presente de gratidão à França e sua École de Paris, sem a qual não haveria cor e nem liberdade.”
Chagall se recusou a ser pago pelo seu teto. O Estado cobriu apenas os custos de material do trabalho, que foi executado entre Janeiro e Agosto de 1964. O pintor trabalhou no Musée des Gobelins, em seguida na oficina construída por Gustav Eiffel em Meudon (que mais tarde se tornou um museu de aviação) e finalmente, em Vence. A obra foi inaugurada no dia 23 de setembro de 1964.




Painel central: indo no sentido horário do lado direito do palco, o painel central evoca quatro compositores e obras:
- Bizet, Carmen. Cor dominante: vermelho.
- Verdi, possivelmente La Traviata. Cor dominante: amarelo.
- Beethoven, Fidélio. Cores dominantes: azul e verde.
- Gluck, Orfeu e Eurídice. Cor dominante: verde.

Painel principal:
- Moussorgski, Boris Godounov. Cor dominante: azul.
- Mozart, A Flauta Mágica. Cor dominante: azul claro.
- Wagner, Tristão e Isolda. Cor dominante: verde.
- Berlioz, Roméo et Juliette. Cor dominante: verde.
- Rameau, o trabalho não especificado. Cor dominante: branco.
- Debussy, Pelléas et Mélisande. Cor dominante: azul.
- Ravel, Daphnis et Chloé. Cor dominante: vermelho.
- Stravinsky, O Pássaro de Fogo. Cores dominantes: vermelho, verde e azul.
- Tchaikovsky, O Lago dos Cisnes. Cor dominante: amarelo dourado.
- Adam, Giselle. Cor dominante: amarelo dourado.




Marc Chagall (Vitebsk, Império Russo, 7 de julho de 1887 — Saint-Paul-de-Vence, França, 28 de março de 1985) foi um pintor, ceramista e gravurista surrealista judeu russo-francês. Foi um artista prolífico, cuja carreira se estendeu por muitas décadas. Ele trabalhou em muitos tipos de mídias: desenho, pintura, mídia impressa e vitrais. Chagall participou dos movimentos modernos do pós-impressionismo incluindo surrealismo e expressionismo. Nascido perto da aldeia de Vitebsk, na atual Bielorrússia, Chagall mudou para Paris em 1910 permanecendo lá até 1914 para desenvolver seu estilo artístico, retornando à Russia por sentir saudades de sua noiva Bella, com quem se casou. Em 1923 mudaram novamente para a França, para escapar das dificuldades da vida soviética que se seguiram à I Guerra Mundial e à Revolução de Outubro. Em 1941, mudou para os Estados Unidos, escapando da Segunda Guerra Mundial e ali permaneceu até 1948, retornando para a França. Há certos elementos em sua arte que se mantiveram permanentes e são vistos ao longo de sua carreira. Um deles foi a sua escolha dos temas e a forma como eles foram retratados. O elemento mais constante, obviamente, é o seu dom para a felicidade e sua compaixão instintiva, que mesmo nos assuntos mais sérios o impediam de dramatizar. Músicos foram uma constante durante todas as fases de sua carreira. Chagall era muito interessado em música. A fluidez de movimentos na dança e os próprios movimentos dentro da música evocavam em Chagall uma espécie de consciência de sua própria arte e algo da alegria.




Assista o vídeo da filmagem feita por um drone:



Esse blog possui outro artigo sobre as obras de Marc Chagall relacionadas à música. Par ver, clique sobre o link:


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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ilustrações do mês de Julho

La Belle Jardiniere – Juillet - Eugène Grasset – 1896


Ilustrações do mês de Julho


O artista gráfico suiço Eugène Samuel Grasset (1845-1917) foi uma das principais figuras do movimento Art Nouveau em Paris. Mais conhecido por seus cartazes emblemáticos e suas contribuições para design gráfico - um itálico que ele criou, em 1898, ainda é usado por designers de todo o mundo - Grasset também criou móveis, cerâmicas, tapeçarias, e selos postais. Em 1894, Grasset recebeu uma  encomenda da loja de departamentos francesa La Belle Jardinière para criar doze obras de arte originais, a serem utilizadas como um calendário. Graciosas xilogravuras retratando belas moças em trajes de época e jardins que mudam com as estações do ano foram produzidas, com espaços vazios para as datas do calendário, em um portfolio de obras de arte chamado Les Mois (Os meses) pela editora Paris G. de Malherbe em 1896.


Julio - Gaspar Camps i Junyent


Gaspar Camps i Junyent (Igualada, 1874 - Barcelona 1942) foi um pintor, desenhista e ilustrador que participou do movimento artístico em voga no final do século XIX, o Art Nouveau da França e sua implementação na Catalunha, o modernismo catalão. De origem espanhola, Gaspar Camps passou a maior parte de sua carreira na França. Ele foi influenciado por Alphons Mucha , o artista checo vivendo em Paris, então no auge de sua carreira. Dada a influência de Mucha, incluindo seus cartazes artísticos, Gaspar Camps foi chamado de Mucha Catalan.


Juillet – série Meses do Ano © Alphonse Mucha Estate/Artists Rights Society (ARS), New York/ADAGP, Paris


Os Meses (1899): esta série de medalhões foi usada ​​para ilustrar a capa da revista Le Mois Littéraire antes de eles serem reproduzidos como cartões postais. Cada medalhão apresenta uma figura feminina posando contra um fundo natural, característico do mês representado.
Alfons Maria Mucha - (Ivančice, 24 de julho de 1860 — Praga, 14 de julho de 1939) foi um pintor, ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os cartazes para os espetáculos de Sarah Bernhardt realizados na França, de 1894 a 1900, e uma série chamada Epopéia Eslava, elaborada entre 1912 e 1930.


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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Eumir Deodato - Moonligth Serenade



Eumir Deodato - Moonligth Serenade

Eumir Deodato (Rio de Janeiro, 22 de junho de 1943) é um pianista, arranjador e produtor musical brasileiro. Participou do movimento bossa nova e da efervescência do samba jazz no início da década de 1960, estabelecendo-se como requisitado arranjador, ao lado de nomes consagrados como Radamés Gnattali e Moacir Santos. Após breve carreira como líder de conjunto no Brasil, radica-se nos Estados Unidos onde trabalha com diversos nomes de relevo da música mundial, como Aretha Franklin, Wes Montgomery e Frank Sinatra. Na década seguinte, conseguiu gravar e lançar seus discos solo internacionalmente, obtendo sucesso também como intérprete, com uma versão da introdução do poema sinfônico Also sprach Zarathustra, de Richard Strauss. Trabalhou em quase 500 discos, escreveu trilha sonora para vários filmes e recebeu diversos prêmios, entre eles 16 discos de platina e um Grammy, sendo considerado "uma personalidade internacional no mercado norte-americano de música".
Fonte: Wikipedia


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Sargent: Retratos de Artistas e Amigos

John Singer Sargent – auto-retrato – 1886 – óleo sobre tela - 34.5 × 29.7 cm - Aberdeen Art Gallery and Museums Collections, United Kingdom


Sargent: Retratos de Artistas e Amigos 


John Singer Sargent – Auguste Rodin – 1884 – óleo sobre tela – 73 x 54 cm - Musée Rodin, Paris 


Ao longo de sua carreira, o celebrado  pintor americano John Singer Sargent (1856-1925) criou retratos excepcionais de artistas, escritores, atores, dançarinos e músicos, muitos dos quais eram seus amigos mais próximos. Como um grupo, esses retratos (muitos deles não foram encomendados), são muitas vezes íntimos, espirituosos, idiossincráticos e mais experimentais do que seus retratos formais. São obras de arte brilhantes, penetrantes estudos de personagens e também são registros de relacionamentos, influências, aspirações e fidelidades. Sargent foi o principal retratista americano do século XIX e início do século XX.


John Singer Sargent - Robert Louis Stevenson and His Wife – 1885 – óleo sobre tela - 51.4 × 61.6 cm - Crystal Bridges Museum of American Art, Bentonville, Arkansas


John Singer Sargent - The Fountain, Villa Torlonia, Frascati, Italy – 1907 – óleo sobre tela - 71.4 × 56.5 cm - The Art Institute of Chicago, Friends of American Art Collection (retrato do casal de artistas Wilfrid e Jane Emmet de Glehn)


A exposição reúne noventa e duas pinturas e desenhos de membros do impressionante círculo artístico de Sargent. Os indivíduos vistos através dos olhos do artista representam uma gama de figuras de destaque nas artes criativas da época, tais como os artistas Claude Monet e Auguste Rodin, os escritores Robert Louis Stevenson e Henry James, e o ator Ellen Terry, entre outros. A exposição apresenta alguns dos mais célebres retratos de Sargent de corpo inteiro (Dr. Pozzi em casa, Hammer Museum), suas deslumbrantes pinturas criadas na zona rural italiana (Grupo com guarda-sóis - Siesta, coleção particular), e aquarelas brilhantes (No Generalife, The Metropolitan Museum of Art) ao lado de esboços de retratos de seus amigos íntimos menos conhecidos. A exposição explora as amizades entre Sargent e seus modelos artísticos, bem como a importância destas relações para sua vida e arte.


John Singer Sargent - Dr. Pozzi at Home – 1881 – óleo sobre tela - 201.6 × 102.2 cm - Hammer Museum, Los Angeles


Sargent, sentado no centro, na festa de um artista, em New York, c. 1888 © Private collection

Sargent era extremamente social e saía todas as noites. Sua vida social girava em torno de arte, música, e teatro, e ele estava profundamente engajado na cultura de seu tempo, sempre aberto a novas influências, e capaz de nutrir amizades com aqueles que ele admirava. Suas diversas amizades o vinculam com a vanguarda dos movimentos contemporâneos nas artes. Curiosamente, amigos, muitas vezes descreviam a personalidade de Sargent como tímida, nervosa e inábil. Sargent era cosmopolita e fluente em Inglês, Francês, Espanhol e Italiano, e falava um pouco de Alemão, mas se expressava através de sua arte.

John Singer Sargent – Claude Monet – 1887 – óleo sobre tela – 40,6 x 33 cm - National Academy Museum, New York 


John Singer Sargent - Claude Monet Painting by the Edge of a Wood – 1885 – óleo sobre tela – 54 x 64,8 cm - Tate

Sargent cultivou e manteve amizades que foram essenciais para a sua arte, nutrindo sua criatividade e fornecendo inspiração, e elas foram cruciais para o desenvolvimento de sua carreira ao longo de sua vida. Sargent constantemente expandiu o seu círculo de colaboradores, permanecendo dedicado aos amigos ao longo da vida. Por exemplo, era comum Sargent manter relações sociais com clientes, anos depois de ter concluído os seus retratos. Sua rede de amigos tornou possível alcançar o sucesso em ambos os lados do Atlântico.


John Singer Sargent - Ellen Terry as Lady Macbeth – 1889 – óleo sobre tela - 221 × 114.3 cm – Tate


John Singer Sargent - La Carmencita dancing – 1890 – óleo sobre tela - 137.2 x 88.9 cm – coleção particular


John Singer Sargent (Florença, 12 de janeiro de 1856 — Londres, 14 de abril de 1925) foi um dos retratistas mais procurados e prolíficos da alta sociedade internacional. Um americano expatriado, John Singer Sargent pintou com elegância o mundo cosmopolita, ao qual pertencia. Nascido de pais americanos que residiam na Itália, Sargent passou sua vida adulta em Paris, movendo-se para Londres em meados de 1880. O artista viajava com freqüência, e foi durante essas viagens que ele experimentou mais extensivamente com pintura en plein air, ou ao ar livre. Tornou-se um dos maiores retratistas e muralistas de seu tempo. Com a maestria técnica e a engenhosidade de seus trabalhos, retratou brilhantemente seus modelos, enfocando-lhes o refinamento aristocrático e a altivez.


John Singer Sargent - Henry James – 1913 – óleo sobre tela - 85.1 × 67.3 cm - National Portrait Gallery, London


John Singer Sargent - W. B. Yeats – 1908 – carvão sobre papel – 62,2 x 47 cm - Private Collector, Cambridge, MA

De 30 de Junho a 4 de Outubro de 2015
The Metropolitan Museum of Art, New York
1000 Fifth Avenue (at 82nd Street), New York, NY 10028 
Informações: 212-535-7710 (TTY: 212-650-2921)


John Singer Sargent - Garden Study of the Vickers Children – 1884 – óleo sobre tela - 137.6 × 91.4 cm - Flint Institute of Arts


John Singer Sargent - Madame X (Madame Pierre Gautreau) – 1883-84 – óleo sobre tela - The Metropolitan Museum of Art 

 Esse blog possui um artigo sobre a tela "Madame X" de John Singer Sargent. Clique sobre o link abaixo para ver:



John Singer Sargent - Group with Parasols (Siesta) – 1904 – óleo sobre tela - 56.8 × 72.5 cm – coleção particular (pintura de Peter Harrison e seu irmão Ginx Harrison com duas mulheres, possivelmente Dos Palmer e Lillian Mellor)

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