terça-feira, 18 de novembro de 2014

A história da obra de arte: "Portrait of M. Félix Fénéon" - Paul Signac

Paul Signac – (Opus 217. Against the Enamel of a Background Rhythmic with Beats and Angles, Tones, and Tints) Portrait of M. Félix Fénéon in 1890 – 1890 – óleo sobre tela - 73.5 x 92.5 cm – MoMA (Museum of Modern Art - New York)

A história da obra de arte: "Portrait of M. Félix Fénéon" - Paul Signac

Felix Fénéon era um negociante de arte, colecionador, curador, ativista político, crítico e amigo de Signac que compartilhava interesses do artista em ciência e gravuras japonesas.

Nesta pintura Signac retrata esta personalidade não convencional e enigmática com seu cavanhaque característico, segurando uma cartola e uma bengala em uma mão e uma flor na outra. Combinando figuração e abstração, ele coloca o perfil estático de Fénéon contra um fundo rodopiante - uma representação caleidoscópica da recentemente publicada roda de cores do teorista ótico Charles Henry. Uma brincadeira semelhante é a base do excessivamente longo título, possivelmente, uma sátira sobre terminologia científica.

"Uma combinação de figuração e abstração com pontilhismo. O fundo parece um caleidoscópio, algo meio psicodélico, mas pintado em 1890!!!" - observação da autora desse blog, Betty Sahm Diesendruck 


Félix Fénéon

Paul Signac (Paris, 11 de Novembro de 1863 — 15 de Agosto de 1935) foi um dos desenvolvedores do pontilhismo, colaborando para a técnica obter apelo popular. Signac, de espírito libertário era simpatizante da filosofia anarquista. Filho único de um comerciante (estofador), pode ser considerado um pintor autodidata. Foi Georges Seurat que ensinou a Paul Signac a técnica do Pontilhismo, tendo estes dois artistas sido os principais impulsionadores do chamado Movimento do Divisionismo, também designado por Neo-Impressionismo ou Pontilhismo. Signac pertenceu também ao grupo de artistas designado por Grupo dos XX. 


Paul Signac - 1923

A maioria das pinturas de Signac representam a costa francesa, com locais como Gênova, Florença e Nápoles. Como amante que era de barcos, possuiu ao longo da sua vida cerca de 30 barcos. Isso permitiu-lhe fazer diversas viagens que o inspiraram no uso de novos tons, porque a claridade das paisagens é diferente de região para região. Signac fez aquarelas, óleos, litografias e desenhos com caneta e tinta. A cor e a fluidez da obra de Signac é vital para a sua composição, e sua obra influenciou muito a geração seguinte da arte, o fauvismo. Depois de 1900, Signac começou a experimentar o uso de mosaicos de cores, manchas muito maiores do que o seu antigo pontilhismo.
Dois de seus amigos eram o jornalista Felix Fénéon e o cientista e matemático Charles Henry, ambos interessados em Neo-Impressionismo publicaram as suas opiniões sobre a teoria da cor. 

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sábado, 15 de novembro de 2014

“Van Gogh. Man and the Earth” exposição no Palazzo Reale em Milão


“Van Gogh. Man and the Earth” exposição no Palazzo Reale em Milão


Vincent van Gogh, “Rose e peonie” – 1886 – óleo sobre tela - 59,8 x 72,5 cm - Kröller-Müller Museum, Otterlo © Kröller-Müller Museum, Otterlo


A exposição celebra a profunda relação do artista com a natureza e a Terra, apresentando a relação das obras expostas com os temas da “2015 Milan Expo - Alimentando o Planeta, Energia para a Vida”, mostrando como o interesse do artista nos ciclos da Terra e da vida humana influenciou profundamente sua poética.


Vincent van Gogh - “Portrait of Joseph-Michel Ginoux” - 1888 – óleo sobre tela - 65,3 x 54,4 cm - Kröller-Müller Museum, Otterlo © Kröller-Müller Museum, Otterlo


Com curadoria de Kathleen Adler e com o apoio de uma comissão de peritos em Van Gogh, a exposição apresenta 47 obras, incluindo as destacadas “Auto-Retrato” (1887), “Retrato de Joseph Roulin” (1889) e “Paisagem com feixes de trigo e lua crescente” (1889).


Vincent van Gogh - “Landscape with wheat sheaves and rising moon” - 1889 - óleo sobre tela - 72 x 91,3 cm - Kröller-Müller Museum © Kröller-Müller Museum


O principal corpo de obras, dividido em seis seções, vem do Museu Kröller-Müller, em Otterlo, com contribuições notáveis do Museu Van Gogh em Amsterdã, do Museu Soumaya-Fundación Carlos Slim  da Cidade do México, do Museu Centraal em Utrecht, e de importantes coleções particulares. O espaço de exposição, desenhado pelo famoso arquiteto japonês Kengo Kuma, é inspirado na Natureza, a fim de trazer os  visitantes cara a cara com o mundo de Van Gogh.


Vincent van Gogh – “Contadini che piantano patate” – 1884 – óleo sobre tela - 66 x 149 cm - Kröller-Müller Museum © Kröller-Müller Museum


A mostra é um dos eventos organizados para o 125º aniversário da morte de Vincent van Gogh, que está sendo comemorado através do grande programa internacional “Van Gogh 2015”, com curadoria da Van Gogh Europe Foundation, esforço de colaboração de mais de trinta instituições baseadas na Holanda, Bélgica, França e Grã-Bretanha, que está promovendo ativamente o legado do grande mestre holandês.


Vincent Van Gogh - “Peasant Woman Binding Sheaves” - 1885 - giz sobre papel - Van Gogh Museum, Amsterdam, Netherlands


Kathleen Adler,  curadora da exposição e autora de algumas monografias importantes sobre o assunto, escreveu em relação a Van Gogh: "Na vida de Vincent - sempre em movimento, instável, inquieto, incapaz de assentar em qualquer lugar ou de se conformar com as normas da sociedade, e sempre em conflito com sua família - só há uma única ligação constante e indissolúvel: aquela com a terra e as suas labutas". Este conceito, que a exposição pretende explorar e mostrar ao público em geral, tornou-se uma verdadeira filosofia de vida para Van Gogh.


Vincent van Gogh - “Still life with plate of onions” - 1889 - óleo sobre tela - 49,6 x 64,4 cm - Kröller-Müller Museum © Kröller-Müller Museum


Dividida em seis seções, a exposição centra-se na relação entre o homem e a natureza: desde os primeiros desenhos, através dos quais o artista gradualmente desenvolveu sua técnica, até a explosão brilhante de cores vivas em suas paisagens. De seus retratos, muitas vezes não de indivíduos, mas de tipos humanos, como o "camponês",  até as suas naturezas-mortas, que cada vez mais refletiam a simplicidade rústica da vida no campo se desdobrando diante dos olhos do pintor. 


Vincent van Gogh – “Auto-retrato”  - óleo sobre papelão - 1887 - 32,8 x 24 cm - Kröller-Müller Museum © Kröller-Müller Museum


O Auto-Retrato que abre a exposição é uma das muitas pinturas que Van Gogh executou cuidadosamente olhando para si mesmo no espelho, uma obra que dará ao espectador a impressão de ter encontrado o artista em pessoa. A personalidade de Van Gogh é revelada em suas próprias palavras através das cartas famosas citadas nas legendas, algumas sendo apresentadas como parte do itinerário da exposição. O objetivo aqui é ilustrar o conteúdo da obra, a poética e a arte de Van Gogh através das coisas que Vincent diz a Theo e a outros correspondentes.


Vincent van Gogh - “Veduta di Saintes-Maries-de-la-Mer” - 1888 - óleo sobre tela - 64,2 x 53 cm - Kröller-Müller Museum  © Kröller-Müller Museum


Ao longo das seis seções (o homem e a terra, a vida nos campos, o retrato moderno, naturezas-mortas, cartas, cor e vida), os visitantes têm a oportunidade de observar e identificar-se com a vida no campo e de trabalho, especialmente através dos desenhos de Van Gogh - como “Peasant Woman Binding Sheaves” ou “Gleaning and Digging”. Desenho era uma técnica que Van Gogh gostava muito e esse processo o levou a mergulhar completamente na pintura a óleo de paisagens, que são ilustradas na exposição por obras como “View of Saintes-Marie-de-la-Mer”, “Olive Grove with Two Olive Pickers” e “The Green Vineyard”. Depois, há os retratos, rostos como os do “Portrait of Joseph-Michel Ginoux” e do “Portrait of Joseph Roulin”.


Vincent van Gogh - “La vigna verde” - 1888 - óleo sobre tela - 73,5 x 92,5 cm - Kröller-Müller Museum © Kröller-Müller Museum


Van Gogh procurou o sentido da vida e das coisas no mundo camponês, nas criaturas simples e puras - como o carteiro que costumava visitá-lo no manicômio todos os dias e cantava “A Marselhesa” para ele - e na labuta e trabalho duro, do tipo realizado pelos agricultores e pescadores que ele retratou.
O trabalho de Van Gogh foi em grande parte não reconhecido em sua própria época devido à sua forma original e estilo, apesar das influências de romancistas contemporâneos (como ilustrado pelo ensaio de Stéphane Guégan no catálogo), para não mencionar os impressionistas e os muito amados Millet e Daumier, que também estavam muito à frente de seu tempo.


Vincent Van Gogh – “Gleaning and Digging” - 1885 – giz sobre papel - Collection Charles Clore
London, United Kingdom


Até 8 de Março de 2015
Palazzo Reale - Piazza del Duomo, 12, Milano
Telefono: 02 0202


Vincent van Gogh - “Veduta di Saintes-Maries-de-la-Mer” - 1888 - óleo sobre tela - 64,2 x 53 cm - Kröller-Müller Museum  © Kröller-Müller Museum





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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Unicórnio: um ser mágico na arte

"Portrait of a Lady with a Unicorn" - Raphael - c.1505-1506 - óleo sobre madeira - 67.8 x 53 cm - Galleria Borghese, Roma, Itália 


Unicórnio: um ser mágico na arte


"The Unicorn" - Gustave Moreau - 1884-1885 – óleo sobre tela - 50 x 34.5 cm


O unicórnio é um animal mitológico que tem a forma de um cavalo, geralmente branco, com um único chifre em espiral. Sua imagem está associada à pureza e à força. Segundo as narrativas, são seres dóceis, porém são as mulheres virgens que têm mais facilidade para tocá-los.


"Virgin and Unicorn" (A Virgin with a Unicorn) - Annibale Carracci - 1605 - afresco - Farnese Palace


Tema de notável recorrência nas artes medievais e renascentistas, o unicórnio, assim como todos os outros animais fantásticos, não possui um significado único.
Considerado um equino fabuloso benéfico, o unicórnio é associado à virgindade, já que segundo o mito, o único ser capaz de domar um unicórnio é uma donzela pura. 


"The Unicorns" - Gustave Moreau - c.1885 - óleo sobre tela - 90 x 115 cm - Musée Gustave Moreau, Paris


Leonardo da Vinci escreveu o seguinte sobre o unicórnio: "O unicórnio, através da sua intemperança e incapacidade de se dominar, e devido ao deleite que as donzelas lhe proporcionam, esquece a sua ferocidade e selvajaria. Ele põe à parte a desconfiança, aproxima-se da donzela sentada e adormece no seu regaço. Assim os caçadores conseguem caçá-lo."


"The Abduction of Europa" - Gustave Moreau - c.1869 – aquarela - Wadsworth Atheneum, Hartford, CT, USA


A origem do tema do unicórnio é incerta e se perde nos tempos. Presente nos pavilhões de imperadores chineses e na narrativa da vida de Confúcio, no Ocidente faz parte do grande número de monstros e animais fantásticos conhecidos e compilados na era de Alexandre e nas bibliotecas e obras helenísticas. 


"Maiden with Unicorn" - tapeçaria - século XV - Musée de Cluny, Paris


Representações profanas do unicórnio encontram-se em tapeçarias do Norte da Europa e nos cassoni (grandes caixas de madeira decoradas, parte do enxoval das noivas) italianos dos séculos XV e XVI. O unicórnio também aparece em emblemas e em cenas alegóricas, como o Triunfo da Castidade ou da Virgindade.


"The Unicorn Is Penned" - c. 1495–1505 - The Cloisters, Metropolitan Museum of Art, New York 


O unicórnio tem sido uma presença frequente na literatura fantástica, surgindo em obras de Lewis Carroll, C.S. Lewis e Voltaire. Alguns relatos dizem também, que esses seres mágicos são capazes de se alimentar de nuvens do entardecer e raios de sol. Isso só ocorre pelo fato de essas serem as únicas substâncias puras o suficiente para esse animal fantástico ingerir. Além disso, os unicórnios, devido a sua origem mágica, conseguem transformar quaisquer tipos de substâncias impuras e putrefatas em substâncias brilhantes, cheias de luz e vida.


"The Unicorn" - Gustave Moreau - c.1885 – óleo sobre tela - Musée Gustave Moreau, Paris


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sábado, 8 de novembro de 2014

Marevna, a artista amiga dos grandes artistas

"Homage to Friends from Montparnasse" - Marevna (Marie Vorobieff), 1962 -  (Diego Rivera, Leopold Zborowski, Chaim Soutine, Moise Kisling, Ilya Ehrenburg, Amedeo Clemente Modigliani, Jeanne Hébuterne, Max Jacob,  Marevna)


Marevna, a artista amiga dos grandes artistas





Portrait of Marevna - Amedeo Modigliani, 1919


Portrait of Amedeo Modigliani Marevna (Marie Vorobieff), 1955


Marie Bronislava Vorobieff-Stebelska (14 de Fevereiro de 1892 - 4 de Maio de 1984), também conhecida como Marevna foi uma pintora cubista nascida na Rússia. Ela é internacionalmente conhecida por combinar de forma convincente elementos do cubismo (chamados por ela "dimensionalismo") com pontilhismo e  estrutura. Supostamente foi a primeira pintora cubista feminina. 


Portrait of Diego Rivera - Marevna (Marie Vorobieff), 1960



Self-portrait - Marevna (Marie Vorobieff), 1929 - Musée du Petit Palais, Paris, France


Apesar de ter vivido a maior parte de sua vida no exterior - seus anos de formação como pintora cubista, na França e seus anos de maturidade, na Inglaterra - ela é muitas vezes referida como uma "pintora russa". De sua relação com o pintor cubista mexicano e mais tarde muralista Diego Rivera, em Paris, ela teve uma filha, Marika Rivera (1919-2010), que se tornou uma dançarina profissional e atriz de cinema.


The atelier of Diego Rivera in Rue du Départ (Diego Rivera, Ehrenbourg and Juan Gris), Paris in 1916 - Marevna (Marie Vorobieff)



Marika with a bouquet of flowers - Marevna (Marie Vorobieff), 1970


Em 1911, ela partiu para a Itália. Na ilha de Capri ela foi apresentada a Maxim Gorki que lhe apelidou Marevna (uma princesa do mar de um conto de fadas russo) que ela adotou como sua assinatura. A pequena loira de olhos azuis, não era uma beleza convencional, mas sua natureza extrovertida combinada com a profundidade proverbial da alma russa parece ter lhe dado um charme especial que facilmente provocou um eco entusiástico dos seus contemporâneos.


Portrait of Pablo Picasso - Marevna (Marie Vorobieff), 1956



The Bathers - Marevna (Marie Vorobieff)


Em 1912, aos vinte anos de idade, com um talento florescente, Marevna mudou-se para Paris, onde continuou seus estudos de arte e logo começou a exibir seu trabalho em exposições. Ela tornou-se amiga de alguns dos maiores artistas e escritores do início do século XX, então residentes em Montparnasse e, especialmente, em La Ruche, entre eles Georges Braque, Marc Chagall, Jean Cocteau, Ilya Ehrenburg, Maxim Gorki, Max Jacob, Moise Kisling, Pinchus Krémègne, Fernand Léger, Henri Matisse, Amedeo Modigliani, Pablo Picasso, e Chaim Soutine.


Portrait of Marc Chagall Marevna (Marie Vorobieff), 1956



Claude Lamorrise with two Tibetan Dogs -Marevna (Marie Vorobieff)



"Homenagem aos amigos de Montparnasse" (1962), de tamanho mural, pintado muito tempo depois que ela tinha deixado Paris, é uma janela para o coração de Marevna, não só no que diz respeito a Diego Rivera, mas também a Chaim Soutine e outros amigos em Paris - um pequeno círculo completamente dominado por Amedeo Modigliani.

Outras obras em homenagem aos amigos:


Homage to Friends from Montparnasse - Marevna (Marie Vorobieff), 1962 -  Diego-Rivera, Pablo-Picasso, Marc-Chagall, Sergei Diaghilev, Ilya-Ehrenburg


Homage to Friends from Montparnasse - Marevna (Marie Vorobieff), 1962 - Jean-Cocteau, Pablo-Picasso, Igor-Stravinsky, Natalia-Goncharova, Mikhail-Larionov


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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Salvador Dali & Walt Disney – “Destino” – o curta metragem surreal

 Dali e Disney: era o "Destino" (Foto: Arquivo)

Salvador Dali & Walt Disney – “Destino” – o curta metragem surreal

Em 1946, Salvador Dalí colaborou com os animadores da Walt Disney em “Destino”, uma animação surrealista que foi planejada mas não concluída devido a preocupações orçamentais. “Destino” não seria concluída até 2003, 58 anos depois, quando Roy Disney ressuscitou o projeto. Nem Walt Disney, que morreu em 1966, nem Dali, morto em 1989, chegaram a ver o filme.

O curta de seis minutos segue a história de amor de Chronos (da mitologia grega) e o amor malfadado que ele tem por uma mulher mortal. A história continua com a mulher dançando, com o cenário surreal inspirado por pinturas de Dalí. Não há diálogo, mas a trilha sonora inclui música do compositor mexicano Armando Dominguez.

Clique sobre o vídeo abaixo para assistir:






quarta-feira, 5 de novembro de 2014

História da obra de arte: Pablo Picasso - "At the Lapin Agile"

Pablo Picasso - "At the Lapin Agile" - óleo sobre tela - 1905 - 99.1 x 100.3 cm - The Metropolitan Museum of Art

História da obra de arte: Pablo Picasso - "At the Lapin Agile"

Neste celebrado trabalho (agora um ícone da vida boêmia em Paris na virada do século passado), Picasso retrata a si mesmo vestido como um arlequim. Ele é acompanhado por sua amante recente Germaine Pichot. Anteriormente, ela havia sido a obsessão fatal do grande amigo de Picasso, Casagemas, que cometeu suicídio em 1901. A pintura foi encomendada por Frédé Gérard - visto tocando violão no fundo - para o seu cabaré de Montmartre, Le Lapin Agile, onde ficou sendo o único trabalho de Picasso em exibição permanente em Paris de 1905 até 1912, quando foi vendido a um colecionador alemão.


Pablo Picasso - "Portrait de Germaine Pichot" - 1902 - óleo sobre tela


O local foi originalmente chamado de "Cabaret des Assassins". A tradição conta que o cabaré recebeu este nome porque um bando de assassinos invadiu e matou o filho do proprietário. O cabaret já existia há mais de 20 anos  quando, em 1875, o artista Andre Gill pintou a placa que viria a sugerir seu nome permanente. Era uma foto de um coelho saltando de uma panela, e os moradores do bairro começaram a chamar o night-club de "Le Lapin a Gill", "O Coelho de Gill".






Picasso chega em Paris, em 1900, acompanhado pelos amigos Pallares e Casagemas para ver o seu trabalho “Ciência e Caridade” na Exposição Universal. Eles aproveitaram para visitar o Louvre, o Museu de Luxemburgo, para ver obras de Cézanne e Gauguin, aproveitar os bailes populares famosos do Moulin de la Galette, uma localidade com muita história, sendo o tema de pinturas de Corot, Renoir, Van Gogh, Utrillo, Bonnard e Toulouse Lautrec. 




Visitaram as galerias de arte, tais como a de Berthe Weill onde eles conheceram Manyac, um negociante de arte que procurava obras de arte para ela. Manyac se interessou pelo trabalho de Picasso e propôs a compra de várias telas além de assumir o controle de seus interesses, de modo que em breve ele estava vendendo a Berthe Weill que no mesmo dia revendeu para Adolphe Brisson, um crítico literário dos Temps.


Pablo Picasso - Les Deux Saltimbanques (Arlequin et sa Compagne) – 1901 – óleo sobre tela - 73 x 60 cm - Pushkin Museum, Moscow


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terça-feira, 4 de novembro de 2014

“Alma Brasileira – 100 anos de Gravura” - exposição


“Alma Brasileira – 100 anos de Gravura” - exposição

A exposição coletiva reúne 101 obras de 37 artistas em diversas modalidades, como xilogravura, litografia, gravura em metal e serigrafia. A curadoria de Fernanda Lopes traça um panorama conciso dos últimos 100 anos da gravura brasileira a partir do acervo de mais de cinco mil obras da coleção do Museu de Gravura da Cidade de Curitiba, que celebra seus 25 anos de fundação.
Ao todo estão reunidos 37 artistas brasileiros, de diferentes gerações, os quais, segundo Fernanda, revelam ao longo das décadas os desdobramentos possíveis para a prática e o pensamento da gravura. Nomes como Carlos Oswald, Gilvan Samico, Oswaldo Goeldi, Fayga Ostrower, Anna Letycia e Marcelo Grassmann apresentam obras dedicadas à pesquisa da prática da gravura em suas diferentes modalidades: xilogravura, litografia, gravura em metal e serigrafia.


Oswaldo Goeldi - "Chuva" - 1957 - xilogravura a cores 


Já artistas como Iberê Camargo, Lygia Pape, Carlos Zilio, Waltercio Caldas e Anna Bella Geiger revelam uma produção em gravura de artistas que não são reconhecidos como gravadores por excelência, mas que em diferentes momentos se apropriaram dessa linguagem em suas produções.
Completam a exposição trabalhos de artistas como Daniel Senise, Jac Leirner, Alex Cerveny, Eliane Prolik, Laura Miranda e Cildo Meireles, que expandem, intencionalmente ou não, a noção clássica de gravura, usando radiografias, superfícies perfuradas, objetos molhados, carimbos e etc.


Carlos Scliar - "Telhados de Ouro Preto" - 1977 - serigrafia - 36 x 55 cm


A mostra conta ainda com a exibição de 43 carimbos de 1 a 6 cm dos artistas Ana Gonzalez, Rossana Guimarães, Luciano Mariussi, Denise Roman, Cristiane Silveira, dispostos na Galeria D. Pedro II da Caixa Cultural.
“Essa mostra revela não só a importância do Acervo do Museu da Gravura da cidade de Curitiba como também as abordagens e desdobramentos possíveis da noção de gravura ao longo da história”, declara Fernanda Lopes.


Alex Cerveny - "Accordeon" - 1994 - litografia - 129 x 764 cm


Até 30 de Novembro de 2014 - Terça-feira a domingo, das 9h às 19h
CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 - São Paulo – SP)

Tel.: (11) 3321 4400


The Corrs & Bono - When the Stars Go Blue



The Corrs & Bono - When the Stars Go Blue

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Grandes marchands e mecenas da arte: Serena Lederer (Gustav Klimt)

Gustav Klimt – “Serena Pulitzer Lederer” – 1899 – óleo sobre tela – 190,8 x 85,4 cm - Metropolitan Museum of Art


Grandes marchands e mecenas da arte: Serena Lederer (Gustav Klimt)


Bonita e elegante, Serena Lederer Pulitzer era uma estrela da sociedade vienense da virada do século. Para este retrato acima, encomendado por seu marido, o industrial August Lederer, Klimt empregou pinceladas suaves e sinuosas para apresentar Serena como uma aparição em branco. "Uma flor na posição vertical, de haste longa ... como uma tulipa negra", entusiasmou-se um crítico quando a pintura foi mostrada em 1901 na décima exposição da Secessão de Viena, grupo fundado por Klimt e outros artistas quatro anos antes, com o objetivo de colocar a cidade na vanguarda do mundo da arte internacional. Os Lederers posteriormente formaram a melhor coleção da obra de Klimt em mãos privadas. 

Gustav Klimt - Charlotte Pulitzer (mãe de Serena Lederer) - 1915 - óleo sobre tela - 98 x 98 cm 


Serena (Szeréna) Lederer, nascida Pulitzer (20 de maio de 1867, Budapeste - 27 de março de 1943) foi a esposa do magnata da Indústria August Lederer, amigo próximo de Gustav Klimt e instrumental na constituição da coleção de obras de arte de Klimt.
Nascida em uma rica família judia, parente do jornalista norte-americano Joseph Pulitzer, Serena era conhecida por sua notória beleza em sua juventude e posteriormente, uma Grande Dama. Ela casou em 05 de junho de 1892 com August Lederer. A família era residente de Raab (Győr), no Bartensteingasse n ° 8 em Viena e no castelo Ledererschlössel em Weidlingau. Em Viena, um cômodo do apartamento foi dedicado às obras de Klimt.
A pintura de Szeréna Lederer feito em 1899 foi a origem de uma estreita amizade. Por recomendação de Klimt, em 1912, Egon Schiele foi apresentado à família Lederer e se tornou amigo de Erich Lederer, o filho mais novo. Szeréna Lederer foi instrumental na coleção da obra de Klimt. Há retratos de sua mãe, sua filha Elisabeth e ela mesma pelo artista. Existe a suposição que Elisabeth era filha natural de Klimt.


Gustav Klimt - Baronesa Elisabeth Bachofen-Echt (filha de Serena Lederer) - 1914 - óleo sobre tela - 180 x 126 cm - coleção particular


A coleção Lederer foi confiscada de Serena em 1940 e ela fugiu para Budapeste, onde morreu três anos depois. A Gestapo transferiu a coleção para o Castelo Immendorf, mas o castelo foi incendiado em Maio de 1945, para que não caísse nas mãos dos Aliados e muitas obras foram destruídas, incluindo: Golden Apple Tree, Philosophy, Jurisprudence e Medicine (que Lederer comprou quando a Universidade de Viena rejeitou as 3 obras), Girl Friends e Music II. O número exato de pinturas queimadas em Schloss Immendorf é desconhecida.


Gustav Klimt - Golden Apple Tree - 1903 - óleo sobre tela - 100 x 100 cm - Destruído por fogo proposital, durante o recuo das forças alemãs em 1945 no Schloss Immendorf, na Áustria


Gustav Klimt - Philosophy - 1899 - óleo sobre tela - 430 x 300 cm - Destruído por um fogo marcado pelo recuo das forças alemãs em 1945 no Schloss Immendorf, na Áustria


Gustav Klimt - Jurisprudence - 1903 - óleo sobre tela - 430 x 300 cm - Destruído por um fogo marcado pelo recuo das forças alemãs em 1945 no Schloss Immendorf, na Áustria


Gustav Klimt - Medicine, Hygieia - 1900 - óleo sobre tela - 430 x 300 cm - Destruído por um fogo marcado pelo recuo das forças alemãs em 1945 no Schloss Immendorf, na Áustria


Gustav Klimt - Girlfriends or Two Women Friends - 1916–17 - óleo sobre tela - 99 x 99 cm - Destruído por um fogo marcado pelo recuo das forças alemãs em 1945 no Schloss Immendorf, na Áustria


Gustav Klimt - Musik II - 1898 - óleo sobre tela - 150 x 200 cm - Destruído por um fogo marcado pelo recuo das forças alemãs em 1945 no Schloss Immendorf, na Áustria

Gustav Klimt (Baumgarten, Viena, 14 de julho de 1862 — Viena, 6 de fevereiro de 1918) foi um pintor simbolista austríaco. Associado ao simbolismo, destacou-se dentro do movimento Art Nouveau austríaco e foi um dos fundadores do movimento da Secessão de Viena, que recusava a tradição acadêmica nas artes, e do seu jornal, Ver Sacrum. Klimt foi também membro honorário das universidades de Munique e Viena. Os seus maiores trabalhos incluem pinturas, murais, esboços e outros objetos de arte, muitos dos quais estão em exposição na Galeria da Secessão de Viena


Esse blog possui mais artigos sobre Gustav Klimt. Clique sobre esses links para ver:








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