segunda-feira, 23 de abril de 2018

Análise da pintura de J. M. Turner, “Rain, Steam and Speed – The Great Western Railway”

Joseph Mallord William Turner - Rain, Steam and Speed – The Great Western Railway (Chuva, Vapor e Velocidade – A Grande Estrada de Ferro do Oeste), 1844 – óleo sobre tela – 91 x 121,8 cm – National Gallery, London, UK


Análise da pintura de J. M. Turner, “Rain, Steam and Speed – The Great Western Railway”


A pintura apresenta uma recessão diagonal do primeiro plano para um ponto de fuga no centro da imagem. O encurvamento exageradamente íngreme do viaduto ao longo do qual o nosso olho se afasta no horizonte, sugere a velocidade com que a locomotiva irrompe através da chuva, com seu farol brilhante. Há o rumor que Turner viajou nesse trem e, maravilhado com sua velocidade, colocou sua cabeça para fora da janela, sentindo a velocidade e a chuva, e posteriormente retratou o que sentiu nessa pintura.

No canto inferior direito da pintura, desproporcionalmente grande, uma lebre (o mais rápido de todos os animais) passa pelos trilhos, esperando vencer a corrida e escapar com sua vida e possivelmente simbolizando velocidade, ou o perigo da nova tecnologia (no caso, o trem) poder destruir os elementos sublimes inerentes da natureza. Um barco a remo está no rio bem abaixo, e na distância, um lavrador sulca a terra.

O cenário foi identificado como a ponte ferroviária de Maidenhead, sobre o rio Tamisa entre Taplow e Maidenhead, na recém-estabelecida linha Great Western para Bristol e Exeter. A ponte tem dois arcos principais de tijolos, muito largos e planos. A vista é para o leste, em direção a Londres. A Great Western Railway (GWR), foi uma das várias companhias ferroviárias britânicas privadas criadas para desenvolver o então novo meio de transporte. A década de 1840 foi o período da "mania ferroviária" e o inquieto Turner apreciou a velocidade e o conforto dessa forma de viagem.

Joseph Mallord William Turner (1775-1851) nasceu em Londres, filho de um barbeiro. Ele entrou na Royal Academy School em 1789 aos 14 anos, antes de se tornar um membro da Royal Academy em 1802 e professor de Perspectiva em 1807. Seu trabalho foi prolífico e variado, incluindo desenhos, gravuras, aquarelas e óleos. Mesmo trazendo uma energia renovada para a exploração dos desenvolvimentos sociais, tecnológicos e científicos da vida moderna, ele manteve-se profundamente envolvido com temas religiosos, históricos ou mitológicos que o vinculavam às tradições culturais de sua época. A arte de Turner é livre e solta e embora muitos o considerem como um dos pais da arte moderna, do impressionismo e abstracionismo, sua obra pode apenas ter sido inacabada e experimental.

Nos seus últimos 25 anos de vida, profundamente afetado pela morte de seu pai, amado por uma empregada, ele teve uma relação com uma dona de casa que morava à beira-mar, com quem ele viveu incógnito. Ao longo destes anos, ele viajou, pintou, conviveu com a aristocracia do País, visitou bordéis, foi um membro popular e anárquico da Royal Academy of Arts, se amarrou ao mastro de um navio para pintar uma tempestade de neve, e foi ao mesmo tempo celebrado e insultado pelo público e pela realeza.

Os métodos de Turner pareciam menos como pintura, do que como um ataque sobre a tela, mas os resultados são nevoeiros e neblinas cercando naufrágios, locomotivas a vapor soltando fogo, tudo banhado pela mais surpreendente luz. Ao longo de seus últimos anos, ele continuou a viajar pela Europa, e fez sua última viagem em 1845. Expôs suas últimas quatro obras na Royal Academy em 1850 e morreu em 1851. Seu corpo foi sepultado na cripta da Catedral de St Paul.

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