domingo, 18 de agosto de 2019

Análise da pintura de Édouard Manet - A Bar at the Folies-Bergère

Édouard Manet - A Bar at the Folies-Bergère, 1882 – óleo sobre tela - 96 x 130 cm - Courtauld Institute of Art, London, UK


Análise da pintura de Édouard Manet - A Bar at the Folies-Bergère



Um Bar em Folies-Bergère (Un bar aux Folies-Bergère) retrata uma cena do café-concerto Folies-Bèrgere, em Paris. Este é um retrato incomum porque é de alguém no trabalho, e alguém que aos nossos olhos é definida por seu trabalho e é profundamente infeliz com ele. Ela está alienada de seu entorno, como se houvesse um painel de vidro entre ela e todos os outros no salão: os bebedores, tagarelas, amantes, mentirosos, ladrões e empresários. A modelo da moça da pintura era Suzon, de acordo com as recordações de amigos de Manet: uma jovem que trabalhava no Folies-Bergère, um dos grandes cafés-concertos parisienses,  uma espécie de salão de cerveja com música, atos de circo e outros entretenimentos.

Esta não é uma pintura realista do Folies-Bergère. Suzon trabalhava lá, mas ela posou para a pintura no ateliê de Manet, atrás de uma mesa cheia de garrafas. Ele fundiu esta imagem com esboços pintados rapidamente no Folies-Bergère. Não há nenhuma tentativa de tornar a imagem coerente: existe, como críticos contemporâneos apontaram, uma inconsistência na relação entre os reflexos no espelho e as coisas reais. O homem de cartola se aproximando de Suzon de um modo sinistro, no canto superior direito do espelho teria de estar em pé, de costas para nós na frente do bar, e Suzon deveria estar refletida em um lugar totalmente diferente. Esta pintura é cheia de mistério, ambiguidade, dúvida. Porque o que está no espelho não pode ser um reflexo do que vemos na frente dele. As coisas estão deslocadas, o reflexo da garçonete está muito longe para a direita, quando podemos ver que o espelho é paralelo ao plano da imagem em si, há um homem na frente de seu reflexo no espelho, e não há um na "realidade" na frente dele.

O que significa a expressão da garçonete? Tristeza? Arrependimento? Mal-estar? Alienação? Ela parece inocente e ao mesmo tempo, nós não ficaríamos surpresos ao saber que a conversa no espelho entre seu reflexo e o homem de cartola diz respeito a sua disponibilidade para uma outra finalidade completamente diferente do que servir copos de vinho e vender laranjas. Ao incluir um prato de laranjas em primeiro plano, Manet identifica a garçonete como uma prostituta, de acordo com o historiador de arte Larry L. Ligo, que diz que Manet habitualmente associava laranjas com a prostituição em suas pinturas. Os numerosos elementos presentes sobre o balcão do bar, garrafas de bebidas, flores, frutas, formam uma evolução piramidal, encontrando o cume, não por acaso, nas flores que ornam o colo da servente.

Essa pintura é sobre como as coisas em um espelho são diferentes das coisas na frente dos nossos olhos, é sobre a sensação de visão e os mistérios da representação e sobre a própria pintura. Um bar no Folies-Bergère é uma versão moderna de “Las Meninas” de Velázquez (1656-7). Velazquez inclui o rei e a rainha refletidos em um espelho na parte de trás de um salão do palácio. Manet adorava Velazquez, e transferiu essa estética de reflexão para os tempos modernos, para criar um mundo que só existe em espelhos. Isso transforma o espectador em uma presença espectral, perturbadora, parte da multidão que Suzon olha com tanta desilusão. O quadro possui a assinatura de Manet no rótulo da garrafa vermelha, no canto inferior esquerdo da tela.

Esse blog possui um artigo sobre a pintura “Las Meninas” de Diego Velazquez. Clique sobre o link abaixo para ver:



Édouard Manet (Paris, 23 de janeiro de 1832 — Paris, 30 de abril de 1883) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX. Manet era filho de pais ricos. Ele estudou com Thomas Couture. Sua obra foi fundada sobre a oposição de luz e sombra, uma paleta restrita em que o preto era muito importante, e em pintar diretamente do modelo. O trabalho do espanhol Velázquez influenciou diretamente a sua adoção deste estilo. Manet nunca participou nas exposições dos Impressionistas, mas continuou a competir nos Salões de Paris. Seus temas não convencionais tirados da vida moderna, e sua preocupação com a liberdade do artista em lidar com tinta fez dele um importante precursor do Impressionismo. A obra de Manet se tornou famosa no Salon des Refusés, a exposição de pinturas rejeitadas pelo Salon oficial. Em 1863 e 1867, ele realizou exposições individuais. Na década de 1870, sob a influência de Monet e Renoir, ele produziu paisagens e cenas de rua inspiradas diretamente pelo impressionismo. Ele permaneceu relutante em expor com os Impressionistas, e procurou a aprovação do Salão de toda a sua vida.


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