quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A história de “A Princesa Eugénie cercada por suas Damas de Companhia” de Franz-Xavier Winterhalter

Franz-Xavier Winterhalter – The Empress Eugénie surrounded by her Ladies in Waiting, 1855 – óleo sobre tela – 300 x 420 cm - Compiègne, Musée National du Château, França


A história de “A Princesa Eugénie cercada por suas Damas de Companhia” de Franz-Xavier Winterhalter


Franz-Xavier Winterhalter foi o pintor favorito da imperatriz Eugénie. Provavelmente ela usou sua própria fortuna pessoal para pagar por este famoso retrato. Exibido no Palácio Fontainebleau durante o Segundo Império, a obra foi finalmente dada à imperatriz em 1881, quando foi pendurada na entrada de sua residência em Farnborough Hill. Winterhalter era um retratista das cortes reais da Europa, e era o pintor oficial da dinastia Orleans antes de 1848, sendo o retratista preferido da família imperial francesa. A soberana (nascida Eugenie de Montijo e que por sua beleza esposou Napoleão III em 1853), é representada aqui no início de seu reinado, no meio de suas Damas de Companhia.

Inspirada em cenas bucólicas do século 18, esta composição monumental retrata a soberana e sua comitiva contra o pano de fundo de uma clareira sombreada em uma floresta. A composição é bastante artificial e formal. A imperatriz, ligeiramente à esquerda do centro, domina e é cercada pelo grupo. À sua direita está a Princesse d'Essling, líder das damas, a quem ela está oferecendo algumas madressilvas. À sua esquerda, está a Duchesse de Bassano, matrona da honra. Diante dela, sentam-se a Baronne de Pierres e a Vicomtesse de Lezay-Marnésia. No primeiro plano está a Comtesse de Montebello. À direita estão três outras damas de honra: a Baronne de Malaret, a Marquise de Las Marismas e a Marquise de la Tour-Maubourg.

Em flagrante contraste com o ambiente rústico, as Damas de Companhia rivalizam em vestimentas de luxo. Cada uma está vestindo seu melhor vestido de baile, dando assim ao pintor um pretexto para uma exibição virtuosa da pintura de tecidos, mesmo em detrimento das semelhanças. Na verdade, o verdadeiro tema desta glorificação da crinolina é a seda, tule, musseline, tafetá, rendas e fitas. Apenas a simplicidade das joias parece corresponder à configuração pastoral.

A obra é particularmente reveladora no que diz respeito ao extremo requinte típico da Corte. Esta mesma pompa foi exibida na abertura da Exposição Universal de Paris de 1855, a primeira grande manifestação oficial do regime imperial e uma etapa importante em termos de reconhecimento internacional do regime. Esta pintura foi exibida naquela ocasião no Salon d'Honneur, e (apesar do censor oficial) foi discretamente ridicularizada pela imprensa especializada de arte. Apesar do desprezo crítico, a pintura foi e ainda é um enorme sucesso de público.

Esta evocação de prestígio da segunda França imperial sublinha o encanto brilhante da corte de Napoleão III, o que contrasta com os anos maçantes do reinado de burguês Louis-Philippe. Nas Tuileries, Fontainebleau ou Compiegne, a vida luxuosa da corte do Segundo Império é o sinal tangível da aparente força do novo regime e de uma prosperidade econômica sem precedentes, celebrada pela primeira Exposição Mundial, realizada em Paris em 1855.


Etienne Billet (1821-1888) - Portrait of the Empress Eugénie – óleo sobre tela - Musée de la Marine et de l'Economie de Marseille, França


Eugénia de Montijo, nascida Maria Eugênia Ignácia Augustina de Palafox-Portocarrero de Guzmán y Kirkpatrick (Granada, 5 de Maio de 1826 - Madrid, 11 de Julho de 1920), foi marquesa de Ardales, marquesa de Moya, a 19ª Condessa de Teba, condessa de Montijo e, como esposa de Napoleão III, foi imperatriz dos Franceses. Após a morte do pai, em 1839 Eugênia se mudou, juntamente com sua mãe, para Paris, onde passou a frequentar as festas da alta sociedade, sendo cortejada por Carlos Luis Napoleão Bonaparte, o futuro Napoleão III da França. Conta-se que Eugénia era extraordinariamente bela, e que seus cabelos muito longos eram de um castanho incomum. Diz-se que, um dia, em uma conversa mais íntima ao pé do ouvido, Napoleão III lhe perguntou "qual é o caminho mais curto para seus aposentos", e ela respondeu: "pela capela, meu senhor, pela capela". Casaram-se em Paris no dia 19 de janeiro de 1853, e Eugênia ousou ser uma das primeiras noivas a casar-se de branco, seguindo o exemplo da rainha Vitória da Inglaterra, em uma época em que as noivas se casavam de azul, verde e até de vermelho.

Dizem (sem comprovação) que a imperatriz, que detestava o desconforto produzido pelas 9 anáguas engomadas que eram usadas para armar as saias na corte, decidiu substituí-las. Havia uma fábrica de espetos, em processo de falência, chamada Peugeot. Em um dia de julho de 1854 a fábrica recebeu a ilustre visita da imperatriz que lhes trouxe um desenho seu de uma espécie de gaiola feita de finíssimos aros de arame de aço e que, desde então, tornaria a indumentária feminina muito mais leve e mais arejada, a crinolina. A Peugeot foi salva da falência (após 1870 ela passou a produzir guarda-chuvas, depois bicicletas até chegar aos automóveis), a França tornou-se líder mundial inconteste no universo da moda e o nome da bela Eugênia passou a estar associado, para todo o sempre, às “maisons” de alta costura. Após a queda do 2º Império foi juntamente com o marido para o exílio na Inglaterra e quando este morreu em Chislehurst, Kent no dia 9 de novembro de 1873, passou a residir em Biarritz onde nos tempos de imperatriz costumava passar o verão e depois no Palácio de Liria e no de Dueñas em Sevilha.

Franz Xaver Winterhalter (20 de Abril de 1805 - 08 de Julho de 1873) foi um pintor e litógrafo alemão, conhecido por seus retratos de realeza em meados do século XIX. Era um retratista em moda nas cortes da Europa. Entre suas obras mais conhecidas estão os retratos que fez de Isabel da Áustria, conhecida como "Sissi da Áustria e Hungria".



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