terça-feira, 12 de abril de 2016

Roberto Burle Marx e suas múltiplas artes

Roberto Burle Marx – Guaratiba, 1989 – óleo sobre tela


Roberto Burle Marx e suas múltiplas artes


Roberto Burle Marx


Roberto Burle Marx (4 de Agosto de 1909 - 4 de Junho de 1994) foi um arquiteto paisagista brasileiro, assim como desenhista, pintor, escultor, musicista, cenógrafo, figurinista, criador de joias e tapeçarias. Seus projetos de parques e jardins o tornaram mundialmente famoso.


Roberto Burle Marx - Autorretrato, 1929 - carvão s/ papel


Roberto Burle Marx - Duas Figuras, 1942 - óleo sobre tela


Um dos mais proeminentes arquitetos paisagistas do século XX, seus famosos projetos vão desde os notáveis pavimentos de mosaico na avenida à beira-mar da Praia de Copacabana do Rio de Janeiro até a multiplicidade de jardins que embelezam Brasília, um dos vários projetos em larga escala que ele executou em colaboração com o famoso arquiteto Oscar Niemeyer. Embora o seu trabalho como paisagista seja conhecido em todo o mundo, o trabalho do artista em outros meios continua a ser pouco conhecido.


Roberto Burle Marx - Calçada de Copacabana, Rio de Janeiro


Roberto Burle Marx - Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro, projeto da década de 1950


Burle Marx defendeu o uso de plantas nativas, fazendo numerosas incursões na selva brasileira ao longo de sua vida inteira em busca de espécies raras. Ele foi um horticultor e um ecologista pioneiro que só usou plantas adequadas para o meio ambiente. Ao longo de uma carreira de mais de sessenta anos, Burle Marx projetou mais de 2.000 jardins em todo o mundo e descobriu mais de trinta espécies de plantas que agora levam seu nome, sem nunca deixar de pintar, esculpir e tecer.


Roberto Burle Marx - Eixo Monumental, em Brasília. Projeto de 1960


Roberto Burle Marx - Jardins na Unesco em Paris


Segundo declarações do próprio Burle Marx, em 1928, foi uma exposição de pinturas de Picasso, Klee e Matisse, que visitou na Galeria Flechstein, bem como uma retrospectiva da obra de Van Gogh, em Berlim, que lhe causaram profunda impressão e o levaram à decisão de estudar pintura. Ao retornar ao Brasil, atende a uma sugestão do amigo e vizinho no Leme, Lúcio Costa, para voltar a estudar na Escola Nacional de Belas Artes. Permanece cerca de 2 anos nessa Escola. Opta por interromper o curso, decepcionado com os métodos de ensino acadêmicos, centrados na cópia de modelos gregos em gesso. Substitui o ensino formal na Academia, por um caminho próprio.
Elaborada no final dos anos 20 até o início da década de 40, a pintura de Marx revela-se presa ao expressionismo em seus temas, ordenação de figuras, formas estilizadas ou simplificadas, cores intensas, ou mesmo o efeito psicológico que procura imprimir aos autorretratos e retratos de tipos populares, cenas intimistas com nus femininos, naturezas mortas, paisagens, favelas.


Roberto Burle Marx - Paisagem de Sta.Teresa, 1946 - óleo sobre tela


Roberto Burle Marx - Saxofone, 1946 - óleo sobre madeira


Na década de 40, Burle Marx se interessa pela pintura pré-cubista e cubista de Cézanne, Picasso, Braque, Léger, Gris, Lhote, entre outros, e em alguns depoimentos afirma ter maior afinidade pela obra de Braque, pois considera genial a sua influência na arte contemporânea e sua compreensão do conceito pictórico.


Roberto Burle Marx - Catavento, 1948 - óleo sobre tela


Roberto Burle Marx - Begônias, 1950 - guache sobre papel


Na década de 50, aproxima-se do abstracionismo sem, no entanto, abandonar ou romper definitivamente com a figuração. Suas composições sugerem mosaicos de formas construídas com uma geometria não ortodoxa, com uma configuração mais orgânica ou biomórfica.


Roberto Burle Marx - Sem título, 1967 - acrílico sobre tela


Roberto Burle Marx – Serigrafia 


Burle Marx nunca se fixou em movimentos ou escolas artísticas. Seu espírito meticuloso e devotado à pesquisa permitiu-lhe trafegar por todas as vertentes, sem assumir compromisso com nenhuma. Concebia a arte como um sistema de formas, cores e ritmos, entes que eram amalgamados em composições. O artista pensava nas pinturas e jardins como cartografias de vistas aéreas de campos ou paisagens, que se situam na confluência da imaginação e percepção, constatação e sonho.


Roberto Burle Marx - Tapeçaria


Mesmo sem educação formal em arquitetura paisagística, o aprendizado de Burle Marx na pintura influenciou a criação de seus jardins. Ele aceitava, embora de forma relutante, que "pintava" com as plantas, apesar de seu trabalho não ser reduzido ao efeito pictórico e visual produzido por suas paisagens, pois Marx se auto definia como um artista de jardins. Conhecido por sua preocupação ambiental e pela preocupação com a preservação da flora brasileira, Roberto inovou ao usar plantas nativas do Brasil em suas criações e isso se tornou sua característica marcante. Por esse motivo, o "estilo Burle Marx" tornou-se sinônimo do paisagismo brasileiro no mundo.


Joias de Roberto Burle Marx


Em 1949 comprou uma área de 365.000 m² em Barra de Guaratiba, litoral do Rio de Janeiro, aonde começou a organizar sua enorme coleção de plantas. Em 1985, essa propriedade foi doada ao Governo Federal. Hoje em dia é possível encontrar jardins projetados por Roberto Burle Marx em várias partes do mundo, além do Parque Burle Marx (São Paulo). Para Burle Marx, um jardim "é uma obra viva, que resulta da combinação de diferentes formas e cores, como na pintura ou nos sons musicais. Um bom jardim é aquele que revela compreensão espacial e justaposição de formas e volumes, como na pintura e na arquitetura”.


Sítio Roberto Burle Marx


Roberto Burle Marx pintando uma toalha de mesa no Sítio Roberto Burle Marx


Pela singularidade de seus jardins, que contribuíram para a humanização dos espaços públicos, nacionais e internacionais e para dar uma nova feição à arquitetura brasileira (residências particulares, empresas e edifícios governamentais), Burle Marx recebeu inúmeros prêmios e condecorações, em todo o mundo. Até 1994, ano de sua morte, havia projetado mais de dois mil jardins públicos e privados, para os quais transferiu as formas, as cores e a estética do modernismo.


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