sexta-feira, 21 de outubro de 2016

José Ferraz de Almeida Júnior, sua arte e sua história

José Ferraz de Almeida Júnior – Leitura, 1892 – óleo sobre tela - 95 × 141 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


José Ferraz de Almeida Júnior, sua arte e sua história


José Ferraz de Almeida Júnior (Itu, 8 de Maio de 1850 — Piracicaba, 13 de Novembro de 1899), foi um pintor e desenhista brasileiro da segunda metade do século XIX. É apontado como precursor da abordagem de temática regionalista, introduzindo assuntos até então inéditos na produção acadêmica brasileira, como um amplo destaque conferido a personagens simples e anônimos e a fidedignidade com que retratou a cultura caipira, suprimindo a monumentalidade em voga no ensino artístico oficial em favor de um naturalismo.


José Ferraz de Almeida Júnior – Arredores do Louvre, 1880 – óleo sobre tela - 36 × 54 cm – Coleção do Automóvel Clube de São Paulo


Em 1869 Almeida Júnior estava inscrito na Academia Imperial de Belas-Artes, aluno de Julio Le Chevrel (c.1810 – 1872) e de Vítor Meireles (1832 - 1903). Durante o curso, parece ter sido a principal diversão dos colegas, com seu jeito de caipira, seu linguajar matuto, as roupas de roceiro. Quando terminou o curso, Almeida Júnior, ao invés de tentar concorrer ao prêmio de viagem à Europa, preferiu retornar a Itu, onde abriu ateliê, onde fazia retratos e lecionava desenho. O acaso, porém, fez com que um de seus retratos fosse apreciado pelo Imperador Pedro II, durante uma viagem que realizou em 1875 à Província de São Paulo. Foi chamado à presença do soberano, que já o conhecia da Academia que lhe perguntou por que não ia aperfeiçoar-se na Europa, oferecendo-se logo em seguida para lhe custear pessoalmente a viagem.  


José Ferraz de Almeida Júnior – O Derrubador Brasileiro, 1879 - óleo sobre tela - 227 × 182 cm - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro


José Ferraz de Almeida Júnior – O descanso do modelo, 1882 – óleo sobre tela - 98 × 131 cm - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro


Em 23 de Março do ano seguinte, um decreto da Mordomia da Casa Imperial abriu crédito de 300 francos mensais para que Almeida Júnior fosse estudar em Paris ou Roma. Em 4 de Novembro de 1876, o artista seguiu com destino à França, e um mês depois já estava matriculado na Escola Superior de Belas Artes, em Paris, como aluno do célebre Cabanel (1823 - 1889). Almeida Júnior participou de quatro edições do Salon de Paris, entre 1879 e 1882. É desse período que datam algumas de suas maiores obras-primas, como “O Derrubador Brasileiro” (Salon de 1880), “A Fuga para o Egito” (Salon de 1881) e “O Descanso do Modelo” (Salon de 1882). Outras obras emblemáticas do período francês do pintor são “Arredores de Paris” e “Arredores do Louvre”.



José Ferraz de Almeida Júnior – Cena de Família de Adolfo Augusto Pinto, 1891 – óleo sobre tela – 106 x 137 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


De volta ao Brasil em 1882, Almeida Júnior realizou sua primeira mostra individual na Academia Imperial de Belas Artes, exibindo sua produção parisiense. No ano seguinte, abriu seu ateliê na rua da Glória, em São Paulo, onde contribuiu para a formação de novas gerações de pintores, dentre os quais, Pedro Alexandrino. Em São Paulo, Almeida Júnior promoveu vernissages exclusivas para a imprensa e potenciais compradores. Executou retratos de barões do café, de professores da Faculdade de Direito de São Paulo e de partidários do movimento republicano, além de paisagens e pinturas de gênero. Sua atuação como artista consagrado em São Paulo contribuiu decisivamente para o amadurecimento artístico da capital paulista.


José Ferraz de Almeida Júnior – Caipiras negaceando, 1888 – óleo sobre tela - 280 × 215 cm - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro


Na última década de sua vida, Almeida Júnior realizou o conjunto de telas de temática regionalista pelo qual viria conquistar definitivamente seu lugar na história da arte brasileira, quando não hesitou em retratar o caipira em seu ambiente pobre e simples, em sua vida calma e triste, sem nunca o ridicularizar ou transformá-lo em personagem pitoresco. Com as inovações introduzidas nessas telas, começando pela temática, e com a luminosidade solar presente no clareamento da paleta e a gestualidade mais livre, Almeida Júnior não abandonou as lições de desenho e composição geométrica de sua formação acadêmica.


José Ferraz de Almeida Júnior – Caipira Picando Fumo, 1893 – óleo sobre tela – 202 x 141 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


José Ferraz de Almeida Júnior – O Violeiro, 1899 – óleo sobre tela - 141 × 172 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


Os personagens do pintor são gente de carne e osso, que conheceu pessoalmente. O modelo para “Picando Fumo” era um tipo popular de Itu, Quatro Paus, e a mulher que aparece escutando “O Violeiro” era figura notória da cidade, misto de enfermeira e dançarina num cabaré local.



José Ferraz de Almeida Júnior – A Noiva, 1886 – óleo sobre tela – 64 x 50 cm


 José Ferraz de Almeida Júnior - A Leitora (Moça com livro), 1879 – óleo sobre tela - 50 × 61 cm - Museu de Arte de São Paulo, São Paulo


A modelo que foi sua grande inspiração foi Maria Laura, retratada em “A Noiva” de 1886, “A Pintura” de 1892, “Leitura” de 1892, e talvez também em “O Importuno” de 1898, em “Saudades” de 1899, ou em “Repouso”. Almeida Júnior era um homem tímido e retraído, porém paradoxalmente ousado, afrontando a tudo e a todos, em se tratando de seu amor por Maria Laura, sua grande paixão e o motivo de sua trágica morte, em 13 de Novembro de 1899, quando o artista caiu apunhalado, diante do Hotel Central de Piracicaba, por José de Almeida Sampaio, seu primo e marido de Maria Laura, quando este acabara de descobrir a ligação amorosa que existia, havia longos anos, entre a mulher e o pintor.


José Ferraz de Almeida Júnior – O importuno, 1898 – óleo sobre tela – 145 x 97 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


José Ferraz de Almeida Júnior – Saudade, 1899 – óleo sobre tela - 197 × 101 cm - Pinacoteca do Estado de São Paulo


Almeida Júnior foi um precursor no panorama da pintura nacional, em sua obra, que abrange pinturas históricas, religiosas e de gênero, retratos e paisagens. Sua produção, não muito extensa, é valiosa do ponto de vista estético, histórico e social, nela se misturando influências românticas, realistas e até mesmo pré-impressionistas.


José Ferraz de Almeida Júnior – Partida da Monção, 1897 – óleo sobre tela – 390 x 640 cm - Acervo do Museu Paulista, São Paulo


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