quarta-feira, 30 de setembro de 2015

João Gilberto - O Barquinho



João Gilberto - O Barquinho



A canção “O Barquinho” foi composta por Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, lançada em 1961.
João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (Juazeiro, Bahia, 10 de junho de 1931), conhecido como João Gilberto, é um cantor, violonista e compositor brasileiro. Tido como o pioneiro criador da bossa nova, é considerado um gênio e uma lenda viva da música popular brasileira. Foi eleito pela revista Rolling Stone Brasil a 13ª maior voz brasileira de todos os tempos.
Desde o lançamento de Chega de Saudade, munido apenas da voz e do violão, começou uma revolução na música brasileira e na música mundial. Dono de uma sonoridade original e moderna, João Gilberto foi o artista que levou a música popular brasileira ao mundo, principalmente para os Estados Unidos, Europa e Japão. Tido como um dos maiores influentes do jazz americano no século XX, ganhou prêmios importantes nos Estados Unidos e na Europa, como o Grammy, em meio a beatlemania.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Análise de “Fish Magic” de Paul Klee

Paul Klee - Fish Magic – 1925 – óleo, aquarela e colagem sobre tela colada em madeira - 77.2 x 98.4 cm – Philadelphia Museum of Art - © Artists Rights Society (ARS) New York


Análise de “Fish Magic” de Paul Klee


Em Fish Magic, Paul Klee criou um reino mágico onde o aquático, o celestial e o terrestre se misturam. A superfície preta delicada cobre uma camada inferior de cores, que o artista revelou, arranhando e rabiscando desenhos na tinta preta, uma versão sofisticada das brincadeiras de crianças com lápis de cera. No centro da pintura, um quadrado de musselina está colado sobre a tela. Uma linha diagonal longa que chega ao topo da torre do relógio aumenta a sensação de magia, parecendo pronta para puxar o quadrado de musselina, para revelar algo por baixo. Fish Magic se enquadra dentro da tradição do romantismo alemão, com sua mistura de fantasia e empirismo naturais, de poesia e pragmatismo. Paul Klee foi um dos maiores filósofos e teóricos da arte do século XX, especialmente no campo da cor, bem como um de seus maiores fantasiadores. Em pinturas como Fish Magic, estes dois dons divergentes são reconciliados, com o intelecto e a imaginação unindo forças. A arte de Klee é apreciada principalmente pela sua reserva inesgotável de encantos, inevitavelmente trazendo sorrisos a todos.  

Paul Klee (Münchenbuchsee, 18 de dezembro de 1879 — Muralto, 29 de junho de 1940) foi um pintor e poeta suíço naturalizado alemão. Ele possuía um método individual, influenciado por muitos movimentos de arte, como surrealismo, cubismo e expressionismo, além de futurismo e abstração, realizando mais de 10.000 gravuras, desenhos e pinturas. Suas obras refletem seu humor seco e, às vezes, a sua perspectiva infantil, seus ânimos e suas crenças pessoais, e sua musicalidade. Ele e o pintor russo Wassily Kandinsky, seu amigo, também eram famosos por darem aulas na Bauhaus, uma escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda na Alemanha. A Bauhaus foi uma das maiores e mais importantes expressões do que é chamado Modernismo no design e na arquitetura, sendo a primeira escola de design do mundo. A escola foi fundada por Walter Gropius em 25 de abril de 1919. Em 1933, após uma série de perseguições por parte do governo nazista, a Bauhaus foi fechada.

Em meados da década de 1920, a técnica de arte de Klee passou para um gênero chamado divisionismo. Esta técnica de arte cria a oposição entre formas individuais e formas “dividuais”. Isto significa que ele usou formas que não podem ser divididas e formas que podem ser infinitamente divididas. Em Fish Magic, pode-se olhar para cada peixe individualmente e comparar as escamas, barbatanas e brânquias de cada peixe ou olhar para a pintura como um todo e ver um grupo de peixes que compõem a obra de arte. Este gênero de arte expressa o subconsciente através de imagens e cria imagens oníricas bizarras.

As várias figuras do quadro Fish Magic podem ter várias mensagens ou interpretações. A pintura pode ser interpretada apenas como uma cena subaquática, onde o relógio representa o tempo restante antes de os peixes serem capturados. No entanto, um tema mais provável desse trabalho, e que também é visto em muitas obras de Klee, é a diferença entre o tempo cósmico e o terreno,  entre o tempo infinito e finito. E sugere que toda a vida é controlada pelo tempo. A vida é representado pelas flores, peixes e seres, e o tempo é representado pelo relógio, objetos celestes, e a cortina. O ser com duas faces parece estar olhando para ambos os mundos do tempo versus vida, o que lembra a eventual mortalidade de toda a vida.


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sábado, 26 de setembro de 2015

Pinturas de Primavera de Sir Lawrence Alma-Tadema

Sir Lawrence Alma-Tadema – Rosas de Heliogábalo (The Roses of Heliogabalus) - 1888 – óleo sobre tela – 213,9 x 132,1 cm


Pinturas de Primavera de Sir Lawrence Alma-Tadema


Sir Lawrence Alma-Tadema – Rosas de Heliogábalo (The Roses of Heliogabalus) - detalhe


“Rosas de Heliogábalo” é uma das pinturas mais famosas de Alma-Tadema. Ela retrata o imperador romano Egabalus (Heliogábalo), um psicótico debochado. Neste episódio, ele está tentando sufocar seu público desavisado com pétalas de rosa, que foram atiradas a partir de painéis de um teto falso. Alma-Tadema, sendo um perfeccionista meticuloso, queria que cada pétala fosse tão perfeitamente realista quanto possível, e recebeu embarques de pétalas de rosa enviadas a ele da Riviera durante o inverno de 1887-1888, para ele ter exemplares frescos. Esta era uma prática comum de Alma-Tadema, que muitas vezes encomendava flores de toda a Europa e por vezes, da África, como exemplares para suas pinturas, apressando-se para concluir o trabalho antes das flores morrerem.


Sir Lawrence Alma-Tadema – Promessa de Primavera (Promise of Spring) - óleo sobre tela - National Gallery of Canada, Ottawa, Canada


Lawrence Alma-Tadema (Dronrijp, Noruega, 8 de janeiro de 1836 - Wiesbaden, 26 de junho de 1912) foi um dos mais proeminentes pintores e desenhistas do neoclassicismo europeu. Ao longo de sua vida, Alma-Tadema também adquiriu cidadania na Bélgica bem como no Reino Unido. Ao completar os seus sessenta e três anos de idade, em 1899, a Rainha Vitória concedeu a Alma-Tadema o título honorífico de Cavalheiro (Sir).


Sir Lawrence Alma-Tadema - Primavera Flora nos Jardins da Villa Borghese (Flora Spring in the Gardens of the Villa Borghese) - 1877 – aquarela


Depois de sua mudança para a Inglaterra, a carreira de Alma-Tadema teve um sucesso contínuo. Ele se tornou um dos artistas mais famosos e bem pagos do seu tempo, reconhecido e recompensado. Em 1871 ele conheceu e fez amizade com a maioria dos principais pintores pré-rafaelitas e foi em parte devido à sua influência que o artista iluminou sua paleta, variou suas matizes, e atenuou sua pincelada.


Sir Lawrence Alma-Tadema – Quando as Flores Retornam (When Flowers Return) - 1911 – óleo sobre tela

As obras de Alma-Tadema são notáveis pela maneira em que as flores, texturas e reflexos de superfícies duras, como metais, cerâmica e especialmente mármore, são pintadas. Seu trabalho mostra muito da execução fina e cor brilhante dos velhos mestres holandeses. E também notáveis pelo interesse humano com que impregna todas as suas cenas da vida antiga, trazendo-as para o âmbito do sentimento moderno, e nos encantando com sentimentos delicados e lúdicos. Desde o início de sua carreira, Alma-Tadema estava particularmente preocupado com a precisão da arquitetura, muitas vezes incluindo objetos que ele via em museus - como o Museu Britânico, em Londres - em suas obras. Ele também leu muitos livros e levou muitas imagens deles. E acumulou uma enorme quantidade de fotografias de locais antigos da Itália, que usou para maior precisão nos detalhes de suas composições. Ele era um perfeccionista. 


Sir Lawrence Alma-Tadema - O Ano na Primavera. Tudo está Certo com o Mundo (The Year´s at the Spring. All s Right with the World) - 1902 – óleo sobre tela


Como um artista de renome internacional, ele pode ser citado como uma influência sobre grandes artistas europeus, como Gustav Klimt e Fernand Khnopff. Ambos incorporam motivos clássicos em suas obras e utilizam técnicas de composição não convencionais de Alma-Tadema, como corte abrupto na borda da tela. Eles, como Alma-Tadema, também empregam imagens codificadas para transmitir um significado para suas pinturas. Nos últimos anos de sua vida, Alma-Tadema viu o surgimento do Pós-impressionismo, fauvismo, cubismo e futurismo, os quais ele vivamente reprovava. Como seu aluno John Collier escreveu, "é impossível conciliar a arte de Alma-Tadema com a de Matisse, Gauguin e Picasso”. Ele é agora considerado como um dos principais pintores clássicos do século XIX, cujas obras demonstram o cuidado e a exatidão de uma era fascinada por tentar visualizar o passado, que começava a ser recuperado através de pesquisas arqueológicas.


Sir Lawrence Alma-Tadema – A Voz da Primavera (The Voice of Spring) - 1910 – óleo sobre tela - 114.9 x 48.6 cm


Sir Lawrence Alma-Tadema – Flores de Primavera (Spring Flowers) - óleo sobre tela – 24 x 18 cm


 Sir Lawrence Alma-Tadema - Thou Rose of all the Roses – óleo sobre tela


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) - 1894 – óleo sobre tela - 178.4 x 80.3 cm -  J. Paul Getty Museum, Los Angeles


Nesta pintura, Alma-Tadema descreveu o costume Vitoriano de enviar as crianças para colher flores na manhã do dia 01 de Maio, mas colocou a cena na Roma antiga. Uma procissão de mulheres e crianças descem escadas de mármore transportam e usam flores coloridas. Espectadores preenchem as janelas e telhado de um edifício clássico. Um grande pesquisador histórico, Alma-Tadema era meticuloso sobre retratar os elementos históricos em suas pinturas. Aqui, ele fez um grande esforço para retratar os Romanos: tudo, desde os instrumentos de música até os detalhes arquitetônicos e vestimentas são precisos para a história Romana. Ele tinha uma curiosidade insaciável sobre a antiguidade clássica, e criou mais de trezentas pinturas sobre o tema. Esta pintura foi utilizada como uma referência para o filme “Cleópatra” de Cecil B. De Mille, em 1934.


 Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


Sir Lawrence Alma-Tadema – Primavera (Spring) – 1894 - detalhe


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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Wave (Tom Jobim) - Yamandu Costa + Dominguinhos



Wave (Tom Jobim) - Yamandu Costa + Dominguinhos

Yamandu Costa (Passo Fundo, 24 de janeiro de 1980) é um violonista e compositor brasileiro. É considerado um dos maiores violonistas do Brasil. Até os quinze anos, sua única escola musical era a música folclórica do Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Depois de ouvir Radamés Gnatalli começou a procurar por outros brasileiros como Baden Powell, Tom Jobim e Raphael Rabello. Aos dezessete anos apresentou-se pela primeira vez em São Paulo no Circuito Cultural Banco do Brasil, produzido pelo Estúdio Tom Brasil, e a partir daí passou a ser reconhecido como músico revelação do violão brasileiro. Yamandu toca estilos diversos como choro, bossa nova, milonga, tango, jazz, samba e chamamé, difícil enquadrá-lo em uma corrente musical principal, dado que mistura todos os estilos e cria interpretações de rara personalidade no seu violão de sete cordas.

José Domingos de Morais (Garanhuns, 12 de fevereiro de 1941  — São Paulo, 23 de julho de 2013), conhecido como Dominguinhos, foi um instrumentista, cantor e compositor brasileiro. Exímio sanfoneiro, teve como mestres nomes como Luiz Gonzaga e Orlando Silveira. Teve em sua formação musical influências de baião, bossa nova, choro, forró, xote e jazz. A sua integração ao grupo de Luis Gonzaga fez com que ganhasse reputação como músico e arranjador, aproximando-se de artistas consagrados dos movimentos bossa nova e MPB, nos anos 70 e 80. Fez trabalhos junto a músicos de renome, como Nara Leão, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Chico Buarque e Toquinho. Acabou por se consolidar em uma carreira musical própria, englobando gêneros musicais diversos como bossa nova, jazz e pop.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido pelo seu nome artístico Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro. É considerado o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira pela revista Rolling Stone e um dos criadores e principais forças do movimento da bossa nova. 

Texto: Wikipedia


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

“Munch: Van Gogh”


“Munch: Van Gogh”


Vincent van Gogh - Starry Night over Rohne – 1888 - Musèe d'Orsay



Edvard Munch - Starry Night - 1922–24 - Munch Museum, Oslo





Em uma exposição espetacular é possível descubrir os paralelos entre dois artistas emblemáticos: Vincent van Gogh e Edvard Munch. Com muitas obras-primas de todo o mundo, incluindo "O Grito" de Munch e "Noite Estrelada sobre o Rhone" de Van Gogh.



Edvard Munch – O Grito – 1893 – têmpera e pastel sobre madeira – 91 x 73,5 cm - National Gallery, Oslo, Noruega




Em “Munch: Van Gogh”, o foco é sobre os paralelos entre dois artistas icônicos. Suas visões sobre a vida e a arte estão intimamente relacionadas, apesar de eles nunca terem se encontrado. Seus trabalhos são coloridos, intensos, expressivos e radicais. Suas vidas são muito semelhantes em muitos aspectos. Por isso, Vincent van Gogh (1853-1890) e o artista norueguês Edvard Munch (1863-1944) são muitas vezes mencionados juntos. Ambos criaram arte com um forte conteúdo emocional, expresso através de um estilo pessoal e inovador, e ambos viveram vidas atribuladas. E há paralelos surpreendentes entre sua arte e seus objetivos artísticos. Cada um deles representava um rumo artístico em direção a temas existenciais e universais em novos e expressivos idiomas. No entanto, as conexões mais profundas entre os dois artistas nunca foram completamente iluminadas no contexto de uma exposição.


Vincent van Gogh - Self-Portrait with Grey Felt Hat – 1887, Paris - Van Gogh Museum (Vincent van Gogh Foundation)



Edvard Munch - Self-Portrait – 1886 - National Museum of Art, Architecture and Design, Oslo. Photo: National Museum



A Princesa Beatrix e a Rainha Sonja na exposição "Munch: Van Gogh"


Pela primeira vez, uma exposição estuda em detalhes as semelhanças entre os dois artistas. Entre mais de cem obras de arte (75 pinturas e 30 trabalhos sobre papel), existem várias obras emblemáticas e obras que raramente são emprestadas, como “O Grito” e “Madonna” por Edvard Munch e “Noite Estrelada Sobre o Rhone” e “Patience Escalier” ('O agricultor') por Vincent van Gogh. "Munch: Van Gogh" oferece a oportunidade única para admirar uma parte importante do trabalho de ambos os artistas em um único local.


Vincent van Gogh - The Yellow House ("The Street") – 1888, Arles - Van Gogh Museum (Vincent van Gogh Foundation)
Edvard Munch - Red Virginia Creeper - 1898-1900




Paris tornou-se um ponto de virada para ambos os artistas. Um confronto com as novas tendências da arte libertaram o potencial que abrigavam, desafiando-os a formular seu próprio programa. Embora as suas obras sejam diferentes no que diz respeito ao tema e implementação, ambos estavam preocupados em dar expressão à condição do homem moderno, e eles conseguiram isso trabalhando o meio pictórico ao máximo: a paleta vibrante, uma linguagem altamente estilizada e pessoal, pinceladas corajosas e composições não convencionais são características de ambos.
"Munch: Van Gogh" é o resultado de um projeto de colaboração de longo prazo entre o Museu Van Gogh em Amsterdam e do Museu Munch, em Oslo. Ambos os museus gerenciam, pesquisam e apresentam as maiores e mais importantes coleções de obras de Van Gogh e Munch do mundo.


Edvard Munch – Fertility - 1899–1900 - Canica Art Collection




“Durante sua curta vida, Van Gogh não permitiu que sua chama apagasse. Fogo e brasas eram seus pincéis durante os poucos anos de sua vida, enquanto ele praticou a sua arte. Eu tenho pensado, e desejo - no longo prazo, com mais dinheiro à minha disposição do que ele tinha - seguir os seus passos.”
Edvard Munch, 23 de outubro de 1933


Vincent van Gogh - Wheatfield with a Reaper – 1889, Saint-Rémy-de-Provence - Van Gogh Museum (Vincent van Gogh Foundation) 


 Assista o vídeo:



Até 17 de Janeiro de 2016
Van Gogh Museum
Museumplein 6, Amsterdam, Holanda
Informações: +31 (0)20 570 5200


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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Pinturas e Gravuras com Trem

Claude Monet - Saint-Lazare Gare, Normandy Train – 1887 – óleo sobre tela - 60.3 x 80.2 cm – Art Institute of Chicago


Pinturas e Gravuras com Trem


A Gare Saint-Lazare foi a maior e mais movimentada estação de trem em Paris. No início de 1877, com a ajuda de seu amigo Gustave Caillebotte, Claude Monet alugou um apartamento na vizinha Rue Moncey e começou a primeiro de 12 telas que mostram este ícone da modernidade. Ele mostrou sete delas, incluindo esta, na terceira exposição impressionista, em Abril daquele ano. Diz a lenda que ele arranjou para que as locomotivas que estivessem alimentadas com carvão extra, para que ele pudesse observar e pintar os efeitos do vapor: cinza quando preso dentro da estação, branco e nublado quando visto contra o céu.


Claude Monet - The Saint-Lazare Station – 1877 – óleo sobre tela – 75 x 104 cm - Musée D´Orsay, Paris


A Gare Saint-Lazare foi um cenário ideal para alguém que buscava os efeitos da mudança de luz, do movimento, de nuvens de vapor e de um tema radicalmente moderno. De lá saiu uma série de pinturas com pontos de vista diferentes, incluindo vistas para o vasto salão. Apesar da geometria aparente da armação metálica, o que prevalece aqui são realmente os efeitos da cor e luz, em vez de descrever uma preocupação com máquinas ou viajantes em detalhes. Certas zonas, verdadeiras peças de pintura pura, alcançam uma visão quase abstrata. Esta pintura foi elogiada por outro pintor da vida moderna, Gustave Caillebotte, cuja pintura foi muitas vezes o oposto da pintura de Monet.


Pierre Bonnard - Landscape with freight train - 1909 – óleo sobre tela - 108 x 77 cm - Hermitage, St. Petersburg, Russia


Edvard Munch - Train smoke – 1900 – óleo sobre tela - 84.5 x 109 cm - The Munch Museum



Mary Cassatt - Interior of a Tramway Passing a Bridge - 1890-1891 – gravura a ponta-seca - Art Institute of Chicago, Chicago, IL, USA


Ponta-seca é uma técnica de gravura por incisão direta que pode dispensar o uso de verniz. No geral, procede-se como se fosse uma água-forte, isto é, enverniza-se a chapa, faz-se o desenho (à mão ou por decalque) e fixa-se o desenho com a ponta-seca. A ponta grava o metal e levanta os dois lados do traço, que na gíria dos gravadores são chamadas de "rebarbas". Na ponta-seca a tinta da impressão fica presa, não só pela profundidade do traço, mas principalmente nas "rebarbas". As variações de tonalidades são conseguidas com maior ou menor pressão, fazendo com que a lâmina penetre mais ou menos na chapa. A gravura a ponta-seca permite uma tiragem reduzida. As tonalidades obtidas são aveludadas e quentes, destacando-se das demais modalidades, razão pela qual tem muita aceitação pelos artistas.


Pyotr Konchalovsky - Spring Landscape with train – 1931 - 62 x 79 cm


Camille Pissarro - Place de la Republique, Rouen (with Tramway) – 1883 – óleo sobre tela - 46.2 x 55.6 cm


Gino Severini - Red Cross Train Passing a Village – 1915 – óleo sobre tela - 88.9 x 116.2 cm - Solomon R. Guggenheim Museum, New York, USA


Depois de se mudar de Roma para Paris em 1906, Gino Severini entrou em contato próximo com Georges Braque, Pablo Picasso, e outros artistas importantes da capital da avant-garde, enquanto permaneceu em contato com seus compatriotas que permaneceram na Itália. Em 1910, ele assinou o "Manifesto Técnico: Pintura Futurista" com outros quatro artistas italianos, Giacomo Balla, Umberto Boccioni, Carlo Carrà, e Luigi Russolo, que queriam que suas pinturas expressassem a energia e velocidade da vida moderna.
Nesta pintura de um trem em movimento através da paisagem, Severini dividiu a paisagem, a fim de transmitir uma sensação de momentâneas imagens fragmentadas que caracterizam a nossa percepção de um objeto em excesso de velocidade. O choque de cores contrastantes intensas sugere o ruído e a potência do trem, que os futuristas admiravam como um emblema de vitalidade e potência.
Severini pintou esta tela no meio da I Guerra Mundial, enquanto morava em Igny, nos arredores de Paris. Anos mais tarde, ele recordou as circunstâncias: " Junto ao nosso casebre, os trens estavam passando dia e noite, cheios de material de guerra, ou soldados, e feridos". Durante 1915 ele criou muitas telas em que tentou evocar a guerra na pintura.


Alex Colville - Horse and Train – 1954


 Edward Hopper - Night on the El Train – 1918 – gravura a água forte - 18,3 x 20,1 cm – The British Museum



Edward Hopper (1882-1967) frequentou a Escola de Arte de Nova York, onde estudou com William Merritt Chase e Robert Henri. Hopper aprendeu primeiramente a técnica da gravura com o gravurista Martin Lewis em 1915, enquanto trabalhava como artista comercial freelance. Hopper produziu cerca de 70 gravuras ao longo dos próximos oito anos, mas abandonou a gravura depois de seu primeiro sucesso de crítica como pintor em 1924, aos 42 anos. Como ele mais tarde admitiu, 'Depois que eu comecei a gravar, minha pintura parecia cristalizar'.
Nesta cena de um casal em um trem, tarde da noite, Hopper nos coloca outro lado do corredor, como observadores. Ele imprime um senso de drama psicológico dentro de uma estrutura narrativa. Ele usa sua técnica de composição favorita, um ponto de vista oblíquo, ou em ângulo. O movimento do trem é indicado pelas cortinas ondulantes e correias balançando.


Norman Rockwell - Skiers on a Train – 1962 – óleo sobre tela


Vincent van Gogh - Landscape with Carriage and Train – 1890 – óleo sobre tela - 72 x 90 cm - Pushkin Museum of Fine Art, Moscow, Russia


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sábado, 19 de setembro de 2015

A história, a inspiração e o local da pintura “Rue Lafayette” de Edvard Munch

Edvard Munch - Rue Lafayette - 1891 – óleo sobre tela - 92 x 73 cm – Nasjonalgalleriet (The National Museum of Art, Architecture and Design), Oslo, Noruega


A história, a inspiração e o local da pintura “Rue Lafayette” de Edvard Munch


Na Primavera de 1891, Munch ocupou quartos na Rue Lafayette,  49. Presumivelmente, é a visão de seus próprios quartos que ele tomou como base para esta pintura. À esquerda vislumbramos a Rue Drouot e a Rue Faubourg-Montmartre. A impressão da vida pulsante movimentada na rua é compensado pela figura sombria na varanda. A pintura mostra o forte interesse de Munch no Impressionismo durante este período. No entanto, ele preferiu explorar outras direções nos anos que se seguiram.


Vista do balcão do Hotel Jules na Rue de Lafayette  49 em Paris, nos dias atuais


Em 1889, quando Munch recebeu uma bolsa de estudo do Estado norueguês, ele foi para Paris, onde se familiarizou com pintores contemporâneos do período, a grande cidade a vida moderna, seu ritmo, pulso e movimento. Na segunda metade do século 19, Paris passou por grandes mudanças em seu planejamento urbano. Edifícios e bairros antigos foram derrubados para abrir caminho para largas avenidas. Isto rapidamente se tornou parte da identidade visual da cidade e um assunto popular para muitos dos artistas mais influentes da época, que estavam interessados em descrever a vida na metrópole moderna.

A pintura impressionista influenciou o ponto de vista, a perspectiva dramática e a forma difusa nessa pintura. A tinta é aplicada em traços rítmicos, salpicados e traços oblíquos criando um efeito global vibrante  e radiante. Aqui Munch combinou uma pincelada pontual com um estilo conciso que aponta para além do tema que está efetivamente registrado.

Dentro desta representação de um movimentado boulevard francês, Munch joga bem com técnicas contrastantes para transmitir uma sensação de movimento e de imediatismo. O homem e sua varanda em cima, justapõem bem contra a corrente abstrata de vida que se desenrola abaixo do observador, causando um sentimento de altura e admiração. Entretanto, o glamour romantizado abaixo, demonstra ser pouco mais do que listras, especialmente na seção inferior esquerda. Tudo está detalhado apenas o suficiente para evocar uma certa beleza passageira, desde os cavalos com suas carruagens até os telhados mais abaixo da linha diagonal da varanda.

Uma provável inspiração para a pintura de Munch, foram as pinturas com balcão de Gustave Caillebotte.


Gustave Caillebotte - A Balcony, Boulevard Haussmann – óleo sobre tela



Gustave Caillebotte - Boulevard des Italiens – c. 1880 – óleo sobre tela - 65 x 54 cm

Para mais informações e fotos sobre Gustave Caillebotte, acesse o artigo “Gustave Caillebotte: The Painter's Eye (O Olhar do Pintor)” nesse blog, clicando sobre o link:



Edvard Munch (Løten, 12 de Dezembro de 1863 — Ekely, 23 de Janeiro de 1944) foi um pintor e gravurista norueguês, cujo tratamento intensamente evocativo de temas psicológicos foram construídos sobre alguns dos principais dogmas do Simbolismo do final do século 19, e exerceu grande influência no expressionismo alemão do início do século 20. Uma de suas obras mais conhecidas é "O Grito" de 1893.


Edvard Munch – O Grito – 1893 – têmpera e pastel sobre madeira – 91 x 73,5 cm - National Gallery, Oslo, Noruega

Munch chegou em Paris durante as festividades da Exposition Universelle (1889). Sua pintura Manhã (1884), foi exibida no pavilhão da Noruega. Ele passava as manhãs no movimentado estúdio de Bonnat (que incluia modelos femininos ao vivo) e as tardes na exposição, galerias e museus (onde se esperava que os estudantes fizessem cópias, como uma forma de aprendizagem técnica e de observação). Munch sentiu pouco entusiasmo pelas aulas de desenho de Bonnat, mas apreciava os comentário do mestre durante passeios a museus. Munch ficou encantado com a grande exposição de arte moderna europeia, incluindo as obras de três artistas influentes: Paul Gauguin, Vincent van Gogh, e Henri de Toulouse-Lautrec,  notáveis pela forma como usavam a cor para transmitir emoções. Munch foi particularmente inspirado pela "reação contra o realismo" de Gauguin e seu credo que "a arte é o trabalho humano e não uma imitação da natureza", uma crença que já tinha sido afirmada por Whistler. Como um de seus amigos de Berlim disse sobre Munch: "Ele não precisa ir para o Tahiti para ver e experimentar o primitivo na natureza humana, ele carrega seu próprio Tahiti dentro dele". 


Hotel Jules na Rue de Lafayette  49 em Paris, nos dias atuais


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