terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A história da obra de arte: O Espelho de Vênus, de Edward Burne-Jones – com análise da obra e vídeo

O Espelho de Vênus - Edward Burne- Jones – 1875 – óleo sobre tela – 120 x 200 cm – Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal

A história da obra de arte: O Espelho de Vênus, de Edward Burne-Jones – com análise da obra e vídeo

O artista cria uma configuração quase sobrenatural de sonho e cena em que ele tenta provocar tanto contemplação quanto emoção no espectador. À primeira vista, a situação parece simplista em sua natureza esteticamente agradável. Burne- Jones simplesmente apresenta ao espectador dez belas garotas ou mulheres aqui, a maioria das quais olham para os seus reflexos em um lago com lírios. O artista não cria uma cena de ação complexa,  mas sim de passividade, delicadeza e emoção. A única complexidade significativa da cena está na reação emocional de cada mulher para a imagem em particular que ela vê. Enquanto muitas delas olham ansiosamente seus próprios reflexos, algumas parecem indiferentes, algumas felizes e uma ou duas até parecem descontentes com a sua própria imagem que aparece diante delas. Ainda outras, no entanto, nem sequer olham para sua própria imagem. Burne- Jones no entanto escolhe complicar a cena sutilmente, chamando as atenções para a garota alta vestida de azul. Talvez o elemento mais marcante da pintura como um todo , essa mulher chama a atenção para a postura , o tipo e a expressão de "Vênus de Boticelli" em "O Nascimento de Vênus" de 1485 (veja a obra abaixo). Ao invés de se agachar para ver a imagem dela na água, ela atrai o olhar, não só do espectador, mas também da garota ajoelhada à sua esquerda e da garota sentada no lado direito da composição. A diferença na expressão destas duas moças ao olhar para ela, serve como uma complicação digna de nota. Enquanto a mulher na sua esquerda olha para o seu rosto com admiração por sua beleza , a mulher sentada olha para ela com uma expressão que faz o espectador perceber o ciúme e, talvez, aborrecimento. Aqui, Burne- Jones apresenta não só uma cena de sonho em que meninas bonitas olham para seus reflexos em contemplação e narcisismo, mas também uma cena que contém complexidades humanas e sociais realistas. Porque nem todos podem se satisfazer com a sua própria beleza, mas alguns precisam olhar para a beleza  de outros com reverência ou com inveja.

“O Nascimento de Vênus” -  Sandro Botticelli – 1485 – têmpera sobre tela - 280 x 180 cm - Galleria degli Uffizi, Florença, Itália


Pode-se entender o tema da composição como uma exaltação da beleza ideal. O pintor recorre a um discurso narrativo mínimo, colocando figuras poéticas e sonhadoras, que envergam trajes pseudo-clássicos, em distribuição linear, à maneira de friso, de inspiração grega. Mais do que uma semelhança formal de estilo, Burne-Jones procura uma afinidade geral de ambiente renascentista. Clara sugestão do Quattrocento, de Botticelli em particular, a tela privilegia a harmonia decorativa do conjunto e cria, deliberadamente, uma evocação nostálgica do passado. A composição deriva de uma ilustração destinada a "The Hill of Venus", integrado no poema "The Earthly Paradise", de William Morris, inspirado na lenda medieval de "Tannhäuser" (a lenda conta a história de Tannhäuser, um menestrel que se deixa seduzir por uma mulher mundana, de nome Vênus, contrariando assim a defesa do torneio dos trovadores a que ele pertence de que o amor deve ser sublime e elevado).

Sir Edward Coley Burne-Jones (Birmingham, 28 de agosto de 1833 – Londres, 17 de junho de 1898) foi um artista e designer inglês, envolvido no rejuvenescimento da tradição de vitrais na Inglaterra. As suas obras incluem as janelas de Birmingham Cathedral, a igreja de St Martin's, em Brampton, Cumbria, entre outras. Integrado ao movimento pré-rafaelita formado na Inglaterra em 1848, com grande influência do pintor Dante Gabriel Rossetti. Depois disso, Sir Edward Burne-Jones tornou-se um dos grandes nomes de uma nova tendência surgida na década de 1860, designada por Aestheticism. Além de pintura e vitrais, Burne-Jones trabalhou em vários tipos  de arte, incluindo o design de azulejos de cerâmica, jóias, tapeçarias, mosaicos e ilustrações de livros.

Assista o vídeo com obras de Edward Burne-Jones:

https://youtu.be/Uw4qhpPWfGk 



Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas compartilhe usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais.




Nenhum comentário:

Postar um comentário