quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Homenagem a Tomie Ohtake - assista o vídeo

Tomie Ohtake 

Homenagem a Tomie Ohtake (Quioto, 21 de Novembro de 1913 - São Paulo, 12 de Fevereiro de 2015)

“Não gosto de coisas pequenas, nem de pintar com a ponta dos dedos. Uso o corpo todo” - Tomie Ohtake

Tomie Ohtake é considerada a “dama das artes plásticas brasileiras” pela carreira consagrada, construída ao longo dos últimos cinqüenta anos, e pelo estilo ímpar de enfrentar a obra e a vida, nas quais força e suavidade têm o mesmo significado. A fama conquistada, desde a década de 60, nunca modificou o desafio a que se propõe: o eterno reinventar.


Tomie Ohtake - Sem título - 1953 - óleo sobre tela - 54 x 65 cm


A capacidade de renovação de Tomie está expressa nas diferentes fases de sua pintura e nas suas composições de gravura e escultura. É dessa intenção intuitiva permanente que brotam o frescor e o esplendor de sua arte celebrada pela crítica e pelo público até hoje, com sua vigorosa produção recente. “Sua poética ao invés de declinar, germina em outras direções e aos 89 anos, de Tomie Ohtake pode-se dizer que o outono cede espaço à primavera”, escreve o crítico Agnaldo Farias (abril, 2003).


Tomie Ohtake - Sem Título - 1954 - óleo sobre tela
A partir de 1953, as obras começam a tomar um caminho mais abstrato. Figuras dão lugar a formas e campos de cor, organizados sobre malha geométrica. "A abstração permite uma maior liberdade para se organizar o espaço da tela", disse a artista em entrevista em 2006


Nascida no Japão (Kioto/1913), Tomie chega ao Brasil em 1934 e só começa a pintar aos 40 anos de idade, construindo uma trajetória como poucos artistas brasileiros conseguiram. Os anos 60, quando se naturalizou brasileira, foram decisivos para a sua maturação como pintora originária da abstração informal. O domínio da esfera técnica de seu trabalho foi então confluindo com sua personalidade, passando a servi-la plenamente. O controle do processo coincidiu com uma nova orientação dada progressivamente ao trabalho, segundo o qual ela foi substituindo a imaterialidade aparente de suas telas pelo estudo da relação forma-cor.


Tomie Ohtake sendo apresentada por Pietro Maria Bardi á Rainha Elisabeth II da Inglaterra no dia da inauguração do Masp (Museu de Arte de São Paulo) em 7 de Novembro de 1968, em São Paulo, Brasil


Tomie Ohtake recebendo o Prêmio Probel de Pintura no Museu de Arte Moderna de São Paulo em novembro de 1960. À direita, Ciccillo Matarazzo. Foto: Athayde de Barros


Entre formas ovais, retangulares, cruciformes, quadradas - sugerindo a idealidade de uma figura geométrica ou de um signo qualquer – colocadas isoladamente, justapostas ou em série, ficava sempre preservada a ambigüidade perturbadora entre elas e o espaço da tela. Efeito que se obtém, por exemplo, na tensão entre a forma que se agiganta até praticamente encobrir o espaço; na maneira como este espaço insinua-se pelas frestas da forma; enfim, no confronto incessante entre esses dois termos e que se acentua, já nos anos 70, quando finalmente o espaço branco é tomado pela cor e se apresenta como forma.


A linha tubular suspensa de Tomie Ohtake na 23ª Bienal (1996). No térreo, obra de Anish Kapoor. No primeiro pavimento à esquerda, obra de Jesús Rafael Soto e ao fundo, no terceiro andar, painel de Sol Lewitt. Foto: Fernando Chaves


Tomie Ohtake - Sem título -1964 - óleo sobre tela 
No decorrer da década de 60, pinceladas gestuais passam a ser substituídas por áreas mais delimitadas. Formas retangulares e quadradas começam a ser mais frequentes em sua obra, dialogando com o abstracionismo geométrico 


A linha curva, em associação a uma refinada fatura cromática, mais difusa e “cósmica”, como a ela se refere o crítico Miguel Chaia, introduz sobretudo a partir dos anos 80, novas referências ao trabalho da artista: da alusão à natureza e suas formas orgânicas; do céu às sementes; da paisagem às frutas; do sensual ao francamente sexual. As telas, ao invés dos planos coloridos chapados, são compostas de manchas justapostas e sobrepostas, solução que as transforma em campos em transformação constante. Dos anos 90 em diante, a transparência e a profundidade se acentuam e a pintura de Tomie parece emanar do espaço sideral.


Tomie Ohtake - "Ondas" - Escultura comemorativa dos 80 anos de imigração japonesa no canteiro central da Avenida 23 de Maio, São Paulo, Brasil  (1988)


Tomie Ohtake - Sem titulo - 1991 - acrílico sobre tela
Entre o final da década de 80 e os anos 90, pinceladas e texturas voltam a ser elemento importante da produção de Tomie

A gravura é outra técnica que a artista domina desde o final dos anos 60 e que resulta também em um trabalho extremamente maduro e inovador: faz série em grandes formatos, transforma a gravura em objeto e, ainda, recentemente, produz obras que avançam de um plano ao outro, ortogonal, criando, nesta confluência de 90 graus, um espaço novo para a sua arte. Com este seu experimentalismo incomum para a técnica milenar, suas gravuras também ganharam reconhecimento internacional, desde 1972, quando foi convidada a participar da sala Grafica D’Oggi na Bienal de Veneza - exposição que contou com a presença dos mais importantes artistas do mundo, como os norte-americanos da Pop Art -, além de sua participação na Bienal de Gravura de Tóquio, em 1978, tradicional mostra internacional desta técnica.


Tomie Ohtake - Painel em tapeçaria - 1990 
Localizado no auditório Simón Bolívar do Memorial da América Latina, o painel em tapeçaria ocupa uma área total de aproximadamente 800 m². A obra foi parcialmente danificada em um incêndio ocorrido no auditório em 2013. Assim que soube dos danos, Tomie Ohtake disse que recuperaria a obra. "O grande mural é um desenho com muitas linhas que se compõem numa grande forma, atravessando como num só gesto, todo o comprimento do auditório. Ver depois de pronto um painel com aquelas dimensões, feito em tapeçaria a partir de um desenho gestual, é uma grande emoção!", afirmou a artista em depoimento publicado no livro "Integração das Artes" - Foto: Instituto Tomie Ohtake/Divulgação


Tomie Ohtake - Escultura metálica - 2004 
Localizada no interior do Auditório Ibirapuera, em São Paulo, a intervenção-escultura dialoga com a arquitetura de Oscar Niemeyer


Além da pintura e da gravura, Tomie tem realizado esculturas em grandes dimensões para espaços públicos e, desde a 23ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1995, quando teve uma sala especial de esculturas, vem expandindo sua produção tridimensional. Hoje, 27 obras públicas de sua autoria fazem parte da paisagem urbana de algumas cidades brasileiras. Em São Paulo, parte delas se tornaram marcos paulistanos, como os quatro grandes painéis da Estação Consolação do Metrô de São Paulo, a escultura em concreto armado na avenida 23 de maio e a pintura em parede cega no centro, na Ladeira da Memória.


Tomie Ohtake - Sem título - 2007


Tomie Ohtake - Sem título - 2009 
Prestes a completar 100 anos, a artista se concentra em formas circulares. A figura e o fundo se confundem


Desde a década de 60, a participação da obra de Tomie nos principais espaços da arte nacionais e internacionais se amplia permanentemente. Está presente em cinco edições da Bienal Internacional de São Paulo, conquista 28 prêmios, realiza cerca de 50 individuais e 85 coletivas, no Brasil e no exterior. No País, torna-se um fenômeno raro, alcançando uma popularidade incomum para um artista plástico cuja obra ao mesmo tempo é respaldada pelos principais críticos de arte. Um exemplo disto foi a sua marcante primeira retrospectiva realizada no Museu de Arte de São Paulo - MASP, em 1983, quando, até então, o professor Bardi nunca havia assistido, no museu que dirigia, um sucesso tão estrondoso para uma mostra individual, quando na abertura compareceram mais de 4.000 pessoas. Hoje, a relevância de Tomie no cenário das artes plásticas brasileiras reafirma-se na abertura de um centro cultural com seu nome, o Instituto Tomie Ohtake, homenagem extraordinária a um artista em franca produção.


Monumento Tomie Ohtake no Parque Municipal Roberto Mário Santini no emissário submarino (José Menino) em Santos, São Paulo – 2008 – inaugurado pelo Príncipe Naruhito do Japão


Tomie Ohtake - Sem título - 2012 
Tomie trabalha a organicidade de formas circulares buscando a essência monocromática nas cores puras

Tomie Ohtake - Sem título - 2013


Tomie Othake - painéis "Quatro estações" - na estação Consolação de metrô em São Paulo

“A obra de Tomie Ohtake, como trajetória íntegra e integral, tem enfrentado o desafio de construir um tempo reconciliado entre a sabedoria de uma tradição e a experiência visual do sujeito moderno. Sua obra parece buscar em nosso olhar um haicai perdido”, escreve o crítico Paulo Herkenhoff, curador do MoMA Museum of Modern Art, Nova York (setembro, 2002).


Entrada do Instituto Tomie Ohtake - foto: ©Design&MuitoMaisARTE


Instituto Tomie Ohtake - São Paulo, Brasil - Centro cultural com salas de exposição, restaurante, livraria, loja, etc. - Arquiteto Rui Ohtake


Instituto Tomie Ohtake 










quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Kings Of Convenience - Misread



Kings Of Convenience - Misread

Kings Of Convenience é um duo folk-pop indie da Noruega. Composto por Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe. O grupo musical é famoso por suas melodias de violão e sua influência da bossa nova brasileira. Øye e Bøe são os compositores e interpretes de todas as faixas.




segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Wave - João Gilberto (de Tom Jobim)



Wave - João Gilberto (de Tom Jobim)


A história da obra: "Huyendo de la crítica" (Fugindo da Crítica) - Pere Borrell del Caso

"Huyendo de la crítica" (Fugindo da Crítica) - Pere Borrell del Caso – 1874 – óleo sobre tela - colección del Banco de España en Madrid

A história da obra: "Huyendo de la crítica" (Fugindo da Crítica) - Pere Borrell del Caso

Os artistas transformam materiais como telas, madeira, mármore, etc. em sua própria visão do mundo. Nessa tela, a versão subjetiva da realidade é a essência de sua atração ao espectador.
O estilo de pintura é o o trompe-l'oeil, em que o artista tenta enganar os nossos olhos, criando uma ilusão de ótica convincente. Os primeiros exemplos de trompe-l'oeils estão na arte grega e romana, como os famosos murais em Pompeia, que oferecem vistas para a paisagem inexistente. Sua popularidade aumentou no período barroco, onde o personagem ilusionista do trompe-l´oeil é perfeitamente adequado à teatralidade tão incorporada nesta época.
Pere Borrell del Caso se distanciou do romantismo que dominava a academia. Ele rejeitou a idealização e insinceridade que, a seus olhos, eram tão típicas da arte romântica e optou por mudar para o novo estilo do Realismo. Ele fundou sua própria academia de arte, a Sociedad de Bellas Artes, onde os alunos eram incentivados a trabalhar en plein air (ao ar livre), um fenômeno raro naqueles dias.
Esta pintura, que mostra um menino mal-vestido que pula fora da moldura de um quadro para entrar no mundo fora dele, é intitulada "Fugint de la Crítica" (Fugindo da Crítica). Embora seu significado ou intenção exatos sejam desconhecidos, é provável que Borrell referiu-se aos críticos de arte conservadores de seus dias, que só queriam ver heróis e ética, ignorando assim a vitalidade do mundo real.
Pere Borrell del Caso (1835-1910) foi um pintor espanhol catalão, ilustrador e gravador. Também foi um pintor de retratos, que constituíam a maioria das suas encomendas, e cenas religiosas para vários templos em Barcelona, Gerona e Castellar del Vallés. No entanto, todas estas obras religiosas foram destruídas durante a guerra civil espanhola.

Outras obras de Pere Borrell del Caso:


Dos niñas (Duas meninas)- Pere Borrell del Caso – 1880 – óleo sobre tela – 69 x 69 cm


  Riso de duas crianças - Pere Borrell del Caso - 1880


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domingo, 8 de fevereiro de 2015

A história da obra “Seated Cupid” - Étienne-Maurice Falconet - 1757

Seated Cupid - Étienne-Maurice Falconet - 1757 – 48 cm de altura - Rijksmuseum, Amsterdam


A história da obra “Seated Cupid” - Étienne-Maurice Falconet - 1757


Desde o século 18, esta famosa escultura ficou conhecida por vários apelidos, sendo o mais conhecido “l'amour menaçant” (o amor ameaçador). A ameaça é mais evidente no olhar sabido do Cupido, enquanto o gesto que nos faz invoca segredo. A estátua foi feita para Madame de Pompadour, a amante do rei Luís XV e admiradora das artes.
O sucesso de Falconet veio com o Salon de 1757, quando ele exibiu o Baigneuse e também o Cupido. O Cupido era uma encomenda de Madame de Pompadour. Se tornou e se manteve como uma das peças mais famosas da escultura do século XVIII. Falconet abordou um tema que já havia sido tratado notavelmente por Bouchardon e Saly. Madame de Pompadour havia pedido o mesmo tema para Slodtz, mas ele não fez nada mais do que executar o pedestal em forma de tambor.





O Cupido de Falconet foi concebido em termos muito diferentes das figuras em pé de Bouchardon e Saly. Ele está sentado sobre nuvens, em enganoso repouso aparente. Ele é um menino, um bebê. A estátua encarna a atração e também a ameaça do amor. Em um perfil Cupido é visto com a mão no lábio, pedindo discrição e sigilo, apenas a ponta estendida de sua aljava (sacola de flexas) aponta para mais. Do outro lado e de frente, é evidente que a mão esquerda está extraindo uma flecha da aljava, uma ambigüidade agora evidente também no gesto de dedo no lábio que se torna menos conspirativo e mais ameaçador. E finalmente, a ambiguidade do amor se evidencia nas  proeminentes rosas esculpidas na base da nuvem.




Jeanne-Antoinette Poisson, Marquise de Pompadour (Paris, 29 de dezembro de 1721 — Versalhes, 15 de abril de 1764), mais conhecida como Madame de Pompadour, foi uma cortesã francesa e amante do Rei Luís XV da França considerada uma das figuras francesas mais emblemáticas do século XVIII. Dotada de inteligência, encanto, beleza, e ao mesmo tempo uma mulher fria, em termos físicos e na alma, Madame de Pompadour via seu papel como o de uma secretária confidencial do Rei. Governava Versalhes, concedia audiências a embaixadores e tomava decisões sobre todas as questões ligadas à concessão de favores, de forma tão absoluta quanto qualquer monarca. Influenciando politicamente as decisões reais, ela se tornou uma empreendedora, incentivando a fundação da fábrica de porcelanas de Sèvres.

Étienne-Maurice Falconet (Paris, 1 de dezembro de 1716 - 04 de janeiro de 1791) é um dos principais escultores rococós da França.

Veja mais obras e biografia do escultor em um artigo sobre ele nesse blog:



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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Os amores de Van Gogh

Vincent Van Gogh - "Sien's Mother's House Seen from the Backyard" – 1882 – lápis e giz sobre papel - 29 x 45.5 cm - coleção particular

Os amores de Van Gogh - (veja mais pinturas de Sien e análise de duas obras)


"É preciso ser bom e gentil com as mulheres, as crianças e os mais fracos. Eu tenho uma espécie de respeito por eles. Sou movido por eles ". (Carta, Julho 1882)

Van Gogh sentiu fome de amor durante toda a sua vida turbulenta, mas sua personalidade contraditória e complexa e a falta de habilidades sociais não permitiram que ele fosse feliz em sua vida pessoal.

Quando tinha 22 anos, ele se apaixonou por Eugénie Loyer, mas quando ele finalmente confessou seu sentimento a ela, foi rejeitado.


Eugénie Loyer


Durante o verão 1881 em Etten ele passou muito tempo caminhando e conversando com sua prima que ficara viúva recentemente, Kee Vos-Stricker. Kee era sete anos mais velha que Van Gogh e tinha um filho de oito anos de idade. Ele propôs casamento, mas ela recusou com as palavras: "Não, nunca, nunca" (niet, nooit, Nimmer). Kee se recusou a vê-lo e seus pais lhe escreveram: "Sua persistência é repugnante". Um dia, em desespero, ele segurou sua mão esquerda sobre a chama de uma lamparina, com as palavras "Deixe-me vê-la por quanto tempo eu puder manter a minha mão no fogo".


Kee Vos Stricker com seu filho - c. 1879/1880


Em janeiro de 1882 em Haia, ele conheceu Sien, que era uma prostituta alcoólatra, tinha uma filha de cinco anos de idade e estava grávida. Em 2 de julho, Sien deu à luz um menino, Willem. Conhecida como Sien Hoornik, Clasina Maria Hoornik (1850 - 1904) viveu com Van Gogh durante boa parte do tempo que ele morou em Haia (1881-1883). Sien posou como uma modelo para o seu trabalho e mais tarde mudou com sua filha para a casa de Van Gogh, que fez desenhos e pinturas de Sien e sua filha, seu bebê e sua mãe durante esse período, que refletia a vida doméstica e as dificuldades dos trabalhadores pobres. O relacionamento deles não foi aceito por sua família, com exceção de seu irmão Theo. Mas contribuiu, sem dúvida, a uma cisão com Anton Mauve, um primo e um notável pintor da Escola de Haia, que havia introduzido Van Gogh para a pintura, bem como o apoiava financeiramente, e a quem Van Gogh reverenciava. Por insistência de seu irmão Theo, Van Gogh deixou Sien em 1883 para pintar em Drenthe, pondo fim à única relação doméstica ele teve. Sien retomou sua vida como costureira, faxineira e provavelmente prostituta antes de se casar em 1901. Em 12 de Novembro de 1904, aos 54 anos, ela se jogou no rio Schelde e se afogou.


Maria Hoornik, filha de Sien Hoornik 


No Outono de 1884, em Nuenen, Margot Begemann, filha de um vizinho e dez anos mais velha do que Vincent, acompanhava muitas vezes o artista em suas incursões de pintura. Ela se apaixonou e ele retribuiu, embora com menos entusiasmo. Eles decidiram se casar, mas a ideia foi contestada por ambas as famílias. Como resultado, Margot tomou uma overdose de estricnina. Ela foi salva quando Van Gogh a levou imediatamente para um hospital próximo.


Margot Begemann, (Amsterdam, Van Gogh Museum - Documentation)


Em 1885, depois de pintar a tela “Os Comedores de Batata”, ele foi acusado de abusar de uma de suas jovens modelos, a camponesa de dezessete anos de idade Stien de Groot, que engravidou naquele mês de setembro.

Um dia, a prostituta Rachel, uma mulher amável, disse a Vincent que ela gostava dele. Para a pergunta "O que você gosta?", ela respondeu: "Suas orelhas". Na véspera do Natal de 1888, depois de uma briga com Gauguin, quando confrontado com uma lâmina de barbear, Van Gogh em pânico fugiu para um bordel local. Enquanto estava lá, ele cortou a parte inferior do lóbulo da sua orelha esquerda. Ele envolveu o tecido cortado em jornal e entregou a Rachel, pedindo-lhe para "manter este objeto com cuidado". Vincent então cambaleou de volta para a Casa Amarela onde morava e desmaiou. Ele foi descoberto pela polícia e internado no hospital Hôtel-Dieu em Arles.
Depois desse episódio o estado mental de Vincent flutuou descontroladamente. Às vezes ele estava completamente calmo e coerente, em outras, sofria de alucinações e delírios. Vincent continuou a trabalhar esporadicamente de sua "Casa Amarela", mas o aumento da frequência de seus colapsos mentais o levou, com a ajuda de Theo, a se internar voluntariamente no hospício de Saint Paul-de-Mausole em Saint-Rémy-de-Provence. Em 29 de Julho de 1990 ele faleceu depois de ter atirado contra o próprio peito dois dias antes.

Algumas pinturas e desenhos de Sien:


Vincent Van Gogh – Mulher Sentada – Abril de 1882 -  lápis, caneta e pincel em tinta preta, lavagem marrom / sepia, aquarela branca opaca, vestígios de quadratura, sobre papel - Kröller-Müller Museum, Otterlo, The Netherlands



Vincent Van Gogh - "Sien com um charuto, sentada no chão ao lado da lareira" – Abril de 1882 -    lápis, giz preto, caneta e pincel, sépia, lavado e aumentado com branco - Kröller-Müller Museum, Otterlo, Netherlands


Vincent Van Gogh - "Sien Descascando Batatas" – 1883 – giz preto - Gemeentemuseum Den Haag, The Hague, The Netherlands


Vincent Van Gogh - "Sien Nursing Baby" – 1882 – aquarela - coleção particular


Vincent Van Gogh – "Sien Costurando – Meia figura" – 1883 – lápis e giz preto - Museum Boijmans Van Beuningen, Rotterdam, The Netherlands


Vincent Van Gogh – "Sorrow" (Tristeza) – 1882 - lápis, caneta e tinta sobre papel - 44.5 cm × 27.0 cm - The New Art Gallery Walsall, England



"Sorrow" é amplamente reconhecida como uma obra-prima do desenho, o ponto culminante de um aprendizado longo e por vezes incerto por Van Gogh para aprender seu ofício. Ele é mencionado em uma série de cartas de Van Gogh, que o considerou um trabalho importante e descreveu o desenho como "a melhor figura que eu tenha desenhado". Em uma carta de Julho de 1882 Van Gogh escreveu: “Eu quero fazer desenhos que tocam algumas pessoas. “Sorrow” é um pequeno começo, pelo menos há algo diretamente do meu próprio coração”. Van Gogh retrata Sien Hoornik como uma mulher marcada pela vida. No desenho está inscrita a frase "Comment se fait-il qu'il y ait sur la terre une femme seule, délaissée?", que se traduz em “Como pode haver na terra uma mulher sozinha, abandonada ?”, uma citação do livro "La Femme". do historiador social Jules Michelet .


 Vincent Van Gogh - "Two women strolling (pregnant Sien and her mother)" – 1882 – lápis sobre papel - coleção particular



Vincent Van Gogh - "Mulher (Sien)com Bebê no Colo" – Meia figura – 1882 – lápis e aquarela - Rijksmuseum Kröller-Müller, Otterlo, Netherlands


Vincent Van Gogh – "Menina Ajoelhada ao Lado de Berço (Maria and Willem)"- Março de 1883 – desenho (lápis, carvão acentuados com branco) - Van Gogh Museum


Vincent Van Gogh - "Sien's Mother's House, Closer View" – 1882 – lápis sobre papel - Norton Simon Museum, Pasadena, CA, USA


A parte traseira do jardim de casa da mãe de Sien, Haia, foi um dos seis desenhos encomendados para apresentar cenas pitorescas da cidade pelo negociante de arte e tio de Vincent van Gogh, CM Van Gogh. Muito mais do que apenas uma vista selecionada aleatoriamente, o tema teve um grande significado pessoal para o artista. Na verdade, a casa e o jardim representados neste desenho meticuloso pertenciam à mãe da amante de van Gogh e modelo freqüente, Clasina (Sien) Hoornik. A ligação pessoal com a localização, no entanto, parece perdida sob o lápis e a tinta nos traços precisamente governados do artista, onde a teia extraordinária de planos, linhas e ângulos são pontuadas apenas pela curva da folhagem, os vasos de plantas, e as pinceladas de tinta branca. A rigidez foi deliberada: no momento, Van Gogh estava experimentando uma grade quadriculada para ajudá-lo a praticar perspectiva.


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A autora desse blog se sente honrada porque essa postagem foi curtida, comentada e compartilhada no Twitter pelo site Van Gogh Brabant, da cidade natal de Van Gogh.





terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

10 Pinturas e ilustrações de Fevereiro

"Fevrier" -  Alphons Mucha – 1899

10 Pinturas e ilustrações de Fevereiro


Digger in a Potato Field: February, Nuenen, Netherlands - Vincent van Gogh – 1885 – giz sobre papel


A February Morning at Moret sur Loing - Alfred Sisley – 1881 – óleo sobre tela – 50 x 65 cm


In the Art Galllery – Cosmopolitan illustration , February 1950 - Robert G. Harris – 1950 – ilustração


Fort Clark on the Missouri, February 1834, plate 15 from Volume 2 of 'Travels in the Interior of North America' - Karl Bodmer – 1843 – aquatinta sobre papel


 February - Michael Sowa


Assista um vídeo ilustrativo da obra surrealista acima:



La Belle Jardiniere – February - Eugène Grasset – 1896 - ilustração


February - Grant Wood – litografia


Poster e capa para a edição de 15 de Fevereiro de 1896 do jornal inglês The Echo - John French Sloan – ilustração


February, Sunrise, Bazincourt - Camille Pissarro – 1893 – óleo sobre tela - Rijksmuseum Kröller-Müller, Otterlo, Netherlands


domingo, 1 de fevereiro de 2015

A história da obra: Édouard Manet – “Boating” – 1874

Édouard Manet – “Boating” – 1874 – óleo sobre tela - 97 x 130 cm – The Metropolitan Museum of Art, New York

A história da obra: Édouard Manet – “Boating” – 1874

"Boating" (Passeio de barco) foi pintado no verão de 1874, quando Manet morou na casa da família em Gennevilliers sobre o Sena, em frente a Argenteuil. Nesta época, ele era freqüentemente acompanhado por Claude Monet, que morou em Argenteuil por algum tempo, e, ocasionalmente, por Renoir. Foi nesse período que ele chegou mais perto de adotar a linguagem impressionista de trabalhar ao ar livre, utilizando pinceladas rápidas e curtas. Esta pintura, porém, está em muitos aspectos, ainda atrelada à prática tradicional de Manet: é muito maior do que as telas portáteis que Monet e Renoir estavam usando nesta época e isso sugere que foi feita em estúdio. Da mesma forma, não há a aparente espontaneidade que caracteriza as obras impressionistas deste período, sobretudo na simplicidade da composição, o uso de amplos planos de cor acentuados por diagonais fortes, e de certa forma remete às gravuras coloridas japonesas. No entanto, Manet claramente queria adotar a paleta, pinceladas e temas centrados nas atividades de lazer de seus jovens colegas. "Boating" é o manifesto da nova aliança de Manet ao impressionismo. O trabalho foi mostrado no Salão oficial de 1879, onde suas afinidades com o impressionismo foram notadas por vários críticos. Ele se recusou a participar da exposição independente organizada na primavera pelos recém apelidados impressionistas.

Os biógrafos de Manet contam que Rodolphe Leenhoff, cunhado do pintor, posou para a figura do marinheiro, mas a identidade da mulher é incerta. A artista Mary Cassatt recomendou esta aquisição para as colecionadoras de New York Louisine e H. O. Havemeyer, dizendo que era "a última palavra na pintura".

Outra tela pintada no mesmo local e época:

Édouard Manet  - "Argenteuil" – 1874 – óleo sobre tela - 149 x 131cm - Musée des Beuax-Arts Tournai, Belgium 


Pintado em Gennevilliers sobre o Sena, em frente Argenteuil, onde Manet passou o verão de 1874. Os modelos foram Rudolph Leenhoff, cunhado de Manet, e uma mulher desconhecida que muitas vezes passeava de barco com eles.


Édouard Manet (Paris, 23 de Janeiro de 1832 — Paris, 30 de Abril de 1883) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX. Foi o artista mais importante e influente a atender o pedido do poeta Charles Baudelaire para os artistas se tornarem pintores da vida moderna. Manet teve uma educação de classe alta, mas também levava uma vida boêmia e escandalizou o público do Salon francês com seu desprezo pelas convenções acadêmicas e suas imagens surpreendentemente modernas da vida urbana.
Ele é associado aos impressionistas. Ele foi certamente uma influência importante sobre eles e ele também aprendeu muito com eles. No entanto, nos últimos anos os críticos mencionam que ele também aprendeu com o Realismo e o Naturalismo de seus contemporâneos franceses e até mesmo com a pintura espanhola do século XVII. Este interesse duplo nos Velhos Mestres e no Realismo contemporâneo deu-lhe o fundamento crucial para sua abordagem revolucionária.


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