domingo, 7 de fevereiro de 2016

Análise de "At the Masquerade" de Charles Hermans e dos Bailes de Máscaras

Charles Hermans – Baile de Máscaras (At the Masquerade) – óleo sobre tela - 37.2 x 47 cm – coleção particular


Análise de "At the Masquerade" de Charles Hermans e dos Bailes de Máscaras


Charles Hermans (Bruxelas, 17 de de Agosto de 1839 - Menton, França , 7 de Dezembro de 1924) convida o espectador a ser arrastado pelas grandes ondas de frequentadores do baile: de figuras sombrias espiando dos balcões, foliões tagarelas sobre os mezaninos, até aqueles em posição privilegiada ao longo da pista de dança lotada. Os rostos bem estudados e distintamente pintados dos cavalheiros em primeiro plano sugerem que eles eram homens que o artista conhecia.

Essa pintura foi exibida no Salão de Paris de 1880, mostrando a visão de Charles Hermans sobre um Bal Masqué, em um local reconhecível, o teatro de luxo de uma casa de ópera (a sua decoração em vermelho e dourado sugerem a Ópera de Paris embora a decoração dourada também se assemelhe com a da Ópera de Bruxelas 'Le Théâtre Royal de la Monnaie), durante um evento social: os bailes de máscaras que animavam a temporada de inverno.


Charles Hermans – Baile de Máscaras (At the Masquerade) – óleo sobre tela - 37.2 x 47 cm – coleção particular - detalhe

No detalhe da pintura, as duas moças são as convidadas mascaradas. Mas como podemos ver a da esquerda já foi reconhecida por seu amigo, enquanto a da direita ainda está esperando alguém para reconhecê-la, embora, a parte divertida da brincadeira fosse ficar anônimo, o quanto se conseguisse.


Charles Hermans – Baile de Máscaras (At the Masquerade) – óleo sobre tela - 37.2 x 47 cm – coleção particular - detalhe


Os bailes de máscaras eram uma tradição popular no século 15. Sendo uma parte das comemorações do carnaval em Veneza, sua popularidade cresceu, uma vez que também se tornou parte de várias funções, festas e casamentos reais. As máscaras eram uma brincadeira em que os convidados viriam com uma máscara e os anfitriões tentariam reconhecê-los. Era uma espécie de jogo de festa que é praticado até hoje. O artista representou um acontecimento histórico glorioso que é a essência das "festas a fantasia" de hoje. E no Carnaval de Veneza, as pessoas usam trajes exagerados e diversificados, que é uma tradição descendente do baile de máscaras.

Os extravagantes bailes de máscaras que eram realizados em Paris, Bruxelas e outras cidades europeias durante as seis semanas antes da quarta-feira de cinzas estavam entre os mais falados espetáculos do final do século XIX. A partir da meia-noite até às cinco horas da manhã, as desafiadoras mulheres jovens do demi-monde (mulheres jovens cuja conduta ou falta de linhagem familiar as configurava para além da elite social tradicional) podiam se misturar com os homens de destaque aristocrático, financeiro e político que se reuniram para os eventos.

Na casa de ópera, o espaço da plateia era liberado para dança e a própria orquestra de ópera executava a música, tocando valsas ou mazurcas e até mesmo o controverso can-can. As mulheres se fantasiavam como estivadoras glamourizadas, pastoras, ou usavam qualquer outro traje que revelava mais delas do que os trajes de rua permitiam. E elas dançavam com abandono, com suas reputações protegidas por pequenas máscaras pretas de dominó que davam a ilusão de anonimato. Os homens, mais frequentemente se vestiam com roupas tradicionais de noite, podendo dançar, mas principalmente eles observavam e esperavam para organizar um encontro pós-baile.

Outra pintura de Baile de Máscaras:


Édouard Manet –Masked Ball at the Opera, 1873-74 – óleo sobre tela – 60 x 73 cm – The National Gallery of Art, Washington, DC


Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas por favor o compartilhe, usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais. Obrigada.


Nenhum comentário:

Postar um comentário