sábado, 5 de setembro de 2015

Curiosidades sobre a Madame X e John Singer Sargent

Madame X (Madame Pierre Gautreau) - John Singer Sargent – 1883-84 - 208.6 x 109.9 cm – Metropolitan Museum of Art, New York



Curiosidades sobre a Madame X e John Singer Sargent 


Virginie Amélie Avegno Gautreau (1859-1915) nasceu na Louisiana, filha do Major Anatole Avegno de New Orleans, um cavalheiro cuja família emigrou de Camogli, Itália, e Marie Virginie de Ternant, de Parlange Plantation, Louisiana. Depois do Major Avegno morrer de ferimentos sofridos na Batalha de Shiloh durante a Guerra da Secessão (ou Guerra Civil Americana), a senhora Avegno levou suas filhas para Paris. Lá Virginie se tornou uma célebre beleza e casou-se com Pierre Gautreau, um banqueiro parisiense, muito mais velho que ela. Sargent provavelmente a conheceu em 1881. Em 1882, ele escreveu para ela, querendo pintar seu retrato. Ele trabalhou no retrato na casa de verão dos Gautreau na Bretanha em 1883, mas teve dificuldade em encontrar uma pose e perspectiva adequadas. Numerosos estudos mostram suas diferentes tentativas de composição.





















Madame Pierre Gautreau era conhecida em Paris pela sua aparência ardilosa. Sargent esperava melhorar sua reputação pintando e exibindo seu retrato. Trabalhou sem uma encomenda, mas com a cumplicidade de sua modelo, enfatizando seu estilo pessoal ousado ao mostrar a alça direita do vestido escorregando de seu ombro. No Salão de 1884, o retrato recebeu mais zombaria do que elogios. Sargent repintou a alça no ombro e guardou o trabalho por mais de trinta anos. Quando, finalmente, ele o vendeu para o Metropolitan Museum, comentou: "Eu acho que é a melhor coisa que eu fiz", mas pediu para o Museu disfarçar o nome da modelo.







































Foto à direita: John Singer Sargent - A Figure Study – aquarela e grafite - c. 1883

No retrato final, a modelo está usando como joias apenas uma tiara nos cabelos e um anel de casamento na mão esquerda. Sua pele extremamente pálida (provavelmente com grossa camada de maquiagem) está muito exposta pelo vestido (escolhido por Sargent) decotado e sem mangas, ao contrário do que era costume para as damas da alta sociedade de então usarem ao serem retratadas. Esse contraste de pele exposta (com roupa e pose ousadas e provocativas) com um anel de casamento foi o que escandalizou os críticos e a sociedade, pois indicava uma senhora casada mas disponível a manter affairs com outros homens. Ela era sedutora, com uma beleza não convencional, com lábios finos, um nariz um pouco longo e extrema palidez. Ela tinha um andar ondulante e todos os artistas da época queriam retrata-la. Ainda assim, ela não era figura de destaque nas altas rodas parisienses, por sua ascendência. Foi então que Sargent, que também queria se destacar no mundo artístico parisiense a viu e ficou obsecado pela ideia de retrata-la, oferecendo-se para faze-lo sem ter recebido uma encomenda formal, o que ela aceitou.



Na foto à esquerda, o retrato com a alça do vestido na posição original
Na foto à direita: John Singer Sargent - Study of Mme Gautreau - c.1884 – óleo sobre tela – 206,4 x 107,9 cm – Tate Britain





John Singer Sargent com o Retrato de Madame X no cavalete, em seu ateliê

Virginie Amélie Avegno Gautreau era uma alpinista social. Casou com um rico banqueiro muito mais velho que ela e dizem que ela teve muitos "casos", mas nada provado ou registrado. Um rumor sobre um possível affair entre modelo e pintor surgiu porque esse retrato foi muito difícil de fazer, pois a modelo não tinha paciência para posar. Levou mais de 1 ano em cerca de 30 sessões, e Sargent se hospedou na casa de campo dela na Bretanha por uns meses, para conseguir que ela ficasse quieta para ele poder fazer o retrato. Assim como ela tinha sido em Paris, no campo Gautreau estava entediada pelo processo de posar. Ali, também haviam compromissos sociais, bem como as responsabilidades com sua filha de quatro anos, a mãe, os hóspedes da casa, e uma equipe de serviçais.
Quando a obra foi exposta no Salon de 1884, as reputações da modelo e do artista foram arrasadas. Ela caiu na obscuridade e ele foi para a Inglaterra, onde restaurou sua boa reputação a partir de uma tela:  “Carnation, Lily, Lily, Rose” cuja história e fotos estão no artigo “A história de “Carnation, Lily, Lily, Rose” de John Singer Sargent”. Clique sobre o link para visualizar: 


John Singer Sargent (Florença, 12 de janeiro de 1856 — Londres, 14 de abril de 1925) foi um dos retratistas mais procurados e prolíficos da alta sociedade internacional. Um americano expatriado, John Singer Sargent pintou com elegância o mundo cosmopolita, ao qual pertencia. Nascido de pais americanos que residiam na Itália, Sargent passou sua vida adulta em Paris, movendo-se para Londres em meados de 1880. O artista viajava com freqüência, e foi durante essas viagens que ele experimentou mais extensivamente com pintura en plein air, ou ao ar livre. Tornou-se um dos maiores retratistas e muralistas de seu tempo. Com a maestria técnica e a engenhosidade de seus trabalhos, retratou brilhantemente seus modelos, enfocando-lhes o refinamento aristocrático e a altivez.


Sargent, sentado no centro, na festa de um artista, em New York, c. 1888 © Private collection


Como Sargent nunca casou e manteve sólidas amizades masculinas, além de fazer alguns retratos nus de modelos masculinos (uma série de desenhos que Sargent nunca expôs e que mais tarde foram doados pela família dele para o Museu Fogg de Harvard), surgiu o boato (nunca comprovado) que ele era homossexual ou bissexual. Em 1884, em Paris, Sargent conheceu o escritor Henry James, que se tornou um de seus maiores apoiadores. James sugeriu que ele se mudasse para a Inglaterra e começou a preparar o caminho para ele lá. James escreveu a um amigo: "Eu quero que ele venha aqui para viver e trabalhar - existe um enorme campo em Londres para um real pintor das mulheres, e de temas magníficos, de ambos os sexos". Sargent e James tinham muito em comum. Os dois eram americanos na Europa que haviam passado grande parte de sua infância no exterior. Ambos eram solteiros expatriados, reservados, diligentes, cuidadosos sobre suas vidas privadas. Eles gostavam muito da sociedade, ambos se interessavam por mulheres elegantes. No modo que eles navegavam seus próprios desenraizamentos e suas próprias sexualidades inquietas, movendo-se entre Inglaterra, França e América, na forma como eles pareciam, como artistas, modernos e também à moda antiga, preocupados tanto com a superfície como com a psicologia, eles poderiam ter sido imagens espelhadas um do outro.


John Singer Sargent - Henry James – 1913 – óleo sobre tela - 85.1 × 67.3 cm - National Portrait Gallery, London

John Singer Sargent era extremamente social e saía todas as noites. Sua vida social girava em torno de arte, música, e teatro, e ele estava profundamente engajado na cultura de seu tempo, sempre aberto a novas influências, e capaz de nutrir amizades com aqueles que ele admirava. Suas diversas amizades o vinculam com a vanguarda dos movimentos contemporâneos nas artes. Curiosamente, amigos, muitas vezes descreviam a personalidade de Sargent como tímida, nervosa e inábil. Sargent era cosmopolita e fluente em Inglês, Francês, Espanhol e Italiano, e falava um pouco de Alemão, mas se expressava através de sua arte.
Sargent cultivou e manteve amizades (tais como os artistas Claude Monet e Auguste Rodin, os escritores Robert Louis Stevenson e Henry James, e o ator Ellen Terry, entre outrosque foram essenciais para a sua arte, nutrindo sua criatividade e fornecendo inspiração, e elas foram cruciais para o desenvolvimento de sua carreira ao longo de sua vida. Sargent constantemente expandiu o seu círculo de colaboradores, permanecendo dedicado aos amigos ao longo da vida. Por exemplo, era comum Sargent manter relações sociais com clientes, anos depois de ter concluído os seus retratos. Sua rede de amigos tornou possível alcançar o sucesso em ambos os lados do Atlântico.


John Singer Sargent – Auto-Retrato – 1886 – óleo sobre tela - 34.5 × 29.7 cm - Aberdeen Art Gallery and Museums Collections, United Kingdom 


Texto escrito e/ou traduzido e/ou adaptado ©Arteeblog - não copie esse artigo sem autorização desse blog, mas compartilhe usando os ícones de compartilhamento para e-mail ou redes sociais.



5 comentários:

  1. Muito bom B.! Adorei a história e esse quadro da Madame X é uma beleza.
    Beijos
    Mirna

    ResponderExcluir
  2. Curiosíssima essa história, adorei. O quadro é igualmente belo, com a alça no lugar, finalmente.
    Muito bom!
    Beijos
    Mirna

    ResponderExcluir